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20 de ago. de 2010

A mensagem da reforma para os dias de hoje



Por Solano Portela

I. POR QUE LEMBRAR A REFORMA?
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero pregou as suas hoje famosas 95 Teses na porta da catedral de Wittenberg. Periodicamente as igrejas evangélicas relembram aqueles eventos que, na soberana providência de Deus, preservaram viva a Sua Igreja. Muitos, entretanto, questionam essas comemorações e alguns chegam até a contestar a lembrança da Reforma. “Por que considerar o que aconteceu há quase 500 anos?”
Seguramente, muitos não estudam a Reforma por mero desconhecimento do fato, por falta de informação ou por não se aperceberem da sua importância na vida da Igreja e da humanidade. Outros há que procuram um esquecimento voluntário daqueles eventos do século XVI. Martin Lloyd-Jones nos fala que entre aqueles que rejeitam a memória da Reforma temos, basicamente, dois tipos de argumentação: 1º) Dos que dizem que o passado nada tem a nos ensinar; e 2º) Dos que vêem a Reforma como uma tragédia na história religiosa da humanidade. Para os primeiros, somente o progresso científico e o futuro nos interessam. Firmadas em uma mentalidade evolucionista, estas pessoas partem para uma abordagem histórica de que o presente é sempre melhor do que o passado. Eles nada enxergam na história que possa nos servir de lição, apoio, ou alerta. Já para os segundos, devemos estudar a unidade e não um movimento que trouxe a divisão e o cisma ao cristianismo. Para eles, perdemos tempo quando nos ocupamos de algo “tão negativo”.
Podemos dar graças, entretanto, pelo fato de que um segmento da Igreja ainda acha importante relembrar e aplicar as questões levantadas pelos Reformadores. Contudo, o mesmo Martin Lloyd-Jones alerta para um perigo que ainda existe no interesse pelos acontecimentos que marcaram o século XVI. Na realidade, ele nos confronta com uma forma errada e uma forma certa de relembrar o passado, do ponto de vista religioso.
A forma errada seria estudar o passado por motivos meramente históricos. Esse estudo seria semelhante à abordagem que um antiquário dedica a um objeto. Por exemplo, quando ele examina uma cadeira, não está interessado se ela é confortável, se dá para sentar-se bem nela, ou se ela cumpre adequadamente a sua função de cadeira. Basicamente, a preocupação se resume à sua idade, ao seu estado de conservação e, principalmente, a quem ela pertenceu. Isso determinará o valor daquele objeto para o antiquário e motivará o seu estudo.
Em Mateus 23:29-35 teríamos um exemplo dessa abordagem errada do passado. O trecho diz:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas! Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar.
Jesus diz que aqueles homens pagavam tributo à memória dos profetas e líderes religiosos do passado. Eles prezavam tanto a história que cuidavam dos sepulcros e os enfeitavam, proclamavam a todos que os profetas eram homens bons e nobres, e atacavam quem os havia rejeitado. Diziam eles: “se estivéssemos lá, se vivêssemos naquela época, não teríamos feito isso!” Mas Jesus não Se impressiona e os chama de hipócritas! A argumentação de Jesus é a seguinte: Se vocês se dizem admiradores dos profetas, como é que estão contra aqueles que representam os profetas e proclamam a mesma mensagem que eles proclamaram? Jesus testou a sinceridade deles pondo a descoberto a atitude que mantinham contra aqueles que pregavam a mensagem de Deus e mostra que eles próprios seriam perseguidores e assassinos dos proclamadores da mensagem dos profetas de Deus.
Esse é também o nosso teste: Alguém pode olhar para trás e louvar homens famosos, mas isso pode ser pura hipocrisia se não aceitar, no presente, aqueles que pregam a mensagem de Lutero e de Calvino. Somos mesmo admiradores da Reforma promovida por aqueles grandes profetas de Deus?
Mas existe uma forma correta de relembrar o passado. Ela pode ser deduzida não apenas por exclusão e inferência do texto anterior, mas principalmente da passagem de Hebreus 13:7-8, que diz:
Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.
A maneira correta de relembrar a Reforma é, portanto, verificar a mensagem, a Palavra de Deus como foi pregada; e isso não apenas por um interesse histórico de “antiquário”, mas com o bom propósito de imitar a fé ali demonstrada. Devemos observar esse evento e aqueles homens, para aprender e seguir os seus exemplos, discernindo a sua mensagem e aplicando-a aos nossos dias.
II. DISTORÇÕES VERIFICADAS NA LEMBRANÇA DA REFORMA
Muitos de nós, que crescemos neste país de maioria católica, já ouvimos, numa ou noutra ocasião, alguma posição distorcida tanto sobre os fatos da Reforma do Século XVI quanto sobre os Reformadores. Uma das versões comuns, na visão da Igreja Católica, apresenta Lutero como um monge que queria casar-se e que por isso teria brigado com o Papa. Outros dizem que Lutero ambicionava o poder político; e ainda outros falam que Lutero era apenas um místico rebelde, sem convicções reais e profundas. Até mesmo a descrição dele como doente da alma, psicopata, enganador e falso profeta permanece em vários escritos de historiadores famosos do período. Um famoso autor e historiador católico brasileiro chegou a escrever que “excomungado em Worms, em 1521, Lutero entregou-se ao ócio e à moleza.”
Em anos mais recentes, um novo tipo de abordagem da Reforma tem surgido nos círculos católicos, embora continue representando alguma forma de distorção. Por exemplo, em 1983, quando se completaram 500 anos desde o nascimento de Lutero, o Papa participou de algumas cerimônias comemorativas do evento na Alemanha. Certamente o Papa não fez por convencimento das verdades ensinadas por Lutero, pois a igreja que representa nada mudou doutrinariamente após a sua participação. A visita do Papa evidencia, entretanto, uma comprovação de que a imagem de Lutero e os princípios que pregava estão sendo alvos de um revisionismo histórico para fins de distorções. Diluir a força das doutrinas que Lutero pregava possibilita uma aproximação com os fatos históricos descontextualizados.
Em 1967, nos 450 anos da Reforma, a revista TIME escreveu o seguinte: “O domingo da Reforma está se tornando um evento ecumênico que olha para o futuro, em vez de para o passado.” Na mesma ocasião, um semanário jesuíta fez esta afirmação: “Lutero foi um profundo pensador espiritual que foi levado à revolta por papas mundanos e incompetentes.” Essas colocações fazem da Reforma uma revolta contra pessoas individuais e não contra um sistema de doutrinas de uma igreja apóstata, que continua persistindo em seus conceitos e práticas divorciados da Palavra de Deus.
Refletindo o sentimento ecumênico que tem permeado a segunda metade do século XX, bispos das Igrejas Católica e Luterana dos Estados Unidos fizeram uma declaração solidária, no aniversário da Reforma, dizendo o seguinte: “…recomendamos um programa conjunto, entre os membros de nossas igrejas, de estudos, reflexão e oração.” Podemos imaginar os jesuítas, consciente e sinceramente, fazendo orações, estudos e reflexões em comemoração à Reforma do Século XVI? Certamente isso só seria possível se os jesuítas ignorassem os pontos doutrinários fundamentais levantados pelos Reformadores.
Refletindo uma visão político-sociológica da Reforma, uma outra distorção permeou, durante muito tempo, o pensamento revisionista da história. Na época em que o comunismo ainda imperava na Europa Oriental, porta-vozes do partido comunista da Alemanha relembraram Lutero como sendo “um precursor da revolução.”
III. ESQUECIMENTO DOUTRINÁRIO DOS PRINCÍPIOS DA REFORMA
Muitas das comemorações conjuntas da Reforma por católicos e protestantes, descritas acima, só ocorrem porque não se falam nas doutrinas principais levantadas pelo movimento do século XVI. Tristemente, temos observado que mesmo no campo chamado “evangélico” a situação é semelhante. Raras são as igrejas e denominações evangélicas que ensinam o que foi a Reforma do Século XVI e muito poucas as que comemoram o evento e aproveitam para relembrar e reaplicar os princípios nela levantados. Mais recentemente, temos observado que tem sido removida a clara linha que separa o protestantismo do catolicismo quanto ao entendimento da fé cristã e da salvação. Isso, que até alguns anos atrás era praticado somente pela teologia liberal – que já havia declaradamente abandonado os princípios norteadores da Palavra de Deus – hoje está presente no campo protestante evangélico.
Essa falta de discernimento e conhecimento histórico, prático e teológico tem-se achado até mesmo dentro do campo ortodoxo, incluindo teólogos reformados e tradicionais. Referimo-nos ao documento “Evangélicos e Católicos Juntos” (Evangelicals and Catholics Together), publicado em 1994 nos Estados Unidos, e que tem sido uma fonte de controvérsia desde a sua divulgação.
A base e intenção do documento foi a realização de ações conjuntas de cunho moral-político por católicos e protestantes, mas ele evidencia uma grande falta de discernimento e sabedoria. Por exemplo, o documento defende que as pessoas convertidas devem ser respeitadas na decisão de se filiar ou a uma igreja católica ou a uma protestante. Estas declarações foram emitidas como se a fé fosse a mesma, como se a doutrina fosse igual, como se a base dos ensinamentos fosse comum, como se as distinções inexistissem ou fossem extremamente secundárias.
A premissa básica do documento “Evangélicos e Católicos Juntos” é que a evangelização de católicos é algo indesejável e não recomendável, uma vez que a verdadeira fé e prática cristã já devem estar presentes na Igreja de Roma. Em sua essência, esse documento é a grande evidência do esquecimento da Reforma do Século XVI e do que ela representou e representa para a verdadeira Igreja de Cristo.
