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4 de nov. de 2011

Cristianismo é Religião? - Vincent Cheung



Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Sempre agradecemos a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vocês, pois 
temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amor que têm por todos os santos,
por causa da esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por 
meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês. Por todo o mundo este evangelho 
vai frutificando e crescendo, como também ocorre entre vocês, desde o dia em que o ouviram e 
entenderam a graça de Deus em toda a sua verdade. Vocês o aprenderam de Epafras, nosso amado 
cooperador, fiel ministro de Cristo para conosco, que também nos falou do amor que vocês têm 
no Espírito. (Colossenses 1:3-8, NVI)
Algumas pessoas têm aversão à palavra “religião” e preferem não ter nada a 
ver com ela. Entre elas, aqueles que se consideram cristãos opõem-se à palavra 
sobre o fundamento que o Cristianismo não é uma religião, mas uma “vida” ou 
“relacionamento”. Mas esse desdém para com a palavra é baseado em ignorância e 
falsa piedade. 
Primeiro, podemos questionar se as palavras “vida” e “relacionamento” são 
de fato descrições adequadas da fé cristã. O relato bíblico dessa vida e 
relacionamento é muito mais rico do que pensam a maioria das pessoas que 
preferem essas palavras como descrições da fé. De fato, a Escritura inclui muitas 
coisas em sua exposição dessa vida e relacionamento que essas pessoas estão 
procurando excluir ao rejeitar a palavra “religião”. 
No dicionário  Merriam-Webster, uma definição principal de religião é “o 
serviço ou adoração a Deus”. Isso pode parecer muito específico para alguns 
filósofos, mas o cristão mediano dificilmente protestaria contra. Mesmo que a  
definição seja insuficiente, não há nada repulsivo ou não-espiritual nela. E sem 
dúvida, “o serviço ou adoração a Deus” pode incluir a idéia de uma vida ou um 
relacionamento, mas é também amplo o suficiente para incluir mais, ou mais das 
coisas que estão envolvidas nesta vida ou relacionamento. 
Então, uma segunda definição é “um conjunto pessoal ou sistema 
institucionalizado de atitudes, crenças e práticas religiosas”. Isso provavelmente 
representa a idéia de “religião” que muitos cristãos dissociam de sua fé ou qualquer 
vida espiritual legítima. Contudo, não há nada inerentemente errado nessa idéia de 
religião; antes, precisamos saber o que tem sido personalizado ou institucionalizado. 
Se for uma religião verdadeira, então ela deveria ser personalizada. Se essa religião 
verdadeira endossa uma organização formal em suas operações, então ela deveria 
ser institucionalizada. 
Institucionalizar algo significa “incorporar num sistema estruturado e, com 
freqüência, altamente formalizado”. Isso poderia ser correto ou errado, e a forma 
                                                  
