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8 de set. de 2010

O Que é ser Confirmado e Edificado na Fé? – Richard Baxter


Esta confirmação é o poder habitual da graça, distinto das eventuais confirmações pela influência da graça de Deus. Deus pode em um determinado instante confirmar uma pessoa fraca para que possa resistir a alguma tentação em particular, pela sua livre assistência; entretanto não é disso que o texto fala aqui, mas de uma habitual confirmação em um estado de graça.

Um crente confirmado, ao contrário de um crente fraco, não deve ser avaliado,

1) Pela ausência de todas as dúvidas e temores.

2) Nem pela sua eminência na estima ou observação do homens.

3) Nem por seu poder de memória.

4) Ou por liberdade de expressão na oração, pregação ou discurso.

5) Ou por sua postura e cortesia para com os outros.

6) Nem por seu temperamento quieto, calmo e agradável, e livre de alguma precipitação e paixão a que outros temperamento são mais tendentes.

7) Nem pela capacidade fingida, mas que agrada aos homens, de refrear a língua, impedindo-a de revelar a corrupção da mente, e de suprimir todas as palavras que poderiam fazer com que os outros soubessem quão perverso é o coração. Há muitos dons louváveis e desejáveis, os quais não evidenciam tanto a sinceridade com relação a graça; e muito menos o estado de confirmação e estabilidade.

Confirmação consiste no elevado grau daquelas graças que caracterizam um crente, e este elevado grau se manifesta nas suas práticas:

1) Quando a santidade é como que uma nova natureza em nós, nos dá prontidão para atos santos, nos torna livres e prontos para tais atos, e os torna fáceis e familiares para nós; enquanto que o crente fraco sente dificuldade, e mal consegue compelir e forçar sua mente à estas ações. 

2) Quando há constância e freqüência de ações santas; que demonstram vigor e estabilidade de inclinações santas.

3) Quando estas graças mostram-se poderosas para suportar oposições e tentações, podem superar os maiores impedimentos no caminho, tirar proveito de toda resistência e desprezar as mais esplêndidas iscas do pecado.

4) Quando tais graças estão ficando cada vez mais firmes, e inclinam a alma mais e mais próximo de Deus; quando o coração torna-se mais celestial e divino, e estranho para o mundo e para as coisas terrenas.

5) E quando as coisas celestiais são mais doces e agradáveis à alma, e são procuradas e usadas com mais amor e prazer. Todas estas coisas mostram que as operações da graça são vigorosas e fortes, e conseqüentemente mais constantes.

Esta confirmação deve manifestar-se:

1) No entendimento.

2) Na vontade.

3) Nos sentimentos.

4 ) Na vida.

1. Quando a mente de uma pessoa adquire uma maior compreensão das verdades de Deus, e da ordem, lugar e utilidade de cada verdade, com uma convicção mais profunda da veracidade delas e da excelência dos assuntos nelas revelados; quando os olhos se abrem mais para o conhecimento e a fé, e temos uma plena, verdadeira, firme e segura apreensão das coisas reveladas e invisíveis; quando a natureza, razões, propósitos e benefícios da religião estão muito clara, ordenada, adequada e fortemente impressos na mente; então a mente está em um estado confirmado (ou estabelecido).

2. Quando a vontade é dirigida por tal compreensão confirmada; e não está tolamente determinada, sem saber por que; quando o entendimento iluminado firma de tal modo a vontade, que todas as dúvidas, hesitações, vacilações e relutâncias indesejáveis consideráveis, tornam-se coisas do passado, e o homem que está buscando a Deus e sua salvação e evitando pecados conhecidos - como o homem natural está interessado em preservar sua vida e acumular bens e evitar o que lhe é danoso, fome e tormentos; quando as inclinações da vontade para com Deus, os céus e a santidade assemelham-se a sua inclinação natural para o bem como bem, e para sua própria felicidade, e suas ações são tão livres ao ponto de não ter a menor indeterminação, e a serem semelhantes a atos naturais necessários, como são os atos dos abençoados espíritos nos céus; quando as menores sugestões de Deus prevalecem, e a vontade responde a elas com prontidão e prazer, e quando ela se deleita em esmagar toda oposição e tudo o que possa ser oferecido para corromper o coração e atraí-la para o pecado, e afastá-la de Deus; este é um estado de vontade confirmada.

3. Quando os sentimentos procedem de tal vontade, e estão prontos para assisti-la, motivá-la e servi-la, e impulsionar-nos aos deveres necessários; quando os sentimentos menos elevados de temor e tristeza purificam, restringem e preparam o caminho; e os sentimentos mais elevados de amor e alegria estão apegados a Deus, desejam e anseiam Sua presença, dispõem a alma para propósitos justos, e estão libertando mais o coração para a possessão de desejos santos e para o amor; e quando estes sentimentos - os quais são preferivelmente mais profundos do que imediatamente sensíveis para com o próprio Deus - são sensíveis para com a Sua palavra, Seus servos, Suas graças e Seus caminhos, e contra todo pecado; então os sentimentos, assim como a pessoa, está em um estado confirmado.

4. Quando consideramos nós mesmos, nosso tempo, e tudo o que temos, de Deus e não nosso, e somos inteiramente e sem reservas entregues a Ele e usados por Ele; quando nos aplicamos aos nossos deveres e confiamos nEle para nossa recompensa; quando vivemos como quem tem muito mais a ver com os céus do que com a terra, e com Deus do que com o homem ou qualquer outra criatura; quando nossas consciências são absolutamente submissas à autoridade e leis de Deus, e não se dobram diante dos competidores; quando estamos habitualmente dispostos, como Seus servos, a sermos constantemente empregados em Seus serviços, e a fazer disso nossa vocação e negócio neste mundo, considerando que nada temos a fazer no mundo senão o que podemos fazer com Deus e para Deus; quando não acalentamos nenhum desejo ou esperança secreta de felicidade mundana, nem buscamos o prazer da carne, sob a capa da fé ou piedade, mas subjugamos a carne como nosso inimigo mais perigoso, e podemos facilmente negar satisfazer seus apetites e concupiscências; quando vigiamos todos os nossos sentimentos e mantemos nossas paixões, pensamentos e línguas em obediência à santa lei de Deus; quando não consideramos indevidamente nossa estima ou desejos acima ou contra nosso próximo e o bem estar deles; e amamos os piedosos com amor tolerante, e os ímpios com amor benevolente, embora sejam nossos inimigos; quando somos fiéis com relação aos nossos relacionamentos, e discernimos nossos deveres, a fim de não enveredarmos para o extremismo; e demonstramos habilidades, prontidão e prazer para realizarmos nosso deveres, e paciência quando em sofrimento; esta é a vida de um cristão confirmado, em vários graus, conforme a graça que Deus concedeu a cada um.

Alma Saudável - J. I. Packer

Somente por meio do arrependimento constante e profundo nós, pecadores, podemos manter nossa alma com saúde.

