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25 de mai. de 2010

[NÃO DESPERDICE SEU 2010] John Piper - Um Apelo de Ano Novo: Planeje!

1.1.10 | Postado por: (-V-)
ohn Piper - Um Apelo de Ano Novo: Planeje!
31 de Dezembro de 1984
por John Piper

Planejamento das Necessidades Físicas

Suponha que venha à sua mente o pensamento de que você quer construir uma casa. Você se senta e faz uma lista com todos os materiais que acha que irá precisar. Então você pede que eles sejam entregues no lote onde irá construir. Tudo é empilhado no centro do lote, e no dia seguinte a escavadeira vem cavar o alicerce e tudo está no caminho. Tudo está justamente onde ela tem que cavar.

Por quê?

Uma falha de planejamento.

Sem um planejamento rudimentar provavelmente você não terá nada para comer quando se levantar de manhã. E sem um planejamento detalhado, ninguém pode construir uma casa, muito menos um arranha-céu, um shopping center ou uma cidade. Se fornecer abrigo, alimentação, vestuário e transporte é valioso, então o planejamento é valioso. Mas os mais simples impulsos nada realizam sem alguma previsão a que nós chamamos de plano.

Planejamento das Necessidades Espirituais

Todos nós sabemos e praticamos isso em relação às necessidades físicas básicas da vida. Tomamos medidas para assegurar que temos o suficiente para comer e roupas para nos manter aquecidos. Mas nós levamos nossas necessidades espirituais tão a sério? Aplicamos a mesma seriedade que temos em planejar ganhar a vida, no planejamento para maximizar o nosso ministério?

O que eu gostaria de fazer aqui é tentar persuadi-lo a reservar um tempo a cada semana do próximo ano para planejar, e planejar especificamente sua vida de oração, devoção e ministério. A escavadeira do Espírito de Deus muitas vezes entra na cena do nosso coração pronta para começar uma grande obra de construção, e ela descobre que, devido ao mau planejamento, existem pilhas de coisas desordenadas em seu caminho. Nós não estamos prontos para ela.

A maneira pela qual eu espero motivá-lo a fazer isso é dar a você quatro exemplos de planejamento na Bíblia. Primeiramente, algumas ilustrações de Provérbios; segundo, o planejamento do apóstolo Paulo; terceiro, o planejamento de Deus; e quarto, o planejamento de Jesus.

Ilustrações de Provérbios

Provérbios 6:6-8: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento.”


A formiga é um exemplo não só porque ela trabalha tão duro, mas também porque ela planeja pensando no futuro. Ela pensa no verão sobre a necessidade que haverá no inverno, e essa previsão fornece as suas necessidades no inverno.

Provérbios 14:15: “O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.”

A diferença entre planejar e não planejar é esta: você olha para onde está indo no futuro, ou você concentra toda sua atenção sobre o que está imediatamente à sua frente? Se você não é um planejador, estará à mercê de outras pessoas que tentam te dar conselhos sobre como agir agora, de modo a ser feliz no futuro.

Então, “o simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos”. O prudente considera os dias que virão e o que está trazendo, e pensa sobre a melhor forma de se preparar para eles e usá-los para realizar seus propósitos.

Provérbios 15:22: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito.”

Aqui a sabedoria do planejamento é tomada como certa, e o escritor simplesmente nos aconselha sobre como fazer planos bem-sucedidos. Ele diz: Não seja tão independente a ponto de se achar superior ao conselheiro. Leia a sabedoria dos outros que vieram antes de você. Converse com pessoas experientes e sábias. Preste atenção ao modo como os outros fazem as coisas e aprenda com seus erros e acertos.

Provérbios 16:3: “Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.”

Novamente o planejamento é tomado como certo e a questão é: Como você pode planejar de modo que o que fizer tenha valor permanente e não apenas desvaneça à noite? Resposta: Entregue isso ao Senhor. Ou seja, busque sempre a direção e a força do Senhor em seu planejamento. Confie na sabedoria Dele e não na sua própria. Então seus planos darão frutos permanentes.

Provérbios 24:27: “Cuida dos teus negócios lá fora, apronta a lavoura no campo e, depois, edifica a tua casa.”

Provavelmente isso significa que é importante ser capaz de sustentar a si próprio através da produtividade do campo antes de você estabelecer o seu próprio lar. Talvez diríamos a um jovem, hoje: encontre um emprego antes de se casar. Ou, pelo menos, planeje como você irá sustentar o novo lar que você está estabelecendo.

Provérbios 31:15-16: “É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho.”

Aqui, a dona de casa modelo é uma planejadora modelo de duas maneiras. Ela se levanta cedo e atribui tarefas às suas servas. Você não pode atribuir tarefas às suas servas, se você não tem nenhum plano sobre o que você gostaria que fosse realizado naquele dia. E ela examina uma propriedade e adquire-a. O que ela leva em consideração? Ela considera como isso se encaixará no plano do lar.

Conclusão dos Provérbios: O planejamento cuidadoso é parte do que torna uma pessoa sábia e produtiva. Não planejar é considerado insensato e perigoso. Isso é verdade mesmo quando Provérbios ensina que nós não sabemos o que o futuro pode trazer. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9). O fato de que, em última instância, o Senhor está no controle do futuro não significa que não devemos planejar. Significa que devemos entregar o nosso trabalho ao Senhor e confiar Nele, para que Ele estabeleça nossos planos de acordo com Seus propósitos amorosos.

O Planejamento do Apóstolo Paulo

Vamos dar apenas um exemplo do planejamento de Paulo entre os muitos que poderíamos retirar de Atos e de suas cartas. Romanos 15:20-28:

“Esforçando-me (isto é, planejando), deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio... Mas, agora, não tendo já campo de atividade nestas regiões e desejando há muito visitar-vos, penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia. Mas, agora, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos... Tendo, pois, concluído isto e havendo-lhes consignado este fruto, passando por vós, irei à Espanha.”

Aqui está um exemplo típico de como o apóstolo Paulo cumpriu sua missão. E eu acho que devemos aprender com ele que o planejamento é essencial para um ministério produtivo. E estou falando tanto do seu ministério pessoal, quanto do mais complexo organismo dos ministérios da igreja. Paulo foi o maior plantador de igrejas que já viveu. Ele conseguiu mais em sua vida para a propagação do reino de Cristo do que qualquer outra pessoa. Então, eu acho que faríamos bem em levar a sério o seu método. Parte de seu método era o seu planejamento.

Ele tinha uma diretriz geral: ele queria pregar onde ninguém havia pregado antes. Então, ele desenvolveu um plano específico a partir dessa diretriz: ele levaria ajuda a Jerusalém e, em seguida, iria para Roma, para estabelecer uma base ocidental, da qual iria, então, para a Espanha.

O que torna isto especialmente significativo é que, tanto quanto sabemos, o plano falhou. Ele foi preso em Jerusalém. Ele foi para Roma como prisioneiro e, provavelmente, nunca chegou à Espanha. É exatamente como vimos em Provérbios. Deus é aquele que, afinal, faz o futuro. Mas nós planejamos, apesar disso. Deus usa nosso planejamento mesmo se Ele abortá-lo.

Por exemplo, se Paulo não tivesse planejado usar Roma como uma base de operações para viajar à Espanha, ele provavelmente nunca teria escrito a maior carta que o mundo já conheceu: a Epístola aos Romanos. Planejamento é fundamental na vida e no ministério cristão, mesmo quando Deus anula o nosso planejamento.

