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13 de nov. de 2010

A Regeneração Precede a Fé - R.C. Sproul




Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A REGENERAÇÃO PRECEDE A FÉ

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento -justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

MONERGISMO E SINERGISMO

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

A Igreja precisa de teologia? .


Por: João Alves dos Santos


Introdução e Conceitos
É comum ouvirmos que “a teologia mata a religião” ou que “a Igreja não precisa de teologia e, sim, de vida”. Serão verdadeiras essas afirmações? Admitimos que há muita coisa por aí levando o nome de “teologia” que não passa de especulação humana, por não se basear em pressupostos de uma hermenêutica bíblica. E até a “boa teologia”, quando se torna um fim em si mesma, pode não ter qualquer uso prático e reduzir-se a mero academicismo. Não é disto que falamos aqui. Perguntamos se a verdadeira Teologia é necessária à Igreja.
E o que é verdadeira Teologia? Como o próprio nome indica, Teologia é o estudo de Deus, ou, definindo mais formalmente, “é a ciência que trata de Deus em Si mesmo e em relação com a Sua obra” (B.B. Warfield). Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja de Deus. É quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja não diriam, conscientemente, que alguém pode ser cristão sem conhecer a Deus. O que lhes falta é um bom conhecimento do que é Teologia e de suas implicações.
Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelação que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele é e o que Ele tem feito e faz, quem somos nós em relação a Ele, o que Ele requer de nós,etc., se não investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse é o trabalho da Teologia. Esse trabalho parte de três pressupostos: O primeiro é o de que Deus existe; o segundo, de que Ele pode ser conhecido, embora não de modo exaustivo e completo; e o terceiro, de que Ele tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criação e providência - Revelação Geral - Sl19:1,2; At 14:17), como, principalmente, nas Santas Escrituras (Revelação Especial - Hb1:1,2; 1 Pd 1:20,21). É porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. Nosso conhecimento de Deus não é intuitivo, nem natural, mas comunicado por Ele mesmo através dos meios que soberanamente escolheu. “Fazer teologia”, portanto, não é inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras, nem mesmo “descobrir” a Deus, mas conhecer e compreender a revelação que Ele próprio deu de Si. Por isso, qualquer estudo de Deus que não tiver a Sua revelação como base, meio e princípio regulador não é “teologia”, devidamente entendida.
A palavra “teologia” não ocorre na Bíblia e o termo que lhe é equivalente, no N.T., é “doutrina” ( “didache” ou “didaskalia”, no grego), que vem de uma raiz que significa “ensinar” e pode se referir tanto ao ato de ensinar, propriamente, como ao conteúdo do que é ensinado (Rm 6:17;1Tm 6:3-4; 2Tim 4:3-4; Tito 1:2,9, etc.). Podemos dizer, de modo mais completo agora, que Teologia é o conjunto de verdades extraídas dos ensinos bíblicos a respeito de Deus e de Sua obra, e que são apresentadas de modo sistemático, na forma de um corpo de doutrinas. A essa forma ordenada de doutrinas, dá-se inclusive, o nome de “Teologia Sistemática”. O adjetivo aqui, não altera o conceito de “teologia”.
Assim entendidas, fica evidente que não há diferença entre Teologia e Doutrina. Mas voltemos ao nosso tema. Duas são as razões geralmente apresentadas para se dizer que a Igreja não precisa de Teologia. Elas se baseiam em duas falsas antíteses:
1. A primeira é a suposição de que o Cristianismo se baseia em fatos e não em doutrinas. Concordamos que nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, mesmo que extraídas corretamente da Bíblia, a que damos o nome de “doutrina”, mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. Não somos salvos através de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo, mas pela própria pessoa de Cristo; nem através de um exato entendimento da doutrina da Expiação, mas pelo próprio ato expiatório. É possível alguém ser “bom teólogo”, nesse sentido, e ainda não experimentar as graças ensinadas nas doutrinas que expõe. A doutrina realmente não salva. A obra de Cristo, devidamente aplicada pelo Espírito no coração do crente, é que assegura essa graça. Seu nascimento sobrenatural, Sua vida de perfeita obediência à Lei, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição, Sua ascensão e assentamento à direita do Pai, Sua segunda vinda, são os grandes fatos que tornam garantida a salvação dos eleitos.
