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6 de set. de 2010

Manifestadas as obras de Deus – (Sermão) – C. H. Spurgeon Postado por Charles Spurgeon / On : 14:39/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.


- Noite de Domingo – 12 de Maio de 1880 -

"Disse Jesus: 'Nem ele nem seus pais pecaram'
(para que ele nascesse cego) 'mas isto aconteceu para que
a obra de Deus se manifestasse na vida dele'" (João 9.3).

Nunca atribuam uma tristeza especial sofrida pelos homens a um pecado especial. Em geral, considera-se que aqueles sobre os quais caiu a torre de Siloé devem ter pecado mais do que os outros que habitavam Jerusalém; e se algumas pessoas foram acometidas pela morte súbita, tendemos a supor que devem ter sido muito culpadas; mas não é assim. Homens muito piedosos já foram queimados até a morte em um trem; eu me lembro de um que teve esse fim terrível. Muitos homens santos foram afogados a bordo de navios, a caminho dos serviços do Mestre. Alguns dos homens mais agraciados que já conheci caíram mortos sem aviso prévio. Não podemos julgar a condição de um homem diante de Deus por aquilo que lhe acontece segundo a ordem da providência; e é total falta de bondade e de generosidade, quase desumano, sentar-se, como os amigos de Jó, e supor que, já que Jó é extremamente aflito, por isso, é cheio de pecados. Não é assim. Nem todas as aflições são castigos pelo pecado; existem algumas aflições que têm propósito e objetivo bem diferentes. São enviadas para refinar, enviadas como santa disciplina, enviadas como escavadores sagrados, para providenciar mais espaço no coração para Cristo e o seu amor. E, realmente, vocês sabem que está escrito: "Repreendo e disciplino aqueles que eu amo" (Ap 3.19). "Pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho" (Hb 12.6).

É, portanto, um absurdo muito grande supor que, se um homem nasce cego, se trate de castigo pelo pecado dos seus pais, ou de um castigo enviado antes por algum pecado que porventura pudesse cometer depois. Nosso Salvador nos manda olhar para essas coisas de modo bem diferente e considerar que as enfermidades e os males físicos foram enviados como âmbito dentro do qual Deus possa demonstrar o seu poder e a sua graça. Assim era, de modo bem especial, na ocasião de que este texto trata; e vou levar mais adiante esse fato, e dizer que até mesmo o próprio pecado, por existir em todos os lugares, e isso de modo especial em alguns casos, pode oferecer o que chamamos "campo livre para a ação", para a graça de Deus, e pode, realmente, vir a ser uma plataforma sobre a qual possa ser exibido o maravilhoso poder, a paciência e a soberania da graça divina.

Será esse o assunto a respeito do qual falaremos: como Deus tira das tristezas e dos pecados dos homens a oportunidade para manifestar as suas próprias obras para a sua própria glória. Assim como esse homem nasceu cego, a fim de que, através da sua cegueira, o poder de Deus pudesse ser visto ao lhe conceder a vista, assim também existem muitos nos quais o poder de Deus pode muito facilmente ser visto, e as obras de Deus ser muito claramente manifestadas.

I. Em primeiro lugar, portanto, vamos perguntar quais são essas obras. Quais obras de Deus são vistas na salvação dos homens? Existe um homem ali que está totalmente perdido. É um homem cuja vida está de cabeça para baixo; seu coração ama aquilo que o arruinará, e não ama aquilo que o abençoaria. Seu entendimento está ofuscado; ele define o amargo como doce e o doce, como amargo. Sua vontade se tornou muito arrogante e ele usurpou poder que nunca deveria possuir. Se você o observar bem, não o considerará de muito valor. Está com as engrenagens atrapalhadas, como uma máqui-na que não opera corretamente. Para descrevê-lo rapidamente, em uma palavra, eu diria que ele está em uma condição caótica, com tudo em desordem e confuso. "Ora", diz alguém, "esse é o meu caso; estou assim neste momento."

Ora, a primeira obra de Deus que lemos na Bíblia é a obra da criação. "No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gn 1.1). Quando veio a plenitude do tempo para o equipamento do mundo, evento este que geralmente chamados de criação, embora fosse realmente a disposição daquilo que Deus já criara, então apareceu o Senhor, e o Espírito de Deus, com asas estendidas, se movia sobre o caos, e da confusão trouxe ordem. Que o Espírito de Deus venha neste dia mover-se sobre a mente confusa e atrapalhada, na qual tudo está jogado em desordem! Ele não sabe para que nasceu, nem com que objetivo vive. Parece não ter objetivo na vida, está sendo jogado de um lado para outro como uma madeira solta nas águas do oceano. Suas emoções voam de vaidade em vaidade, e não se pode colocar ordem nele. Sua mãe tentou fazer isso; mas ele desprezou a idéia de ficar na barra da saia dela. Muitos amigos têm tentado isso a partir de então; mas agora ele pegou as rédeas, saiu galopando, e não obedece mais a elas. Ó Deus, se queres vir neste momento, e fazer dele uma nova criatura em Cristo Jesus, tua obra criadora será manifestada nele! Se tu queres moldar, e modelar, e formar, e talhá-lo até ele ser um vaso digno do teu uso, então as obras de Deus começarão a ser manifestadas nele. Quem dera fosse assim! Há entre nós alguns que podem testificar que Deus é um grande criador, porque fez todas as coisas novas entre nós e transformou o que antes era caos num mundo de beleza e deleite, onde ele se deleita em habitar.

Depois de criado o mundo, a obra seguinte de Deus era a de criar a luz. A Terra já estava criada, mas estava envolta em trevas. "As trevas cobriam a face do abismo." Nenhum sol, nenhuma lua e nenhuma estrela tinham aparecido; nenhuma luz ainda incidira sobre a Terra; talvez em razão dos densos vapores que excluíam a luz. Deus nada fez, senão dizer "'Haja luz'" e houve luz.

Pois bem, nesta dia entrou aqui uma pessoa que não apenas está sem forma e vazia, e terrivelmente agitada, mas que é pessoalmente trevas, e está nas trevas. Deseja a luz, mas não a tem. Não conhece o caminho da vida; não vê um único raio de esperança de que virá a achar o caminho. Parece encerrada na noite egípcia sombria e espessa; e talvez, pior de tudo, não conheça sua verdadeira condição; mas chama as trevas de luz e se orgulha de sua capacidade de enxergar, quando, na realidade, não consegue ver absolutamente nada. Senhor, fala a palavra, e diga: "Haja luz", e o homem verá a luz, e a verá imediatamente! Estou certo que, quer eu possa falar com poder, quer não, Deus pode falar com poder; e para mim que estou aqui em pé, é uma doce consolação porque ele pode, neste momento, descobrir o pecador mais empobrecido neste prédio, sentado ou em pé em qualquer cantinho, e a luz pode penetrar em sua alma com menos tempo do que eu levo para falar as palavras; e, para a maior surpresa dele mesmo, as trevas serão luz ao seu redor, e a noite egípcia será transformada no meio-dia do amor e misericórdia divinos. Orem a Deus para que seja assim, irmãos. Levantem ao céu uma oração silenciosa, pois essa obra de disseminação da luz, essa iluminação, é uma obra especial de Deus; e existem muitos, que agora estão nas trevas, em quem essa obra de Deus pode ser manifestada.

