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10 de jul. de 2011

A Verdadeira Natureza da Humilhação - Richard Baxter (1615-1691)



Há uma humilhação preparatória que acontece antes de uma transformação salvífica, que não deve ser desprezada, visto que nos aproxima de Deus, mas que, contudo, não consiste numa total submissão a Ele.Esta humilhação preparatória, a qual muitos vêem fenecer, consiste principalmente nas seguintes coisas: em primeiro lugar, ela reside principalmente no temor de ser condenado - este temor se assemelha mais à sensação de medo. Consiste também em uma certa apreensão da grandeza dos nossos pecados, da ira de Deus que ameaça cair sobre nossas cabeças, e do perigo em que nos encontramos de sermos condenados para sempre.

Ela consiste ainda em certa compreensão da loucura da qual somos culpados ao pecar, e de algum arrependimento por ter um dia cometido tais coisas, e algum remorso de consciência por isto.

A isto pode se unir um certo sentimento de tristeza, sendo este expresso através de gemidos e lágrimas. Isso tudo pode ser acompanhado com confissões de pecado a Deus e a homens, lamentações por nossa miséria; em alguns, isto precede o próprio desespero. E, finalmente, isto pode levar a uma indignação contra nós mesmos, e à adoção de uma atitude de severa vingança sobre nós mesmos; sim, mais do que Deus levaria o homem a adotar; como Judas fez em se autodestruir. Este desespero e auto-execução não são parte da humilhação preparatória, mas o excesso, o seu erro, e a entrada do inferno.

Mas há também uma humilhação que é própria ao convertido, a qual acompanha a salvação, e que inclui tudo o que há na anterior, e muito mais - assim como a alma racional inclui o sensitivo, o vegetativo, e muito mais. Esta humilhação salvífica consiste nos seguintes particulares: ela começa no entendimento, e é enraizada na vontade. Opera nos sentimentos e, quando há oportunidade, manifesta-se em expressões e atitudes exteriores.

1. A humilhação do entendimento consiste em uma baixa apreciação de nós mesmos, num auto-rebaixamento, e num auto-julgamento condenatório; e isto nas seguintes particularidades:Consiste numa apreensão profunda, sólida, habitual e real da hediondez dos nossos próprios pecados, e de nós mesmos por causa deles; isto porque eles são contrários à bendita natureza e lei de Deus, e tão contrários à nossa própria perfeição e bem principal. Também consiste em uma sólida e fixa apreensão da nossa própria ruína por causa desses pecados, de tal modo que os nossos julgamentos subscrevem a eqüidade da sentença condenatória da lei, e nos julgamos indignos da menor misericórdia, e dignos de punição eterna. Consiste em uma apreensão da nossa condição arruinada e miserável: visto que nós não apenas somos herdeiros de tormento, como também, destituídos da imagem e Espírito de Deus, perdemos Seu favor, estamos debaixo do Seu desagrado e inimizade.

Por causa do nosso pecado, perdemos o direito da nossa parte na glória eterna, e grande é nossa incapacidade de nos ajudar a nós mesmos.Isto se dá em tal medida, que nós julgamos realmente os nossos pecados e a nós mesmos, por causa do pecado, mais odiosos do que qualquer outra coisa que algum outro mal pudesse nos tornar. Consideramos a nossa miséria, por causa do pecado nas particularidades referidas anteriormente, maior do que qualquer calamidade exterior na carne, e do que qualquer perda terrena que viesse a nos atingir.

Isto nós apreendemos através de um julgamento prático e não apenas por mera especulação ineficaz. A fonte disto está em um certo conhecimento do próprio Deus, cuja majestade é tão gloriosa, e cuja sabedoria é tão infinita. O qual é tão bom em Si mesmo e para conosco, cuja santa natureza é contrária ao pecado. O qual tem em nós uma propriedade absoluta, e também é soberano sobre nós. Isto é também proveniente de um conhecimento do verdadeiro estado da felicidade humana, que foi arruinada pelo homem em conseqüência do pecado, a qual consiste em agradar, glorificar e gozar a Deus em amor, deliciar-se Nele, e louvá-Lo para sempre, e em ter uma natureza perfeitamente santa e adequada a este propósito.

