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19 de nov. de 2011

Glorificando a Deus no Fogo - George Whitefield




"Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma cousa extraordinária vos estivesse acontecendo". (1 Pedro 4.12)

O fogo, meus irmãos, não apenas queima e purifica, mas, como você sabe, separa uma substância da outra, sendo utilizado na química e na mecânica. O que poderíamos fazer sem o fogo? Ele refina o metal, a fim de purificá-lo. O Deus todo-poderoso sabe: freqüentemente somos mais purificados, em determinado momento, por intermédio de uma saudável provação do que por meio milhares de demonstrações de seu amor. É algo excelente sair purificado e perdoado da fornalha de aflição; seu propósito é nos purificar, a fim de separar o precioso do vil, o joio do trigo. E Deus, para realizar isso, se agrada em colocarnos em um fogo após o outro. Isto me faz apreciar a ocasião em que vejo um bom homem passando por aflições, porque ensina algo sobre a maneira como Deus age no coração.
Lembro que, há alguns anos, quando preguei em Shields, próximo a Newcastle, no norte da Inglaterra, entrei em uma fábrica de vidro. Permanecendo muito atento, pude contemplar várias peças de vidro quente com diversas formas. O operário pegou uma das peças de vidro e a colocou em uma fornalha; depois, em outra; e, posteriormente, em uma terceira. Quando perguntei-lhe: "Por que você está colocando esse vidro em tantas fornalhas?", ele me respondeu: "Colocá-los apenas na primeira ou na segunda não é suficiente; por esta razão, eu o coloquei na terceira: isso torna o vidro transparente".
Ao afastar-me do operário, ocorreu-me que aquele acontecimento daria um bom sermão: "Ora, esse homem colocou o vidro em uma fornalha após a outra, a fim de que pudéssemos ver através dele. Oh! Que Deus me coloque em uma fornalha após outra, para que minha alma seja transparente, e eu O veja como Ele é".
Meus irmãos, precisamos ser purificados; a nossa tendência é de querer ir ao céu em uma cama macia; mas o caminho do Rei para muitos consiste em um leito de dores e abatimento. Conforme sabemos, há várias estradas em Londres chamadas "caminhos do Rei", e foram excelentemente construídas com pedras. Mas o caminho do Rei para o céu está repleto de cruzes e aflições.
Todos nos inclinamos a pensar bem a respeito de ser um cristão. É muito agradável falar sobre o cristianismo, até que sejamos colocados em uma fornalha após outra. "Não estranheis", disse o apóstolo, "o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos". O que preciso fazer? Ora, se estou no fogo, é por causa das minhas corrupções. Deus não fará que passemos pelo fogo, se não houver algo a ser purificado. A grande virtude é aprender a glorificar a Deus no meio do fogo. Portanto, glorificai a Deus no fogo.
Quando glorificamos a Deus no fogo? Quando nos esforçamos para conseguir tal graça da parte do Senhor, a fim de que não O desonremos ao passar pelo sofrimento; portanto, glorificamos a Deus no fogo em ocasiões que suportamos, com quietude, a aflição como uma disciplina.

Glorificamos a Deus no fogo quando sofremos com paciência. É algo terrível alguém dizer, assim
como Caim: "É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo". Mas a linguagem de uma alma que glorifica a Deus no fogo é esta: "Senhor, Senhor, posso eu, um homem pecador, reclamar por causa do castigo de meus pecados?" É glorioso ser capaz de afirmar, assim como aquele homem a respeito de quem, diversas vezes, um de seus amigos me falou que, encontrando-se dilacerado pela dor, gemia durante toda a noite por causa de sua enfermidade, mas clamava: "Senhor, estou gemendo; Senhor, estou gemendo; mas, Senhor Jesus, apelo a Ti, pois sabes que não estou resmungando". Glorificamos a Deus no fogo, quando, apesar de sentirmos dor e tristeza, ao mesmo tempo dizemos: "Senhor, eu mereço isso e dez vezes mais do que isso".

Também glorificamos a Deus no fogo quando, de fato, estamos completamente persuadidos de que Ele não há de colocar-nos no fogo, exceto quando isso coopere para nosso bem e redunde em sua glória.

Glorificamos a Deus no fogo quando dizemos: "Senhor, não permita que o fogo se apague até que remova todas as minhas escórias". Então, nós O glorificamos quando almejamos que o fogo nos seja benéfico e não se apague, e nossa alma pode clamar: "Eis-me aqui, Senhor Deus, faze comigo o que te parecer agradável; sei que não terei uma aflição sem que Tu me concedas o consolo e me faças saber porque contendes comigo".

Glorificamos a Deus no fogo quando demonstramos contentamento para dizer: "Não sei o que Ele está fazendo comigo agora; todavia, depois o saberei". Explicamos para nossos filhos de dois anos de idadeporque as coisas acontecem; é claro que não. E pensamos que Deus as explicará para nós? Os discípulos perguntaram: "O que este homem está fazendo?" Cristo respondeu: "Que tenho eu contigo? Segue-me". Glorificamos a Deus no fogo quando nos contentamos em andar pela fé e não pelo que vemos.

Glorificamos a Deus no fogo quando não murmuramos em desagrado, mas submetemo-nos humildemente à vontade dEle. Uma pessoa humilde não anda em rebeldia e mau humor. Mas, existem pessoas de coração tão endurecido que nem chegam a se expressar. Quando aquela terrível notícia foi trazida a Eli, o que disse ele? "É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver?; que meus filhos sejam mortos; o que aconteceré Ele quem o está fazendo; apenas, Senhor, salve minha alma.