Mas como sabemos que esses são os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se não tivessem sido interpretados? É a doutrina que lhes dá sentido. Como viemos a saber que aquele menino que nasceu em Belém é o Filho de Deus? Por que descansamos na eficácia da Sua morte para a expiação dos nossos pecados? Por que sabemos que a Sua ressurreição, há dois mil anos atrás, garante a nossa justificação? É porque esses fatos são todos explicados e interpretados pela doutrina. Esta não só informa o fato como também dá o seu significado. A doutrina não salva, mas pode tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3:15). Doutrina sem fato é mito, mas fato sem doutrina é mera história.
O Cristianismo, portanto, consiste em “fatos que são doutrinas e doutrinas que são fatos”, na expressão de B.B. Warfield. Ele diz: “A Encarnação é uma doutrina: nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos céus e entrar no ventre da virgem; mas se isso não for um fato histórico também, nossa fé é vã e permanecemos ainda em nossos pecados”( Selected Shorter Writings, vol 2, p. 234). Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. Quando João diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14), não está apenas apresentando um fato; está explicando-o também. Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões,e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas.
Até mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelação Geral) não seriam devidamente compreendidos se não fossem explicados pela Bíblia (Revelação Especial). Podemos hoje entender que “os céus manifestam a glória de Deus” (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. Sem essa explicação, sua mensagem (a dos céus) passaria despercebida e eles poderiam até ocupar o lugar do Criador, gerando a idolatria (devido ao pecado), como lemos em Rm 1:18-32. Não é o acontece quando as pessoas dizem que “a natureza é sábia”, ou quando a chamam de “mãe natureza”?. Sem a revelação do Criador, a criatura toma o seu lugar. Daí dizer-se que para se conhecer a Deus é preciso que Ele fale, e não somente que Ele aja.
Concluímos, portanto, que os fatos só têm sentido quando acompanhados da doutrina. Nem é pertinente perguntar qual dos dois é mais importante. Seria o mesmo que indagar qual das duas pernas é mais importante para o nosso caminhar. O ensino da doutrina é uma das ênfases da Bíblia (1Tm 3:2; 2Tm 2:2; Tito 1:9; Ef 4:11), pois sem ela não existe verdadeiro Cristianismo.
2. A segunda é a suposição de que o Cristianismo consiste em vida, não em doutrina. Por trás dessa afirmação podem estar raízes do conceito filosófico que exalta o misticismo, as emoções, o sentimento religioso do homem, e que procura eliminar da religião todo apelo ao intelecto, à razão. “Religião é vida e a vida é dinâmica, fluente; a doutrina é estática, fria, e, portanto, não pode ser compatível com o caráter do Cristianismo”, dizem. Aqueles que assim pensam até admitem um certo tipo de doutrina, desde que mutável, adaptada sempre à dinâmica da vida e conformada às “necessidades” da época e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. Até chamam a isso de “teologia contemporanizada” ou “contextualizada”. Segundo esse ponto de vista, não é a doutrina que deve dirigir a vida, mas esta àquela. “A letra mata, mas o espírito vivifica”, argumentam. A prática (práxis) é colocada acima da doutrina não só em importância, mas também no tempo: a doutrina passa a ser um produto da vida cristã, não a sua norma. Há até quem interprete assim a célebre divisa: “Igreja reformada sempre se reformando”.