Algum evangélico poderia argumentar, “mas isso é coisa de americano, não atinge o nosso país!” Ledo engano! A conhecida e prestigiada Revista Ultimato trouxe em suas páginas, no número de setembro de 1996, artigos e depoimentos advindos do campo evangélico ortodoxo, refletindo basicamente a mesma compreensão do documento “Evangélicos e Católicos Juntos”, ou seja: que as distinções relativas à Igreja de Roma seriam secundárias e não essenciais.
Tal situação reflete pelo menos uma crassa ignorância da doutrina católica romana. Por exemplo os cânones 9 e 11 do Concílio de Trento, escritos no auge da Contra-Reforma, mas nunca abrogados até os dias de hoje, dizem o seguinte:
Cânon 9—Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, querendo dizer que nada coopera com a fé para a obtenção da graça da justificação; e se alguém disser que as pessoas não são preparadas e predispostas pela ação de sua própria vontade—que seja maldito.
Cânon 11—Se alguém disser que os homens são justificados unicamente pela imputação da justiça de Cristo ou unicamente pela remissão dos seus pecados, excluindo a graça e amor que são derramados em seus corações pelo Espírito Santo, e que permanece neles; ou se alguém disser que a graça pela qual somos justificados reflete somente a vontade de Deus—que seja maldito.
Estas declarações, ou melhor, maldições, foram pronunciadas contra os protestantes. Elas atingem o cerne da doutrina da justificação somente pela fé e são contrárias à defesa inabalável da soberania de Deus na salvação, proclamada pela Reforma do Século XVI. Essas maldições continuam fazendo parte dos ensinamentos da Igreja Católica.
A visão distorcida do Evangelho e da evangelização, no campo católico romano, não é algo que data apenas da Era Medieval. Vejam esta declaração extraída da encíclica papal “O Evangelho da Vida,” escrita e divulgada à Igreja em 1995:
O Evangelho é a proclamação de que Jesus possui um relacionamento singular com todas as pessoas. Isso faz com que vejamos em cada face humana a face de Cristo.
Certamente teríamos que chamar esta visão do Evangelho de universalismo e declará-la contrária à fé cristã histórica.
Perante esse emaranhado de opiniões tão diferenciadas; perante o testemunho e o registro implacável da história; perante a crise de identidade, de doutrina e de prática litúrgica que nossas igrejas atravessam, qual deve ser a nossa compreensão da Reforma?
IV. CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS SOBRE A REFORMA E OS REFORMADORES
Nosso apreço pela Reforma e pelas suas doutrinas não deve nos levar a uma visão utópica e idealista com relação aos seus personagens principais. Devemos reconhecer os seus feitos, mas também as suas limitações. É na compreensão da falibilidade humana que detectamos a mão soberana de Deus empreendendo os seus propósitos na história. Vejamos alguns pontos que valem a pena ser recordados:
A. Lutero foi um homem falível
As 95 Teses de Lutero realmente representaram um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas. Entre as teses, encontramos expressões de compreensão dos ensinamentos da Bíblia, como por exemplo na tese 62 (“O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus”) e na tese 94 (“Os cristãos devem ser exortados a seguir a Cristo, a sua cabeça, com diligência”). Entretanto, devemos reconhecer que elas estão longe de ser, em sua totalidade, expressões precisas da verdadeira fé cristã. Elas registram, na realidade, o início do pensamento de Lutero, que seria trabalhado e refinado por Deus ao longo de estudos e experiências posteriores do Reformador. Vejamos os seguintes exemplos:
Lutero faz referência ao Purgatório, sem qualquer contestação à doutrina em si, em 12 das suas teses (teses 10,11, 15, 16, 17, 18, 19, 22, 25, 26, 29, 82). Ex.: Tese 29: “Quem disse que todas as almas no Purgatório desejam ser redimidas? Temos exceções registradas nos casos de S. Severino e S. Pascal, de acordo com uma lenda sobre eles”.
Além da menção aos santos na tese acima, Lutero faz referência a Maria como mãe de Deus (Tese 75), aparentemente não no sentido histórico do termo (o termo histórico, em grego Theotokos, tinha o propósito de reconhecer a divindade de Jesus), mas no conceito católico da expressão, que infere a existência de um poder especial em Maria: Diz a Tese 75– “É loucura considerar que as indulgências papais têm tão grande poder que elas poderiam absolver um homem que tivesse feito o impossível e violado a própria mãe de Deus.”
Quatro teses sugerem legitimidade ao papado e à sucessão apostólica (77, 5, 6, 9). Ex.: Tese 77: “É blasfêmia contra São Pedro e contra o Papa dizer que São Pedro, se fosse o papa atual, não poderia conceder graças maiores [do que as atualmente concedidas].”
Além disso, verificamos que resquícios do romanismo se fizeram presentes na formulação da Igreja Luterana, principalmente na sua estruturação hierárquica e na compreensão quase católica dos elementos da Ceia do Senhor. Possivelmente poderíamos também dizer que na Reforma encontramos individualismo em excesso e falta de unidade entre irmãos de mesma opinião teológica (principalmente nas interações dos luteranos com Zwinglio e Calvino). Mas, com todas essas limitações, os Reformadores foram poderosamente utilizados por Deus na preservação das Suas verdades.
B. A revolta de Lutero foi eminentemente espiritual
Não poderemos compreender a Reforma se acharmos que Lutero foi movido por uma revolta contra pessoas, contra padres corruptos, apenas. A ação de Lutero foi uma revolta contra uma estrutura errada e uma doutrina errada de uma igreja que distorcia a salvação. A Reforma não foi um movimento sociológico; Lutero não pretendia ensinar a salvação do homem pela reforma da sociedade, embora compreendesse que a sociedade era reformada pelas ações do homem resgatado por Deus. Na realidade, a Reforma do Século XVI foi um grande reavivamento espiritual operado por Deus, que começou com uma experiência pessoal de conversão.
C. Lutero não formulou novas doutrinas, ou novas verdades, mas redescobriu a Bíblia em sua pureza e singularidade
As 95 Teses representam coragem, desprendimento, uma preocupação legítima com o estado decadente da Igreja, e uma busca dos verdadeiros ensinamentos da Palavra. Mas é um erro achar que a Reforma marca a aparição de várias doutrinas nunca dantes formuladas. A Palavra de Deus, cujas doutrinas estavam soterradas sob o entulho da tradição, é que foi resgatada. Uma das características comuns das seitas é a presunção de ter descoberto supostas verdades que eram totalmente desconhecidas até que foram reveladas a algum líder. Essas “verdades” passam a ser determinantes na interpretação das demais e tornam-se o ponto central dos ensinamentos da seita. A Reforma coloca-se em completa oposição a esta característica. Nenhum dos Reformadores declarou ter “descoberto” qualquer verdade oculta. Eles tão somente apresentavam, com toda singeleza, os ensinamentos das Escrituras. Seus comentários e controvérsias versavam sempre sobre a clara exposição da Palavra de Deus.
Mais uma vez, Martin Lloyd-Jones nos indica “que a maior lição que a Reforma Protestante tem a nos ensinar é justamente que o segredo do sucesso, na esfera da Igreja e das coisas do Espírito, é olhar para trás.” Lutero e Calvino, diz ele, “foram descobrindo que estiveram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido.”
V. A MENSAGEM DA REFORMA PARA OS DIAS DE HOJE
As mensagens proclamadas pela Reforma continuam sendo pertinentes aos nossos dias. Da mesma forma como a Palavra de Deus é sempre atual e representa a Sua vontade ao homem, em todas as ocasiões, a Reforma, com suas mensagens extraídas dessa mesma Palavra, transborda em atualidade para a cena contemporânea da Igreja Evangélica. Vejamos apenas alguns pontos pregados pelos Reformadores e a sua aplicação presente:
A. A Reforma resgatou o conceito de pecado – Rm 3:10-23
A venda das indulgências mostra como o conceito do pecado estava distorcido na ocasião da Reforma do Século XVI. A Igreja Medieval e, principalmente, as ações de Tetzel, fugiram totalmente da visão bíblica de que pecado é uma transgressão da Lei de Deus, qualquer falta de conformidade com Seus padrões de justiça e santidade. A essência do pecado foi banalizada ao ponto de se acreditar que o seu resgate podia se efetivar pelo dinheiro. É fácil ver as implicações que a falta de um conceito bíblico de pecado traz para outras doutrinas chaves da fé cristã. Por exemplo: se o resgate é em função da soma de dinheiro paga, como fica a expiação de Cristo, qual a necessidade dela? Ao se insurgir contra as indulgências, Lutero estava, na realidade, reapresentando a mensagem da Palavra de Deus sobre o homem, seu estado, suas responsabilidades perante o Deus Santo e Criador e sua necessidade de redenção.
Hoje, estes conceitos estão cada vez mais ausentes da doutrina da Igreja contemporânea. A mensagem da Reforma continua necessária aos nossos dias. Estamos nos acostumando a ouvir que todas as ações são legítimas; que pecado é uma conceito relativo e ultrapassado; que o que importa é a felicidade pessoal e não a observância de princípios. Mesmo nos meios evangélicos, existe grande falta de discernimento — há uma preocupação muito maior com a necessidade de encontrar justificativas, explicações e racionalizações do que com a convicção e o arrependimento.
B. A Reforma pregou a doutrina da Justificação somente pela Fé – Gl. 3:10-14
A Igreja Católica havia distorcido o conceito da salvação, pregando abertamente que a justificação se processava por intermédio das boas obras de cada fiel. Lendo a Palavra, Lutero verificou o quão distanciada essa pregação estava das verdades bíblicas — a salvação é uma graça concedida mediante a fé e as boas obras não fornecem a base para ela; mas apenas a evidenciam e são subprodutos dela. A salvação procede da infinita misericórdia de Deus para com o homem pecador. É Deus quem arranca o homem da lama e perdição do pecado. Enfim, a obra completa da salvação é realizada por Deus.
