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26 de mar. de 2012

Plenitude Do Espírito Santo - Paulo Junior


E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. 
Lucas 24:49


16 de fev. de 2011

O Que é Ser Cheio do Espirito Santo - Paulo Junior




Batismo com Espírito Santo: Algumas Considerações
por
Felipe Sabino de Araújo Neto
Creio que não seria exagero afirmar que um dos assuntos onde há maior confusão, hoje, é a questão do batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas. Não porque a Escritura não seja clara no seu ensino com respeito ao assunto, mas sim porque a experiência, e não a Palavra de Deus, tem ditado a forma de se compreender essa doutrina tão importante.
Gostaria de considerar, brevemente, somente algumas verdades que a Bíblia ensina com respeito ao batismo com o Espírito Santo, as quais o movimento pentecostal e neo-pentecostal repudiam:

Primeiro: Todos os crentes são batizados com o Espírito Santo.
"Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo" - 1 Coríntios 12:13
O texto é claro e não é necessário nenhuma destreza exegética para entender o seu significado. TODOS, e não somente alguns, foram batizados com o Espírito Santo. Não há uns poucos privilegiados; a bênção é de todos aqueles que crêem nas Escrituras, ou melhor, no que as Escrituras dizem acerca do bendito Filho de Deus.
"Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva" - João 7:38-39
Se alguém disser que conhece uma pessoa crente, mas que não é batizada com o Espírito Santo, deve-se entender que esta pessoa nunca foi um crente genuíno, pois todos os que crêem são ou foram batizados com o Espírito Santo (pois o batismo com o Espírito Santo ocorre no ato da conversão ou um pouco antes. Há de se considerar ainda o caso de João Batista, que desde o ventre de sua mãe era cheio do Espírito Santo).
É engraçado como as nossas visões particulares de certas coisas, e ainda mais quando apoiadas por certas experiências, nos deixam completa e totalmente cegos. Creio que, sem dúvida alguma, uma das passagens mais usadas e citadas pelos pentecostais é Atos 2. Nesse capítulo nos vemos diante do relato do início da Igreja, quando o Espírito Santo veio para habitar conosco e em nós. Contudo, o que Pedro afirma? Quais são os pré-requisitos que Pedro apresenta para alguém receber o batismo com o Espírito Santo, para receber o "dom do Espírito"? Vejamos:
"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo". - Atos 2:38
Portanto, se alguém disser que fulano de tal não recebeu o dom do Espírito Santo, a promessa derramada por Jesus, o batismo com o Espírito Santo, será o mesmo que dizer que tal pessoa não se arrependeu dos seus pecados, e ainda está no mundo sem Deus e sem esperança.
E mais:
"Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar" - Atos 2:39
Sim, é para TODOS QUANDO DEUS CHAMAR. Não é só para os Assembleianos, nem
muito menos para só alguns assembleianos. Não é só para os crentes que viveram após 1910. Não é só para uma elite espiritual. Não, não, não. Cristo morreu por todos aqueles que crêem nEle, e os benefícios que Ele conquistou na cruz, são outorgados a todos. Todos aqueles que foram verdadeiramente chamados por Deus, receberam o dom do Espírito Santo, do qual Pedro fala em Atos 2.

