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16 de nov. de 2011

John Stott - Vídeo Memorial do Rev. Dr. John R. W. Stott


Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (1 Timóteo 5:17)
John Stott faleceu dia 27 de Julho de 2011 às 03:15, no horário de Londres, aos 90 anos, de acordo com Benjamin Homan, presidente do John Stott Ministries (fonte ).


“antes que possamos começar a ver a Cruz como algo feito para nós (nos conduzindo a fé e a adoração) temos que vê-la como algo feito por nós (nos conduzindo ao arrependimento)”. – John Stott

Vídeo Memorial do Rev. Dr. John R. W. Stott


John Stott - Como você gostaria de ser lembrado?


2 de set. de 2011

O Juízo de Deus é Imparcial - John Stott - O Julgamento - Paulo Junior



O Juízo de Deus é Imparcial
por
John Stott


Comentário Sobre Romanos 2:12-16


O fato de que o julgamento de Deus será justo (de acordo com o que fizemos, Romanos 2:6-8) e imparcial (entre judeus e gentios, sem favoritismo, Romanos 2:9-11) é desenvolvido por Paulo agora em relação à lei mosaica, mencionada aqui pela primeira vez e que terá um papel proeminente no resto da carta.
Judeus e gentios parecem diferir fundamentalmente um do outro no fato de que os judeus ouvem a lei (Romanos 2:13), possuindo-a e ouvindo a sua leitura na sinagoga todo sábado, enquanto os gentios não têm a lei (Romanos 2:14). Esta não lhes foi revelada nem foi dada a eles. No entanto, insiste Paulo, pode ser que haja exagero nessa diferenciação. Afinal, não existe entre eles qualquer distinção fundamental no que diz respeito ao conhecimento moral que possuem (já que as exigências da lei estão gravadas em todos os corações humanos, 15), ou ao pecado que eles cometeram (desobedecendo a lei que conheciam), ou à culpa em que incorreram, ou ao julgamento que receberão.
O versículo 21 coloca os judeus e gentios na mesma categoria de pecado de mote. Paulo faz duas colocações paralelas, ambas começando com as palavras todo aquele que pecar. O verbo, no entanto, está no tempo aoristo e sua tradução deveria ser "todos os que pecaram" (hemarton), como se lê na tradução de Almeida. Paulo está resumindo a vida de peado deles sob a perspectiva do dia final. O argumento que ele apresenta é que todos os que pecaramperecerão ou serão julgados, indiferentemente de serem judeus ou gentios, isto é, quer tenham a lei mosaica, quer não. Todos os que pecaram sem lei (gentios), sem lei também perecerão (12a). Eles não serão julgados por um padrão que não conheceram. Perecerão em virtude do seu pecado, não por ignorarem a lei. De semelhante modo, todo aquele que pecar sob a lei (os judeus), pela lei será julgado (12b). Eles também serão julgados por um padrão que conhecem. Não haverá dois pesos e duas medidas: Deus será absolutamente justo em seu julgamento. Se pecou conhecendo a lei, ou se pecou ignorando a lei, o julgamento será de acordo com o pecado de cada um. "A base do julgamento são as suas obras; a regra do julgamento é o seu conhecimento" [19] e se eles viveram de acordo com tal conhecimento.Porque não são os que ouvem a lei que são justos ao olhos de Deus; mas os que obedecem à lei, estes são declarados justos (13). Esta é naturalmente uma afirmação teórica ou hipotética, já que nenhum ser humano chegou a cumprir totalmente a lei (cf. Romanos 3:20). Portanto não existe nenhuma possibilidade de salvação por esse caminho. Mas Paulo está escrevendo sobre o julgamento e não sobre a salvação. Ele está enfatizando que a própria lei não dava aos judeus garantida de imunidade no julgamento, como eles pensavam, pois importante não era ter a lei, mas obedecê-la.
Agora o mesmo princípio de julgamento de acordo com o conhecimento e o desempenho de cada um é aplicado, de forma mais completa, aos gentios. Dois fatos complementares a respeito dos gentios, são auto-evidentes. O primeiro é que eles não têm a lei (sc. de Moisés). Isso é afirmado duas vezes no versículo 14. Em termos de vida exterior, eles não a possuem. No íntimo, porém, têm algum conhecimento dos seus padrões - este é o segundo fato. Paulo refere-se a gentios que não têm a lei e que, no entanto, praticam naturalmente, instintivamente, o que a lei ordena (14b). O que ele está fazendo não é uma declaração universal a respeito dos gentios, mas simplesmente dizendo que às vezes alguns gentios fazem uma parte do que a lei requer. Este é um fato observável e comprovável, que os antropólogos vêem e comprovam em qualquer lugar que seja.
Nem todos os seres humanos são bandidos, vilões, ladrões, adúlteros e assassinos. Pelo contrário, existem muitos que honram seus pais, reconhecem a santidade da vida humana, são fiéis ao cônjuge, praticam a honestidade, falam a verdade e se contentam com o que possuem, tal qual se requer nos últimos seis dos dez mandamentos. Mas, então, como explicar esse fenômeno paradoxal, de que, apesar de não terem a lei, eles aparentemente a conhecem? A resposta de Paulo é que eles tornam-se lei para si mesmos, não no sentido popular (por sinal, muito errado) de que eles podem moldar a sua própria lei, mas no sentido de que o próprio fato de serem humanos se constitui em lei para eles. E por que isso? Porque Deus, ao criá-los, os fez pessoas morais e auto-conscientes; e eles demonstram, pelo seu comportamento, que as exigências da lei estão gravadas em seu corações (15a).
Assim é que, embora não possuam a lei em suas mãos, eles têm as exigências da lei em seus corações, pois Deus as colocou ali. Isso com certeza não pode ser tomado como uma referência à promessa da nova aliança de Deus, de pôr a sua lei na mente do seu povo e escrevê-la em seus corações, [20] conforme Barth, Charles Cranfield e outros comentaristas sugerem; afinal, o contexto inteiro é o de juízo, não de salvação. Paulo está se referindo, não à regeneração, mas à criação, ao fato de que "a obra da lei" (no sentido literal), as suas "exigências" (NVI), as suas "normas" (ARA), "a Lei" (BLH), suas "implicações" [21] foram escritas nos corações de todos os seres humanos pelo Criador. O fato de Deus ter gravado a sua lei em nossos corações através da criação significa que nós temos algum conhecimento dela. Quando, ao fazer de cada um de nós uma nova criatura, Ele escreve a sua lei em nosso coração, dá-nos também amor por ela e condições para obedecê-la.
Além disso, disto dão testemunho também as suas consciências (especialmente através de uma voz negativa e desaprovadora quando fazem o mal), ora acusando-os, ora defendendo-os (15b), como num julgamento no qual interagem a promotoria e a defesa. Paulo parece estar visualizando um debate no qual estão envolvidas três partes: nossos corações (onde foram escritas as exigências da lei), nossas consciências (incitando-nos e reprovando-nos) e nossos pensamentos (geralmente nos acusando, mas às vezes até nos provendo com desculpas).
Esta parte do texto termina com o versículo 16. Os versículos 14-15 parecem formar um parêntese (como está na NVI). Então o versículo 16 conclui o tema do julgamento, e a NVI indica isso ao acrescentar as palavras introdutóriasIsso acontecerá. Paulo alegou que nós não podemos escapar do juízo de Deus (1-4); que este será um julgamento justo (5-11), de acordo com as nossas obras, incluindo o alvo ou orientação fundamental de nossas vidas (o que nós "buscamos"); e que ele será imparcial no que toca a judeus e gentios (12-15). Em ambos os casos, quanto maior o nosso conhecimento moral, maior será a nossa responsabilidade moral. Agora ele apresenta mais três verdades sobre o dia do juízo, "o dia da ira de Deus" (5).
A primeiro é que o juízo de Deus abrangerá as áreas ocultas de nossa vida: Deus julgará os segredos dos homens. As Escrituras nos dizem, vez após vez, que Deus conhece os nossos corações. [22] Não há, portanto, a mínima possibilidade de que a justiça seja abortada no dia final, pois todos os fatos virão a público, inclusive aqueles que no presente não são conhecidos, como, por exemplo, as nossas motivações.
A segunda verdade é que o juízo de Deus irá realizar-se mediante Jesus Cristo. Jesus disse que o Pai lhe havia confiado "todo julgamento", [23] e ele sempre falava de si mesmo como uma figura central no dia do juízo. [24] Em Atenas, Paulo declarou que Deus tanto estabeleceu o dia como designou o juiz, [25] conforme Pedro já havia dito anteriormente a Cornélio. [26] É um grande conforto saber que o nosso juiz não será outro senão o nosso Salvador.
A terceira afirmação é que o juízo de Deus é parte integrante do evangelho. Deus julgará os segredos dos homens, escreve Paulo, mediante Jesus Cristo, conforme o declara o meu evangelho (16). Isso provavelmente significa que a boa nova da salvação brilha em todo o seu esplendor quando vista em contraste com o sombrio contexto do juízo divino. Nós barateamos o evangelho quando o retratamos apenas como algo que nos liberta da tristeza, do medo, da culpa e de outras necessidades pessoais, ao invés de apresentá-lo como uma força que nos liberta da ira vindoura.[27]