Ver que o pecado é contrário a esta felicidade e que nos tem privado dela, é uma das fontes da verdadeira humilhação.Esta humilhação no entendimento provém também de um conhecimento pela fé de Cristo crucificado, o qual foi morto pelos nossos pecados, o qual declarou na maneira mais viva possível ao mundo através de Sua cruz e sofrimentos o que é o pecado, o que ele faz, e a situação em que nós nos colocamos.Assim, muito da humilhação salvífica se processa no entendimento.

2. A sede principal desta humilhação é na vontade, e aí ela consiste nos seguintes atos: ao pensarmos humildemente a respeito de nós mesmos, nós temos um constante desagrado por nós mesmos e pelos nossos pecados, e uma certa indignação contra nós por causa das nossas abominações. Um pecador humilhado é um inquiridor de si mesmo, e como ele é mau, seu coração é contra ele próprio.

Há também na vontade um profundo arrependimento por termos pecado, ofendido a Deus, abusado da Sua graça, e por termos nos colocados em tal situação; de tal modo que a alma humilhada desejaria gastar seus dias na prisão, a esmolar, ou em miséria corporal, ao invés de gastá-los no pecado; e se pudesse começar de novo, ela preferiria escolher uma vida de vergonha e calamidade no mundo, do que uma vida de pecado, e ficaria alegre pela troca.

Uma alma humilhada deseja realmente se entristecer por causa dos pecados que cometeu, e por causa deles ser sensível e afligida tão profundamente quanto fosse agradável a Deus. Mesmo quando ela não pode derramar uma lágrima, ainda assim a sua vontade é derramá-las. Quando ela não consegue sentir nenhuma profunda aflição por causa do pecado, seu sincero desejo é que possa senti-la. Ela preferiria cem vezes chorar no desejo, quando não o faz em ato.Uma alma humilhada deseja realmente mortificar a própria carne pelo uso daqueles meios indicados como sendo aqueles através dos quais Deus a subjuga, como através do jejum, abstinência, vestuário simples, trabalho duro e negando-se prazeres desnecessários.
É uma dúvida digna de consideração se quaisquer destes atos de humilhação devem ser usados propositadamente em revide contra nós mesmos por causa do pecado. A isto respondo que nós não podemos fazer nada, a título de revide, que Deus não o permita, ou que torne nossos corpos menos habilitados para o Seu serviço, pois esta atitude receberia revide de Deus e da nossa alma. Mas aqueles meios de humilhação necessários para domar o corpo podem bem ser usados com dupla intenção: primeiro e especialmente, como um meio para nossa segurança e como precaução, a fim de que a carne não venha a prevalecer; e então, paralelamente, nós deveríamos ficar mais contentes em ver mais sofrimento ser imposto à carne, porque ela foi e ainda é um grande inimigo de Deus e nosso, e a causa de todo o nosso pecado e miséria. Este é o revide que é permitido ao penitente, e que alguns pensam ser tencionado.

Visto que a alma humilhada tem pensamentos humildes de si mesma, então ela deseja que outros a avaliem e a considerem desse modo, mesmo que seja um pecador vil e indigno, desde que a sua desgraça não prejudique o Evangelho ou a outros, ou venha a desonrar a Deus. Seu orgulho é humilhado a tal ponto que ela não pode suportar ser depreciada com alguma condescendência.

Não que aprove o pecado de qualquer homem que faça isso maliciosamente, mas consentindo com o julgamento e repreensão daqueles que façam isto com sinceridade, e consentindo com o julgamento de Deus, ainda que através daqueles que o façam maliciosamente. A alma humilhada não fica se defendendo e atenuando injustamente seus pecados, se desculpando, e se inflamando contra o reprovador; o que quer que ela faça em uma tentação, se esta atitude for predominante, seu orgulho, e não humilhação, acabará por predominar. Mas ela se julga a si mesma o tanto quanto outros possam justamente julgá-la, e humildemente consente em ser humilhada aos olhos humanos até que Deus venha a levantá-la e a recuperar sua dignidade.