Glorificamos a Deus no fogo, quando no meio deste podemos entoar sublimes louvores a Ele. Os filhos de Israel glorificaram o Senhor; o cântico dos três rapazes na fornalha ardente é um louvor agradável! Assim também são todos os louvores produzidos em meio ao fogo. "Oh! Todas as obras do Senhor, louvai-o e exaltai-o para sempre!" Portanto, glorificamos a Deus no fogo quando nos regozijamos nele e não apenas pensamos mas também reconhecemos que isso é o melhor; quando somos capazes de agradecer a Deus por nos fustigar e quando podemos bendizê-Lo e expressar-Lhe nossa gratidão por não ter nos abandonado, afirmando: "Deixai-os sozinhos". Istoé glorificar a Deus no fogo. "E não somente isto", disse o apóstolo, "mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança". Neste mundo, glorificamos a Deus no fogo quando exercitamos humildade, paciência e resignação, aprendendo a desconfiar cada vez
mais de nós mesmos, obtendo um profundo conhecimento de nossa própria fraqueza e da onipotência e da graça de Deus. Somos felizes quando podemos olhar para trás e declarar: "Fui capacitado a glorificar a Deus no fogo".

Bem-aventurados são os que já passaram pela fornalha de Cristo! Felizes, os que já experimentaram as aflições de Cristo em suas almas! Creio que muitas almas já disseram: "Ó Senhor Jesus, ajuda-nos a glorificar- Te em quaisquer aflições que, por Teu agrado, enviares e em quaisquer fornalhas que, por Teu deleite, nos colocares". Então, cantaremos "A Igreja Triunfante" muito melhor do que o fazemos agora; veremos Jesus pronto a ajudar-nos quando estivermos na fornalha da aflição. Oh! Que este pensamento faça todo pecador afirmar: "Com a ajuda de Deus, eu me tornarei um verdadeiro cristão; com a ajuda de Deus, se tiver de passar pelo fogo, estarei ardendo de amor por Cristo. E direi: "Senhor, seja glorificado por arrebatar-me como um tição da fornalha de Satanás!"?. Seja este o clamor de todos os corações!

27 de abr. de 2011

Uma Visão da Glória - Richard Baxter (1615 - 1691). - O Trono de Julgamento de Cristo (Pregação Completa) - Leonard Ravenhill



Uma Visão da Glória - Richard Baxter (1615 - 1691)

As visões freqüentes da glória são os sentimentos mais preciosos e sinceros de todos: primeiro, para sustentar nosso espírito e tornar nossos sofrimentos muito mais fáceis; segundo, para impedir-nos de lamentar e permitir que esperemos com paciência e alegria; e, terceiro, para fortalecer nossas resoluções para que não abandonemos a Cristo por medo de enfrentar problemas.

De minha parte, se você levar em consideração a experiência de alguém que sempre tenta, não fosse por aquele breve -Ai de mim! Brevíssimo - saborear que tive do descanso, meus sofrimentos seriam mais sérios, e a morte, mais terrível. Posso dizer, como Davi: "Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria os bens do SENHOR na terra dos viventes" (Sl 27.13; ARC).

Todos os sofrimentos não são nada, desde que tenhamos essa antecipação dessa salvação. Nenhum ferrolho, nenhuma prisão e nenhuma distância podem nos impedir de desfrutar dessas alegrias sustentadoras, pois não podem confinar nossa fé nem nossos pensamentos, embora possam confinar nossa carne. Cristo e a fé são espirituais e, portanto, prisões e banimentos não podem obstruir sua passagem. Mesmo quando a perseguição e o medo fecham as portas, Cristo pode entrar, pôr-se no meio de seus discípulos e dizer: "Paz seja com vocês!" (Jo 20.26). Paulo e Silas puderam chegar ao céu, embora estivessem trancados no cárcere interior, com os pés presos no tronco, após serem açoitados.

Os mártires encontram mais descanso nas chamas que seus perseguidores, quando estes estão em meio às pompas e à tirania, pois antecipam tanto as chamas por meio das quais escaparão quanto o descanso que sua carruagem de fogo lhes traz. Não é o lugar que possibilita o descanso, mas a presença de Cristo e nosso olhar para ele no momento de tribulação. Se o Filho de Deus caminha conosco, podemos caminhar seguramente em meio a essas chamas que devorarão aqueles que nos lançarão ali. Oras, cristãos, então mantenha sua alma acima com Cristo; fique o menos possível distante de sua companhia, e, daí, todas as condições serão similares para você. Pois a melhor condição para você é aquela em que tem mais dele.

Essa é a nobre vantagem da fé; ela pode ignorar os meios e acabar junto dele. Aquele que não vê além do enterrar do milho sob a terra, do debulhar, do peneirar e do triturar do grão, considera tanto o milho como o trabalho para consegui-lo uma perda de tempo; mas aquele que antecipa o brotar e o crescer da planta, bem como o fazer o pão para a vida do homem, pensa de forma distinta. Esse é nosso engano: vemos Deus comprar-nos quando ainda estamos debaixo da terra, mas não antecipamos a primavera, quando todos nós reviveremos; nós sentimos quando ele debulha, peneira e tritura nosso ser, mas não vemos o momento em que estaremos sentados à mesa de nosso Mestre e ali seremos servidos. Se víssemos claramente o céu como o fim de todas as atitudes de Deus para conosco, certamente nenhuma de suas atitudes poderia ser tão dolorosa.