A saúde espiritual, como a saúde do corpo, é um dom de Deus. Mas, como a saúde do corpo, é um dom que deve ser cuidadosamente tratado, uma vez que hábitos descuidados podem danificá-la. No instante em que acordarmos para o fato de que a perdemos, talvez seja muito tarde para fazer algo a respeito. O foco da saúde da alma é a humildade, enquanto a raiz da corrupção interior é o orgulho. Na vida espiritual, nada permanece imóvel. Se não estivermos constantemente crescendo em humildade, estaremos prontamente aumentando e produzindo o fruto do orgulho. A humildade está no auto-conhecimento; o orgulho reflete a própria ignorância. A humildade expressa-se na desconfiança de si mesmo e na dependência consciente de Deus; o orgulho é autoconfiante e, embora possa pas¬sar pelos movimentos da humildade com alguma habilidade (pois o orgulho é um grande ator), ele é presunçoso, opinioso, tirânico, agressivo e obstinado. "A soberba precede a ruína e a altivez do espírito, a queda" (Pv 16.18).

Assim como o quinino é o antídoto para a malária, a humildade é o antídoto para o orgulho. No sentido em que Orsino, de Shakespeare, em Twelfth Night (Décima Segunda Noite) vê a música como o alimento do amor, o arrependimento deve ser visto como o alimento da humildade. Ou, mudando o quadro, o arrependimento deve ser pensado como o exercício rotineiro que mantém a humildade, e pela humildade, a saúde da alma. "Sem cruz não haverá coroa", disse William Penn. "Sem humildade não haverá saúde e, sem arrependimento não haverá humildade" é o que estou dizendo agora.

O auto-conhecimento, no qual se enraíza o arrependimento de um cristão, vem da lei. Ele é o resultado de ter sido criado para encarar os padrões morais prescritos por Deus para nós, suas criaturas. Em Romanos 7.7-25, Paulo nos fala, primeiro, como, em sua mocidade, a lei o ensinou a reconhecer o seu próprio pecado, pondo em ação os mesmos motivos e desejos que ela proibia. "Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás" (Rm 7.7). Então, ele nos fala como se deu esse processo em sua vida cristã, apesar de "no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7.22,23).

A "lei do pecado" significa que o pecado opera como uma força motora que, irracionalmente, é anti-Deus em seu impulso. A palavra "vejo" mostra-nos como Paulo percebe a si mesmo quando, pela luz da lei que deseja guardar, ele olha para si mesmo e avalia sua real condição - em outras palavras, o momento em que ele pratica a disciplina do auto-exame. Toda vez que faz isto, ele vê que seu alcance excedeu sua compreensão, que nada que disse ou fez foi tão bom e justo como deveria ter sido e que todos os seus atos mais generosos, nobres, sábios, altruístas, puros e honrosos a Deus tinham defeitos de certa forma discerníveis. Em retrospectiva, ele sempre descobre que sua conduta poderia e deveria ter sido mais semelhante à de Cristo, e suas motivações, menos confusas. Ele sempre descobre que poderia ter sido melhor do que foi.

Esta constatação, que chama ao arrependimento constantemente renovado que advogo, é inquestionavelmente depressiva. Daí, o lamento agonizado de Paulo em Romanos 7.24: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" No entanto, precisamos observar que esta confissão é seguida pelo grito triunfante de Romanos 7.25, uma vez que Paulo olha para a "redenção do nosso corpo", na vida futura (Rm 8.23): "Graças a Deus (que um dia, enfim, me resgatará) por Jesus Cristo, nosso Senhor". A presente libertação parcial do poder do pecado, que é o outro lado de sua experiência (Rm 7.5-7), o faz desejar a libertação futura e total que Deus prometera. Enquanto isso, no entanto, ele cresce para baixo em profunda humildade, enquanto se conscientiza cada vez mais do modo como o pecado que há nele ainda ameaça seu objetivo de agradar plenamente a Deus. Nisto, ele é um modelo para todos nós.

Chegue até ao âmago da Palavra – C. H. Spurgeon Postado por Charles Spurgeon / On : 15:31/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.


Se temos pedido  a orientação do Espírito Santo, segue-se que estaremos dispostos a usar todos os meios e ajudas para entendermos as Escrituras. Quando Filipe perguntou ao eunuco etíope se este entendia a profecia de Isaías, o eunuco respondeu: "Como poderei entender, se alguém não me explicar?" Em seguida, Filipe subiu à carruagem e abriu-lhe a Palavra do Senhor.

            Alguns, sob o pretexto de estar sendo ensinados pelo Espírito Santo, se recusam a ser instruídos por livros ou por homens. Essa atitude não honra ao Espírito de Deus; pelo contrário, desrespeita-O, porque se Ele dá a alguns dos seus servos mais luz do que dá a outros — e é claro que Ele dá — esses estão obrigados a transmitir essa luz aos outros, e usá-la para o bem da igreja. Se, porém, o restante da igreja se recusa a receber essa luz, com que propósito o Espírito de Deus a deu? Nesse caso, haveria a sugestão de que há algum erro na dispensação dos dons e das graças, que é dirigida pelo Espírito Santo. Não pode ser assim. É do beneplácito do Senhor Jesus Cristo dar mais conhecimento e entendimento da sua Palavra a alguns dos seus servos do que a outros, e nossa parte é aceitar com alegria o conhecimento que Ele dá, da maneira que Ele quer dá-lo.

            Seria muita iniqüidade nossa dizermos: "Não queremos os tesouros celestiais que existem em vasos de barro. Se Deus nos der o tesouro celestial com a sua própria mão, nós o aceitaremos, mas não através de vasos de barro. Pensamos que somos suficientemente sábios, com mentalidade celestial, e muito espirituais para dar valor às jóias quando estão colocadas em vasos de barro. Não queremos ouvir a ninguém, e não queremos ler algo além da Bíblia, nem queremos aceitar alguma luz a não ser aquela que passa por uma fenda em nosso próprio telhado. Não queremos ver com a claridade da vela de outro; preferimos permanecer na escuridão". Irmãos, não caiamos em semelhante insensatez. Se a luz vier da parte de Deus, mesmo que seja trazida por uma criança, nós a aceitaremos com alegria. Se algum dos servos dEle, seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas, tiver recebido luz, eis que "todas as coisas são vossas, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus"; aceite, portanto, a luz que Deus acendeu, e peça graça suficiente para focalizar essa luz na Palavra, de modo que, ao lê-la, você possa entendê-la.

            Não quero dizer muito mais a respeito disso, mas gostaria de fazê-lo sentir essas verdades. Você tem a Bíblia em casa, eu sei; você não gostaria de ficar sem a Bíblia; e pensaria que é um pagão, se não a tivesse. Você tem a Bíblia e talvez ela seja muito bem encadernada, um exemplar de aparência excelente; as páginas não foram muito viradas nem gastas, e não correm tal risco, porque apenas saem aos domingos para tomar o ar, e durante o restante da semana ficam guardadas junto aos lenços perfumados de alfazema. Você não lê a Palavra, não a perscruta, e como poderá esperar que receberá a bênção divina? Se não vale a pena escavar para achar o ouro celestial, não há a probabilidade de descobri-lo. Várias vezes já lhe falei que escrutinar as Escrituras não é o caminho da salvação. O Senhor tem dito: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo". Mesmo assim, a leitura da Palavra freqüentemente leva, assim como o ouvir da Palavra, à fé, e a fé traz a salvação; porque a fé vem pelo ouvir, e a leitura é um tipo de ouvir. Enquanto você procura saber o que é o evangelho, pode ser do agrado de Deus abençoar a sua alma.