A raiz de toda essa humilhação na vontade é um amor a Deus, a quem ofendemos, um ódio ao pecado que O ofendeu, e que nos fez odiosos; um senso confiante do amor e dos sofrimentos de Cristo, O qual condenou o pecado na Sua carne.Assim vocês vêem no que consiste a humilhação da vontade, a qual é a própria vida e alma da verdadeira humilhação.

3. A humilhação também inclui os sentimentos: uma genuína tristeza pelo pecado que cometemos; pela corrupção que há no pecado; uma vergonha por estes pecados; um santo temor a Deus quando nós O ofendemos, e dos Seus julgamentos os quais merecemos, e uma apropriada aversão aos nossos pecados. Mas, como mostrarei adiante, não é pelo grau, mas pela sinceridade destes sentimentos que você deve fazer um julgamento do seu estado; e isto dificilmente será discernido pelos próprios sentimentos. Assim, portanto, a vontade é o meio mais seguro através do qual podemos nos avaliar.

4. A humilhação também consiste expressivamente em ações exteriores, quando é oferecida oportunidade. Não há humilhação verdadeira no coração, se ela se recusa a aparecer no exterior, quando Deus a requer no seu curso ordinário. Os atos exteriores da humilhação são: uma confissão voluntária dos pecados a Deus e aos homens, quando Deus o requer, isto é, quando isto se torna necessário à Sua honra, ao bem daqueles a quem ofendemos, e satisfação do ofendido. Isto deve ser feito pelo menos quando confessamos os pecados abertamente a Deus na presença dos homens.

Uma alma não humilhada se recusaria a fazê-lo por vergonha; mas o humilhado aceitaria livremente ser envergonhado, se isso viesse a advertir seus irmãos, e justificar a Deus, e Lhe dar glória. “Se confessarmos os nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar...” (1 Jo 1:9). “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados...” (Tg 5:16). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Prov 28:13). Não que a pessoa precise confessar seus pecados secretos a outros, a não ser quando não possa alcançar alívio; não que a pessoa deva publicar as suas ofensas, vindo a desonrar a Deus ainda mais, e a ser empecilho para o Evangelho.

Mas quando o pecado já é público e especialmente quando a ofensa de outros, o endurecimento dos ímpios, a satisfação da igreja com relação ao nosso arrependimento, requer nossa confissão e lamentação pública, então a alma humilde deve e se submeterá a isto.O homem de coração corrompido, hipócrita, não humilhado, entretanto, confessará apenas nos seguintes casos: quando o sigilo da confissão, ou a insignificância da falta, ou a freqüência de tal confissão não traga grande vergonha sobre si. Ou quando a falta já é tão pública que seria vã qualquer tentativa de escondê-la, e a confissão não aumentaria em nada a sua desgraça.

Ou quando a consciência está pesada, ou à beira da morte, ou forçado por algum terrível julgamento de Deus. Em todos estes casos o ímpio pode confessar seus pecados. Assim Judas confessou: “Pequei traindo sangue inocente” (Mt 27:4). Faraó confessou: “Eu e o meu povo somos ímpios” (Ex 9:27). Um ladrão à beira da forca confessará; e o mais vil e desprezível ser, no seu leito de morte, também confessará. Mas nós temos mais confissões no leito de morte do que confissões voluntárias diante da igreja. Infelizmente,o orgulho e a hipocrisia têm prevalecido de tal modo, e a antiga disciplina da igreja tem sido tão negligenciada, que eu penso que na maioria dos lugares na Inglaterra há muito mais pessoas que fazem confissão na forca do que pessoalmente em uma congregação.