Como o homem que só ouve sobre a doçura do alimento agradável, ou só lê sobre os sons melodiosos da música, isso não estimula tanto seu desejo; mas quando ele saboreia pessoalmente o alimento e ouve a música, então ele se esforçará mais para conquistá-los. Assim, se você só conhecesse a glória da herança dos santos de ouvir falar, isso não lhe ajudaria a enfrentar os sofrimentos e a morte, mas se você pegar esse curso em que você experimenta e saboreia essa glória, por meio do exercitar diariamente sua alma para que ela se achegue às coisas do alto, então nada ficará no seu caminho; mas você prosseguirá até que esteja lá, mesmo que tenha de ser por meio do fogo ou da água.



28 de fev. de 2011

E Vimos sua Glória - John Owen - (1616- 1683)



O Sumo sacerdote do Velho Testamento, após fazer os sacrifícios que eram exigidos, no dia da expiação, entrava no lugar santo com as suas mãos cheias de incenso perfumado que ele colocava no fogo diante do Senhor. Da mesma forma, o grande Sumo Sacerdote da Igreja, o nosso Senhor Jesus Cristo, tendo se sacrificado pelos nossos pecados, entrou no céu com o doce perfume de Suas orações pelo Seu povo. O seu eterno desejo para a salvação do Seu povo é expresso por João: "Para que vejam a minha glória" (Jo 17.24). 

José pediu a seus irmão que contassem a seu pai sobre toda a sua glória no Egito (Gn 45.13), não para dar uma amostra ostensiva daquela glória, mas para dar a seu pai a alegria de saber a sua alta posição naquela terra. Da mesma forma, Cristo desejava que Seus discípulos vissem a Sua glória para que pudesse estar satisfeito e usufruir a plenitude de Suas bençãos para todo sempre.Uma vez tendo conhecido o amor de Cristo, o coração do crente estará sempre insatisfeito até a glória de Cristo ser vista. O clímax das petições que Cristo faz a favor dos Seus discípulos é que possam contemplar a sua glória.É por isso que eu afirmo que um dos maiores benefícios para um crente no mundo e no porvir é considerar a glória de Cristo Desde que o nome do cristão é conhecido no mundo, não tem havido tanta oposição direta à singularidade e glória de Cristo como nos dias atuais. É dever de todos aqueles que amam o Senhor Jesus de testificar, conforme suas abilidades, da singularidade de Sua glória.Eu gostaria, portanto, de fortalecer a fé dos verdadeiros crentes ao mostra que ver a glória de Cristo é uma das maiores experiências e privilégios possíveis neste mundo ou no outro. "Mas todos nós, com a cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2Co 3.18).

Na eternidade seremos como Ele, porque O veremos como Ele é (1Jo 3.2).Este conhecimento de Cristo é a via contínua e a recompensa de nossas almas. Aquele que tem visto a Cristo também tem visto o Pai; a luz do conhecimento da glória de Deus é vista apenas na face de Jesus Cristo (Jo 14.9; 2Co 4-6).Há duas maneiras de ver a glória de Cristo: mediante a fé, neste mundo, e, por meio da fé, no céu eternamente. É a segunda maneira que se refere principalmente a oração sacerdotal de Cristo - que seus discípulos possam star onde Ele está, para contemplar sua glória. Mas a visão de Sua glória pela fé, neste mundo, também está incluída e eu dou as seguintes razões para isso: 

1. Nenhum homem jamais verá a glória de Cristo no futuro se ele não tiver alguma visão dela, pela fé, no presente. Devemos estar preparados pela graça para a glória, e pela fé para a visão. Algumas pessoas, que não tem fé verdadeira, imaginam que verão a glória de Cristo no céu; porém estão apenas se iludindo. Os apóstolos viram a Sua glória, "e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1.14). Essa não era uma glória deste mundo como a dos reis... Apesar de ter criado todas as coisas, Cristo não tinha onde reclinar a cabeça. Não havia glória ou beleza incomum em Sua aparência como homem. A Sua face e Suas formas se tornaram mais desfiguradas do que as de qualquer homem (Is 52.14; 53.2). Não era possível ser vista neste mundo a glória total da Sua natureza divina. Como então os apóstolos viram a sua glória? Foi pela compreensão espiritual da fé. Quando eles viram como Ele era cheio de graça e de verdade e o que Ele fazia e como falava, eles "o receberam e creram no seu nome" (Jo 1.12). Aqueles que não tinham essa fé não viram nenhuma glória em Cristo. 

2. A glória de Cristo está muito além do alcance de nossa presente compreensão humana. Não podemos olhar diretamente para o sol sem ficarmos cegos. Semelhantemente, com nossos olhos naturais não podemos ter nenhuma visão verdadeira da glória de Cristo no céu; ela apenas pode ser conhecida pela fé.Aqueles que falam ou escrevem sobr a imortalidade da alma, sem ter conhecimento de uma vida de fé, não podem ter convicção daquilo que dizem... O entendimento que vê apenas através da fé é que nos dará uma idéia verdadeira da glória de Cristo e criará um desejo para um completo desfrute dela.

 3.Entretanto, se quisermos ter uma fé mais ativa e um maior amor para com Cristo, que dêem descanso e satisfação às nossas almas, precisamos ter um maior desejo de compreender melhor a Sua glória nesta vida. Isto significará que cada vez mais as coisas deste mundo terão menor atração para nós até que se tornem indesejáveis como algo morto. Não deveríamos procurar por nada nesta vida. Se estivéssemos totalmente convencidos disso estaríamos pensando mais nas coisas celestiais do que normalmente estamos. Vantagens que surgem de pensarmos sempre na glória de Cristo: 

A. Seremos moldados por Deus para o céu. Muitos pensam que já estão suficientemente preparados para a glória, como se eles a pudessem alcançar. Mas não sabem o que isso significa. Não há o menor prazer na música para o surdo, nem nas belas cores para o cego. Da mesma forma, o céu não seria um lugar de prazer para as pessoas que não tivessem sido preparadas para ele nesta vida pelo Espírito. O apóstolo dá ",,,graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz..." (Cl 1.12). A vontade de Deus é que devemos conhecer as primícias da glória aqui e a sua plenitude no futuro. Porém, somos feitos capazes de receber o conhecimento dessa glória pela atividade espiritual da fé. O nosso conhecimento atual da glória é nossa preparação para a glória futura. 