            Mas que quantidade inferior de leitura alguns de vocês dedicam às suas Bíblias! Não quero dizer nada que seja demasiadamente severo por não ser rigorosamente verdadeiro — que falem suas próprias consciências — mas não deixo de tomar a liberdade de perguntar: Não é verdade que muitos de vocês lêem a Bíblia de maneira muito apressada — só um pouquinho, e saem correndo? Alguns de vocês não se esquecem, pouco tempo depois, de tudo quanto leram, perdendo até mesmo o pouco efeito que parecia ter? Quão poucos de vocês estão resolutos no sentido de chegar até ao âmago da Palavra, ao seu suco, à sua vida, à sua essência, e a beber do seu significado! Se você não fizer assim, digo-lhe, de novo, que a sua leitura é leitura miserável, leitura morta, leitura sem proveito; não é leitura de modo algum, e até o nome de leitura seria impróprio. Que o Espírito Santo lhe dê arrependimento quanto a este assunto.

Oração e Súplica – João Calvino

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Tendo oferecido orações e súplicas (Hb 5.7). O segundo elemento que o autor menciona de Cristo é que, quando chegou o tempo, ele buscou um meio de escape para livrar-se do mal. Ele diz isso para que ninguém concluísse que Cristo possuía um espírito férreo, que nada sentisse. Devemos sempre procurar ver a razão por que algo é expresso. Se Cristo houvera sido intocável por qualquer dor, então nenhuma consolação, provinda de seus sofrimentos, nos atingiria. Mas quando ouvimos que ele igualmente suportou as mais amargas agonias em seu espírito, torna-se evidente sua semelhança conosco. Cristo, diz ele, não suportou a morte e todas as demais tribulações, de tal sorte, como se desdenhasse delas, ou por não sentir-se oprimido por algum sentimento de angústia. Ele orou com lágrimas, dando assim testemunho da suprema angústia de seu espírito. Por lágrimas e forte clamor, SL intenção do apóstolo é expressar a intensidade de sua tristeza, em consonância com o costume normal de fazer algo mediante sinais. Não tenho dúvida de que ele está falando da oração contida nos evangelhos [Mt 26.39]: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. E também daquela outra oração [Mt 27.46]: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? No segundo dos casos mencionados nos Evangelhos, há um forte clamor. Enquanto que no primeiro, não é possível crer que seus olhos hajam secado, visto que na imensidade de sua agonia grossas gotas de sangue emanavam de todo o seu corpo. E verdade que ele se achava reduzido a uma condição extrema. Achando-se oprimido por dores reais, deveras orava ardentemente ao Pai para que fosse socorrido.

Qual é o ponto prático de tudo isso? Consiste nisto: sempre que nossos males nos oprimem e nos torturam, retrocedamos nossa mente para o Filho de Deus que suportou o mesmo fardo. Enquanto ele marchar diante de nós, não temos motivo algum para desespero. Ao mesmo tempo, somos advertidos a não buscar nossa salvação, em tempo de angústia, em nenhum outro senão unicamente em Deus. Que melhor guia poderemos encontrar para oração além do exemplo do próprio Cristo? Ele se dirigiu diretamente ao Pai. O apóstolo nos mostra o que devemos fazer, quando diz que ele endereçou suas orações Aquele que era capaz de livrá-lo da morte. Com isso ele quer dizer que Cristo orou corretamente, visto que recorreu ao Deus que é o único Libertador. Lágrimas e clamor nos recomendam fervor e sinceridade na oração. Não devemos orar a Deus seguindo um formalismo sem vida, mas com ardentes desejos espirituais.

E tendo sido ouvido. Há quem o traduza assim: seu santo temor, do que discordo incisivamente. Primeiramente, o apóstolo usa simplesmente euàápeia, sem o pronome 'seu'. Em segundo lugar, a preposição é órró [= desde], e não utrép [= por causa de], ou qualquer outro termo que denote causa. Visto que em grego euaapeia geralmente significa temor ou ansiedade, não tenho dúvida de que o apóstolo quis dizer que Cristo foi ouvido naquilo que ele temia, de modo que, não vencido por esses males, não lhes deu lugar, nem sucumbiu em face da morte. O Filho de Deus condescendeu-se a essa luta, não porque laborava sob a descrença, a fonte de todos os temores, mas porque ele suportava na carne mortal o juízo divino, o terror que não se pode vencer sem extremado esforço. Crisóstomo o interpreta como sendo a dignidade de Cristo que o Pai, de certa forma, reverenciava. Tal coisa, porém, é absurda. Outros o traduzem como piedade. Mas a exposição que já apresentei é muito mais adequada, e não necessita de alguma confirmação adicional.

Ele prossegue adicionando uma terceira cláusula, no caso de alguém concluir que, visto que ele não foi imediatamente libertado de suas tribulações, a oração de Cristo foi rejeitada. Em tempo algum foi ele privado da misericórdia e socorro divinos. E desse fato podemos deduzir que Deus com freqüência ouve nossas orações, mesmo quando não nos pareça. Assim como não é de nossa competência delinear-lhe alguma norma rígida e rápida, tampouco Deus se vê na obrigação de responder nossas petições que lhe façamos mentalmente ou expressas com nossos lábios, todavia ele demonstra ter cuidado de nossas orações em tudo o que nos é necessário para nossa salvação. E assim, quando parecer-nos que somos repelidos de diante de sua face, obteremos muito mais do que se ele nos tivesse concedido tudo quanto lhe pedimos.

De que forma foi Cristo ouvido naquilo que ele temia, quando enfrentamos aquela morte da qual ele tanto se esquivava? Minha resposta é que devemos atentar para aquilo que constituía seu temor. Por que ele tremia diante da morte, senão porque via nela a maldição divina, e o fato de que Deus era contra a soma total da culpabilidade humana, e contra os próprios poderes das trevas? Daí seu temor e ansiedade, visto que o juízo de Deus é de tudo o que mais terrifica. Então ele obteve o que desejava, uma vez que emergiu das dores da morte como Vencedor, foi sustentado pela mão salvífica do Pai, e após um breve conflito conquistou gloriosa vitória sobre Satanás, o pecado e os poderes do inferno. As vezes sucede que pedimos por isto, por aquilo, ou por alguma outra coisa, mas com um propósito bem distinto. E enquanto Deus não nos concede o que pedimos, ele encontra uma maneira de socorrer-nos.

A Unidade Cristã

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Por: Marcos A. F. Martins

“... haverá um rebanho e um Pastor" (João 10:16)