NOTAS:
[19] Hodge, pg. 53.
[20] Jr 31.33; cf. 2 Co. 3.3.
[21] Dunn, vol. 38A, p. 100.
[22] P. ex. 1 Sm 16.7; Sl 139.1ss.; Jr 17.10; Lc 16.15; Hb 4.12s.
[23] Jo 5.22,27.
[24] P. ex. Mt 7.21ss.; 25.31ss.
[25] At 17.31.
[26] At 10.42.
[27] 1 Ts 1.10.



Fonte: STOTT, John. A Mensagem de Romanos. Trad. Silêda e Marcos D S Steuernagel. 1ed. São Paulo: ABU Ed., 2000. 528p.; pp. 94-98.

Para saber mais: http://www.abub.org.br/editora/livros/bibliafalahoje.htm 



8 de ago. de 2011

Vídeo Memorial de John Stott (1921-2011)


Se a cruz não for o centro da nossa religião, a nossa religião não é a de Jesus. (John Stott)
Postamos semana retrasada a notícia da morte de John Stott, junto com uma curta biografia e um trecho de seu livro Cruz de Cristo. Hoje, trazemos um curto vídeo com sua biografia e um excelente texto extraído de seu livro Crer é Também Pensar, abordando a importância da santificação e dedicação de nossa mente – algo negligenciado por muitas seitas e/ou cristãos enganados, que negando o papel da mente na vida cristã caíram no emocionalismo, sendo que devemos nos lembrar que o primeiro mandamento incluí toda nossa mente.