Hoje, estamos novamente perdendo essa compreensão – a mensagem da Reforma é necessária. A justificação pela fé continua sendo esquecida e procura-se a justificação pelas obras. Muitas vezes prega-se e procura-se a justificação perante Deus através do envolvimento em ações de cunho social.
A justificação pela fé está sendo, ultimamente, considerada um ponto secundário, mesmo no campo evangélico. Assim, muitos têm partido para trabalhos de ampla cooperação, como base de fé e de unidade, como vimos no pensamento expresso pelo documento já referido: Evangélicos e Católicos Juntos.
C. A Reforma resgatou o conceito da autoridade vital da Palavra de Deus – 2 Pe 1:16-21
Na ocasião da Reforma, a tradição da Igreja já havia se incorporado aos padrões determinantes de comportamento e da doutrina e, na realidade, já havia abandonado as prescrições das Escrituras. A Bíblia era conservada distante e afastada da compreensão dos devotos; era considerada um livro só para os entendidos, um livro obscuro e até perigoso para as massas. Os Reformadores redescobriram e levantaram bem alto o único padrão de fé e prática: a Palavra de Deus e, por este padrão, aferiram tanto as autoridades como as práticas religiosas em vigor.
Hoje o mundo está sem padrão. Mas não é somente o mundo, a própria Igreja Evangélica está voltando a enterrar o seu padrão em meio a um entulho místico pseudo-espiritual – a mensagem da Reforma continua necessária.
Sabemos que nas pessoas sem Deus imperam o subjetivismo e o existencialismo. A única regra de prática existente parece ser: “Comamos e bebamos porque amanhã morreremos.” Verificamos que nas seitas existe uma multiplicidade de padrões. Livros e escritos são apresentados como se a sua autoridade estivesse paralela ou até acima da Bíblia. A cena comum é a apresentação de novas revelações, geralmente de caráter escatológico e de características fluidas, contraditórias e totalmente duvidosas.
No meio eclesiástico liberal, já nos acostumamos a identificar o ataque constante à veracidade das Escrituras. Já há mais de dois séculos os liberais têm contestado sistematicamente a Palavra de Deus, como se a fé cristã verdadeira fosse capaz de subsistir sem o seu alicerce principal.
Mas é no campo Evangélico que somos perturbados com os últimos ataques à Bíblia como regra inerrante de fé e prática. Ultimamente muitos pseudo-intelectuais têm questionado a doutrina que coloca a Bíblia como um livro inspirado, livre de erro. Podemos tomar como exemplo o caso do Fuller Theological Seminary. Esta famosa instituição evangélica foi fundada em 1947 sobre princípios corretos. Logo após o seu início, formulou-se uma declaração de fé que especificava: “…os livros do Velho Testamento e Novo Testamento…, nos originais, são inspirados plenariamente e livres de erro, no todo e em suas partes…” Entretanto, em 1968, o filho do fundador, Daniel Fuller, que havia estudado sob Karl Barth, começou a questionar a inerrância da Bíblia, fazendo distinção entre trechos “revelativos” e trechos “não revelativos” das Escrituras. Foi seguido nesta posição pelo presidente, David Hubbard, e por vários outros professores, todos considerados evangélicos. Logicamente não há critério coerente ou autoritativo para fazer esta distinção. Subtrai-se da Igreja o seu padrão, derruba-se um dos pilares da Reforma, e a Igreja é retroagida a uma condição medieval de dependência dos “especialistas” que nos dirão quais as partes em que devemos crer realmente e quais as que devemos descartar como mera invenção humana.
No campo evangélico neopentecostal a suficiência da Palavra de Deus é desconsiderada e substituída pelas supostas “novas revelações”, que passam a ser determinantes das doutrinas e práticas do povo de Deus.
A Confissão de Fé de Westminster, em seu Capítulo 1º, apresenta a mensagem inequívoca da Reforma do Século XVI, cada vez mais válida aos nossos dias. Ali a Bíblia é descrita como sendo a “… única regra infalível de fé e de prática”.
D. A Reforma redescobriu na Palavra a doutrina do Sacerdócio Individual do Crente – Hb 10:19-21
O sacerdócio individual do crente foi uma outra doutrina resgatada. Ela apresenta a pessoa de Cristo como único mediador entre Deus e os homens, concedendo a cada salvo “acesso direto ao trono” por intermédio do sacrifício de Cristo na cruz e pela operação do Espírito Santo no “homem interior”. O ensinamento bíblico, transmitido pela Reforma, eliminava os vários intermediários que haviam surgido ao longo dos séculos, entre o Deus que salva e o pecador redimido. Na ocasião, esse era um ensinamento totalmente estranho à Igreja de Roma, que sempre se apresentou como tendo a palavra final de autoridade e interpretação das Escrituras.
Lutero rebelou-se contra o véu de obscuridade que a Igreja lançava sobre as verdades espirituais e levou os fiéis de volta ao trono da graça. Isso proporcionou uma abertura providencial de conhecimento teológico e religioso. Lutero sabia disso, mas sabia também que o acesso a Deus deveria estar fundamentado nas verdades da Bíblia, tanto que um de seus primeiros esforços, após o rompimento com a Igreja Romana, foi a tradução da Palavra de Deus para a língua falada em seu país: o alemão.
O ensinamento do sacerdócio individual do crente foi o grande responsável pelo estudo aprofundado das Escrituras e pela disseminação da fé reformada. Levados a proceder como os bereanos, os crentes verificaram que não dependiam do clero para o entendimento e aplicação dos preceitos de Deus e passaram a entender com determinação as doutrinas cristãs.
A mensagem da Reforma continua sendo necessária hoje. A igreja contemporânea está multiplicando-se em quantidade de adeptos, mas é uma multiplicação estranha que segue acompanhada de uma preguiça mental quanto ao estudo. Parece que fomos todos tomados de anorexia espiritual, onde nos contentamos com muito pouco, nos achamos mestres sem estudar, nos concentramos na periferia e não no cerne das doutrinas e ficamos felizes com o recebimento só do “leite” e não da “carne”.
A mensagem da Reforma é necessária para que não venhamos a testemunhar a consolidação de toda uma geração de “analfabetos cristãos”. Em vez de procurar “tudo enlatado” e de deixar que apenas formas de entretenimento povoem nossa mente e coração, devemos nos lembrar constantemente da importância de “guardar a palavra no coração”.
Precisamos nos aperceber de que a objetividade da Palavra de Deus é verdade proposicional objetiva. Mas esta objetividade tem que ser acompanhada do nosso estudo e da nossa capacidade de compreensão, sob a iluminação do Espírito Santo de Deus, e da aplicação coerente dos ensinamentos desta Palavra em nossa vida.
E. A Reforma apresentou, de forma clara e inequívoca, o conceito de Soberania de Deus – Salmo 24
Na ocasião da Reforma, as expressões de religiosidade tinham se tornado totalmente centralizadas no homem. Isso ocorreu principalmente pela grande influência de Tomás de Aquino na sistematização do pensamento católico romano. Abraçando as idéias de Pelágio, Aquino enfatizou completamente o livre arbítrio do homem. Ele desconsiderou a gravidade da escravidão ao pecado que torna o homem incapaz de escolher o bem. Lutero reconheceu que a salvação se constituía em algo mais que uma mera convicção intelectual. Era, na realidade, um milagre da parte de Deus. Por isso, ele tanto pregou quanto escreveu sobre “a prisão do arbítrio”. Costumamos atribuir a cristalização das doutrinas relacionadas com a soberania de Deus a João Calvino apenas, mas o ensinamento bíblico de Lutero traz, com não menor veemência, uma teologia teocêntrica na qual Deus reina soberanamente em todos os sentidos.
Hoje, a mensagem continua a ser necessária, pois o homem, e não Deus, continua sendo o centro das atenções. Mesmo dentro dos círculos evangélicos, a evangelização elege a felicidade do homem como alvo principal, e não a glória de Deus. Até a nossa liturgia é desenvolvida em torno de algo que nos faça “sentir bem”, e não com o objetivo maior da glorificação a Deus. Nesse aspecto, deveríamos estar atentos à mensagem de Amós, que nos ensina (Am 4:4-5) que Deus não Se impressiona com a liturgia que não é direcionada a Ele. Nesse trecho vemos que a adoração realizada em Betel e Gilgal tinha várias características dos cultos contemporâneos:
1. Os locais eram suntuosos e famosos (Betel possuía belas fontes no topo da montanha).
2. A periodicidade dos cultos e possivelmente a freqüência era exemplar (diariamente se reuniam).
3. As contribuições eram abundantes, superando até os padrões de Deus (de três em três dias traziam as ofertas).
4. O louvor era abundante (sacrifícios de louvor eram ofertados; Am 5.23 e 6.5 falam também do estrépito dos cânticos e da transbordante música instrumental).
5. Havia bastante publicidade (as ofertas eram divulgadas e apregoadas).
6. Havia alegria e deleite geral nos trabalhos (“disso gostais”, diz o profeta).
O resultado de toda essa adoração centralizada no homem foi a mão pesada de Deus em julgamento sobre aquela sociedade insensível (com aquele culto, as pessoas, dizia o profeta, “multiplicavam as suas transgressões”). Realmente, à semelhança da Reforma, precisamos resgatar a pregação da soberania de Deus e demonstrar esta doutrina na prática de nossa vida e na das nossas igrejas.
CONCLUSÃO
Devemos reconhecer a Reforma como um movimento operado por homens falíveis, mas poderosamente utilizados pelo Espírito Santo de Deus para resgatar Suas verdades e preservar a Sua Igreja. Não devemos endeusar os Reformadores nem a Reforma, mas não podemos deixá-la esquecida e nem deixar de proclamar a sua mensagem, que reflete o ensinamento da Palavra de Deus para os dias de hoje. A natureza humana continua a mesma, submersa em pecado. Os problemas e situações tendem a se repetir, até no seio da Igreja. O Deus da Reforma fala ao mundo hoje, com a mesma mensagem eterna. Devemos, em oração e temor, ter a coragem de pregá-la e proclamá-la à nossa Igreja.
(Publicado em O Presbiteriano Conservador na edição de Setembro/Outubro de 1997)
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Falsificações - David Martyn Lloyd-Jones


