Tradutor

English French German Spain Italian Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

13 de set. de 2010

O Mundo não o Pode Receber - A. W. Tozer

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi5hdFfGZDpeD69WvdR8p-cHAwiLpWqbzAKToOpLY2fANQEXKL5xobWpZrmBvbFVXoq9CF5w-8BurE3OaG0EwdwivBrGnnE3mUiYK_jAMXl4PIT9WiZ3r_iEbeIo_vToD4q0f7-BWmFa0U/s1600/deus_21.jpg

"O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber." João 14:17

A fé cristã, baseada no Novo Testamento, ensina o completo contraste entre a igreja e o mundo. Não é mais do que um lugar comum religioso dizer que o problema conosco hoje é que procuramos construir uma ponte sobre o abismo que há entre duas coisas opostas, o mundo e a igreja, e realizamos um casamento ilícito para o qual não há autorização bíblica. Na verdade, nenhuma união real entre o mundo e a igreja é possível. Quando a igreja se junta com o mundo, já não é mais a igreja verdadeira, mas apenas um detestável produto misturado, um objeto de gozação e desprezo para o mundo, e uma abominação para o Senhor.

A obscuridade em que muitos (ou deveríamos dizer a maioria dos?) crentes andam hoje não é causada por falta de clareza da parte da Bíblia. Nada poderia ser mais claro do que os pronunciamentos das Escrituras sobre a relação do cristão com o mundo. A confusão que campeia nessa matéria resulta da falta de disposição de cristãos professos para levar a sério a Palavra do Senhor. O cristianismo está tão emaranhado no mundo que milhões nunca percebem quão radicalmente abandonaram o padrão do Novo Testamento. A transigência está por toda parte. O mundo está suficientemente caiado, encobrindo as suas faltas, para passar no exame feito por cegos que posam como crentes; e esses mesmos crentes estão eternamente procurando obter aceitação da parte do mundo. Mediante mútuas concessões, homens que a si mesmos se denominam cristãos manobram para ficar bem como homens que para as coisas de Deus nada têm, senão mudo desprezo.

Toda esta questão é espiritual, em sua essência. O cristão é o que não é por manipulação eclesiástica, mas pelo novo nascimento. É cristão por causa de um Espírito que nele habita. Só o que é nascido do Espírito é espírito. A carne nunca pode converter-se em espírito, não importa quantos homens considerados dignos da igreja nela trabalhem. A confirmação, o batismo, a santa comunhão, a profissão de fé - nenhum destes, nem todos estes juntos, podem transformar a carne em espírito, e tampouco podem fazer de um filho de Adão um filho de Deus. "E, porque vós sois filhos", escreveu Paulo aos gálatas, "enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.". E aos Coríntios, ele escreveu: "Examinai-vos a vós mesmos, se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados". E aos romanos: "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele".

A terrível zona de confusão tão evidente em toda a vida da comunidade cristã, poderia ficar esclarecida num só dia, se os seguidores de Cristo começassem a seguir a Cristo em vez de uns aos outros. Pois o nosso Senhor foi muito claro em Seu ensino sobre o cristão e o mundo.

Numa ocasião, depois de receber não solicitado e carnal conselho de irmãos sinceros, mas não esclarecidos, o nosso Senhor respondeu: "O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente. Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más". Ele identificou os Seus irmãos na carne com o mundo e disse que Ele e eles eram de dois espíritos diferentes. O mundo O odiava, mas não podia odiá-los porque não podia odiar-se a si próprio. Uma casa dividida contra si mesma não subsiste. A casa de Adão tem que permanecer leal a si própria, ou se romperá. Conquanto os filhos da carne possam brigar entre si, no fundo estão unidos uns aos outros. É quando o Espírito de Deus entra, que entra um elemento estrangeiro. "Se o mundo vos odeia", disse o Senhor aos Seus discípulos, "sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário dele vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.". Paulo explicou aos gálatas a diferença entre o filho escravo e o livre: "Como, porém outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora" (Gálatas 4:29).

Assim, através do Novo Testamento inteiro, é traçada uma aguda linha entre a igreja e o mundo. Não há meio termo. O Senhor não reconhece nenhum bonzinho "concordar para discordar" para que os seguidores do Cordeiro adotem os procedimentos do mundo e andem pelo caminho do mundo. O abismo que há entre o cristão e o mundo é tão grande como o que separou o rico de Lázaro. E, além disso, é o mesmo abismo, isto é, é o abismo que separa o mundo, dos resgatados do mundo; do mundo, dos que continuam caídos.

Bem sei, e o sinto profundamente quão ofensivo esse ensino deve ser para aquele bando de mundanos que mói e remói o rebanho tradicional. Não posso alimentar a esperança de escapar da acusação de fanatismo e intolerância que, sem dúvida, lançarão contra mim os confusos religionistas que procuram fazer-se ovelhas por associação. Mas bem podemos encarar a dura verdade de que os homens não se tornam cristãos associando-se com gente de igreja, nem por contato religioso, nem por educação religiosa; tornam-se cristãos somente por uma invasão da sua natureza, invasão feita pelo Espírito de Deus por ocasião do novo nascimento. E quanto se tornam cristãos assim, imediatamente passam a ser membros de uma nova geração, uma "raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus ... que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia" (I Pedro 2:9,10).

Com os versículos citados, não houve desejo de os citar fora do contexto, nem de focalizar a atenção num lado da verdade para desviá-lo de outro. O ensino desta passagem forma completa unidade com toda a verdade do Novo Testamento. É como se tirássemos um copo de água do mar. O que tiraríamos não seria toda a água do oceano, mas seria uma amostra real e em perfeito acordo como o restante.

A dificuldade que nós cristãos contemporâneos enfrentamos não é a de entender mal a Bíblia, mas a de persuadir os nossos indóceis corações a aceitarem as suas claras instruções. O nosso problema é conseguir o consentimento das nossas mentes amantes do mundo para termos Jesus como Senhor de fato, bem como de palavra. Pois uma coisa é dizer, "Senhor, Senhor", e outra completamente diferente é obedecer aos mandamentos do Senhor. Podemos cantar, "Coroai-O Senhor de todos", e regozijar-nos com os agudos e sonoros tons do órgão e com a profunda melodia de vozes harmoniosas, mas ainda não teremos feito nada enquanto não abandonarmos o mundo e não fizermos os nosso rostos na direção da cidade de Deus na dura realidade prática. Quando a fé se torna obediência, aí é de fato fé verdadeira.

O espírito do mundo é forte, e gruda em nós tão entranhadamente como cheiro de fumaça em nossa roupa. Ele pode mudar de rosto para adaptar-se a qualquer circunstância e assim enganar muito cristão simples, cujos sentidos não são exercitados para discernir o bem e o mal. Ele pode brincar de religião com todas as aparências de sinceridade. Ele pode ter acessos de sensibilidade de consciência , e até pode confessar os seus maus caminhos pela imprensa pública. Ele louvará a religião e bajulará a igreja por seus fins. ele contribuirá para as causas de caridade e promoverá campanha para distribuir roupas aos pobres. Basta que Cristo guarde distância e que nunca afirme o Seu senhorio sobre ele. Positivamente isso não durará. E para com o verdadeiro Espírito de Cristo, só mostrará antagonismo. A imprensa do mundo (que é seu real porta-voz) raramente dará tratamento justo a um filho de Deus. Se os fatos a compelem a uma reportagem favorável, o tom tende a ser condescendente e irônico. Ressoa nela a nota de desdém.

Tanto os filhos deste mundo como os filhos de Deus foram batizados num espírito, mas o espírito do mundo e o Espírito que habita nos corações dos homens nascidos duas vezes, acham-se tão distanciados um do outro com o céu do inferno. Não somente são o completo oposto um do outro, mas também estão em extremo combate um contra o outro, mas também estão em agudo antagonismo um contra o outro. Para um filho da terra as coisas do Espírito são, ou ridículas, caso em que ele se diverte, ou sem sentido, caso em que ele se aborrece. "Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente."

Na Primeira Epístola de João duas palavras são empregadas uma e outra vez,, as palavras eles e vós, e elas designam dois mUndos totalmente diversos; vós refere-se aos escolhidos, que deixaram tudo para seguir a Cristo. O apóstolo não se põe genuflexo, de joelhos, ante o deus de Tolerência (cujo culto se tornou na América uma espécie de religião de segunda capa); João é grosseiramente intolerante. Ele sabe que a tolerância pode ser simplesmente outro nome para a indiferença. Exige-se vigorosa fé para aceitar o ensino do experimentado João. É muito mais fácil apagar as linhas de separação e, assim, não ofender ninguém. Generalidades piedosas e o emprego de nós para significar tanto cristãos como descrentes, é muito mais seguro. A paternidade de Deus pode ser ampliada para incluir toda gente, desde Jack, o Estripador, até Daniel, o Profeta. Assim, ninguém fica ofendido e todos se sentem banhados e prontos para o céu. Mas o homem que se reclinara sobre o peito de Jesus não foi enganado assim tão facilmente. Ele traçou uma linha para dividir em dois campos a raça humana, para separar dos salvos os perdidos, dos que se afundarão no desespero final os que subirão para a recompensa eterna. De um lado estão eles — aqueles que não conhecem a Deus; de outro, vós (ou, com uma mudança de pessoa, nós), e entre ambos está um abismo moral largo demais para qualquer homem atravessar.

Eis aqui o modo como João o declara: "Filhinhos, vós sois de Deus, e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. Eles procedem do mundo; por essa razão falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro". Uma linguagem como esta é clara demais para confundir qualquer pessoa que honestamente queira conhecer a verdade. Nosso problema não é de entendimento, repito, mas de fé e obediência. A questão não é teológica: Que é que isto ensina?

É moral: Estou disposto a aceitar isto e arcar com as coseqüências? Posso agüentar o olhar frio? Tenho coragem de enfrentar os acerbos ataques movidos pelos modernistas? Ouso provocar o ódio dos homens que se sentirão apontados por minha atitude? Tenho suficiente independência mental para desafiar as opiniões da religião popular e de acompanhar um apóstolo? Ou, em resumo, posso persuadir-me a tomar a cruz com o seu sangue e com o seu opróbrio?