Depois de realizadas essas duas obras de Deus, depois de ter havido a criação e de a luz ter sido produzida, ainda há a obra divina da ressurreição. Qual seria a finalidade de uma forma que tão belamente foi criada morrer, e qual seria o objetivo da luz raiar com todo o seu brilho sobre um cadáver? No entanto, nesta casa de oração, há nesta dia algumas pessoas que estão mortas nos delitos e pecados. Não sentem o peso do pecado; porém, para um homem vivente é um fardo intolerável. Não são feridos pela espada de dois gumes do Senhor, embora um homem vivente logo seja cortado e ferido por ela. Não ouvem nem mesmo as notas alegres da livre graça e do amor que morreu por nós. Mesmo que essas notas sejam soadas como um carrilhão de sinos de prata, esses pecadores mortos não conseguem apreciar sua doce música. É obra de Deus libertar os homens. Virá um dia, e talvez mais cedo do que imaginamos, em que todas as miríades de cadáveres que jazem em nossos cemitérios e campos santos subirão do túmulo para viverem de novo. Aquela será uma manifestação de poder divino; mas não será uma manifestação maior de poder divino do que quando um coração morto, uma consciência morta, uma vontade morta é vivificada com vida divina. Queira Deus operar esse poderoso milagre de misericórdia nesta mesma hora! Orem para que seja assim, amados irmãos e irmãs em Cristo. Esses mortos não poderão orar em favor dessa ressurreição; oremos por ela em favor deles. Mas se um deles real-mente orar por isso, exclamar "Senhor, faz-me viver!", esse fato comprova que já há estremecimento de vida cursando por ele - senão, não teria esse desejo vivo.

Irmãos, eu poderia continuar seguindo a linha da história da criação e da disposição do mundo na sua devida ordem, mas não vou; vocês poderão fazer isso por conta própria. O que quero falar agora é a respeito da obra divina da purificação. Aqui temos, neste lugar de culto, um homem que fez tudo quanto lhe era possível para rebelar-se contra Deus. Talvez seja semelhante ao sr. John Newton, que se descreve de modo parecido quando diz: "Em muitos aspectos, eu era semelhante ao apóstolo Paulo. Blasfemava, perseguia e injuriava; mas em um aspecto fui além do apóstolo Paulo, pois ele fez tudo na ignorância, mas eu pequei contra a luz e o conhecimento." Alguém aqui, ao pecar, transgrediu muito por ter feito o que sabia ser errado, mas perseverou em fazer assim, contra os freios da consciência e contra as advertências de um anseio melhor, que nunca conseguiu sufocar? Fico atônito, às vezes, depois de ter conversado com pessoas cuja vida chegou quase até a própria extremidade da iniquidade, mas que, apesar disso, durante o tempo todo tiveram um certo freio interior que nunca as deixava ir além, até ao ponto em que não haveria mais esperança. Sempre sobrava alguma coisa que ainda reverenciavam, mesmo fingindo descrer e blasfemar de tudo. Havia alguma influência pelo bem operando sobre elas, como se Deus tivesse uma linha de pesca e um anzol no queixo de leviatã; e embora este nadasse até certa distância nas grandes profundezas do pecado, a ponto de não se poder saber até onde tinha ido, mesmo assim, tinha de voltar. Deus ainda opera milagres de misericórdia e de graça. Agora, suponhamos que, neste momento, aquele pecador tão sujo, com todos os seus anos de pecado, recebesse o perdão total. E suponhamos também que, agora, a totalidade daqueles cinquenta ou sessenta anos de pecado desaparecesse de uma vez por todas, suponhamos que Deus perdoasse ou, melhor ainda, se esquecesse, suponhamos que, com um gesto tremendo do seu braço onipotente, ele pegasse todo o pecado daquele pecador e lançasse nas profundezas do mar, que maravilha de graça seria essa! E é assim que Deus quer fazer em favor de todas as pessoas que confiam em Jesus. Se você quiser vir, e lançar-se diante dos seus pés queridos, e levantar os olhos para Jesus crucificado, que sangra no seu lugar, e crer nas palavras do profeta Isaías: "O SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (Is 53.6), ou nas palavras do apóstolo Pedro: "Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1Pe 2.24), se você confiar em Jesus, o grande Salvador do pecado, ele o deixará imaculado; e, no seu caso, as obras de Deus serão manifestadas, pois ninguém, senão o Deus Todopoderoso, pode purificar os pecadores escarlates, e ele pode fazer isso num só momento! Senhor, faze-o agora!

Suponhamos que outra coisa acontecesse, que um homem ou uma mulher aqui presente, desesperadamente resoluta na prática do mal, se voltasse neste momento para uma direção totalmente oposta, que seria manifestamente uma obra divina de mudar a totalidade da orientação da vida. Nunca vi as cataratas de Niágara, nem creio que a verei; mas alguns aqui a viram. A força poderosa das águas desce com um estrondo terrível, saltando das alturas. Você acreditaria que quem, num só momento, poderia fazer aquela queda de água saltar para cima, em vez de para baixo, e buscar tão impetuosamente as alturas como agora se precipita para as profundezas, fosse divino? Pois bem, o Senhor consegue fazer com um grande pecador, do tamanho da Niágara, presente aqui neste dia. Você está decidido a seguir as más companhias e cometer um pecado horrível; você resolveu que amanhã vai se agarrar ao copo de bebida, e não se satisfazer até ter se transformado em algo horrível; você resolveu levar adiante aquele seu negócio ilícito, como obter de dinheiro pelo jogo ou por meios ainda piores. Sim, mas se o Senhor surgir aqui resoluto para salvar você, ele levará você a entoar outro cântico. "Oh, mas eu nunca queria ser um metodista!" diz alguém. Não ser o que você ainda será. "Oh, você nunca faria de mim um convertido", diz outro. Não falei que poderia fazer isso; mas o Senhor pode transformar você naquilo que você pensa que nunca será. Algumas pessoas se pudessem ter se visto há dez anos, sentadas aqui e desfrutando da Palavra, teriam dito: "Não, aquele não é você, tenho certeza disso" e, "Não, aquela não é você, minha filha; você nunca estará ali; não há receio daquilo". Mas vocês estão aqui, afinal; e aquilo que a livre graça tem feito em favor de alguns entre nós poderá fazer em prol dos outros. Senhor, faze isso, segundo aquele forte poder que operaste em Cristo quando o ressuscitaste dentre os mortos! Opera do mesmo modo nos ímpios agora e desvia-os do erro dos seus caminhos, para correrem impetuosamente atrás de ti quanto agora fogem de ti!

Sobre esse assunto, tenho só mais um item a mencionar. Acho que as obras de Deus às vezes são manifestadas nos homens, ao dar-lhes grande alegria. Há uma pessoa que está convencida do pecado? O sr. Consciência levantou-se contra ele. Vocês o conhecem. Ele tem um açoite de nove tiras. Quando recebe licença para por as mãos à obra e quando pega firme num pecador que durante muito tempo o manteve trancado, ele diz: "Agora é a minha vez;" e ele faz com que vocês saibam disso, acreditem. Uma vez que um homem fica com a consciência, com o açoite de nove tiras, e aplica golpes com ele, nunca se esquecerá disso. Cada golpe parece arrancar uma tira de carne. Vejam como os nove arados fazem sulcos profundos todas as vezes que caem. Alguém diz: "Você fala como homem que o conhece." Conhecê-lo? Realmente o conheci durante muitos anos, quando era criança; e nem de noite, nem de dia, podia escapar dos golpes daquelas tiras de couro. Oh, como a consciência me fustigava, e não conseguia achar repouso em lugar algum até que, em certa ocasião, ouvi a voz divina dizer: "Voltem-se para mim e sejam salvos, todos vocês, confins da terra" (Is 45.22); e a consciência guardou o seu açoite, e minhas feridas foram banhadas em bálsamo celestial e cessaram de arder, e fiquei feliz! Oh, meu coração exclamou "Aleluia!" quando vi Jesus na cruz! Então, entendi que Deus executara a plena vingança, devida ao meu pecado, contra seu bem-amado, que bondosamente oferecera seus ombros aos açoites, e empreendera levar sobre si o castigo do meu pecado. Meu coração saltou de alegria. Notem que estou sempre pregando a doutrina da substituição. Não posso deixar de fazer isso, porque é a única verdade que me trouxe consolo; nunca teria saído das masmorras do desespero não fosse aquela grandiosa doutrina da substituição. Espero que nenhuma moça me peça para escrever em seu diário esta semana. Recebo pedidos assim, nem sei quantas vezes na semana, e sempre escrevo o seguinte verso:

"Desde quando, pela fé, vi a correnteza
Pelas tuas feridas que fluem suprida,
O amor que redime tem sido o meu tema e certeza.
E assim será até eu perder minha vida."