como é feito poderia ser correta ou errada. Um “sistema… altamente formalizado” 
poderia canonizar um conjunto de tradições humanas, resultando na repudiação da 
ortodoxia doutrinária e liberdade espiritual. Contudo, a falta então reside no que é 
formalizado, e não na idéia em si de uma organização formal. Assim, mesmo a 
institucionalização não tem nada inerentemente censurável, nem é necessariamente 
oposta ao ou pelo Cristianismo. 
Assim, por exemplo, se não é errado para um crente dizer que “o 
Cristianismo é o único serviço ou adoração verdadeira a Deus”, então não é errado 
ele dizer que “o Cristianismo é a única religião verdadeira”. Da mesma forma, não 
existe nenhum problema com a primeira e segunda definição do  Webster's New 
World Dictionary: “crença num poder ou poderes divino ou super-humano, que deve 
ser obedecido e adorado como o(s) criador(es) e governador(es) do universo” e 
“qualquer sistema específico de crença e adoração, freqüentemente envolvendo um 
código de ética e uma filosofia”. 
Se uma pessoa insiste sobre uma definição privada de religião que a torne 
errada ou anti-bíblica, então sem dúvida não deveria aplicá-la ao Cristianismo, mas 
ele não tem nenhum fundamento para impor tal definição sobre outras pessoas. O 
ponto é que quando consideramos as definições comuns dos dicionários, a 
declaração “o Cristianismo não é uma religião” é falsa, e de fato anti-bíblica. Sem 
dúvida o Cristianismo é uma religião. E se estamos considerando essas definições, 
então a pessoa que diz “Dê-me Jesus, e não religião” está nos dizendo que ela não 
quer nada que tenha a ver com “o serviço e adoração a Deus”. 
A distinção necessária não é entre religião e relacionamento, visto que pelo 
menos mediante as definições de dicionários, uma religião pode incluir um 
relacionamento. Antes, a distinção necessária é entre uma religião boa e má, uma  
religião verdadeira e falsa. O Cristianismo é superior ao Islamismo, Budismo e 
outros, não porque é um relacionamento enquanto os outros são meras religiões. 
Todos são religiões! A diferença é que o Cristianismo é verdadeiro e o restante é 
falso. O Cristianismo é uma religião divinamente revelada. É a palavra de Deus 
mesmo sobre o apropriado serviço e adoração a Deus. Todas as outras religiões são 
invenções humanas e demoníacas. 
Assim, a questão crucial não é se o Cristianismo é uma religião, mas que tipo 
de religião é. Uma forma que a Escritura caracteriza a religião cristã é com as 
palavras fé, amor e esperança (v. 4-5). Quando significados subjetivos e emocionais 
são atribuídos a essas palavras, elas não podem transmitir algo substancial sobre o 
Cristianismo ou acentuar suas características distintivas das outras religiões e 
filosofias. Mas quando entendidas de acordo com o seu uso bíblico, essas palavras 
são capazes de expressar alguns aspectos centrais da religião cristã, tanto que alguns 
escritores têm organizado suas dogmáticas em torno delas. Sem dúvida, a mesma  
informação pode ser apresentada em diferenças formas, no que diz respeito a 
termos de estrutura e ênfase. 
A fé não é uma crença ou confiança geral. Algumas pessoas encorajam a “ter 
fé” sem menção do conteúdo dessa fé. Mesmo incrédulos são encorajados a ter fé 
nesse sentido. Se se pretende que essa fé produza um resultado desejável, ou faça o 
esforço e vigor de alguém prosperar, então qual é a base para essa confiança? “Fé” 
nesse sentido freqüentemente não se refere a nada, senão a uma força de vontade 
ou expectativa irracional. 
A Escritura fala sobre fé de diferentes formas. Aqui mencionaremos apenas 
dois de seus significados mais amplos. Primeiro, “fé” pode se referir à religião cristã 
em si, isto é, a série de doutrinas e práticas que a definem, como quando dizemos 
“a fé cristã” e “o conteúdo da fé” (Judas 3). Ou, “fé” pode se referir à crença 
pessoal nessa religião, como quando dizemos “tenha fé em Deus” (Marcos 11:22) e 
“temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus” (Colossenses 1:4). Esse 
tipo de fé é um dom de Deus, produzido por seu Espírito naqueles a quem 
escolheu. Quando afirmamos a doutrina da justificação pela fé, afirmamos que 
Deus nos salva dando-nos fé em Jesus Cristo. 
Quando discutimos fé, amor e esperança juntos, estamos interessados nesse 
segundo sentido de fé – é a “fé em Cristo Jesus”. Existe o equívoco popular 
segundo o qual “crer em” Deus não é o mesmo que “crer que” o que ele revelou 
sobre si mesmo é verdadeiro, isto é, crer em coisas “sobre” Deus. Algumas vezes a 
distinção é feita entre confiança e crença, ou confiança e assentimento. Contudo, a 
distinção apropriada é uma feita entre fé verdadeira e falsa, não entre uma fé “crer 
em” e “crer que”, ou entre confiança e assentimento. Seria absurdo dizer: “Creio 
em Cristo, mas não creio em nada sobre ele” – “crer em” Cristo dessa forma não 
tem sentido. Ter fé em alguém é crer em algo sobre ele, e é impossível ter fé em 
alguém de uma forma além ou diferente da que temos fé com respeito a  ele, ou sobre 
ele. 
Tem sido argumentado que o conteúdo de “crer em” e “crer sobre” (ou 
“crer que”) não são necessariamente idênticos, visto crermos em certas coisas sobre 
uma pessoa que nos fornece uma base para “crer em” ou “confiar” nela, além 
daquilo imediatamente indicado por aquelas coisas cridas sobre ela. A menos que 
“confiança” refira-se a uma suposição cega afirmada por pura força de vontade, em 
cujo caso não é de forma alguma a fé bíblica, dizer que você “confia” em Deus 
além do que crê “sobre ele”, é simplesmente dizer que o que você crê “sobre” ele 
fornece uma base para você fazer isso, que por sua vez significa que essa 
“confiança” permanece idêntica ao que você crê “sobre” ele. Isto é, a distinção ou 
“distância” feita entre confiança e assentimento é ela mesma outro objeto de 
assentimento. E isso significa que a distinção é de fato falsa, e a “distância” não 
existe. 
Assim, dizer que temos fé em Cristo é uma abreviatura para dizer que 
cremos em várias proposições sobre Cristo. A palavra “fé” indica a natureza 
positiva e desejável das coisas que cremos sobre ele, e na extensão em que essa fé é 
bíblica, essas coisas serão proposições bíblicas. 

Fonte: http://www.vincentcheung.com

4 de jan. de 2011

Calvinismo - Sobre a Base da Religião - A. Kuyper


A posição do Calvinismo é diametralmente oposta a tudo isto. Ele não nega que a religião tem igualmente seu lado humano e subjetivo; não discute o fato de que a religião é promovida, encorajada e fortalecida por nossa disposição de buscar ajuda em tempo de necessidade e consagração espiritual diante de paixões sensuais; porém, sustenta que isto inverte a própria ordem das coisas para buscar, nestes motivos acidentais, a essênciae o verdadeiro propósito da religião. O Calvinismo valoriza tudo isto como frutos que são produzidos pela religião, ou como âncoras que lhe dão apoio, mas rejeita honrá-los como a razão de sua existência. Certamente, a religião, como tal, produz também uma bênção para o homem, mas ela não existe por causa do homem. Não é Deus quem existe por causa de sua criação; a criação existe por causa de Deus. Pois, como diz a Escritura, ele tem criado todas as coisas para si mesmo.