B. Uma visão verdadeira da glória de Cristo tem o poder de mudar-nos até que nos tornemos semelhantes a Cristo (2Co 3.18). 

C.Uma meditação constante sobre a glória de Cristo dará descanso e satisfação ás nossas almas. Trará paz às nossas almas que tantas vezes estão cheias de medos e pensamentos perturbadores. "Porque a inclinação da carne é a morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz" (Rm 8.6). As coisas desta vida nada são quando comparadas com o grande valor da beleza de Cristo, como Paulo disse: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como esterco para que possa ganhar a Cristo" (Fl 3.8). 
D. O conhecimento da glória de Cristo é a fonte de nossa bem-aventurança eterna. Vendo-O como Ele é, seremos feitos em semelhança a Ele. (1Ts 4.17 - Jo 17.24; 1Jo 3.2)

                          John Owen - 1683

11 de fev. de 2011

A Glória de Deus em Sua Ira e Misericórdia – Jonathan Edwards



[A glória de Deus é o fim supremo do governo moral de Deus em ira e misericórdia]

As Escrituras nos levam a supor que a glória de Deus é o seu fim último no governo moral do mundo em geral. Esse fato foi demonstrado anteriormente em relação a várias coisas que dizem respeito ao governo moral de Deus no mundo, particularmente na obra de redenção, a maior de todas as dispensações no governo moral do mundo. Também o observei, em relação ao dever que Deus determina para os súditos desse governo moral, ao exigir que busquem a glória divina como o seu fim último. Esse é, na verdade, o fim último da bondade moral que lhes é requerida, o fim que confere à sua bondade moral o valor principal. E, também, é o que a pessoa que Deus colocou como cabeça do mundo moral, como o seu principal governante, ou seja, Jesus Cristo, busca como o seu fim maior. Foi mostrado, ainda, que é o fim maior dessa parte do mundo moral onde os agentes bons são criados ou têm sua existência como tal.

Devo observar agora que esse é o fim para o qual foram estabelecidas a adoração pública e as ordenações de Deus à humanidade.

Ageu 1.8: "Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o SENHOR". A glória de Deus é referida como o fim para o qual Deus fez e cumpriu suas promessas de recompensa. 2 Coríntios 1.20: "Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus".

É referida também como o fim da execução das ameaças de Deus de castigar o pecado. Números 14.20,21,22,23. "Segundo a tua palavra, eu lhe perdoei. Porém, tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do SENHOR". A glória do Senhor é citada claramente nessa passagem como o objeto de sua deferência, como o seu fim transcendente e último, no qual, portanto, não poderia falhar; devendo, antes, ser cumprido em todo lugar, em todos os casos e em todas as partes do seu domínio, a despeito do que sucedesse aos homens. E, em qualquer mitigação dos julgamentos merecidos, em qualquer mudança feita no curso da ação divina em decorrência de sua compaixão pelos pecadores, o fim visado sempre foi a glória de Deus que, no seu caráter supremo e último, não deve em momento algum dar lugar a qualquer coisa.

É dito que esse é o fim visado por Deus ao executar os julgamentos sobre seus inimigos neste mundo. Êxodo 14.17,18: "serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército", etc; Ezequiel 28.22: "Assim diz o SENHOR Deus: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar". E também Ezequiel 39.13: "Sim, todo o povo da terra os sepultará; ser-lhes-á memorável o dia em que eu for glorificado, diz o SENHOR Deus".

É dito também que esse é o fim tanto das execuções da ira quanto dos exercícios gloriosos de misericórdia, na infelicidade e na felicidade em outro mundo. Romanos 9.22,23: "Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". E é dito que esse é o fim visado no dia do julgamento, o momento determinado para os maiores exercícios da autoridade de Deus como Governante moral do mundo e, por assim dizer, o dia da consumação do governo moral de Deus, em relação a todos os seus súditos no céu, na terra e no inferno. 2 Tessalonicenses 1.9,10: "Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia". Então, a sua glória será obtida de santos e pecadores. Tomando essas coisas por base, fica claro, de acordo com a quarta proposição, que a glória de Deus é o fim supremo da criação do mundo.