Quando vocês conhecerem o poder daquele tema bendito, perceberão que é obra de Deus varrer para longe as nossas cinzas e nos dar o óleo da alegria, tirar de nós as roupas de luto e nos vestir com as roupas da beleza, colocar em nossa boca um novo cântico e estabelecer as nossas atividades. Que essa bendita obra de Deus seja operada em todos vocês, para o louvor da glória da sua graça!

II. Agora, minha segunda divisão é esta: Como essas obras de Deus ficam especialmente manifestadas em alguns homens?

Vou tomar como exemplo o cego e repassar a sua vida. Primeiro: era total-mente cego. Nada havia de fingimento na sua cegueira; não conseguia enxergar um único raio de luz; era totalmente cego; nada sabia a respeito da luz. Temos aqui alguém que seja totalmente cego no sentido espiritual? Você não consegue enxergar coisa alguma, meu pobre amigo. Você não possui nenhuma boa vontade; você nem sequer teve um bom pensamento. Ah, você não sabe que tipo de pessoa existe nesta cidade; mas nos encontramos com pessoas que, durante muitos anos, parecem que nunca tiveram um pensamento bom em sua mente; e se outra pessoa fosse lhes falar a respeito de alguma coisa boa, ou até mesmo decente, seria como lhe falar de uma bobagem sem sentido! Temos multidões de pessoas desse tipo nas nossas favelas; sim, e na zona sul também. Ora, quando o Senhor, na sua infinita misericórdia, chega até essas pessoas, que estão totalmente cegas, e as capacita a ver, há bastante espaço para seu forte poder operar ali, pois todas as pessoas dizem: "Que maravilha que uma pessoa assim tenha se convertido!"

Lembro-me bem de um homem com quem orei em doce comunhão. Era bem estranho quando o encontrei pela primeira vez, embora depois passasse a ser um homem muito bom. Era dos mais excêntricos que já conheci; e eu mesmo já me acho bem excêntrico; mas ele era um mundano morto. Seus domingos - ora, ele não conhecia nenhuma diferença entre o domingo e a segunda-feira, a não ser que não podia passar tanto tempo na cervejaria nos domingos. Uma vez, disse: "Num domingo de manhã, saí para comprar dois patos, e os coloquei em cada bolso do meu casaco; e, enquanto andava, vi as pessoas entrando no local de culto, e pensei em dar uma olhada para saber como era, pois ouvira dizer que por dentro era um lugar de boa aparência." Entrou, e o Senhor se encontrou com ele, e naquele dia os patos não chegaram a ser cozidos, tiveram de esperar até a segunda-feira; mas ele mesmo foi caçado e capturado para Cristo naquele dia. Uma transformação total ocorreu nele, e ele se tornou imediatamente um cristão fervoroso, ao passo que antes não possuía qualquer tipo de pensamento religioso, fosse de temor, fosse de esperança. Tratava-se de um caso no qual as obras de Deus especial-mente se manifestaram. Esse homem já foi para o céu; mas me lembro bem dele, e como louvei a Deus pela sua conversão!

Mas esse homem nasceu cego. Ora, há muitas pessoas assim. Na realidade, todas as pessoas nascem cegas. Trata-se do pecado original, do qual todos sofremos. O pecado é uma mácula no nosso sangue. Nascemos cegos. Existem alguns que, de modo muito peculiar, nascem e são educados em uma família totalmente destituída de religião; são criados para desprezá-la, ou são criados no meio da superstição e ensinados a repetir uma oração inútil diante de um crucifixo de madeira ou de pedra. Pessoas como essas, assim criadas, poderão encontrar Cristo? Mas acabam achando Cristo, ou, melhor, Cristo as encontra; e ouvem o evangelho, e este se recomenda às suas mentes de imediato.

Imagino que ninguém foi mais supersticioso do que Martinho Lutero. Já vi aquela escadaria em Roma, pela qual Martinho Lutero subiu de joelhos; dizem que é a escadaria pela qual nosso Senhor desceu do palácio de Pilatos. Imaginem Lutero fazendo isso; e vieram a ele, enquanto subia de joelhos a escadaria, as seguintes palavras "O justo viverá pela fé", e ele se levantou imediatamente, e não continuou a subir de joelhos as escadas. Quem dera que Deus aparecesse assim para alguns entre vocês!

Em segundo lugar, esse cego foi curado por meios especiais. Essa foi outra manifestação das obras de Deus. O Salvador cuspiu, abaixou-se e remexeu a saliva no pó até ter formado o barro; e então, pegando esse barro, começou a passá-lo nos olhos do homem. Deus é grandemente glorificado pela salvação das pessoas mediante a simples pregação do evangelho, a maneira mais simples que pode ser usada. Muitas vezes, quando as almas são salvas neste lugar, as pessoas dizem: "Ora, não vejo nada de notável no pregador". Não, e se vocês fossem ficar olhando muito tempo mais, vocês veriam ainda menos valor no pregador do que veem agora, porque o valor está no evangelho. Ó irmãos, se alguns pregadores somente pregassem o evangelho, não demorariam a perceber como ele é superior a todos os ensaios que fazem! Mas preparam tão bem os seus sermões. Oh, sim! Sei disso, que vocês já ouviram falar do homem que preparava as batatas antes de plantá-las no jardim? Sempre as cozinhava; mas nunca cresciam, pois o preparo tirava toda a vida delas. Ora, muitos sermões "cozidos" são apresentados ao povo; mas nunca crescem. Ficam tão requintados e preparados que não surtem efeito. O Senhor ama abençoar palavras vivas, faladas de um coração sincero em linguagem singela. O homem que fala assim não recebe a glória; mas a glória é atribuída a Deus, e assim há espaço para as obras de Deus serem manifestadas.

Esse cego também era uma esfera especialmente apropriada para Deus manifestar as suas obras, porque era conhecido como mendigo público. Conduziam-no de manhã, segundo suponho, até a porta do templo; e ali tomava seu lugar e se sentava. Era homem com a língua bem solta, imagino, de modo que frequentemente trocava gracejos com os transeuntes. Desconfio que era sempre bem irônico; e, quando as pessoas falavam com ele, sem lhe dar nada, ele sempre sabia lhes dar o troco. Aquele mendigo cego era uma personagem bem conhecida em Jerusalém, tanto quanto o mendigo cego em Bethnal Green; por ser ele tão bem conhecido o Salvador o escolheu e abriu-lhe os olhos. Então, meu caro amigo, você veio para cá neste dia, não é mesmo?

Você é muito conhecido; mas não vou indicar o seu lugar; não gosto de fazer essas coisas. Entrou aqui, não há muito tempo, um soldado que tinha professado a religião, mas passara a ser um apóstata pavoroso, e se desviara, mas queria ouvir o evangelho de novo. Ele, astutamente, escolheu um lugar nos fundos, onde eu não poderia vê-lo. Mas, naquela noite de domingo, e ele é testemunha disso, me lembro bem de ter falado: "Pois bem, Willi, você precisa voltar, você sabe disso; e quanto antes, melhor"; e Willi realmente voltou, e me mandou um recado para dizer que Willi voltara com o coração quebrantado para buscar o seu Senhor. Tenho certeza de que eu não sabia que se chamava Willi, nem sabia por que havia se escondido atrás das colunas; mas Deus sabia, e adaptou o recado à pessoa, e assim trouxe Willi de volta.