Segundo: O dom de línguas não é sinal de batismo com o Espírito Santo.
Os discípulos falaram em outras línguas em Atos 2, mas nada é dito acerca dos quase 3.000 que se converteram.
Além do mais, e ainda mais contundente, no mesmo capítulo que Paulo diz "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo" ( 1 Coríntios 12:13), ele pergunta:
Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos mestres? são todos operadores de milagres? Todos têm dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos? - 1 Coríntios 12:30
A resposta óbvia é NÃO a todas às perguntas. Nem todo mundo é apóstolo, nem todo mundo é profeta, nem todo mundo é operador de milagres, nem todo mundo tem o dom de curar, nem todo mundo fala em línguas, nem todo mundo interpreta, MAS TODOS FORAM BATIZADOS NUM SÓ ESPÍRITO. O capítulo ainda dá o exemplo de que nem todos os membros são olho, ouvido, etc, etc, fazendo então essa analogia com os dons, os quais Deus distribuiu e distribui soberanamente.
O dom de línguas é um dom, que o Espírito Santo concede soberanamente a alguns, mas o BATISMO É UMA PROMESSA PARA TODOS OS QUE CRÊEM, não que crêem no batismo (como todos pentecostais pregam), mas que crêem no Cristo que batiza.
O livro de Atos é um livro histórico, e o fato de algumas pessoas terem falado em línguas quando receberam o batismo com o Espírito Santo, não quer dizer que o falar em línguas seja um sinal do batismo. Não encontramos esse ensino em nenhum lugar das Escrituras, mas encontramos o contrário, como apresentado acima. O simples fato de Paulo curar pessoas com lenços dele, não quer dizer que alguém deva ou possa fazer o mesmo.
Além do mais, não vemos ninguém gritando, clamando, chorando, repetindo "glória, glória, glória, glória" para receber o batismo com o Espírito Santo. Os apóstolos oravam no Cenáculo e nem sabiam o que haveria de acontecer com eles. Cornélio e sua casa estavam ouvindo a pregação, e nem mesmo ouviram desta promessa, pois é claro a partir do texto que Pedro não tinha falado sobe isso para eles. Esses gritos consecutivos fazem é a pessoa entrar em êxtase e começar a falar coisas que ouviu outros dizerem; isso está mais para "batismo da mente", do que para batismo com o Espírito. E o mesmo método tem levado muitos a receberem a "unção" do urso, do leão, da águia, onde as pessoas imitam esses animais, zombando de Deus e do Seu Evangelho com tamanha palhaçada.

Terceiro: O dom de línguas é dom de línguas [idiomas], não de expressões extáticas.
É muito fácil para alguém afirmar hoje em dia, no meio pentecostal, que fala em línguas, pois as pessoas perderam a noção do que é o dom de línguas que a Bíblia fala.
O dom de línguas na Bíblia era a capacidade das pessoas falarem em outros idiomas, sem nunca terem aprendido ou estudado os mesmos. Isso é claro a partir do relato de Atos 2:
E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando? Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos? - (Atos 2:7-8)
Isso explica porque Paulo pôde ser um grande missionário, visto que ele aprendera sobrenaturalmente outros idiomas. Ele mesmo disse que falava mais línguas que todos os crentes de Corinto.
Contudo, quão tristemente longe disso está o "dom de línguas" de hoje. São meras expressões extáticas. São blás-blás-blás sem significado algum. Ninguém precisa de algo sobrenatural para dizer "alabacanta alabachéia" (e percebem quantas pessoas falam as mesmas expressões?").
Paulo disse que as línguas eram sinal para os incrédulos. Por que? Ora, se um alemão entrar numa igreja, e conhecendo as pessoas humildes e iletradas que ali congregam, ouvir alguma delas pregando o evangelho em alemão, ele verá que Deus está ali. Mas quem se impressionaria com expressões extáticas sem sentido? Até meu filho de 3 anos pode falar "Kantus Névias".
Eu creio no dom de línguas, mas infelizmente não vejo manifestação genuína dele no meio pentecostal e nem no tradicional (embora já tenha ouvido uns dois ou três relatos de acontecimentos tantos em igrejas pentecostais como tradicionais, de pessoas iletradas falarem em outros idiomas e estrangeiros serem compungidos com a pregação do evangelho em suas línguas. Contudo, se isso for verdade, infelizmente é uma das coisas mais raras do mundo).
É isso aí! Língua é idioma, e não língua dos anjos, como as pessoas dizem. Se os anjos falam em "línguas estranhas", como Abraão, Zacarias, José entenderam as suas mensagens? Eles tinham o dom de interpretação? E já que falei em interpretação, para que serve os interpretadores de línguas, se as línguas não tem significado definido?
Além do mais, em 1 Coríntios 14:21 Paulo associa seu dom de línguas com a profecia de Isaías sobre Israel ouvindo o idioma Assírio. Entender o dom como balbucio, destrói seu ponto de referência totalmente.
Está escrito na lei: Por homens de outras línguas e por lábios de estrangeiros falarei a este povo; e nem assim me ouvirão, diz o Senhor - 1 Coríntios 14:21.