Fala-se muito atualmente em união de igrejas, aproximação das denominações, cooperação entre cristãos, unidade na diversidade, etc., sem se atentar ao que dispõe a Bíblia sobre a verdadeira união. Antes de nos unirmos a determinadas denominações evangélicas, devemos ter em mente aquilo que Deus estabeleceu como a verdadeira unidade do corpo de Cristo.
A Unidade é pela Verdade
Como exórdio ao presente estudo, devemos ressaltar que a unidade cristã é bíblica e, portanto, deve ser buscada pelos membros do Corpo de Cristo (embora essa unidade não decorra da mera vontade humana). Orando ao Pai, Jesus disse: "Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. ... E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" (João 17:11, 20 e 21). Essa idéia de unidade do corpo de Cristo resulta da idéia central da Tri-Unidade de Deus. Por isso que o apóstolo Paulo declarou: "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" (1 Coríntios 10:17).
A unidade do Corpo de Cristo permite a união dos desiguais: "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. ... E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo" (1 Coríntios 12:13-14 e 19-20). Paulo assim escreve para demonstrar que cada membro do corpo é diferente um do outro, mas forma uma unidade: uns são mãos, outros, pés, outros olhos, assim por diante - não somos todos apenas um membro do corpo, mas vários membros formando um só corpo:
"E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; ... Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele." (vs. 21-22; 25-26).
O cristianismo é, sobretudo, uma religião baseada na união - união de gregos e troianos, judeus e gentios, negros e brancos, ricos e pobres, todos unidos numa só fé - mas não tolera a conjunção entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a luz e a escuridão. Assim, a unidade cristã se dá PELA verdade bíblica universal, a Palavra viva, santa e imutável de Deus. Na sua oração pela unidade, Jesus disse: "Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam; ... Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." (João 17:8 e 17). Se não for PELA Palavra de Deus não haverá unidade cristã verdadeira. Portanto, a unidade não deve ser meramente espiritual, mas também bíblico-doutrinária, mediante a uniformidade da fé.
A Unidade é para a Verdade
Muitos pastores e líderes buscam a unidade em meio ao erro doutrinário, o que contradiz a Palavra de Deus. Essa "unidade", na realidade, agrada muito mais aos homens do que a Deus. Não falo das pequenas diferenças existentes no meio cristão (pois, como dissemos, cada membro do corpo é desigual), que não comprometem a sã doutrina, mas daquelas que possam afetar a verdade bíblica. Por exemplo: como poderei andar com um irmão que vive de "revelações" e que coloca as suas experiências pessoais acima da Bíblia, se eu creio que a Bíblia é a minha única regra de fé e conduta? Ou como poderei participar de uma igreja que ensina um outro evangelho (do cristianismo fácil, da busca de sucesso material, da salvação condicionada ao mérito pessoal, do curandeirismo, da realização de "sinais e prodígios", do G12, etc.) se prego a simplicidade do evangelho de Cristo? "Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3).
Respeito muito o trabalho daqueles que buscam a unidade no meio evangélico, mas esse trabalho será em vão se não for PARA A VERDADE, por obra e vontade do nosso Deus: "Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." (Salmos 127:1). O nosso dever de afastamento daqueles que se desviaram da verdade é muito mais bíblico do que a busca pela unidade a qualquer custo: "E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles." (Romanos 16:17). Essa admoestação não se dirige à observação somente dos "hereges", mas também contra os que promovem "dissensões" doutrinárias, "Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples." (v. 18). Lembre-se bem deste conselho: "Compra a verdade, e não a vendas." (Provérbios 23:23a).
A Unidade é Mediante a Fé
Se crermos todos em conformidade de fé (essa é a unidade que deve ser buscada - a unidade da fé) há união cristã verdadeira, ainda que distâncias nos separem. Paulo ensina que devemos nos suportar uns aos outros em amor, procurando guardar a UNIDADE DO ESPÍRITO pelo vínculo da paz (Efésios 4:2-3). Para isso, foi-nos dado
"uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos ...Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente." (Efésios 4:11-14).
Note bem que essa unidade da fé não comporta variações doutrinárias, porque senão nos tornaríamos como meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina. Havendo a unidade de fé, todo o corpo de Cristo se torna bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas (v. 20), isto é, sem divergências doutrinárias relevantes.
A Unidade Ocorre na Separação
A união cristã verdadeira somente existirá separando-se o joio do trigo. Da mesma maneira que não devemos nos prender a um jugo desigual com os infiéis (2 Coríntios 6:14), de igual forma não podemos nos associar com os que promovem dissensões doutrinárias. Essa unidade do ponto de vista bíblico se dará exclusivamente se houver total separação. Contradição? Não, pois a verdade não se coaduna com o erro; não existe unidade em meio à discórdia.
O Pr. Ron Riffe, no maravilhoso artigo intitulado “A Doutrina Bíblica da Separação", publicado no Jornal Sã Doutrina (JARF) nº 10 (março/2003), pg 3, citando 2 Tessalonicenses 3:6,11,14,15, lembra que "alguns crentes de Tessalônica estavam com a falsa idéia que o arrebatamento ocorreria em um futuro próximo. Muitos deles venderam suas propriedades, abandonaram seus empregos e ficaram ociosos, esperando o retorno do Senhor. Enquanto aguardavam, alguns recusavam-se a trabalhar pela comida que recebiam, enquanto outros ficavam se metendo na vida alheia". Paulo então os adverte:
“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. ... Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. ... Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão." (2 Tessalonicenses 3:6, 11 e 14-15).
Observe bem: todos aqueles que promoviam aquela desordem eram crentes em Cristo, esperavam a salvação em Jesus, criam na Bíblia, enfim, podiam ser chamados de "irmãos". Mas andavam desordenadamente (isto é, "marchando em outro ritmo", conforme explicado pelo pastor Riffe), contra a própria tradição apostólica. Qual a semelhança dos tessalonicenses para os crentes hodiernos que praticam coisas contrárias à sã doutrina? Nenhuma, pois ambos andam "desordenadamente". Devemos, pois, nos misturar com os que acreditam em coisas que reprovamos à luz da Bíblia? Ou será que teremos de admitir que eles estejam certos e que nós estamos errados? Como nos entenderemos, estando nós em desacordo?
Apartai-vos Deles
Se você acha estas palavras duras e exegeticamente erradas, perdoe-me a franqueza, mas está se opondo ao próprio Deus, que deseja separar um povo santo para sua exclusiva glória e autoridade. A verdade é que, embora possamos considerar muitos deles como irmãos (assim os considero com fundamento em Mateus 24:24 e 2 Tessalonicenses 3:15), devemos nos afastar dos que não estão de acordo com a sã doutrina, para que não haja confusão doutrinária. Não sou eu quem diz, mas o próprio apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santos de Deus. A confusão doutrinária no meio cristão é semelhante à balbúrdia ocasionada pela multidão em alvoroço - ninguém se entende e cada um segue desordenadamente. Se eles estão dispostos a nos ouvir, aí sim poderá haver uma aproximação e, quiçá, até a almejada união (eu também a desejo, mas com a verdade).
O apóstolo Paulo ainda demonstra que devemos nos afastar daqueles que se desviaram da sã doutrina: "Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado" (Tito 3:10-11). Certamente o texto fala de heresias; mas, não são heresias as muitas coisas que se pregam em determinados círculos evangélicos? Lembramos que muitas das igrejas com as quais se almeja a união saíram do nosso meio. Por quê? "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (1 João 2:19). Saíram de nós por desacordo - voltaremos a nos unir com eles ainda em desacordo?
Várias são as admoestações bíblicas no sentido da separação mesmo:
"Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais." (1 Timóteo 6:3-6).
"Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (2 João 1:9-11)
Conclusão
Infelizmente, sempre haverá dissensões doutrinárias no meio evangélico - o joio crescerá no entre o trigo para, finalmente, ser arrancado e lançado fora (Mateus 13:30). E isso é necessário até mesmo para que se levantem os que são leais à sã doutrina: "E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós." (1 Coríntios 11:19); os que não são leais à sã doutrina farão de tudo para alcançarem a união fora dos padrões bíblicos e muitos "leais" poderão se influenciar pela falsa união. No entanto, devemos nos separar dos contradizentes e dos que estão em desacordo com a [única] verdade, sob pena de estarmos agradando ao nosso próprio ventre, aos homens e de desobedecermos a Deus. Ora, "mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29). Essa unidade não pode ser a que almeja nossos corações e nem a que vislumbra nossos olhos humanos, mas deve estar centrada na Palavra da Verdade e se conformar com a vontade divina. Por esse motivo, o líder cristão deve seguir
"Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tito 1:9).