Se existem Guilherme, Tomás ou Tiago, ou Maria, ou qualquer outra pessoa que se desgarrou de Deus, ó graça soberana, trazei-a de volta, sejam soldados ou civis, para que busquem e achem o Salvador agora mesmo! Esse Willi era bem conhecido, e sua restauração em Cristo irá (segundo confio) manifestar nele as obras de Deus, porque era tão bem conhecido! Quem dera que o Senhor atendesse aquela oração do meu amigo hoje, e convertesse o Príncipe de Gales! Todos nós dissemos "Amém" diante daquela petição. Desejamos que o Senhor traga para a sua igreja alguns daqueles que são mais conhecidos, quer sejam príncipes, que sejam mendigos, a fim de que as obras de Deus se manifestem nele.

Quando esse homem foi convertido, em vez de ser um mendigo público, passou a ser quem fazia confissão pública de fé. Gosto de uma resposta dele: "Não sei se ele é pecador ou não. Só sei uma coisa: eu era cego e agora vejo!" Existem muitos homens que podem dizer: "Ora, não sei muita coisa a respeito da teologia; mas sei que eu era um bêbado, e agora não sou mais. Sei que eu batia na minha esposa; e agora, Deus a abençoe, ela sabe o quanto a amo! Eu poderia ter me afundado em todos os tipos de más companhias; mas agora, graças a Deus, seus santos são meus companheiros escolhidos! Em tempos passados, eu poderia ter me glorificado na minha própria justiça; mas agora a considero escória e esterco, para que eu possa ganhar a Cristo, e ser achado nele. Houve grande transformação em mim; ninguém pode negar esse fato, e louvo o nome de Deus por isso." Que o Senhor envie um grande grupo de homens que não sentem vergonha de Jesus Cristo! Queremos muitos ho-mens e mulheres que virão diretamente do mundo, e dirão: "Cristo é por mim, porque ele tocou tanto no meu coração, que eu sou por ele; e se ninguém mais quiser o confessar, eu devo fazê-lo, pois ele é o meu melhor amigo, meu Senhor, meu Salvador, meu tudo." Em tais casos, as obras de Deus são manifestadas.

III. Agora, chegarei ao fim depois de simplesmente ter dito três ou quatro coisas a respeito desta última divisão: como as obras de Deus podem manifestar-se em nós?

Alguns entre vocês são muito pobres; outros, mancos ou doentios; vocês sofrem de tuberculose, de asma, estão cheios de dores e achaques, e de sintomas. Pois bem: talvez todos esses sofrimentos sejam permitidos para que a obra de Deus seja manifestada nas aflições de vocês, pela sua santa paciência, pela sua submissão à vontade divina, pela sua santidade perseverante no meio da sua pobreza e das suas provações.

O mesmo se pode dizer a respeito das suas enfermidades. Nenhum de nós é perfeito; mas também podemos ter enfermidades físicas. Acreditem agora, se vocês forem enviados para pregar o evangelho, ou a ensinar crianças, ou promover, de qualquer outra maneira, a propagação do reino de Deus, vocês não seriam melhor equipados para a sua obra se tivessem toda a eloquência de um Cícero, e toda a erudição de um Newton. Vocês, da maneira que são e estão, poderão servir melhor ao Senhor, e poderão melhor preencher determinada vaga, com todas as suas insuficiências, do que poderiam fazer sem elas. O cristão sensato fará uso das suas enfermidades em favor da glória de Deus. Contam uma história estranha a respeito de S. Bernardo, história que eu considero alegoria e não fato histórico. Dizem que ele estava atravessando os Alpes em direção a Roma em razão de algum empreendimento. O diabo sabia que o santo estava para realizar alguma coisa que lesaria grandemente o reino de Satanás, de modo que quebrou uma das rodas do coche do santo; e diante disso, Bernardo gritou-lhe: "Satanás, você pensa que vai me parar assim? Agora você mesmo vai sofrer por isso"; assim, pegou nele, torceu-o em círculo, fez dele uma roda, e o fixou no coche, e então continuou viagem. Ora, o significado daquela alegria é que, quando as enfermidades ameaçam danificar a nossa utilidade, devemos usar essas enfermidades a serviço de Deus. Transformem o próprio diabo em roda e sigam adiante em ritmo ainda mais rápido por causa do empecilho que ele tentou provocar. Pode, até mesmo ser vantagem, às vezes, ser forçado, ao gaguejar, a enfatizar especialmente determinada palavra; e se eu chegasse a me sentir, de vez em quando, encalhado num buraco por algo assim, tomaria o cuidado de ficar encalhado em algum lugar perto da cruz. Muitos homens receberam o poder de atrair as pessoas pela própria singularidade que parecia, forçosamente, prejudicar a sua utilidade. Todas as nossas enfermidades, sejam quais forem, não passam de oportunidades para Deus demonstrar em nós a sua obra graciosa.

Assim também será com todas as oposições que encontrarmos. Se realmente servirmos ao Senhor, certamente encontraremos dificuldades e oposições; mas não são outra coisa a não ser mais oportunidades para que as obras de Deus sejam manifestadas em nós.

No seu devido tempo, viremos a morrer, e na nossa morte a obra de Deus pode se manifestar. Fico imaginando com que tipo de morte glorificaremos a Deus. Não foi uma bela expressão de João, quando o Salvador falou de Pedro? Disse a Pedro que este morreria, mas João não o expressa assim. Diz: "O tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus" (Jó 21.19). Talvez fosse mediante uma longa enfermidade aterradora; alguns serão paulatinamente dissolvidos pela tuberculose. Pois bem, vocês glorificarão a Deus por ela. Aquelas faces pálidas, e aquela mão magra, através da qual a luz passará, pregarão muitos sermões no leito de enfermidade. Ou talvez você glorificará a Deus de alguma outra maneira. É possível que tenha de morrer com fortes lances de dor; mas então, se o Senhor animar você, e lhe der paciência, você glorificará a Deus por esse tipo de morte. Você encarará com calma a morte e não se queixará nem temerá. De qualquer maneira, você terá de morrer, a não ser que o próprio Senhor venha antes; e, bendito seja o seu nome, ele levará você para casa de uma maneira que, de um modo ou outro, glorificará o seu nome. Comecemos, portanto, a nos regozijar nisso mesmo agora.

Que Deus abençoe essas minhas palavras, e que muitas pessoas aqui sejam monumentos da graça soberana ilimitada de Deus; e a ele seja a glória para sempre! Amém.

A mentira do hedonismo - E. Lutzer


O que motivou Eva a desobedecer a Deus? É verdade que ela foi enganada, quando pensou que a serpente esclarecia as instruções de Deus; contudo, ela também se desviou devido a sua fascinação pelo fruto proibido:

"Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu" (Gn 3.6).

A intuição de Eva lhe disse: "Não pense, apenas sinta!" A verdade objetiva é fria e severa demais; as palavras de Deus não são tão importantes quanto a sensação certa. Desde que o mundo não pode ser compreendido racionalmente e o conhecimento que você tem não pode satisfazer inteiramente, siga seus sentimentos.

E assim nosso mundo aceita a filosofia de Woody Allen: "O coração quer o que deseja!" O que você crê não é importante; você deve simplesmente seguir o coração. Assim, os homens abandonam suas esposas para encontrar felicidade com outras mulheres e senhoras deixam os maridos para realizar seus sonhos. Já que você só vive uma vez, tem de "aproveitar", como as propagandas normalmente sugerem. Não é de se estranhar que cada um faz "o que é certo aos seus próprios olhos".

Embora a palavra hedonismo seja freqüentemente associada com o compromisso de alcançar o prazer sexual a qualquer custo, ela tem uma aplicação mais ampla em nossa sociedade. A doutrina de que o prazer ou a felicidade de alguém é seu bem mais elevado tem sido a faísca que tem acendido muitas labaredas de atitudes erradas.