O cristão é chamado para ficar separado do mundo, mas precisamos ter certeza de que sabemos o que queremos dizer (ou, mais importante, o que Deus quer dizer) com o mundo. É provável que o façamos significar alguma coisa externa apenas, perdendo, assim, o seu significado real. Cartas, bebidas, jogos — estas coisas não são o mundo; são simples manifestações externas do mundo. A nossa luta não é apenas contra os procedimentos do mundo, mas contra o espírito do mundo. Porquanto o homem, salvo ou perdido, essencialmente é espírito. O mundo, no sentido neotestamentário do termo, é simplesmente a natureza humana não regenerada onde quer que esta se encontre, quer no bar, quer na igreja. O que quer que brote da natureza decaída, ou seja edificado sobre ela ou dela receba apoio, é o mundo, seja moralmente vil ou moralmente respeitável. Os antigos fariseus, a despeito da sua zelosa dedicação à religião, eram da própria essência do mundo. Os princípios espirituais sobre os quais eles contruíram o seu sistema foram retirados, não do alto, mas de baixo. Eles empregaram contra Jesus as táticas dos homens. Subornavam os homens para dizerem mentiras em defesa da verdade. Para defender Deus, agiam como demônios. Para proteger a Bíblia, desafiavam os ensinamentos da bíblia. Eles sabotavam a religião para salvá-la. Davam rédeas soltas ao ódio cego em nome da religião do amor. Vemos aí o mundo com todo o seu cruel desafio a Deus. Tão feroz foi esse espírito, que não descansou enquanto não levou à morte o próprio Filho de Deus. O espírito dos fariseus era ativa e maliciosamente hostil ao Espírito de Jesus, pois cada qual era uma espécie de destilação de ambos os respectivos mundos dos quais provinham.

Os mestres atuais que situam o Sermão do Monte nalguma outra dispensação que não esta e, assim, liberam a igreja do seu ensino, mal percebem o mal que fazem. Pois o Sermão do Monte dá em resumo as características do Reino dos homens regenerados. Os bem-aventurados pobres que choram seus pecados e têm sede de justiça são verdadeiros filhos do Reino. Com mansidão mostram misericórdia para com os seus inimigos; com sincera simplicidade contemplam a Deus; rodeados de perseguidores, abençoam, e não amaldiçoam. Com modéstia escondem as suas boas obras e com paciência aguardam a visível recompensa de Deus. Livremente renunciam aos seus bens terrenos, em vez de usar a violência para protegê-los. Eles acumulam os seus tesouros no céu. Evitam os elogios e esperam o dia da prestação final de contas para saber quem é maior no Reino do céu.

Se esta é uma visão bem precisa das coisas, que podemos dizer quando cristãos disputam entre si lugar e posição? Que podemos responder quando os vemos famintamente procurando homenagens e louvor? Como podemos desculpar a paixão por publicidade, tão claramente evidente entre os líderes cristãos? Que dizer da ambição política nos círculos cristãos? E das febris mãos estendidas para mais e maiores "oferendas de amor"? Que dizer do desavergonhado egoísmo entre os cristãos? Como explicar o grosseiro culto do homem que habitualmente infla um ou outro líder popular dando-lhe somas endinheiradas, beijo dado por aqueles que se propõe como fiéis pregadores do Evangelho?

Há só uma resposta a essas perguntas, é simplesmente que nessas manifestações vemos o mundo, e nada senão o mundo. Nehuma apaixonada declaração de "amor" às "almas" pode transformar o mal em bem. Estes são os mesmos pecados que crucificaram Jesus.

Também é verdade que as mais grosseiras manifestações da natureza humana decaída fazem parte do reino deste mundo. Diversões organizadas com ênfase em prazeres frívolos, os grandes impérios edificados em hábitos viciosos e inaturais, o irrestrito abuso dos apetites normais, o mundo artificial denominado "alta sociedade" - todas estas coisas são do mundo. Todas fazem parte daquilo de que a carne consiste, daquilo que se edifica sobre a carne e que há de perecer com a carne. E dessas coisas o cristão deve fugir. Todas essas coisas ele tem que pôr para trás e nelas não deve tomar parte. Contra eleas deve pôr-se serena, mas firmemente, sem transigência e sem temor.

Portanto, que o mundo se apresente em seus aspectos mais feios, quer em suas formas mais sutis e refinadas, devemos reconhecê-lo pelo que ele é, e repudiá-lo categoricamente. Precisamos fazer isso, se é que desejamos andar com Deus em nossa geração como Enoque o fez na sua. Um rompimento puro e simples com o mundo é imperativo. "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus" (Tiago 4:4). "Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo" (I João 2:15,16). Estas palavras de Deus não estão diante de nós para nossa consideração; estão aí para nossa obediência, e não temos direito de nos entitular-mos cristãos se não as seguimos.

Quanto a mim, temo qualquer tipo de movimento religioso entre s cristãos que não leve ao arrependimento, resultando numa aguda separação do crente e o mundo. Suspeito de todo e qualquer esforço de avivamento organizado, que seja forçado a reduzir os duros termos do Reino. Não importa quão atraente pareça o movimento, se não se baseia na retidão e não é cuidado com humildade, não é de Deus. Se explora a carne, é uma fraude religiosa e não deve receber apoio de nenhum cristão temente a Deus. Só é de Deus aquele que horna o Espírito e prospera às expensas do ego humano. "Como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor".

Ele nos Apresentará diante de Deus – C. H. Spurgeon Postado por Charles Spurgeon / On : 10:45/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

http://euvimparaquetodostenhamvida.my1blog.com/files/2010/04/jesus-rey-de-reyes.png
 
Ele tem poder para guardá-los de tropeços, enquanto vocês andam pelo perigoso caminho que vai da terra aos céus. Quando escalamos montanhas, há estreitos atalhos, às vezes com um íngreme precipício em um dos lados. Se déssemos um passo errado, poderíamos cair em um imenso abismo. O mesmo acontece com nossas vidas espirituais. O caminho muitas vezes é difícil e escorregadio. Seria muito fácil tropeçar se o Senhor Jesus não mantivesse nossos pés firmes no chão. Quando andamos com segurança, portanto, devemos dar toda a glória a Deus que está nos guardando.

Mesmo os verdadeiros crentes são muito fracos. Vocês não são capazes de viajar por si próprios. Vocês não são capazes de ver os perigos ocultos. Precisam que o Senhor Jesus cuide de vocês e evite que caiam. Além disso, vocês têm inimigos que se escondem ao lado da estrada, prontos para aparecer e derrubá-los. Somente o Senhor Jesus pode protegê-los dos inimigos que estão sempre esperando para destruí-los. Não deveríamos louvar "aquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar"?

Ainda que sejamos tão fracos, Ele nos levará ao céu. Este mundo em que vivemos não é nosso lar. Muitas vezes gostaríamos de deixá-lo, pois a vida aqui se torna muito difícil. Gostaríamos de ir para nosso lar celesl i al. O Senhor Jesus tem poder para nos levar lá! Ele lutará contra nossos inimigos para nós. Jesus nos guardará de cair no pecado, e levará todos aqueles pelos quais Ele morreu para a terra celestial. Ninguém será deixado para trás. Estaremos segu¬ros e felizes com Ele para sempre. O Senhor Jesus nos apresentará a Deus e estaremos com aqueles que alcançaram o céu antes de nós.

Devemos notar que quando formos apresentados a Deus, estaremos imaculados. Como poderemos nós, que somos pecadores, estar sem faltas? Ã única resposta é que nosso Salvador é muito poderoso e Sua obra é sempre perfeita. Por mais pecadores que vocês sejam, se Cristo, em Sua misericórdia e graça, opera em seus corações de forma que vocês acreditem nEle, Ele os lavará em Seu sangue; isto significa que Cristo oferece Sua morte como pagamento pelos seus pecados. Vocês podem ter sido bêbados, ladrões ou adúlteros; mas agora, tendo nascido de novo por causa do que Cristo fez, aos olhos de Deus vocês serão puros, limpos e cândidos.

Mas há algo mais. Não basta que um homem esteja sem faltas, sem pecados. Ele precisa ter boas qualidades também. Ele não chegará ao céu somente porque seu pecado foi perdoado. Ele deve também ser obediente aos mandamentos de Deus. Entretanto como não temos poder para guardar a lei de Deus perfeitamente, como podemos esperar que chegaremos ao céu? Apenas porque o Senhor Jesus Cristo viveu uma vida perfeita a nosso favor. Ele guardou a lei de Deus, e Deus em Sua grande misericórdia considera a obediência de Cristo com relação à Sua lei como se fosse nossa própria obediência. Ele a atribui a nós.

Assim, duas coisas aconteceram. Cristo morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ser perdoados; Cristo viveu uma vida perfeita, e agora Deus nos olha como se tivéssemos levado uma vida assim, e Ele nos aceita.

O melhor de tudo, porém, é o fato de que Deus nos tomará em novas pessoas. Por causa de Cristo, Deus nos aceita como inculpáveis e bons. Então, Ele também coloca em nossos corações o desejo de sermos santos e bons. Enquanto vocês viverem na terra, embora não queiram pecar, ainda assim a maldade estará em seus corações, tentando fazer com que cometam coisas pecaminosas que na verdade não querem. Em Romanos, capítulo 7, o apóstolo Paulo nos diz que quando quis fazer o bem, o mal estava presente nele, e ele fez o que detestava.

Um dia, todo o mal em vocês terá desaparecido para sempre. Isto só acontecerá quando estes corpos pecaminosos morrerem e esti¬vermos com nosso Salvador no céu. Quando O virmos, seremos como Ele. Que alegria será para nós! Portanto, devemos dizer novamente com Judas: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar... glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos."

Quando chegarmos ao céu, entenderemos muito mais do que agora. Olharemos para trás e veremos todas as vezes nos quais fomos guardados de cair no pecado. Louvaremos o Senhor Jesus que nos guardou. Mas mesmo agora, nesta vida, devemos lembrar que Ele nos segura firmes, e não nos abandonará.

Em seguida, vejamos como o Senhor Jesus nos apresentará diante de Deus. Judas diz que será com muita exultação. Quem vocês acham que sentirá essa exultação? Todo cristão sincero e sentirá. Todos os que já leram a Bíblia cuidadosamente conhecem a Parábola do Filho Pródigo. Quem estava mais feliz na festa que o pai preparou para seu Filho que agora voltara para casa? O filho pródigo. Ele mal podia acreditar que seu pai ainda conseguia amado depois de ter sido tão ingrato e pecador.

O mesmo acontecerá conosco quando Deus, nosso Pai, nos trouxer para o lar que preparou para nós no céu. Olharemos para nossas vidas na terra. Pensaremos como fomos ingratos e como nos afastamos do Senhor Jesus Cristo. Então pensaremos como ainda assim Ele nos amou e por fim nos trouxe ao céu. O pecado, a tentação e o diabo, que sempre foram nossos inimigos, terão desaparecido, e seremos mais felizes do que jamais pensamos que poderíamos ser. Vocês deveriam estar muito felizes agora também, ao lembrarem que quando os problemas da vida acabarem, vocês serão felizes no céu eternamente.

