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13 de jul de 2010

Vendo e Não Vendo - (Sermão 701) - 1866 - C. Spurgeon

/ On : 16:13/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

"Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspimos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: Você está vendo alguma coisa?'Ele levantou os olhos e disse: Vejo
pessoas; elas parecem árvores andando'. Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente" (Mc 8.22-25).
Nosso Salvador muitas vezes curava os enfermos mediante um toque, pois pretendia nos impressionar com a verdade de que as fraquezas da humanidade caída somente podem ser removidas mediante o contato com sua humanidade abençoada. Ele tinha, no entanto, outras lições para ensinar, e por isso também adotou outros meios de atuação na cura de enfermos. Além disso, era vantajoso, por outras razões, manifestar certa variedade nos seus métodos. Se nosso Senhor tivesse lançado todos os seus milagres em um único molde, os homens teriam atribuído importância indevida à maneira de ele ter agido e, supersticiosamente, dariam mais valor ao método que ao poder divino mediante o qual o milagre foi operado. Por isso, nosso Mestre nos apresenta grande variedade na forma dos milagres.
Embora sempre transbordem com a mesma bondade, e demonstrem a mesma sabedoria e o mesmo poder, o Mestre toma o cuidado de tornar cada milagre distinto do outro, a fim de contemplarmos a multiforme bondade de Deus, e não imaginarmos que o Salvador divino esteja tão destituído de méto dos a ponto de precisar se repetir. E pecado dominante da nossa natureza carnalficarmos no que é visto e nos esquecermos do que não se vê; daí, o Senhor Jesus muda o modo externo de operar, a fim de deixar claro que ele não está limitado a qualquer método específico de curar, e que a operação exterior não é nada em si mesma. Ele queria que compreendêssemos que se ele optasse por curar medi­ante um toque, também poderia curar com uma palavra; e se ele curava com uma palavra, poderia até dispensar a palavra, e atuar por meio da sua simples vontade; que o simples olhar era tão eficaz quanto o toque da sua mão, e que, vem ao Salvador. É cego, mais não cega os outros. Se ele convive com outros cegos, não aumenta a cegueira deles, e se entra em contato com os que conseguem ver, não prejudica a visão deles de nenhuma forma; estes, talvez, poderão até mesmo derivar algum benefício da associação com ele, pois são levados a sentir gratidão pela visão que possuem, ao notar as trevas em que o cego está tão tristemente envolvido. Não é, portanto, o caso de uma pessoa de vida libidinosa ou de conversa imunda; não, de modo algum, o caso de um homem que cor romperia os filhos de vocês, que os levaria ao pecado.
As pessoas não iluminadas das quais falamos são benquistas nas nossas famílias, e de forma correta assim, porque não disseminam doutrinas injuriosas, não apresentam maus exemplos, e mesmo quando falam de coisas espirituais, nos levam a sentir dó delas por saberem tão pouco, e ficamos gratos a Deus porque ele nos abriu os olhos para contemplarmos as coisas maravilhosas da sua Palavra. Nem abominam a Deus para se enfurecerem contra ele, nem vivem de modo imundo, a ponto de lesar a raça humana; essas pessoas nem têm inca pacidade em qualquer aspecto, senão em um único órgão: o olho da mente; é o entendimento que está obscurecido; mas quanto aos demais sentidos, essas pes soas que agora retrato são esperançosas, até mesmo saudáveis. Não estão totalmente surdas, pois escutam o evangelho com prazer considerável e com atenção sincera. E verdade que não o compreendem com clareza; é muito mais a parte da letra que assimilam, mas o espírito, em grau bem menor; mesmo assim, estão escutando, e se encontram em condições de obter uma bênção maior, pois "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus" (Rm 10.17, RA).
E, além disso, de certa maneira, tampouco são mudas, pois realmente oram, do jeito delas. E verdade que sua oração é pouco espiritual, mas não deixa de possuir certa sinceridade que não deve ser desprezada. Eles freqüentam locais de culto desde a juventude, e nunca negligenciaram as formas externas da religião.Infelizmente paralelas, permanecem cegas! Mas são muito desejosas de escutar e de orar, e esperamos que ainda consigam fazer ambos; não são, portanto, totalmente surdas ou mudas. Além disso, não parecem estar incapacitadas em outros aspectos. A mão não está ressequida — o caso de um enfermo que Cristo ficou conhecendo na sinagoga. Nem estão encurvadas pela dolorosa depressão de es pírito, como aquela filha de Abraão que ficara encurvada durante muitos anos. Estão animadas e diligentes nos caminhos do Senhor. Se a causa de Deus pre cisar de cooperação, estão prontas a cooperar e, embora, em razão da perda dos olhos espirituais, não possam entrar na plena alegria das coisas divinas, não deixam de estar entre as pessoas mais dispostas que conhecemos, para ajudar em qualquer boa causa; não por conseguirem compreender plenamente o espírito dessa causa, nem por conseguirem participar desse espírito porque, em razão da cegueira
natural, isso lhes é coisa estranha; mesmo assim, opera-se nelas algo muito belo e esperançoso, porque anseiam, dentro das suas limitações, por ajudar na causa de Cristo.
Com referência a todas as congregações dos crentes, temos um pequeno grupo desse tipo, e no tocante a algumas igrejas cristãs, até entre os membros, na sua maioria, estão em situação bem pouco menor; quanto à instrução, não rece beram mais que o mínimo necessário para distinguir a mão esquerda da direita nas questões espirituais. Por falta de ensino doutrinário são deixadas na ignorância, e por não serem apresentadas diante delas palavras de sã doutrina, permanecem quase cegos, incapazes de desfrutar dos belos cenários que animam os olhos do crente iluminado.
II. Agora, devemos examinar o método de cura usado pelo Senhor.
Toda parte do milagre é sugestiva. A primeira coisa a ser observada é a intervenção amiga, — foram os amigos que levaram o cego até Jesus. Quantos são os que não entendem corretamente a doutrina fundamental do evangelho de Cristo, e precisam da ajuda dos crentes! Sentem certo afeto pela religião na sua forma abstrata, mas não estão plenamente conscientes do que devem fazer a fim de serem salvos. Quanto à grande verdade da substituição, a questão funda mental do evangelho, ainda não a apreenderam. Pouco sabem a respeito de chegar a confiar totalmente no Senhor Jesus com base na satisfação que Jesus prestou à justiça onipotente. Possuem algum tipo de fé, mas seus conhecimentos são tão limitados que a fé lhes confere pouco benefício, ou nenhum. Semelhantes pessoas poderiam ser abençoadas se os cristãos mais adiantados se esforçassem paralevá-las ao conhecimento mais claro do Salvador. Por que você não consegue colocar semelhantes almas ao alcance do som do ministério que foi instrutivo para si mesmo? Por que você não pode deixar acessível a eles o livro que foi o meio de abrir os seus olhos? Por que você não pode colocar diante da mente deles o texto das Escrituras, a passagem da Palavra de Deus, que inicialmente iluminou você?
Não seria uma obra muito esperançosa para nós nos ocuparmos — a de procurar os que não são hostis ao evangelho, mas simplesmente o desconhecem, os que têm zelo por Deus, mas não segundo o conhecimento, os que, se alguém lhes pudesse fornecer a luz, então teriam achado a única coisa necessária? Por certo, já que cuidamos dos degradados, dos aviltados, e dos depravados, que poluem nossas praças e ruas pustulentas, devemos com igual zelo buscar os esperançosos que respeitosamente ouvem o som da pregação que não é do evangelho, ou que escutam a Palavra verdadeira, mas não a percebem. Irmãos e irmãs, vocês fariam bem se orassem por eles, e se, ainda, procurassem os excelentes jovens cavalheirose as amáveis jovens damas, e se esforçassem para responder à pergunta da sua consciência delicada: "Quem dera que soubéssemos onde achá-lo!". Pode ser que, com a ajuda de Deus, este fosse o primeiro passo para receberem a vista espiritual, que vocês cuidassem desses filhos da bruma e da noite.
