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7 de out. de 2010

Um Jovem que fugiu das Paixões da Mocidade - A. A. Dallimore Postado por Charles Spurgeon / On : 17:32/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

 


O pastorado de Spurgeon em Waterbeach continuou até ele chegar aos dezenove anos de idade. Durante esse período, muito embora tenha manifestado rara maturidade, também teve que aprender muita coisa sobre como conduzir o ministério dia a dia.
Essa experiência ficou evidente, por exemplo, em seu preparo do sermão. Ele procurava ser guiado por Deus a alguma passagem das Escrituras, esforçando-se na oração e no estudo para entendê-la completamente. Depois de encher sua alma com a mensagem, ele ordenava as suas verdades, colo cando-as em forma organizada e deixando-a pronta para a transmissão. Ele via os pontos principais e os secundários que o texto escolhido continha, escrevia-os em duas ou três páginas de anotações, e as levava consigo ao púlpito.
Ainda existem uns duzentos esboços de sermões redigidos em Waterbeach, e eles revelam a natureza da sua pregação inicial. Ele não tocava meramente na superfície das verdades do evangelho, como faziam muitos homens em seus primeiros anos de ministério. Ao contrário, o grande sistema de doutrina que pesava em sua mente desde a sua infância e que, em grande parte, havia constituído o corpo do seu estudo, estava vir tualmente subjacente a tudo o que ele dizia, e provia a força do seu ministério.
Durante aqueles dias cresceu também a experiência de Spurgeon em seu trato com as pessoas.
Quando o flagelo da vila soltou sua língua sobre ele um dia, ele replicou como se mal a tivesse ouvido e como se tivesse entendido incorretamente as palavras dela. Depois de dois ou três arrancões, ela saiu dizendo: "O homem é surdo como uma porta!"
Certo ministro que o convidou para pregar, vendo que parecia um menino, tratou-o com desprezo. Mas Spurgeon, em seu sermão, replicou citando um versículo de Provérbios que censurava a conduta indelicada do homem, e então pas sou a pregar tão poderosamente que, terminado o culto, o homem bateu amigavelmente em suas costas e disse: "Você é o cão mais atrevido que já latiu num púlpito!" A ocasião marcou o começo de uma calorosa amizade entre eles.
Havia uma mulher que, embora sendo uma verdadeira santa, era insegura em sua fé cristã. Ela disse a Spurgeon que ela era tão hipócrita que não devia freqüentar a igreja, e que não tinha nenhuma esperança cristã. Conhecendo o zelo dessa mulher e desejando ajudá-la, ele se ofereceu para comprar a sua esperança por cinco libras, ao que ela exclamou: "Oh, eu não venderia a minha esperança em Cristo nem pormil mundos!"
Durante aqueles dias da sua adolescência, Spurgeon revelou muito do caráter que mais tarde brilharia nele tão proeminentemente. Ele era reconhecidamente audaz e destemido, e quem só visse essa característica poderia muito bem supor que ele era insolente. Mas ele era também muito real - não tinha o menor elemento de fingimento, e em seu ministério público, e também em suas relações pastorais, suainflexível seriedade era manifesta a todos. Seus extraordiná rios poderes na pregação também eram evidentes - uma voz de tremendo poderio, aliada a entonações suaves e comoventes, e tudo sob constante controle.
Spurgeon exercitava uma autodisciplina inabalável. Para ele, a vida cristã tinha que ser governada totalmente, e ele punha esse ideal em rigorosa prática. Levantando-se cedo, ele enchia o dia de trabalho, estudando, visitando, orando e pregando. Não dava atenção aos esportes e não tinha amizade com membros do sexo oposto, mas todo o seu tempo e todo o seu pensamento eram dedicados ao Senhor.
Em muitos sentidos, embora ainda tão jovem, ele estava muito à frente de muitos ministros mais idosos, quanto a conhecer e realizar a obra desse ofício. Como o seu irmão James o expressou, "ele era um maravilhoso exemplo de pregador que salta etapas, plenamente desenvolvido no púlpito".
Contudo, o pai de Charles não entendeu o seu extra ordinário progresso na obra do ministério.