A humilhação também deve ser expressa através de todos aqueles meios e sinais externos, aos quais Deus, através das Escrituras ou da nossa própria natureza, nos conclama.

Como, por exemplo, através de lágrimas e gemidos, tanto quanto oportunamente nos ocorra; através de jejum, e da atitude de prostrar-se por causa de nossa pompa e tolice mundanas, e uso de roupas humildes, porém decentes; condescendendo com os mais desfavorecidos, e se sujeitando aos mais humildes; usando linguagem e carruagem simples; e perdoando outros, por sermos sensíveis à grandeza dos nossos débitos para com Deus.Assim eu mostrei brevemente a vocês a verdadeira natureza da humilhação, a fim de que possam saber a que lhes estou persuadindo, e a que precisam submeter os seus corações.

14 de fev. de 2011

Honrado ou Humilhado? - C. H. Spurgeon Postado por Charles Spurgeon / On : 17:21/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.



Tanto sei estar humilhado como também ser honrado.

Filipenses 4.12

Há muitos que sabem como "estar humilhados" mas não sabem como "ser honrados". Quando são colocados no topo de um pináculo, eles se mostram desorientados e propensos a cair. Com maior frequência, os crentes desonram sua confissão de vida cristã quando estão na prosperidade, e não na adversidade. Ser próspero é algo perigoso. O crisol da adversidade é uma prova menos severa para o crente do que o cadinho purificador da prosperidade. Oh! quanta pobreza de alma e negligência para com as coisas espirituais têm se seguido às misericórdias e generosidade de Deus!

Isto não precisa acontecer; o apóstolo Paulo disse que aprendeu a viver em abundância. Quando ele tinha muito, sabia como usar o que possuía. Quando o navio estava cheio, era carregado com lastro suficiente, então, navegava com segurança. Graça abundante o capacitou a suportar a prosperidade abundante. Segurar o transbordante cálice do gozo mortal com uma mão firme exige mais do que habilidade humana. No entanto, o apóstolo Paulo aprendera essa habilidade, pois declarou: "Em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome" (Filipenses 4.12).

Aprender a viver em fartura é uma lição divina. Muitos têm clamado por misericórdias, a fim de terem satisfeitas as concupiscências de seus corações. Abundância de pão tem causado frequentemente abundância de sangue, e isso tem produzido devassidão de espírito. Quando temos muito das providenciais misericórdias de Deus, geralmente acontece de termos pouco da graça de Deus e pouca gratidão pela generosidade que recebemos.

Estamos em abundância e nos esquecemos de Deus. Satisfeitos com as coisas terrenas, nos contentamos em prosseguir sem as coisas celestiais. Descanse certo de que é mais difícil aprender a ter fartura do que aprender a estar faminto, tão desesperada é a tendência da natureza huma¬na ao orgulho e ao esquecimento de Deus. Tenha o cuidado de pedir, em suas orações, que Deus lhe ensine como viver na ex¬periência de fartura.

1 de jan. de 2011

Humilhando-se para Crescer - J. I. Packer


- A VIDA DE ARREPENDIMENTO -

Agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. Porque quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que defesa, que indignação, que temor, que sau¬dades, que zelo, que vindita! Em tudo destes prova de estardes ino¬centes neste assunto. 2Co 7.9-11

Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Se, pois, zeloso e arrepen¬de-te. Ap3.19

CRESCENDO PARA CIMA E PARA BAIXO

De vez em quando, durante os anos de adolescência do meu filho, pedía¬mos para ele ficar em pé, com as costas apoiadas na parede da sala de jantar, para que marcássemos com um lápis sua altura na parede de madeira branca. Ele estava crescendo fisicamente, ficando mais alto a cada mês que passava, e aquilo o deixava animado. O mesmo acontecia conosco. Afinal de contas, é realmente emocionante observar o crescimento de seu filho. Algo estaria er¬rado conosco se não estivéssemos interessados no modo como ele crescia. Mas este capítulo não fala de crescimento ele fala de crescer para baixo, algo que todo cristão precisa aprender.