O Planejamento de Deus
A razão fundamental para o planejamento é que Deus é um Deus que planeja, e nós fomos criados à sua imagem para exercer domínio sobre a terra sob Seu senhorio.

Eu não acho que é possível conceber um deus que não age de acordo com seu próprio planejamento eterno, isto é, um deus que responde automaticamente a estímulos, ao invés de tomar ações deliberadas que se encaixam em um sábio propósito.

Isaías 46:9-10: “Eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.”

Efésios 1:9-10: “desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra.”

Atos 2:23: “sendo este [Jesus] entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus.”

Uma vez que Deus é um Deus que faz todas as coisas segundo um plano, isso nos beneficia a nos aproximarmos das coisas mais importantes da vida com prudência e planejamento, não acidentalmente.

O Planejamento de Jesus

Jesus tinha uma missão a cumprir, e ele a terminou com prudência e planejamento.

Quando sua mãe o incentivou a fazer um milagre nas bodas de Caná, ele disse: "Ainda não é chegada a minha hora" (João 2:4). Havia uma hora planejada e designada para a revelação do seu poder. Ele ficaria com o plano. Lucas 9:51 diz: "Ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém." Ele sabia que o plano significava a morte em Jerusalém, e ele não recuou do plano.

Mas ele não foi levado contra sua vontade. O plano do Pai era seu plano. Ele disse em João 10:18: "Ninguém tira [minha vida] de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai."

Conclusão:

Muito especificamente, o meu apelo a você neste novo ano é que você gaste tempo para planejar as coisas mais importantes da sua vida.

Planeje as Coisas Mais Importantes da Sua Vida

Planeje como você irá passar o tempo com seu cônjuge para aprofundar e fortalecer o relacionamento. Planeje como você irá passar o tempo brincando com as crianças e ensinando-as. Planeje como você irá praticar a quantidade de exercício que você precisa para se manter saudável. Planeje como você irá dormir o suficiente. Planeje quanto você deve comer e como você irá impor limites a si mesmo. Planeje suas férias para que elas realmente proporcionem descanso e renovação espiritual.

E o mais importante, planeje como a oração e a meditação na Palavra serão partes importantes da sua vida. Sem um plano estas coisas mais importantes são sempre afastadas por pressões urgentes.

Faça do Planejamento Algo Habitual em Sua Vida

Mas isso não vai funcionar apenas para planejar algo esta noite ou amanhã. O planejamento deve ser uma parte habitual da sua vida. Espero que a equipe pastoral em Bethlehem gaste um dia inteiro em cada mês longe do escritório da igreja apenas para orar e planejar seu ministério, além do tempo que eu espero que todos nós estejamos tendo a cada semana para planejar o nosso trabalho semanal.

Então, o meu apelo é para que você reserve tempo a cada semana para planejar, especialmente para planejar a sua vida de oração e de estudo bíblico. Por exemplo, já que domingo é o primeiro dia da semana (e não o último dia do fim de semana!) e pertence ao Senhor, tome dez ou quinze minutos a cada domingo e pense sobre quando você vai orar e o que você vai estudar na semana. Pense um pouco sobre como Deus pode querer te usar na semana de uma maneira especial. Planeje as cartas que você precisa escrever, os versículos bíblicos que pretende ensinar aos seus filhos, a visita que você quer fazer, o livro que deseja ler, o vizinho com quem você quer conversar, etc.

Provérbios nos ensina a planejar. O maior missionário que já viveu era um planejador. Deus é um Deus que faz todas as coisas de acordo com um plano. E Jesus manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém por causa do maior plano de amor já feito.

Ele planejou para a nossa alegria; nós devemos planejar para Sua glória.

© Desiring God
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que não altere o texto de nenhuma maneira e não cobre uma taxa além do custo de reprodução. Para postagens na web, um link para este documento em nosso site é o preferido. Todas as exceções ao que foi exposto acima devem ser aprovadas por Desiring God.

Por favor, inclua a seguinte declaração em qualquer cópia distribuída: Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org

Obs: Todas as referências bíblicas em português são da Edição Almeida Revista e Atualizada. Em alguns trechos do artigo, quando Piper faz citações livres do texto bíblico, procurou-se traduzir o que Piper disse usando também a tradução Edição Almeida Revista e Atualizada.

Traduzido por: Equipe Voltemos ao Evangelho

John Piper - Um Apelo de Ano Novo - Planeje!                                                                      

[NÃO DESPERDICE SEU 2010] John Piper - 10 Resoluções para a Saúde Mental

2.1.10 | Postado por: (-V-)
31 de Dezembro de 2007
por John Piper

Em 22 de outubro de 1976, Clyde Kilby, que agora está no céu, com Cristo, deu uma palestra inesquecível. Eu fui para ouvi-lo naquela noite, pois eu o amava. Ele foi um de meus professores de Literatura Inglesa, no Wheaton College. Ele abriu meus olhos para mais da vida do que eu sabia que poderia ser visto.

Oh, que olhos ele tinha! Ele era como seu herói, C.S. Lewis, neste quesito. Quando ele falou sobre a árvore que viu no caminho para a aula, esta manhã, você se questiona por que tem sido, por toda sua vida, tão cego. Desde aqueles dias, nas aulas com Clyde Kilby, Salmos 19:1 tem sido central de minha vida: “Os céus declaram a glória de Deus”.

Naquela noite, Dr. Kilby tinha um coração pastoral e um olho de poeta. Ele suplicou a nós que parássemos de buscar saúde mental no espelho da auto-análise, mas ao invés disso, bebêssemos dos remédios de Deus na natureza.

Ele não era ingênuo. Ele conhecia sobre o pecado. Ele conhecia a necessidade da redenção em Cristo. Mas ele teria dito que Cristo comprou novos olhos para nós, bem como novos corações. Sua súplica foi para que deixássemos de ser apáticos à estranha glória de coisas ordinárias.

Ele terminou sua palestra em 1976 com uma lista de resoluções. Como um tributo ao meu professor e uma bênção à sua alma, eu as ofereço para sua alegria.

1. Ao menos uma vez por dia eu devo olhar firmemente ao céu e me lembrar que eu, um consciente com uma consciência, estou em um planeta, viajando no espaço, com coisas maravilhosamente misteriosas sobre mim.

2. Ao invés da habitual idéia de uma negligente e interminável mudança evolutiva à qual nunca podemos adicionar ou subtrair algo, eu devo supor que o universo é guiado por uma Inteligência que, como disse Aristóteles em um teatro grego, requer um começo, um meio e um fim.Eu acho que isso me salvará do cinismo expresso por Bertrand Russel antes de sua morte, quando ele disse: “Há escuridão lá fora, e quando eu morrer haverá escuridão aqui dentro. Não há esplendor, nem vastidão em lugar algum, apenas trivialidade por um momento, e então nada.”

3. Eu não devo cair no engano de que esse dia, ou qualquer outro dia, é meramente outras ambíguas e enfadonhas 24 horas, mas sim um evento único, cheio, se eu assim desejar, com possibilidades dignas.
Eu não devo ser tolo o bastante para supor que problemas e dores são todos maus parênteses em minha existência, mas apenas possíveis escadas para serem subidas rumo à maturidade moral e espiritual.

4. Eu não devo tornar minha vida uma linha fina e estreita que prefere a abstração à realidade. Eu devo saber o que estou fazendo ao abstrair, o que com certeza eu deverei freqüentemente fazer.