Temos vivido dias enganosos. Muitos têm sido enganados por falsificações, por fatos que aparentemente são reais, a tal ponto que, por eles, vão às ultimas conseqüências. Mas não são verdadeiros, são falsos, e esta é uma característica do diabo, de satanás, o pai da mentira, o pai da falsificação. E neste contexto as seitas são exatamente o que aparenta ser verdadeiro e por isso têm enganado a tantos. Como diagnosticar estas seitas?

Primeiro, seria bom dizer que o surgimento de seitas no meio dos evangélicos é demonstração de que a igreja não está bem. Muitos estão com problemas graves e têm procurado a igreja, mas não têm visto solução para si mesmos; creio que aqui deva ser colocado o tradicionalismo evangélico, a ortodoxia (que, diga-se de passagem, é necessária) morta, a superficialidade cristã, a falta de conversão verdadeira, o comodismo, tudo isso tem feito as pessoas buscarem outro aconchego.

No entanto é fato real que a grande maioria das pessoas está em busca de solução para os seus problemas, uma vida melhor, vida de paz, sem problemas, sem doença, mas são avessas às exortações, às recomendações de santificação; estão buscando pão como nos dias de Jesus. "Vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comeste dos pães e vos fartastes" (Jo.6:26). Aqui é que entra a seita, pois ela oferece ao povo exatamente aquilo que ele necessita (quer). E se você repreende alguém, recebe esta advertência: "Veja o bem que estou recebendo! Se me faz bem, deve ser de Deus!" Ou seja, se traz sucesso, solução, fez-me mudar de vida e traz felicidade, deve ser de Deus.

É exatamente aí que satanás arma sua cilada e já tem dominado muitas vidas. Lembrem-se que muitas organizações que ridicularizam o cristianismo podem ajudar as pessoas e fazê-las felizes. Lembro aqui os psiquiatras e psicólogos ateus. Eles podem trazer resultados muito bons, sem nada de orientação cristã. O próprio espiritismo tem trazido solução para muitas vidas; a yoga, o pensamento positivo e outros. Se você acha que tudo o que traz o bem pessoal é de Deus, saiba que já está caído diante do diabo.

Como saber então se é de Deus? Como diagnosticar o problema?