Vídeo produzido pela All Souls Church
Tradução: Editora Ultimato

John Stott - A Busca da Santidade

Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia. De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que compete à mente, conquanto o próprio Jesus tenha posto o assunto fora de qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador da verdade?
Para começarmos, precisamos ter um quadro bem claro do tipo de pessoa que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e os mandamentos. Como o expressou John Owen: “o bem que a mente não é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem se apegar”.. Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se apresenta como o princípio de todo pecado”.
O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu se má a sugestão que lhe fizera Satanás e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação com a palavra gegraptai: “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida, em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida reta.
Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. Temos de ir mais além, resolvendo, em nossas mentes, a alcançá-la. A batalha é quase sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.
De novo: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
De novo ainda: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz”.
O autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos em nossas mentes, colhemos em nossas ações. “Ler É Viver” foi o lema de uma recente campanha publicitária. É um testemunho do fato de que a vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e venenos intelectuais perigosos.
Há, entretanto, uma outra espécie de disciplina mental a que somos convocados no Novo Testamento. Temos que considerar não somente o que deveríamos ser, mas também o que, pela graça de Deus, já somos. Devemos constantemente nos lembrar do que Deus já fez por nós, e dizer a nós mesmos: “Deus uniu-me com Cristo em sua morte e ressurreição, e assim acabou com a minha velha vida e me deu uma vida completamente nova em Cristo. Adotou-me em sua família e me fez seu filho. Pôs em mim seu Espírito Santo, fazendo de meu corpo seu templo. Também tornou-se seu herdeiro e prometeu-me um destino eterno, consigo, no céu. Isto é o que Ele fez para mim e em mim. Isto é o que sou em Cristo”.
Paulo não se cansa de nos incitar a que deixemos nossas mentes pensar nessas coisas. “Quero que saibais”, ele escreve. “Porque não quero, irmãos, que ignoreis…”E cerca de dez vezes em suas cartas aos Romanos e Coríntios ele profere esta pergunta incrédula: “Não sabeis…” “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus , fomos batizados na sua morte?” Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos…? “Não sabeis que sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?
A intenção do apóstolo nesta enxurrada de perguntas não é apenas fazer-nos sentir envergonhados por nossa ignorância. É antes fazer com que nos dizem respeito, as quais de fato nos são bem conhecidas; e que falemos entre nós sobre elas até o ponto em que se apoderem de nossas mentes e moldem o nosso caráter. Não se trata do otimismo de autoconfiança de Norman Vicent Peale, cujo método procura conseguir que façamos de conta que somos algo que não somos. O método de Paulo é nos lembrar do que realmente somos, porque assim nos fez Deus em Cristo.
Por John Sttot. Extraído do livro: Crer é também pensar
Disponibilizado por: monergismo.com

5 de ago. de 2011

Evangelismo e Ação Social por John R. W. Stott - Evangelismo - Paulo Junior || Escola Obreiro Aprovado (Aula 12)



Evangelismo e Ação Social
por
John R. W. Stott

818. Um dualismo anti-bíblico
O recente debate sobre os méritos rivais do evangelismo e da responsabilidade social nunca são necessários. Ele expressa um dualismo anti-bíblico entre corpo e alma, este mundo e o porvir. Em qualquer caso somos chamados tanto para testemunhar como para servir; ambos são partes de nosso ministério e missão cristã.
- Extraído de “Sua Confirmação” (rev. edn. London: Hodder and Stoughton, 1991), p. 145.

819. Quem é o meu próximo?
Nossa negligência evangélica do interesse social até os anos recentes, e todo o argumento sobre o evangelismo e a ação social, tem sido tanto inadequada como desnecessária. Certamente os cristãos evangélicos têm totalmente o direito de rejeitar o assim chamado 'evangelho social' (que substitui as boas novas da salvação com uma mensagem de aperfeiçoamento social), mas é incrível que nós jamais deveríamos ter colocado a obra evangelística e social uma contra a outra como alternativas. Ambas deveriam ser expressões autênticas de amor ao próximo. Pois quem é o meu próximo, para que eu o ame? Ele não é uma alma sem corpo, nem um corpo sem alma, nem um indivíduo privado divorciado do envolvimento social. Deus fez o homem um ser físico, espiritual e social. Meu próximo é um corpo e alma em comunidade. Eu não posso reivindicar amar meu próximo se estou realmente preocupado com apenas um aspecto dele, seja sua alma ou seu corpo, ou sua comunidade.
- Extraído “Ande Sob os Seus Pés” (London: IVP, 1975), p. 16.

820. Uma parceria no evangelismo
Há um modo de expressar a relação entre o evangelismo e a ação social, a qual creio ser verdadeiramente cristã, a saber, de que a ação social é *uma parceira do evangelismo*. Como parceiros os dois pertencem um ao outro e, todavia, são independentes um do outro. Cada um permanece de pé por si mesmo e em seu próprio direito ao lado do outro. Nem é algum deles um meio para o outro, ou nem mesmo uma manifestação do outro. Porque cada um é um fim em si mesmo. Ambos são expressões de amor genuíno.
- Extraído “A Missão Cristã no Mundo Moderno” (London: Falcon, 1975), p. 27. 
821. Nenhum 'evangelho social'
O reino de Deus não é uma sociedade cristianizada. É a regra divina nas vidas daqueles que reconhecem Cristo. Ele deve ser 'recebido', 'entrado' ou 'herdado', Ele disse, pela humilde e penitente fé nEle. E sem um novo nascimento é impossível vê-lo, muito menos entrar nele. Aqueles que o recebem como uma criança, contudo, encontram-se a si mesmos como membros de uma nova comunidade do Messias, que é chamada para exibir os ideais de Seu governo do mundo e assim apresentar ao mundo uma realidade social alternativa. Esta mudança social do evangelho do reino é totalmente diferente do 'evangelho social'. Quando Rauschenbusch [1] deu um caráter político ao o reino de Deus, é compreensível (embora lamentável) que, em reação a ele, os evangélicos se concentraram no evangelismo e na filantropia social, e se afastaram da ação sócio-política.
- Extraído “Assuntos que Confrontam os Cristãos Hoje” (London: Collins/Pickering, 1990), p. 7.
[1] Walter Rauschenbusch (1861-1918) - Pastor batista americano; pai do evangelho social; ensinou no Seminário Teológico de Rochester; tentou alcançar as pessoas doHell's Kitchen; escreveu Cristianismo e a Crise Social e Uma Teologia para o Evangelho Social. [Nota do tradutor].

822. Um aspecto da conversão
A responsabilidade social torna-se um aspecto não somente da missão cristã, mas também da conversão cristã. É impossível ser verdadeiramente convertido a Deus sem ser através disso convertido ao nosso próximo.
- Extraído de “A Missão Cristã no Mundo Moderno” (London: Falcon, 1975), p. 53.