5. Eu não devo rebaixar minha própria singularidade por inveja a outros. Eu devo parar de chatear-me a fim de descobrir a quais categorias psicológicas ou sociais eu devo pertencer. Sobretudo, eu devo simplesmente esquecer sobre mim mesmo e fazer meu trabalho.

6. Eu devo abrir meus olhos e ouvidos. Uma vez por dia eu devo simplesmente olhar para uma árvore, uma flor, uma nuvem, ou uma pessoa. Eu não devo então estar totalmente preocupado em perguntar o que eles são, mas simplesmente estar satisfeito pelo que são. Eu devo alegremente permiti-los o mistério, do qual Lewis chama de sua “divina, mágica, terrível e extática” existência.

7. Eu devo, às vezes, recordar-me do frescor de visão que tinha na infância e tentar, ao menos por um pequeno instante, ser, nas palavras de Lewis Carroll, a “criança de sobrancelhas puras e límpidas, e olhos sonhadores de admiração”.

8. Eu devo seguir o conselho de Darwin e me voltar freqüentemente às coisas imaginárias, como uma boa literatura e boa música, preferencialmente, como sugeriu Lewis, um velho livro e música atemporal.

9. Eu não devo permitir à diabólica correria deste século usurpar todas as minhas energias, mas ao invés disso, como sugeriu Charles Williams, “realizar o momento como o momento.” Eu devo tentar viver bem só o agora, pois o único tempo que existe é o agora.

10. Mesmo que eu venha a estar errado, devo apostar minha vida na hipótese de que este mundo não é estúpido, nem é conduzido por um proprietário de terras ausente, mas que hoje, neste mesmo dia, algum curso está sendo adicionado ao toldo cósmico, que, no devido tempo, eu entenderei com alegria, como um curso feito pelo arquiteto que chama a si mesmo Alfa e Ômega.
© Desiring God
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Fonte: 10 Resolutions for Mental Health

Traduzido por: Voltemos ao Evangelho
John Piper - 10 Resoluções para a Saúde Mental                                                                      

C. J. Mahaney - Humildade, Verdadeira Grandeza

A humildade atrai a atenção de Deus. Em Isaías 66.2 lemos as seguintes palavras do Senhor:
O homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.
Esta profunda passagem nos direciona a uma motivação e a um propósito totalmente diferente a respeito da humildade. Uma motivação e um propósito que jamais encontraremos nas páginas de um manual de negócios. Nessa passagem, encontramos motivação e propósito alicerçados no impressionante fato de que a humildade atrai o olhar de nosso Soberano Deus.

Se entendermos as circunstâncias em que esta passagem foi escrita, encontraremos um significado ainda mais rico. Aqui, Deus se dirige aos israelitas, um povo com uma identidade única. Escolhidos por Deus, dentre todas as nações da terra, eles possuíam tanto o templo quanto a Torá – a Lei de Deus. Mas, não tremeram da palavra de Deus. Em certo sentido, eles tinham tudo a seu favor, exceto o mais importante. Eles não eram humildes diante de Deus.

Então, nessa passagem, Deus, em sua misericórdia, tira a atenção dos israelitas da orgulhosa suposição de serem privilegiados como escolhidos de Deus, e da preocupação que eles tinham com os adornos da religião. Estas coisas não atraem seu olhar ativo e gracioso, mas a humildade o faz.

Os olhos de Deus constituem um tema por toda a Escritura. Veja, por exemplo, as palavras de 2 Crônicas 16.9: “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele”. Obviamente, Deus não tem olhos físicos; “Deus é espírito” (João 4.24). Ele não precisa de olhos físicos porque é onisciente. Nada escapa à sua atenção. Ele está ciente de todas as coisas.

No entanto, embora conheça tudo, Ele procura por algo em particular, algo que atue como um ímã para capturar sua atenção, e O convide a se envolver conosco de forma ativa. Deus é, decididamente, atraído pela humildade. Uma pessoa humilde é aquela que atrai a atenção de Deus, e, neste sentido, atrair a atenção dEle também significa atrair sua graça – sua bondade imerecida. Pense nisto: há uma coisa que você pode fazer para atrair mais da força e ajuda graciosa, imerecida e sobrenatural de Deus!

Que promessa! Atente mais uma vez para esta passagem tão conhecida: “Deus... dá graça aos humildes” (Tiago 4.6). Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, Deus não auxilia “os que ajudam a si mesmos”, mas os que se humilham.

Essa é a promessa da humildade. Deus é, pessoal e providencialmente, defensor dos humildes. E a graça que Ele estende aos humildes é indescritivelmente valiosa. Jonathan Edwards escreveu: “Os prazeres da humildade são os mais refinados, íntimos e primorosos deleites no mundo”. O propósito deste livro é ajudá-lo a receber e experimentar esses excelentes prazeres.
Por C.J. Mahaney. © Sovereign Grace Ministries. Website: sovereigngraceministries.org
Excerto do Livro:
Humildade, Verdadeira Grandeza. Disponibilizado pela Editora Fiel

[Agnosto Theo] John Piper - Não neste ou naquele monte, mas em Espírito e em Verdade (1/3)

 [Agnosto Theo] John Piper - Não neste ou naquele monte, mas em 
Espírito e em Verdade
John Piper - Não neste ou naquele monte, mas em Espírito e em Verdade                                                                



No mundo há somente uma coisa digna de ser buscada: o conhecimento de Deus. (Robert H. Benson)
Não Onde, mas Quem

Lembre-se que Ele já havia dito em João 2:19: “Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.” Em outras palavras, já havia dito que Ele próprio era o novo templo – o novo local de encontro com Deus. O templo estava para deixar de ser o ponto principal para adoração. E o que ficaria em seu lugar? Um novo monte? Uma nova cidade? Um novo edifício? Não. Uma nova Pessoa. O Filho.

Isso é o que Ele deu a interpretar dizendo: “Não neste monte, senhora, nem em Jerusalém.” Não onde, mas quem é o que importa. O Pai e o Filho. A água viva, o profeta, o Salvador, o Messias.

“Você adora o que não conhece”

Então o versículo 22 diz a mesma coisa de outra forma: “Vocês (samaritanos) adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.” Isto é brusco e doloroso: o problema com vocês, samaritanos, não é que vocês adoram no monte errado, mas que vocês não sabem quem adoram.


Por que não? “Porque”, ele diz (vers. 22b), “a salvação vem dos judeus”. O que isso quer dizer? Quer dizer que todos os judeus conheciam quem eles adoravam? Não. Ouça o que Jesus diz aos Fariseus em João 8:19 (os judeus realmente sérios): “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.” Eles nem sequer conhecem Deus. São como os Samaritanos. “Vocês adoram o que não conhecem.”

Sobre tais adorações Jesus diz serem “vãs”, vazias (Mateus 15:9). Não é a “verdadeira adoração” (João 4:23).

“Nós Adoramos o que Conhecemos”

Então o que Jesus quer dizer no vers. 22b: “Nós adoramos o que conhecemos, porque salvação vem dos Judeus.” Ele quer dizer que Judeus ensinam que um Salvador está vindo ao mundo. Ele está vindo como o Filho de Davi, o Messias, o Servo do Senhor. E porque haverá um Salvador, verdadeiro conhecimento de Deus e verdadeira adoração a Deus são possíveis.

A última cláusula de toda essa história (que vai do versículo 1 até o 42) é o anuncio dos Samaritanos na cidade de Sicar: “Sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (v. 42).