27 de dez. de 2010

Paixão pela glória de Deus



Catecismo de Genebra afirma que “Deus nos criou e nos colocou na terra para ser glorificado em nós. E, certamente, é correto que dediquemos nossa vida à sua glória, já que ele é o princípio dela”. O Breve Catecismo de Westminster ensina que “o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. O anseio pela glória de Deus é um dos temas centrais da tradição evangélica e um importante motivador da piedade cristã. Em fevereiro desse ano tive o privilégio de proferir a aula inaugural em dois seminários teológicos em São Paulo. No dia 11, falei no Seminário Batista do Nordeste Paulista (SEBANOP), em Ribeirão Preto. E no dia 18, no Seminário Teológico Servo de Cristo, na capital. O tema das duas aulas foi o mesmo, a paixão pela glória de Deus. Para sua edificação, compartilho a palestra que proferi naquelas ocasiões.
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Paixão pela glória de Deus
Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O SENHOR, forte e poderoso, o SENHOR, poderoso nas batalhas. Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória. Quem é esse Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Salmo 24.1-30)
Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade. Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles? No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Salmo 115.1-3)
Correndo o risco de soar clichê, a igreja está em crise. Não apenas no que diz respeito à sua forma externa. Esta crise é evidente também na vida interna da igreja. Muito se debate hoje sobre o culto, mas, tomando muito cuidado, não parece que nossos cultos perderam muito de seu significado? Não só os cultos, aparentemente, se esvaíram de significado. Nossas vidas também estão vazias de significado; vidas medíocres, vidas pobres, simplesmente levadas pelas circunstâncias. Mas, por que isto está acontecendo? Provavelmente porque o vocábulo “Deus” se tornou uma palavra sem conteúdo para nossa geração. E, por conseguinte, buscamos o culto somente como o lugar onde nossas “energias” serão reabastecidas. Mas o culto é para a glória de Deus, que deve ser a paixão maior do cristão.
1. Precisamos pensar sobre o Deus que se revela nas Escrituras. Por meio da Bíblia aprendemos que Ele é o Deus trino, que se revela como Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é cheio de graça, majestade, santidade e soberania. Ele é o Senhor criador de todas as coisas, o todo-poderoso, que sustenta e governa toda a criação. O Pai perdoa pecadores por meio do sacrifício de seu único Filho na cruz para ajuntar a igreja dos quatro cantos da terra. E Ele envia Seu Espírito para confortar e santificar a igreja.
E o Deus que se revela nas Escrituras faz com que toda a criação o glorifique. O que significa a glória de Deus? John Piper define a glória assim: “Na Bíblia, o termo ‘glória de Deus’ geralmente se refere ao esplendor visível ou à beleza moral da perfeição multiforme de Deus. É uma tentativa de expressar com palavras o que não pode ser contido por palavras – como Deus é em sua magnificência e excelência revelada”. De forma bem simples, a glória de Deus refere-se à majestade e brilho que acompanham a revelação da palavra e do poder de Deus. Em outras palavras, a glória de Deus refere-se à suprema beleza do Deus triuno.
Mas – por que Deus busca glória? Porque somente Ele é Deus. Se Ele buscasse a glória fora de si mesmo, então existiria uma outra divindade no universo, digno de louvor. Só existe um único Deus, o Senhor, o Eu Sou, que se revela nas Escrituras. E, porque somente o Senhor é Deus, Ele é digno de toda a glória. Por outro lado, quando a igreja glorifica a Deus, a igreja imita a Trindade. Pois as santas pessoas da Trindade vivem para a glória da unidade divina.
Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. (…) Ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. (…) Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. (João 17.1-5, 10, 22-24)
O Espírito Santo busca a glória do Filho, o Filho busca a glória do Pai e o Pai tem prazer em glorificar o Filho e o Espírito na igreja e no mundo. Então, porque Deus é Deus, Ele é o único digno de toda a glória.
E Deus, de fato, faz com que todas as coisas redundem em glória para ele. A criação é obra para Sua glória. A Escritura diz que Deus viu que tudo era muito bom. Ou, numa outra tradução, que tudo era muito belo. Bondade e beleza, presentes na criação sem pecado, refletiam e demonstravam a glória de Deus na criação. E, para nosso escândalo, a queda ocorre para a glória de Deus – a queda é a ocasião em que a vinda do Filho é prometida, quando Deus mesmo diz: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça,e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15). A humanidade que se espalhou pela terra e o dilúvio ocorreram para glória de Deus. E o Senhor Deus bagunça as pretensões idolátricas e religiosas na Torre de Babel para sua glória. E Deus entra em aliança com Abraão, Isaque e Jacó para sua glória. E ele se mantém fiel à aliança – mesmo em meio ao pecado e miséria – para Sua glória. O povo da aliança é sustentado durante a escravidão no Egito durante 400 anos – para Sua glória. Com braço forte, com sinais e prodígios, o povo é retirado do Egito – para Sua glória. O povo chega à terra da promessa, depois de 40 anos de peregrinação, onde a paciência de Deus é revelada – para Sua glória. O povo padece debaixo do pecado e em meio às invasões de outras nações durante quase 400 anos – para Sua glória. Reis são levantados – para sua glória. Reis caem – para Sua glória. O reino é dividido – para Sua glória. A nação de Israel é levada cativa – para Sua glória. Judá é conquistada – para sua glória. Jerusalém é destruída – para Sua glória. O povo é levado para o cativeiro – para Sua glória. Para que se saiba que:
Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro; além de mim não há Deus. (…) Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro. Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas. (…) Fui eu que fiz a terra e nela criei a humanidade. Minhas próprias mãos estenderam os céus; eu dispus o seu exército de estrelas. (…) Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel. Todos os que fazem ídolos serão envergonhados e constrangidos; juntos cairão em constrangimento. Mas Israel será salvo pelo Senhor com uma salvação eterna; vocês jamais serão envergonhados ou constrangidos, por toda a eternidade. Pois assim diz o Senhor, que criou os céus, ele é Deus; que moldou a terra e a fez, ele fundou-a; não a criou para estar vazia, mas a formou para ser habitada; ele diz: ‘Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro’. (…) Por mim mesmo eu jurei, a minha boca pronunciou com toda a integridade uma palavra que não será revogada: Diante de mim todo joelho se dobrará; junto a mim toda língua jurará. Dirão a meu respeito: ‘Somente no Senhor estão a justiça e a força’. Todos os que o odeiam virão a ele e serão envergonhados. Mas no Senhor todos os descendentes de Israel serão considerados justos e exultarão. (Is 45.4-7, 12, 15-38; 23-25)