Levando o Seu Vitupério (Sermão) - João Calvino


Saiamos, pois, a ele [Jesus] fora do arraial, levando o seu vitupério." (Hb 13-13) 

TODAS as exortações que nos são dadas para padecermos pacientemente pelo nome de Jesus Cristo e em defesa do Evangelho não terão efeito, se não nos sentirmos seguros da causa pela qual lutamos.Quando somos chamados a nos desfazer da vida, é absolutamente necessário saber em que base. Não podemos possuir a firmeza necessária, a menos que esteja fundamentada na certeza da fé. É verdade que há pessoas que se expõem tolamente à morte, na defesa de algumas opiniões absurdas e devaneios concebidos pelo próprio cérebro, mas tal impetuosidade deve ser considerada mais como frenesi do que zelo cristão; e, de fato, não há firmeza nem bom senso naqueles que, em certo tipo de casualidade, se empolgam dessa maneira. Mas embora isso ocorra, é somente numa boa causa que Deus nos reconhece como seus mártires. A morte é comum a todos, e os filhos de Deus são condenados à ignomínia c torturas exatamente como os criminosos o são; mas Deus faz a distinção entre eles, já que Ele não pode negar sua verdade. De nossa parte, exige-se que tenhamos provas firmes e infalíveis da doutrina que defendemos; e, por conseguinte, como eu disse, não podemos ser racionalmente impressionados pela exortação que recebemos para sofrer perseguição pelo Evangelho, se nenhuma certeza verdadeira de fé foi impressa em nosso coração.

Arriscar a vida numa incerteza não é natural, e ainda que o fizéssemos, seria só precipitação e não coragem cristã. Numa palavra, nada que fazemos será aprovado por Deus, se não estivermos completamente persuadidos de que é para Ele e sua causa que sofremos perseguição e o mundo é nosso inimigo. Quando falo de tal persuasão, não quero dizer meramente que temos de saber distinguir entre a verdadeira religião e os abusos ou loucuras dos homens, mas também que devemos estar inteiramente persuadidos da vida divina e da coroa, que nos é prometida nos céus, depois que tivermos lutado aqui na terra. Entendamos que estes requisitos são necessários e não podem ser separados um do outro.

For conseguinte, os pontos com os quais devemos começar são estes: Temos de saber bem qual é o nosso cristianismo, qual é a fé que temos de defender e seguir — qual é a regra que Deus nos deu; e, assim, temos de estar bem inteirados de tal instrução para que sejamos capazes de condenar com ousadia todas as falsidades, erros e superstições que Satanás introduziu para corromper a pura simplicidade da doutrina de Deus.

Veremos agora o verdadeiro método de nos preparar para sofrer pelo Evangelho. Primeiramente, devemos estar nos beneficiando até aqui na escola de Deus quanto a estarmos decididos com relação à verdadeira religião e à doutrina que vamos defender. Temos de menosprezar todos os artifícios e imposturas de Satanás e todas as invenções humanas como coisas frívolas e carnais, já que corrompem a pureza cristã; nesse particular diferindo, como verdadeiros mártires de Cristo, das pessoas irracionais que sofrem por meras absurdidades.

Em segundo lugar, assegurando-nos da boa causa, conseqüentemente, temos de ser inflamados para seguir a Deus aonde quer formos por Ele chamados. Sua Palavra tem de ter tal autoridade para conosco como ela merece, e, havendo-nos retirado deste mundo, temos de nos sentir arrebatados na busca da vida santificada.

Porém, é mais que estranho que, embora a luz de Deus esteja brilhando mais radiantemente que nunca, haja uma lamentável' falta de zelo. Em resumo, é impossível negar que é para nossa grande vergonha, para não dizer temível condenação, que conhecemos tão bem a verdade de Deus e temos tão pouca coragem em defendê-la.

Acima de tudo, quando olhamos para os mártires do passado, nos envergonhamos de nossa covardia! Em sua maioria não eram pessoas muito versadas nas Santas Escrituras para poderem disputar cm todos os assuntos. Eles sabiam que havia um Deus, a quem convinham adorar e servir; que haviam sido remidos pelo sangue de Jesus Cristo a fim de colocarem a confiança de salvação nEle e em sua graça; e que todas as invenções dos homens, sendo mera inutilidade e lixo, eles deviam condenar todas as idolatrias e superstições. Numa palavra, sua teologia era, em substância, esta: Há um Deus que criou todo o mundo e nos declarou sua vontade por Moisés e pelos profetas, e, finalmente, por Jesus Cristo e seus apóstolos; e temos um Redentor exclusivo, que nos comprou por seu sangue e por cuja graça esperamos ser salvos. Todos os ídolos do mundo são amaldiçoados e merecem abominação.

Com um sistema abarcando nenhum outro ponto que não esses, eles foram corajosamente às chamas ou a qualquer outro tipo de morte. Não entravam de dois em dois ou de três em três, mas em tamanhos grupos, cujo número dos que caíram pelas mãos dos tiranos é quase infinito.

O que então deve ser feito para inspirar nosso peito com a verdadeira coragem? Temos, em primeiro lugar, de considerar quão preciosa é a confissão de nossa fé aos olhos de Deus. Pouco sabemos o quanto Deus preza isso, se nossa vida, que não é nada, é estimada mais altamente por nós. Quando isso se dá, manifestamos maravilhoso grau de estupidez. Não podemos salvar nossa vida à custa de nossa confissão sem reconhecermos que a mantemos em mais alta estima que a honra de Deus e a salvação de nossa alma.

Um pagão poderia dizer: "Foi coisa miserável salvar a vida deixando as únicas coisas que tornavam a vida desejável!" E, não obstante, tal indivíduo e outros como ele nunca souberam por que propósito os homens são colocados no mundo, e por que vivem aqui. Sabemos muito bem qual deve ser a principal meta de vida, isto é, glorificar a Deus, para que Ele seja nossa glória. Quando isso não é feito, ai de nós! Não podemos continuar vivendo por um único momento na terra sem amontoarmos outras maldições sobre nossas cabeças. Contudo, não estamos envergonhados de   obter alguns dias para nos enlanguescer aqui embaixo, renunciando o Reino eterno ao nos separarmos dEle, por cuja energia somos sustentados em vida.

Mas como a perseguição sempre é severa e amarga, consideremos: Como e por quais meios os cristãos podem se fortalecer com paciência, para resolutamente exporem a vida pela verdade de Deus. O texto que lemos em voz alta, quando corretamente compreendido, é suficiente para nos induzir a agirmos assim. O apóstolo diz: ''Saiamos da cidade para o Senhor Jesus, levando seu vitupério".

Em primeiro lugar, Ele nos lembra que, embora as espadas não sejam desembainhadas contra nós, nem o fogo aceso para nos queimar, não podemos ser verdadeiramente unidos ao Filho de Deus, enquanto estamos arraigados neste mundo. Portanto, um cristão, mesmo em repouso, sempre tem de ter um pé pronto a marchar para a batalha, e não só isso, mas tem de ter seus afetos retirados do mundo, ainda que o corpo esteja habitando aqui.

Enquanto isso, para consolar nossas enfermidades e mitigar a vexação e tristeza que a perseguição nos causa, é-nos oferecida uma boa recompensa. Sofrendo pela causa de Deus, estamos caminhando passo a passo após o Filho de Deus e o temos por nosso Guia. Fosse dito simplesmente que para sermos cristãos tivéssemos de corajosamente passar por todos os insultos do mundo, encontrar a morte em todo momento e da maneira que Deus se agradasse designar, teríamos aparentemente algum pretexto para replicar.
É um caminho desconhecido para irmos na dúvida. Mas quando somos ordenados a seguir o Senhor Jesus, sua direção é muito boa e honrada para ser recusada.Somos tão melindrosos quanto à disposição de suportar qualquer coisa? Então temos de renunciar a graça de Deus pela qual Ele nos chamou à esperança de salvação. Há duas coisas que não podem ser separadas — ser membro de Cristo e ser provado por muitas aflições.

Quem dera fosse realmente fácil, mesmo para Deus, nos coroar imediatamente sem exigir que sustentássemos qualquer combate. Mas assim como é seu prazer que Cristo reine em meio aos seus inimigos, assim também é sua vontade que nós, sendo colocados no meio deles, soframos a opressão e violência que nos infligem até que "Ele nos liberte. Sei, de fato, que a carne esperneia quando deve ser levada a este ponto, mas não obstante a vontade de Deus tem de sobrepor-se.

Em tempos passados, muitas pessoas, para obter simples coroas de folhas, não recusavam o trabalho duro, a dor e a dificuldade. Até mesmo a morte não lhes era grande preço, e, ainda assim, cada um deles disputava uma corrida, não sabendo se iria ganhar ou perder o prêmio. Deus nos oferece a coroa imortal pela qual nos tornarmos participantes da sua glória. Ele não quer dizer que devemos lutar a esmo, mas todos temos a promessa do prêmio pelo qual nos empenhamos. Temos algum motivo para nos recusarmos a lutar? Achamos que foi dito em vão: "Se morremos com Jesus, também com ele viveremos"? Nosso triunfo está preparado, e contudo fazemos tudo o que podemos para evitar o combate. Para não deixar meios sem serem empregados que sejam adequados para nos estimular, Deus coloca diante de nós Promessas, de um lado, e Ameaças, do outro. Sentindo que as promessas não têm influência suficiente, fortaleçamo-nos acrescentando as ameaças. É verdade que devemos ser obstinados no extremo de não pôr mais fé nas promessas de Deus, quando o Senhor Jesus diz que Ele nos confessará como seus diante de seu Pai, contanto que o confessemos diante dos homens.

Mas se Deus não pode nos alcançar por meios gentis, não devemos ser meros obstáculos se suas ameaças também falham? Jesus convoca todos aqueles que, por medo da morte temporal, negam a verdade, a comparecerem no tribunal de seu Pai, e diz que então o corpo e a alma serão entregues à perdição. Em outra passagem, Ele afirma que negará todos o que o tiverem negado diante dos homens. Estas palavras, se não somos completamente impérvios para sentir, bem que podem fazer nossos cabelos se levantarem enfim! É em vão alegarmos que piedade deve nos ser mostrada, já que nossas naturezas são tão delicadas; pois é dito, pelo contrário, que Moisés, tendo buscado a Deus pela fé, foi fortalecido para não se entregar sob tentação. Portanto, quando somos flexíveis e fáceis de dobrar, é sinal manifesto. Não estou dizendo que não temos zelo, nem firmeza, mas que não sabemos nada de Deus ou de seu Reino.

Há dois pontos a considerar. O primeiro é que todo o Corpo da Igreja em geral sempre esteve, e até ao fim estará, sujeito a ser afligido pelos ímpios. Vendo como a Igreja de Deus é pisoteada nos dias atuais pelos orgulhosos indivíduos mundanos, como um late e outro morde, como torturam, como conspiram contra ela. como ela é assaltada incessantemente por cães raivosos e bestas selvagens, não nos esqueçamos de que a mesma coisa foi feita em todos os tempos passados.