Quando Jesus diz (v. 22b): “A salvação vem dos Judeus”, e por causa disso, “nós adoramos o que conhecemos”, Ele quer dizer que um Salvador está vindo ao mundo, quem tornará possível aos pecadores (como pessoas que foram casadas cinco vezes e agora vivem com os namorados) conhecer Deus, chamá-lo de Pai, e adorá-lo em verdade.

Vocês não conhecem quem vocês adoram por que não estão dependendo do Salvador – a salvação que está vindo ao mundo. O Salvador é o Messias Judeu. Vocês Samaritanos não creem nisso. E, portanto, sua adoração não é a verdadeira adoração.

Não há Verdadeira Religião sem Jesus

É muito importante que vejamos as implicações disso para nossa situação hoje – em relação ao Islã, Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e qualquer outra religião que não abraça Jesus como Salvador do mundo, que veio morrer por pecadores e ressuscitou novamente e tornou-se o mediador entre Deus e os homens. É importante porque a gloriosa, única supremacia de Jesus entre todas as outras religiões depende disso. E porque muitos cristãos estão abandonando a verdade de que conhecer, honrar, amar e acreditar em Jesus é necessário para a salvação.

“Não há Verdadeira Adoração sem Jesus”

Ao contrário, o ponto de Jesus aqui e em qualquer outro lugar no evangelho é que não há verdadeira adoração sem receber o Salvador que vem dos Judeus. Não somente Jesus disse em João 8:19: “Se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”, mas ele também disse aos Judeus em João 5:23: “Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” E em João 5:42-43 Ele os disse: “Sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis”.

Em outras palavras, quem não conhece quem eu realmente sou, e me honra pelo que realmente sou, e me ama pelo que realmente sou, não conhece ou honra ou ama a Deus. E, portanto, seja o que for que eles façam em seus montes, ou em seus templos ou santuários, ou mesquitas ou sinagogas, eles não adoram a Deus.

Você Não Pode Adorar Aquele que Rejeitou

Esse é o ponto em Lucas 10:16: “Quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou.” Não faz sentido dizer que eles adoram quando eles rejeitam. E Mateus 10:40: “Quem me recebe, recebe aquele que me enviou.” Não faz sentido dizer que eles adoram aquele que não recebem. E João 5:46, que é especialmente relevante para os Samaritanos e para o povo Judeu: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em Mim.” Em outras palavras, se vocês se recusam a saber quem eu realmente sou, então vocês não creem verdadeiramente em Moisés, e a “adoração” que vocês fazem em resposta a Moisés não é a verdadeira adoração.

Em um mundo pluralista, multicultural, relativista e encolhido como o nosso, será mais e mais difícil de crer nisso nos anos que virão. Quanto mais pessoas você conhecer pessoalmente que são muito religiosas, mas não abraçam Jesus como seu Senhor e Salvador, mais difícil será de acreditar que sua adoração não é a verdadeira adoração. Mas se a coragem da sua fé desabar, você abandonará o Jesus do novo testamento e se unirá ao mundo na criação do seu próprio Jesus.
Nós vamos focar hoje no texto de João 4:20-26. E no quão cheio da grandeza de Deus esse texto é. Nós vimos nos versículos 1-15 que Jesus é a água viva que ele próprio oferece à mulher samaritana no poço, e que ela definitivamente não compreende. Vimos da última vez (v. 16-19) que Jesus é um profeta cirurgicamente penetrante que descobre nossa alma e conhece profundamente nosso ser, e ainda assim nos persegue. “Você teve cinco maridos e o homem que tem agora não é seu marido.”

Agora nós veremos Jesus como o Salvador que revela os mistérios da verdadeira adoração, e quem outrora era conhecido como o Messias Judeu (v. 26). E muito mais.

A Adoração não está limitada à Localização

Primeiro, atentem comigo aos versículos 20-22. Para desviar-se de sua sondagem profética do coração dela, a mulher samaritana leva Jesus a uma discussão sobre adoração. Mas mesmo aqui ela quer manter as coisas no nível superficial da adoração, e não no seu âmago. Ela quer falar sobre o “onde” (v. 20: “Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.”).
Jesus se dispõe a discutir esse assunto com ela, mas não se dispõe a deixá-la limitar essa questão à localização. Ele vai ao coração do assunto. (v. 21: “Disse-lhe Jesus: ‘Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai’”).

Montes são irrelevantes para a Adoração

Jesus começa com uma negativa. Uma negação. Você questiona sobre onde? Você está preocupada com o lugar? Minha senhora, há um dia chegando – mais cedo do que você pensa – quando ambos os montes serão irrelevantes para a verdadeira adoração. É incrível para um judeu dizer isso. O dia vem, ele diz, quando Jerusalém, a Cidade Santa, a Cidade de Davi, o local com o templo de Deus, não será o cerne da verdadeira adoração.

Não era essa a resposta que ela esperava. Ela esperava um bom argumento de que os judeus defendem Jerusalém como ponto principal de adoração, enquanto os samaritanos dizem que é o Monte Gerazim. Mas Jesus rejeita todos os argumentos. Ao invés disso, ele diz que estamos à beira de algo novo: “... a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.”

Por que a menção adorar “o Pai”?

Ao invés de onde nós adoramos Jesus, foque em quem nós adoramos e como o adoramos. Note a referência ao “Pai” no fim do versículo 21: “... a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis ao Pai.” Ela não disse isso. Ele disse. Por quê? Por que não dizer, “Deus” ou “o Senhor” ou alguma outra designação? Por que “o Pai”? – Você não irá adorar “o Pai” em qualquer um desses montes.

1) Deus é “o Pai” dos Samaritanos

Três razões. Primeiro ele usa isso para relacionar à referência dela aos pais samaritanos, e dessa forma atrair sua atenção ao único Pai importante. Ela disse no verso 20: “Nossos pais adoraram neste monte”. E ela já havia perguntado no verso 12: “És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai?” (João 4:12). Então, ela está muito focada nas superficialidades do local e da tradição. Os pais se mostram muito significantes em sua mente.

Jesus muda o foco. Ele não diz: “Bem, os verdadeiros pais Judeus adoravam em Jerusalém.” Ele diz: “há um Pai com quem você deveria se preocupar, chamado ‘O Pai’ – o Pai que almeja ser adorado, mas não em algum lugar particular.”

2) Deus é “o Pai” das crianças que O recebem

Segundo, ao dizer que quem deve ser adorado é “o Pai”, ele indica à mulher o fato de que Deus tem filhos. Não há coisa tal como um pai que não possui filhos. Conceber filhos é o que faz de você um pai. Então, quando Jesus diz que o único a ser adorado é “o Pai”, ele levanta a questão de quem seriam os seus filhos.
A resposta já foi dada em João 1:12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus,...”. Aqueles que recebem Jesus são os filhos de Deus. Deus é um Pai àqueles que nasceram de novo e acreditam em Jesus. Então Jesus a está despertando para a verdade de que quando se vai adorar, lugar não é o importante, mas sim se você tem Deus como seu Pai, isto é, se você nasceu de novo e acredita em Seu Filho.