823. Amor e justiça
A cruz é uma revelação da justiça de Deus tanto como de Seu amor. Isto é o porquê a comunidade da cruz deveria se concentrar tanto com a justiça social como com a filantropia amorosa. Nunca é suficiente ter piedade das vítimas de injustiça, se não fazemos nada para mudar a situação dos injustiçados. Os Bons Samaritanos sempre serão necessários para socorrer aqueles que são assaltados e roubados; todavia, seria bem melhor libertar a estrada de Jerusalém-Jericó de salteadores.
- Extraído de “A Cruz de Cristo” (Leicester and Downers Grove: IVP, 1986), p. 292.

824. Compaixão Genuína
Nós somos enviados ao mundo, como Jesus, para servir. Porque isto é a expressão natural de nosso amor aos nossos próximos. Nós amamos. Nós vamos. Nós servimos. E nisto não temos (ou não deveríamos ter) nenhum motivo escondido. É verdade, o evangelho carece de visibilidade se meramente o pregamos, e carece de credibilidade se nós, que o pregamos, estamos interessados somente nas almas, e não temos interesse sobre o bem-estar dos corpos, situações e comunidades das pessoas. Todavia, a razão de nossa aceitação da responsabilidade social não é para dar primariamente ao evangelho uma visibilidade, nem uma credibilidade, nem mesmo para suprir alguma outra carência; mas, ao invés disso, para simplesmente demonstrar uma compaixão genuína. O amor não precisa se justificar. Ele meramente se expressa no serviço, não importa quando ele se mostre necessário.
- Extraído de “A Missão Cristã no Mundo Moderno” (London: Falcon, 1975), p. 30.


825. Palavras e obras
No ministério de Jesus palavras e obras, pregação do evangelho e serviço misericordioso, andam de mãos dadas. Suas obras expressam suas palavras, e suas palavras explicam suas obras. Deve ser o mesmo conosco. As palavras são abstratas, elas necessitam serem incorporadas em feitos de amor. As obras são ambíguas, elas necessitam serem interpretadas pela proclamação do evangelho. Guarde as palavras e as obras juntas no serviço e no testemunho da Igreja.
- Extraído de “Evangelismo e Responsabilidade Social”, Southern Cross (Outubro de 1980), p. 23.

826. O instrumento da mudança
O evangelismo é o maior instrumento de mudança social. Porque o evangelho muda pessoas, e pessoas mudadas podem mudar a sociedade.
- Extraído de “Assuntos que Confrontam os Cristãos Hoje” (London: Collins/Marshall Pickering, 1990), p. 71.

827. Nenhuma sociedade perfeita
Os seguidores de Jesus são otimistas, mas não utópicos. É possível melhorar a sociedade; mas uma sociedade perfeita espera o retorno de Jesus Cristo.
- Extraído de “Que é o Homem?” (London: National Prayer Breakfast Committee, 1989).

828. Igreja e comunidade
Ao urgir para que evitemos a escolha ingênua entre evangelismo e ação social, eu não estou implicando que todo cristão individualmente deva estar igualmente envolvido em ambos. Isto seria impossível. Além do mais, devemos reconhecer que Deus chama pessoas diferentes para ministérios diferentes e capacita-os com dons apropriados aos seus chamados...
Embora todo cristão de uma forma individual deva descobrir como Deus o chamou e dotou, eu me aventuro a sugerir que a igreja local como um todo deva estar envolvida com a comunidade secular local como um todo.
- Extraído de “Cristianismo Equilibrado” (London: Hodder and Stoughton, 1975), p. 46.

829. Polarização e especialização
Eu sugiro a necessidade de um reconhecimento triplo sobre o evangelismo e a ação social:
(a) Um reconhecimento de que os dois são parceiros na missão cristã...parceiros 'distintos, todavia iguais'. Nem um é uma escusa para o outro, um manto para o outro, ou um meio para o outro. Cada um existe em seu próprio direito como uma expressão de amor cristão. Ambos devem estar inclusos em algum grau no programa de toda igreja local.
(b) Um reconhecimento de que ambos são responsabilidades de todo cristão como um indivíduo. Todo cristão é uma testemunha, e deve usufruir de todas as oportunidades que tiver. Todo cristão é também um servo, e deve responder aos convites para servir, sem considerá-las como meramente ocasiões para evangelismo. Todavia, a situação existencial freqüentemente irá atribuir prioridade a uma ou outra das duas responsabilidades. Por exemplo, o ministério do bom Samaritano para a vítima dos salteadores não foi encher seus bolsos de tratados, mas derramar óleo em suas feridas. Porque isto era o que a situação demandava.
(c) Um reconhecimento de que, embora ambos sejam parte dos deveres da igreja e dos cristãos, todavia, Deus chama pessoas diferentes para ministérios diferentes e as capacita com dons apropriados. Esta é uma dedução necessária da natureza da igreja como o corpo de Cristo. Embora possamos resistir a *polarização* entre evangelismo e ação social, não devemos resistir a *especialização*. Todos não podem fazer tudo. Alguns são chamados para serem evangelistas, outros para serem funcionários públicos, outros para ser ativistas políticos. Dentro de cada igreja loca, a qual como o corpo de Cristo na localidade é comissionada tanto para o evangelismo como para a ação social, há um lugar apropriado para especialistas individuais e para grupos especialistas.
- Extraído de “Evangelismo, Salvação e Justiça Social”, de R. J. Sider com uma resposta de John Stott (2nd edn. Nottingham: Grove Books, 1979), p. 22.



Todos os textos acima foram extraídos e traduzidos dos escritos do Dr. John Stott.
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 24 de agosto de 2004.

O que é Realmente Evangelismo
por
Paul Mizzi
 

Tentarei definir evangelismo, e trazer à luz sua natureza essencial, a partir de 1 Tessalonicenses 2 e 1 Coríntios 9:15-27.