Quando o cego foi levado diante do Salvador, recebeu primeiramente con tato com Jesus, pois Cristo o tomou pela mão. E um dia feliz para a alma quando ela entra em contato pessoal com o Senhor Jesus. Irmãos, quando esta mos na condição de incredulidade, ficamos sentados na casa de Deus, e parece-nos que Cristo está distante; ouvimos a seu respeito, mas parece se tratar de quem já foi embora até os palácios de marfim, e que não mais está em nosso meio; e assim ficamos sentados, suspiramos e ansiamos para sentir sua sombra cair sobre nós, ou tocar, por assim dizer, a fímbria das suas vestes; mas quando a alma realmente começa a se firmar em Jesus, quando ele se torna o objeto da atenção, quando sentimos que, afinal, há nele algo a ser agarrado e percebido, que ele não é uma sobra distante e impalpável, mas uma existência genuína — uma existência que tem influência sobre nós, é então que ele nos toma pela mão. Sei que alguns dentre vocês se sentiram assim.
Acontece muitas vezes no dia do Senhor que vocês sentem que devem orar; sentem que o sermão foi feito para vocês; imaginam que alguém tivesse contado ao pregador a respeito de vocês, pois a verdade lhes era tão aplicável — os pormenores do sermão do pregador encaixaram-se perfeitamente com a condição da sua mente: trata-se, segundo penso, do Senhor tomando vocês pela mão. Para vocês, o culto não era só falar e escutar palavras; porém, uma mão misteriosa tocou em vocês, os sentimentos ficaram impressionados, e o coração consciente de emoções específicas provenientes da presença do Salvador. Fica claro que Jesus não entra em nenhum contato físico conosco; trata-se de um contato mental e espiritual; a mente do Senhor Jesus coloca a mão na mente dos peca dores e, mediante o Espírito Santo, influencia com suavidade a alma na direção à santidade e à verdade.
Notem a ação que se seguiu, por sua peculiaridade. O Salvador levou o homem a uma posição solitária, pois o levou para fora da cidade. Já notei que, na conversão de pessoas mais espiritualmente cegas que deliberadamente ímpias, não tão hostis quanto ignorantes, um dos primeiros sinais de se tornarem cris tãs, é passarem a ficar a sós e sentirem sua responsabilidade individual. Irmãos, sempre tenho esperança no tocante ao homem que começa a pensar em si mesmo e na condição de ficar sozinho diante de Deus, visto que existem dezenas de milhares na Inglaterra que se consideram parte de uma nação de cristãos e membros por nascimento de uma igreja, e assim nunca se consideram pessoalmente responsáveis diante de Deus. Repetem a confissão do pecado, mas só com a congregação inteira, como parte do culto. Entoam o Te Deum, mas é o louvor geral, e não pessoal. Mas quando um homem é levado, mesmo no meio da congregação, a sentir-se como se estivesse sozinho, quando capta a idéia de que a verdadeira religião é do indivíduo e não da comunidade, e que a confissão do pecado é mais adequada da parte dos lábios dele, mais que da parte de outra pessoa, iniciou-se uma obra graciosa.
Existe esperança até mesmo de os mais cegos alcançarem o entendimento, quando a mente começa a meditar sobre a própria condição e examina suas perspectivas. É um sinal seguro de que o Senhor está lidando bem com você, se ele o levou para fora da cidade; se você agora se esquece das pessoas ao redor e pensa em sua condição diante de Deus. Não chame isso de egoísmo; não passa do tipo de egoísmo que a mais sublime lei da nossa natureza ordena. Todo homem, quando se afoga, precisa pensar em si mesmo, e se é egoísmo justificável tentar preservar a própria vida, muito mais é esforçar-se para escapar da ruína eterna.Depois de ser levada a efeito a própria salvação, você não terá mais necessidade de pensar em si mesmo, mas cuidará da alma dos outros; agora, porém, a sabe doria maior é pensar em si mesmo, na sua situação diante de Deus, e olhar para o Salvador para poder ter a vida eterna. "Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado".
A ação seguinte foi muito estranha; submeteu-o a meios determinados, porém desagradáveis; cuspiu nos seus olhos. O Salvador muitas vezes empregou a saliva como meio de cura; comenta-se que era recomendado pelos médicos da Anti güidade, mas não posso imaginar que a opinião deles tivesse muito valor diante do Senhor que opera milagres. Parece-me que o uso da saliva ligou a abertura dos olhos à boca do Senhor, ou seja: quanto à simbologia, vincula a iluminação do entendimento à verdade que Cristo pronuncia. E claro que a visão espiritual provém da verdade espiritual, e os olhos do entendimento são abertos pela doutrina que Cristo fala. No entanto, parece-me que a associação naturalmente feita com a saliva é a do nojo, e que foi visando a essa reação que o Salvador empregou esse meio. Não passava de saliva, embora fosse saliva da boca do Salvador. E assim também — preste atenção, amigo —, é muito possível que Deus vá abençoá-lo por meio da mesmíssima verdade que você antigamente desprezava, e não seria demasiadamente maravilhoso que Deus o abençoasse por meio do homem con tra quem você falou mais amargamente.
Muitas vezes tem agradado a Deus conceder a seus servos ministradores um tipo gracioso de retribuição; muitas e muitas vezes os que ardiam com mais fúria contra os servos de Deus, têm recebido as melhores bênçãos das mãos dos homens que mais desprezavam. Você pode chamá-lo "saliva"; mas nada, a nãoser isso, abrirá seus olhos. Você diz: "O evangelho é uma coisa pouco especial"; é por semelhantes coisas comuns que você receberá vida. Você declarou, com zombaria, que determinado homem fala a verdade com estilo grosseiro e vulgar; um dia, você chegará a declarar bendita essa vulgaridade, e ficará bastante con tente em receber, mesmo de modo grosseiro, a verdade como seu Mestre o manda falar. Acho que muitos de nós têm notado, ao nos convertermos, que o Senhor castigou nosso orgulho ao dizer: "Os pobres que você criticou tanto serão uma bênção para você, e meu servo contra quem você sentiu mais precon ceito será o homem que o levará à perfeita paz". Minha impressão é que mais do que boa parte de tudo isso, ou mesmo tudo, está contido no conceito de o Salvador cuspir nos olhos daquele cego. Nenhum pó medicinal que se compra em loja, nenhuma mirra ou incenso ou droga cura, mas um pouco de saliva; e assim, caro ouvinte, se você quiser ver as coisas profundas de Deus, isso não será por meio dos filósofos, nem dos pensadores profundos dos nossos dias, mas o que lhe diz: "Confie em Cristo e viva", ensina-lhe filosofia melhor que os filósofos, e quem lhe diz que no Senhor Jesus habitam todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, conta a você, nessa declaração singela, mais do que vocêaprenderia se Sócrates e Platão ressuscitassem dentre os mortos, e pudesse sentar diante deles como aluno. Jesus Cristo abrirá seus olhos, e será por esse meio pouco distinto: a saliva da sua boca.
Você perceberá ainda, que depois de Jesus ter cuspido nos olhos do cego, colocou suas mãos sobre ele. Jesus fez assim na forma de impetração de bênção celestial:Tela imposição das mãos, Jesus outorgou a esse homem sua bênção, e fez poder fluir da sua pessoa para aquele cego? Acho que sim. Portanto, irmãos, não se trata de saliva, nem de tirar o cego do meio da multidão; não é o ministério, não é a pregação da Palavra, não é a considerada atenção do ouvinte que conquistará bênçãos espirituais; trata-se da bênção do que morreu a favor dos pecadores — é isso que outorga tudo. E Jesus exaltado nas alturas, quem concede arrependi mento e remissão do pecado. O desprezado e rejeitado pelos homens, é por meio dele, e dele somente, que a bênção de valor inestimável — a restauração davista aos cegos —, poderá ser dada aos filhos dos homens. Devemos lançar mão dos meios, sem desprezá-los, nem depender deles. Precisamos ficar a sós com Deus, pois esse recolhimento é uma grande bênção; por fim, devemos levantar nossos olhos para o Senhor e Doador de toda boa dádiva, senão a saliva terá queser enxugada com nojo, e ficar sozinha só servirá para deixar o cego perder seu caminho de modo mais eficaz, e desencaminhar-se nas trevas com menos com paixão e ajuda.
Esse esboço é a fotografia de algumas pessoas. Acredito que haja pessoas que desde a juventude freqüentam locais de culto sem a mínima percepção de vida espiritual, e que teriam continuado assim se o Senhor, no seu beneplácito, não tivesse levado amigos dessas pessoas, amigos cristãos felizes e animados, que dissessem: "Venha, imagino ser capaz de lhe contar algo que você não conhece". Esses amigos, mediante a oração e o ensino, colocaram vocês em contato com Jesus. Ele tocou em vocês, influenciou sua mente, lhes fez pensar melhor, e perceber a existência na religião de mais que a mera parte externa, levando-os a sentir que freqüentar cultos oficiais ou independentes não era tudo, ou até mes mo não era nada sem vocês terem aprendido o segredo, o verdadeiro segredo da vida eterna.