Por esta razão, Deus mesmo imprimiu uma expressão religiosa no conjunto da natureza inconsciente, - nas plantas, nos animais e também nas crianças. “Toda a terra está cheia de sua glória”. “Grande é o teu nome, Deus, em toda a terra”. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos”. “Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor”. Fogo e saraiva, neve e vapor, e ventos procelosos – todos louvam a Deus. Mas, do mesmo modo como a criação toda alcança seu ponto culminante no homem, assim também a religião encontra sua clara expressão somente no homem que é feito à imagem de Deus, e isto não porque o homem a busque, mas porque o próprio Deus implantou na natureza do homem a verdadeira expressão religiosa essencial, por meio da “semente da religião” (semen religionis), como Calvino a define, semeada em nosso coração humano. [1]

O próprio Deus fez o homem religioso por meio do sensus divinitatis, isto é, o senso do Divino, que ele faz tocar as cordas da harpa de sua alma. Um ruído de necessidade interrompe a harmonia pura desta melodia divina, mas somente em conseqüência do pecado. Em sua forma original, em sua condição natural, a religião é exclusivamente um sentimento de admiração e adoração que eleva e une, não uma sensação de dependência que separa e deprime. Do mesmo modo como o hino dos Serafins ao redor do trono é um clamor ininterrupto de“Santo, Santo, Santo!”, assim também a religião do homem sobre esta terra deveria consistir em um ecoar da glória de Deus, como nosso Criador e Inspirador. 

O ponto de partida de todo motivo na religião é Deus e não o homem. O homem é o instrumento e o meio, somente Deus é o alvo aqui, o ponto de partida e o ponto de chegada, a fonte da qual as águas fluem e, ao mesmo tempo, o oceano para o qual elas finalmente retornam. Ser irreligioso é abandonar o propósito mais alto de nossa existência, e por outro lado não cobiçar outra existência senão a vivida para Deus, não ansiar por nada exceto a vontade de Deus, e estar totalmente absorvido na glória do nome do Senhor, isto é a essência e o cerne de toda verdadeira religião. “Santificado seja o teu nome. Venha teu reino. Seja feita tua vontade”, é a tripla petição, que dá expressão à verdadeira religião. Nossa senha deve ser - “Buscai primeiro o reino de Deus”, e depois disto, pense em suas próprias necessidades. Primeiro permanece a confissão da absoluta soberania do Deus Trino; pois dele, através dele, e para ele são todas as coisas. E por isso, nossa oração continua a mais profunda expressão de toda vida religiosa. 

Esta é a concepção fundamental da religião mantida pelo Calvinismo, e até agora, ninguém jamais encontrou uma concepção superior, pois nenhuma concepção superior pode ser encontrada. O pensamento fundamental do Calvinismo, ao mesmo tempo o pensamento fundamental da Bíblia e do próprio Cristianismo, conduz, no campo da religião, à realização do mais alto ideal. A Filosofia da religião em nosso próprio século, em seus vôos mais ousados, não tem jamais atingido um ponto de vista superior nem uma concepção mais ideal.


[1] Institutas de Calvino, tradução inglesa de Edinburgo, Vol. I, Livro I, Capítulo 3: “Que existe ali na mente humana e certamente por instinto natural, algum senso dedeidade, nós sustentamos estar além de discussão ...” Capítulo 4, Parágrafo 1. “Mas embora a experiência testifique que uma semente da religião esta divinamente semeada em todos, apenas um numa centena é encontrado que a nutre em seu coração, e nenhum em quem ela chegou a maturidade, até agora ela é de frutosubmisso a sua estação. Em nenhuma parte do mundo pode ser encontrada genuína bondade.”

20 de nov. de 2010

Estão erradas as discordâncias religiosas?


Não! A Bíblia nos manda "batalhar arduamente pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos" (Judas 3). Para batalhar arduamente pela fé, é necessário às vezes corrigir e repreender (2 Timóteo 4:2); é preciso ocasionalmente repreender os homens severamente (Tito 1:13); às vezes é necessário se opor a um companheiro cristão (Gálatas 2:11); é preciso também debater e poderosamente contradizer falsos professores em público (Atos 9:29; 18:28).
O diabo, é claro, prefere que os homens religiosos mantenham suas bocas fechadas enquanto ele se veste de cordeiro (Mateus 7:15), disfarçando-se como um anjo de luz (2 Coríntios 11:13-15) e infiltrando-se despercebido (Judas 4), introduzindo dissimuladamente heresias destruidoras (2 Pedro 2:1) para destruir a fé do homem (Efésios 6:10-17; 2 Coríntios 10:3-5). A batalha nunca pode estar ganha por entregarmos nossas armas ou por comprometermo-nos com os erro.
O diabo é audacioso ele raramente aparece com dois chifres e um rabo. Ele meramente distorce o evangelho (Gálatas 1:6-9; 2 Pedro 3:15-16) e se mascara como um verdadeiro cristão. Então, quando os homens tomarem a espada do Espírito (Efésios 6:17) e começarem a se opor contra o erro, ele chora: "Nós precisamos de mais amor e paciência; nós apenas vemos as coisas de maneira diferente, mas todos nós servimos ao mesmo Deus e estamos indo para o mesmo lugar."
Não devemos batalhar ou sermos briguentos sobre caprichos pessoais ou opiniões. Mas quando a pureza da doutrina de Deus é envolvida, nós devemos não somente discordar, mas batalhar arduamente pela verdade do evangelho!