Enquanto isso, o assunto de suas aflições sempre foi afortunado. Em todos os eventos, Deus fez com que, embora fosse oprimida por muitas calamidades, ela nunca tenha sido completamente esmagada; como está escrito: "Os ímpios com todos os seus esforços não tiveram sucesso no que intentaram". O apóstolo Paulo se gloria no fato e mostra que este é o curso que Deus, em misericórdia, sempre toma. Ele diz: "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos" (2 Co 4.8-10).

Só menciono brevemente neste sermão para ir ao segundo ponto, que está mais a nosso propósito, que devemos tirar vantagem dos exemplos particulares dos mártires que foram antes de nós. Não são limitados a dois ou três, mas são, como diz o apóstolo, "uma tão grande nuvem". Com esta expressão, ele intima que o número é tão grande que deve ocupar toda nossa visão. Para não ser tedioso, mencionarei somente os judeus, que foram perseguidos pela verdadeira religião, não apenas sob a tirania do rei Antioco, mas também um pouco depois da sua morte. Não podemos alegar que o número dos sofredores foi pequeno, pois formava um grande exército de mártires. Não podemos dizer que consistia em profetas a quem Deus tinha separado das pessoas comuns, pois mulheres e criancinhas faziam parte do grupo. Não podemos dizer que eles escaparam por pouca coisa, porque foram torturados tão cruelmente quanto possível.

Por conseguinte, ouvimos o que o apóstolo diz: "Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra (Hb 11.35-38).

Comparemos agora o caso deles com o nosso. Se eles suportaram tais coisas pela verdade, que naquela época era tão obscura, o que devemos fazer com a luz que agora brilha? Deus nos fala claramente; a grande porta do Reino dos céus foi aberta, c Jesus Cristo nos chama para si mesmo, depois de ter descido até nós para que pudéssemos tê-lo presente diante dos olhos.
Que repreensão nos seria suficiente para termos menos zelo para sofrer pelo Evangelho do que eles, que só tinham saudado as promessas de longe, que só tinham um pequeno postigo aberto para entrar no Reino de Deus e que só tinham um memorial e símbolo de Jesus Cristo? Estas coisas não podem ser expressas em palavras como merecem, e, então, deixo cada um a ponderar sobre elas consigo mesmo.

Em primeiro lugar, onde quer que esteja, o cristão tem de resolver, apesar dos perigos ou ameaças, andar em simplicidade como Deus ordenou. Que ele se guarde tanto quanto possa contra a voracidade dos lobos, mas que não seja com astúcia carnal. Acima de tudo, que ele coloque a vida nas mãos de Deus. Ele fez assim? Então, se acaso vier a cair nas mãos do inimigo, que ele saiba que Deus, tendo arranjado as coisas deste modo, se agrada de tê-lo como testemunha de seu Filho. Portanto, ele não tem meios de recuar sem quebrar a fé em Deus, a quem prometemos todo o dever na vida e na morte; Ele de quem somos e a quem pertencemos, ainda que não tenhamos feito nenhuma promessa.

Que seja mantido como ponto fixo entre todos os cristãos, que eles não devem considerar a vida mais preciosa do que o testemunho da verdade, já que Deus deseja ser glorificado assim. É em vão que Ele dá o nome de testemunhas (pois este é o significado da palavra mártir) a todos os que têm de responder perante os inimigos da fé? Aqui cada um não deve olhar para seu companheiro, pois Deus não honra a todos igualmente com a chamada. E como somos inclinados a olhar, devemos estar muito mais em guarda contra isso. Pedro, tendo ouvido dos lábios de Jesus que na velhice seria levado para onde não quereria ir. perguntou o que aconteceria com seu companheiro João. Não há nenhum de nós que não teria prontamente feito a mesma pergunta, pois o pensamento que imediatamente nos vem é: Por que sofro em lugar dos outros? Pelo contrário. Jesus Cristo nos exorta — não só a todos em geral, mas a cada um em particular — a nos mantermos "'prontos", a fim de que conforme Ele for chamando este ou aquele, marchemos avante por nossa vez.

Expliquei acima quão pouco preparados estaremos para sofrer martírio, se não estivermos armados com as promessas divinas. Agora resta mostrar um pouco mais completamente quais são o propósito e o alvo destas promessas — não para especificar todos em detalhes, mas para mostrar o que Deus deseja que esperemos dEle a fim de que nos consolemos em nossas aflições. Considerando-se sumariamente, podemos citar três coisas.
A primeira, é que já que nossa vida e morte estão em suas mãos, Ele nos preservará por seu poder, de modo que nem um fio de cabelo será arrancado de nossa cabeça sem a sua permissão. Portanto, os crentes devem se sentir seguros em quaisquer mãos que venham a cair, pois Deus não está despojado da tutela que Ele exerce sobre seu povo. Estivesse tal persuasão bem impressa em nosso coração, ficaríamos livres da maior parte das dúvidas e perplexidades que nos atormentam e nos obstruem em nossos deveres.

Vemos tiranos livres; a esse respeito, parece-nos que Deus já não possui meio de nos salvar, e somos tentados a cuidar de nossos próprios interesses, como se nada mais se esperasse dEle. Pelo contrário, sua providência, à medida que Ele a revela, deve ser considerada por nós como fortaleza inconquistável. Trabalhemos, então, para nos conscientizarmos da plena importância da expressão que nosso corpo está em suas mãos, que o criaram. Por isso. às vezes Ele libertou seu povo de maneira milagrosa e além de toda expectativa humana, como se deu a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha ardente; a Daniel, na cova dos leões; a Pedro, na prisão de Herodes, onde estava preso, acorrentado e rigorosamente guardado. Por estes exemplos, Ele quis testificar que Ele mantém nossos inimigos sob controle, embora possa não parecer, e que, quando quer, tem o poder de nos tirar dos grilhões da morte. Não que Ele sempre o faça, mas reservando a autoridade para si de dispor de nós para a vida e para a morte, Ele quer que nos sintamos completamente seguros de que Ele nos tem sob seu cuidado. Qualquer tirano que nos tente e com qualquer fúria que se arroje contra nós. pertence a Ele somente ordenar nossa vida.

Se Ele permite que tiranos nos matem, não é porque nossa vida não lhe é querida, é em maior honra cem vezes mais do que merece. Sendo esse o caso, tendo declarado pela boca de Davi que a morte dos santos é preciosa aos seus olhos, Ele também diz pela boca de Isaías que a terra descobrirá o sangue que parece estar oculto. Que os inimigos do Evangelho, então, sejam tão pródigos quanto serão do sangue dos mártires, pois terão de prestar contas dele ate a última gota. Nos dias atuais, eles se viciam em derrisão orgulhosa, enquanto entregam os crentes às chamas; e depois de terem se banhado no sangue deles, ficam tão intoxicados desse sangue que consideram todos os assassinatos que cometem como mero esporte festivo. Mas se temos paciência para esperar, por fim Deus mostrará que não é em vão que Ele estimou nossa vida em tão alto valor. Nesse entretempo, não nos ofendamos por parecer confirmar o Evangelho, que em valor ultrapassa o céu e a terra.

Para ficarmos mais seguros de que Deus não nos abandona nas mãos dos tiranos, lembremo-nos da declaração de Jesus Cristo, quando disse que Ele mesmo é perseguido nos seus membros. Deus de fato tinha dito antes por Zacarias: "Aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho" (Zc 2.8). Mas aqui é dito com muito mais expressividade que. se sofrermos pelo Evangelho, é tanto quanto se o Filho de Deus estivesse sofrendo pessoalmente. Que saibamos que Jesus Cristo tem de se esquecer de si mesmo antes de deixar de pensar em nós, quando estamos em prisão ou em perigo de morte por sua causa. Que saibamos que Deus tomará no coração todas as afrontas que os tiranos cometem contra nós, da mesma maneira como se tivessem cometido contra o próprio Filho.

Vamos agora ao segundo ponto que Deus nos declara em sua promessa para nossa consolação. É que Ele nos sustentará assim pelo poder do seu Espírito para que nossos inimigos, façam o que fizerem, mesmo com Satanás à cabeça, não obtenham vantagem sobre nós. E vemos como Ele mostra seus dons em tal emergência; pois a constância invencível que encontramos nos mártires mostra abundante e formosamente que Deus trabalha poderosamente neles.

Na perseguição. Há duas coisas revoltantes para a carne: a vituperação e insulto dos homens e as torturas que o corpo sofre. Deus promete nos oferecer sua mão tão efetivamente, que superaremos ambas pela paciência.  O que Ele nos diz,  ele confirma por fato. Tomemos este escudo para nos precaver de todos os medos pelos quais somos assaltados, e não restrinjamos a operação do Espírito Santo dentro de tais limites estreitos, como a supor que Ele não sobrepujará facilmente todas as crueldades dos homens. Disto tivemos, entre outros exemplos, um que é particularmente memorável. Um jovem que certa vez viveu aqui conosco, tendo sido preso na cidade de Tournay, seria condenado à guilhotina, desde que se retratasse, e se continuasse firme em seu propósito, seria queimado vivo! Quando perguntado o que pretendia fazer, simplesmente respondeu: "Aquele que me dará graça para morrer pacientemente por seu nome, sem dúvida me dará graça para suportar o fogo!"

Devemos tomar esta expressão, não como a de um homem mortal, mas como do Espírito Santo, para nos assegurarmos que Deus não é menos poderoso para nos fortalecer e nos tornar vitoriosos sobre as torturas, do que nos fazer submeter de boa vontade a uma morte mais suave. Além disso, vemos muitas vezes que firmeza Ele dá a malfeitores infelizes que sofrem por seus crimes. Não falo dos endurecidos, mas dos que obtêm consolação da graça de Jesus Cristo, e, por esse meio, com corações tranqüilos, sofrem os castigos mais cruéis que podem ser infligidos. Um belo exemplo é visto no ladrão que foi convertido à morte de nosso Senhor. Será que Deus, que assim ajuda poderosamente pobres criminosos quando suportam o castigo de suas más ações, estará tão ausente do seu povo, enquanto lutam pela causa santa, quanto a não lhes dar coragem invencível?

O terceiro ponto a considerar acerca das promessas de Deus aos seus mártires é o fruto que eles devem esperar por seus sofrimentos, e no fim, se for necessário, por suas mortes. Este fruto se manifestará depois de terem glorificado o seu nome, depois de terem edificado a Igreja pela constância, quando serão reunidos com o Senhor Jesus na sua glória eterna. Mas como falamos acima brevemente, é bastante aqui apenas lembrar. Que os crentes aprendam a erguer a cabeça para as coroas de glória e imortalidade para as quais Deus os convida, a fim de que assim eles não se sintam relutantes em deixar a vida presente por tal recompensa.