III. Agora chegamos à terceira questão, e faremos uma pausa breve na etapa esperançosa. O Salvador dera aos olhos do homem a capacidade de ver, mas não removera completamente a película que excluía a luz. Escute o que o homem diz, depois de Jesus lhe falar: "Você está vendo alguma coisa?". O homem levanta os olhos, e a primeira palavra jubilosa é: "Vejo!". Que bênção! "Vejo!"Alguns de vocês, caros amigos, podem dizer isso — "Eu era cego e agora vejo!". Sim, Senhor, agora não estou em trevas totais. Não vejo tanto quanto deveria, nem tanto quanto espero ver, mas estou vendo. Existem muitíssimas coisas a respeito das quais eu nada sabia, e das quais agora sei alguma coisa. O próprio Diabo não consegue me levar a duvidar de que realmente vejo. Sei que estou vendo. Antes, eu ficava bem satisfeito com a forma externa; se conseguisse passar pelos hinos e orações e o restante do culto, sentia-me satisfeito; mas agora, embora sinta que não consigo ver o tanto quanto queria, pelo menos consigo enxergar esse tanto. Se não consigo ver a luz, certamente percebo uma escuridão visível. Se não consigo enxergar a salvação, consigo ver minha ruína. Certamente vejo minhas faltas e necessidades; se não vejo nada mais, a estas estou vendo". Ora, se alguém consegue ver alguma coisa, não importa o quê, ele certamente está dotado de vista. Não importa se o que ele vê é um objeto belo ou uma coisa feia; enxergar qualquer coisa é a comprovação positiva que há visão nos seus olhos. Assim, a percepção espiritual de algo é comprovação de que você tem vida espiritual, quer essa percepção o leve à lástima ou ao regozijo; quer o deixe de coração partido, quer seja curativo para o coração; se você está vendo esse tanto, com certeza tem a capacidade de ver: isto fica bastante claro, não é? Ele diz: "Vejo homem". Isso fica melhor.
Claro que o coitado já tivera a capacidade de ver; senão, não teria reconhe cido a forma de um homem. "Vejo pessoas", diz ele. Sim, e aqui temos alguns que têm vista suficiente para distinguir entre uma coisa e outra, e reconhecer um objeto. Embora vocês, em tempos passados, fossem tão cegos como morcegos, ninguém poderia levá-los a acreditar que a regeneração batismal fosse o mesmo que a regeneração da Palavra de Deus; pelo menos entre essas duas coisas, vocês conseguem perceber a diferença. Poderíamos imaginar que qualquer pessoa a perceberia; muitas pessoas, porém, não conseguem. Vocês enxergam a diferençaentre a adoração meramente formal e externa, e a adoração espiritual — isto conseguem perceber. Vocês enxergam o suficiente para saber que existe um Salvador, que vocês precisam dele, que o meio da salvação é a fé em Cristo, que a salvação que ele outorga realmente nos salva do pecado, e leva com segurança à eterna glória os que a recebem.
Assim, fica claro que vocês podem ver alguma coisa, e que sabem em certa medida o que ela é. Escutem, no entanto, o cego, pois aqui entra a palavra que, em grande medida, estraga o prazer nisso: "Vejo pessoas, elas parecem árvores, andando". Ele não conseguia distinguir se eram homens ou árvores — só queandavam e, por saber que as árvores não andavam, sabia não se tratar de árvores. Os objetos eram uma mancha confusa diante dos seus olhos. Sabia, pelos movi mentos, que seriam homens, mas, pela visão, não poderia discernir com exa tidão ser eram homens ou árvores. Muitas almas preciosas estão aguardando, nesta etapa esperançosa, porém desconfortável. Pelo menos, podem ver! Bendito seja Deus por isso! Nunca voltarão a ser totalmente cegos! Isso porque, se con seguem enxergar o Homem Jesus, e o madeiro no qual morreu, podem fazer deles um só objeto, se quiserem, porque Cristo e a cruz formam uma unidade. Os olhos incapazes de enxergar Jesus com clareza poderão percebê-lo de modo obscuro, e até a olhada ofuscada salvará a alma.
Notemos que a visão desse homem era muito indistinta — não era fácil distinguir um homem ou uma árvore. Assim acontece com a primeira vista outorgada a muitas pessoas espiritualmente cegas. Não conseguem distinguir entre uma doutrina e outra. Muitas vezes confundem a obra do Espírito e a obra do Salvador. Possuem a justificação e possuem a santificação, mas provavelmente não podem nos dizer qual era qual. Receberam a justiça de coração a eles outorgada, e receberam a justiça de Cristo, a eles imputada, mas entre a justiça outorgada e a justiça imputada, dificilmente distinguem; receberam ambas, mas não sa­bem qual é qual — pelo menos não a ponto de poder definir, ou contá-las ao próximo. Conseguem ver, mas não do modo que deviam. Sua vista, além de ser indistinta, exagera. Um homem não é tão grande como uma árvore, mas eles engrandecem a estatura humana até as alturas das árvores imponentes. E da mesma maneira, as pessoas semi-iluminadas exageram as doutrinas. Se receberem a doutrina da eleição, não conseguem se limitar até onde vão as Escrituras — fazem do homem uma árvore, ao acrescentar a doutrina de reprovação. Se pe garem um preceito, como o batismo, ou qualquer outro, exageram suas proporções, e fazem dele um tipo de vale-tudo. Alguns pegam um aspecto, e outros, outro, e tudo isso por fazer confusão entre homens e árvores. Já é uma grande bênção que consigam alguma doutrina e ou preceito, maior, porém, seria a bênção de vê-los como são, e não como agora lhes aparece.
Esse exagero geralmente leva as pessoas a ficaremalarmadas, pois se vejo um homem se aproximando de mim, e o enxergo com a altura de uma árvore, naturalmente fico com medo de que ele caia sobre mim, e saio do caminho. Muitas pessoas ficam com medo das doutrinas de Deus, por considerá-las árvores altas. Não são altas demais. Deus as criou na estatura certa, mas a cegueira dessas pessoas exagera, e as torna mais terríveis e altas. Têm medo de ler livros a respeito de determinadas verdades, e evitam todos os que as pregam, pois ficam alarmadas com a visão confusa dessas verdades.
Com referência a esse exagero e com esse medo, semelhantes pessoas sofrem perda total do prazer advindo da percepção da beleza e da amorabilidade. Afinal, a parte mais nobre do homem é o rosto. Gostamos de captar as feições dos amigos, o olhar suave, a expressão de ternura, o olhar conquistador, o sorriso radiante, o fulgor expressivo de benevolência no rosto, a testa alta, gostamos de ver tudo isso; mas esse infeliz dificilmente distinguiria um homem de uma árvore, sem poder discernir esses traços mais suaves do grande pintor de obras primas, que formam a verdadeira beleza. Ele podia dizer apenas: "E um homem", mas se era alguém tão escuro quanto a noite, ou tão claro como o amanhecer, nãopodia saber nem distinguir, e nem se era ranzinza e deprimido, ou bondoso e gentil. Assim é com os que obtiveram alguma visão espiritual. Não conseguem enxergar os pormenores das doutrinas. Vocês sabem, irmãos, que é nos pormenores que a beleza se acha. Se eu confiar em Jesus como meu Salvador, serei salvo, mas desfrutar da fé provém de conhecê-lo na sua pessoa, nos seus ofícios, na sua obra, e no seu presente, passado e futuro. Percebemos sua verdadeira beleza ao estudá-lo e observá-lo cuidadosamente, com santa atenção. Assim é com as doutrinas; é bendita a doutrina na sua inteireza, mas quando começamos a apreciar a doutrina, peça por peça, obtemos o prazer mais puro. "Sim", diz o palhaço, olhando para uma pintura da primeira qualidade, tal como, o Touro famoso de Paul Potter na Haia: "é certamente um quadro raro", e então vai embora. O artista plástico, no entanto, senta-se e estuda os pormenores. Para ele, há beleza específica em cada toque e nuança, os quais ele compreende e aprecia. Muitos crentes possuem iluminação suficiente para conhecer a fé nos contornos mais singelos, mas não observaram o preenchimento, e as minúcias nas quais o mais doce consolo sempre poderá ser achado pelo filho de Deus espiritualmente educado. Conseguem ver, mas vêem "pessoas; elas parecem ár­vores andando".
Embora eu saiba que a maioria de vocês, meus irmãos, progrediu muito além dessa etapa, sei que existem centenas, entre o povo de Deus, que ainda estão ali, e é por isso, quando Satanás consegue o domínio, que surgem seitas, partidos e teorias. Se várias pessoas com visão saudável se reunirem e examinarem um objeto, concordarão entre si, quase totalmente, na descrição do que estão vendo; mas se selecionarmos um número igual de pessoas como vista tão fraca que dificilmente distinguem entre um homem e uma árvore, produzirão uma tremenda confusão, e com bastante probabilidade começarão a discutir. "E um homem", exclama um delas; "ele está andando". "E uma árvore", exclama o segundo; "é alta demais para ser um homem".