-por Gary Fisher

19 de set. de 2010

A religião daqueles que não se incomodam



“Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as suas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porém ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra” (Ezequiel 33:31,32).
De todas as religiões vãs do mundo, pode ser que não haja nenhuma tão triste quanto a religião dos que não se incomodam. A verdadeira religião envolve lidar com um Deus que mexerá no fundo do nosso caráter danificado pelo pecado com uma visão de cura verdadeira. Deus não se alegra em simplesmente nos deixar como estamos. Se nós o buscamos com um pouco de honestidade verdadeira, conseguiremos alcançar o poder que é a força mais incomodante que existe. É uma força que irá ou transformar-nos em seres, cuja pureza caiba apenas no céu, ou nos levará a uma rebelião contra Deus que pode terminar apenas no inferno. Não há meio-termo. E, mesmo assim, nós brincamos com a religião como se ela fosse uma experiência sem perigos, algo prazeroso no nosso “estilo de vida”, e não uma força transformadora. 
Algumas vezes, simplesmente não vemos o quanto precisamos ser mudados, e reagimos de maneira defensiva à sugestão de que qualquer coisa em nós pode ser insatisfatória. Na verdade, podemos ter algumas falhas e erros, alguns hábitos não produtivos, e até uma ou duas neuroses. Mas arrependimento parece ser uma palavra forte demais para as mudanças que precisamos fazer, e preferimos evangelistas que reconhecem como são respeitáveis as vidas que construímos para nós mesmos. 
Outras vezes, simplesmente vemos a religião como uma experiência “interessante” ou “divertida” (ao invés de transformadora), algo feito para simplesmente aproveitar ou apreciar. Se mudança profunda de caráter é necessária nas nossas vidas, existem a ciência e a psicologia para este propósito, não a religião. Deus, nós pensamos, existe para nos fazer sentir bem (não para nos irritar), e se agradecemos o evangelista de vez em quando por nos corrigir (de maneira educada e delicada, é claro), ainda assim a nossa gratidão é por uma experiência emocional que de alguma maneira nos fez “sentir melhor” por termos sido corrigidos. E, tendo experimentado a religião, seguimos o nosso caminho sem nos incomodar e sem mudar. 
Chega um momento quando as pessoas que andaram experimentando
a religião (“a busca do homem por Deus”) de repente se afastam.
E se realmente o encontramos? Não queríamos realmente chegar neste ponto!
E pior ainda, e se ele tivesse nos encontrado?

(C. S. Lewis)

–por Gary Henry

4 de set. de 2010

11 de ago. de 2010

A VERDADEIRA RELIGIÃO

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Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. – 2 Tm 3:5
Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. – Rm 2:28,29

Temos três instruções a partir destas passagens:
1. Aprendemos primeiramente, que a religião formal não é religião, e um cristão formal não é um cristão do ponto de vista de Deus;
2. Em segundo lugar, aprendemos que o coração é a base da verdadeira religião e que o verdadeiro cristão, o é no coração;
3. Em terceiro lugar, aprendemos que a verdadeira religião nunca será popular. Ela não terá o “louvor do homem, mas de Deus”.
Nós aprendemos primeiramente que a religião formal não é religião, e que o cristão formal não é um cristão, do ponto de vista de Deus.

Mas o que seria religião formal?

Quando um homem é cristão nominal somente e não na realidade – somente em coisas externas e não o é interiormente; professa e não pratica; quando seu cristianismo é um mero problema de forma ou moda ou costume, sem nenhuma influência no seu coração ou vida – nestes casos este homem possui o que eu chamo de religião formal. De fato ele possui a forma, a casca, ou a pele de religião, mas não possui seu conteúdo ou poder.