Deus nos abençoe!
Autor: Marcos A. F. Martins
Fonte: [ www.palavraprudente.com.br ]
Via: [ Eleitos de Deus ]

Humilhando-se com Cristo – Martyn Lloyd-Jones


"Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus". Ele não Se apegou a esta igualdade que tinha com Deus como um prêmio que jamais deixaria ir-se, "mas aniquilou-se a si mesmo". Continuava sendo Deus em Sua plenitude; mas deixou de lado os sinais, a insígnia, a pompa e a glória disso tudo. Desceu à terra como incógnito, por assim dizer. "Tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens." "Ora isto - ele subiu - que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?" significa que Ele veio dos mais altos palácios reais do céu ao ventre da virgem, à terra, na forma de homem, na forma de servo, com toda a pobreza e com tudo o que caracterizava o lar para o qual Ele veio. Dêem rédeas à sua imaginação inspirada e contemplem este drama da redenção. Ele desceu para defrontar-Se com os inimigos que nos derrotaram, e especialmente o poderoso adversário que nos mantém na escravidão.

Mas Ele não somente tomou para Si a forma de servo e Se fez semelhante aos homens, pois lemos a seguir: "E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte". Fazemos uma pausa aqui, por um momento, para ressaltar este elemento de obediência que caracterizou a Sua vida toda. Ele veio para empenhar-Se num conflito terrível; ainda quando Ele era um bebê, o Rei Herodes tentou matá-lo. "Um segundo Adão para o combate e para o resgate veio." Considerem também o Seu conflito com o diabo. Depois pensem também em Sua obediência aos Seus pais. Ele foi obediente, apesar de ser o Filho de Deus. Recordem como, aos doze anos de idade, no templo, Sua mãe e José O encontraram "assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os", e O censuraram  (Lucas 2:46). E lhes disse: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" Embora Ele conhecesse os "negócios" do Seu Pai, foi obediente a José e Maria. "Sendo obediente." Procedeu assim porque isso fazia parte da luta. Sujeitou-Se ao batismo, apesar de não ter feito nada de errado e não ter nenhuma necessidade de ser batizado. Recordem o que João Batista Lhe disse. Mas Ele estava Se identifican¬do com o Seu povo, pelo qual Ele ia lutar. Ele foi tentado pelo diabo. Durante quarenta dias e quarenta noites no deserto, Ele esteve em combate singular e mortal com o principal inimigo. Pensem na oposição dos fariseus, dos escribas, dos saduceus e dos doutores da lei. Tudo isso faz parte do drama da redenção e da luta, do conflito para libertar o Seu povo. Ele "desceu" para fazer isso. "Ele se tornou obediente" (VA). Nunca falhou; prestou perfeita obediência à vontade do seu Pai. Veio depois aquele terrível momento no Jardim do Getsêmani, quando Ele viu claramente o que a nossa redenção ia envolver, e clamou: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres". Obediência! Sim, "obediente até à morte, e morte de cruz". Ele foi até à cruz a fim de que esta vitória fosse completa.

Considerem de novo a palavra de Paulo aos colossenses: "E, despojando os princípios e potestades" (2:15). No Calvário eles puseram à mostra as suas últimas reservas. O diabo supunha que, se O matasse, ficaria livre dEle, e assim O derrotaria. Mas quando eles O estavam matando, Ele os estava destruindo. "Despojando os principa¬dos e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo." Foi morrendo e ressuscitando que Ele derrotou finalmente o diabo e todas as suas hostes. Ao mesmo tempo Ele enfrentou a lei: "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz". Fazendo tudo isso, Ele morreu, e eles baixaram o Seu corpo e o sepultaram num túmulo.

Ele foi derrotado afinal? Sabemos a resposta, graças a Deus. Não houve derrota; foi sempre vitória, o tempo todo. Ele morreu e foi sepultado; os Seus amigos fizeram rolar uma grande pedra sobre a boca do túmulo, e os Seus inimigos puseram soldados para vigiá-lo. O inimigo parecia vitorioso, e tudo parecia estar perdido. Mas Ele "rompeu as ataduras da morte" e Se levantou triunfante sobre o túmulo. "Tragara foi a morte na vitória." Ele venceu a morte e o túmulo, de modo que podemos dizer com Paulo: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Jesus Cristo".

 (Lucas 2:46). E lhes disse: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" Embora Ele conhecesse os "negócios" do Seu Pai, foi obediente a José e Maria. "Sendo obediente." Procedeu assim porque isso fazia parte da luta. Sujeitou-Se ao batismo, apesar de não ter feito nada de errado e não ter nenhuma necessidade de ser batizado. Recordem o que João Batista Lhe disse. Mas Ele estava Se identificando com o Seu povo, pelo qual Ele ia lutar. Ele foi tentado pelo diabo. Durante quarenta dias e quarenta noites no deserto, Ele esteve em combate singular e mortal com o principal inimigo. Pensem na oposição dos fariseus, dos escribas, dos saduceus e dos doutores da lei. Tudo isso faz parte do drama da redenção e da luta, do conflito para libertar o Seu povo. Ele "desceu" para fazer isso. "Ele se tornou obediente" (VA). Nunca falhou; prestou perfeita obediência à vontade do seu Pai. Veio depois aquele terrível momento no Jardim do Getsêmani, quando Ele viu claramente o que a nossa redenção ia envolver, e clamou: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres". Obediência! Sim, "obediente até à morte, e morte de cruz". Ele foi até à cruz a fim de que esta vitória fosse completa.

Considerem de novo a palavra de Paulo aos colossenses: "E, despojando os princípios e potestades" (2:15). No Calvário eles puseram à mostra as suas últimas reservas. O diabo supunha que, se O matasse, ficaria livre dEle, e assim O derrotaria. Mas quando eles O estavam matando, Ele os estava destruindo. "Despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo." Foi morrendo e ressuscitando que Ele derrotou finalmente o diabo e todas as suas hostes. Ao mesmo tempo Ele enfrentou a lei: "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz". Fazendo tudo isso, Ele morreu, e eles baixaram o Seu corpo e o sepultaram num túmulo.

Ele foi derrotado afinal? Sabemos a resposta, graças a Deus. Não houve derrota; foi sempre vitória, o tempo todo. Ele morreu e foi sepultado; os Seus amigos fizeram rolar uma grande pedra sobre a boca do túmulo, e os Seus inimigos puseram soldados para vigiá-lo. O inimigo parecia vitorioso, e tudo parecia estar perdido. Mas Ele "rompeu as ataduras da morte" e Se levantou triunfante sobre o túmulo. "Tragara foi a morte na vitória." Ele venceu a morte e o túmulo, de modo que podemos dizer com Paulo: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Jesus Cristo".

Davi, Paulo, João e Jesus e as Afeições Santas – Jonathan Edwards


A vida espiritual dos santos mais notáveis nas Escrituras era de afeições. Vou dar destaque especial a três grandes santos, e a seu Mestre, para mostrar a verdade sobre essa afirmação.