Para que se sintam bem seguros desta bênção inestimável, que sempre tenham diante dos olhos a conformidade que eles têm a nosso Senhor Jesus Cristo. E exatamente como Ele que, pela repreensão da cruz, chegou à ressurreição gloriosa, vejam que a morte consiste em toda a nossa felicidade, alegria e triunfo!

O culto que não cultua a Deus


Por: Pr. José Santana Dória
Por vezes pensamos que não há nenhuma dificuldade ou problema com respeito à liturgia utilizada nos cultos dos nossos dias, pois achamos que tudo aquilo que se está oferecendo a Deus, Ele aceitará, desde que seja feito com sinceridade e zelo. Este falso entendimento mostra que somos uma geração ignorante quanto a forma bíblica de cultuar a Deus.

Não nos ocorre que Deus estabeleceu para o culto coisas que lhe agradam, e explicitou outras que não lhe agradam. Portanto, se quisermos que nosso culto seja aceitável precisamos submetê-lo a revelação divina. Se a Palavra de Deus aprovar, podemos ficar tranqüilos e perseverar em nossa atitude. No entanto, se ela desaprovar, humildemente devemos reconhecer diante de Deus o nosso erro e retornar ao princípio bíblico que Deus estabeleceu. Ele espera isso de todos nós.


Não podemos esquecer, que mesmo quando o verdadeiro Deus é adorado, podem existir problemas que tornam está adoração desagradável e mesmo inaceitável para Ele. Isto é o que podemos chamar de “cultuar de forma errada o Deus verdadeiro ou praticar o culto que não cultua a Deus”. Existem formas de culto que em vez de agradar a Deus o entristece: “as vossas solenidades, a minha alma aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer” (Is.1:14).De acordo com Isaías 1:10-17, a maior queixa contra o povo é que este desobedecia continua e abertamente ao Senhor, mas continuava a lhe oferecer sacrifícios e ofertas, cultuando como se nada tivesse acontecido, como se fosse o povo mais santo da terra. Deus diz que aquilo era abominável (v.13), porque ele não podia “suportar a iniqüidade associada ao ajuntamento solene”.

O povo vinha até a presença de Deus, cultuava mas não mudava de vida. Apresentava-se diante de Deus coberto de pecados e sem arrependimento, pensando, talvez, que bastava cumprir os rituais e tudo estaria resolvido. Esse povo aparentemente participava com animação de todos os trabalhos religiosos, fossem festas, convocações, solenidades etc. E ainda era um povo muito dado à oração. Uma oração altamente emotiva, pois eles “estendiam as mãos” e “multiplicavam as orações” (v.15). Mas Deus disse que em hipótese alguma ouviria, pois eram mãos contaminadas e, certamente, orações vazias. Eram hipócritas.

O culto hipócrita que foi denunciado era causado pelo apego a mera formalidade, aos ritos, sem correspondência interior. Por fora tudo estava correto, mas interiormente essas ações litúrgicas não eram expressões de um coração agradecido. Era por essa razão que aquele culto se tornava uma coisa abominável ao Senhor. Assim o Senhor condenou o povo de Israel pela boca do profeta Isaías, dizendo: “este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu...” (Is.29:13). Ou seja, o que está nos lábios é correto, mas as motivações do coração são erradas. No fundo, todas essas expressões hipócritas não passam de atos mecânicos. São invenções humanas que não se importam com a vontade de Deus. O resultado final, é que o formalismo, associado à corrupção doutrinária, produzira um tremendo desvio do Senhor e um afastamento do verdadeiro culto que devemos a Deus. Infelizmente, esse é o tipo de culto que temos atualmente em grande parte das igrejas cristãs, um culto mecânico que desonra Deus, pois, não demonstra amá-Lo de todo coração, de toda alma, com todas as forças e com todo entendimento (Lc.10:27). Com propriedade, podemos dizer que esse é um culto que não cultua a Deus.

Jamais podemos nos esquecer que qualquer tipo de adoração não serve para Deus. Há maneiras corretas e outras erradas de se adorar a Deus. Convém aprender a maneira correta. Um culto oferecido a Deus de forma hipócrita, sem honrar a palavra, que perverte o uso dos elementos de culto, que é feito de forma mecânica, que não oferece o melhor ou que não vem acompanhado de uma vida santa, não pode agradar a Deus, NEM PODE SER CHAMADO DE UM CULTO QUE CULTUA A DEUS.

Deus não se agrada de tudo o que fazemos supostamente em seu nome, por isso devemos ser obedientes a Ele e descobrir o que realmente lhe agrada. Precisamos evitar procedimentos e costumes que inventamos, por melhores, mais atrativos e práticos que pareçam. Mas a questão final é: onde podemos descobrir a forma de culto que realmente agrada a Deus? A resposta é que esta forma de culto que cultua a Deus, esta na Sua Palavra. A Bíblia é nossa regra de fé e prática, somente nela podemos encontrar o ensino confiável para entendermos o que agrada a Deus. Se a desprezarmos e confiarmos em nossas técnicas modernas, certamente não estaremos honrando aquele que a inspirou e nos entregou para que fosse o meio pelo qual teríamos conhecimento dele.

A Confissão de Fé de Westminster no Capítulo 21, parágrafo 1, diz: “...a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por Sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras”.

Portanto, podemos concluir afirmando, sem medo de errar, que todas as práticas absurdas encontradas nos cultos dos nossos dias, tais como: palmas para Jesus, apelos, danças, gargalhadas santas, cair no espírito, cuspe santo, cânticos em línguas, urros, amarrar, desamarrar, representações teatrais, curas, libertações, interromper o culto para cumprimentar os irmãos ou visitantes, luzes coloridas etc. se originaram de pessoas que não se deixaram guiar pela Bíblia, mas antes foram atrás de seus próprios raciocínios e de sua própria vontade (praticam o culto da vontade, onde a adoração é uma questão de gosto e conveniência). Se quisermos agradar a Deus nunca podemos negligenciar a Bíblia. A Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e obedecê-la é o melhor culto que poderíamos oferecer ao Senhor.
_________________________
Fonte: [ monergismo.com ]
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]

Seu nome e o poder do Seu nome – Martyn Lloyd-Jones


Como hei de fortalecer-me "no Senhor e na força do seu poder" na batalha real? Terei que fazer todas estas coisas, mesmo quando por algum tempo, o diabo me deixa em paz; mas que tenho de fazer em plena refrega? Como vou me fortalecer no Senhor e na força do Seu poder na luta renhida, no calor da batalha? Só menciono uma coisa por enquanto. E o uso do Seu nome. O uso do nome do Senhor é uma tremenda fonte de poder. Vemos isso também no livro de Provérbios, capítulo 18, versículo 10: "Torre forte é o nome do Senhor" - somente o Seu nome, lembrem-se! "Torre forte é o nome do Senhor; a ela correrá o justo, e estará em alto refúgio."

Mas há outros exemplos notáveis de como usar o Seu nome e o poder do Seu nome. Vocês se lembram da história de Gideão? Gideão era um simples João Ninguém. Vinha de uma tribo nada importante, e pertencia a uma das menores famílias daquela tribo. Entretanto Deus o chamou para levantar-se e lutar contra os midianitas;e eles tinham exércitos numero¬sos. Deus, porém, vocês se lembram, não permitiu que Gideão tivesse um grande exército. Deixou-o apenas com um punhado de homens - 300 - e os restantes foram mandados embora. Como foi que ele combateu? Confiou somente em sua própria força? Não, o seu grito de guerra foi -"Espada do Senhor e de G ideão". Aí está a nossa doutrina, perfeitamente ilustrada. Gideão não disse: "Homens, sigam-me; em nome de Gideão, vamos atacá-los. Eis aqui a espada de Gideão, sigam-me". Tampouco disse: "Espada do Senhor". Aí está o perfeito ensino escriturístico -"Espada do Senhor e de Gideão". "Confie em Deus e mantenha seca a sua pólvora!" Tanto a confiança como a pólvora entram. É a espada do Senhor- certamente; sem ela estamos perdidos. Sim, mas é a espada do Senhor, e a "de Gideão". E assim eles partiram para a batalha, combateram com todo o seu poder e força, e obtiveram uma grande vitória.

Mas o maior de todos os exemplos é, de muitas maneiras, o de Davi e Golias. Estes incidentes do Velho Testamento, além de constituírem história, são ao mesmo tempo parábolas perfeitas da grande verdade escriturística que nos está sendo ensinada aqui, em Efésios, capítulo 6, sobre estarmos "firmes contra as astutas ciladas do diabo" e sobre a nossa luta "contra os principados e potestades". Tudo isso nos é ensinado naquele quadro de Golias e Davi: a luta é desigual. Olhem para esse gigante. Ele vence todos os outros, ninguém pode resistir-lhe. Por outro lado, eis aí Davi, um simples rapaz. Não consegue mover-se com a armadura de Saul, não consegue manejar a espada de Saul. Ele tem uma funda e algumas pedras. Isso é tudo! Mas Davi triunfou, e isso porque enfrentou Golias segundo a piedade (I Samuel 17:45). "Davi porém disse ao filisteu"-que estivera ridicularizando Davi e tentando amedrontá-lo, aborrecê-lo e derrotá-lo antes de começar o confronto - "Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e te tirarei a cabeça". Notem que Davi luta "em nome do Senhor, o Deus dos exércitos de Israel"; e no momento em que profere "o nome" ele se enche de confiança, força, poder e energia; e lhe é dada uma retumbante vitória.

Eliseu, no início da sua carreira, serviu-se do mesmo princípio. Elias tinha acabado de ir parao céu, e ali ficou Eliseu, diante do Jordão. Pouco antes ele tinha visto Elias agitar a capa e com ela dividir o rio; e ali ficou ele, enfrentando o momento da sua grande prova. Estará ele apto e forte o bastante para suceder Elias como profeta de Deus? Notem como ele encara a sua tarefa. Diz ele: "Onde está o Senhor, o Deus de Elias?" Esse deveria ser o grito de guerra da Igreja hoje, parece-me, combatendo como estamos os principados e as potestades. Tanto em geral como em particular, é isso que deveríamos dizer. Não temos por que ser fracos, hesitantes, frágeis e desanimados. Devemos dizer: "Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está o Deus de nossos pais, onde está o Deus dos reformadores, onde está o Deus dos puritanos, onde está o Deus dos primeiros metodistas? Onde está Ele, o Deus dos avivamentos? Em Seu nome podemos ser fortes e poderosos".

Passemos ao Novo Testamento. Vejam Pedro e João, nos primeiros dias da Igreja Cristã. Eles deparam com um coxo à Porta Formosado templo. Que é que eles devem fazer? Eis o que disse Pedro: "Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta--te e anda" (Atos 3:6). O nome! O poder do nome! Foram Pedro e João que de fato falaram e agiram, mas puderam fazê-lo porque usaram o poder do nome do Senhor. "Torre forte é o nome do Senhor" - sempre!