Veja, por exemplo, as milhares de pessoas cuja religião inteira parece consistir de cerimônias religiosas e ordenanças. Elas comparecem regularmente à adoração pública, participam regularmente da Santa Ceia, vão regularmente para a mesa do Senhor, mas isto é tudo! Elas não conhecem nada sobre o cristianismo experimental. Elas não estão familiarizadas com as Escrituras e não tem prazer em lê-las. Elas não se separam do mundo, elas não fazem nenhuma distinção entre crentes e incrédulos nos seus relacionamentos conjugais e de amizade. Elas parecem totalmente indiferentes sobre o que ouvem na pregação.
Você pode andar na companhia delas por muito tempo sem jamais supor que eram infiéis ou deístas. O que pode ser dito sobre estas pessoas? Eles são indubitavelmente cristãos professos e não há nem coração nem vida no cristianismo delas. Há apenas uma coisa a ser dito sobre elas: elas são cristãs formais. Sua religião é uma forma.
Na outra direção, há centenas de pessoas cuja religião inteira parece consistir em conversas e conhecimento acadêmico. Elas conhecem a teoria do evangelho intelectualmente, e professam se deleitar na doutrina evangélica. Elas podem dizer muito sobre a “sanidade” de suas “visões”, e a “escuridão” de todos que discordam deles, mas também não vão além! Quando você examina a vida interior delas perceberá que não conhecem nada sobre a prática da santidade. Eles não são verdadeiros, nem caridosos, nem humildes, nem honestos, nem mansos, nem gentis, nem desinteressados, nem honrados. Elas são cristãs? Sim, sem dúvida elas são cristãs formais, e não há substância nem frutos cristianismo delas.
Não há nada tão comum como uma religião de forma. É uma doença “genética”, presente em toda a raça humana. Nasce conosco, e nunca nos deixará até que morramos. Encontra-nos nas igrejas, entre ricos e pobres, entre pessoas instruídas e sem instrução, entre romanistas e protestantes evangélicos. Portanto, se você ama a vida, cuidado com a formalidade.
Nada é tão perigoso à alma humana. Uma pessoa que se familiariza com a forma da religião, dia a dia, se torna cada vez mais insensível sobre todo o homem interior. Este tem um efeito enfraquecedor da consciência. Ninguém parece ficar tão desesperadamente endurecido quanto àqueles que estão continuamente repetindo palavras santas e lidando com coisas santas, enquanto seus corações correm atrás do pecado e do mundo.
Aqueles que mantêm orações familiares formais, para dar boa aparência às suas casas; pastores inconversos que estão todas as semanas fazendo orações e trazendo lições das Escrituras nas quais eles não sentem nenhum real interesse; cantores inconversos que cantam os hinos mais espirituais todos os domingos somente porque tem boas vozes, enquanto seus afetos estão completamente nas coisas terrenas.
Ele pode supor que Deus não vê a maldade e a falta de vida do seu cristianismo? Embora ele possa enganar os vizinhos, conhecidos, adoradores da mesma categoria, e ministros com uma forma de santidade, ele pensa que pode enganar a Deus? Esta é uma ideia absurda! O salmista diz: “Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? Ou aquele que formou o olho, não verá?” – Sl 94:9.
Passo a considerar meu segundo ponto. O coração é a base da verdadeira religião, e o verdadeiro cristão é o cristão do coração.
O coração é o real teste do caráter de um cristão. Não é pelo que diz ou faz que o homem possa ser conhecido. Ele pode dizer e fazer coisas certas, por motivos falsos e desmerecedores. O coração é o homem. “Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim é”. – Pv 23:7.
O coração é o teste certo da religião de um homem. Não é suficiente que um homem abrace um credo correto de doutrina e mantenha uma forma externa de santidade. Como é o seu coração? Esta é a grande questão! Isto é o que Deus olha. “Porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. – 1 Sm 16:7.
O coração é o lugar onde a religião salvadora tem de começar. O coração é naturalmente irreligioso e deve ser renovado pelo Espírito Santo. “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.” – Ez 36:26. “o sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” – Sl 51:17. Está por natureza fechado e cerrado contra Deus e deve ser aberto. O Senhor abriu o coração de Lídia (At. 16:14).
O coração é a base da verdadeira fé salvadora. "Pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." (Rm. 10:10). Um homem pode acreditar que Jesus é o Cristo, como os demônios creem e ainda pode permanecer nos seus pecados. Ele pode acreditar que ele é um pecador e que Cristo é o único Salvador e sentir, ocasionalmente, preguiçosos desejos de ser um homem melhor. Mas ninguém abraça a Cristo e recebe perdão e paz até que creia com o coração.
O coração é a fonte da verdadeira santidade e da resoluta continuidade em fazer o bem. Verdadeiros cristãos são santos porque seus corações são atingidos. Eles obedecem por amor. Eles fazem a vontade de Deus de coração. Apesar de fracos, débeis e defeituosos, seus feitos agradam a Deus porque são realizados por um coração amoroso. Ele que elogiou a oferta da viúva pobre, mais do que todos os oferecimentos dos ricos judeus, estima qualidade muito mais do que quantidade. O que Ele gosta de ver é algo feito por "um coração reto e bom" (Lc. 8:15). Não há verdadeira santidade sem um coração reto.
As coisas que eu estou dizendo podem soar de forma estranha. Talvez vá de encontro a todas as noções de alguns leitores. Talvez você tenha pensado que se a religião de um homem está exteriormente correta, ele deve ser um dos quais Deus se agrada. Você está completamente enganado. Você está rejeitando o teor inteiro do ensino bíblico. Retidão externa sem um coração reto, não é nada mais nada menos que farisaísmo. As coisas externas do cristianismo - batismo, Ceia do Senhor, caridade, ser membro da igreja e coisas semelhantes - nunca levam a alma de qualquer homem ao céu, a menos que seu coração seja reto. O cristianismo deve existir tanto interna, quanto externamente, e é o interior que Deus fixa seu olhar.
Ouça o ensino de Paulo sobre este assunto em três textos impressionantes: "Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor"; "Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura." (Gl. 5:6; 6:15). "A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus." (1 Co. 7:19). Será que o apóstolo somente quer dizer nestes textos que a circuncisão já não era necessária de acordo com o evangelho? Era só isso? Não! Creio que ele quis dizer muito mais. Ele quis dizer que a verdadeira religião não consiste em formas, e que sua essência é algo muito distante de ser ou não ser circuncidado. Ele quis dizer que, de acordo com Cristo Jesus, tudo depende de nascer de novo, em ter verdadeira fé salvadora, em ser santo na vida e conduta. Ele quis dizer que estas são as principais questões que nós devemos olhar e não as formas externas. "Sou uma nova criatura? Eu realmente acredito em Cristo? Eu sou um homem santo?" Estas são as perguntas cruciais que temos que procurar responder.
Quando o coração está errado, tudo está errado a vista de Deus. Muitas coisas boas podem ser feitas. As formas e ordenanças que o próprio Deus designou podem parecer estar sendo honradas. Mas apesar disto, quando o coração está em falta, Deus não se agrada. Ele terá o coração inteiro do homem ou nada.