A expressão "crescerpara baixo'7 é, sem dúvida, estranha em uma cultura como a nossa. Comemoramos o crescimento físico e exortamos aqueles que escorregaram e caíram na petulância infantil de crescer emocionalmente. Além disso, temos o hábito de falar em crescimento espiritual, e as nossas versões bíblicas fazem o mesmo. Em geral, elas traduzem um verbo grego, que nada tem a ver com a idéia de "crescer para cima" com esta conotação, como podemos ver em Efésios 4.15: "Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo", e em 1 Pedro 2.2: "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação".

Concordo que falar em crescer para baixo tendo este plano de fundo parece inusitado. No entanto, o objetivo de minha colocação é chamar a atenção e fazer uma consideração. O que temos de perceber é que só crescemos em direção a Cristo quando diminuímos (humildade, do latim humilis, que significa "baixo"). Os cristãos, podemos dizer, crescem mais quando ficam pequenos.

Sobre seu próprio ministério, em relação ao do Senhor Jesus, João Batista declarou: "Convém que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30). Algo similar a estas palavras tem de ser dito em relação à nossa vida como cristãos. O orgulho nos infla como balões, mas a graça perfura a nossa vaidade e faz com que o ar quente do orgulho saia de nosso sistema. O resultado (muito saudável) é que diminuímos e passamos a nos ver menores - menos agradáveis, menos capazes, menos inteligentes, menos competentes, menos fortes, menos preparados, menos comprometidos e assim por diante - do que imaginávamos ser. Paramos de falar para nós mesmos que somos pessoas de grande importância para o mundo e para Deus. Aceitamos o fato de que somos dispensáveis e insignificantes.

Ao nos esvaziarmos de nossas fantasias de total competência, começamos a tentar ser confiantes, obedientes, dependentes, pacientes e abertos em nosso rela¬cionamento com Deus. Abrimos mão do sonho de sermos admirados por fazer tudo maravilhosamente bem. Começamos a nos ensinar, impassível e praticamen¬te, a reconhecer que, de acordo com os padrões do mundo, não temos probabilida¬de de parecer, ou, na verdade, ser, bem-sucedidos. Nós nos submetemos a situa¬ções que esfregam nossas fraquezas no nosso próprio nariz, e nos voltamos para Deus na tentativa de conseguir forças para vencê-las. Isto é parte, no mínimo, do que significa responder ao chamado do Senhor para sermos como crianças.
James Denney, um estudioso escocês, disse certa vez que é impossível deixar, ao mesmo tempo, a impressão de que sou um grande pregador e Jesus Cristo, um grande Salvador. Da mesma forma, é impossível deixar, ao mesmo tempo, a im¬pressão de que sou um grande cristão e Jesus Cristo, um grande Mestre. Portanto, o cristão deve fazer de sua atitude de diminuição uma prática, de modo que, nele e por meio dele, o Salvador possa mostrar-se grande. Isto é o que quero dizer com crescer para baixo.

Crescimento para Baixo

A vida de santidade é uma vida de crescimento para baixo o tempo todo. Quando o apóstolo Pedro escreve: "Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe 3.18), e Paulo fala de crescer em Cristo (Ef 4.15) e alegra-se com o crescimento da fé dos tessalonicenses (2Ts 1.3), o alvo de ambos é um progresso na direção da pequenez pessoal, que permi¬te que a grandeza de Cristo apareça. O sinal deste tipo de progresso é que as pessoas se sintam e digam cada vez mais que nada são e que Deus, em Cristo, tornou-se tudo de que precisam para levar a vida adiante. E dentro desta estru¬tura, desta contínua diminuição do nosso ego carnal, como podemos chamá-la, que enquadra-se a tese deste capítulo.
O que pretendo discutir é que os cristãos são chamados a uma vida de contínuo arrependimento, como uma disciplina integral para uma vida santa saudável. A primeira das noventa e cinco teses de Lutero, fixadas na porta da Igre¬ja de Wittenberg em 1517, declarava: "Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: ' Arrependei-vos' (Mt 4.17), ele queria que a vida toda dos cris¬tãos fosse marcada pelo arrependimento". O puritano Philip Henry, que morreu em 1696, respondeu à insinuação de que enfatizara o arrependimento em dema¬sia, afirmando que esperava carregar o seu próprio arrependimento até às portas do céu. Estas duas citações indicam a compreensão que estamos sintonizan¬do no momento.