O povo passou 70 anos no exílio – para Sua glória. E o povo retornou para a terra – para Sua glória. Durante 400 anos Deus esteve em silêncio – para Sua glória. E o Filho assumiu a forma humana – para Sua glória. Este Filho foi tentado, mas em tudo permaneceu sem pecado – para Sua glória. O Filho, sem pecado, caminhou para a cruz – para Sua glória. O Filho foi morto, e padeceu a morte de cruz, morte de um criminoso – para Sua glória. O Filho morreu por nossos pecados – para Sua glória. O Filho matou a morte em sua ressurreição – para Sua glória. O Filho ascendeu aos céus – para Sua glória. O Espírito foi derramado sobre a igreja – para Sua glória. Nós somos salvos – para a Sua glória e por causa da Sua glória. O Filho voltará dos céus como o rei dos reis, senhor dos senhores – para Sua glória.
Depois disso ouvi nos céus algo semelhante à voz de uma grande multidão, que exclamava: ‘Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus, pois verdadeiros e justos são os seus juízos. (..)’. E mais uma vez a multidão exclamou: ‘Aleluia! (…)’. Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que estava assentado no trono, e exclamaram: ‘Amém, Aleluia!’ Então veio do trono uma voz, conclamando: ‘Louvem o nosso Deus, todos vocês, seus servos, vocês que o temem, tanto pequenos como grandes!’ Então ouvi algo semelhante ao som de uma grande multidão, como o estrondo de muitas águas e fortes trovões, que bradava: ‘Aleluia!, pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e puro’. O linho fino são os atos justos dos santos. E o anjo me disse: ‘Escreva: Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro!’ E acrescentou: ‘Estas são as palavras verdadeiras de Deus’. (…) Vi os céus abertos e diante de mim um cavalo branco, cujo cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro. Ele julga e guerreia com justiça. Seus olhos são como chamas de fogo, e em sua cabeça há muitas coroas e um nome que só ele conhece, e ninguém mais. Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus. Os exércitos dos céus o seguiam, vestidos de linho fino, branco e puro, e montados em cavalos brancos. De sua boca sai uma espada afiada, com a qual ferirá as nações. ‘Ele as governará com cetro de ferro’. Ele pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus todo-poderoso. Em seu manto e em sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. (Ap 19.1-9, 11-36)
Por que Deus existe? Para sua própria glória! E esta é a paixão última de Deus! Todo o propósito da história – e, mesmo, todo o propósito de nossa existência – é a glória de Deus. Deus não criou o universo para obter amor e adoração. Sendo um Deus trino, Ele já tem essas coisas em si mesmo. Mas, como escreveu Tim Keller, “o universo foi criado para espalhar a alegria e a glória que Deus já tem em si mesmo. Ele criou outros seres para transmitir o seu amor e a sua glória para eles, e para que estes o transmitissem de volta para Ele, de modo que eles (e nós!) pudessem entrar nesse grande processo, no circulo de amor e de glória e de alegria que Ele já possuía”. Então, em resposta à palavra evangélica, precisamos nos unir ao Deus todo-poderoso, oferecendo glória somente a Ele!
2. Nossa paixão deve ser glorificar a Deus, viver para sua glória, em tudo o que fazemos. Somos chamados e convertidos, somente por sua graça livre, soberana e irresistível, para sua glória. Somos alimentados pela Sagrada Escritura para sua glória. Assim como somos chamados à oração e devoção para sua glória.
E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Coríntios 3.18)
No fim, todas as graças que fluem da cruz – regeneração, justificação, união com Cristo, adoção, santificação, perseverança – são aplicadas em nós pelo Santo Espírito, para a glória do Deus triuno. Devemos imitar nosso pai Abraão que:
Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus (Romanos 4.20).
Nossas amizades, estudos, descanso, casamento, família, tudo deve ser buscado e feito para a glória de Deus. Toda a vida deve ser o teatro da glória de Deus.
Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10.31)
Especialmente nosso ministério na igreja deve ser para a glória de Deus:
Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém. (1Pe 4.11)
Assim como a glória de Deus é a paixão última de Deus, assim também, a glória de Deus deve ser a paixão maior em tudo o que fazemos ou pensamos.
3. Precisamos lembrar que fomos criados para experimentar alegria, contentamento e prazer. Pois bem. Quando glorificamos a Deus, aprendemos o que é a verdadeira alegria e prazer. Já que nossos afetos e desejos serão dirigidos para a glória de Deus, provaremos alegria e contentamento que não podem ser descritos, em Deus. E nada poderá roubar esta alegria e contentamento que teremos em Deus.
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. (…) Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8.28, 37-39)
Quando descobrirmos em Deus nossa verdadeira alegria, nossa única fonte de contentamento, aprenderemos a nos alegrar com os pequenos detalhes da vida. Os amigos, família, uma música legal, um bom filme, o som do vento, o nascer do sol. Mesmo o sofrimento se torna lugar para a revelação da glória de Deus.
Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs. (…) A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão. (…) Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos. (Sl 73.23-28)
Se Deus nos ama, o que ele deve nos dar? O melhor que há nele, aquilo de mais belo e preciso. E o que ele tem de melhor para nos dar senão a ele mesmo, na pessoa de seu amado Filho? Deus nos ama, para Sua glória, e nos dá a si mesmo. Um Deus que me ama e se deu a si mesmo por mim, me leva a louvá-lo. E esta é a forma que Deus consegue minha alegria mais completa: Deus é por nós, mas para que isto aconteça ele precisa se exaltar, buscando nosso louvor, para que a alegria de Jesus “esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15.11).
Como conclusão: quando vivermos para a glória de Deus, o louvor não será algo acrescentado à alegria, mas será a própria alegria completa. Então, quanto mais glorificarmos a Deus, mais teremos alegria e prazer – não nas criaturas, o que seria idolatria, mas no Deus totalmente suficiente, amoroso, bondoso, poderoso, glorioso, santo e digno de todo o nosso louvor.
Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. (1 Crônicas 29.10-34)
Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força. Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza da santidade. (Salmos 29.1-2)
Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! ‘Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?’ ‘Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?’ Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas.A ele seja a glória para sempre! Amém. (Rm 11.33-36).
- Franklin Ferreira