3) Deus é “o Pai” do Filho, Jesus Cristo

E isso leva à terceira resposta ao por que ele se refere a Deus como “o Pai” ao final do versículo 21. Isso traz à mente – para nós pelo menos – que “o Pai” tem um único Filho que é “o Filho”. Os dois termos são usados juntos com tanta frequência, é difícil não ouvi-los aqui:
  • “O Pai ama ao Filho.” (João 3:35).
  • “O quer que faça o Pai, fará igual o Filho.” (João 5:19).
  • “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento.” (João 5:22).
  • “Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.” (João 5:23).
  • “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.” (João 5:26).
  • “A fim de que o Pai seja glorificado no Filho.” (João 14:13).
O único a ser adorado é “o Pai”. Aquela mulher estava lidando com “o Filho”. E nós veremos que: Sua presença é mais importante na adoração do que em qual monte você está, ou em qual cidade você está.
Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Original: Not in This or That Mount, but in Spirit and Truth
Tradução: Equipe Voltemos ao EvangelhoPermissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que não o altere de nenhuma maneira e não use para fins comerciais. Para postagens na web, um link para este documento em nosso site, um para o ministério e um para a fonte original do material é o preferido. (Basta copiar os itens acima)

J.C. Ryle - Santidade: O Pecado (1/2)

7.4.10 | Postado por: (-V-)
O PECADO

Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Terá de cavar bem fundo, se quiser construir um edifício bem alto. Um equívoco quanto a esse particular é extremamente prejudicial. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de idéias distorcidas quanto à corrupção humana. Não me desculpo por começar estes estudos acerca da santidade com algumas firmes declarações a respeito do pecado.

A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. Portanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado. A criação material, segundo o livro de Gênesis, começou com a “luz”; isso também acontece no caso da criação espiritual. Deus mesmo “resplandeceu em nosso coração” mediante a obra do Espírito Santo, e então, a vida espiritual teve seu início (2 Co. 4.6). Pontos de vista mal definidos acerca do pecado são a origem da maioria dos erros, das heresias e das doutrinas falsas de nossos dias. Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos. Acredito que uma das principais necessidades da igreja, neste nosso século, tem sido e continua sendo um ensino mais claro e completo sobre o pecado.

1. Começarei o assunto fornecendo uma definição de pecado. Naturalmente, todos estamos familiarizados com os termos “pecado” e “pecadores”. Com freqüência, dizemos que o “pecado” está no mundo e que os homens cometem “pecados”. Porém, o que queremos dizer com essas palavras e frases? Sabemos realmente? Temo que há muita nebulosidade e confusão mental quanto a esse particular. Permita-me tentar suprir a resposta da forma mais breve possível.

Afirmo, pois, que “pecado”, falando de modo geral, conforme declara o artigo nono da confissão de fé da nossa igreja, é “a falha e a corrupção da natureza de cada ser humano, naturalmente produzidas pela natureza de Adão em nós, pelas quais o homem muito se afasta da retidão original, pois faz parte de sua natureza inclinar-se para o erro, de tal modo que a carne sempre milita contra o espírito; e, assim sendo, o pecado merece a ira e a condenação de Deus em cada pessoa que nasce neste mundo”. Em suma, o pecado é aquela vasta enfermidade moral que afeta a raça humana inteira, em todas as classes e níveis, nas nações, povos e línguas — uma enfermidade da qual apenas um único homem nascido de mulher esteve isento. Preciso dizer que esse único Homem foi o Senhor Jesus Cristo?

Digo, ademais, que “um pecado”, falando mais particularmente, consiste em praticar, dizer, pensar ou imaginar qualquer coisa que não esteja em perfeita conformidade com a mente e a lei de Deus. Em resumo, segundo as Escrituras, “o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4). O menor desvio interno ou externo de um absoluto paralelismo matemático com a vontade e o caráter revelados de Deus constitui um pecado e, imediatamente, nos torna culpados aos olhos de Deus.

Naturalmente, não preciso dizer, a qualquer um que lê a sua Bíblia com atenção, que um homem pode quebrar a lei de Deus em seu coração e em seus pensamentos, mesmo quando não há qualquer ato externo e visível de iniqüidade. Nosso Senhor resolveu a questão sem deixar dúvidas, ao proferir o Sermão do Monte (Mt 5.21-28). Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão”.

Novamente, não preciso dizer a um estudante cuidadoso da Bíblia que há pecados de omissão tanto quanto de comissão, e que pecamos, tal como diz o nosso livro de oração, ao “deixarmos de fazer as coisas que deveríamos fazer” tanto quanto ao “fazermos aquilo que não deveríamos”. As solenes palavras do Mestre, no evangelho de Mateus, também deixam a questão sem sombras de dúvidas. Ali se acha escrito: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber” (Mt 25.41-42). Foi uma declaração profunda e bem pensada do santo arcebispo Usher, pouco antes de sua morte: “Senhor, perdoa-me de todos os meus pecados, sobretudo dos meus pecados de omissão”.

Porém, penso que é necessário relembrar aos leitores que um homem pode cometer um pecado e, no entanto, fazê-lo por ignorância, julgando-se inocente, quando na realidade é culpado. Não consigo perceber qualquer garantia bíblica para a moderna afirmativa de que “o pecado não é pecado, enquanto não o percebermos e tomarmos consciência dele”. Pelo contrário, nos capítulos quarto e quinto daquele livro muito negligenciado, Levítico, bem como em Números 15, vejo Israel sendo distintamente instruído de que havia pecados de ignorância que tornavam as pessoas imundas e que precisavam ser expiados (Lv 4.1-35; 5.14-19; Nm. 15.25-29). E também encontro o Senhor ensinando expressamente que o servo que não soube da vontade do seu senhor, e não agiu conforme essa vontade, não será desculpado pela sua ignorância, mas castigado (Lc 12.48). Faríamos bem em relembrar que, ao fazer de nosso conhecimento e de nossa consciência miseravelmente imperfeitos a medida de nossa pecaminosidade, estamos pisando em terreno perigoso. Um estudo mais profundo do livro de Levítico nos faria muito bem.

2. Concernente à origem e fonte dessa vasta enfermidade moral chamada “pecado” também me sinto na obrigação de dizer algo. Temo que as idéias de muitos crentes professos quanto a esse particular, são tristemente defeituosas e doentias. Não ouso passar adiante sem um comentário a respeito. Portanto, fixemos em nossa mente que a pecaminosidade de um homem não começa pelo lado de fora e sim pelo lado de dentro. Também não resulta de mau treinamento nos primeiros anos de vida. Não se adquire com más companhias e maus exemplos, conforme alguns crentes fracos costumam dizer. Não! Trata-se de uma enfermidade de família, que herdamos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e com a qual todos já nascemos. Criados “à imagem de Deus” e inocentes a princípio, nossos pais caíram da justiça original e tornaram-se pecaminosos e corruptos. E, desde aquele dia, homens e mulheres nascem segundo a imagem de Adão e Eva decaídos, herdando um coração e uma natureza inclinados ao pecado – “por um só homem entrou o pecado no mundo”; “o que é nascido da carne é carne”; “éramos, por natureza, filhos da ira”; “o pendor da carne é inimizade contra Deus”; “do coração dos homens é que procedem [naturalmente, como de uma fonte] os maus desígnios, a prostituição, os furtos”. (Rm 5.12; Jo 3.6; Ef 2.3; Rm 8.7; Mc 7.21). O mais lindo bebê do mundo, que se tornou o raio-de-sol de uma família, não é, como sua mãe o chama com muito amor, um “anjinho” ou um “inocentinho”, e sim um “pecadorzinho”. Infelizmente, enquanto jaz sorrindo no seu berço, a criaturinha leva em seu coração as sementes de todo tipo de iniqüidade! Basta que a observemos com cuidado, conforme cresce em estatura e sua mente se desenvolve, e descobriremos nela uma incessante tendência para o que é mau, e uma grande hesitação quanto ao que é bom. Poderemos ver nela os botões e os germens do engano, do mau temperamento, do egoísmo, da voluntariedade, da obstinação, da cobiça, da inveja, do ciúme, da paixão – tudo o que, se alimentado e deixado à vontade, prolifera com dolorosa rapidez. Quem ensinou essas coisas à criança? Onde as aprendeu? Só a Bíblia pode responder a essas perguntas! Dentre todas as coisas tolas que os pais dizem sobre seus filhos nenhuma é pior do que a declaração comum: “No fundo, meu filho tem um bom coração. Ele não é o que deveria ser; apenas caiu em más companhias. As escolas são lugares ruins. Os professores negligenciam as crianças. Contudo, no fundo, ele tem um bom coração”. A verdade, infelizmente, é exatamente o contrário. A primeira causa de todo pecado jaz na corrupção natural do próprio coração da criança e não na escola.



Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel

J.C. Ryle - Santidade: O Pecado (2/2)

8.4.10 | Postado por: (-V-)
O PECADO

3. No tocante à extensão dessa vasta enfermidade moral do homem, chamada pecado, cuidemos para não errar. A única base segura é aquela dada pelas Escrituras. “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Gn 6.5; Jr 17.9). O pecado é um mal que permeia e percorre todas as partes de nossa constituição moral, bem como cada faculdade de nossa mente. A compreensão, os afetos, o poder de raciocínio, a vontade; tudo está, em certa medida, infeccionado pelo pecado. A própria consciência está tão cega que dela não se pode depender como guia seguro. Ela tanto pode conduzir o homem para o erro quanto para o que é certo, a menos que seja iluminada pelo Espírito Santo. Em suma, “Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas” (Is 1.6). O mal pode ser velado sob uma fina cortina de cortesia, polidez, boas maneiras ou decoro exterior; mas jaz profundamente em nossa constituição.

Admito plenamente que o homem tenha ainda qualidades grandes e nobres e que demonstre imensa capacidade nas artes, ciências e literatura. Porém, permanece o fato de que nas coisas espirituais o homem está totalmente “morto”, destituído de qualquer conhecimento, amor ou temor a Deus. As excelências do homem estão de tal modo entremeadas e mescladas com a corrupção que o contraste somente põe em destaque a verdade e a extensão da queda. Que uma e a mesma criatura seja tão elevada em algumas coisas e tão vil em outras; tão grande, mas tão pequena; tão nobre, mas também tão envilecida; tão notável em sua concepção e execução de coisas materiais, mas tão baixa e rasteira em seus afetos; capaz de planejar e erigir edifícios como aqueles de Carnaque e Luxor, no Egito ou o Partenon de Atenas e, no entanto, adorar deuses e deusas imorais, pássaros, feras e répteis; que possa produzir tragédias como as de Ésquilo e Sófocles e histórias como as de Tucídides, e, no entanto, ser escrava de vícios abomináveis como aqueles descritos no primeiro capítulo da epístola aos Romanos. Tudo isso tem servido de profunda perplexidade para aqueles que zombam da “Palavra escrita de Deus”, escarnecendo de nós como “bibliólatras”. Porém, esse é um nó que podemos desatar com a Bíblia na mão. Podemos reconhecer que o homem tem todos os sinais de um templo majestoso em sua pessoa; um templo no qual Deus antes habitou, mas que agora jaz em completa ruína; um templo no qual uma janela despedaçada aqui ou uma entrada acolá, ou uma coluna derrubada ali adiante ainda nos dá uma pálida idéia da magnificência do plano original, embora, de uma extremidade à outra, tenha perdido a sua glória e decaído de seu exaltado estado anterior. De modo que afirmamos que coisa alguma soluciona o complicado problema da condição humana, senão a doutrina do pecado original ou inato e os esmagadores efeitos da queda.

Ademais, lembremo-nos de que cada parte do mundo dá testemunho do fato que o pecado é a enfermidade universal de toda a humanidade. Pesquisemos o globo de leste a oeste e de um pólo ao outro, rebusquemos todas as nações de todos os climas, nos quatro quadrantes da terra, procuremos em cada classe e nível social de nosso próprio país, do mais elevado ao mais humilde, sob cada circunstância e condição; o relatório será sempre o mesmo. As mais remotas ilhas no oceano Pacífico, completamente separadas da Europa, da Ásia, da África e da América, fora do alcance do luxo oriental e da arte e literatura ocidentais; ilhas habitadas por povos que ignoram livros, dinheiro, vapor e eletricidade; não contaminados pelos vícios da civilização moderna – existentes nestas ilhas remotas, quando descobertas, têm sido encontradas as piores formas de concupiscência, de crueldade, de engodo e de superstição. Se seus habitantes não conhecem outra coisa, pelo menos conhecem o pecado! Por toda a parte, o coração humano é enganoso “mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). Da minha parte, desconheço prova mais decisiva da inspiração do livro de Gênesis e do relato mosaico sobre a origem do homem do que o poder, a extensão e a universalidade do pecado. Se admitirmos que a humanidade inteira deriva-se de um único casal e que esse casal caiu no pecado, conforme nos diz Gênesis 3, o estado da natureza humana por toda parte pode ser facilmente explicado. Mas, se negarmos esse fato, conforme muitos o fazem, imediatamente nos veremos envolvidos com dificuldades inexplicáveis. Em suma, a uniformidade e a universalidade da corrupção humana supre uma das mais incontestáveis instâncias das enormes dificuldades que os
incrédulos têm de enfrentar.

Afinal, estou convencido de que a maior prova da extensão e do poder do pecado é a persistência com que ele se apega ao homem, mesmo depois deste ser convertido e tornar-se alvo das operações do Espírito Santo. Usando a linguagem do artigo nono: “Essa infecção da natureza permanece – sim, mesmo nos regenerados”. Tão profundamente implantadas estão as raízes da corrupção humana que, mesmo depois de termos sido regenerados, renovados, lavados, santificados e justificados, feitos membros vivos de Cristo, essas raízes permanecem vivas no fundo de nosso coração. Tal qual o mofo nas paredes de uma casa, nunca nos livraremos delas, enquanto não for dissolvida esta casa terrestre deste nosso tabernáculo. Sem dúvida, o pecado não mais exerce domínio no coração do crente. Está contido, controlado, mortificado e crucificado pelo poder expulsivo do novo princípio da graça divina. A vida do crente é uma vida de vitória e não de fracasso. Mas os próprios conflitos que continuam em seu peito, a luta na qual ele se vê empenhado a cada dia, a vigilância que ele é forçado a exercer sobre seu homem interior, a guerra entre a carne e o espírito, os “gemidos” íntimos que ninguém conhece, senão aquele que os experimenta – tudo isso testifica da mesma grande verdade, tudo mostra o enorme poder e a vitalidade do pecado. Poderoso, de fato, deve ser o adversário que mesmo depois de crucificado, continua vivo! Feliz é o crente que compreende isso e não tem confiança na carne enquanto se regozija em Cristo Jesus; e ao mesmo tempo em que diz: “Graças a Deus que nos dá a vitória”, nunca se esquece de vigiar e ora para não cair em tentação!