Primeiro, consideremos o rei Davi, aquele homem segundo o coração de Deus, que nos deixou um retrato vivo de sua religião nos Salmos. Esses cânticos sagrados não são outra coisa senão o derramar de emoções santas e piedosas. Neles vemos um amor humilde e fervoroso a Deus, admiração por Sua perfeição gloriosa e feitos maravilhosos, desejos e sede da alma para com Ele. Encontramos alegria e felicidade em Deus, uma gratidão doce e comovente por Sua grande bondade, e um regozijo santo pelo Seu favor, suficiência e fidelidade. Vemos amor para com o povo de Deus e encanto nele, grande deleite na Palavra de Deus e suas ordenanças, tristeza pelos pecados do próprio Davi e de outros, e zelo fervoroso por Deus - como também contra os inimigos de Deus.

Essas expressões de emoção santa nos salmos são especialmente relevantes para nós. Os Salmos não exprimem somente a religião de um santo da estatura do rei Davi, mas o Espírito Santo também os inspirou para que os crentes os cantassem em culto público, no tempo de Davi e para sempre.

Consideremos, a seguir, o apóstolo Paulo. Pelo que as Escrituras dizem dele, parece ter sido um homem de vida emocional altamente desenvolvida, especialmente no que tange ao amor, o que se torna claro em suas cartas. Um amor ardentíssimo por Cristo parece tê-lo inflamado e consumido; retrata-se como subjugado por sua emoção santa, compelido por ela a seguir avante em seu ministério em meio a tantos sofrimentos e dificuldades (II Cor. 5:14-15). Suas cartas estão repletas de amor transbordante pelos cristãos. Ele os chama de seus amados (II Cor. 12:19; Fil. 4:1; II Tim. 1:2); fala de seu cuidado com afeição e carinho por eles (I Tess. 2:7-8) e freqüentemente fala de seu anseio afetuoso e saudoso por eles (Rom. 1:11; Fil. 1:8; II Tess. 2:8; II Tim. 1:4).

Paulo expressa freqüentemente a emoção de alegria. Fala de seu regozijo com grande alegria (Fil. 4:10, Fm. v.7), de se alegrar extremamente (II Cor. 7:13), e sempre se alegrando (II Cor. 6:10). Vejam também I Cor. 1:12; 7:7,9,16; Fil. 1:4; 2:1-2; 3:3; Col. 1:24; I Tess. 3:9. Fala também de sua esperança (Fil. 1:20), seu zelo piedoso (II Cor. 11:2-3), e suas lágrimas de tristeza (At. 20:19,31 e II Cor. 2:4). Escreve sobre a grande e contínua tristeza em seu coração por causa da incredulidade dos judeus (Rom. 9:2). Não preciso mencionar seu zelo espiritual, que é óbvio em toda sua vida como apóstolo de Cristo. Se alguém puder examinar esses relatos bíblicos de Paulo, sem perceber que sua religião era de emoção, deve ter um estranho talento para fechar os olhos à luz que brilha diretamente em seu rosto!

O apóstolo João foi o mesmo tipo de homem. É evidente em tudo que escreveu, que era uma pessoa de vida emocional profunda. Dirige-se aos cristãos a quem escrevia de modo extremamente comovente e delicado. Suas cartas demonstram nada menos do que o amor mais fervoroso, como se ele fosse feito de afeição doce e santa. Não posso de fato dar provas disso, exceto citando suas cartas como um todo!

Maior de todos, o próprio Senhor Jesus Cristo teve um coração extraordinariamente terno e afetuoso e expressou Sua retidão abundantemente em emoções santas. Teve o mais ardoroso, vigoroso e forte amor por Deus e pelos homens que jamais existiu. Foi Seu amor santo que triunfou no Getsêmane, quando lutou com o medo e a dor, e quando Sua alma ficou "profundamente triste, até à morte" (Mat. 26:38).

Vemos que Jesus teve uma vida emocional forte e profunda durante Seus dias na terra. Lemos de Seu zelo por Deus: "O zelo da tua casa me consumirá" (João 2:17). Lemos sobre seu pesar pelos pecados dos homens: "indignado e condoído com a dureza dos seus corações" (Mar. 3:5). Chegou a derramar lágrimas quando considerou o pecado e a miséria do povo ímpio de Jerusalém: "Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: ah, se conheceras por ti mesma ainda hoje o que é devido à tua paz!" (Luc. 19:41-42). Muitas vezes lemos sobre a misericórdia e compaixão de Jesus: vejam Mat. 9:36; 14:14; 15:32; 18:34; Mar. 6:34; Luc. 7:13. Como foi afetuoso o Seu coração quando Lázaro morreu! Quão afetuosas foram Suas palavras de despedida aos Seus discípulos na noite antes de ser crucificado! De todas as palavras que jamais saíram dos lábios dos homens, as palavras de Cristo nos capítulos 14 a 16 do Evangelho de João foram as mais afetuosas e mais comoventes.

Qual a Base para perdoar outros Cristãos? – John Piper


Qual a Base para perdoar outros Cristãos? – John Piper

Mas agora surge uma outra questão crucial. Se a promessa do juízo divino é a base para não guardarmos rancor dos inimigos não arrependidos, qual é a base para não guardarmos rancor dos irmãos em Cristo que não se arrependem? Nossa indignação moral diante de uma ofensa terrível não evapora só porque o ofensor é cristão. Aliás, talvez nos sintamos ainda mais traídos. E o simples "desculpe-me" parecerá absurdamente desproporcional à dor cruel e terrível da ofensa.


Mas nesse caso estamos tratando de irmãos em Cristo, e a promessa da ira de Deus não se aplica porque "agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8.1); "Porque Deus não nos [cristãos] destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (lTessalonicenses 5.9). Agora, para onde olhamos a fim de escapar da "terrível condição judicial"? A quem nos voltamos para nos assegurar de que a justiça será feita — de que o cristianismo não é um escárnio da seriedade do pecado?


A resposta é: olhamos para a cruz de Cristo. Todas as injustiças cometidas contra nós por crentes foram vingadas na morre de Jesus. Isto está implícito no simples, mas surpreendente, fato de que todos os pecados de todo o povo de Deus foram colocados sobre Jesus (Isaías 53.6; ICoríntios 15.3; Gálatas 1.4; ljoão 2.2; 4.10; lPedro2.24; 3.18). O sofrimento de Cristo foi a recompensa de Deus para todo dano infligido por um irmão na fé (Romanos 4.25; 8.3; 2Coríntios 5.21; Gálatas 3.13). Por isso, o cristianismo não é leviano em relação ao pecado. Não acrescenta insulto ao prejuízo. Ao contrário, ele leva os pecados contra nós tão a sério que, para acertar essa conta, Deus enviou o próprio Filho para sofrer mais do que jamais poderíamos fazer alguém sofrer por algo que fez a nós.


Portanto, quando Deus diz "Minha é a vingança", o significado é maior do que talvez tenhamos pensado. Deus empreende a vingança contra o pecado não somente por meio do inferno, mas também por meio da cruz. Todo o pecado será vingado — de forma severa, profunda e justa. Ou no inferno, ou na cruz. Os pecados dos impenitentes serão vingados no inferno; os pecados dos arrependidos foram vingados na cruz.