Mas será essa a visão bíblica do Cristianismo? Podemos dizer, com base na palavra de Deus, que o Cristianismo é vida e não doutrina, ou, primeiramente vida, depois doutrina? Existe tal antítese? Se essa posição for verdadeira, então não haverá verdade absoluta, nem princípio fixo, nem revelação objetiva. Tudo cairá no campo dos valores relativos e passará a depender do subjetivismo, da “piedade”, das emoções. Não admira que haja tanta “fluidez” e instabilidade entre os que assim pensam, e que sejam facilmente levados “por todo vento de doutrina”. Para estes, a doutrina é o que menos interessa.
Concordamos também que Cristianismo é vida, e graças a Deus por isso! Onde a vida não se manifesta, nos moldes escriturísticos, falta a alma da verdadeira religião. Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo, é a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da época em que se encontram os homens? Sabemos que esta é a posição atual dos que se denominam pluralistas e esse é o pressuposto básico desta posição. Será que aquilo que foi deixado por Paulo e pelos outros apóstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho, depois nos dias de Lutero e Calvino, depois nos dias de Warfield e dos Hodge e, assim, sucessivamente, até os nossos dias, para dar lugar às manifestações de vida? Não creio que a Bíblia justifique essa posição nem que esses teólogos a tenham entendido assim. O princípio de que “a Igreja reformada deve estar sempre se reformando” visa manter sempre a mesma posição em relação à verdade, não alterá-la, para que seja aplicável em todas as épocas. É para que continue sempre sacudindo de si toda tradição e acréscimo humano que não estejam de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. Reformar é voltar às origens, ao que foi intencionado no princípio por Deus. E não há outra forma de se fazer isto a não ser pela doutrina.
Foi a doutrina bíblica, tão bem exposta pelos reformadores e tão negligenciada pela Igreja, que a trouxe de volta às origens e lhe recuperou a vida, no século XVI. Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lançou num tradicionalismo vazio e pagão. É a correta aplicação da doutrina que produz a verdadeira vida cristã. Não basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristão. É preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. É a doutrina que dá característica à vida.
Sem dúvida, não estamos afirmando que apenas a doutrina, independente da obra santificadora do Espírito, produz vida. A doutrina é, isto sim, o meio que o Espírito soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a praticá-la. É através dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus é a nossa santificação e que, sem esta, ninguém verá o Senhor (1 Ts 4:3; Hb 12:14). É ela que nos aponta os meios de graça deixados pelo próprio Senhor, que é quem nos santifica (Lv 20:7-8; Ef 5:26). Nas epístolas paulinas, a íntima relação entre doutrina e prática é evidenciada pelo seu método de apresentar primeiro a argumentação teológica (doutrinária) para depois tirar as implicações práticas dela decorrentes (Ex. Rm 1-11: doutrina; 12-16: prática). Isso se torna ainda mais claro na oração sacerdotal de Cristo, em que Ele associa a prática da santificação com a doutrina da Palavra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 15 :17) e em João 7:17, onde o fazer a vontade de Deus está ligado ao conhecer a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”.
O conhecimento de Deus começa pela porta do intelecto, da razão, para depois pervadir todas as áreas do ser e se transformar em manifestações de vida que O agradem e glorifiquem. Por isso, o ensino da doutrina é indispensável na Igreja, tanto através do púlpito como pelos estudos semanais, pela Escola Dominical e por qualquer outro meio disponível. Nossa demonstração de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admiração, mas é pela pregação da Palavra que vem a fé que transforma (Rm 10:7) A espada do Espírito é a Palavra (Ef 6:17).
Conclusão
Concluímos, portanto, que a Igreja precisa da Teologia, porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expressão aos fatos do Cristianismo e para prover os meios de manifestação da verdadeira vida cristã.
Fonte: [ www.ipcb.org.br ]
Via: [ Eleitos de Deus
 ]