Os filósofos têm tentado refrear o hedonismo quando dizem que devemos agir de maneira que maximizemos não só a nossa própria felicidade, mas também a da maioria. Essa racionalização tem somente justificado os erros mais inaceitáveis. Se Hitler acreditava que seis milhões de judeus atrapalhavam a felicidade de noventa milhões de alemães, tinha uma obrigação de garantir a felicidade da maioria. Que mentira!

DEUS, A SERPENTE E VOCÊ

Quando Satanás viu Eva comer o fruto e depois dar a seu marido, que estava a seu lado, ficou exultante. Qualquer dúvida que tivesse sobre sua decisão de se rebelar contra Deus por um momento foi esquecida. Ele conseguiu separar o homem do Criador; então parecia que Adão se uniria a Satanás. Tanto quanto ele sabia, toda a humanidade ficaria ao seu lado, na rebelião contra Deus. Se não podia ter todos os anjos, pelo menos teria todas as criaturas desse novo tipo, chamado ser humano. Ele estava totalmente seguro — e tinha razão — de que o pecado de Adão e Eva contaminaria seus descendentes.

Quando Deus chegou, na viração do dia, Adão e Eva não correram ao seu encontro; esconderam-se entre as árvores, cobertos com folhas de figueira. O interruptor havia sido desligado. Trevas envolveram suas consciên¬cias e eles eram incapazes de consertar isso.

Alguém me contou uma vez sobre uma mensagem pichada em um muro, que dizia: "Humpty Dumpty foi empurrado!!"

(Humpty Dumpty é o personagem de uma história infantil em forma de verso. De acordo com a história, o personagem tem a forma de um ovo e vive em um país distante, onde todos são muito felizes. O país é cercado por uma grande muralha. Envolvido pelos conselhos de um dragão perverso, que vive fora das muralhas, Humpty Dumpty resolve contrariar as leis do seu país. No final, ele sobe em cima da muralha e acaba caindo lá de cima).


Um lembrete de que as confusões que fazemos sempre são por culpa de outra pessoa! Quando Deus perguntou a Adão se tinha comido o fruto, ele se recusou a responder e lançou a culpa sobre a esposa: "A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gn 3.12). O erro, de acordo com Adão, está na mulher sem força de vontade que Deus criou para ele. Por favor, note que ele transferiu a culpa para ela, embora não houvesse a menor chance dele ter-se casa¬do com a mulher errada!

Adão e Eva, como aconteceu com Lúcifer antes deles, aprenderam que podemos ser capazes de empurrar Humpty Dumpty de cima do muro, mas não podemos colocá-lo de volta. Somente Deus pode restaurar a beleza de uma criatura danificada. Ou, colocando isso na linguagem de Humpty Dumpty, embora um homem possa escolher quebrar um ovo, nenhuma série de escolhas posteriores irá restaurar a casca quebrada!

Com relação a Deus, Ele não seria escarnecido. Ele tinha algumas palavras para a serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3.15).

Aqui temos a primeira menção do Evangelho no Antigo Testamento. Deus estaria envolvido no conflito. Independentemente de quão robusta a árvore das falsas religiões se tornaria, ela finalmente seria derrubada. O conflito seria intenso, mas, no final, Deus venceria. Ele faria o que Adão e Eva não podiam. Vários outros pontos precisam ser estabelecidos sobre a resposta do Todo-Poderoso diante da situação que se apresentou no Jardim do Éden.

1.      Deus torna a iniciativa na batalha. Ele diz: "Eu farei". Lúcifer havia dito "Eu farei", mas Deus também declara: "Eu farei". Duas vontades entrariam em conflito, numa tentativa de governar o mundo. Antes mesmo que o homem olhasse para Deus e buscasse ajuda, o Criador já prometeu ajudá-lo. Se havia uma confusão para ser arrumada, Deus faria isso. Ele iria restaurar a casca quebrada do ovo.

2.      A serpente seria esmagada por um mediador. Se a mulher foi enganada pela serpente, seria a semente da mulher que esmagaria a criatura maligna. Ela teria um filho que desferiria o golpe fatal. Sobre sua semente, Deus disse: "Ele lhe ferirá a cabeça" (v. 15).

3.      Essa vitória seria consumada por meio do sofrimento. Haveria libertação para a humanidade, mas não seria uma libertação fácil. Essa "inimizade" resultaria em um contraste de feridas. A semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente; por sua vez, a serpente seria capaz apenas de ferir o calcanhar do Redentor (v. 15). A diferença seria como aquela entre um soco no queixo e um tapinha nas costas.

Satanás não tinha como prever essa intervenção divina. Ele não sabia que Deus tomaria a iniciativa e reconciliaria a humanidade. Ele não sabia que essa seria sua própria condenação e queda. O conflito, que ele achava estar sob controle, foi tomado de suas mãos. A batalha não seria mais entre a serpente e o homem, mas muito mais feroz: entre Deus e a serpente.

Quanto maiores as mentiras, maior a punição. A serpente será punida não só por seu ato inicial de rebelião, mas por toda a desobediência subseqüente, que emanou dali. Ela perde cada vez que ganha. Não importa quanta confusão ela crie, pois Deus tem toda a eternidade para endireitar as coisas erradas. E Ele fará isso.

Os vidros estavam tombados e as tintas escorriam sobre a tela, mas Deus estava pronto a usar toda aquela confusão para pintar seu próprio quadro. A serpente via apenas o presente; o amanhã estava fora do alcance de sua visão. Deus via o quadro de forma totalmente diferente: era apenas o cumprimento da promessa de vida eterna, feita na eternidade.

A serpente não sabia que algum dia haveria um homem chamado John Newton, que seria tão vil, a ponto de desafiar os amigos a pensarem sobre algum pecado que ele ainda não tivesse cometido. Mesmo assim, ele foi redimido por Deus e escreveu:

Maravilhosa graça! Que doce som,
Que salvou um miserável como eu!
Eu uma vez estava perdido,
mas agora fui encontrado;
Estava cego, mas agora posso ver.
 
Quando estivermos lá por dez mil anos,
Luzes brilhantes como o sol,
Não teremos menos dias para cantar louvores a Deus
Do que quando primeiro começamos.

O Benefício dos Açoites de Deus – João Calvino


- Israel é tragado: agora, estarão eles entre os gentios como um vaso no qual não  há prazer. 8. Voratus est Israel, nunc erunt inter gentes quasi vas in quo non est oblectatio (hoc est, vas rejectitium, vel, contemptibile.)- Oséias 8.8

O profeta usa a mesma palavra que antes, quando falou da farinha, e diz que não somente a provisão de Israel será devorada, mas também o próprio povo; e ele reprocha os israelitas pelas próprias misérias, para que eles finalmente reconhecessem que Deus lhes era adverso. Pois o objetivo do Profeta era este — fazê-los sentir os próprios males, para que, por fim, humilhassem-se e aprendessem a, suplicantemente, rogar por perdão. Pois é grande sabedoria quando nos beneficiamos dos açoites de Deus a ponto de nossos pecados virem para diante de nossos olhos.

Em conseqüência, ele diz: Israel é devorado e está semelhante a um vaso rejeitado, precisamente entre os gentios, quando, todavia, aquele povo sobrepujava o resto do mundo, visto que o Senhor o elegera para si. Como era ele um povo peculiar, era superior a outras nações; e, então, foi reservado para este fim, para que nada tivesse em comum com os gentios. Mas ele diz agora que tal povo está disperso e, por toda parte, desprezado e rejeitado. Isso não podia ter acontecido se Deus não houvesse tirado sua proteção. Por essa razão, vemos que o Profeta tinha esta única coisa em vista — fazer os israelitas sentirem que Deus estava irado com eles.

O Perigo da falta de posicionamento no Cristianismo .