Aqui onde moro, na província de British Columbia, onde as chuvas são fortes, as estradas onde o sistema de drenagem de água falha logo ficam inundadas e intransitáveis. O arrependimento, como veremos, é a drenagem rotineira da estra¬da da santidade na qual Deus nos chama a todos a trilhar. E o caminho que tomamos na nossa vida que é oposto àquele que mostrou-se cheio de água suja, parada, e cheio de detritos. Esta rotina é uma necessidade vital, pois onde não há o verdadeiro arrependimento, não há o verdadeiro progresso espiritual, e o verda¬deiro crescimento espiritual fica estagnado.

Em falando de contínuo arrependimento, não quero deixar a impressão de que o arrependimento pode tornar-se algo automático e mecânico, como o são nossas regras de etiqueta à mesa e hábitos para dirigir um carro. Isto não pode acontecer.

Cada gesto de arrependimento é uma ação separada e um esforço moral distinto, talvez algo que exija um alto preço. Arrepender-se nunca é agradável. Sempre, de diversas formas, é um gesto que causa dor, e continuará sendo enquanto vivermos. De modo algum, quando falo de arrependimento contínuo, tenho em mente formar e manter um hábito consciente de arrependimento tão freqüente quanto a nossa necessidade - embora isto, sem dúvida, signifique (vamos encarar os fatos) uma prática diária na nossa vida. É a sabedoria de igrejas que usam liturgias de modo a fornecer orações de penitência para serem usadas em todos os cultos. Essas orações sempre caem como uma luva. Em nossos momentos particulares de devoção, as orações de penitência diárias sempre serão uma necessidade também.

Pouco se fala nesses dias sobre a disciplina do arrependimento contínuo. É visível que os escritores sobre as disciplinas espirituais não têm tratado deste assunto, e o Dictionary ofChristian Spirituality (Dicionário da Espiritualidade Cristã) padrão, publicado agora nos Estados Unidos como o Westminster Dictionary (Dicionário de Westminster), não faz menção do assunto. No entanto, trata-se de uma lição básica que deve ser aprendida na escola da santidade de Cristo. Como já foi dito, o tema é vital para a saúde espiritual. Portanto, vamos tentar entendê-lo melhor.