1 Tessalonicenses 2.
Evangelismo, o proclamar de boas novas, não é fácil. Porque no evangelismo, a igreja ataca as fortalezas de Satanás, que mantém o mundo inteiro no engano. O evangelismo verdadeiro é freqüentemente visto nos cristãos sendo zombados e maliciosamente maltratados, verso 2.
Mas Deus honra o verdadeiro evangelismo e freqüentemente Se agrada em fazer a semente crescer e produzir fruto. O Pai é o Senhor da seara (Lucas 11); Ele concede ou retém o sucesso; Cristo é o construtor de Sua igreja (Mateus 16); o Espírito Santo é o divino Energizador e Comissionador (Atos 13:1ss). Onde o Deus triuno é honrado e Sua doutrina é mantida, os pregadores (em geral) não trabalharão em vão (verso 1).
O verdadeiro evangelismo explora a questão dos motivos: por que essa e aquela pessoa prega o evangelho? É para sua fama, para o seu avanço na escada eclesiástica, para o seu ganho financeiro? Paulo podia assegurar sua sinceridade e seus justos motivos (verso 3). Ele se considerava um servo, ou melhor, um despenseiro a quem foi confiada uma comissão (verso 4). Ele sabia a quem devia agradar. O evangelismo verdadeiro olha primariamente para Deus: é por causa do Seu Nome (Romanos 1:5; 3 João 7) que os evangelistas saem, verso 4.
O evangelista é alguém que poderia dizer aos seus ouvintes: “vocês são queridos por nós”. Ele é um amante de almas. Ele não abusa de sua autoridade. Ele preferirá pregar sem gerar despesas: Paulo algumas vezes trabalhava como um fazedor de tendas para pagar as despesas.
A todo custo, o evangelista deve lembrar que ele é um modelo do evangelho: o evangelho lhe mudou. Seu exemplo fala talvez mais do que suas palavras.

1 Coríntios 9:15-27.
Um ministério de evangelista não é uma tarefa que pode ser escolhida à vontade. Embora todo cristão tenha a responsabilidade de compartilhar o evangelho e dar a razão para a esperança nele, à medida que Deus provê a oportunidade, o evangelista tem uma necessidade posta sobre ele. Ela é seu fardo, uma maravilhosa responsabilidade dal qual ele não pode escapar ou evitar, verso 16. Mesmo que Deus encontre os Seus evangelistas indispostos inicialmente (Moisés, Jeremias, Amós), Ele os faz dispostos e lhes promete Sua presença e capacitação.
O verdadeiro evangelismo é adaptável e flexível, e não rígido. Cristo falou à mulher Samaritana de uma maneira muito diferente da qual Ele Se aproximou do culto Nicodemos. O mesmo evangelho foi apresentado; a aproximação foi moldada pelas necessidades e capacidades dos Seus ouvintes. Este é o porquê Paulo se tornou um servo para todos: aos judeus ele se tornou um judeu...para ganhá-los para Cristo. Isto não é comprometer o conteúdo da mensagem, longe disso. É adaptabilidade.
Paulo falava aos judeus, arrazoando com eles a partir do Antigo Testamento, com o qual eles estavam familiares. Aos filósofos atenienes, ele nunca citou o Antigo Testamento, mas sua mensagem era, contudo, bíblica e o mesmo Cristo era pregado.


Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 09 de Outubro de 2004.
                                                Motivos para Evangelismo
por
Paul Mizzi
 

Não importa o que nos esforcemos para fazer, não o fazemos meramente por causa de uma inclinação, mas, de uma maneira mais importante, por causa de uma forte motivação que nos leva a agir assim.
Na solene e urgente obra de evangelismo, a Escritura delineia os motivos apropriados e sadios para o trabalhador cristão. Os motivos básicos são os seguintes:
1. Nossa própria recepção do Evangelho nos faz responsáveis de dar gratuitamente o que temos recebido gratuitamente. Se tivermos provado e visto que o Senhor é bom, então, Sua salvação certamente é aplicável aos outros também, que são pecadores assim como nós o somos. O apóstolo Paulo e Adoniram Judson exemplificam este motivo.
2. Outro motivo é a compaixão que o Senhor da seara implanta em nossos corações. Seu mandamento dirigido a nós, “Levantai os vossos olhos, para os campos que já estão brancos para a colheita”, fará que vejamos milhares incontáveis ainda sob a escravidão de Satanás, sob o jugo de ferro da idolatria e na escravidão do pecado. William Carey e David Livingstone nos dão uma excelente idéia do que significa ter compaixão pelo perdido.
3. O forte desejo de ser fiel à Grande Comissão (algumas vezes descrita como o 11º mandamento) também age como um motivo. Cristo deve ser obedecido e honrado; seu Nome deve ser ressoado por toda a terra. As pessoas devem aprender a observar Seus mandamentos.
David Brainerd (entre os Índios da América do Norte) e George Whitefield viajaram para todo lugar, em sua fidelidade como despenseiros de Cristo, tendo o Evangelho lhes sido confiado.
4. Finalmente, um profundo senso do amor de Cristo. Como Paulo se expressou: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação” (2 Coríntios 5:14,18).
C.T.Studd teve este senso do amor de Cristo; ele disse: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, não há sacrifício grande demais que eu possa fazer por Ele”. João Calvino também teve a mesma atitude, o qual, diante da concretização do amor de Cristo, empregou este moto para si mesmo: “Cor meum tibi offero Domine prompte et sincere” (O meu coração te ofereço, ó Senhor, de modo pronto e sincero).

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 09 de Outubro de 2004.