Quando os quase cegos se tornam obtusos e desprezam seus mestres, e não querem aprender segundo o ensino do Espírito Santo, estabelecem a ignorância como se fosse conhecimento, e talvez arrastem à fossa, consigo, outros semi-iluminados. Mesmo quando a santa modéstia impede esse resultado maligno, não deixa de ser lamentável essa meia visão, pois deixa os homens entristecidos quando poderiam regozijar-se, e lastimando por causa de uma doutrina que, se fosse bem compreendida, encheria sua boca com cânticos o dia inteiro. Muitos se sentem perturbados a respeito da eleição; ora, se há neste livro uma doutrina que deve deixar os crentes cantar o dia, e a noite inteiros, é exatamente a doutri na do amor eletivo e da graça distintiva. Algumas pessoas ficam assustadas com esse aspecto, e outras, com aquele, ao passo que, se entendessem a verdade, em vez de fugir dela como de um inimigo, correriam para se lançar a seus braços.
Tendo, portanto, oferecido esse esboço do homem no estado transicional, terminaremos observando como a cura acabou, foi completada.
Irmãos, sejam gratos por qualquer tipo de luz recebida. Sem a graça de Deus, não poderíamos receber um único raio dela. Um raio de luz é mais do que merecemos. Se fôssemos trancados na escuridão das trevas para sempre, como poderíamos nos queixar disso? Não merecemos, por termos fechado os olhos contra Deus, ser condenados às trevas perpétuas? Sejam gratos, portanto, por qualquer vestígio de luz, mas não dêem tanto valor à parte recebida, para não desejar mais. Permanece cego quem não deseja ver melhor. E péssimo sinal de saúde fraca, quando não temos desejo de crescer. Quando nos sentimos convic tos de sabermos toda a verdade, e não aceitamos mais ensinos, é provável que tenhamos a necessidade de recomeçar tudo. Uma das primeiras lições na escola da sabedoria é que somos naturalmente tolos, e quem se torna consciente da própria deficiência e ignorância torna-se sábio. Quando o Senhor Jesus Cristo leva um homem a enxergar um pouco, e a desejar ver mais, não o deixa até tê-lo conduzido a toda a verdade.
Vemos que o Salvador, para completar a cura, tocou de novo no paciente. Você precisa da renovação do contato com o Salvador, como meio de aper feiçoamento, como foi o primeiro ato de sua iluminação. Trata-se de ficar bem perto de Cristo, conhecendo sua bendita pessoa; estude o caráter dele, deseje conversar com ele por conta própria, e vê-lo com seus olhos mediante a fé, e não com os olhos de outra pessoa — esse será o meio de receber luz mais clara. O toque divino realiza tudo. Suponho que quando os olhos desse homem foram plenamente abertos, a primeira pessoa que viu foi Jesus, pois tinha sido retirado do meio da multidão, e só podia ver homens a certa distância. E uma bendita visão poder se embevecer na vista daquele rosto, e perceber a beleza do incomparável amante de nossa alma. Que grande alegria! A pessoa poderia aceitar ficar cega para sempre, se não existisse a possibilidade de ver Jesus; mas quando ele é visto, que deleite celestial de ter sido resgatado da cegueira que o escondeu dos nossos olhos! Crente, ore para que, acima de todas as coisas, você o possa conhecer e entender. Com todas as coisas que você quer obter, obtenha entendimento de Cristo. Conte preciosa a doutrina, só por ela ser o trono no qual Cristo se assenta. Tenha em alta estima o preceito, mas não faça dele uma pedra legalista para lacrar Cristo na sepultura; pense no preceito apenas como ele é ilustrado e ex posto na sua vida; e mesmo na vida, não se importe com ele caso não aponte para Cristo, como por um dedo. Considere que você cresce somente à medida que está em Cristo. "Crescer na graça", diz o apóstolo, e acrescenta: "e no conheci­mento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo". Peça para poder ver, mas coloque o pedido nesta forma: "Senhor, queríamos ver Jesus". Ore para recuperar a vista, mas que seja uma visão do Rei na sua beleza, a fim de poder, futuramente, ver a terra distante. Você está se aproximando da clareza da visão quando você conseguir ver apenas Jesus; você sai da região das nuvens, para dentro do fulgor do dia, quando, em vez de ver homens como árvores, você contempla o Salvador. Então poderá deixar os homens e as árvores cuidar de si mesmos.
Lemos que nosso Senhor fez o cego recuperar a visão. Se quisermos ver, não devemos olhar para baixo; nenhuma luz brota desta terra. Se quisermos ver, não devemos olhar dentro de nós; ali há uma caverna escura, cheia do que é maligno. Devemos olharam cima. Toda boa dádiva e dom perfeito vêm de cima, e devemos levantar os olhos para recebê-los. Meditando a respeito de Jesus, e confiando dele, devemos levantar os olhos a Deus. Nossa alma deve considerar a perfeição de seu Senhor, e não sonhar com a própria perfeição. Ela deve meditar na grandeza dele, e não em qualquer grandeza pessoal imaginária. Devemos levantar os olhos, não a nossos conservos, nem a aspectos externos da adoração, mas ao próprio Deus. Devemos olhar, e ao olharmos para cima acharemos a luz.
O texto bíblico nos diz que, no fim, "ele via tudo claramente". Sim, quan do o grande Médico manda o paciente para casa, você pode ter certeza total de que sua cura foi completa. Com o paciente, tudo estava bem, em sentido superlativo. Ele viu, viu tudo, viu todos os homens com clareza. Que este seja o quinhão feliz de muitas pessoas semi-iluminadas aqui presentes! Não fiquemsatisfeitos, caros amigos, apenas com serem salvos; desejem saber como vocês são salvos, por que vocês são salvos, o método pelo qual vocês são salvos. E em uma rocha que vocês estão em pé, eu sei, mas pensem a respeito das seguintes perguntas: Como vocês foram colocados na rocha, mediante o amor de quem vocês chegaram ali, e por que esse amor foi dado a vocês.
Eu desejaria, diante de Deus, que todos os membros desta igreja não só estivessem firmes em Cristo Jesus, mas que o entendessem e o conhecessem segundo a certeza do entendimento que vocês alcançaram. Estejam sempre dispostos aexplicar a esperança que está em vocês, e isso com mansidão e temor. Lembrem-se da existência de muitas distinções sérias nas Escrituras, e que vocês evitariam grande quantidade dos problemas se as conhecessem e se lembrassem delas. Procurem entender a diferença entre a velha natureza e a nova. Nunca esperem que a velha natureza melhore até tornar-se nova, pois nunca será assim. A velha natureza nunca poderá fazer coisa alguma a não ser pecar. Existem dois princí pios diferentes: nunca faça confusão entre eles. Não fiquem vendo homens andando como se fossem árvores. Não confundam a santificação com a justificação. Lembrem-se de que, no momento em que vocês confiam em Cristo, estão com pletamente justificados como o serão no céu, mas a santificação é uma obra paulatina, levada a efeito dia após dia, por Deus, o Espírito Santo. Faça a distinção entre a grande verdade de que a salvação é inteiramente da parte de Deus, e a grande mentira de que os homens não têm culpa caso se perca. Tenham total certeza de que a salvação é do Senhor, mas não coloquem a perdição na conta de Deus. Não sintam vergonha se os homens os chamarem de calvinistas, mas odeiem com sinceridade o antinomismo.
Por outro lado, embora vocês acreditem na responsabilidade humana, jamais incorram no erro de supor que o homem se volta a Deus por livre vontade. Existe uma linha divisória bem estreita entre esses dois erros, e peçam graça para enxergá-la. Peçam graça para não cair no sorvedouro, nem ser esmagados contra a rocha; para não ser escravos de um dos sistemas, nem do outro. Nunca digam a respeito de algum texto das Escrituras: "Fique quieto, não posso suportá-lo", e nem de outro: "Creio em você, e só em você". Procurem amar toda a Palavra de Deus, e obter discernimento de cada verdade revelada, e como vocês possuem a Palavra de Deus que lhes é dada, não como algumas visões discordantes entre si, mas como uma totalidade, busquem captar a verdade como ela está em Cristo, com toda a sua qualidade compacta e em sua unidade. Eu conclamaria a vocês, se tiverem vista que os capacite a ver alguma coisa, a caírem de joelhos e a clamarem ao grande Doador da vista: "Ó Mestre, continua; remova cada película, cada catarata, e se for doloroso para mim ter meus preconceitos extirpados ou cauterizados dos meus olhos, faze-o, Senhor, até que eu possa ver na luz clara do Espírito Santo, e ser feito digno de entrar pelas portas da cidade santa, onde meus olhos te verão face a face".