Conclusão
Há uma imensa ignorância com relação aos dons e a obra do Espírito Santo, nos nossos dias.
O Espírito Santo está operando, pois senão não haveria conversões, pois é ele que dá vida, não aos crentes que ficam gritando, mas aos pecadores que estão mortos em delitos e pecados.
Nós crentes, temos que buscar, não o batismo com o Espírito Santo, mas o fruto do Espírito. Sermos cheios do poder de Deus e dos frutos do Seu Espírito. E qual é a conseqüência disso? Gritos, cair no chão, línguas? Não, certamente que não. É uma vida de santidade, uma vida de devoção total a Deus. Os milagres e as maravilhas (é claro, sempre respaldadas nas Escrituras) acontecerão de acordo com a bondade soberana de Deus, não por causa de homens que possuem poder e que decretam a história do universo de Deus. O poder pertence única e exclusivamente a Deus (Salmos 62:11), e Ele é o Soberano Adminstrador do Seu próprio universo.
Que Deus nos encha do Seu Espírito, para que nos amemos como irmãos, pois o amor é um fruto do Espírito, e a demonstração de que somos discípulos de Cristo, como Ele mesmo disse. Não é estranho que onde se afirma haver tantos "batismos com o Espírito Santo", há tanta discórdia, ódio e rancor?
Eu louvo a Deus pelos pentecostais que têm abandonado essa visão do batismo com o Espírito Santo. E eu particularmente conheço alguns deles, e o meu desejo e a minha oração é que Deus, pelo Seu Espírito, nos faça amar a Sua verdade acima de tudo, para não moldarmos a nossa visão de Deus e de Suas obras de acordo com as nossas experiências, mas sim de acordo com o Manual Sagrado que Ele nos deu.
Soli Deo Gloria!

Leia o excelente livro "Dons Espirituais", de Fred Zaspel.

23 de jan. de 2011

O Espírito Santo: Autor da Escritura,The Holy Spirit: Author of Scripture - John Piper



2 Pedro 1:20-21
Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.
Em 27 de Junho de 1819, Adoniram Judson batizou seu primeiro convertido em Burma. Sua esposa, Ann Hasseltine, descreveu como Moung Nau respondeu à Escritura: “Poucos dias antes eu estava lendo com ele as palavras de Cristo no Sermão do Monte. Ele estava profundamente impressionado e dotado de uma solenidade incomum. ‘Estas palavras,’ disse ele, ‘tomaram-me as entranhas; fizeram-me tremer.’” Deus falara através do profeta Isaías, 2.700 anos atrás e disse, “… mas, para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra…Ouvi a palavra do SENHOR, vós, os que a temeis” (Isaías 66:2, 5).

O Impacto da Bíblia na História

Por dois mil anos, a Bíblia tem se entranhado em diversos homens e os feito tremer—primeiro, de medo, porque revela nossos pecados, então com fé, porque revela a Graça de Deus. Um único versículo, Romanos 13:13, convenceu e converteu o imoral Agostinho. Para Martinho Lutero, um monge miserável, a luz irrompeu através de Romanos 1:17. Diz ele,
Noite e dia ponderei até ver a conexão entre a justiça de Deus e a declaração de que “o justo viverá da fé”. Então eu tomei para mim que a justiça de Deus é essa retidão pela qual, através da graça e pura misericórdia, Deus justifica-nos pela fé. Daí em diante senti que havia renascido e partido por portas abertas para o paraíso. (Here I Stand, p. 49)
Para Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. Ele disse,
O primeiro exemplo, do qual me recordo, deste tipo de doce deleite interior em Deus e nas coisas divinas, que desde então muito vivenciei, foi na leitura dessas palavras, 1 Tim. 1:17: “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” Ao ler essas palavras, veio à minha alma … uma impressão da glória do Ser Divino; uma nova sensação diferente de qualquer coisa que eu, antes, experimentara. Nunca quaisquer palavras da Escritura me pareceram como essas. (Works, vol. 1, p. xii)
De século a século, do Egito à Alemanha, da Alemanha à Nova Inglaterra, a Bíblia vem trazendo pessoas a Cristo, renovando-as.