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20 de jul. de 2010

O Perigo de Seguir a Religião dos Pais

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Muitas pessoas confiam nas decisões religiosas de seus antepassados, seguindo cegamente a fé herdada dos pais. Para tais pessoas, pode ser ofensivo sugerir a necessidade de avaliar suas pressuposições religiosas. Alguns até afirmam: "Eu nasci em tal religião e morrerei na mesma." Outros dizem praticamente a mesma coisa: "Se esta religião foi boa para meus pais, também é boa para mim."

Enquanto a Bíblia claramente ensina que devemos respeitar e obedecer aos nossos pais, Deus nunca diz que uma pessoa deve aceitar cegamente as escolhas de outra pessoa, mesmo dos próprios pais. Neste artigo, vamos começar com um texto interessante no livro de Jeremias. Depois, consideraremos diversos exemplos de fé e algumas aplicações importantes para os dias de hoje.

Perderam sua herança. Por quê?

Nos últimos dias antes da queda de Jerusalém ao rei da Babilônia, Nabucodonosor, Deus disse ao povo: "Assim, por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir aos teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre" (Jeremias 17:4). Foram deserdados! Por quê?

Entendemos que qualquer pai, enquanto vivo, tem o direito de excluir seus filhos da herança. É raro, mas acontece, às vezes, quando o filho faz alguma coisa muito desagradável aos pais. O caso de Judá nos surpreende, porque aconteceu ao contrário. Os filhos perderam sua herança porque seguiram aos pais!

Os antepassados desse povo abandonaram Deus (Jeremias 16:10-11). A geração viva na época de Jeremias (cerca de 600 a.C.) seguia os erros dos pais, e até construia suas religiões em cima das práticas e doutrinas dos pais (veja Jeremias 16:12). O resultado? Foram deserdados!

Não podemos confiar na religião tradicional dos pais

Quando nossos pais nos guiam na verdade, devemos aprender a verdade e sermos fiéis a ela. As pessoas abençoadas com pais dedicados e fiéis a Deus devem ser gratas por isso. Timóteo aprendeu a verdade de sua mãe e sua avó (2 Timóteo 1:3-5). O resultado é que ele depositou sua fé no Senhor e na palavra dele (2 Timóteo 3:14-17).

Mas, freqüentemente, é necessário rejeitar a religião dos pais para fazer a vontade de Deus. Considere os exemplos de quatro grande heróis de fé:

Abraão foi chamado para sair de sua terra e de sua parentela (Gênesis 12:1). Os antepassados dele (além do Eufrates) eram idólatras (Josué 24:14-15). Antes de receber as grandes promessas de Deus, foi necessário que Abraão abandonasse a falsa religião dos pais.

Gideão foi um homem tímido usado por Deus para livrar seu povo da opressão dos midianitas. Mas, sua primeira missão foi difícil. Deus mandou que ele derrubasse o altar de Baal e o poste-ídolo que pertenciam ao pai dele (Juízes 6:25).

Rute, uma mulher moabita, casou com um homem hebreu e aprendeu com a família dele sobre Deus. Quando ele morreu, sua sogra imaginou que ela voltaria para seus parentes  moabitas e suas religiões. Mas, a nova fé dessa viúva jovem era tão forte que ela deixou os pais e mudou para Judá, onde continuou servindo a Jeová (Rute 1:15-17).

Josias é conhecido como um dos melhores reis na história de Judá. Ele liderou o povo em grandes reformas religiosas. Mas, para assim honrar ao Senhor, ele tinha que rejeitar a religião do próprio pai. 2 Crônicas 33:21-25 descreve o maldoso pai de Josias. Capítulos 34 e 35 do mesmo livro contam a história do bom reinado de Josias.