JONATHAN EDWARDS E A GRATIDÃO DOS HIPÓCRITAS

Com que Teoria de vida você vive? – R. C. Sproul



• As Escrituras nos dizem que: "como [o homem] imagina em sua alma, assim ele é" (Pv 25,7. Muitas vezes, meus pensamentos são cheios de pecado, e mesmo assim sou um cristão. Como lidar com isso?

O versículo que você mencionou é um versículo muito importante. Ele soa um tanto estranho porque, quando falamos a respeito de imaginar, nor-malmente identificamos pensamentos e o processo de pensar com a cabeça, com o cérebro. Por que a Bíblia diz "como [o homem] imagina em sua alma"! Não pensamos com nossa alma, pensamos com nossas cabeças. Creio que a Escritura usa o termo alma para descrever o que chamaríamos de centro, âmago. Significa aquilo que é mais focalizado em nossos pensa¬mentos, de forma que o centro, o âmago, a essência de nossos pensamentos é que produz aquilo que somos. Em outras palavras, aquilo em que minha mente prioriza, determina o tipo de pessoa que eu me torno.



Essa é uma questão decisiva, porque as pessoas estão sempre me dizen¬do que não desejam estudar teologia e que não desejam estudar matérias intelectuais porque tudo o que realmente os preocupa são as dimensões práticas da vida cristã. Entretanto, para cada prática existe sempre uma teo¬ria. Cada um de nós vive a partir de uma teoria de vida significativa para nós. Realmente, vivemos de acordo com o que pensamos. Podemos não ser capazes de articular essa teoria de forma técnica, mas todos temos uma teoria a partir da qual vivemos a prática de nossa vida. É por isso que Jesus nos diz para mantermos nossos pensamentos puros. Aquilo que você enxer¬ga como importante, vai controlar os padrões práticos de sua vida.