6 de dez. de 2010

22 de nov. de 2010

A Glória da Obediência de Cristo - John Owen

 

Havia uma glória invisível em tudo o que Cristo fez e sofreu na terra. Se as pessoas a tivessem visto, elas não teriam crucificado o Senhor da glória. Entretanto, aquela glória foi revelada a alguns; os discípulos “viram a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Primeiro, vamos considerar a obediência de Cristo naquilo que Ele fez. Ele livremente escolheu obedecer. Ele disse: “Eu vim para fazer a tua vontade, ó Deus”, antes de haver necessidade pra Ele fazer essa vontade. Ele não era como nós, criaturas humanas, que necessariamente sempre estivemos sujeitos à lei de Deus. João Batista sabia que Jesus não tinha necessidade de ser batizado. Mas Cristo disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Cristo voluntariamente Se identificou com os pecadores quando foi batizado.

Deus deu-lhe honra e glória porque, pela sua obediência, a Igreja toda se tornou justa (Rm 5.19). A obediência de Cristo a cada parte da lei foi perfeita. A lei era gloriosa quando os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus. Ela se torna mais gloriosa ainda quando é obedecida nos corações dos crentes. Mas é apenas na mais absoluta e perfeita obediência de Cristo que a santidade de Deus na lei é vista em sua glória total. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padecer” (Hb 5.8). O Senhor de todos, que fez a todos, viveu em estrita obediência à lei de Deus. Posto que Ele era uma pessoa singular, a Sua obediência possui a glória de Sua singularidade.

Ora, considerem a glória da obediência de Cristo demonstrada naquilo que Ele sofreu. Ninguém jamais pode medir a profundidade dos sofrimentos de Cristo. Podemos olhar para Ele sob o peso da ira de Deus, em Sua agonia e suor de sangue, nos Seus fortes gritos e lágrimas. Podemos olhar pra Ele orando, sangrando, morrendo, fazendo da Sua alma uma oblação pelo pecado. “Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo de sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes: pela transgressão do meu povo foi ele atingido” (Is 53.8). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Quão glorioso é o Senhor Jesus aos olhos dos Seus redimidos!

Por causa do pecado de Adão, ele e todos os seus descendentes se acham diante de Deus sujeitos a perecer eternamente sob a ira de Deus. Enquanto, nessa condição o Senhor Jesus vem até os pecadores persuadidos, com o Seu convite: “Pobres criaturas! Como é triste a sua condição! O que aconteceu com a beleza da glória e da imagem de Deus nos quais vocês foram criados? Vocês agora têm a imagem deformada de Satanás; pior que isso, miséria eterna aguarda vocês. No entanto, olhem para cima mais uma vez; contemplem-Me! Eu me colocarei em seus lugares. Eu suportarei o peso da culpa e a punição que jogaria vocês para sempre no inferno. Eu me tornarei, temporariamente, em maldição para vocês, para que possam ter bem-aventurança eterna”.

Contemplemos a glória demonstrada no evangelho:Jesus Cristo é crucificado diante dos nossos olhos (Gl 3.1). Nós só entendemos as Escrituras à medida que vemos nelas o sofrimento e a glória da Cristo. A sabedoria do mundo não vê nada neles a não ser estultícia. “Mas, se ainda nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.3-4).