4. Acerca da culpa, da vileza e da ofensa do pecado aos olhos de Deus, minhas palavras serão poucas. Digo “poucas” prudentemente. Não penso que, devido à natureza dessas coisas, o homem mortal possa perceber toda a imensa pecaminosidade do pecado aos olhos do Deus santo e perfeito, a quem teremos de prestar contas. Por um lado, Deus é o Ser eterno que “aos seus anjos atribui imperfeições”, em cuja vista “nem os céus são puros”. Ele é Aquele que lê os pensamentos e os motivos, e não só as ações, e que requer “a verdade no íntimo” (Jó 4.18; 15.15; Sl 51.6). Nós, por outro lado – criaturas pobres e cegas, hoje aqui e amanhã acolá, nascidos no pecado, cercados de pecadores, vivendo em uma constante atmosfera de fraqueza, enfermidade e imperfeição – não podemos formar senão os mais inadequados conceitos sobre a hediondez do pecado. Não dispomos de prumo para sondá-lo, e nenhuma medida pela qual possamos aquilatá-lo. Um cego não pode ver a diferença entre uma obra prima de Ticiano ou de Rafael e uma efígie de um presidente no verso de uma moeda. Um surdo não pode distinguir entre um apito soprado por uma criança e um órgão de catedral. Os próprios animais, cujo odor é bastante ofensivo, não têm a menor noção de que são tão mau-cheirosos e nem parecem tais uns para com os outros. E o homem, o homem caído, segundo creio, não tem noção do quão vil é o pecado aos olhos de Deus, cujas obras são absolutamente perfeitas – perfeitas sem importar se as examinamos pelo telescópio ou pelo microscópio; perfeitas tanto na formação de um gigantesco planeta como Júpiter, com seus satélites, que marca o tempo em até milésimos de segundo enquanto gira em torno do sol quanto na formação do mais minúsculo inseto que se arrasta pelo chão. Não obstante, fixemos na mente, com firmeza, que o pecado é aquela “coisa abominável” a qual Deus aborrece e que Deus é “tão puro de olhos que não pode ver o mal”; e que qualquer que tropeçar “em um só ponto” da lei de Deus “se torna culpado de todos”; e que “a alma que pecar, essa morrerá“; e que “o salário do pecado é a morte”; e que Deus julgará “os segredos dos homens”; e que há um lugar onde nunca “morre o verme, nem o fogo se apaga”; e que “os perversos serão lançados no inferno”; e que “irão estes para o castigo eterno”, porquanto nos céus “nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira” (Jr 44.4; Ha 1.13; Tg 2.10; Ez 18.4; Rm 6.23; 2.16; Mc 9.44; Sl 9.17; Mt 25.46 e Ap 21.27). Essas são, realmente, palavras tremendas, quando consideramos que foram escritas no Livro do Deus misericordiosíssimo!

Afinal de contas, nenhuma prova da amplidão do pecado é tão avassaladora e incontestável como a cruz da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como toda a doutrina de sua substituição e expiação. Terrivelmente grave deve ser a culpa que não pode ser satisfeita por coisa alguma, senão pelo sangue do Filho de Deus. Pesadíssima deve ser a carga do pecado humano que fez Jesus gemer e suar gotas de sangue na agonia do Getsêmani, e clamar no Gólgota: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Estou convencido de que nada nos espantará tanto, quando despertarmos no dia da ressurreição, quanto a visão que teremos do pecado e o retrospecto que nos será dado de nossos próprios incontáveis defeitos e delitos.



Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel

J.C. Ryle - Santidade: A Necessidade de Santidade

9.4.10 | Postado por: (-V-)


A NECESSIDADE DE SANTIDADE
Em último lugar, devemos ser santos porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: “Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira!” (Ap 21.27).

Apelo solenemente a todos quantos lêem essas páginas: como poderemos nos sentir felizes e à vontade no céu, se morrermos destituídos de santidade? A morte não opera automaticamente alguma transformação. O sepulcro não impõe qualquer alteração. Cada indivíduo haverá de ressuscitar com o mesmo caráter com que deu seu último suspiro. Onde será o nosso lugar, se vivermos hoje estranhos à santidade?

Suponhamos por um momento que você tivesse a permissão de entrar no céu sem santidade. O que você faria? Qual prazer você poderia usufruir ali? A qual dentre todos os santos você se achegaria; ao lado de quem você se sentaria? Os prazeres dele não seriam seus prazeres, os gostos deles não seriam os seus gostos, o caráter deles não corresponderia ao ser caráter. Como você poderia sentir-se feliz, se não tivesse sido santo neste mundo?

Atualmente, talvez você prefira a companhia dos negligentes e dos descuidados, dos dotados de mente mundana e dos cobiçosos, dos farristas e dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Porém, não haverá tais tipos de pessoas no céu.

Atualmente, talvez você sinta que os santos de Deus são por demais rigorosos, solenes e sérios. Você prefere evitar a companhia deles. Você prefere evitar a companhia deles. Você não se deleita na sua companhia. Porém, não haverá outro tipo de companhia lá no céu.

Atualmente, talvez pense que a oração, a leitura da Bíblia e o cântico de hinos evangélicos seja algo enfadonho e melancólico, uma atividade estúpida, algo que pode ser tolerado vez por outra, mas não usufruído com satisfação. Talvez você considere o descanso dominical um fardo e uma canseira; você não poderia passar senão uma pequena fração deste tempo adorando a Deus. Lembre-se, entretanto, de que o céu será um interminável descanso dominical. Os seus habitantes descansarão ali, noite e dia, entoando hinos de louvor ao Cordeiro e exclamando: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso”. Como é que um homem profano poderia encontrar prazer numa ocupação como essa?

Você imagina que uma pessoa profana se deleitaria em encontrar-se com Davi, Paulo e João, após uma vida inteira desperdiçada exatamente na prática daquilo contra o que eles falaram? Porventura, ele tomaria um doce conselho com esses personagens e descobriria que tinham muito em comum? Acima de tudo, você imagina que tal pessoa se regozijaria em encontrar-se com Jesus, o Crucificado, face a face, após ter se agarrado aos pecados por causa dos quais Ele morreu; depois de haver amado os seus inimigos e desprezado os seus amigos? Poderia tal pessoa pôr-se de pé diante de Cristo, com toda confiança, unir-se ao coro santo, dizendo: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Antes, você não pensa que os lábios de uma pessoa profana se calariam de tanta vergonha, e que o seu único desejo seria ser expulso dali? Tal indivíduo se sentiria um estranho em uma terra desconhecida, uma ovelha negra em meio ao santo rebanho de Cristo. A voz dos querubins e dos serafins comporiam uma linguagem que ele não seria capaz de entender. O próprio ar lhe pareceria uma atmosfera irrespirável.

Não sei dizer o que outros pensariam a esse respeito, mas, para mim, é claro que o céu seria um lugar insuportável para um homem mundano. Não poderia ser de outro modo. As pessoas podem dizer, de maneira vaga: “Eles têm a esperança de chegar ao céu”. Entretanto, eles assim o dizem por não considerarem o que estão dizendo. Deve haver um certo preparo para a “herança dos santos na luz” (Cl 1.12). Nosso coração precisa estar sintonizado com essa herança. Para chegarmos ao descanso da glória, teremos de passar pela escola do treinamento na graça. Teremos de ser dotados de mente celestial, de gostos celestiais na vida que agora é, porquanto, de outro modo, jamais nos encontraremos no céu.



Por J.C. Ryle (1816 - 1900) - primeiro Bispo de Liverpool da Igreja da Inglaterra.