A Bíblia como a Palavra do Homem e a Palavra de Deus

Por quê? Por que a Bíblia tem esta relevância e poder contínuos? Acredito achar a resposta em nosso texto - 2 Pedro 1:20–21: “Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” Esta passagem ensina que, quando você lê a Escritura, o que você está lendo não vem somente de um homem, mas também de Deus. A Bíblia é uma obra de muitos homens diferentes. Mas também é muito mais que isto. Sim, homens falaram. Eles falaram com sua própria linguagem e estilo. Contudo, Pedro menciona duas outras dimensões do seu falar.
Falar da parte de Deus, Movido pelo Espírito Santo
Primeiro, eles falaram da parte de Deus. O que tinham a dizer não era meramente vindo de suas limitadas perspectivas. Eles não são a origem da verdade que falam; eles são o canal. A verdade é a verdade de Deus. Seu significado é o significado de Deus.
Segundo, não é apenas o que eles falaram da parte de Deus, mas como eles falaram isto, controlados pelo Espírito Santo. “Homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Deus não revelou simplesmente a verdade aos autores da Escritura e então partiu, esperando que eles a comunicassem corretamente. Pedro diz que, ao comunicarem-na, eles foram conduzidos pelo Espírito Santo. A confecção da Bíblia não foi deixada às habilidades de comunicação meramente humanas; o próprio Espírito Santo levou o processo à sua completude.
Um livro recente de três ex-professores meus (LaSor, Hubbard, and Bush, Old Testament Survey, p. 15) expressa-o da seguinte maneira,
Para assegurar precisão verbal, Deus, na comunicação de sua revelação, tem de ser verbalmente preciso e a inspiração tem de se estender às próprias palavras. Isto não significa que Deus ditou todas as palavras. Em vez disso, seu Espírito penetrou tanto a mente do escritor, que ele escolheu de seu próprio vocabulário e experiência precisamente aquelas palavras, pensamentos e expressões que exprimiam a mensagem de Deus com precisão. Neste sentido, as palavras dos autores humanos da Escritura podem ser vistas como a Palavra de Deus.
Não apenas Profecias, mas Toda a Escritura
Alguém poderia dizer que 2 Pedro 1:20–21 só tem a ver com profecia, e não com toda a Escritura do Antigo Testamento. Mas observe atentamente como ele argumenta. No verso 19, Pedro diz que uma palavra profética cresceu em sua certeza por sua experiência com Jesus no monte da transfiguração. Então, nos versículos 20–21, ele dá suporte à autoridade dessa palavra profética dizendo que ela é parte da Escritura. Versículo 20: “Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” Pedro não está dizendo que só as partes proféticas da Escritura são inspiradas por Deus. Ele está dizendo, nós sabemos, que a palavra profética é inspirada precisamente porque é “profecia da Escritura”. A afirmação de Pedro é que tudo quanto está na Escritura é de Deus, escrito por homens que foram conduzidos pelo Espírito Santo.
Ele ensina o mesmo que Paulo em 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Nenhuma das Escrituras do Antigo Testamento veio de um impulso humano. Toda ela é verdade vinda de Deus, pois homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.
E quanto aos escritos do Novo Testamento?
Mas e quanto ao Novo Testamento? Experimentaram os apóstolos e seus associados próximos (Marcos, Lucas, Tiago, Judas, e o escritor de Hebreus) inspiração divina ao escreverem? Foram eles “conduzidos” pelo Espírito Santo para falarem da parte de Deus? A Igreja cristã sempre disse que sim. Jesus disse aos seus apóstolos em João 16:12–13: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”. Então o apóstolo Paulo confirma isso quando diz, do seu próprio ensino apostólico, em 1 Coríntios 2:12–13: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. Em 2 Coríntios 13:3 disse que Cristo falava através dele. E em Gálatas 1:12 ele disse : “Porque eu não o recebi [o evangelho], nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.” Se tomarmos Paulo para nosso modelo sobre o que significa ser apóstolo de Cristo, então seria justo dizer que o Novo Testamento, como o Antigo, não veio meramente de homens mas também de Deus. Os escritores do Antigo e Testamento falaram ao serem movidos pelo Espírito Santo.
O Espírito Santo é o Autor Divino da Escritura
A doutrina que emerge é esta: O Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. Se esta doutrina é verdadeira, então as implicações são tão profundas e de tão longo alcance que cada parte de nossas vidas deveria ser afetada. Eu quero falar sobre essas implicações nesta manhã. Contudo, para nosso próprio fortalecimento e para aqueles ainda hesitantes às voltas de comprometerem-se com a doutrina, deixe-me primeiro esboçar a base de nossa persuasão.