26 de out. de 2010

Semeados em Desonra, Ressuscitados em Glória - J. Piper

Uma morte poética é rara. Comumente, o que mais ocorre são gemidos e gritos de dor. A degradação de morrer é patética. Em geral é mais devastadora do que heróica. O apóstolo Paulo usa duas palavras para transmitir a agressão degradante da morte. A primeira é "desonra". Ele diz que a morte de nosso corpo físico é como uma semente sendo semeada na terra. Como ela é semeada? "Semeia-se em desonra" (ICo 15:42).
Eu estava cursando a faculdade quando minha avó paterna morreu, deixando meu avô bastante solitário na Pensilvânia. Meu pai, o filho mais novo, trouxe-o para a Carolina do Sul, para mo rar conosco. Fiquei feliz, e minha mãe, amorosa como sempre. Com o passar do tempo, o estado de saúde dele foi piorando, e ela incapaz de cuidar dele na ausência de meu pai, que viajava muito como evangelista.
Tomamos, então, a dolorosa decisão de levá-lo para um asilo. Ali, eu o vi decair da condição de um forte ferramenteiro que se tornou pastor, para um homem esquelético. A última vez que eu o vi com vida, juntamente com meu pai, foi quando estive em casa,vindo do seminário. Enquanto nos dirigíamos para o asilo, ponderávamos que esta poderia ser a última vez que o veríamos vivo... e foi.
Ele estava usando fralda, dobrado numa posição fetal. Os olhos estavam embaçados. A respiração ofegante. Meu pai falou comigo a respeito dele por uns poucos minutos e, então, sugeriu que orás semos de forma bem audível, colocando nossos lábios próximos aos seus ouvidos aparentemente surdos. Ignorando as demais pes soas, nós quase oramos aos gritos. Quando meu pai parou, meu avô juntou toda a pouca força que tinha e disse: "Amém!". Esse foi o último som que eu ouvi de seus lábios. Se já vi algum corpo semeado em desonra, foi o seu. E há milhões como o dele.
Há, ainda, outra palavra que Paulo usa para descrever a degra dante condição da morte. Em Filipenses 3:21, ele afirma que Cris to "transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória". A palavra "humilhação" origina-se do grego, tapeinoseos. Antes que o Novo Testamento transformasse essa palavra numa virtude, por causa da gloriosa humilhação de Cristo, a palavra tinha somente a conotação negativa de derrota, vexame, fraqueza.
Recordo-me de uma biografia de Julius Schniewind, teólogo alemão do Novo Testamento que nasceu em 1883. Ele ficou mor talmente enfermo no verão de 1948, mas poucos sabiam quão séria era sua condição. Hans-Joakim Kraus acompanhou Julius em sua última "aula bíblica", e o ouviu gemer enquanto partia: "Somatapeinoseos! Soma Tapeinoseos!" — a frase de Filipenses 3:21: "Corpo de humilhação! Corpo de humilhação!"
O cristianismo está profundamente consciente da humilhação, degradação e desonra do corpo na morte. A morte de Jesus marcou para sempre a nossa expectativa, "pois o seu aspecto estava mui desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos outros filhos dos homens" (Is 52:14). Está o discípulo acima de seu Senhor? Deveríamos esperar algo melhor? Suas costas foram rasgadas pelos açoites. Sua face estava inchada pelas perfurações. Sua cabeça, ensangüentada pelos espinhos e a boca, deformada pelas agressões. Suas mãos e pés, inchados por causa dos cravos. Seu lado, perfurado por uma longa lança. E ele estava vergonhosamente nu. Ele morreu com "um grande brado" (Mc 15:37).
Veja como é precioso, então, para todos os seguidores de Jesus, o fato de ele ter ressuscitado da morte com um "corpo glorioso", que nunca morrerá novamente! Como é preciosa as promessas de Romanos 6:5: "Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição"; de ICoríntios 15:42: "Semeia-se em desonra, ressuscita em glória' (grifo do autor); de Filipenses 3:21: "o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória"; e a de Mateus 13:43: "Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai".
Pai misericordioso, ajuda-nos a estar prontos para morrer bem. Ensina-nos como ajudar um ao outro a morrer! O Senhor nos
mostrou que isso não será fácil Oh! Quantas promessas o Senhor tem nos dado para nos ajudar a dizer "Morrer é lucro"!
Livra-nos do medo. Dá-nos uma esperança inabalável Lembra-nos de que o sofrimento pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Faze-nos sentir que esta leve e
Momentânea tribulação, esta neblina, está produzindo para
Nós um eterno peso de glória. Em nome de Jesus. Amém!

22 de out. de 2010

Glória e Desonra - João Calvino -


Por glória e por desonra. (2Co 6.8) - Esta não é uma pequena prova para um homem suportar, pois não há nada mais difícil para uma pessoa de caráter consistente do que incorrer em desprestígio. Da história podemos divisar que houve poucos homens de espírito heróico que não se desmoronaram ao serem atingidos pelos insultos. Portanto, este é um sinal de um espírito bem estabelecido na virtude - não desviar-se de seus propósitos, sempre que se incorra em desventura vexatória. Esta é uma raríssima excelência, e sem ela um homem não pode provar a si mesmo que é um servo de Deus. Indubitavelmente, devemos ter em estima o nosso próprio bom nome, todavia só ao ponto em que tal coisa é consistente com a edificação de nosso irmão, e não com a extensão da influência cau¬sada pelos rumores que podem circular contra nós, pois devemos antes conservar o mesmo curso imperturbavelmente, quer quando honrados, quer quando desonrados.

Porque Deus permite sermos provados ainda mesmo pela maldição de pessoas ímpias para provar se estamos andando em retidão, e se porventura não somos servos de homens, pois aquele que é desviado de seu dever, pela maldade dos homens, apenas prova que não tem olhado tão-somente para Deus. Assim, pois, percebemos como Paulo estava sempre exposto à infâmia e aos insultos, todavia não se desvanecia ante qualquer um deles, mas prosseguia em frente movido por inusitada coragem, rompendo todos os obstáculos a fim de atingir o alvo; portanto, que não nos desanimemos se as mesmas coisas vierem ao nosso encontro.

Como enganadores. Paulo, aqui, não está falando meramente do que os ímpios do lado de fora pensavam dele, senão que está reportando a acusações que se moviam contra ele dentro da igreja. Qualquer um pode ver, aqui, a atitude indigna de ingratidão a que os coríntios caíram, e a que gigantescas lutas um homem valente como Paulo enfrentava contra obstáculos tão formidáveis. Ele repele de forma veemente, ainda que indiretamente, as acusações equivocadas de seus oponentes, ao dizer que vivia e se alegrava mesmo que o desprezassem como se estivesse morto e vencido pelo desânimo. Ele os reprova novamente por sua ingratidão ao afirmar que, quando era desprezado por ser pobre, ele lutava para que muitos se tornassem ricos. Viviam entre os coríntios muitos que tinham sido enriquecidos pelas riquezas de Paulo, e de fato cada um deles estava obrigado de várias formas para com ele. Paulo dizia com a mesma ironia de sempre que era desconhecido, quando o fruto de seu trabalho era muitíssimo conhecido e famoso por toda parte. Que ato cruel é desprezar a pobreza de alguém que nos supre de sua própria abundância! Naturalmente que ele está falando de riquezas espirituais, as quais precisam ser consideradas como sendo muito mais preciosas que as riquezas terrenas.

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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