Seria bom inicialmente afirmar que o que importa ao homem não é o que ele sente, mas o seu relacionamento com Deus. Qualquer orientação que me faça ficar satisfeito, quando a minha relação com Deus está ruim, isto é do diabo. Era esta a situação dos fariseus.

Mas há outros testes práticos que gostaria de colocar.

O modo como vem a "bênção". Eles ensinam que se você obedecer a uma fórmula, pré-estabelecida, a bênção virá, a felicidade, a paz, a cura. E sempre é uma fórmula alheia às Santas Escrituras. Geralmente a idéia de uma visão que alguém teve, e daí é elaborado o sistema. Elas podem até citar as Escrituras, mas ao acaso, texto fora do contexto, e isso é transformado em pretexto. Compare isso com as grandes confissões de fé e credos do cristianismo. São todos sinopses da Palavra de Deus. Ali é enfatizada a grandeza e extensão da Bíblia. Como é diferente das seitas que apresentam apenas uma fórmula, uma fórmula mágica. ( Na igreja: ir a igreja, ou ler a Bíblia, ou orar).

Outro aspecto que é característico de uma seita é o testemunho pessoal. O que os sectários destas seitas falam é sobre sua vida, o que era e o que são agora. Que eram assim até entrarem para esta "igreja", o seu problema está resolvido. Não ensinam as doutrinas fundamentais do cristianismo. Enfatizam apenas uma fórmula. Vejam que eles, ao enfatizarem seus testemunhos, começam com eles e terminam com eles, e não com Jesus como Senhor, apesar de citá-lO.

Eles enfatizam apenas o que é prático. Negligenciam a doutrina. Dizem: "Vocês precisam é de algo prático". Na verdade, porém, o que estão querendo dizer é que não é importante a doutrina. Mas não era assim que Paulo fazia na epístola aos Efésios; ele escreve os três primeiros capítulos nos quais a doutrina não é prática, é pura doutrina. E só depois do capítulo quatro ;e que a torna prática. Ou seja, primeiro o fundamento doutrinário, depois a prática. A ordem inversa é de grande perigo. É o que acontece com essas seitas.

Quero aqui realçar o perigo dentro das nossas igrejas. Hoje há uma tendência em se desvalorizar a doutrina. Teologia, doutrina, tudo soa muito intelectual, sofisticado (creio até que em algumas circunstâncias é verdade) e por isso é negligenciado. Há risco de seitas no nosso meio.

Apesar de falar no Espírito Santo, não se acha que Ele é que vai realizar em nós o que Deus quer. Eles sempre afirmam que é você que pode fazer. Esquecem que é Deus que opera em nós tanto o querer como o efetuar. Daí surgir a jactância, o orgulho, a satisfação própria. Há muita arrogância, pois são eles que conseguem realizar. A mudança foi devido a uma atitude tomada, uma conseqüência do seu esforço próprio. "Eu era assim, mas agora consegui isto..." Não estão entregues à vontade de Deus, mas seus interesses é que prevalecem. Este perigo também está em nossas igrejas e os que agem assim estão esquecidos do que disse Paulo: "operai a vossa salvação com temor e tremor"(Fl.2:12) - Mas eles dizem "não há nada o que temer". Deus nos livre deste pecado da arrogância. É Deus que opera em nós a mudança. O mérito é dEle!

Uma outra característica é que "a fórmula é muito simples". Eles chegam a dizer que é um desperdício estudar tanto as epístolas, quando eles têm uma fórmula tão simples. As seitas têm todas as características dos remédios dos charlatães e toda a sua propaganda. "Eis aí o remédio que cura todos os males". O pior é que não afirmam apenas que podem resolver todos os problemas, mas que podem resolver com facilidade. Mas não é isto que ensina o apóstolo Paulo quando diz: "em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos..." Podemos ser vitoriosos, é verdade, mas não é fácil. Por isso ele disse também: "Nossa luta não é contra a carne e o sangue..." Temos de lutar contra poderes terríveis. Essa idéia de "fácil" é falsa à luz do Novo Testamento.

Nesta linha de pensamento, outra característica semelhante das seitas é que elas oferecem a CURA, a BÊNÇÃO, "imediatamente". Já notou isso? É o método do "atalho", e por isso conseguem tantos adeptos. Mas o que nos ensina o Novo Testamento é que estamos num mundo difícil, pecaminoso, dominado pelo diabo e seus anjos. Por isso precisamos de toda a armadura de Deus. Precisamos ser fortalecidos "com poder pelo Seu Espírito no homem interior" (Ef.3:16). O homem moderno afirma: "Eu pensava que o cristianismo resolveria todos os meus problemas e endireitaria tudo imediatamente, mas agora me dizem que devo lutar, vigiar, orar, jejuar, suar... Não quero nada disso! Quero algo que solucione rápido o meu problema". As seitas respondem: "Certo, naturalmente". Observem que as seitas não ensinam crescimento na graça e conhecimento de Cristo; não falam em "operai a vossa salvação com tremor e temor"(2Pe.3:18).

Qualquer coisa que ofereça "atalhos" espirituais não é cristianismo da Bíblia. Mas as seitas perguntam: "O que você está precisando? Qual o seu problema?" E responde: "Venha. Nós podemos ajudá-lo". E oferecem o remédio barato, fácil e rápido. Saúde, cura física, a bênção que soluciona todos os seus problemas.

Mas o método do Evangelho é muito diferente. A primeira coisa do Evangelho é o CONHECIMENTO DE DEUS. Está é a grande mensagem da Bíblia. Por que Cristo veio ao mundo? "Para conduzir-nos a Deus", responde o apóstolo Pedro (1Pe.3:18). O Evangelho não começa com as minhas dores e penas, minhas necessidades de orientação ou minha aflição. Começa por conhecer a Deus. Este é o objetivo do Cristianismo. "A vida eterna é esta" - Qual? Que eu não me aflija mais, ou que fique livre daquilo que me deprime? Não! - "que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste"(Jo.17:3). Se eu estiver correto com este pensamento, as outras coisas estarão resolvidas. O objetivo do Cristianismo é levar-nos ao conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo.

As seitas não mencionam isto e também não falam de santidade. Podem até proibir muitas coisas nocivas, e dessa forma fabricar fariseus satisfeitos consigo mesmos. Mas a santidade não é algo negativo, e sim positivo - "Sede santos, pois Eu Sou Santo" diz o Senhor. Não é apenas vitória sobre pecados particulares, mas é de fato ser santo. Eles não enfatizam isso.

Outra coisa que as seitas não falam é sobre a "esperança da glória". O Novo Testamento nos fala da glória vindoura. Mas as seitas se propõem a ajudar as pessoas enquanto elas estiverem neste mundo, sem enfocar o futuro. "VOCÊ", você é que está no centro, eles estão enfatizando a experiência e não falam da glória do céu, nem do "NOVO CÉU E NOVA TERRA, ONDE HABITA A JUSTIÇA" (2Pe.3:13).

Enfim, as seitas ficam apenas num estreito círculo no qual o homem está girando, girando e repetindo constantemente a mesma coisa. A "bênção" oferecida pelas seitas é bem diferente do que o Evangelho oferece.

Abomino as seitas. Elas não passam no teste que é a Pessoa de Cristo. Todo movimento ou ensino que não faça do Senhor Jesus Cristo e Sua morte na cruz e Sua gloriosa ressurreição, uma necessidade absolutamente central, não é cristã e sim manifestação das "astutas ciladas do diabo". Ou seja, qualquer ensino ou movimento que diga que você pode Ter esta ou aquela benção sem primeiro crer no Senhor Jesus Cristo como o Filho de Deus, como Salvador de sua alma e Senhor de sua vida, e que sem Ele você não é nada, é uma negação das Escrituras, do cristianismo. Se o ensino ou movimento inclui maometano, budista, judeu e lhe oferece a bênção sem que eles reconheçam e confessem que Cristo, e somente Cristo, é o Filho de Deus e que Ele, somente Ele, pode salvar o pecador, porque ele morreu pelos nossos pecados, NÃO É CRISTÃO! Essa bênção fora do evangelho é negação do cristianismo e devemos rejeitá-la. Não há acesso a Deus, não há conhecimento de Deus como Salvador e Libertador, exceto por meio de Cristo. As seitas são um insulto a Deus, a Jesus Cristo, não têm direito de existir. Se você acha que Jesus não é suficiente, e que deve ir após as seitas em busca de ajuda e "bênção"(cura, prosperidade...), você O está negando; você O está insultando. São as astutas ciladas do diabo.