Essas pessoas que corojosamente rejeitaram as religiões falsas dos pais foram usadas por Deus nos seus propósitos. Através do descendente de Abraão, todas as famílias do mundo receberam a oportunidade de serem salvas (Gênesis 12:3; Gálatas 3:29). Gideão conduziu um pequeno exército de 300 homens na vitória sobre 135.000 soldados midianitas (Juízes 7) e ganhou um lugar entre os grandes exemplos da fé (Hebreus 11:32-34). Todos os reis de Judá eram descendentes de Rute, a corajosa viúva que abandonou a falsa religião dos pais. E, mais ainda, o próprio Jesus é da linhagem dela (Mateus 1:5). Josias foi responsável por grandes reformas em Judá, incluindo a melhor Páscoa desde a época de Samuel (2 Crônicas 35:18).

É comum resistir tais mudanças, não querendo ofender os pais. Mas, às vezes, a conversão verdadeira do filho acaba resultando na conversão dos pais. Foi isso que aconteceu quando Gideão derrubou o altar e o ídolo do próprio pai. No dia seguinte, o pai repreendeu as pessoas que defenderam Baal (Juízes 6:28-31).

Maldito o homem que confia no homem

Opovo de Judá confiou nos homens e seus erros religiosos, ao invés de obedecer ao Senhor. Jeremias transmitiu as palavras de Deus: "Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!" (17:5). O resultado foi desastroso: "Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável" (17:6).

Encontramos nesse trecho de Jeremias três ilustrações das maneiras que o homem pode confiar no homem e perder sua comunhão com Deus:

Œ Pela prática da idolatria (religião inventada pelos homens) ao invés de servir a Deus (religião revelada por Deus): "...porque profanaram a minha terra com os cadáveres dos seus ídolos detestáveis e encheram a minha herança com as suas abominações" (16:18). Muitos da nossa geração sugerem que todas as religiões são igualmente válidas, mas Deus nunca aceitou tal idéia. Desde a criação, ele tem afirmado a existência de um só Deus verdadeiro, que deve ser louvado em espírito e verdade (Efésios 4:5-6; João 4:24). O pluralismo religioso não vem de Deus, e não encontra nenhum apoio nas Escrituras.

Pela confiança nas riquezas e no poder humano. Deus condena "aquele que ajunta riquezas, mas não retamente" (17:11-13). A desonestidade continua sendo um terrível problema, mesmo entre as pessoas que se chamam cristãos. Muitas pessoas, e até nações inteiras, se acham capazes de solucionar seus problemas sem considerar a vontade de Deus. Mas o braço carnal não garante para o homem as coisas mais importantes. O homem abençoado é aquele que confia no Senhor (17:7-8).
     
Ž Pela confiança no próprio coração. Uma das filosofias mais populares nos dias modernos é a noção que cada pessoa encontrará a verdade dentro de si. Algumas pessoas se envolvem totalmente na busca de si, fazendo o que acham certo para satisfazer os desejos do próprio coração. Na vida particular, tal filosofia gera egoísmo e infelicidade. Na religião, ela conduz os adeptos à ignorância, confusão e perdição. O pecado maior da geração de Jeremias foi exatamente essa confiança no coração do homem. Deus falou: "Vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que cada um de vós anda segundo a dureza do seu coração maligno, para não me dar ouvidos a mim" (16:12). O problema, Deus continua explicando, é que o coração do homem não consegue guiá-lo à verdade: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (17:9).

Fatos e escolhas importantes

Os capítulos 16 e 17 de Jeremias ensinam algumas lições importantíssimas. Entre elas: ì Deus vê tudo e julga retamente. Ele disse: "Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniqüidade aos meus olhos" (16:17). "Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações" (17:10). A onipresença de Deus conforta os fiéis e causa medo nos rebeldes. Pelo fato que ele vê tudo, é capaz de julgar cada pessoa individualmente (Ezequiel 18:4,20). í Temos apenas duas opções. Podemos confiar nos homens (17:5-6) ou no Senhor (17:7-8). Aqueles que confiam na carne serão malditos. Os que confiam em Deus serão abençoados. Algumas pessoas rejeitam a necessidade de escolher entre dois caminhos, achando que quase todos serão recebidos e abençoados por Deus, independente das escolhas feitas nesta vida. Malaquias respondeu a esse argumento em Malaquias 3:14-18. Às pessoas que acharam "inútil" servir ao Senhor, ele prometeu que chegaria o dia em que Deus faria distinção entre o justo e o perverso. No Novo Testamento, o próprio Jesus Cristo disse que ainda temos apenas duas possibilidades: "Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mateus 7:13-14).

O caminho do Senhor nem sempre é o mesmo que os pais e avós seguiam. Cada pessoa criada na imagem e semelhança de Deus precisa buscar o caminho do Senhor. Jesus é o único "caminho, e a verdade, e a vida" (João 14:6; Atos 14:12).
 
- por Dennis Allan

Interessante nessa questão é que Jesus nunca disse; 'Eis que vos trago uma nova religião'! Imagine como ficariam os sacerdotes?