Você mencionou a frustração que sente com o conflito entre aquilo a respeito do que você sabe em sua mente que você deveria estar pensando, e aquilo que realmente pipoca em sua cabeça. Um dos melhores estudos so¬bre oração que jamais li vem da pena de João Calvino, o teólogo da Refor¬ma francesa, em sua obra Institutas. Sempre exigia que meus alunos lessem esse capítulo sobre oração antes de lerem qualquer outra coisa para que ficassem familiarizados com Calvino, esse gigante espiritual, o homem que tinha uma enorme paixão pelo coração de Deus. Ele tinha uma vida devocional intensa. Calvino lamenta o fato de que, mesmo no meio da ora¬ção, sua mente era invadida por pensamentos pecaminosos.

Isso é normal no ser humano e devemos aprender a superar estes pen-samentos invasivos, assim como aprendemos a lidar com outros aspectos de nossa natureza pecaminosa. O apóstolos diz que todas as coisas que são puras, todas as coisas que são verdadeiras e amáveis, são essas coisas que deveriam habitar em nós. Temos uma expressão de linguagem de computador chamada princípio GIGO: Lixo para dentro, lixo para fora. (A expressão em inglês diz: garbage in, garbage out; formando a expressão GIGO, impossível de ser colocada em português. N.T.) Se enchemos nossas mentes com lixo, nossas vidas logo começarão a manifestar o mau cheiro daquele lixo. Penso que a solução é encher nossas mentes com as coisas de Deus.

Morrendo por nossa Liberdade - John Piper

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Algumas passagens das Escrituras são tão cheias de verdades cruciais que merecem mais atenção do que outras no sentido de serem memorizadas, consideradas e proclamadas. Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. (Hb 2.14,15).
Estes dois versículos de Hebreus colocam diante de nós uma seqüência das maiores realidades do mundo. Sabê-los de cor, e saber o que eles significam é um benefício maior do que a maior prosperidade da terra. Demore-se por um momento em cada frase.
Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue...

O vocábulo filhos é tomado do versículo anterior e se refere à descendência espiritual de Cristo, o Messias (ver Is 8.18; 53.10). São também os filhos de Deus. Ao enviar Cristo ao mundo, Deus tinha especialmente em vista a salvação de seus filhos. É verdade que "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (Jo 3.16). Mas também é verdade que Deus estava reunindo "os filhos de Deus, que andam dispersos" (Jo 11.52) e que Jesus deu sua vida pelas ovelhas (Jo 10.15). O desígnio de Deus era oferecer Cristo ao mundo para realizar a salvação dos seus filhos (1 Tm 4.10). Você pode experimentar a adoção como filho de Deus por receber a Cristo (Jo 1.12).
Destes [carne e sangue] também ele, igualmente, participou...
Cristo existia antes da encarnação. Ele era espírito. Era a Palavra eterna. Estava com Deus e era Deus (Jo 1.1; Cl 2.9), mas assumiu a carne e o sangue, vestindo a sua divindade de humanidade. Cristo se tornou completamente homem e permaneceu totalmente Deus. De muitas maneiras, isto é um grande mistério, mas está no âmago de nossa fé, e é o ensino das Escrituras.
Para que, por sua morte...
A morte foi a razão por que Cristo se tornou homem. Como Deus, Cristo não podia morrer pelos pecadores. Mas, como ho­mem, Ele poderia. Seu alvo era morrer. Por conseguinte, Ele teve de nascer como homem. Nasceu para morrer. A Sexta-Feira da Paixão é a razão de ser do Natal. Cristo aceitou espontaneamente a morte. Era a intenção dEle. A morte não O pegou de surpresa. O sofrimento e a morte de Cristo estavam planejados pelo Pai desde a antigüidade. Isaías 53 os descreveu, com alguns detalhes, centenas de anos antes de acontecerem. Jesus escolheu tornar-se homem para que morresse.
Destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo...
Ao morrer, Cristo tornou ineficaz o poder do diabo. Como? Por cobrir todo o nosso pecado. Isto significa que Satanás não tem fundamentos legítimos para nos acusar diante de Deus. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? E Deus quem os justifica" (Rm 8.33). Com que base Ele nos justifica? Por meio do sangue de Jesus (Rm 5.9). A arma fundamental de Satanás contra nós é o nosso próprio pecado. Mas, o que aconteceu na cruz anula o poder condenador de nosso pecado. "[Deus] tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz" (Cl 2.14). Se a morte de Jesus remove o poder condenador de nosso pecado, a principal arma de Satanás é tirada de suas mãos. Ele não pode mais argumentar em favor de nossa penalidade de morte, porque o Juiz nos inocentou por meio da morte de seu Filho! O aguilhão da morte foi destruído: nossos pecados foram perdoados, e a Lei, satisfeita (1 Co 15.56-57).
E livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.
Portanto, estamos livres do pavor da morte. Deus nos justificou. Satanás não pode reverter esse decreto. E Deus quer que a nossa segurança tenha um efeito imediato em nossa vida. Ele tenciona que a felicidade final remova a escravidão e o temor do presente. Se não precisamos temer nosso último e maior inimigo, a morte, não precisa­mos temer coisa alguma. Podemos ser livres. Livres para o gozo. Livres para os outros.
Cristo morreu — considere este preço — para que você não tema. Avaliada pelo tamanho do sacrifício, a intensidade do compro­misso de Deus com a nossa ausência de temor — a nossa liberdade — é imensurável. Aproprie-se dela. Desfrute-a. O poder libertador de Deus resplandecerá à medida que você experimentar a liberdade de vida.

Cap 11 - Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica A DOUTRINA DOS ANJOS