A fé que sustentou, fortaleceu e abençoou os santos no transcurso dos séculos, e que tem resistido a todos os testes que se podem conceber, é suficiente. Você não tem necessidade de seguir alguma idéia nova, moderna, que só passou a existir no século passado, ou neste. VOLTE PARA A VELHA HISTÓRIA, sempre nova e verdadeira. Volte para a fonte e origem de todas as bênçãos; volte para o Deus eterno e Seu Filho, nosso glorioso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. E o Espírito entrará em seu ser, e todas as suas necessidades serão supridas.

Estou Crucificado com Cristo - John Piper


 
- É verdade que tomar nossa cruz envolve uma transação espiritual, na qual nossa "velha natureza" ou "a carne" morre com Cristo e uma "nova criatura" nasce. Esse é o modo pelo qual o apóstolo aplica o chamado de Jesus para tomar nossa cruz. "Os que são de Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gl 5.24). "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.19-20). "Foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos" (Rm 6.6). "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo em Deus" (Cl 3.2-3).

Mas a essência dessa morte espiritual não é que ela toma o lugar de uma aplicação real e prática do ensino de Jesus para o sofrimento físico e morte, mas que ela faz essa aplicação possível. Precisamente porque nosso velho egoísmo, mundanismo, desamor, temor e orgulho morreram com Cristo e um novo ser confiante, amoroso, voltado para Deus e cheio de esperança veio a existir - precisamente por causa dessa morte interior e de uma nova vida, somos capazes de assumir riscos, sofrer a dor e até mesmo a morte, sem desespero mas cheios de esperança.

"Se me Perseguiram a mim, Também Perseguirão a vós"

Portanto, não devemos diminuir o chamado para o sofrimento. Não devemos domesticar todo o ensino do Novo Testamento a respeito da aflição e perseguição apenas porque nossas vidas estão bem tranqüilas. Pode ser que não tenhamos sido escolhidos para viver de todos os modos radicais de amor que Deus quer que vivamos. Pode ser que o nosso tempo de sofrimento esteja muito próximo. Mas não significa que devemos tomar nossas próprias vidas confortáveis e fazê-las a medida daquilo que permitimos à Bíblia dizer.

Jesus veio ao mundo para dar-nos sua vida em resgate de muitos (Mc 10.45). Há uma necessidade divina sobre ele para o sofrimento: "Era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas" (Mc 8.31; cf. Lc 17.25). Porque essa foi a sua vocação, sofrer também se tornou a vocação daqueles que o seguem. Isso está implícito nas palavras: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio" (Jo 20.21). E Jesus tornou isso explícito quando disse: "Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros" (Jo 15.20). "Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?" (Mt 10.25).

Mantendo a Sua Alegria em Deus



Lições da Formiga

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Podemos aprender bastante observando os hábitos de trabalho das formiguinhas!

O livro de Provérbios oferece o seguinte conselho sobre a importância do trabalho esforçado:
Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantará do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado (Provérbios 6:6-11).
O escritor destas palavras de sabedoria olhava para uma das menores e mais humildes criaturas para aprender o valor do trabalho. A formiga passa as curtas semanas de sua vida trabalhando diligentemente e sem queixa. Diferente de algumas pessoas que só trabalham quando são forçadas, a formiga continua sua tarefa mesmo quando ninguém está observando. Diferente daqueles que preferem dormir do que trabalhar, a formiga está continuamente ativa. Ela não se queixa de que a tarefa seja muito dura ou que o pagamento seja muito baixo. Ela trabalha porque este é seu papel na vida, determinado pelo Criador.
Desde o princípio, nosso Criador teve intenção de que trabalhássemos (Gênesis 2:15). Entretanto, muitas pessoas têm neg-ligenciado esta obrigação. Qual é o resul-tado da indolência humana? Pobreza e carência (Provérbios 6:11). Conquanto haja tempos em que as pessoas boas e traba-lhadoras sofrem necessidade (veja Filipen-ses 4:10:13; Atos 11:27-30), muito da po-breza e do sofrimento neste mundo é o resultado da preguiça.
Homens que respei-tam a vontade de Deus trabalham para susten-tar suas famílias (1 Ti-móteo 5:8) e até mesmo para ajudar outros que estejam necessitados (Efésios 4:28). Aqueles que se recusam a traba-lhar merecem passar fome (2 Tessalonicenses 3:10). Os cristãos têm que separar-se dos irmãos preguiçosos (2 Tessalonicenses 3:6, 14).
Quando trabalharmos, deveremos estar certos de que nosso motivo é agradar a Deus (Efésios 6:5-8) e não é acumular riquezas, para satisfazer nossos próprios desejos egoístas (Provérbios 23:1-5; 1 Timóteo 6:8-10).
Todos nós podemos aprender bastante observando os hábitos de trabalho das formiguinhas!
 
­por Dennis Allan

Cap 42 - Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica O HOMEM DO PECADO