Por: J.C.Ryle

Os tempos exigem visões precisas e claras da doutrina cristã. Não posso negar a minha convicção de que a igreja nominal é tão prejudicada pela frouxidão e falta de clareza internamente, como pelos céticos e incrédulos externamente. Milhares de cristãos hoje parecem totalmente incapazes de distinguir coisas diferentes. Assim como os daltônicos com relação às cores, eles não conseguem diferençar o que é verdadeiro ou falso, o que convém ou não. Se o pregador for esperto, eloqüente e fervoroso, acham-no perfeito, por mais estranhos e heterodoxos que sejam os seus sermões. São aparentemente desprovidos de bom-senso espiritual e não conseguem identificar o erro. A única coisa categórica sobre eles é que desprezam a precisão [doutrinária] e acham que todas as visões extremas, radicais e taxativas são grandemente censuráveis e muito erradas!
Essas pessoas vivem no meio de uma neblina ou nevoeiro. Não veem as coisas com clareza nem sabem no que creem. Não têm nenhuma convicção sobre as grandes questões do evangelho e parecem estar satisfeitas com serem membros honorários de toda e qualquer linha de pensamento. Ainda que a vida delas estivesse em jogo, não poderiam lhe dizer o que consideram como verdade sobre justificação, regeneração, santificação, Ceia do Senhor, batismo, fé ou conversão, inspiração, ou o estado futuro. São consumidas pelo medo doentio da controvérsia e pelo desprezo ignorante ao espírito partidário; nada obstante não conseguem definir de fato o que querem dizer com tais expressões. E assim, vivendo sem clareza e por demais obscurecidos, deixam-se descer à sepultura sem consolo na própria fé e, temo eu, muitas vezes sem esperança.
Não é difícil achar a explicação para essa condição espiritual que não tem ossos, nervos, conteúdo. Para começar, com relação à fé, o coração do homem está naturalmente nas trevas — sem o mínimo senso intuitivo da verdade — e carece verdadeiramente de instrução e iluminação. Além disso, o coração natural da maioria dos homens odeia a diligência religiosa e despreza sinceramente a inquirição paciente e esforçada. Acima de tudo, o coração natural gosta geralmente de ser louvado pelos outros, esquiva-se da controvérsia e adora ser considerado caridoso e liberal. O resultado geral é que uma espécie de amplo “agnosticismo” religioso se ajusta a grande número de pessoas, especialmente às mais jovens. Elas contentam-se em descartar como lixo toda questão controversa e quando acusadas de indecisão, respondem: “Não tenho a pretensão de entender de controvérsias. Recuso-me a examinar questões polêmicas. Acho que, no fim das contas, é tudo a mesma coisa”. Quem não sabe que pessoas assim infestam e enxameiam todos os lugares?
Assim, rogo a todos que se protejam desse estado mental indeciso relativo à fé. Ele é a peste que se propaga nas trevas e a destruição que assola ao meio-dia; é uma disposição espiritual preguiçosa e indolente que, obviamente, livra o homem do trabalho de pensar e de investigar, para o qual, entretanto, não há fundamento na Bíblia. Por amor à sua alma, ouse decidir-se sobre o que crê e atreva-se a tomar posições bem-definidas e claras sobre a verdade e o erro. Nunca, nunca mesmo, tenha medo de defender opiniões doutrinárias nítidas nem deixe que o medo a homens ou o terror mórbido de ser considerado um espírito partidário, bitolado ou afeito à controvérsia lhe torne acomodado e satisfeito com um cristianismo desprovido de sangue, de ossos, de cor, de calor, não dogmático.
Tome nota do que eu digo. Se quiser fazer o bem nos dias de hoje, ponha realmente a indecisão de lado e assuma uma fé doutrinariamente clara e incisiva. Se você acreditar pouco, aqueles a quem você procura fazer o bem não acreditarão nada. As vitórias do cristianismo foram sempre alcançadas pela teologia doutrinariamente clara; por se falar abertamente aos homens da morte vicária e do sacrifício de Cristo, constrangendo-os a crerem no Salvador crucificado; por se pregar a ruída do pecado, a redenção por Cristo, a regeneração pelo Espírito; por se levantar a serpente de bronze; por se advertir para que olhem e vivam — para que creiam, se arrependam e sejam convertidos. Esse, exatamente esse, é o único ensinamento que Deus tem honrado com o sucesso ao longo dos séculos e ainda hoje está honrando, tanto em casa como no estrangeiro.
É a doutrina — a doutrina, a doutrina clara e vibrante que, semelhante às trombetas em Jericó, derruba a oposição do diabo e do pecado. Não importa o que alguns gostem de dizer nestes dias, apeguemo-nos a visões doutrinais claras e faremos bem a nós mesmos, aos outros e à causa de Cristo no mundo.
______________
FONTE: [ Monergismo ]
Tradução: Marcos Vasconcelos
Titulo original: O Perigo da Complacência Cristã
Via: [ Bispo J.C. Ryle ]

A adoração como um fim em si mesmo – John Piper


A adoração é um fim em si mesmo. Nós não nos banqueteamos com a adoração como um meio para chegar a alguma outra coisa. Se o que transforma o ritual externo em adoração autêntica é o despertamento dos afetos do coração, então a verdadeira adoração não pode ser apresentada como um meio para alguma outra experiência. Os sentimentos não funcionam assim. Autênticos sentimentos do coração não podem ser fabricados como degraus para alguma outra coisa.

Por exemplo: meu cunhado fez-me um interurbano em 1974 para dizer-me que minha mãe acabara de morrer. Lembro de sua voz entrecortada, quando tomei o fone da minha esposa: "Johnny, meu amigo, aqui é Bob. Tenho más notícias... Sua mãe e seu pai tiveram um sério acidente de ônibus. Sua mãe não resistiu, e seu pai está muito ferido".

Uma coisa é certa: quando recebo uma notícia como essa, eu não sento e digo: "E agora, com que finalidade devo sentir tristeza?" Ao levantar meu filhinho do colo e passá-lo à minha esposa, para andar até o quarto e ficar sozinho, eu não digo: "Que bom propósito posso alcançar se eu chorar pela próxima meia hora?" O sentimento de tristeza é um fim em si mesmo no que concerne à minha motivação consciente.

Ele surge espontaneamente. Não foi feito para chegar a alguma outra coisa. Não é fruto da vontade consciente. Não segue a uma decisão. Ele vem lá do fundo, de um lugar sob a vontade consciente. Sem dúvida ele terá muitos subprodutos — bons, em sua maioria. Mas estes estão totalmente fora de cogitação, quando eu me ajoelho ao lado da minha cama e choro. O sentimento está ali, jorrando do meu coração. E ele tem um fim em si mesmo.

A tristeza não é o único exemplo. Se você está boiando em um bote inflável já há três dias, sem água para beber, depois de um naufrágio no mar, e aparece um ponto de terra no horizonte, você não diz: "Com que finalidade devo sentir desejo por essa terra? Que bom propósito deve levar-me a decidir sentir esperança?" Mesmo que o anseio em seu coração lhe dê força renovada para chegar à terra, você não realiza o ato de desejo, esperança e anseio para chegar lá.

O anseio jorra do fundo do seu coração por causa do tremendo valor da água (e da vida!) daquela terra. Não é planejado e realizado (como a compra de uma passagem aérea) como meio de obter o que desejamos. Ele brota espontaneamente no coração. Não é uma decisão tomada a fim de — nada! Como sentimento genuíno do coração, ele é um fim em si mesmo.

Ou pense no medo. Se você está acampando nas proximidades de um parque nacional, e acorda no meio da noite com um rosnar lá fora, e vê à luz do luar a silhueta de uma enorme onça vindo em direção à sua barraca, você não diz: "Com que propósito devo sentir medo?" Você não avalia os bons resultados que podem advir da adrenalina que o medo produz, e depois decide que o medo pode ser uma emoção apropriada e proveitosa. Ele surge e pronto!