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Razoável é que haja uma escala ascendente da vida, desde o homem subindo para Deus, tanto como há uma escala descendente da vida, do homem para baixo. Uma contemplação da vastidão e da maravilha deste universo pode bem levantar a pergunta: É o homem a única criatura que "tem uma mente apreciar e contemplar este favor de Deus" e para louvá-Lo por isso? Sem a Bíblia seriamos deixados em cega conjetura, mais, nela, temos clara revelação de uma ordem de seres acima do homem, de ordens e graus existentes e ascendentes, chamados anjos.
I. A NATUREZA DOS ANJOS
1. SÃO SERES CRIADOS.
No Salmos 148:1-5 os anjos estão entre as entidades exortadas a louvarem o Senhor na base que "Ele mandou e eles foram criados". Que os anjos foram seres criados está bem provado em Colossenses 1:16, que diz: "Porque nEle foram criados todas as coisas, nos céus e sobre a terra, visíveis e invisíveis, quer sejam tronos ou domínios ou principalidades ou potestades".
2. ELES SÃO ESPIRITOS PUROS.
Não queremos dizer aqui que todos os anjos são sem pecado; porque, como veremos mais tarde, alguns são maus. O que queremos dizer é que a natureza dos anjos é espírito não misturado com materialidade. Os anjos não possuem corpos como parte do seu ser, mesmo que ainda assumam corpos para a execução de certos propósitos de Deus, como em Gênesis 19. Afirmamos que os anjos são espíritos puros porque, em Hebreus 1:14, são chamados espíritos. O homem não é nunca designado assim inqualificadamente. Cristo disse que "um espírito não tem carne e ossos" (Lucas 24:39).
3. ELES CONSTITUEM UMA ORDEM DE CRIATURAS MAIS ELEVADAS QUE O HOMEM.
Do homem se diz que ele foi feito "um pouco menor do que os anjos" (Hebreus 2:7). Dos anjos se diz serem maiores do que o homem em poder (2 Pedro 2:11). O seu poder superior está implicado também em Mateus 26:53; 28:2; 2 Tessalonicenses 1:7. Contudo, os anjos são servos ministrantes dos crentes (Hebreus 1:14) e pelos crentes serão julgados (1 Coríntios 6:3). Este último fato parecia indicar que o homem, ainda que agora inferior em natureza aos anjos será depois, no seu estado glorificado, como um troféu da graça redentora de Deus, exaltado com Cristo bem acima dos anjos (Efésios 1:20,21; Filipenses 2:6-9).
4. ELES NÃO TÊM SEXO.
Mateus 22:30 declara-se que os anjos não casam, o que os prova sem sexo. "Filhos de Deus" em Gênesis 6:2 não são anjos, mas descendentes de Sete: os verdadeiros adoradores de Deus, como diferençados dos descendentes de Caim.
5. ELES SÃO IMORTAIS.
Judas 6 declara que os anjos não podem morrer, o que significa que eles não podem cessar de existir.
II. CLASSES DE ANJOS
Os anjos consistem em anjos eleitos e anjos decaídos. As seguintes passagens aludem a estas duas classes e as seguintes:
"Conjuro-te diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo e dos anjos eleitos que, sem prejuízo algum guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade" (1 Timóteo 5:21).
"Deus não poupou os anjos quando eles pecaram, mas os lançou no inferno, entregou-os às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo" (2 Pedro 2:4).
"Mas aos anjos que não guardaram sua principalidade, mas deixaram sua própria habitação, reservou debaixo da escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia" (Judas 6).
Os anjos eleitos são aqueles a quem Deus escolheu para conservar em santidade. Os outros, permitiu que caíssem, e para eles não se proveu nenhuma redenção ou possibilidade de escapula.
III. ORGANIZAÇÃO, ORDENS E GRAUS ENTRE OS ANJOS
Em Judas 9 temos Miguel mencionado como um arcanjo. Vide Também 1 Tessalonicenses 4:16. "Arcanjo" significa o chefe dos anjos. Gabriel também parece ocupar um lugar relativamente alto entre os anjos. Vide Daniel 8:16; 9:16,21; Lucas 1:19.
A menção de tronos, domínios, principalidades e potestades entre as coisas invisíveis, em Colossenses 1:16, implica graus e organização entre os anjos. E em Efésios 1:21 e 3:10 temos a menção de regime, autoridade, potestade e domínio nos lugares celestiais. Das ordens nomeadas em Colossenses 1:16, E. C. Dargan, no seu comentário, representa "tronos" como "sendo o mais elevado, próximo a Deus e assim chamados, tanto por estarem perto de Deus e sustentarem o trono de Deus como por sentarem eles mesmos sobre tronos aproximando-se mais perto de Deus em glória e dignidade; depois "domínios", ou senhorios, aqueles que exercem poder ou senhorio sobre os inferiores ou homens; depois "principalidades", ou "principados", os de dignidade principesca; finalmente, "potestades", ou autoridades, aqueles que exercem poder ou autoridade sobre a ordem angélica mais baixa, logo acima do homem".
Consideramos mais satisfatório observar os "querubins" de Gênesis, Êxodo e Ezequiel, com os quais identificaríamos também os "serafins" de Isaias e as criaturas viventes do Apocalipse, não como seres atuais senão como aparências simbólicas, ilustrando verdades da atividade e do governo divino. As criaturas viventes do Apocalipse parece simbolizarem o louvor da criação inferior de Deus por causa deles serem "livrados do cativeiro da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus" (Romanos 8:21). Os vinte e quatro anciãos associados às criaturas viventes parecem representar a humanidade redimida. E bom é notar que as criaturas viventes não se incluem entre aqueles redimidos para Deus. Essas, como representativas da criação inferior dando louvor a Deus, cumprem o Salmos 145:10, que diz: "Todas as Tuas obras Te louvarão, ó Senhor".
IV. OS ANJOS NÃO SÃO PARA SEREM LOUVADOS
"E quando ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrava estas coisas, para o adorar: e ele disse-me: "Olha não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos os profetas e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus" (Apoc. 22:8,9).
Isto está também condenado em Colossenses 2:18.
V. O EMPREGO DOS ANJOS
1. DE ANJOS SANTOS.
(1) Eles louvam ao Senhor e cumprem os Seus mandamentos.
Salmos 103:20; 148:2.
(2) Eles regozijam-se com a salvação dos homens.
Lucas 15:7,10
(3) Eles ministram aos herdeiros da salvação.
Hebreus 1:14; 1 Reis 19:5-8; Daniel 6:22; Salmos 34:7; 91:11,12; Atos 12:8-11.
(4) Eles são mensageiros de Deus aos homens.
Gênesis 19:1-13; Números 23:25; Mateus 1:20; 2:13,19,20; Lucas 1:11-13-19; Atos 8:26; 10:3-6; 27:23,24.
(5) Eles executam o propósito de Deus.
2 Samuel 24:16; 2 Reis 19:25; 2 Crônicas 32:21; Salmos 35:5,6; Mateus 13:41,42; 13:49,50; 24:31; Atos 12:23; Apocalipse 7:1,2; 9:15; 15:1.
(6) Eles deram a Lei.
Atos 7:53; Gálatas 3:19; Hebreus 2:2.
(7) Eles ministraram a Cristo.
Mateus 4:11; Lucas 22:43.
(8) Eles acompanharão Cristo na Sua segunda vinda.
Mateus 25:31,32; 2 Tessalonicenses 1:7,8.
(9) Eles estão presentes nos cultos da igreja.
1 Coríntios 11:10.
(10) Eles têm grande interesse na verdade divina e aprendem por meio da igreja.
1 Pedro 1:12; Efésios 3:10.
Não há nada supra para mostrar que há uma intervenção constante de anjos entre Deus e o homem. Eles não são em sentido algum constituídos regularmente mediadores entre Deus e o homem. Sua intervenção é ocasional e excepcional; sua atividade está sujeita à ordem e permissão de Deus.
Mas é evidente que o crente comum não tem ligado importância suficiente ao ministério dos anjos. Todavia, doutro lado, a noção de um anjo da guarda especial para cada individuo não encontra fundamente na Escritura. Diz J. P. Boyce:
"Guiados por fábulas rabínicas e guiados pelas idéias peculiares da filosofia oriental, alguns têm concebido que sobre cada pessoa nesta vida um anjo vigia para guardá-la e protegê-la do mal. Esta teoria de anjo da guarda tem sido sustentada de várias formas. Uns confinaram sua presença aos bons; outros a estenderam também aos ímpios; alguns supuseram dois em vez de um anjo, - um bom e outro mau. Do mesmo modo a teoria tem sido sustentada de anjos da guarda sobre nações; uns limitando-a a boas nações, outros estendendo-a a todas. Que tais idéias existiam entre os judeus e que prevaleceram também entre os cristãos primitivos, pode admitir-se; mas autoridade escriturística para elas falta" (Abstract of Systematic Theology, pág. 179).
Há, realmente, apenas duas passagens que sugerem mesmo esta doutrina de um anjo da guarda para cada individuo, que são Mateus 18:10 e Atos 12:15. Sobre Mateus 18:10 diz John A. Broadus: "Não há garantia suficiente aqui para a noção popular de "anjos da guarda", um anjo especialmente designado para cada individuo; diz-se simplesmente, de crentes como uma classe, que há anjos que são seus anjos, mas nada há aqui ou noutro lugar que mostre ter um anjo o cargo especial de um crente". (Commentary on Mathew).
Em Atos 12:15 diz H. B. Hackett: "Foi crença comum entre os judeus, diz Lightfoot, que cada individuo tem um anjo da guarda e que este anjo pode assumir uma aparência visível semelhante à da pessoa cujo destino lhe é cometido. Esta idéia aparece aqui, não como uma doutrina das Escrituras senão como uma opinião popular que não é afirmada nem negada" (Comentary on Acts). Sobre esta passagem Broadus também diz: "Os discípulos que estavam orando por Pedro durante sua prisão, quando a menina insistiu em que Pedro estava à porta, saltaram logo a conclusão que Pedro fora executado e o que se dizia ser ele era "seu anjo" (Atos 12:15), segundo a noção que o anjo da guarda de um homem estava apto a aparecer com a sua forma e sua voz aos amigos logo após sua morte; mas as idéias desses discípulos estavam errôneas em muitos pontos e não são autoridade para nós a menos que inspirada".
Encerramos o assunto com mais este comento de Broadus: "Não pode ser positivamente assegurado que a idéia de anjos da guarda seja um erro, mas não há passagem que prove ser verdadeira e as passagens que podiam meramente ser entendidas dessa maneira não bastam como base de uma doutrina".
2. DOS ANJOS MAUS.
A obra dos anjos maus será considerada mais extensivamente no próximo capítulo, o qual trata de Satanás, seu regente e guia. Basta dizer aqui que os espíritos ou anjos maus combatem contra Deus e Seus santos. Vê-se isto em Efésios 6:12 e na possessão demoníaca nos primeiros tempos do Novo Testamento.
Quanto à possessão demoníaca, precisa de ser dito que o que se registra é claríssimo e decisivo para admitir-se uma simples acomodação da parte de Cristo e dos apóstolos às noções populares mas errôneas dos judeus. É muito provável, contudo, que a possessão demoníaca foi mais comum no tempo do ministério terreno de Cristo do que agora. Isso podemos ver segundo o arquivo, que era mais prevalecente no princípio do que nos últimos tempos do Novo Testamento, ainda que não fosse inteiramente ausente nos últimos tempos do Novo Testamento (Atos 16:16-18); e provavelmente não é ausente hoje. Alguns médicos hoje crêem que algumas experiências e ações dos loucos são melhor explicadas pela suposição de a mente do paciente estar sob o controle de um poder estranho. J. P. Boyce dá uma boa razão da maior prevalência de possessão demoníaca nos tempos do ministério terreno de Cristo: "A grande batalha estava para se ferir entre Cristo e Satanás e liberdade incomum foi sem duvida concedida ao Diabo e seus ajudantes".