30 de dez. de 2010

Recuperando o Evangelho de sua Humilhação

 Uma onda de avivamento autêntico passa sobre a igreja quando três coisas acontecem juntas: o ensino das grandes verdades do Evangelho com clareza, a aplicação com poder espiritual dessas verdades à vida das pessoas, e a extensão dessa experiência a um grande número de pessoas. Nós, evangélicos, precisamos urgentemente de um avivamento assim hoje. Precisamos recuperar o Evangelho.
Imagine a igreja evangélica sem o Evangelho. Eu sei que isso não faz sentido, afinal os evangélicos são definidos pelo Evangelho. Mas tente imaginar isso por um momento. Com o que nosso evangelicalismo, sem o Evangelho, talvez parecesse? Teríamos de substituir a centralidade do Evangelho com outra coisa, naturalmente. Então, o que poderia tomar o lugar do Evangelho em nossos sermões, livros, áudios, EBDs, estudos de pequenos grupos e, acima de tudo, em nossos corações?
Um monte de coisas, possivelmente. Uma absorção introspectiva na recuperação de traumas emocionais, por exemplo. Ou uma devoção apaixonada pela causa pró-vida. Ou uma manipulação confiante das modernas técnicas de administração. Ou um direcionamento para o crescimento e “sucesso” da igreja. Ou uma preocupação profunda com a instituição da família. Ou uma fascinação pelos dons do Espírito mais incomuns. Ou um apelo engenhoso ao consumismo ao se oferecer certo tipo de Cristianismo Light, com sacrifício zero. Ou um simpático, empático e adocicado cultivo das relações interpessoais. Ou a determinação de trazer o país de volta a suas raízes cristãs por meio do poder político. Ou uma calorosa afirmação de autoestima. O movimento evangélico, privado do Evangelho, talvez se concentrasse em uma ou muitas dessas preocupações a fim de definir-se e tirar energia para sua missão. Em outras palavras, os evangélicos poderiam marginalizar, ou mesmo perder, o Evangelho e ainda continuar seu caminho, talvez sem perceber sua perda.
Evangelicalismo sem evangelho
Evangélicos sem evangelho
Mas isso não apenas é possível: está realmente acontecendo entre nós neste momento. Indiferente ao que alguém possa pensar das várias preocupações listadas acima como alternativas à centralidade do Evangelho – e alguns desses assuntos possuem validade genuína, e mesmo urgente, em especial a família – nenhuma delas é central à nossa fé. Nenhuma delas é o Evangelho ou é digna de empurrar o Evangelho para a periferia de nossa mensagem, nossos planos e nossas afeições. O Evangelho de nosso bendito Senhor Jesus Cristo está sofrendo hoje humilhação entre nós, evangélicos, por nossa evidente negligência a ele.
Quando pensamos sobre o Evangelho, podemos ter o sentimento de “nós já sabemos disso, ok”. Presumimos o Evangelho como garantido. Assumimos que as pessoas da nossa igreja conhecem o Evangelho, e estamos ansiosos em mudar para assuntos mais “relevantes” e “práticos”. O Evangelho está sendo colocado de lado em nossos corações e mentes em favor de uma ampla variedade de questões, tão variadas quanto a fragmentação do evangelicalismo, ao mesmo tempo em que o coração e a alma de nossa fé caem em obscuridade através da negligência. Os mistérios sagrados da encarnação, cruz, ressurreição, ascensão e do reino celestial do nosso Senhor, os grandes temas da eleição, propiciação, justificação e santificação, o poder e o engano do pecado, o significado da fé e arrependimento, nossa união com nosso Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, o valor infinitamente superior de nossa recompensa celestial em comparação ao que essa vida tem a oferecer (incluindo a vida cristã), o julgamento final e a eternidade – esses temas gloriosos que repousam no centro de nossa fé, que fizeram a igreja grande em seus grandes momentos do passado, e que podem fazer o mesmo para nós hoje, se os recuperarmos e trabalharmos neles confiante, piedosa e biblicamente – esses tesouros infinitamente preciosos estão sendo evitados em favor de questões legítimas, mas secundárias. Nós devemos guardar a centralidade do que é central.
Nós não deveríamos pensar: “bem, é claro que temos o Evangelho. A Reforma o recuperou para nós”. Essa complacência nos custará caro. Toda geração de cristãos deve reaprender como novas as verdades básicas da nossa fé. A igreja está sempre a uma geração de distância da ignorância total do Evangelho, e hoje estamos fazendo um progresso rápido em direção a este objetivo catastrófico. Ao invés de relaxadamente presumir o Evangelho, devemos agressiva, deliberada, completa e apaixonadamente ensinar e pregar o Evangelho. Todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão em Cristo. Se não procurarmos intencionalmente esses tesouros, nós os perderemos.
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Líderes e pastores, em particular, estão hoje sob enorme pressão para satisfazer às demandas imediatas do mercado à custa do Evangelho. As pessoas querem o que elas querem quando querem, ou então elas dirigirão até a Rua da Primeira Igreja de Onde-as-Coisas-Acontecem para conseguir o que desejam. Nós líderes estamos perdendo nossa coragem? Começamos a sentir que o Evangelho satisfaz as necessidades das pessoas de maneira menos convincente ou menos proveitosa? Estamos constantemente oferecendo às pessoas “Cinco Passos para (alguma coisa)” em resposta aos problemas delas. Mas não está funcionando. Para nossa vergonha, nós cristãos somos moralmente iguais ao mundo. Por quê? Uma razão é que pensamos em pequenos passos, e nossas vidas demonstram isso. Não percebemos a realidade da perspectiva de Deus. Percebemos a realidade da perspectiva de nossa cultura ímpia, e então tentamos enfiar um princípio bíblico na superfície de nossa profunda confusão. Consequentemente, muito pouco realmente muda. O que realmente precisamos não é sermos mimados, mas sermos reeducados a respeito da realidade, como ela deve ser interpretada a nós pelo Evangelho. Precisamos saber quem Deus realmente é. Precisamos descobrir quem realmente somos. Precisamos entender qual é realmente a raiz do nosso problema e qual é realmente a resposta misericordiosa de Deus a isso. E precisamos que essa nova percepção da realidade permeie profundamente nossas afeições e desejos, nos reorientando radical e alegremente a uma maneira de viver totalmente nova. Mas, se realmente sentimos que o simples e antigo Evangelho oferece muito pouco às necessidades reais das pessoas, então, no final das contas, nós realmente não o conhecemos.