Chegando a uma Fé Racional nas Escrituras

A maioria das pessoas chega a uma confiança racional na Bíblia como Palavra de Deus de uma maneira semelhante a essa. Isso acontece em três estágios.
1. Nós Somos Culpados Diante de Deus
Primeiro, o testemunho de nossa consciência, a realidade de Deus sob a natureza e a mensagem da Escritura vêm juntas ao nosso coração para nos dar a inescapável convicção de que somos culpados diante de nosso Criador. Essa é uma convicção racional porque a persuasão de que há um Criador sobre este mundo, e a persuasão de que somos culpados por não honrá-lo e agradecê-lo como devemos, não são saltos irracionais no escuro; elas são forçadas sobre nós pela nossa experiência e pensamento sincero sobre o mundo.
2. Jesus Ganha Nossa Confiança
O segundo passo em direção de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é que Jesus Cristo é mostrado a nós. Alguém lê, ou nos conta a história desse homem incomparável que falou e agiu de modo tão maior que o de um homem. Vemos a autoridade que ele reivindicou para perdoar pecados, e comandar demônios, e controlar a natureza, vemos a pureza de seu ensino moral, sua rendição completa à vontade de Deus, sua calma brilhante sob interrogatório, sua fúria justa contra hipócritas, sua ternura com as crianças pequenas, sua paciência com os humildes que o buscavam, sua submissão inocente à tortura, e ouvimos dos seus lábios as palavras mais doces, mais imprescindíveis, jamais pronunciadas: “Eu dou a minha vida em resgate por muitos.” E então pela força auto-autenticada de seu caráter e poder incomparáveis, Jesus ganha nossa confiança e segurança, e nós o tomamos como Salvador de nosso pecado e Senhor de nossa vida. E isso não é uma convicção irracional. É a maneira como todos vocês tomam decisões racionais sobre a quem vocês vão confiar sua vida. É naquela babá que vocês vão confiar para cuidar de suas crianças, ou naquele advogado para dar bons conselhos, ou naquele amigo para guardar seu segredo? Você olha, escuta, e finalmente é persuadido (ou não) de que aquela pessoa é um terreno firme para sua confiança.
3. Seguimos o Ensino e o Espírito de Jesus
Uma vez que o caráter e o poder de Jesus capturaram nossa confiança, então ele se torna o guia e a autoridade para todas nossas futuras decisões e convicções. Então, o terceiro passo no caminho de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é deixar o ensino e o espírito de Jesus controlar como nós avaliamos a Bíblia. Isso acontece de pelo menos duas maneiras. Uma é que aceitamos o que Jesus ensina sobre o Antigo e o Novo Testamento. Quando ele diz que a Escritura não pode falhar (João 10:35) e que nem uma letra, ou um ponto, passará da lei até que tudo seja cumprido (Mateus 5:18), concordamos com ele e baseamos nossa confiança no pelo Testamento sobre sua confiabilidade. E quando ele escolheu doze apóstolos para fundar sua igreja, dando-lhes sua autoridade para ensinar, e prometeu enviar seu Espírito para guiá-los na verdade, concordamos com ele e creditamos os escritos desses homens com a autoridade de Cristo.
A outra maneira que o ensino e o espírito de Jesus controlam nossa avaliação da Bíblia, é que reconhecemos, nos ensinamentos da Bíblia, os multi-coloridos raios de luz, refratados através do prisma de Cristo, em quem chegamos a confiar. E assim como Cristo nos capacitou a extrair sentido da nossa relação com Deus e trazer harmonia a esta, também os muitos raios da sua verdade, em toda parte da Bíblia, nos capacitam a extrair sentido de centenas de nossas experiências de vida, e ver o caminho para a harmonia. Nossa confiança na Escritura cresce à medida que compreendemos que Jesus afirmou isto e à medida que compreendemos que os ensinos ali contidos são tão incomparáveis quanto Jesus mesmo. Progressivamente, eles nos ajudam a decifrar os quebra-cabeças da vida: casamentos em falência, crianças rebeldes, vício em drogas, nações em guerra, o retorno das folhas na primavera, as insaciáveis petições do nosso coração, o medo da morte, o nascimento de crianças, a universalidade do louvor e da culpa, o predomínio do orgulho, e a admiração da auto-negação. A Bíblia confirma sua origem divina repetidamente ao nos fazer compreender nossa experiência no mundo real e ao apontar o caminho para a harmonia.
Espero, daqui por diante, que uma das doutrinas que nós nutramos em na Igreja Batista Bethlehem, com força suficiente para morrer por ela (e viver por ela!) é a de que o Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. A Bíblia é a Palavra de Deus, não meramente a palavra de homens.