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Nos capítulos anteriores já tocamos algo no Homem do Pecado, mas agora viemos estudá-lo mais de perto. Antes de prosseguirmos, vire o estudante e leia as passagens seguintes: 2 Tess. 2:3-10; Apoc. 11:1-7,13; 16:13-16,17; 19:17-20; Dan. 7:8-27; 8:8-25. Estas duas últimas passagens têm referência a Antiôco Epifano, o tipo do Homem do Pecado.
I. A IDENTIDADE DO HOMEM DO PECADO
1. É PARA SER UM INDIVÍDUO ATUAL
Como afirmado antes, interpretamos qualquer passagem da Escritura literalmente, a menos que haja alguma coisa na passagem, ou no contexto, ou em alguma outra Escritura que indique um sentido figurativo. Não achamos nenhuma razão, absolutamente, para tomarmos a descrição do Homem do Pecado de outra maneira que não literalmente. Nenhuma instituição ou agência podia sentar-se no templo de Deus. Vide 2 Tess. 2:4.
2. ELE E A BESTA DO APOCALIPSE DEVEM SER O MESMO INDIVIDUO
Sustentamos esta convicção pelas seguintes razões:
(1). Ambos devem ocorrer os seus curso durante o ínterim entre as duas fases da vinda de Cristo
Abaixo mostramos ser isto verdade do Homem do Pecado. E num capítulo anterior mostramos que a seção do livro em que se recorda a carreira da besta pertence a esse período.
(2). Suas atividades são igualmente descritas
2 Tess. 2:4-10; Apoc. 13:6-8.
(3). Ambos são para serem destruídos na vinda final de Cristo à terra.
2 Tess. 2:8; Apoc. 19:11-20
3. ELE É PARA SER UM REI MUNDANO COM ASSENTO DE PODER EM ROMA
Vide Apoc. 17:1-11. Sustentamos os sete montes (v. 9) como as sete célebres colinas de Roma. Os cinco reis caídos, sustentamos ser Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia. A que então era cremos que foi Roma pagã. A que ainda era para vir foi Roma "Cristã", ou o Santo Império Romano, assim chamado. Os primeiros seis reinos (o termo para reis significando tanto reis como reinos) culminaram no sétimo. A besta é para ser o oitavo rei e seu reino combinara todo o poder e malícia dos sete. A ferida mortal em uma das cabeças da besta (Apoc. 13:3) tomamos por representar a queda de Roma, A. D. 476. Referimos a cura da ferida ao restabelecimento do Império Romano com sua capital em Roma sob o reinado da besta. O mar do qual se vê surgir a besta (Apoc. 13:1; 17:1,15) tomamos por representar a massa da humanidade em ebulição, turbulenta, revolucionária, à qual serão os habitantes da terra pelo rapto dos santos.
Não achamos fundamento satisfatório para sustentarmos que o Homem do Pecado será Judas reencarnado. Certo é que Deus não operaria ativamente semelhante reencarnação. E o diabo não tem o poder de operá-la. Ele pode possuir e dominar os homens, mas ele atualmente não pode encarnar-se nem reencarnar os seus falecidos seguidores. A base da noção que o Homem do Pecado será Judas reencarnado, o fato dele ter sido chamado "um diabo" (João 6:70), e "o filho da perdição" (João 17:12) e ter isso "para o seu próprio logar" (Atos 1:25), é insuficiente para estabelecer uma idéia tão radical. A esta e outras noções concernentes ao Homem do Pecado consideramos como fantasiosas.
Nem há fundamento escriturístico para referir-se ao Homem do Pecado como o Anticristo em qualquer sentido exclusivo. Só João nas suas epístolas usa o termo, aplicando-o aos falsos mestres do seu dia que negavam humanidade de Cristo (1 João 2:18-22; 4:3,4; 2 João 7). E João disse que havia muitos deles no mundo. O prefixo "anti" pode significar contra ou em vez de. Não há evidencia de João o ter dado no último sentido: usou-o exclusivamente como aplicado àqueles que eram contra Cristo; aqueles que negavam que Jesus era o Cristo ( ). Não há evidência que os falsos mestres a que se referiu João tentaram estabelecer qualquer deles como o Cristo.
O Homem do Pecado, será um anticristo, porém identificá-lo como "o Anticristo", num sentido exclusivo, e então tomar o prefixo para significar em vez de , inferindo que ele será um judeu e confundir-se-á com Cristo, está sem garantia. O Homem do Pecado sentar-se-á no templo e exigirá culto, mas ele podia fazer isso sem impor-se como o Messias.
Como um tipo disto, Antiôco Epifano erigiu a estátua de Júpiter Olimpo sobre o altar da oferta queimada. Os sete precursores da besta ou do Homem do Pecado não eram judeus. Sustentamos que o Homem do Pecado será romano (italiano).
II. O TEMPO DA SUA CARREIRA
1. É PARA SER REVELADO NO ÍNTERIM ENTRE AS DUAS FASES DA VINDA DE CRISTO
Como já assinalamos previamente, nenhum indivíduo que cumpriu a descrição do Homem do Pecado ainda se revelou na terra. Pensam alguns que a linha papal é o Homem do Pecado, mas nenhum papa se sentou jamais no templo de Deus. O Vaticano não é o templo de Deus. O cristianismo apóstata não é o templo de Deus; pelo contrário, é a habitação de demônios (Apoc. 18:2). A revelação do Homem do Pecado está sendo agora impedida por algum indivíduo (2 Tess. 2:6,7). Cremos que este empecilho é o Espírito Santo habitando em todo verdadeiro crente (1 Cor. 6:19) e em toda a verdadeira igreja do Novo Testamento (1 Cor. 3:16). É a influência retentora do Espírito Santo, exercida através de crentes, que agora impede a revelação do Homem do Pecado. Assim os crentes são o sal da terra (Mat. 5:13). Retirar do caminho o empecilho, então significará a remoção do Espírito Santo da terra ( ). Isto requererá tirar da terra todo o verdadeiro crente. Desde que isto ocorrerá na primeira fase da vinda de Cristo (1 Tess. 4:15-17), a revelação do Homem do Pecado não se pode dar até depois da primeira fase da vinda de Cristo. E desde que ele é para ser consumido e destruído na segunda fase da vinda de Cristo (2 Tess. 2:8), ele deve ser revelado e deve ocorrer seu curso durante o ínterim entre as duas fases da vinda de Cristo.
2. A DURAÇÃO DE SUA CARREIRA SERÁ DE QUARENTA E DOIS MESES
Apoc. 13:5. É para ser revelado aí pelo meado do período da grande tribulação e para continuar através da última parte dele. Interpretamos os quarenta e dois meses literalmente porque isso parece mais conveniente em vista de todas as outras indicações de tempo. Três anos e meio respondem bem a "um tempo, tempos e metade de um tempo", durante o qual ele (evidentemente o homem do pecado tipificado em Daniel) "espalhará o poder do povo santo (os judeus)" (Dan. 7:25; 12:7), durante o qual a mulher (a quem tomamos por representar a nação judaica) é para habitar no deserto (Apoc. 12:14).
III. SUAS ATIVIDADES
1. SENTAR-SE-Á NO TEMPLO, PRETENDENDO SER DEUS
Vide 2 Tess. 2:4. O templo em que o Homem do Pecado se sentará é sem dúvida o templo judaico restaurado, o qual será o centro do culto durante o milênio. Toda igreja do Novo Testamento é um templo de Deus (1 Cor. 3:16). Mas isto não podia ser o que se quer dizer em 2 Tess. 2:4. Estar sentado numa igreja local não seria suficiente para satisfazer a ambição deste monstro de iniqüidade. E seguramente a Escritura indica uma exaltação mais ousada e extensível do que esta. A referência em 2 Tess. 2:4 não podia ser a um cristianismo apóstata, porque, como já observamos, um cristianismo apostata não é o templo de Deus; pelo contrário, é a habitação de demônios (Apoc. 18:2). A referência é certamente ao templo judaico que é para ser restaurado pelos judeus em Jerusalém algum tempo durante a grande tribulação no seu período. Isto, parece claro, é o templo que vem à vista em Apoc. 11:1,2.
Não cremos que o Homem do Pecado se sentará pessoalmente no templo, mas será representado lá pela sua imagem (Apoc. 13:14-17). É assim que ele pretenderá ser Deus e não se impondo como o Messias. Se ele desejasse ser reconhecido como Messias, o senso comum proibiria a concessão de exigir adoração de sua imagem.
2. ELE FARÁ A INDUSTRIA PROSPERAR
Dan. 8:25. Ele dará ao mundo o novíssimo de todos os "novos tráficos"; será um grande líder industrial.
3. ELE FARÁ MUITAS COISAS ARROGANTES
Dan. 7:25; 8:10-12,23,24.
4. ELE SUSTENTARÁ A IGREJA CATÓLICA ROMANA E RECEBERÁ DELA PATROCÍNIO
Apoc. 17:2-6. Tomamos a grande meretriz por representar a Igreja Católica Romana (Apoc. 17:1-7). Sua indumentária e ornamentos retratam a riqueza da Igreja Católica Romana. As abominações são suas doutrinas e práticas. A fornicação representa o seu adultério espiritual em estar esposada com o Papa em vez de com Cristo. As prostitutas das quais ela é a mãe são denominações protestantes. Ela estar "Bêbada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus" retrata sua perseguição contra verdadeiros crentes (particularmente batistas) através das idades médias e das trevas. De Apoc. 18:4 achamos que mesmo na hora exata de sua destruição ela terá alguns dos de Deus nela, como sem dúvida ela tem neste tempo. E o mandamento de Deus agora é o mesmo que será no fim: "Sai dela, povo meu, para não serdes participantes dos seus pecados e para que não recebais suas pragas". Dizemos que a besta sustentará a Igreja Católica Romana porque vemos, primeiro, a meretriz cavalgando a besta (Apoc. 17:1-12). Dizemos que a beta receberá o patrocínio da Igreja Católica Romana porque consideramos a segunda besta (Apoc. 14:11-17) como o Papa. Notai que esta segunda besta tem a aparência de um cordeiro. Representa isto a professada santidade do Papa. Notai também que, em contraste com a primeira besta, a segunda besta levantar-se-á da terra (Apoc. 13:11). A primeira besta erguer-se-á do (o mar) tumulto e revolução. A segunda terá uma fonte sólida, compacta, regulada, ? o sistema Católico Romano.
5. MAS, FINALMENTE, ELE E SEUS DEZ REIS VIRAR-SE-ÃO CONTRA A MÃE DAS PROSTITUTAS E A DESTRUIRÃO
Apoc. 17:16,17.
6. ELE PERSEGUIRÁ OS JUDEUS
Dan. 7:25; Apoc. 11:7; 13:7. Isto será ocasionado sem dúvida pela recusa dos judeus de se curvarem à sua autoridade e adorarem sua imagem.
7. FINALMENTE, ELE CONDUZIRÁ OS REIS DA TERRA E SEUS EXÉRCITOS CONTRA JERUSALÉM PARA A BATALHA DE ARMAGEDÃO
Apoc. 16:13-16; 19:17-21. Consideramos o falso profeta mencionado nestas passagens como sendo idênticos com a segunda besta ? o Papa, que, após a destruição da Igreja Católica Romana, ficará em liga com a Besta. A batalha de Armagedão prenderá nossa atenção no capítulo seguinte.