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04

Resistir ao diabo

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Resistir ao diabo é a exigência tanto de Tiago (4:7) quanto de Pedro (1 Pedro 5:8). Mas como fazemos isso? Temos que ter o desejo de resitir. Alguns amam tanto ao mundo e os prazeres do pecado que simplesmente não querem resistir. “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos” (João 8:44). Tais pessoas não resistem: eles desistem–rapidamente, facilmente, alegremente. Deus opera com sucesso no homem ao fazê-lo "o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Filipenses 2:13). Nada substitui o “querer”. 
Também precisamos de um espírito confiante, uma atitude de “conseguir”. Raramente levantamos além das nossas expectativas. Lembrem de Pedro? Ele disse, "Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim...Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei" (Mateus 26:33,35). Ele negou sim, e antes de chegar a manhã. Porém não devemos esperar que ele renuncie sua afirmação. Mais tarde, Jesus o chamou para que reafirmasse o compromisso ousado. Ele disse a Pedro naquela cena final, este apóstolo seria fiel a esta afirmação da fé (João 21:15-19). E lembre-se do “posso” de Paulo, através de Cristo “que me fortalece” (Filipenses 4:13). E nós “podemos” também.
Nós também usamos as Escrituras para resistir. A Bíblia não é um amuleto que assusta e afasta o diabo, mas a sua verdade no homem o permite intimidá-lo. Jesus encontrou o diabo com “Está escrito”, e o diabo o deixou (Mateus 4:1). É a nossa “espada” com a qual lutamos com o diabo (Efésios 6:17). A delusão forte do diabo vence apenas aqueles que “não acolheram o amor” e “não deram crédito” à verdade (2 Tessalonicenses 2:10-12).
A oração nos ajuda a resistir. O Senhor orou por Pedro na sua crise (Lucas 22:32) e o disse depois que vigiasse e orasse, para que não entrasse em tentação (Marcos 14:38). O Senhor passou a noite anterior a ser preso em oração. Paulo pediu aos irmãos que orassem por ele para que ele pregasse ousadamente como lhe cumpria fazer (Efésios 6:18-20). Peça ajuda a Deus; ele sabe como livrar-nos (2 Pedro 2:9).
Nós precisamos de sabedoria para ajudar-nos a resistir. Tiago recomendou que se orasse pedindo sabedoria em épocas de dificuldades (Tiago 1:5). Não é um jogo de tolo! O bom julgamento é absolutamente necessário se vamos derrotar a esperteza do diabo. A resistência bem sucedida exige que nós “não lhes ignoramos os desígnios” (2 Coríntios 2:11).
Exige caráter resistir ao diabo. Isso quer dizer ser “fortalecido no Senhor” e revestir-se “de toda a armadura de Deus”. O resultado? Nós lutaremos “contra as forças espirituais do mal” e resitiremos “no dia mau” (Efésios 6:10-13). Os fracos são devorados por Satanás. O bom caráter rejeita o pecado. Mesmo no estresse da raiva calorosa, o bom caráter não pecará e nem dará “lugar ao diabo” (Efésios 4:26-27). Paulo mandou “indagar o estado da vossa fé, temendo que o Tentador vos provasse” (1 Tessalonicenses 3:5). Assim, nos incentiva a resistir “firmes na fé” (1 Pedro 5:9). 
As boas associações ajudam a nossa resistência ao mal (Galátas 6:1) como também as más companhias corrompem (1 Coríntios 15:33). Os bons irmãos estimulam “ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24).   

 –por Joe Fitch

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Darliana+ Missões Cristãos em Defesa do Evangelho+✿Apenas uma alma que foi resgatada através da graça e misericórdia de Deus,Dai de graça o que de graça recebeste' (Mt. 10,8). Latim para estar em consonância com as cinco teses que dão sustentação ao “pensamento”e à vida do genuíno cristão reformado: sola scriptura,sola gratia, sola fide,solus christus, soli deo gloria. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8 : 32) "Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos." Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento." A.W.Tozer✿

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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