John Spurgeon, querendo o melhor para o seu filho, fez planos para colocá-lo no Stepney College, a escola batista de capacitação ministerial. (Fazia muito tempo que as universi dades tinham sido fechadas para os não membros da Igreja da Inglaterra.) Charles não se alegrou com a idéia de seu pai, mas se dispôs a levá-la adiante, se necessário, e concordou em encontrar-se com o diretor da escola, o Dr. Joseph Angus. A entrevista deveria ocorrer numa residência, em Cambridge -na casa de Daniel McMillan, o proeminente editor. Charles chegou na hora marcada, uma criada lhe mostrou uma sala de estar, e ali ele esperou pelo Dr. Angus. Mas, no fim de duas horas, ele chamou a criada e viu que ela havia levado o cavalheiro para uma sala que ficava no outro lado da casa. Ele também tinha ficado esperando o tempo todo, mas, como tinha que pegar um trem, havia saído da casa momentos antes.
Mais tarde, nesse dia, Spurgeon estava caminhando pelos campos, a caminho de um culto numa aldeia. Quando pensava no estranho acontecimento da tarde, veio-lhe à mente uma esmagadora impressão, quase como se ouvisse uma voz que lhe disse muito definidamente: "Procuras grandes coisas para ti? Não as procures!" Imediatamente alegrou-se com esse conselho e, naquele momento e ali, determinou-se a não entrar na escola. Ele sabia que Deus já o havia feito ministro, e se propôs continuar o modo de vida que tivera nos dois anos passados. A decisão não lhe dava lugar para ambição terrena. Isso marcou outro passo mais na mortificação do ego e no crescimento da sua devoção de alma ao Senhor.
Em anos posteriores Spurgeon referiu-se ao seu desen contro com o Dr. Angus como "a mão do Senhor por trás do erro cometido pela criada". A escola dava a seus alunos valioso conhecimento da Bíblia e de assuntos teológicos gerais. Provia instrução, em classe, sobre como preparar sermões e pregá-los, e se empenhava em conduzir os jovens a um modo de viver bem ordenado e disciplinado. Mas dificilmente Spurgeon tinha necessidade dessas coisas.
Ele já estava muito além dos alunos e, indubitavelmente, além de muitos membros do corpo docente, em conhecimento teológico e na capacidade de pregar, e já possuía larga expe riência pastoral. Além disso, embora estritamente sujeito a tudo o que era justo e verdadeiro, nalguns sentidos ele era um espírito livre, sem medo de homem e inteiramente solto dos grilhões das convenções humanas. Ele tinha recebido no nascimento um incomum gênio de espírito, e isso sofreria, se ele entrasse num ambiente onde se fariam esforços para encaixá-lo no molde dos indivíduos comuns. Ele tinha sido preparado para um ministério ordenado por Deus, e não precisava da modelagem feita por mãos humanas.
Depois de Spurgeon estar dois anos em Waterbeach, deu-se um acontecimento que, no plano de Deus, pôs fim a seu ministério ali.
Em novembro de 1853 ele falou numa reunião da União das Escolas Dominicais de Cambridge. Depois dele falaram outros dois ministros que se referiram depreciativamente à sua juventude. Um foi, de fato, ofensivo, e declarou: "É uma pena que meninos não adotem a prática escriturística de permane cer em Jericó até suas barbas crescerem, antes de tentarem instruir os mais velhos".
Quando o orador concluiu, Spurgeon obteve permissão do Presidente e fez uma réplica. "Lembrei aos ouvintes", diz ele, "que os que foram obrigados a permanecer em Jerico não eram meninos, mas homens já crescidos, cujas barbas tinham sido rapadas por seus inimigos, como a maior indignidade que puderam fazê-los sofrer, e que, por isso, ficaram com vergonha de voltar para casa enquanto suas barbas não crescessem novamente. Acrescentei que o verdadeiro paralelo ao caso deles poderia ser encontrado num ministro que, tendo caído em pecado público e notório, tivesse posto em desgraça a sua vocação e necessitasse sofrer exoneração - até que houvesse alguma restauração do seu caráter".10
Spurgeon não sabia nada sobre o homem que o atacara, mas sem saber descreveu a sua condição - o pobre homem tinha caído em pecado e, como o povo sabia da sua conduta, pode-se imaginar o seu embaraço.
Contudo, essa reunião, embora destituída de qualquer importância especial, foi comprovadamente de central significação na vida de Spurgeon. Ela abriu caminho para que fosse colocada diante dele a suprema oportunidade da sua carreira - a abertura de "uma porta grande e eficaz" - o convite para o pastorado da Igreja Batista da Rua do Novo Parque (New Park Street Baptist Church), em Londres. 