28 de jul. de 2011

Falece John Stott (1921-2011)


Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (1 Timóteo 5:17)
John Stott faleceu ontem dia 27 de Julho de 2011 às 03:15, no horário de Londres, aos 90 anos, de acordo com Benjamin Homan, presidente do John Stott Ministries (fonte).
“antes que possamos começar a ver a Cruz como algo feito para nós (nos conduzindo a fé e a adoração) temos que vê-la como algo feito por nós (nos conduzindo ao arrependimento)”. – John Stott

Biografia

Considerado uma das mais expressivas vozes da Igreja Evangélica contemporânea, o inglês John Stott nasceu em 27 de abril de 1921. Foi um agnóstico até 1939, quando ouviu uma mensagem do reverendo Eric Nash e se converteu ao cristianismo evangélico.
Estudou Línguas Modernas na Faculdade Trinity, de Cambridge. Foi ordenado pela Igreja Anglicana em 1945, e iniciou suas atividades como sacerdote na Igreja All Souls, em Langham Place. Lá continuou até se tornar pastor emérito, em 1975. Foi capelão da coroa britânica de 1959 a 1991.
Stott tornou-se ainda mais conhecido depois do Congresso de Lausanne, em 1974, quando se destacou na defesa do conceito de Evangelho Integral – uma abordagem cristã mais ampla, abrangendo a promoção do Reino de Deus não apenas na dimensão espiritual, mas também na transformação da sociedade a partir da ética e dos valores cristãos.
Em 1982, fundou o London Institute for Contemporary Christianity, do qual hoje é presidente honorário. Escreveu cerca de 40 livros, entre os quais Ouça o Espírito, ouça o mundo (ABU), A cruz de Cristo (Vida) e Por que sou cristão (Ultimato).
Disponibilizado por: mundocristao.com.br

John Stott – O Verdadeiro Significado da Cruz

Se quisermos desenvolver uma doutrina da propiciação verdadeiramente bíblica, necessitaremos distingui-la das idéias pagãs em três pontos cruciais, relacionados ao motivo da necessidade da propiciação, quem a fez e o que ela é.
Primeiro, o motivo pelo qual a propiciação é necessária é que o pecado suscita a ira de Deus. Isso não quer dizer (como temem os animistas) que ele é capaz de explodir a mais trivial provocação, muito menos que ele perde as estribeiras por nenhum motivo aparente. Pois nada há de caprichoso ou arbitrário no santo Deus. Nem jamais ele é irascível, malicioso, rancoroso ou vingativo. A ira dele não é misteriosa nem irracional. Jamais é imprevisível, mas sempre previsível por ser provocada pelo mal e pelo mal somente. A ira de Deus, como examinamos com mais detalhes no capítulo 4, é o seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o pecado em todas as suas formas e manifestações. Em resumo, a ira de Deus está mundos à parte da nossa. O que provoca a nossa ira (a vaidade ferida) jamais provoca a dele; o que provoca a ira dele (o mal) raramente provoca a nossa.
Segundo, quem faz a propiciação? Num contexto pagão são sempre seres humanos que procuram desviar a ira divina mediante a realização meticulosa de rituais, ou através da recitação de fórmulas mágicas, ou por meio de oferecimento de sacrifícios (vegetais, animais e até mesmo humanos). Pensam que tais práticas aplaquem a divindade ofendida. Mas o evangelho começa com a afirmação ousada de que nada do que possamos fazer, dizer, oferecer ou até mesmo dar pode compensar os nossos pecados nem afastar a ira divina. Não há possibilidade alguma de bajularmos, subornarmos ou persuadirmos Deus a nos perdoar, pois nada merecemos das suas mãos a não ser o julgamento. Nem, como já vimos, tem Cristo, por meio do seu sacrifício, prevalecido sobre Deus a fim de que ele nos perdoe. Não, foi o próprio Deus que, em sua misericórdia e graça, tomou a iniciativa.
Esse fato já estava claro no Antigo Testamento, pois nele os sacrifícios eram reconhecidos não como obras humanas, mas como dádivas divinas. Eles não tornavam a Deus gracioso; eram providos por um gracioso Deus a fim de que pudesse agir graciosament-e para com o seu povo pecaminoso. “Eu vo-lo tenho dado sobre o altar”, disse Deus a respeito do sangue do sacrifício, “para fazer expiação pelas vossas almas” (Levítico 17:11). E o Novo Testamento reconhece essa verdade com mais clareza, e não menos os textos principais acerca da propiciação. O próprio Deus “apresentou” ou “propôs” a Jesus Cristo como sacrifício propiciatório (Romanos 3:25). Não é que tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João 4:10).
Não podemos enfatizar demais que o amor de Deus é a fonte, e não a conseqüência da expiação. Como o expressou P. T. Forsyth: “A expiação não assegurou a graça, mas fluiu dela”. Deus não nos ama porque Cristo morreu por nós; Cristo morreu por nós porque Deus nos amou. É a ira de Deus que necessitava ser propiciada, é o amor de Deus que fez a propiciação. Se pudermos dizer que a propiciação “mudou a Deus” ou que por meio dela ele mudou a si mesmo, esclareçamos que a sua mudança não foi da ira para o amor, da inimizade para a graça, visto que o seu caráter é imutável. O que a propiciação mudou foi os seus tratos para conosco. “A distinção que eu peço que vocês observem”, escreveu P. T. Forsyth é “entre uma mudança de sentimento e uma mudança de tratamento… o sentimento de Deus para conosco jamais necessitou mudar. Mas o tratamento de Deus com referência a nós, o relacionamento prático de Deus para conosco — esse teve de mudar”. Ele nos perdoou e nos recebeu no lar.
Terceiro, qual foi o sacrifício propiciatório? Não foi animal, vegetal nem mineral. Não foi uma coisa, mas uma pessoa. E a pessoa que Deus ofereceu não foi alguém mais, uma pessoa humana ou um anjo, nem mesmo o seu Filho considerado como alguém distinto dele ou exterior a si mesmo. Não, ele ofereceu-se a si mesmo. Ao dar o seu Filho, ele estava dando a si mesmo. Como escreveu repetidamente Karl Barth: “Foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus”. Por exemplo, “o fato de que foi o Filho de Deus, de que foi o próprio Deus, quem tomou o nosso lugar no Gólgota e, através desse ato, nos libertou da ira e do juízo divino, revela primeiro a implicação total da ira de Deus e a sua justiça condenadora e punitiva”. Repetimos, “porque foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus, que tomou o nosso lugar na Sexta-Feira da Paixão, para que a substituição fosse eficaz e pudesse assegurar-nos a reconciliação com o Deus justo. Somente Deus, nosso Senhor e Criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida.” E tudo isso, esclarece Barth, foi expressão não somente da santidade da justiça divina, mas também das “perfeições do amor divino”; deveras, do “santo amor divino”.
Portanto, o próprio Deus está no coração de nossa resposta às três perguntas acerca da propiciação divina. É o próprio Deus que, em ira santa, necessita ser propiciado, o próprio Deus que, em santo amor, resolveu fazer a propiciação, e o próprio Deus que, na pessoa do seu Filho, morreu pela propiciação dos nossos pecados. Assim, Deus tomou a sua própria iniciativa amorosa de apaziguar sua própria ira justa levando-a em seu próprio ser no seu próprio Filho ao tomar o nosso lugar e morrer por nós. Não há nenhuma grosseria aqui que evoque o nosso ridículo, apenas a profundeza do santo amor que evoca a nossa adoração.
Ao procurar, assim, defender e reinstituir a doutrina bíblica da propiciação, não temos intenção alguma de negar a doutrina bíblica da expiação. Embora devamos resistir a toda tentativa de substituir a propiciação pela expiação, damos boas-vindas a todas as tentativas que procuram vê-las unidas na salvação. Assim F. Büchsel escreveu que “hilasmos. . . é a ação na qual Deus é propiciado e o pecado expiado”.21 O Dr. David Wells elaborou sucintamente sobre essa idéia:
No pensamento paulino o homem é alienado de Deus pelo pecado e Deus é alienado do homem pela ira. É na morte substitutiva de Cristo que o pecado é vencido e a ira desviada, de modo que Deus possa olhar para o homem sem desprazer, e o homem olhar para Deus sem temor. O pecado é expiado, e Deus propiciado.
Por John Sttot
Extraído do livro: Cruz de Cristo pág: 154 – 156
Disponibilizado por: amecristo.com