Excerto do excelente livro: Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor

Disponibilizado pela Editora Fiel e iPródigo

Chamada à Contemplação [4]

17.4.10 | Postado por: (-V-)

Então, vejamos primeiro a base bíblica do chamado para sermos semelhantes a Cristo. Essa base não se limita a uma passagem só. Seu conteúdo é substancial demais para ser encapsulado em um único texto. De fato, essa base consiste de três textos, os quais, aliás, faríamos muito bem em incorporar conjuntamente à nossa vida e visão cristã: Romanos 8:29, 2 Coríntios 3:18 e 1 João 3:2. Vamos fazer uma breve análise deles.

Romanos 8:29 diz que Deus predestinou seu povo para ser conforme à imagem do Filho, ou seja, tornar-se semelhante a Jesus. Todos sabemos que Adão, ao cair, perdeu muito — mas não tudo — da imagem divina conforme a qual fora criado. Deus, todavia, restaurou-a em Cristo. Conformar-se à imagem de Deus significa tornar-se semelhante a Jesus: O propósito eterno de predestinação divina para nós é tornar-nos conformes à imagem de Cristo.

O segundo texto é 2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Portanto é pelo próprio Espírito que habita em nós que somos transformados de glória em glória — que visão magnífica! Nesta segunda etapa do processo de conformação à imagem de Cristo, percebemos que a perspectiva muda do passado para o presente, da predestinação eterna de Deus para a transformação que ele opera em nós agora pelo Espírito Santo. O propósito eterno da predestinação divina de nos tornar como Cristo avança, tornando-se a obra histórica de Deus em nós para nos transformar, por intermédio do Espírito Santo, segundo a imagem de Jesus.

Isso nos leva ao terceiro texto: 1 João 3:2: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”. Não sabemos em detalhes como seremos no último dia, mas o que de fato sabemos é que seremos semelhantes a Cristo. Não precisamos saber de mais nada além disso. Contentamo-nos em conhecer a verdade maravilhosa de que estaremos com Cristo e seremos semelhantes a ele, eternamente.

Aqui há três perspectivas: passado, presente e futuro. Todas apontam na mesma direção: há o propósito eterno de Deus, pelo qual fomos predestinados; há o propósito histórico de Deus, pelo qual estamos sendo transformados pelo Espírito Santo; e há o propósito final ou escatológico de Deus, pelo qual seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Estes três propósitos — o eterno, o histórico e o escatológico — se unem e apontam para um mesmo objetivo: a conformação do homem à imagem de Cristo. Este, afirmo, é o propósito de Deus para o seu povo. E a base bíblica para nos tornarmos semelhantes a Cristo é o fato de que este é o propósito de Deus para o seu povo.


Por John Stott.
Tradução: F. R. Castelo Branco
Extraído de: O Paradigma: Tornando-nos mais Semelhantes a Cristo. Website: Monergismo.com

[DOUTRINAS DA GRAÇA] Depravação Humana e o Testemunho das Escrituras

13.5.10 | Postado por: (-V-)
DOUTRINAS DA GRAÇAEste é um trecho da mensagem pregada em 1º de Abril de 2010 na Igreja Batista de Contagem/MG.
Para ler e baixar o PDF com a pregação completa visite voltando>> (
meu blog pessoal)

O TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS

No final do capítulo 7 de Romanos há o desesperado grito:
Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?

Antes de tratarmos da questão da santificação, para podermos entender melhor o plano da salvação que nos motiva a santificação, precisamos tratar de outro grande assunto registrado na bíblia: A depravação do homem!

Ouça o testemunha das Escrituras em relação a depravação do homem. Ela afirma que:
  • por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo (Romanos 5:12),
  • e, nós, estando unidos com ele, também pecamos, adquirimos uma natureza pecaminosa e morremos espiritualmente (1 Coríntios 15:21,22)
e que, por causa disso,
  • o homem é formado em iniqüidade e concebido em pecado (Salmo 51:5) e seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância (Gênesis 6:5; 8:21 e Salmo 58.3);
Isso resulta que
  • todos pecaram (Romanos 3:23).
Sendo assim,
  • não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus; todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um só. (Romanos 3:10-12).
Este problema não é algo meramente superficial, mas atinge o próprio centro do ser humano, seu coração, porque:
  • é do interior do coração dos homens que saem os frutos do pecados e da carne (Marcos 7:21-23; Gálatas 5:19-21),
  • seu coração é perverso e enganoso mais do que todas as coisas (Jeremias 17:9),
  • e o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade (Eclesiastes 9:3).
Por causa disso a Bíblia declara que o homem:
  • é servo do pecado (João 8:34),
  • inimigo de Deus (Romanos 1:30),
  • trevas (Efésios 5:8),
  • filho do diabo (João 8:44; 1 João 3:10),
  • filho da ira (Efésios 2:3),
  • ignorante e duro de coração (Efésios 4:18),
  • e está morto em ofensas e pecados (Efésios 2:1; Colossenses 2:13),
  • separados da vida de Deus (Efésios 4:18),
  • e tem sua vontade presa aos laços do diabo (II Timóteo 2:25)
  • e seu entendimento e consciência estão contaminados (Tito 1:15).
e por isso,
  • não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14)
  • e não deseja a salvação, vindo a Cristo para ter vida (João 5:40; Romanos 3:11).
Sendo assim, nenhum homem tem vontade ou capacidade para se salvar, afinal:
  • "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém" (Jó 14:4)
  • ou "quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20.9)
O homem natural tem, portanto, dois grandes problemas:
  • Ele é culpado diante de Deus;
  • Ele possui uma natureza corrupta.

NENHUMA BOA OBRA
Analisemos agora o verso 7 e 8 de nosso texto base:
Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Romanos 8:7,8)

Paulo declara que o "corpo esta morte" se inclina somente para as coisas da "carne" e portanto é inimigo de Deus, porque se rebela ativamente contra a perfeita e sábia lei de Deus. Em seu orgulho, o homem quer ser mais sábio que Deus e ditar sua própria lei, sua própria moral e viver sua própria vontade, para sua própria glória.

Este estado é humanamente irreversível: "nem, em verdade, o pode ser". Não há nada que o homem possa fazer em seus próprios esforços para se livrar dessa miserável condição por dois motivos:
  • quem, sendo impuro pode purificar a si mesmo?
  • o homem caído não deseja tal fim, pois ele ama o pecado e o serve.
A conclusão de Paulo é também a nossa: "os que estão na carne não podem agradar a Deus". Não há uma única ação de um pecador que possa agradar a Deus. Três razões porque isto é verdade são:
  • Paulo declara em 1 Coríntios 13 que toda ação desprovida de amor é de nenhuma valia. Logicamente, isto é válido para nossa relação horizontal, um com os outros, mas é muito mais real em nossa relação vertical, com Deus. Como toda ação de um ímpio não é baseada no "ame ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças" (Marcos 12:30), tal ação, além de violar o primeiro e maior mandamento (e conseqüentemente todos os outros), é de zero valor diante de Deus.
  • Paulo também declara que toda ação deve ser feita para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31 - Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus) Logo, toda ação que não tem como fim supremo a glória de Deus é um ato de idolatria, quer seja alimentar os pobres ou amparar os doentes, violando assim segundo mandamento.
E é por isso que o profeta declara que TODOS os nossos atos de justiça são como trapo de imundícia diante de Deus (Isaías 64: 6).
Por Vinícius Musselman Pimentel Website: voltemosaoevangelho.com | voltando>>
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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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