12 de jul. de 2010

John Owen - Uma Paixão por Santidade - John Piper

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O segredo da eficácia duradoura na vida de John Owen
Através dos anos, tenho ouvido líderes evangélicos como J. I. Packer, Roger Nicole e Sinclair Ferguson dizerem que John Owen foi o escritor mais influente na vida deles (depois dos escritores bíblicos). Isto é suficiente para motivar alguém a ir à bibli­oteca para descobrir quem era John Owen e o que o fazia agir daquela maneira.
John Owen nasceu em 1616. Provavelmente, ele foi o maior pastor-teólogo entre os puritanos, na Inglaterra. Como diria J. I. Packer, John Owen foi o maior entre os gigantes puritanos.1 Os vinte e quatro volumes escritos por Owen (incluindo sua teologia bíblica) ainda são impressos, moldando e alimentando os pastores de nossos dias (como eu mesmo).
Ele era um homem de incrível atividade — política (como cape­lão de Oliver Cromwell e orador freqüente no Parlamento), denominacional (como o homem de referência para todas as controvérsias entre os puritanos congregacionais e puritanos presbiterianos), teoló­gica (como o principal defensor da verdade calvinista), acadêmica  (como deão e vice-chanceler na Universidade de Oxford), pastoral (servindo às igrejas em e ao redor de Londres, quase durante toda a sua vida adulta, mesmo quando os cultos eram ilegais) e pessoal (com uma família de onze filhos, dez dos quais morreram enquanto eram jovens, seguidos pela décima primeira quando era adulta).
O que me admira neste homem é o fato de que, em meio a todas estas atividades e tragédias, a paixão de Owen não era o desempenho público, e sim a santidade pessoal. Ele escreveu: "O desejo de meu coração para com Deus é o principal objetivo de minha vida... são que... a santidade universal seja promovida em meu próprio coração, bem como no coração e no viver de outros".
Preciso de heróis como este. Não muitos dos líderes de nossos dias estabelecem os alvos de sua vida em termos de santidade. Mais e mais líderes confessam abertamente que a santidade pessoal não tem qualquer importância para o desempenho público deles. Por exemplo, um dos presidentes dos Estados Unidos declarou com bastante clareza que não considera a sua pureza pessoal como um fator importante em sua liderança da nação. Semelhantemente, lemos sobre um líder britânico que manteve por muito tempo um caso extra-conjugal. Assim, em ambos os lados do Atlântico, nossos políticos dizem com sua vida: a santidade pessoal é relativamente insignificante — o desempenho público e a pureza pessoal não estão relacionadas entre si.
Esse não era o caso de John Owen. A maravilha, o poder e a beleza de sua vida pública era a constância de sua comunhão pes­soal com Deus, em pureza e regozijo. Um de seus biógrafos descre­veu a vida pública de Owen deste modo: "Em meio à confusão da controvérsia teológica, às envolventes e desconcertantes atividades de uma posição pública elevada e ao desânimo indiferente de uma universidade, ele vivia perto de Deus e, como Jacó em meio às pedras do deserto, mantinha comunhão secreta com o Eterno e In­visível".3
Em suas próprias palavras, ele revelou o segredo de sua santidade pessoal em meio a todas as pressões e sofrimentos da vida: "Que melhor preparação pode haver [para nosso futuro desfrute da glória de Cristo] do que estar em constante contemplação prévia daquela glória, na revelação feita no Evangelho".
Esta é a chave para a pureza e santidade, a chave para a eficácia permanente, em toda a vida: constante contemplação da glória de Cristo.

25 de jun. de 2010

Paixões Enganosas - Jonathan Edwards


A Sutileza de Satanás. O demônio trabalha corpo a corpo com as nossas paixões enganosas. Ele labuta para tornar-nos cegos às nossas faltas. Continuamente se esforça para nos levar ao pecado, e então, trabalha com a nossa mente carnal nos bajulando com a idéia de que somos melhores do que realmente somos. Assim, ele cega a consciência. É o príncipe das trevas. Cegar e enganar têm sido seu trabalho desde os nossos primeiros pais.

A força do hábito. Algumas pessoas se esquecem dos pecados que lhe são habituais. Freqüentemente os pecados habituais entorpecem a mente, e dessa maneira, tais pecados, que uma vez afligiram a consciência, começam a parecer inofensivos.

O exemplo dos outros. Alguns se tomam insensíveis ao próprio pecado porque deixam a opinião popular ditar o seu padrão. Observam o compor¬tamento dos outros a fim de discernir o que está certo ou errado. Porém, a sociedade é tão tolerante com o pecado que muitos deles perderam seu estigma. As coisas que não agradam a Deus e são consideradas abomináveis à sua vista parecem inocentes quando visualizadas através dos olhos da opinião popular. Talvez as vejamos sendo praticadas por pessoas que esti¬mamos, ou nossos superiores, ou por aqueles que são considerados sábios. Isso tende a favorecer essas coisas e a diminuir o sentido de sua pecaminosidade. É especialmente perigoso quando homens piedosos, líderes cristãos respeitados são vistos comprometidos com práticas pecaminosas. Isso especificamente tende a calejar o coração do observador e a cegar a mente a respeito de qualquer hábito maligno.

Obediência incompleta. Aqueles que obedecem a Deus indiferentemente ou pela metade correm o risco de viverem em pecado encoberto. Alguns cristãos professos negligenciam parte de seus deveres espirituais enquanto se concentram em outra parte. Seus pensamentos talvez estejam completamente voltados à oração secreta, à leitura bíblica, à adoração pública, à meditação e a outros deveres religiosos — enquanto ignoram os deveres morais: suas responsabilidades em relação à esposa, aos filhos ou aos vizinhos.

Sabem que não devem defraudar o seu vizinho, mentir ou fornicar. Mas parecem não considerar quanto mal há em falar dos outros de modo leviano, censurar o vizinho, contender e brigar com as pessoas, viver hipocritamente diante da família ou negligenciar a instrução espiritual de seus filhos.

Esse tipo de pessoa parece ser muito consciente em algumas coisas — aquelas áreas de sua obrigação sobre as quais se mantém vigilante — mas negligencia completamente outras áreas importantes.

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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