A Ira de Deus é Eterna como Ele – Jonathan Edwards



Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim. Ao olhar para o futuro, vocês verão à frente uma interminável eternidade, de duração infinita, que irá devorar vossos pensamentos e assombrar vossas almas. E vocês irão se desesperar, com certeza, por não conseguirem nenhum livramento, termo, alívio ou descanso para tanta dor. Saberão também, que terão de sofrer até à última gota por longos séculos, por milhões e milhões de anos, lutando e pelejando contra essa vingança inclemente e todo-poderosa. Então, depois de passar por tudo isso, quando tantos séculos vos tiverem consumido, saberão que tudo não passa apenas de uma gota d'água quando comparado ao que ainda resta. Portanto, vosso castigo será, com certeza, infinito. Oh!, quem poderia exprimir o estado de uma alma em tais circunstâncias? Tudo o que pudermos dizer sobre o assunto, vai nos dar, apenas, uma débil e frágil visão da realidade. Ela é inexprimível, inconcebível, pois "Quem conhece o poder da ira de Deus?"

Que horrendo é o estado daqueles que diariamente, a cada hora, se encontram em perigo de sofrer tamanha ira e infinita miséria! Mas esse é o caso sinistro de toda alma que ainda não nasceu de novo, por mais moral, austera, sóbria e religiosa que seja. Queira Deus vocês pensassem em todas essas coisas, sejam jovens ou velhos. Há razões de sobra para acreditar que muitos daqueles que ouviram o evangelho certamente estarão expostos a esse tormento por toda a eternidade. Não sabemos quem são eles, nem o que pensam. Pode ser que estejam tranqüilos agora, escutando esta mensagem sem se perturbarem muito, e que estejam até se gabando de que, no caso deles, conseguirão escapar. Se soubéssemos que dentre os nossos conhecidos existe uma pessoa, uma só, sujeita a sofrer tal tormento como seria doloroso para nós encarar o assunto. Se conhecêssemos essa pessoa, sempre que a víssemos uma tal visão seria terrível para nós. Iríamos todos levantar grande choro, e prantear por sua causa. Mas, infelizmente, em vez de uma pessoa só, é provável que muitos se lembrem destas exortações somente no inferno! E inúmeras pessoas podem estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranqüilos e seguros, podem chegar lá antes do amanhecer. Todos os que dentre vocês continuarem até o fim em estado natural pecaminoso, e que conseguirem ficar fora do inferno por mais tempo, estarão lá também em breve. Sua condenação não tardará; virá de súbito, e provavelmente para muitos de vocês, de maneira repentina. Vocês têm toda razão em se admirarem de não estar ainda no inferno. É ocaso, por exemplo, de alguns conhecidos seus, que não mereciam o inferno mais do que vocês e que antes aparentavam ter possibilidade de estarem vivos agora tanto quanto vocês. Para o caso deles já não há esperança. Estão clamando lá em extrema penúria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos, cercados pelos meios de graça, tendo a grande oportunidade de obter a salvação. O que não dariam aquelas pobres almas condenadas, desesperadas, pela oportunidade de viver mais um só dia, como que vocês desfrutam neste momento!

E agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia de par em par, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Este é o dia em que muitos estão se reunindo a ele, se apressando em chegar ao reino de Deus. Inúmeros estão vindo diariamente do norte, sul, leste e oeste. Muitos que estavam até bem pouco tempo nas mesmas condições miseráveis que vocês estão felizes agora, com os corações cheios de amor por Aquele que os amou primeiro, e os lavou de seus pecados com seu próprio sangue, regozijando-se na esperança de ver a glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás num dia assim! Ver os outros se banqueteando, enquanto vocês estão penando e se definhando! Ver os outros se regozijando e cantando com alegria no coração, enquanto vocês só têm motivos para prantear por causa do sofrimento de seus corações, e de lamentar por causa das aflições e vossas almas! Como podem vocês descansar por um momento sequer em tal estado de alma? Será que vossas almas não são tão preciosas como as almas daqueles que, dia a dia, estão se juntando ao rebanho de Cristo?

Não existem, porventura, muitos que, apesar de estarem há longo tempo neste mundo, até hoje não nasceram de novo, e por isso são estranhos à comunidade de Israel, e nada têm feito durante a vida, a não ser acumular ira sobre ira para o dia do castigo? Oh! senhores, o caso de vocês é, sem dúvida, extremamente perigoso. A dureza de vossos corações e a vossa culpa são imensas. Acaso vocês não vêem como geralmente pessoas de vossa idade são deixadas para trás na dispensação da misericórdia de Deus? Vocês precisam refletir e despertar de vosso sono, pois jamais poderão suportar a fúria e a ira do Deus infinito. E vocês que são rapazes e moças, irão negligenciar este tempo precioso que desfrutam agora, quando tantos outros jovens de vossa idade estão renunciando às futilidades da juventude e acorrendo céleres a Cristo? Vocês têm neste momento uma oportunidade, mas se a desprezarem, sucederá o mesmo que agora está acontecendo com todos aqueles que gastaram em pecado os dias mais preciosos de sua mocidade, chegando a uma terrível situação de cegueira e insensibilidade. E vocês crianças, que não se converteram ainda, não sabem que estão indo para o inferno onde sofrerão a horrenda ira daquele Deus que agora está encolerizado contra vocês dia e noite? Será que vocês ficarão felizes em ser filhos do diabo, quando tantas outras já se converteram e se tornaram filhos santos e alegres do Rei dos reis?

Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor que é um dia de grandes misericórdias para alguns, sem dúvida será um dia de extremo castigo para outros. Quando negligenciam suas almas os corações dos homens se endurece, e a sua culpa aumenta rapidamente. Podem estar certos, porém, que agora será como foi nos dias de João Batista. O machado está posto à raiz das árvores; e toda árvore que não produz fruto, deve ser cortada e lançada no fogo.

Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte e fuja da ira vindoura. A ira do Deus Todo-poderoso paira agora sobre todos os pecadores. Que cada um fuja de Sodoma: " Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que não pereças ."

“E assim, conhecendo o temor do Senhor, persuadimos aos homens”. “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Coríntios 5.11-20; 6.2). “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” . (Isaías 55.6-7). Amém.

Deus Elege Pessoas Baseado na Presciência da Fé? John Hendryx

 

As Escrituras ensinam que tudo relacionado ao evangelho tem o propósito de glorificar Cristo e destruir o orgulho do homem, ao pensar que pode salvar a si próprio. Por conseqüência, alguma coisa que diminui a glória de Cristo é inconsistente com o verdadeiro evangelho. Então, meu propósito nesta questão não é ser contencioso, mas glorificar a Deus ao alinhar nossos pensamentos com o dEle. Este pequeno artigo se propõe a desafiar a posição antibíblica que alguns evangelistas modernos insistem em pregar: a “presciência da fé”. Eu gostaria especificamente de confrontar essa posição, sustentada por alguns, que crêem que Deus observa de fora os corredores do tempo tentando ver quem crerá e então os escolhe baseado na sua resposta positiva a Ele. Eu entendo que um dos grandes motivos para alguns cristãos acreditarem neste conceito é que eles desejam preservar o amor irrestrito de Deus a todos e não podem imaginar um Deus que “arbtitrariamente” escolhe alguns e condena o resto. Se a eleição incondicional fosse verdade, argumentam, então porque Deus não salvou todo mundo? Escolher alguns e deixar outros não tornaria Deus arbitrário em Sua escolha? Essas são objeções compreensíveis que eu espero responder no que se segue:
Se entendo corretamente a ideía da “presciência da fé”, os próximos três pontos expressam corretamente o conceito central que esta posição sustenta:
  • A salvação dos homens é definitivamente o resultado de suas escolhas ao contrário de uma escolha divina, unicamente.
  • A eleição é baseada pela presciência divina da fé de certas pessoas e não somente por estar de acordo com Seu desejo e misericordiosa vontade.
  • A eleição é condicional, baseada na aceitação de Jesus Cristo e não na determinação de Deus, mesmo quando a graça de Deus está certamente envolvida neste processo.
Antes de entrarmos numa discussão dos méritos da racionalidade (lógica), devemos considerar primeiramente que o Cristianismo não é algo que nós deduzimos de uma mera filosofia especulativa. Deus decidiu nos dar faculdades racionais e as ferramentas da lógica; mas, como cristãos, isto deve sempre ser usado dentro dos parâmetros bíblicos que Ele graciosamente nos concedeu. Pensar cristologicamente é reconhecer que podemos saber de Deus somente da forma que Ele revelou-se a nós nas Escrituras; e as Escrituras não dão evidência da doutrina da “presciência da fé”. Portanto, sustentar uma teologia apenas numa inútil lógica humana não é nada mais que tirar os mais profundos fundamentos da nossa fé de fontes extrabíblicas.