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Luis Antonio dos Santos, 12/05

19 de ago. de 2010

( Ensinamentos de Cristo )

"E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Jo 17:3.

Missões Evangélicas 007 - Deus Fala (Vale a pena Assistir) Projeto SEMEAR

Se você não "vigiar e orar" – John Owen (1616-1693)


Use, por favor, sua imaginação e crie estas quatro cenas.

Primeira cena

Imagine que solicitaram a você fazer uma visitar ao hospital. Os preparativos foram feitos de tal maneira que você só visite aqueles que estão morrendo. Algumas pessoas estão tão magras que quase é possível contar os seus ossos. Não há cor em suas peles; resta-lhes muito pouca força e mal conseguem falar sussurrando. Outros estão, obviamente, sofrendo grandes dores, mesmo tendo recebido doses adequadas de analgésicos. Ainda outros sofrem de doenças muito desagradáveis. Indo de cama em cama você pergunta aos pacientes como foi que chegaram à situação em que se encontram. Em cada caso, eles contam como foi o começo de sua condição e como foi que contraíram as doenças de que padecem agora, e que os estão matando. Uma visita como essa teria, por certo, o impacto de levar você a tentar evitar as coisas que conduziram essas pessoas a um leito de morte.

Segunda cena

Imagine uma visita a um país no qual ainda vigora a pena de morte. Durante sua visita você é levado ao pavilhão no qual estão os criminosos condenados à morte. Ao encontrá-los você lhes faz a mesma pergunta: o que fez com que chegassem a este fim tão triste. Imagine que cada prisioneiro lhe conte exatamente a mesma história. Uma visita como essa levaria você a evitar que as mesmas coisas sucedessem com você.

Terceira cena

Procure imaginar um ajuntamento de cristãos que compartilhem uma coisa em comum; todos entraram em tentação e saíram dela muito mal. Todos ao seu redor são almas pobres, miseráveis, feridas espiritualmente. Uma está ferida por um pecado, outra por outro; uma caiu na impureza da carne, outra na do espírito. Mais uma vez, é seu dever perguntar a cada uma dessas pessoas como foi que chegaram à sua condição atual. Todas elas concordam em dizer: "Ah! Nós entramos em tentação, fomos vítimas das astutas ciladas do diabo, e esta é a consequência"!

Quarta cena

Imagine, se lhe for possível, uma visita aos condenados ao inferno, ver as pobres almas presas nas cadeias tenebrosas e ouvir seus gritos. Ouça o que essas pobres almas dizem. O que estão dizendo? Não seria verdade que estão amaldi¬çoando seus tentadores e as tentações nas quais entraram e que as trouxeram a este lugar amaldiçoado? A realidade de tais sofrimentos e sua angústia desafia a imaginação mas não altera a realidade. Poderia você pensar nestas coisas e não levar mais a sério o perigo de entrar na tentação?

Salomão nos fala dos simples que seguem a adúltera e não sabem que: "...ali estão os mortos" (Prov. 9:18), "...a sua casa é caminho para a sepultura" (Prov. 7:27), e "...os seus pés descem à morte" (Prov. 5:5). Esta é a razão pela qual são tão facilmente atraídos e seduzidos (Prov. 7:21,22). O mesmo se dá com todos os tipos de tentação. Quão poucas pessoas sabem que a tentação conduz à morte. E possível que se as pessoas cressem nisso e considerassem seriamente para onde a tentação as conduz, elas passariam a ser mais cuidadosas e vigilantes. Infelizmente, muitas pessoas se recusam a crer nisso. Pensam que podem brincar com a tentação e que tudo terminará bem. Essas pessoas ignoram ou se esquecem da advertência: "Tomará alguém fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem? ...andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?" (Prov. 6:27,28). A resposta é um ressonante "NÃO"! As pessoas não saem da tentação sem feridas, queimaduras e cicatrizes.

Este mundo está cheio de tentações. Está, também, cheio de cenas trágicas de muitos que foram levados à ruína pela tentação. E, portanto, o caminho da sabedoria ouvir o chama-mento do Salvador para vigiarmos e orarmos. Este chamado é vital. Considere estes pensamentos finais. Talvez você também possa ser persuadido a vigiar e orar.

A Cosnciência – J. I. Packer -


- DEUS INSTRUI O CORAÇÃO E LIMPA-O -
A terra está contaminada por causa
dos seus moradores, porquanto
transgridem as leis, violam os estatutos
e quebram a aliança eterna.
ISAÍAS 24.5

- A consciência é o poder inato de nossas mentes de| exercer autojulgamentos morais, aprovando ou desa¬provando nossas atitudes, ações, reações, pensamentos e planos, e dizendo-nos, em caso de desaprovação, que devemos sofrer por isto. A consciência tem em si dois elementos, (a) um discernimento de certas coisas como sendo certas ou erradas, e (b) uma capacidade de aplicar leis e regras a situações específicas. A consciência, distinta de nossos outros poderes mentais, não tem paralelo; parece uma pessoa separada de nós, falando freqüentemente, quando gostaríamos que estivesse em silêncio, e dizendo coisas que preferi¬ríamos não ouvir. Podemos decidir prestar atenção à consciência, porém não podemos decidir se ela nos ouvirá ou não; nossa experiência mostra que ela decide isto por si mesma. Por sua insistência em nos julgar pelos padrões mais altos que conhecemos, nós a chamamos a voz de Deus na alma, e nesta extensão assim é ela.

Paulo diz que Deus escreveu algumas das exigências de sua lei em cada coração humano (Rm 2.14,15), e a experiência confirma isto. ("Coração" na Escritura é freqüentemente sinônimo de "consciência": a NVI corretamente traduz o hebraico "sentiu Davi bater-lhe o coração" como "Davi sentiu remorso, em 1 Sm 24.5, e há outros exemplos.) Mas a consciência pode ser malformada, ou condicionada a ver o mal como bem, ou insensível ou dopada por repetidos pecados (1 Tm 4.2), e em tais casos ela será menos do que a voz de Deus. Os julgamentos particulares da consciência devem ser recebidos como a voz de Deus somente quando se harmonizam com a própria verdade e lei de Deus expressas na Escritura. Por conseguinte, as consciências devem ser educadas para julgar escrituristicamente.

As consciências dos indivíduos comumente refletem os padrões da família ou da comunidade, ou a falta deles. O livro de Juizes conta histórias terríveis de coisas feitas em uma época em que "cada qual fazia o que achava mais reto" (17.6; 21.25).

A superstição ou escrúpulo pode levar uma pessoa a ver como pecaminosa uma ação que a Palavra de Deus declara não ser pecaminosa; mas, para uma consciência assim "fraca" (Rm 14.1,2; 1 Co 8.7,12), fazer o que ela considera pecaminoso transforma-se efetivamente em pecado (Rm 14.23), e, portanto, tais pessoas nunca devem ser pressionadas a fazer o que conscientemente não querem.
O ideal do Novo Testamento é uma consciência "boa" e "limpa" (pois a justiça é o propósito c o pecado deve ser evitado: At 24.16; 1 Tm 1.5,19; Hb 13.18; 1 Pe 3.16). Mas, para isso, nossa consciência deve primeiramente ser "limpa" pelo sangue de Cristo; devemos reconhecer que, por ter Cristo em sua morte sacrificial suportado o sofrimento que nos era destinado, em razão de nossas más ações, elas não mais constituem uma barreira à nossa comunhão com Deus (Hb 9.14).

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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