26 de mai. de 2011

O encontro com Nicodemos – John Stott



Em resposta, Jesus declarou: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver
o Reino de Deus, se não nascer de novo" - João 3.3

Nicodemos é um extraordinário exemplo de alguém que busca sinceramente pela verdade. Ah, se tivéssemos mais Nicodemos no mundo hoje — homens e mulheres preparados para deixar de lado a apatia, o preconceito, o medo e buscar a verdade com espírito honesto e humilde! "Busquem, e encontrarão", prometeu Jesus (Mt 7.7).

Jesus deve ter impressionado Nicodemos ao dizer-lhe que deveria nascer de novo. O que ele quis dizer? Obviamente ele não estava se referindo a um segundo nascimento físico ou a um ato de auto-reforma. Nem pode ter se referido ao batismo cristão, uma vez que ele só seria instituído depois da ressurreição. Por certo o batismo é o sinal ou sacramento do novo nascimento, mas não devemos confundir o sinal externo com a coisa interna que ele representa. O batismo é uma dramatização pública visível do novo nascimento, que é uma obra invisível e secreta de Deus, por meio da qual ele nos dá uma nova vida, um novo começo.

Além disso, (Jesus disse) devemos nascer de novo. Sem o novo nascimento, não podemos nem ver o reino de Deus nem entrar nele. Nicodemos era religioso, um homem de princípios, educado, respeitável e cortês. Ele até acreditava na origem divina de Jesus. Mas tudo isso não era suficiente. Ele ainda precisava nascer de novo.

Então, como esse novo nascimento acontece? De determinado ponto de vista, ele é inteiramente obra de Deus. Ninguém jamais deu à luz a si mesmo. Assim, o novo nascimento é um nascimento "do alto", um nascimento "do Espírito Santo". De nossa parte, no entanto, temos de nos arrepender e crer. Nicodemos não poderia evitar o batismo de arrependimento de João. Foi isso, com certeza, que Jesus quis dizer com ser "nascido da água". Ele deveria então crer, colocando sua confiança em Jesus, o Messias, que era o Salvador de que necessitava.

8 de abr. de 2011

Vá, pregue e morra! - Paul Washer



Prega a Palavra – John Stott


- Quatro características da verdadeira pregação -

“... insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina...” (2 Tm 4.2)


Apenas três palavras: "prega a palavra". Observamos imediatamente que a mensagem que Timóteo deve comunicar é chamada de "palavra", algo que foi proferido por alguém. Mas é a palavra, a palavra de Deus, que Deus mesmo proferiu. Paulo não precisa especificar melhor o que ele quer dizer, já que Timóteo saberá de imediato que se trata do corpo de doutrina, que ouvira de Paulo, e que o mesmo Paulo lhe comissiona a passar adiante a outros. É idêntica ao "depósito" do capítulo 1, e neste quarto capítulo é equivalente à "sã doutrina" (v.3), "à verdade" (v.4) e "à fé"' (v.7). São as Escrituras do Velho Testamento, inspiradas por Deus e proveitosas, que Timóteo sabe desde a sua infância, junto com o ensino do apóstolo, que Timóteo "tem seguido", "aprendido" e de que tem sido "inteirado" (3: 10-14). O mesmo comissionamento é dado à Igreja de cada época. Não temos nenhuma liberdade para inventar a nossa mensagem, mas somente para comunicar "a palavra" proferida por Deus e agora entregue à Igreja, em sagrada custódia.

Timóteo deve "pregar" esta palavra; ele deve falar o que Deus falou. Sua responsabilidade não é somente ouvir essa palavra, crer nela e obedecê-la, nem somente guardá-la de toda falsidade; nem somente sofrer por ela e permanecer nela; mas, sim, pregá-la a outros. São as boas novas de salvação para os pecadores. Assim ele deve proclamá-la como um arauto em praça pública (kèryssö, cf. këryx, "um arauto" em 1: 11). Para fazê-la conhecida, deverá levantar a sua voz para todos, sem temor.