Visão Bíblica do Conhecimento

De fato, as Escrituras dizem “... aqueles que [Deus] de antemão conheceu, também os predestinou”, mas seria uma exegese pobre concluir que isto deve significar uma “fé prevista”. É ir bem mais além do que o texto realmente quer dizer. Todos devemos admitir que isto é ler um conceito adicional que simplesmente não está lá, pelo motivo de o texto em questão não dizer que Deus prevê algum evento (nossa fé) ou as atitudes que as pessoas tomam. Pelo contrário, ele diz “aqueles que de antemão conheceu...”. Em outras palavras, Paulo informa que Deus prevê pessoas. As Escrituras, toda vez que citam Deus “conhecendo” pessoas, referem-se àqueles em quem o Senhor imputou seu amor. Isto expressa a intimidação do conhecimento pessoal.
Por exemplo, o Senhor diz a Jeremias: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci”. Deus determinou de antemão separar certas pessoas por amor, mas não pelas decisões delas (Amós 3:2; Mt. 7:23; João 10:14; 2 Tm 1:19). Na verdade, a Bíblia ensina que a graça de Deus em nos escolher é livre, baseada unicamente em Sua vontade, e não influenciada por capacidades natas, desejo espiritual (Rm 9:16, João 1:13), mérito religioso ou a presciência da fé das pessoas que ele escolheu para Si (Ef 1:5; 2:5,8). Pelo contrário, Deus atua de acordo com Seu supremo propósito, que é Sua própria glória.
“A todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz.” (Isaías 43:7).

Inconsistências Lógicas

A partir da falta de evidência bíblica para os defensores da “presciência da fé”, eu também gostaria de evidenciar a falha fatal e a lógica inconsistente da própria pressuposição antibíblica. Enquanto alguns retratam a “fé prevista” como uma dádiva de grande liberdade à livre escolha de todos os homens, após uma reflexão mais profunda, esta idéia mostra que nenhuma liberdade é dada ao homem no final. Ora, se Deus pode olhar o futuro e ver que uma pessoa A virá a Cristo e que a pessoa B não irá crer em Cristo, então esses fatos já estão consumados, eles já foram determinados.
A presciência divina da fé e arrependimento dos crentes implica a certeza, ou “necessidade moral” desses atos, tanto quanto um decreto soberano. “Porque aquilo que é certamente previsto deve ser certo” (R.L. Dabney). Se nós assumirmos que o conhecimento divino do futuro é correto (ponto pacífico entre todos os evangélicos), então é absolutamente certo que a pessoa A crerá e a pessoa B não crerá. Não existe qualquer forma de suas vidas tornarem-se diferente disso. Conseqüentemente, é mais que correto dizer que seus destinos já estão determinados, porque não poderiam ser diferentes. A questão é: pelo que seus destinos são determinados? Se o próprio Deus os determina, então nós não temos eleição baseada na presciência da fé, e sim na vontade soberana do Senhor.
Porém, se Deus não determina seus destinos, então quem ou o que os determina? É claro que nenhum cristão diria que existe um ser mais poderoso que Deus controlando o destino dos homens. Portanto, a única alternativa possível é dizer que seus destinos são determinados por alguma força impessoal, algum tipo de sorte, operante no Universo, fazendo todas as coisas agirem como elas agem. Mas, qual o benefício disso? Trocamos, então, a eleição sacrificial em amor, de um Deus pessoal e compassivo, por um tipo de determinismo guiado por uma força impessoal; e Deus deixa de receber a autoridade final para nossa salvação. (Wayne Grudem, Systematic Theology).
Além disso, ninguém poderia argumentar consistentemente que Deus previu aqueles que creriam e seriam salvos e também pregar que Deus está tentando salvar todo o mundo. Se Deus sabe quem será salvo, então seria um absurdo Ele acreditar que mais pessoas podem ser salvas que aquelas que Ele previamente sabia que o escolheriam. Seria inconsistente afirmar que Deus está tentando fazer alguma coisa que Ele já sabia que nunca aconteceria. Da mesma forma, ninguém pode consistentemente dizer que Deus previu aqueles que seriam salvos e em seguida ensinar que o Espírito Santo faz tudo que pode para salvar todos os homens do mundo. Por este sistema, o Espírito Santo estaria perdendo tempo e esforço na tentativa de converter um homem que Ele sabia desde o princípio que não O escolheria. O sistema antibíblico desaba por si mesmo.
Alguns poderão responder que não é nem eleição nem fé previstas, mas alguma coisa no meio. Esta opção é excluída, por definição, a não ser que você acredite que Deus não conhece o futuro. Em outras palavras, a única forma da “posição de meio-termo” ser verdade é o caso de limitarmos a onisciência de Deus (uma impossibilidade). Ou Deus sabe e decreta o futuro ou não. Se Deus sabe o futuro e sua posição da fé prevista é verdadeira, então Deus nos deixou nas mãos de um acaso impessoal. Nossas escolhas seriam pré-arranjadas por um determinismo impessoal. Sua posição “coluna do meio” poderia teoricamente ser correta se você afirmar a ignorância de Deus em relação ao futuro, mas então Deus não saberia quem iria escolhê-lo e a teoria inteira se desmancharia pelo fato da “presciência da fé” gerá-la. Concluindo, a não ser que você deseje acreditar que uma força impessoal determina nossa salvação, e que Deus não conhece o futuro (a heresia do Teísmo Aberto ), a posição da fé prevista é, ao mesmo tempo, biblicamente e logicamente impossível. Com o propósito de honrar a Deus, nós devemos, neste assunto, originar nossa autoridade das Escrituras e ser cuidadosos para não nos apoiarmos meramente naquilo que nos foi ensinado em nossa igreja.