Isso significa que não remos a necessidade nem o direito de nutrir amargura contra crentes ou incrédulos. A terrível condição judicial está quebrada. Deus interveio para nos libertar da exigência moral de recompensar as injustiças sofridas. Ele fez isso, em grande medida, ao prometer: "Minha é a vingança; eu retribuirei". Se crermos nele, não ousaremos tomar a vingança em nossas mãos. Antes, glorificaremos a total suficiência da cruz e a terrível justiça do inferno ao viver na certeza de que é Deus quem vindicará rodas as injustiças — não somos nós. Nossa tarefa é amar. A de Deus é acertar as contas de forma justa. E a fé na graça futura é a chave para a liberdade e o perdão.

Capítulo 15 A Graça de Deus III

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Quase toda pessoa que professa ser crente, crê que a salvação é pela graça. É difícil encontrar um crente de qualquer denominação que negue que a salvação seja pela graça. A Bíblia declara tantas vezes e com tanta firmeza que a salvação é obra da graça, que poucos são os que abertamente negarão tal fato. Mas o problema é que muitos falam da graça de maneira a frustrá-la. A graça de que falam e pensam não é nem sequer mesmo graça. Pois ela se confunde de tal modo com as obras e os méritos humanos que não resta que seja realmente graça. Romanos 11:6. Na literatura católica romana fala-se tanto na graça quanto na literatura batista, mas existe uma grande diferença no que cada um destes dois grupos quer dizer quando usa este termo. Nos capítulos precedentes, tentamos definir a graça, seu domínio, o que oferece; e neste capítulo tentaremos mostrar:
COMO A GRAÇA SALVA
Antes de chegarmos diretamente à questão, firmaremos alguns fundamentos dos quais começaremos nossa argumentação:
1. A salvação pela graça destrói toda a possibilidade para a vanglória. Nenhum homem entende verdadeiramente o que é graça, se se gabar de qualquer coisa que fez ou pode fazer como base da sua salvação. Se sua idéia da salvação permite que se vanglorie, pode ter certeza de que está errada. Nenhum homem pode nem mesmo se vangloriar de seu arrependimento e fé, pois ambos são dons da graça de Deus. Veja Atos 5:31; 11:18, I Coríntios 3:5; Efésios 1:19; João 5:4. Toda graça é fruto do Espírito. Gálatas 5:22-23.
2. A salvação pela graça significa que Deus terá todo o louvor pela nossa salvação. O Pai tem todo o louvor por haver dado o Salvador; o Filho terá todo o louvor por haver executado a obra da salvação; e o Espírito Santo terá todo o louvor por haver efetuado a salvação em nós por nos convencer do nosso pecado e nos levar à fé no Senhor Jesus Cristo.
3. A salvação pela graça não é uma licença para pecarmos. Existem dois perigos concernentes à graça: o primeiro é de frustrá-la, e o segundo é de abusar dela. Frustramos a graça quando ensinamos que a retidão vem ao guardar a lei. Gálatas 2:21. Abusamos da graça quando a usamos para justificar uma vida de pecado. O primeiro desconsidera a graça e o segundo usa a graça erradamente.
Aquele que justifica seu pecado ao dizer que está debaixo da graça e não da lei, não conhece, na verdade, a graça de Deus. O filho da graça despreza o pecado e luta contra ele, e quando cai em pecado, confessa seu pecado e deixa-o. Isto é, o pecado não é o costume nem a prática de sua vida. Não há pecado que ele abrace nem leve à glória consigo. Não há pecado que seja como o açúcar é para o paladar. O homem da graça não se orgulha de não estar em pecado, nem se justifica quando cai em pecado.
Ao abordamos a questão:
COMO A GRAÇA SALVA?
Vamos fazê-lo de modo negativo.
1. A graça não salva ao capacitar o pecador para cumprir perfeitamente a lei de Deus. É nosso julgamento que muitos vêem a graça de tal maneira. Eles dizem que o homem por si mesmo não é capaz de cumprir a lei, mas que a graça o capacita a cumpri-la, desta maneira salvando o homem. Para serem lógicos e coerentes, e darem lugar à graça, esta deve ser a posição de todos os que pregam a salvação ao cumprir a lei. Admitimos que se Deus apagasse todo vestígio de nossa natureza pecaminosa, e se Ele nos fizesse capazes de cumprirmos a lei, isto seria graça sem dúvida... seria um favor de Deus, não merecido. Seria graça pois estaria fazendo por nós o que não merecemos. Mas este não é o modo como a graça opera, e, portanto expressamos as nossas objeções:
A. Isto não satisfaria a justiça pelos pecados já antes cometidos. Deus é justo, além de gracioso e a graça nunca vai contra a justiça. Mesmo se o pecador deixasse completamente de pecar, a justiça o condenaria pelos pecados já antes cometidos.
B. Isto roubaria de Cristo qualquer parte na salvação. Se a graça nos salvasse ao fazer de nós seres perfeitos, isto seria só pela graça, mas à parte de Jesus Cristo, pois "... se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde". Gálatas 2:21.
C. Se a graça nos salva ao nos capacitar para cumprir a lei, então o Espírito Santo seria o Salvador e não Cristo. O Espírito Santo é o administrador da graça interior; é pelo Seu poder que louvamos e servimos a Deus. O Espírito Santo pela Palavra nos mostra o Salvador, e torna-O precioso a nós, mas a Espírito Santo não é o Salvador. Ao anunciar o nascimento do Salvador, o anjo disse: "Chamarás o seu nome JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". Mateus 1:21.
D. No novo nascimento a natureza pecaminosa não é aniquilada, mas uma natureza sem pecado é implantada. No homem salvo, há um conflito entre as duas naturezas: "Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis". Gálatas 5:17. E Paulo disse: "Acho então esta lei em mim; que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo". Romanos 7:21. E este é o testemunho de todo filho verdadeiramente nascido de Deus, pois "Se dissermos que não temos pecado, enganamos-nos a nós mesmo, e a verdade não está em nós". 1 João 1:8.
2. A graça não salva ao fechar os olhos ao pecado. Se Deus não levasse em conta nossos pecados, isto certamente seria graça, mas ao fazer isso, Ele estaria abdicando Seu trono em favor de Seus inimigos. Nosso pecado merece punição, mas se Deus virasse as costas e não olhasse para nosso pecado, isto seria, em efeito, graça... um favor de Deus jamais merecido. Mas a graça não salva deste modo por várias razões:
A. Porque ela o faria às custas da justiça. Não pode haver sacrifício da justiça no ato da salvação. O pecado tem que ser, e será punido. Se Deus virasse as costas ao pecado isto seria graça, mas ao mesmo tempo seria injustiça.
B. Não haveria necessidade para a vinda de Cristo, nem de Sua morte no Calvário. Há perdão com Deus, mas está baseado na justiça satisfeita. A graça salva ao satisfazer a justiça. "Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão de ofensas, segundo as riquezas da sua graça". Efésios 1:7.
C. Isto faria o homem amar um atributo de Deus e desprezar o outro. Se a graça salva à parte de sua satisfação da justiça divina, o pecador naturalmente admiraria a graça de Deus, e ao mesmo tempo desprezaria Sua justiça. Ao lidar com os pecadores desta maneira, Deus estaria premiando o pecado. Nós pouco honraríamos um juiz humano que virasse as costas aos crimes de um homem e o deixasse escapar. Tal juiz seria desprezado e despedido. Procedimentos assim seriam um convite aberto para todos cometerem todos os crimes que desejassem, pois não seriam vistos pela lei, e mal algum aconteceria ao criminoso. Gostaria, prezado leitor, de viver em tal país?
3. A graça não salva ao dar ordenanças que devemos obedecer. As ordenanças e cerimônias de Cristo são para os que já são salvos. Elas são declarativas e simbólicas; não salvadoras nem sacramentais. Elas são para os santos e não para o mundo. As mais terríveis heresias apareceram de idéias errôneas a respeito das ordenanças. Milhares de vidas se perderam no decorrer da história por não haverem se submetido à tais conceitos falsos. Cito dum artigo sobre "Os sacramentos" do Livro de Missas da Igreja Católica Romana, publicado pela editora "Paulinas", de Nova York:
"Os sacramentos são meios comuns pelos quais a graça de Deus é trazida à alma duma pessoa. Dependemos da graça de Deus não só para alcançarmos o céu após a morte, mas para viver uma vida agradável a Deus na terra. O que os ventos fazem para o barco, é o que a graça faz para a alma".
"Os sacramentos são sete maneiras diferentes pelas quais diversas graças especiais são aplicadas a nossa alma. Todas foram instituídas por Cristo. Pela Sua morte no Calvário, nosso Senhor criou um grande reservatório de graça. Deste reservatório existem sete canais, cada um transportando uma qualidade especial, e quando necessitamos de certo tipo de ajuda divina, vamos ao sacramento que o oferece. O batismo regenera a alma e nos faz filhos de Deus. Ele tem o efeito de lavar o pecado com que nascemos, como também outro pecado qualquer que cometemos. A confirmação fortalece a alma, a fim de capacitá-la a lutar valorosamente. A Santa Eucaristia, sendo o próprio Cristo, o pão vivo, é o alimento e a nutrição da alma. A penitência nos traz o perdão de Deus. A Extrema Unção, dá-nos a graça para morrermos bem. O Santo Clero eleva os homens à dignidade do serviço de Deus e lhes dá a força para perseverarem. O Matrimônio dá graça aos cônjuges para se amarem e para criarem filhos na graça e no conhecimento de Deus. Através de toda a nossa vida, os sacramentos oferecem nutrição espiritual, sem a qual é impossível merecermos a alegria e a glória que Deus preparou para nós no céu".
Que estranha mistura de verdade e erro! Que frustração da verdadeira graça de Deus! Que caricatura da verdade! O artigo fala da graça que nos capacita a merecer a alegria e glória do céu. Merecer algo é ter mérito ou ganhar algo através de dádivas, e o que ganhamos por débitos não pode ser recebido pela graça. Romanos 4:4. A Bíblia nos diz que a salvação é pela fé, para que ela seja pela "graça". Romanos 4:16. A Bíblia diz: "pela graça sois salvos por meio da fé". Efésios 2:8. Mas este artigo nem sequer mencionou a palavra fé.
Agora tentaremos dar uma resposta positiva à nossa pergunta: "Como a graça salva?" Qual o modo de operar da graça? O que faz a graça na obra de salvação?
1. A graça salva da culpa e da pena do pecado ao colocá-las sobre Cristo. A graça salva ao punir a Cristo no lugar do pecador. Ele nos limpou da nossa culpa ao Se sacrificar. Hebreus 9:26. Ele levou nossos pecados sobre Seu próprio corpo no madeiro. 1 Pedro 2:24. Ele morreu como o Justo pelo injusto para que nos levasse a Deus, isto é, ao Seu favor. 1 Pedro 3:18.
A justiça diz que meus pecados devem ser punidos, e eles foram punidos em meu Penhor, o Senhor Jesus Cristo, o Penhor do novo concerto. Hebreus 9:22. Foi por graça incomparável que o Senhor Jesus liquidou nosso débito do pecado, e é Ele que terá todo o louvor.
"Graça" clamou Spurgeon, "é tudo por nada; Cristo de graça, perdão de graça, céu de graça".
2. A graça nos salva do amor ao pecado e dum entendimento obscurecido. Isto pode ser chamado de salvação interior e é obra do Espírito Santo em nós. Nesta obra o Espírito Santo abre os olhos cegos para que vejam a verdade do Evangelho. Paulo disse que seu Evangelho estava escondido dos olhos do pecador, pois suas mentes estavam obscurecidas. 1 Coríntios 4:4. A morte de Cristo não beneficia o homem que vive e morre sem fé nela. E todos nós estaríamos em tal condição, se não fosse a obra da regeneração e da iluminação do Espírito Santo. As verdades espirituais são loucura para o homem natural, mesmo que ele seja um professor universitário, e ninguém pode fazer do homem natural um homem espiritual a não ser o Espírito Santo.
Por natureza e por educação, Saulo de Tarso era um fariseu orgulhoso, perseguidor e de retidão própria, mas a graça operou nele as graças do arrependimento e fé. Foi a graça que o fez repugnar a si mesmo e amar a Cristo. Ele tinha dependido de seus ancestrais hebreus, do rito da circuncisão, da ortodoxia dos fariseus, do seu zelo como um patriota perseguidor e da sua lei de justiça; mas quando a graça lhe revelou Cristo em todo Seu valor, ele considerou todas estas coisas como "esterco", regozijando-se na justiça que vem pela fé em Jesus Cristo. Filipenses 3:l-9.
A conversão é obra do Espírito Santo e Sua obra em nós é tanto pela graça quanto foi a obra redentora de Cristo na cruz. Cristo liquidou nossa dívida do pecado com Sua morte; o Espírito Santo nos trouxe a convicção do pecado e fé no sangue de Cristo como o único remédio para o pecado. "Graça", disse Surgeon, "é a estrela matutina e vespertina de nossa experiência. A graça nos coloca no caminho, ajuda no caminho, e nos leva até o fim do caminho".