Paulo prossegue mostrando quatro sinais que deverão caracterizar a proclamação a ser feita por Timóteo.


a.  Uma proclamação urgente

O verbo ephistëmi, "instar", significa literalmente "assistir", e assim "estar de prontidão", "estar disponível". Aqui, contudo, parece ter o sentido não somente de alerta e zelo mas de insistência e urgência. "Nunca perca o teu sentido de urgência" (CIN). Numa forma lânguida e indiferente, certamente não se faz uma boa pregação. Toda boa pregação transmite um sentido de urgência e de importância do que está sendo pregado. O arauto cristão sabe que está tratando de assunto de vida ou morte. Anuncia a situação do pecador sob os olhos de Deus, e a ação salvadora de Deus, através da morte e ressurreição de Cristo, e o convida ao arrependimento e à fé. Como poderia tratar tais temas com fria indiferença? "Em tudo o que você fizer", escreveu Richard Baxter, "deixe transparecer a sua absoluta seriedade. . . Você não conseguirá quebrantar o coração de ninguém com gracejos, nem contando histórias agradáveis ao ouvido, nem compondo um discurso pomposo. Ninguém abandonará as coisas de que mais gosta, mediante uma solicitação sem profundidade feita por alguém que parece não falar com convicção, ou que pouco se incomode se a sua solicitação é aceita ou não".

Esta urgente pregação, Paulo acrescenta, deve continuar "a tempo e fora de tempo". "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não." Tal regra de procedimento não deve ser tomada como desculpa para a falta de tato com as pessoas, o que muitas vezes tem caracterizado a evangelização, e que em decorrência tem dado uma má reputação ao evangelho. Não nos é dada a liberdade de entrarmos sem cerimônia na vida privada de outras pessoas ou lhes pisarmos grosseiramente nos calos. Não, as ocasiões a que Paulo se refere como sendo "quer seja oportuno, quer não", aplicam-se não tanto aos ouvintes como a quem fala. A BLH enfatiza isso: "pregue a mensagem e insista em anunciá-la, no tempo certo ou não". Assim é o verboephistëmi, em seu sentido alternativo, como é às vezes encontrado nos manuscritos. Assim, o que temos aqui não é uma base bíblica para a grosseria, mas sim um apelo bíblico contra a preguiça.


b. Uma proclamação contextual

O arauto que anuncia a Palavra deve corrigir, repreender e exortar. Isso sugere que há três diferentes maneiras de anunciar, pois que a Palavra de Deus é "útil" para uma variedade de ministérios, como Paulo já disse (3: 16). Ela fala a homens diferentes, em situações diferentes. O pregador deve lembrar-se disso e ser hábil no uso da Palavra. Ele deve usar "argumentos, repreensão e apelo", o que vem a ser quase uma classificação de três abordagens: a intelectual, a moral e a emocional. Porque muitas pessoas acham-se atormentadas por dúvidas e precisam ser repreendidas; outras, ainda, são perseguidas pelas dúvidas e precisam ser encorajadas. A Palavra de Deus faz tudo isso e muito mais. É nosso dever aplicá-la contextualmente.


c.       Uma proclamação paciente

Mesmo devendo instar (esperando obter das pessoas rápidas decisões em resposta à Palavra), devemos ter "toda a longanimidade na espera por essa resposta". Nunca devemos nos valer do uso de técnicas humanas de pressão ou tentar forçar uma "decisão". A nossa responsabilidade é ser fiel na pregação da Palavra; os resultados da proclamação são de responsabilidade do Espírito Santo e, quanto a nós, só nos compete esperar pacientemente por sua obra. Também devemos ser pacientes em toda a nossa maneira de ser, porque "é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente ; disciplinando com mansidão os que se opõem" (2: 24-25). Mes¬mo sendo solene o nosso comissionamento, e urgente a nossa mensagem, não se justifica uma conduta rude ou impaciente.


d,      Uma proclamação inteligente

Não devemos só pregar a palavra, mas também ensiná-la, ou me¬lhor, pregá-la "com toda a doutrina" (këryxon. . . en pasë... didachè). C. H. Dodd tornou clara a distinção entre kérygma e didachè, sendo a primeira a proclamação de Cristo aos descrentes, com um apelo ao arrependimento; e a segunda, a instrução ética aos convertidos. A distinção é prática e importante; contudo, como já suge¬rido no comentário de 1: 1, ela pode se tornar rígida e estreita. Pelo menos este versículo nos mostra que o nossokèrygma deve conter muito de didachè. Se a nossa proclamação pretende antes de tudo convencer, repreender ou exortar, ela deve ser um ministério de doutrina.

O ministério pastoral cristão é essencialmente um ministério de ensino, e é por isso que se exige dos candidatos ortodoxia na fé e aptidão para o ensino (Tt 1: 9; 1 Tm 3: 2). Existe uma necessidade crescente, especialmente em vista do contínuo processo de urbanização e da elevação dos padrões de educação, dos ministros cristãos desenvolverem nas pululantes cidades do mundo um ministério de pregação com exposição bíblica sistemática, para "pregar a palavra. . . com toda a doutrina". Isto foi exatamente o que o próprio Paulo fez em Éfeso, como era do conhecimento de Timóteo. Por cerca de três anos ele ensinou "publicamente e pelas casas .. . todo o conselho de Deus" (At 20: 20-27; cf. 19: 8-10). Agora é a vez de Timóteo fazer o mesmo.


Tal é a instrução de Paulo a Timóteo. Ele deve pregar a Palavra anunciando a mensagem dada por Deus, mas deve fazê-lo com um sentido de urgência, deve aplicá-la ao contexto da situação presente, deve ser paciente em seu modo de ser e inteligente na sua apresentação.



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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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