Antecipando o contra-argumento que isto faria Deus “arbitrário”...

Primeiramente, eu gostaria de desafiá-lo a confrontar a seguinte passagem. Paulo encontrou a mesma argumentação contra a eleição – que isto faria Deus injusto e arbitrário.
Romanos 9:18-23:
Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer. Mas algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?”. Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?”. O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para a destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória.
Para começar, Paulo não faria esta questão hipotética a não ser que ele acreditasse que a determinação final da salvação estava apenas nas mãos de Deus. Paulo está dizendo que Deus tem o o direito supremo de fazer conosco o que Ele quiser. Você irá condená-lo por este direito? Além disso, como nós conhecemos a personalidade de Deus, nós não devemos pensar que, a Seu modo, Deus não tinha razões ou causas para salvar a alguns e outros não – “o propósito divino sempre conspira com a sabedoria de Deus e nada ocorre sem motivos ou despropositadamente, apesar destas razões e causas não terem sido reveladas a nós. Nos Seus conselhos e obras nos quais nenhum propósito é perceptível, este propósito ainda está oculto com Deus. Logo, o que Ele decretou nunca está fora de uma justa e sábia concordância com Seu beneplácito, fundamentado em Seu gracioso amor que nos envolve” (Heppe, Reformed Dogmatics ). Apenas não saber o porquê de Ele escolher alguns para a fé e outros para a descrença não é razão suficiente para rejeitar isto. Na falta de dados relevantes, nós, portanto, não temos razão, ou o que for, para assumir o pior, portanto não há base legítima para duvidar da benignidade de Deus aqui. Conseqüentemente, duvidar que Deus pode escolher-nos baseado somente no seu bel consentimento não é duvidar da bondade de Deus. Os defensores da “presciência da fé” estão, na verdade, dizendo que são incapazes de crer na escolha de Deus e preferem dá-la a seres decaídos, como se eles pudessem tomar uma decisão melhor que Deus. Vamos resumir então a resposta à acusação de Deus ser arbitrário:
“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.” (Deuteronômio 29:29).
A eleição é baseada nas qualidades morais de Deus (por exemplo: bondade, compaixão, empatia, integridade, não fingimento, imparcialidade, justiça, etc.).
Deus tem “causas e razões” para Suas escolhas, mesmo que estas sejam “intimas” dEle (ou seja, desconhecidas nas criaturas). Nós sabemos que o Senhor é bom e portanto podemos confiar que Ele faria uma escolha melhor que as nossas.
Deus não faz nada sem razão. Ele não faz nada despropositadamente. Ele simplesmente não nos revelou estas razões e causas, apesar de elas certamente existirem. Como elas não foram reveladas, estamos proibidos de tentar adivinhá-las. Porém, como conhecemos a fidelidade de Deus, podemos nos regozijar em Sua sabedoria. Deus não falta com razões justas para Seus atos. Estas “razões justas” estão simplesmente ocultas para nós.
Salvação não é condicionada por algo que Deus vê em nós e que nos torna dignos de Sua escolha. NENHUM dos Seus decretos são feitos sem justiça e sabedoria.
Devemos sempre ter em mente que Deus não é obrigado a salvar ninguém e que todos nós somos justamente merecedores de Sua ira. Assim, se Deus salva alguém, é puramente um ato de Sua misericórdia. Todos os evangélicos concordam que seria justiça de Deus pôr toda a humanidade em julgamento. Por que, então, seria injustiça de Sua parte julgar alguns e ter misericórdia do resto? Se seis pessoas me devessem certo valor, por exemplo, e eu perdoasse quatro deles, mas ainda quisesse o pagamento dos outros dois, eu estaria totalmente dentro de meu direito. Quanto mais Deus está? (Leia A Parábola dos Trabalhadores na Vinha – Mateus 20:1-16).
“Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.” (Romanos 9:16).