7 chaves para o sucesso
"Sete chaves"
Hoje, nós evangélicos estamos sofrendo uma derrota massiva, brilhantemente disfarçada de sucesso massivo. Registrou-se que 74% dos norte-americanos com 18 anos ou mais dizem que fizeram um compromisso com Jesus Cristo, de acordo com uma pesquisa Gallup. Isso poderia sugerir um alto grau de eficácia em nosso testemunho. Mas, ao mesmo tempo – como se precisássemos de verificação disso – uma pesquisa da Roper Organization mostra pouca diferença entre a conduta moral de cristãos “nascidos de novo” antes e depois de sua conversão. Se estivermos debaixo do encanto das pesquisas de opinião ao invés das obrigações do Evangelho, que lugar há para a porta estreita e o caminho apertado? Mesmo que nossas igrejas aproveitem uma medida de sucesso exterior, continuamos sendo influenciados, não influentes, enquanto mudarmos nosso fundamento dos caminhos de Deus para os caminhos do homem, da verdade bíblica ungida pelo Espírito para as habilidades e novidades humanas. Operando de maneira antropocêntrica ao invés de teocêntrica, nossas igrejas não necessariamente falharão. Elas mantêm uma boa chance de sucesso como qualquer outra franquia. Algumas talvez se tornem populares – mas populares como o quê? Como passatempo religioso, ou como uma força para Deus?
O que você está fazendo,ó cidade devastada?
Por que se veste de vermelho
e se enfeita com jóias de ouro?
Por que você pinta os olhos?
Você se embeleza em vão,
pois os seus amantes a desprezam e querem tirar-lhe a vida.
(Jeremias 4.30)

Ó devastado evangelicalismo, por que você zela pela moda e busca incansavelmente pela sempre nova “relevância”? Por que você é tão inseguro que anseia pelo reconhecimento favorável do mundo? Eles desprezam tudo que você guarda como precioso! “Tornei-me tudo para com todos” não é licença para satisfazer os caprichos do consumidor. Somente Cristo é Senhor. Ou você se esqueceu de sua majestade? E porque você está tão orgulhosa de seus números e dólares? Quão pobre você realmente é! Volte para o Evangelho. Volte para a fonte de verdadeira alegria, vida e poder. Santifiquem a Cristo novamente como Senhor em seus corações. Acorde! Fortaleça o remanescente, pois está a ponto de morrer. Mas se você não retornar à centralidade do Evangelho como poder de Deus para a igreja hoje, então que razão seu Senhor tem para não te abandonar completamente?
Traduzido por Josaías Jr 
-Por Ray Ortlund

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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