Parado à beira do Grand Canyon pela primeira vez, olhando o sol se pôr, a enviar a escuridão para as camadas geológicas do tempo, você não diz: "Com que propósito devo ficar impressionado e maravilhado com tanta beleza?"

Quando uma criança pequena, no dia de Natal, abre seu primeiro presente e encontra seus patins "favoritos" que queria há meses, ela não pensa: "Com que objetivo devo sentir-me feliz e agradecida?" Dizemos que alguém é ingrato quando palavras de gratidão são ditas por obrigação em vez de saírem espontaneamente do coração.

Uma criança de cinco anos que vai pela primeira vez ao jardim de infância e é cercada por alguns meninos do segundo ano, não "decide" sentir a confiança e o amor brotar em seu pequeno coração com a aproximação do seu irmão maior que está no quarto ano. Ela simplesmente sente.

Toda emoção genuína é um fim em si mesma. Ela não é causada conscientemente como meio de chegar a outra coisa. Isso não quer dizer que não possamos nem devamos procurar ter certos sentimentos. Devemos e podemos. Podemos nos colocar em situações em que os sentimentos podem ser cultivados mais prontamente. Podemos até prezar alguns resultados desses sentimentos, assim como os próprios sentimentos. Mas no momento da emoção autêntica, todo cálculo desaparece. Somos transportados (talvez apenas por alguns segundos) para acima do nível de raciocínio da mente, para experimentar o sentimento sem referência a implicações lógicas ou práticas.

Isso é o que impede a adoração de ser "em vão". A adoração é autêntica quando surgem afetos por Deus no coração como um fim em si mesmos. Na adoração, Deus é a voz temida no telefone. Deus é a o ponto de terra no horizonte. Deus é a onça e o pôr-do-sol e os patins "favoritos" e a mãe que os deu e o irmão grande e forte do quarto ano.

Quando a realidade de Deus nos é apresentada em sua Palavra ou em seu mundo, e nós não sentimos em nosso coração nenhuma tristeza, anseio, esperança, medo, reverência, alegria, gratidão ou confiança, então podemos cantar, orar, recitar e gesticular conforme o figurino o quanto quisermos, mas isso não será adoração de verdade. Não podemos honrar a Deus se nosso coração "está longe dele".

Adoração é uma maneira de refletir alegremente de volta para Deus o brilho do seu valor. Isso não pode ser feito por meros atos devidos. Pode ser feito apenas quando afetos espontâneos brotam no coração.

Capítulo 13 A Graça de Deus - I

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Cada crente deve ser agradecido a Deus. A salvação é pela graça, tanto no planejar quanto no executar. Deus que fez o plano, também o executa. E tudo é pela graça, o favor imerecido de Deus. Deus é o arquiteto e também o construtor da casa feita de pedras vivas. Cristo disse: "Eu edificarei a minha igreja". Se pudermos mudar a figura de linguagem; Deus prepara a mesa e nos dá o apetite para dela comermos do pão da vida. O Espírito Santo enche a casa do Pai convidando-os a entrar. Esta coerção não é externa, de modo a não interferir no livre arbítrio do homem, mas uma compulsão interna pela qual o pecador se torna disposto. E esta prontidão é resultado da convicção dos seus pecados pelo Espírito Santo, e uma revelação de Cristo, no pecador, como Senhor e Salvador. Em outras palavras os homens crêem pela graça. Quando Apolo chegou a Acaia, trazendo cartas de recomendação aos apóstolos, diz-se que "aproveitou muito aos que pela graça criam". Atos 18:27.
Um homem, certa vez, referiu-se a si mesmo como tendo sido feito por si próprio. Um ouvinte comentou: "É bom que confesse tal fato. A maioria acusaria sua a má sorte, ou a sua esposa, ou mesmo o criador". É fácil e natural, o homem louvar-se a si mesmo. Mas todo crente é produto da graça. Paulo, como crente, alegrava-se em dizer: "Mas pela graça de Deus sou o que sou". 1 Coríntios 15:10. Numa obra de graça, o Espírito Santo, pelo poder de convicção das Escrituras, dá ao pecador uma visão de si mesmo, e em seguida, livra o pecador da frustração resultante, ao lhe dar uma visão de Cristo, através da luz do evangelho. Um velho Puritano certa vez clamou: "Ó, onde estaria eu, se não tivesse olhado para Cristo?"
DEFINIÇÕES DE GRAÇA
A palavra grega "charis" aparece na Bíblia (Novo Testamento) mais de cento e cinqüenta vezes e é geralmente traduzida como "graça" em nossa Bíblia. Não é fácil pegar uma palavra que aparece tantas vezes e com tanta diversidade de aplicações e desenvolver uma doutrina uniforme e constante. Além disso, toda a verdade sobre o assunto nunca poderá ser condensada em uma só frase. Graça é um dos atributos divinos ou perfeições de Deus em Sua natureza, que é exercida na salvação de pecadores. Grandes e bons homens já batalharam com a verdade da "graça", tentando defini-la e descrevê-la. Que possamos agora meditar no que alguns disseram:
Dr. Dal: "Graça é amor que ultrapassa todos os limites de amor". Graça não é algo que se deve ao pecador, mas é algo que ele recebe; não é algo que ele pode reivindicar.
Alexandre Whyte: "Graça e amor são essencialmente o mesmo, sendo que graça é o amor se manifestando e operando em certas condições, e adaptando-se a certas circunstâncias. O amor não tem limite nem lei como tem a graça. O amor pode existir entre iguais, ou pode ir até aos que estão acima de nós, ou descer aos que estão abaixo de nós. Mas a graça, por sua natureza, só conhece uma direção. Ela desce aos que estão abaixo; é amor de verdade, mas amor às criaturas, portanto humilhando-se. O amor de um rei por seus iguais ou pelos outros do palácio real é amor. Mas seu amor aos súditos é graça. É por este motivo que o amor de Deus é chamado de graça". Esta citação merece ser relida várias vezes.
Alexandre Maclaren: "A palavra graça é um tipo de sumário da totalidade de bênçãos imerecidas que vêm ao homem através de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, ela descreve o que nós chamamos de "disposição" na natureza divina; e ela indica um amor perdoador de Deus, imerecido, espontâneo, eterno e que chega ao nível do homem. Todas as disposições de Deus são ativas. Portanto a palavra passa de uma disposição a uma manifestação, fazendo da graça de Deus um amor ativo. Desde que as atividades de Deus nunca são infrutíferas, a palavra passa a significar todas as coisas abençoadas da alma que são conseqüências da mão condescendente de Deus que produz frutos em nossa vida por Seu amor imerecido e gratuito". Estude esta citação para entendê-la.
Phillips: "Graça é algo em Deus que está no coração de todas as Suas atividades de redenção, Seu rebaixar-se e estender de Sua mão das alturas de sua majestade, para tocar o insignificante e a miséria".
Em análise destas definições e descrições do que é graça, encontramos que a palavra é aplicada a três coisas nas Escrituras. A primeira: a atitude de Deus ou Sua disposição de amor e favor ao pecador, é graça. A Bíblia diz que Noé achou graça aos olhos de Deus. A atitude de Deus para com ele era uma disposição de favor e amor, e sendo Noé pecador, esta disposição foi graça. A segunda: quando Deus faz algo de bem pelo pecador, isto é graça. "Pela graça sois salvos". A terceira coisa é que os efeitos ou frutos da graça dada ao crente são também chamados de graça. As graças ou virtudes do salvo são produtos da graça de Deus operando nele. A disposição dos macedônios de ofertarem com liberalidade é chamado de "graça", (2 Coríntios 8:1); e o dinheiro dado aos santos pobres de Jerusalém é também chamado de graça, (2 Coríntios 8:19). A vida transformada do povo que Barnabé viu em Antioquia é chamada de graça de Deus. Atos 11:23.
"Graça! Que som admirável, harmonioso para escutar; os ecos a ressoam no céu e toda terra o ouvirá".
COMO MELHOR COMPREENDER A GRAÇA
Talvez o melhor sistema de compreensão do que é graça, é ver como ela se contrasta com outras coisas na Bíblia:
1. Ela se diferencia da lei em sua origem e natureza. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo". João 1:17. Moisés era a voz da lei; Cristo era o porta-voz da graça. É a natureza da lei fazer demandas; é a natureza da graça outorgar bênçãos. A lei é um ministério de condenação; a graça é um ministério de perdão. A lei coloca o homem a uma distância de culpa do Senhor; a graça traz o homem para perto de Deus. A lei condena o melhor dos homens; a graça salva o pior dos homens. A lei diz: "Faça e viverás"; a graça diz: "Crê e viverás". A lei exige perfeição; a graça providencia a perfeição. A lei condena; a graça liberta da condenação. Enquanto o homem estiver debaixo da lei, ele está perdido. O único modo para o homem escapar do jugo da lei é pela fé em Jesus Cristo, "Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que nele crê". Romanos 10:4. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça". Romanos 6:14.
2. A graça se contrasta com o pecado em seu domínio. O pecado reina para a morte; mas a graça para a vida eterna. Romanos 5:21. O pecado recebe seu poder de condenação através da lei 1 Coríntios 15:36; mas a graça rouba do pecado este seu poder ao entregar Cristo para a satisfação da lei. 1 Coríntios 15:57. A única e verdadeira fonte de perigo é a lei violada; o único meio de verdadeiro escape é a lei satisfeita. Cristo satisfez a lei por Seu povo, para que a lei pudesse ser satisfeita com eles.
3. A graça se contrasta com as obras na salvação dos pecadores. "Pois pela graça sois salvos por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie". Efésios 2:8-9. A salvação é pela graça do Criador em lugar das obras da criatura. A salvação pela graça exclui a possibilidade de obras, sejam elas grandes ou pequenas, morais ou cerimoniais. A salvação pela graça não dá ocasião para o homem se gloriar. Toda gloria é dada a Deus.
"A graça planejou salvar o ser humano. A graça efetuou cada passo do plano".
4. A graça se contrasta com dívida quanto a causa da salvação. "Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça". Romanos 4:4-5. O pensamento aqui é que o homem que recebe o salário pelas suas obras, não recebe da dádiva da graça, mas recebe do que lhe é devido. Não existe graça onde o homem recebe por causa do que merece ou ganha. Graça exclui a noção de débito ou obrigação. A salvação pela graça implica que Deus não é obrigado a salvar. Se existe uma obrigação da parte de Deus para com o homem, não seria a graça a causa da salvação. Foi pela graça de Deus não por obrigação alguma que Ele salvou o pecador. Toplady disse bem: "O caminho ao céu não é uma estrada de pedágio, mas uma estrada livre, pela graça imerecida de Deus em Cristo Jesus. A graça nos encontra como pobres mendigos e nos deixa como devedores".
"Como as montanhas elevam-se sobre os vales, assim a graça excede aos nossos mais altos pensamentos".
A GRAÇA NA TRINDADE
Todas as três pessoas da Trindade são igualmente graciosas para com o pecador. A graça do Pai, do Filho e do Espírito é igual em sua extensão, mas é distinta em operação e administração.
1. O Pai é a fonte de toda graça. Ele propôs o fato e o plano da graça. Ele formulou o concerto de graça e preparou um meio pelo qual "os pecadores banidos da presença dEle, não fossem expulsos dEle". Ele fez a escolha, pela graça, de quem seriam os beneficiados por Sua graça, e na plenitude dos tempos mandou Seu Filho ao mundo para servir como mediador da graça.
2. O Filho eterno é o canal de graça. O único meio pelo qual a graça de Deus pode atingir o pecador é através de nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que rejeita a graça de Deus jamais deve se considerar como beneficiário da graça de Deus! Sua obra reconciliou graça e justiça, como está escrito: "A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram". Salmo 85:10.
João Bunyan, bem-aventuradamente perdido na contemplação da incomparável graça do Filho de Deus, exclamou: "Ó Filho do Bendito! A graça Te tirou de Tua glória; a graça Te trouxe para a terra; a graça fez com que tomasses sobre Ti o peso de nossos pecados, peso inexplicável de maldição; a graça se encontrava em Teu coração; a graça sangrou de Teu lado ferido; a graça estava em Tuas lágrimas; a graça se achava em Tuas orações; a graça se derramou de Tua fronte coroada de espinhos! A graça se apresentou com os cravos nas mãos e os espinhos na fronte! Ó, aqui estão as insondáveis riquezas da graça! Graça para alegrar o pecador! Graça para a admiração dos anjos! Graça para atemorizar os demônios!
3. O Espírito Santo é o administrador da graça. Sem a graciosa operação do Espírito Santo na conversão do pecador, nenhum pecador seria beneficiado pela graça. O Espírito toma o que é de Cristo e o dá ao pecador. Ele desperta todas as almas escolhidas por Deus, e conduz a Cristo todas as ovelhas pelas quais o Bom Pastor dera Sua vida. João 10:11. Ele conquista o mais endurecido dos corações, e limpa a lepra mais imunda do pecado. Ele abre os olhos cegos pelo pecado e os ouvidos fechados por Satanás. O Espírito Santo revela a graça do Pai e aplica a graça do Filho.
"Podemos escutar a verdade do púlpito, mas aplicação da verdade é a obra de Deus".