_________________________
Tradução livre: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.




Para engrandecer Cristo como a máxima satisfação – John Piper


Desmamando os cristãos dos seios da autoconfiança

Como Paulo cria que o sofrimento fazia parte da vida do cristão fiel, ele investigou por que isso acontecia. Sua própria experiência de sofrimento introduziu-o profundamente nas formas pelas quais Deus ama seus filhos. Por exemplo, ele aprendeu que Deus usa o sofrimento para nos desmamar da autoconfiança e nos fazer depender exclusivamente dele. Depois de sofrer na Ásia Menor, ele diz: "Não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos (2Co 1.8,9). Este é o propósito universal de Deus para todo sofrimento humano: que as pessoas estejam mais contentes com Deus e menos satisfeitas consigo mesmas e com o mundo.

Jamais ouvi alguém dizer: "As lições verdadeiramente profundas da vida aprendi-as em tempos de tranqüilidade e conforto". Mas ouvi santos fortes dizerem: "Todo avanço importante que já obtive em termos de compreender a profundidade do amor de Deus e de crescer profundamente com ele veio pelo sofrimento". Samuel Rutherford disse que, quando foi lançado nos porões da aflição, lembrou que o grande Rei sempre guardava seu vinho ali. Charles Spurgeon disse que aqueles que mergulham no mar da aflição trazem pérolas raras para cima.

Para engrandecer Cristo como a máxima satisfação

A pérola de maior valor é a glória de Cristo. Por isso Paulo destaca que, em nossos sofrimentos, a glória da graça todo-suficiente de Cristo é exaltada. Se nos apoiarmos nele em meio à calamidade, e ele nos sustentar ao nos "alegrarmos na esperança", então ficará visível que ele é o Deus de graça e força, que nos satisfaz em todos os aspectos. Se nos segurarmos firmes nele

"quando tudo desmorona à nossa volta", então fica evidente que vale mais a pena desejar a ele do que tudo o que perdemos. Cristo disse ao seu apóstolo que sofria: "A minha graça te basta, porque o [meu] poder se aperfeiçoa na fraqueza". Paulo respondeu a isso: "Portanto, eu me sinto mais alegre ainda por estar orgulhoso pelas minhas fraquezas, para assim ter a proteção do poder de Cristo em mim. Alegro-me com essas fraquezas, insultos, necessidades, perseguições e dificuldades por causa de Cristo. Porque, quando estou fraco, aí sim é que sou forte" (2Co 12.9, 10). Portanto, o sofrimento é determinado claramente por Deus não apenas como meio de desmamar os cristãos de si mesmos e fazê-los mamar na graça, mas também de iluminar a graça e fazê-la brilhar. É exatamente isso que faz a fé": ela engrandece a graça futura de Cristo.

As coisas profundas da vida em Deus são descobertas no sofrimento. Assim foi com o próprio Jesus: "Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5.8). O mesmo livro em que lemos isso também nos diz que Jesus nunca pecou (Hb 4.15). Portanto, "aprender a obediência" não significa mudar da desobediência para a obediência. Significa crescer cada vez mais profundamente com Deus na experiência da obediência. Significa experimentar as profundezas da entrega a Deus que, de outra forma, não seria exigida.

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