Observem o apóstolo Paulo escrevendo ao nervoso e amedrontado jovem Timóteo. Eleja lhe havia dito: "Sofre as aflições como bom soldado de Jesus Cristo". Ele dissera a Timóteo que juntasse as suas forças e seguisse adiante. Agora ele quer dar-lhe algo que realmente o encha de poder, pelo que diz: "Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendên¬cia de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho" (2 Timóteo 2:8). Cristo não venceu somente os homens, não venceu somente o diabo, venceu a morte e o túmulo, o último inimigo. Ele é todo-poderoso. Lembrem-se disso! E ao lembrar-se disso, o homem se fortalece no Senhor e na força do Seu poder. O nome, a lembrança do poder e do efeito do nome do Senhor ressurreto faz maravilhas.

E assim eu leio no livro de Apocalipse, "Eles o venceram (o inimigo) pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho" (12:11). Eles ameaçaram o diabo com Ele, e com essa ameaça o venceram. Esta é a única maneira. Ah, sim, diz um homem séculos mais tarde:

Quão suave é o nome de Jesus Aos ouvidos do crente; Cura as tristezas e as feridas E expulsa o seu temor.

O nome o fortalece. O nome de Jesus o faz. "Quão suave é o nome de Jesus!" "Expulsa o seu temor." Você sabe usar este nome? Sabe invocá-lo? Sabe o que é ser fortalecido ao simples som dele? Ei-lo aqui de novo:

Forte no Senhor dos exércitos E no Seu grandioso poder, Quem confia em Cristo e em Sua força, Sim, é mais do que vencedor.

O cristão luta, mas confia neste nome, invoca-o, e ele o fortalece. E assim ele é "mais do que vencedor".

Espero que todos nós saibamos usar o nome do Senhor desta maneira. Isto sempre me faz pensar em algo que ouvi muitas vezes quando eu era menino. Tive o privilégio de ser criado num povoado, numa pequena comunidade onde todos nos conhecíamos. Às vezes um valentão amea¬çava um rapazinho, e este ficava aterrorizado porque não tinha nenhuma possibilidade contra o valentão. Que é que o rapazinho fazia? Bem, eis o que com freqüência eu ouvia: o rapazinho sabia que estava perdido, que não podia fazer nada; mas muitas vezes ele parava o valentão simplesmente dizendo: "Vou falar com meu pai sobre você", ou: "Se você me bater, vou contar ao meu irmão maior". E o valentão, por mais valentão que fosse, ficava com medo do nome do pai. E eu e você, em nossa fraqueza e incapacidade, devemos ameaçar o diabo com o nome do nosso Pai e do nosso bendito Senhor e Salvador. Ameace-o! "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós." Diga-lhe: "Sei que sozinho não posso fazer nada contra você; mas, se você relar em mim, Ele me vingará". Ameace-o com o nome do Senhor. Ele é uma torre forte, e o justo corre para lá e fica a salvo. O nome não acrescenta nada à sua força, no sentido puramente físico e material, porém coloca força dentro de você infundindo-lhe confiança. O simples nome, a própria palavra, dá-lhe energia; você pode ameaçar o valentão que o está ameaçando, e você pode pô-lo a correr.

Este é um princípio que se vê em toda parte na vida. Ele explica por que um embaixador tem sucesso em seu trabalho. Ele mesmo não é nada, mas fala em nome do seu país, em nome do seu soberano, fala em nome dos poderes que estão por trás dele. A palavra é dele, todavia o poder é do seu país. E o outro país ouve a palavra de um homem porque sabe que ele é o representante do poder invisível, oculto e grandioso que está por trás dele.

Aí está, pois, um dos modos mais excelentes de ficar firme contra as astutas ciladas do diabo e ser mais do que vencedor. "Forte no Senhor e na força do seu poder." Conhecer o poder do Seu nome! "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno", diga as eu inimigo, "deixe-me. Não pertenço a você, pertenço a Cristo, sou protegido por Ele". "Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho." Queira Deus capacitar-nos a pôr em prática estas preciosas verdades, para que "possamos resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes".

Onde estão os jovens radicais por Cristo? – John Piper

http://www.videirasantos.com.br/images/radicais_livres.gif?894
 
Quando eu me coloco, como se fosse, nas praias de Iwo Jima e me deixo reencenar aquelas horas de coragem e sacrifício, e me lembro que eles eram jovens, não consigo fazer as pazes com as triviais preocupações da maior parte da vida americana. Um deles era bem jovem mesmo. Li a história dele e queria falar a cada grupo de jovens da América e dizer: vocês querem ver o que é legal? Querem ver algo mil vezes mais impressionante do que a mais linda jogada do ano? Ora, então ouça sobre Jacklyn Lucas.

Ele passou a conversa e entrou nos fuzileiros com 14 anos, enganando os recrutas com seu físico musculoso.... Colocado para dirigir um caminhão no Havaí, ele foi ficando frustrado; queria lutar. Embarcou como clandestino num navio transportador que saiu de Honolulu, sobrevivendo com comida que lhe era passada por fuzileiros compadecidos a bordo.

Chegou no Dia-D [em Iwo Jima] sem um rifle. Pegou um que achou na praia e foi para o interior lutando.

Ora, no D+l, Jack e três companheiros estavam se arrastando por uma trincheira quando oito japoneses pularam dentro na frente deles. Jack atirou em um: o tiro lhe atravessou a cabeça. Então sua arma enguiçou. Enquanto fazia esforço com ela uma granada rolou até seus pés. Ele gritou um aviso para os outros e socou a granada no pó vulcânico. Imediatamente, outro rolou para ele. Jack Lucas, 17 anos, caiu em cima das duas granadas. "Luk, você vai morrer", ele lembra de ter pensado.

A bordo do Samaritano, o navio hospital, os médicos quase não podiam crer o que viam. "Talvez ele tenha sido jovem demais e resistente demais para morrer", um disse. Ele agüentou 21 operações reconstrutivas e tornou-se o mais novo ganhador da Medalha de Honra da nação - e o único calouro do ensino médio a recebê-lo.

Ao ler aquilo, pensei em todas as coisas que os garotos do ensino médio acham legal. Sentado no alpendre onde eu estava lendo, pensei, O Deus, quem vai chegar na cara deles e lhes dar algo pelo qual viver? Eles jogam fora seus dias num transe de insignificância, tentando parecer aquela pessoa legal ou falar legal ou andar legal. Não têm dica nenhuma do que seja legal.

Mais um caso para esclarecer o que é legal. É sobre Ray Dollins, um piloto de bombardeiro em Iwo Jima.

A primeira leva de tratores anfíbios se dirigia para a praia. Os bombardeiros a jato dos fuzileiros estavam completando suas primeiras passadas soltando bombas. E quando o último piloto começou a puxar seu Corsair para cima, os japoneses saltaram para suas metralhadoras e crivaram esse avião de fogo antiaéreo. O piloto, Major Ray Dollins, tentou ganhar altitude enquanto se dirigia para o lado do oceano para evitar um choque mortal em cima de fuzileiros que iam à praia, mas seu avião estava avariado demais. O Tenente Keith Wells o acompanhava do tra¬tor anfíbio.... "Podíamos vê-lo na cabina", Wells disse, "e ele estava tentando tudo. Ele estava caindo verticalmente, rumo aos tratores anfíbios cheios de fuzileiros. No último segundo ele virou o avião de cabeça para baixo e dirigiu-o para cair na água entre duas levas de tratores. Nós assistimos a água explodindo para cima no ar".

O pessoal militar que ouvia em rede o rádio de comunicação de vôos não só enxergou Dollins descendo; puderam ouvir suas últimas palavras em seu microfone. Eram uma paródia desafiadora:

Oh, what a beautiful morning,
Oh, what a beautiful day,
I've got a terrible feeling
Everythings coming my way.


Naturalmente, não usamos a palavra legal para descrever a verdadeira grandeza! É uma palavra pequena. O ponto importante é esse. É barata. E é bem para isso que milhões de jovens vivem. Quem os confronta com urgência e lágrimas? Quem roga com eles para não jogarem a vida fora? Quem os pega pelos colarinhos, por assim dizer, e os ama suficientemente para mostrar-lhes uma vida tão radical e tão real e tão valiosa e saturada de Cristo que acabem sentindo o vazio e a trivialidade de sua coleção de CDs e suas conversas sem alvo sobre celebridades só do momento? Quem vai acordar o que está dormindo latente em suas almas, sem uso - uma ansiedade por não jogar a vida fora?