Autor: C. D. Cole
Revisão 2004: David A Zuhars Jr

O Que a Bíblia Diz? Como podemos fazer tudo em nome do Senhor Jesus?

http://www.adorai.blogger.com.br/levantate.jpg

Em Colossenses 3:17, Paulo diz: "E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." Esse versículo ensina um princípio importantíssimo: devemos sempre agir de acordo com a autorização de Jesus.
Mas, muitas pessoas usam o nome de Jesus livremente, como se fosse uma palavra mágica. Pensam elas que a simples invocação do nome de Cristo garante os resultados que querem. Gritam o nome de Jesus para expulsar demônios, enquanto ensinam doutrinas que negam a palavra dele. Colocam o nome de Jesus em suas "grandes obras", eventos sociais e festas musicais, mas não praticam as coisas que ele ensina. Não honramos o Senhor usando seu nome para descrever coisas que ele nunca autorizou. Exemplos bíblicos mostram que tal abuso do nome do Senhor não é a vontade de Deus.
Os sete filhos de Ceva aprenderam essa lição de um modo dramático (Atos 19:13-17). Outras pessoas, até hoje, continuam usando o nome de Jesus de maneira errada e serão surpreendidas no juízo final.
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicita-mente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade" (Mateus 7:21-23).
Uma ilustração do dia-a-dia nos ajuda a entender um outro abuso do nome de Jesus. Imagine que alguém vai ao banco para sacar dinheiro da minha conta. "Em nome do Dennis, eu peço esse dinheiro", ele fala. O funcionário do banco pedirá autorização, por escrito, com a minha assinatura (cheque assinado, ou talvez uma carta em três vias autenticadas no cartório). "Ele não mandou nada disso," a pessoa continua, "mas eu sei que o Dennis vai ficar contente com este saque." Espere aí! O funcionário vai recusar o pedido, porque não tem prova que esta pessoa está agindo em meu nome. Ainda bem!
Mas muitas igrejas estão usando o nome de Jesus para descrever atividades e obras que ele nunca autorizou. Nós, como servos do Senhor, temos todo motivo para perguntar: "Onde está a autorização de Jesus para fazer tal coisa?" Muitos respondem: "Ele não a mandou, mas eu sei que Jesus vai ficar contente com esta obra." Espere aí! Devemos rejeitar a atividade. Vem do homem, não do Senhor.
Mostramos amor e respeito pelo Senhor quando respeitamos a palavra dele (1 Coríntios 4:6; 2 João 9).

-por Dennis Allan

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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