Autor: C. D. Cole
Revisão 2004: David A Zuhars Jr

Ingênuo a Respeito do Mal

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É realmente meio engraçado quando encontramos alguém que é totalmente ingênuo a respeito de certas coisas. Nós costumamos dar uma risadinha quando vemos tal inocência, e podemos até tirar sarro da pessoa. Mas mesmo que ser ingênuo possa ser meio bobo às vezes, nem sempre é ruim. Há algumas coisas sobre as quais precisamos ser ingênuos, principalmente se somos cristãos.
O apóstolo Paulo encorajou, “e quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal” (Romanos 16:19). Ele quer dizer através desta advertência que precisamos ser sábios e experientes nas coisas que são boas; mas quanto a nossa experiência prática com o mal, precisamos ser os mais ingênuos possíveis.
E certamente não há nada de errado com isto! Por que é que tantos de nós temos que ter a experiência própria – principalmente em relação ao mal? Por que não podemos ser sábios o suficiente para aprender das más experiências dos outros? Não precisa experimentar álcool ou drogas ou a imoralidade sexual para saber como são terríveis estas coisas! Sabemos de como são más estas coisas apenas ouvindo a Palavra de Deus e as experiências dos outros que não tiveram a sabedoria suficiente de evitar estes males.
Vamos aprender a nos satisfazer com a nossa própria inocência, e a odiar aquilo que é mal (Romanos 12:9)! Vamos nos alegrar quando somos inocentes em relação a experiência no pecado. Não há nada de que nos envergonhar nisso! É na verdade o caminho sábio a seguir! Escolher o caminho mundano sobre a experiência prática e a instrução divina é escolher o caminho que leva à auto-destruição! Reflitamos sobre isso e decidamos ser ingênuos!

–por Rick Liggin

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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