Capítulo 20 A Vontade de Deus

http://www.yaveraah.com.br/biblia%20estudando.jpg

Em todos os seres inteligentes existe uma vontade... homens, anjos e Deus têm vontades. No homem, a vontade é a faculdade da mente pela qual é feita uma escolha duma ação futura a qual determinamos. No querer um homem tem o propósito da ação em vista. Na vontade encontra-se a causa do ato; se fosse de outra maneira, ele seria uma simples máquina ou autômato. Se pego uma arma e mato outro homem, a vontade operou antes da mão; o propósito vem antes do ato. Mas se alguém me segura e outro põe em minha mão uma arma, forçando meu dedo contra o gatilho, este ato não foi meu, não escolhi nem quis cometê-lo. Em tal ato não seria um ser responsável, antes uma simples máquina ou instrumento de outra pessoa.
Em Deus, a vontade é o atributo pelo qual Ele determina e executa acontecimentos futuros. Sua vontade inclui tudo o que sucede, portanto todo acontecimento é providencial e não acidental no que concerne a Deus. Ele age em tudo conforme o Seu querer. Efésios 1:11. Os passarinhos não caem sem o conhecimento de Deus.
O dicionário define providência como acontecimento divinamente ordenado. Bem sabemos que os acontecimentos são seqüenciais, isto é; interligados quanto ao tempo, e um acontecimento provoca outro. Segue, portanto que se os acontecimentos são ordenados, as seqüências dos mesmos também o são. É comum ver os acontecimentos como providenciais e acidentais. Até os crentes têm a tendência de classificar certos atos como providências ou acidentais. Eles associam a providência com o que é bom, e acidentes com o que é mal. Lembro-me da ocasião quando a família Rickenbacker foi socorrida milagrosamente após ter caído no mar em seu avião. Os Rickenbackers consideraram o resgate como providencial, mas o autor considera o acontecimento todo como providência. Devemos ver a providência divina agindo tanto nas nossas aflições quanto nas nossas bênçãos. Jó falava dos dois estados quando disse: "O Senhor o deu, e o Senhor o tomou". Jó 1:21. E quando sua esposa queria que ele amaldiçoasse a Deus e morresse, ele disse: "Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal"? Jó 2:10. E quando todos os seus bens deste mundo foram perdidos, vendo nisto a mão de Deus, disse: "Ainda que ele me mate, nele esperarei". Jó 13:15.
A vontade de Deus inclui as ações perversas dos homens pecadores, mas isto não lhes tira a culpa. Talvez não entendamos, mas as Escrituras declaram tal fato e nós devemos acreditar nelas. As Escrituras não foram escritas para a confirmação do nosso raciocínio, mas para a sua correção. No dia de Pentecostes, Pedro, falando sobre Cristo, disse: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos". Atos 2:23. E noutra ocasião falou que Herodes, Pilatos, os gentios e o povo de Israel juntaram-se para fazer o que antes tinha sido determinado pela mão e pelo conselho de Deus. Atos 4:27-28. Talvez nós não possamos compreender como Deus pode determinar um pecado a ser praticado, sem se tornar o autor do pecado, mas o fato permanece que o maior dentre os pecados, a crucificação do Filho de Deus, foi divinamente determinado.
DISTINÇÕES NA VONTADE DE DEUS
Os teólogos fizeram muitas distinções na vontade de Deus, algumas falsas, outras desnecessárias, mas uma distinção é de fato manejar corretamente a Palavra da verdade. Esta é a distinção entre a Sua vontade de decretos e Sua vontade de preceitos, ou, em outras palavras, Sua vontade de propósito e Sua vontade de mandado. Sua vontade de propósito é sempre efetuada, mas Sua vontade de mandado muitas vezes é deixada sem ser efetuada. A vontade de propósito não pode ser mudada, pois isto significaria a destronização de Deus; a vontade de mandado é muitas vezes violada, pois os homens estão em rebelião contra Deus. Se a vontade humana for maior que a divina, então a primeira prevalecerá e Deus será destronizado. Se a rebelião humana puder subjugar o governo divino, segue-se que não há verdadeiramente um Ser supremo. Para melhor distinguirmos estes dois tipos de vontade, consideraremos cada um deles separadamente.
A VONTADE DIVINA DE PROPÓSITO
1. Ela é eterna. Deus não está formando novos propósitos, pois Seus conselhos são desde a antigüidade. Isaías 25:1. Seu propósito em Cristo é tido como eterno. Efésios 3:11. O que será, será, portanto, "Conhecidos são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras". Atos 15:18.
2. Ela é eficaz. A vontade proposital de Deus é sempre cumprida. Deus não é homem para ocupar-Se com pensamentos de "ah, se fosse". Não existem meros desejos Seus que não possam ser cumpridos. Isaías 14:24-27. Por exemplo, lá no passado da eternidade, Deus quis ou determinou a morte de Seu Filho, e séculos após o começo dos tempos vemos Deus dirigindo as livres ações dos homens pecaminosos para efetuar tal acontecimento. Ainda mais, Ele predestinou e predisse os detalhes... quando, onde, e como Seu Filho morreria. Encontramos portanto nos quatro evangelhos referências onde diz que isto ou aquilo aconteceu para que as Escrituras se cumprissem.
3. Ela é imutável. Deus nunca muda Sua vontade de propósito. Existem somente dois motivos que fazem alguém mudar de idéia ou de vontade; deve ser porque se vê que o que foi proposto não é sábio, ou porque o que foi proposto não pode ser cumprido. Mas nenhum destes dois motivos é aplicável a Deus. Ele fez Seus planos em onisciência, e os executará em onipotência.
A oração não muda a vontade de Deus, mas muda as coisas. As mudanças trazidas pela oração fazem parte da vontade proposital de Deus. O Espírito de Deus faz intercessão pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Romanos 8:27. As orações respondidas são feitas na energia do Espírito Santo. Pode-se orar sem o Espírito e receber o que desejou, mas não seria em resposta a oração feita. Dois generais inimigos podem orar pela vitória na batalha vindoura, mas ambos não poderiam estar orando no Espírito Santo, e é possível que nenhum dos dois estivesse. Em toda oração verdadeira um pensamento está implícito ou expresso: Não seja feita a minha vontade, mas a Tua.
"Cristo, bom Mestre eis meu querer: Tua vontade sempre fazer; faze-me forte para resistir duras fraquezas que possam vir. Cristo, bom Mestre eis meu querer: mais santidade de vida ter; faze-me firme ó Cristo, meu Deus, para não deixar a senda dos céus. Cristo, bom Mestre, eis meu querer: todas as minhas faltas vencer; faze-me rijo para lutar, Para a vitória sempre ganhar".
4. A vontade proposital de Deus foi a causa da nossa salvação. Sou um homem convertido ou salvo. Nascido de novo. O que ou quem está atrás desta grande salvação? O que ou quem foi que efetuou a minha conversão? Qual a explicação desta tremenda mudança que houve na minha vida? Por detrás de toda ação existe uma vontade. Fui eu que quis transformar a mim mesmo? Em João 1:12 lemos que os crentes recebem o poder de se tornarem filhos de Deus, e o versículo seguinte explica sua fé nestas palavras: "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". A fé salvadora não se origina em nossos pais, nem em nós mesmos, nem em outro homem qualquer; mas é dom de Deus. Tiago 1:18 diz: "Segundo a sua vontade, nos gerou pela palavra da verdade".
A VONTADE DIVINA REVELADA NA BÍBLIA
1. A vontade revelada refere-se ao que Deus já prescreveu como nossa regra de pensamento e conduta. A vontade de Deus é expressa em toda lei divina. No Éden foi a vontade de Deus que determinou que tipo de lei seria dada a Adão e Eva. No Sinai, Deus não consultou Moisés nem os filhos de Israel a respeito das leis às quais seriam sujeitos. Numa democracia o povo faz suas próprias leis pela escolha de representantes que servem em câmaras de legislação. Isto cria grupos de pessoas que querem fazer legislação a favor de certos grupos de pessoas, porque os homens são egoístas; não amam ao seu próximo como a si mesmo. Mas em nossa relação com Deus, não tratamos com uma democracia, mas com uma teocracia. Na vontade divina revelada na Bíblia, temos a soberania da autoridade. Na vontade divina de propósito temos a soberania do poder.
2. É a vontade divina de mandado e não a de propósito que os homens são responsáveis a realizar. Foi Sua vontade de propósito que trouxe Cristo ao mundo, mas esta não foi Sua vontade de mandado. Ao crucificar a Cristo, os homens estavam cumprindo o propósito de Deus, mas não estavam obedecendo-a, como uma ordem divina. Não pode haver pecado ao se fazer o que Deus ordenou. Pedro nos diz que eles mataram Cristo com suas mãos perversas; portanto não estavam obedecendo à ordem de Deus. O que Deus propõe é o fator determinante; o que Ele manda é nossa responsabilidade. Para os homens é fácil ver esta distinção em tudo, menos na religião. Alguém que vê somente um lado da verdade diz: "Se é da vontade de Deus que eu seja salvo, Ele me salvará; portanto não vou me preocupar". Mas este mesmo alguém, nem sequer sonharia agir da mesma maneira em outro caso qualquer. Em relação a colheita deste ano, a vontade divina de propósito determina a ceifa, mas Sua ordem é cultivar, plantar e ceifar. A vontade divina de propósito determina se nós viveremos ou morreremos, Tiago 4:15, mas a Sua vontade de ordem é que obedeçamos às leis da saúde. Ninguém deixa de comer porque crê que a vontade divina de propósito determina se vai viver ou morrer. A vontade proposital de Deus determinará o resultado duma guerra, mas seria loucura nos sentar e dizer: "Se for da vontade de Deus que ganhemos esta guerra, ganharemos, ao contrário seremos derrotados; portanto não vamos fazer nada e deixemos de lutar". A vontade proposital de Deus determina o resultado do nosso testemunho por Cristo. "Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas". Eclesiastes 11:6. "Porque assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não torna, mas rega a terra, e a faz produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra, que sair de minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei". Isaías 55:10-11. É a vontade de ordem divina que semeemos à margem dos ribeiros de águas, que preguemos o Evangelho a toda criatura, e Sua vontade de propósito cuidará dos resultados e realizará os Seus desejos.
É a vontade divina de propósito que determinará se serei salvo ou não, mas é tolice sentar e dizer que se for um dos eleitos serei salvo; portanto não preciso interessar-me no caso. A vontade divina de mandado é que eu me arrependa e confie, e esta é a responsabilidade de cada um. Temos ordem de confirmar nosso chamado e nossa eleição. 2 Pedro 1:10. Temos ordem de entrar pela porta estreita. Lucas 13:24. O homem que não se interessa por sua alma e não se importa com sua salvação; se persistir em tal atitude, findará no lago de fogo; pois aquele que não crê será condenado. Muito da vontade divina de propósito pertence à vontade secreta de Deus, e as coisas secretas lhe pertencem, mas o que Ele já revelou e ordenou pertence a nós. Deuteronômio 29:29.

Autor: C. D. Cole
Revisão 2004: David A Zuhars Jr

Pequenos Passos que Levam a Grande Entendimento

http://8e.img.v4.skyrock.net/8e8/priscilamachado/pics/1778376504_small_1.jpg

“E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou” (Lucas 15:20).
Pelo caminho adiante parecer incerto e difícil, muitas vezes falhamos em tomar os passos que estão claramente na nossa frente. Se deixarmos acontecer, a dúvida e a dificuldade podem nos paralisar. Não tendo encontrado Deus ainda, e não vendo saída da nossa confusão, negligenciamos a busca por Deus. Nossa busca pela verdade é impedida.
Mas os passos que poderíamos tomar são os mais importantes. Geralmente, são passos pequenos em direção a Deus, dados na confiança, que levam a grande entendimento. Jesus falou da alma honesta que “aproxima-se da luz” (João 3:21). Obviamente, deve-se buscar o esclarecimento, e a busca pode ser árdua. Mas não “nos aproximamos da luz” por mera preocupação ou aflição. A busca envolve mais do que simplesmente tentar entender as coisas intelectualmente.
A sabedoria divina deve ser buscada ativamente, em obediência. Se a consciência consegue indicar apenas um ou dois passos, então é importante darmos esses passos. Aquilo que não sabemos jamais deverá impedir que cumpramos o dever que conhecemos. Temos que usar a luz que já temos – ou cessar de esperar mais iluminação.
Deus graciosamente honra qualquer passo que damos na fé, mesmo que esses passos pareçam minúsculos. Vários textos bíblicos nos dão esta confiança. “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mateus 7:7). “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração” (Tiago 4:8). Deus verificará que pegamos todas as informações necessárias para fazer a coisa certa, se fazer a coisa certa é aquilo que realmente pretendemos.
Coragem, muito mais que a “inteligência”, é a chave para o grande entendimento das coisas de Deus. Os corajosos não só pensam, como também agem com integridade para com aquilo que já conhecem. São os honestamente obedientes que encontram a luz que estão procurando, enquanto os preguiçosos e curiosos encontram apenas a escuridão cada vez mais assombrosa. Aos que buscam ativamente é dito: “Se o buscardes, ele se deixará achar” (2 Crônicas 15:2). Deus é mais do que uma testemunha desinteressada da nossa busca. Se o nosso propósito verdadeiro é voltar para casa, nosso Pai virá muito mais que a metade do caminho para nos encontrar.
Quem for que se aproxime de Deus apenas um passo pelas dúvidas escuras, Deus avançará uma milha em luz brilhante para ele.(Angelus Silesius)