Jesus frequentava a sinagoga e vemos mais terde os discípulos fazerem o mesmo...
prova de que Ele não tinha interesse em trocar nenhum 'dogma religioso' ou 'paradigama de fé', mas sim renovar a aliança de quem se disfarçava de bom moço e religioso na sociedade e fazê-lo ligado a Deus por fato e verdade...

Jesus, embora ícone religioso de vários segmentos ditos 'cristãos' era uma figura completamente descaracterizada da imagem da religião.
Ele mesmo proferiu; 'Seja a vossa religião cuidar dos órfãos e das viúvas...'
Sim , a religião separa aquilo que Deus une... e Jesus veio 'religar' o homem a Deus de um modo que a religião nunca fez e nunca o fará!

Nossas denominações e nomenclaturas nos separam mais do que nos 'definem' (Como alguns dizem). E a solução pra isso? Clamar ao Senhor para que una o Seu povo sem rótulos! 'A oração do justo pode muito em seus efeitos'.

- Leila

Autor(a): PR. DANIEL ROCHA

"Vocês estão se ajuntando para pior, ao invés de melhorar, e ainda acabarão devorando uns aos outros" (1Co 11.7 e Gl 5.15). Por incrível que pareça, essa reprimenda é dirigida, não a uma classe de irrequietos adolescentes, mas a um pequeno grupo de cristãos do primeiro século.

Parece que não mudou muita coisa de lá pra cá, e o registro dessas palavras servem de advertência para nós, ou seja, de que algo não vai muito bem quando o resultado da reunião que se faz em nome de Deus é intriga, divisão, desprezo, formação de "panelas", rancor, e perda do bom senso.... Quem assim vive pode até ser chamado de religioso, mas certamente ainda não entendeu o que é o Evangelho.


A própria bíblia descarta qualquer manifestação de religiosidade como legítima se estiver divorciada de uma vida ética: "Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã" (Tg 1.26).


Quando Paulo esteve pregando no Areópago não lhe passou despercebido a religiosidade dos atenienses: "em tudo vos vejo acentuadamente religiosos" (At 17.22), disse o apóstolo. Podemos dizer o mesmo de nossa gente. Enquanto na Europa o secularismo e a indiferença são a tônica da vida, no Brasil notamos a inegável religiosidade de nosso povo. Magos, médiuns e gurus são reverenciados em nossa terra, e o nosso escritor mais lido autodenomina-se bruxo.

Somos um povo religioso, mas não exatamente uma nação guiada pelo Evangelho. Há alguns anos entrando em um táxi notei no painel à minha frente um adesivo "Só Cristo Salva". Logo imaginei estar ao lado de um fervoroso cristão. Mas quando me voltei para o motorista observei pendurado no espelho retrovisor um emaranhado de figas, guias e patuás. Sim, eu estava ao lado de um autêntico religioso tupiniquim, que à moda dos gregos, não queria esquecer nenhum "deus", por isso se dobrava a todos.

"A crença é uma estrada que não leva à fé; na verdade, as crenças atrapalham porque satisfazem a nossa necessidade de religião" (Jacques Ellul). Ou seja, o fato de alguém ser religioso, na verdade, pode ser um impedimento para encontrar o Eterno. Não será justamente a estes que Jesus dirá "apartai-vos de mim, nunca vos conheci" (Mt 7.23)?

A religião já fez muita coisa de ruim neste mundo: em nome de Deus tivemos as Cruzadas que promoveram massacres e pilhagens, em nome de Deus a Inquisição perseguiu e queimou muita gente, em nome de Deus a catequização jesuítica subjugou os povos indígenas das Américas. E neste século muitas bombas explodirão nesta Terra, seja em nome de Deus, seja em nome de Alá.

Infelizmente, loucura e religião andam de mãos dadas e em grande sintonia, pois a religião é uma ótima propagadora de diversas patologias: religiosos obsesssivos-compulsivos esforçam-se diuturnamente para cumprir rígidos rituais que a si mesmos se impuseram, e pastores histriônicos derramam-se na teatralidade de gestos e gritos para o deleite de platéias à beira de um histerismo. Não é incomum fiéis serem proibidos por psiquiatras de freqüentarem igrejas ou buscarem qualquer forma de religião, tal a gravidade das doenças instaladas.

Às vezes me pergunto o que fizemos do Evangelho, que é vida, que é água a jorrar, que é relacionamento e intimidade com Deus e toda a sua criação? Sim, o que fizemos do Evangelho? Ouso responder: transformamo-lo em uma religião sem Deus, sem coração.

Felizmente Jesus não veio inaugurar "mais uma" religião. Ele veio anunciar a Ele mesmo e a chegada do Reino entre nós. Nenhuma forma de religiosidade consegue atender às necessidades existenciais do homem: só Ele! Jesus veio para curar as vidas de suas mazelas, dar uma esperança real, nos afastar das ilusões, apontar o Caminho, que é Ele, e salvar-nos de nós mesmos. A grande pergunta, então, não é se você é religioso, mas se você é um discípulo de Jesus.

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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