– por Gary Henry

Marcadores

(I Pedro 5:8) (1) 1 Coríntios (3) 1 Pedro (1) 1Pedro (1) 2 Pedro (2) A (1) A palavra da Cruz é Loucura (3) A Parábola do Rico e Lázaro (1) a Semente e os Solos (1) A Volta de Jesus (4) A. W. Tozer (36) A.W Pink (2) Abandonado (1) Aborto (9) Adoração (18) Agostinho (1) Aids (1) Alegria (22) Aliança (1) Alívio (1) Almas (17) Amarás o Próximo (1) Amargura (1) Amém (3) Amizade (5) Amor (70) Anátema (1) Angústia (2) Animais (1) Anjos (3) Anorexia (1) Ansiedade (5) Anticristo (2) Antidepressivo (1) Antigo Testamento (1) Apocalipse (10) Apostasia (5) Apóstolo Paulo (4) Arca de noé (2) Arrebatamento (3) Arrependimento (22) Arrogância (1) Arthur W. Pink (5) As Igrejas de todos os Tipos e para todos os Gostos (1) Ateísmo (4) Ateus (5) Augustus Nicodemus (2) Autoridade (4) Avareza (1) Aviso (2) Avivamento (10) Batalha Espiritual (7) Batismo (4) Bebida Alcóolica (1) Benção (2) Bíblia (49) Boas Novas (1) Bullying (1) Cálice (2) Calvinismo (2) Campanhas no Facebook (1) Cansado (1) Caráter (4) Carnal (1) Carnaval (2) Carne (11) Carta de Deus e do Inferno (2) Carter Conlon (1) Casamento (32) Castigo (1) Catolicismo.Religiao (1) Céu (14) Chamados ao primeiro amor (5) Charles Haddon Spurgeon (274) Cigarro (1) Circo ou Igreja? (1) Cirurgia Plástica (1) Citações Redes Sociais (2) Clodoaldo Machado (1) Cobiça (1) Comunhão (4) Comunidade no Orkut (1) Conhecendo as Histórias da Bíblia (1) Conhecimento (2) Consciência (2) Consolador (3) Copa do Mundo (1) Coração (31) Coragem (4) Corra (1) Corrompidos (1) Cosmovisão Cristã (1) Crer em Jesus (3) Criação (3) Criança (7) Cristãos (60) Cristianismo (19) Cristo (85) Crucificaram (1) Cruz (29) Culto (2) Cultura (4) Cura (6) David Wilkerson (43) Demônio (4) Dennis Allan (23) Denominações (1) Dependência (2) Depravação Humana (11) Depressão (6) Desanimado e fraco (11) Descanso (1) Desejo (1) Desenhos para Crianças (9) Deserto (1) Desigrejados (1) Desonra (1) Desprezado e Rejeitado (3) Desviado (5) Deus (328) Devoção (1) Diabo (9) Dinheiro (11) Discernimento (1) Discipulado (7) Discípulos Verdadeiros (4) Divórcio (9) Divulgue esse Blog (2) Dízimos e Ofertas (3) Dons Espirituais (1) Dor (6) Dores de Parto (1) Doutrinas (5) Dr J.R (1) Drogas (1) Dúvidas (1) Eclesiastes (1) Ego (1) Enganados (1) Envelhecer com Deus (1) Equilibrio (1) Errando (2) Escolha (2) Escolhidos De Deus (10) Escravo por Amor (2) Esforço (1) Esperança (8) Espíritismo (1) Espirito Santo (27) Espirituais (35) Estudo da Bíblia (257) Estudo Livro de Romanos por John Piper (17) Estudo Livro de Rute por John Piper (5) Eternidade (10) Eu Não Consigo (1) Evangelho (76) Evangelho da Prosperidade (13) Evangelho do Reino (1) Evangelismo (5) Evangelizar pela Internet (7) Evolução (1) Exaltação (1) Êxodo (1) Exortação (3) Ezequiel (1) Falar em Linguas (3) Falsos Profetas(Enganação) (17) Família (16) Fariseus (3) (49) Felicidade (6) Festas do Mundo (1) Festas juninas(São João) (1) Fiél (3) Filmes Bíblicos (43) Finais dos Tempos (11) Força (1) Fruto (8) Futebol (1) Gálatas (1) George Müller (1) George Whitefield (2) Glória (44) Graça (47) Gratidão (3) Guerra (4) Hebreus (1) Heresias (3) Hernandes Lopes (110) Hinos (1) Homem (46) Homossexual (6) Honra (1) Humanismo (1) Humildade (9) Humilhado (8) Idolatria (12) Idoso (1) Ignorância (1) Igreja (79) Ímpios (1) Incentivo (1) Incredulidade (2) Inferno (8) Ingratidão (2) Inimigo (2) Inquisição Católica (1) Intercessão (1) Intercessor (1) Intervenção (9) Intimidade (1) Inutéis (1) Inveja (1) Ira (12) Isaías (1) J. C. Ryle (9) James M. Boice (1) Jejum (4) Jeremias (2) Jesus (88) (1) João (4) João Calvino (145) Jogos VIDEO GAMES (2) John Owen (15) John Pipper (587) John Stott (28) John Wesley (1) Jonathan Edwards (92) José (1) Joseph Murphy (1) Josué Yrion (8) Jovens (15) Julgamento (20) Justiça (2) Lave os pés dos seus irmãos Vá em busca dos perdidos e fale do amor de Deus (1) Leão da Tribo de Judá (1) Legalismo vs. Bem-Aventuranças (1) Leonard Ravenhill (52) Liberdade (10) Língua (5) Livre arbítrio (10) Livros (67) Louvor (4) Lutar (7) Maçonaria e Fé Cristã (1) Mãe (2) Mal (18) Maldições Hereditárias (3) Manifestações Absurdas (2) Marca da Besta (1) Mártires (5) Martyn Lloyd-Jones (173) Masturbação (2) Mateus (2) Maturidade (2) Médico dos Médicos (1) Medo (2) Mefibosete (1) Mensagens (372) Mentira (8) Milagres (2) Ministério (10) Misericórdia (13) Missão portas abertas (21) Missões (27) Missões Cristãos em Defesa do Evangelho (1) Monergismo (1) Morrendo (12) Morte (43) Morte de um ente querido que não era crente (1) Mulher (11) Mulheres pastoras (2) Mundanismo (3) Mundo (28) Murmuração (3) Músicas (38) Músicas nas Igrejas.Louvor (8) Namoro ou Ficar (12) Natal (4) Noiva de Cristo (2) Nosso Corpo (1) Novo convertido (10) Novo Nascimento (11) O Semeador (1) O Seu Chamado (13) Obediencia (8) Obras (15) Obreiros (2) Observador (2) Oração (67) Orgulho (10) Orgulho Espiritual (1) Orkut (1) Paciência (7) Pai (1) Pais e Filhos (21) Paixão (3) Paixão de Cristo (2) Parábola Filho Pródigo (2) Parábolas (9) participe do nosso grupo e curta nossa página! (1) Páscoa (1) Pastor (18) Paul Washer (216) Paulo Junior (239) Paz (4) Pecado (106) Pecadores (12) Pedofilia (2) Perdão (16) perse (1) Perseguição (13) Pobre (4) Poder (18) Por que tarda o pleno Avivamento? (3) Pornografia (8) Porque Deus permite o sofrimento dos inocentes (2) Porta Estreita (2) Pregação (24) PREGAÇÕES COMPLETAS INTRODUÇÃO ESCOLA DE OBREIROS (1) Profecias (3) Profetas (3) Prostituição (2) Provação (2) Provar o Evangelho Para Aqueles que Não acreditam Na Bíblia (1) Provérbios (1) Púlpito (3) Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma (1) R. C. Sproul (29) Realidade (1) Rebelde (1) Redes Sociais (2) Reencarnação (2) Refletindo Sobre Algumas coisas (1) Reforma e Reavivamento (1) Reforma Protestante (3) Refúgio (2) Regeneração (16) Rei (3) Relativismo (1) Religião (7) Renúncia (2) Ressuscitou (5) Revelação (1) Ricardo Gondim (1) Richard Baxter (7) Rico (12) Romanos (20) Roupas (1) Rupert Teixeira (4) Rute (5) Sabedoria (12) Sacrifício (3) Salvação (45) Sangue de Cristo (3) Santa Ceia (2) Santidade (34) Satanás (15) Secularismo (1) Segurança Completa (1) Seitas (3) Semente (1) Senhor (10) Sensualidade (2) Sermão da Montanha (2) Servos Especiais (4) Sexo (8) Sinais e Maravilhas (2) Soberba (1) Sofrimento (24) Sola Scriptura (1) Sola Scriptura Solus Christus Sola Gratia Sola Fide Soli Deo Gloria (4) Soldado (1) Sozinho (3) Steven Lawson (12) Submissão (1) Suicídio (2) Televisão um Perigo (8) Temor (4) Tempo (5) Tentação (9) Teologia (2) Teologia da Prosperidade (4) Tesouro que foi achado (4) Tessalonicenses 1 (1) Testemunhos (29) Thomas Watson (17) Tim Conway (38) Timóteo (1) Todo homem pois seja pronto para ouvir tardio para falar tardio para se irar Tiago 1.19 (1) Trabalho (2) Tragédia Realengo Rio de Janeiro (2) Traição (4) Transformados (1) Trevas e Luz (2) Tribulação (10) Trindade (2) Tristeza (5) Trono branco (2) Tsunami no Japão (2) tudo (231) Uma Semente de Amor para Russia (1) Unção (3) Ungir com Óleo (1) Vaidade (3) Vaso (2) Velho (1) Verdade (30) Vergonha (3) Vestimentas (1) Vícios (6) Vida (39) Vincent Cheung (1) Vitória (5) Vontade (1) Votação (1) Yoga (1)

Comentários:

Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

Postagens Populares

Bíblia OnLine - Leitura e Audio

Bíblia OnLine - Leitura e Audio
Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

Feed: Receba Atualizações Via Email

Coloque o seu endereço de email e receba atualizações e conteúdos exclusivos:

Cadastre seu E-mail.Obs.: Lembre-se de clicar no link de confirmação enviado ao seu e-mail.