Implicações para Tudo na Vida

Ah, se tivéssemos o dia todo para falar sobre as implicações maravilhosas dessa doutrina! O Espírito Santo é o autor da Escritura. Portanto, ela é verdadeira (Salmo 119:142) e totalmente confiável (Hebreus 6:18). É poderosa, operando seu propósito em nossos corações (1 Tessalonicenses 2:13) e não retornando vazia para Aquele que a enviou (Isaías 55:10–11). É pura, como prata refinada na fornalha sete vezes (Salmo 12:6). É santificadora (João 17:17). Dá vida (Salmo 119:37, 50, 93, 107; João 6:63; Mateus 4:4). Torna sábio (Salmo 19:7; 119:99–100). Dá prazer (Salmo 19:8; 119:16, 92, 111, 143, 174) e promete grande recompensa (Salmo 19:11). Dá força aos fracos (Salmo 119:28) e conforto aos perturbados (Salmo 119:76), guia aos perplexos (Salmo 119:105) e dá salvação aos perdidos (Salmo 119:155; 2 Timóteo 3:15). A sabedoria de Deus nas Escrituras é inexaurível.
Quão preciosos para mim são teus pensamentos, ó Deus! Quão vasta é a soma deles! Se eu fosse contá-los, seriam mais que os grãos de areia.
-  John Piper.
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19 de jan. de 2011

O Espírito como Iluminador – R. C. Sproul

Mas o Espírito não cessa suas atividades formando o que estava sem forma e enchendo o que estava vazio. Quando termina a obra do Espírito, as trevas primordiais estão vencidas. Enquanto o Espírito voeja, Deus dá seu primeiro imperativo: "Haja luz!" E a luz aparece.


A imagem simbólica da luz nas Escrituras é crucial. Estabelece um marcante contraste com formas de dualismo religioso. Em algumas religiões, essa metáfora expressa as imagens de luz e de trevas como forças iguais em oposição, empenhadas em uma luta eterna pela supremacia. Mas não há esperança de redenção final onde forças opostas se opõem igualmente uma à outra. O melhor que pode acontecer em tais casos é um empate. Em tal esquema, a redenção é uma ilusão.

De acordo com a Bíblia, porém, o poder das trevas não é adversário à altura para o poder da luz. Não há ah qualquer indício de um empate forçado. Na Bíblia, as trevas terão que ceder diante da luz.


Sempre me senti intrigado diante do poder da luz sobre as trevas. Quando eu era criança, eu tinha medo de descer para a adega a menos que primeiramente eu acen¬desse as lâmpadas. Lembro-me de pisar no chão da adega e ficar aterrorizado na negridão de piche que ali domina¬va. Eu tremia enquanto tateava pelo comutador de luz. Meu espírito, porém, era inundado de alívio quando meus dedinhos, que rebuscavam, achavam o comutador e eu acendia a luz. Eu não precisava passar minutos de agonia esperando pelo resultado de uma batalha entre as trevas e a luz. No instante em que eu pressionava o comutador de luz, as espantosas trevas desapareciam. A escada ficava instantaneamente banhada de luz e eu podia descer pelos degraus com uma coragem a toda prova.

João expressou essa vitória da luz como segue:

A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela (João 1.4,5).

Na obra da criação e da redenção, o Espírito Santo funciona como o divino Iluminador. Aquele que ilumina os céus também inspirou as Escrituras, revelou a Palavra de Deus e ilumina essa Palavra para o nosso entendi¬mento.

11 de dez. de 2010

O Espírito em Nós – Horatius Bonar


Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Cristo tem o Espírito Santo, o qual Ele nos outorga espontânea e abundantemente, pois o que recebemos é “a graça.... segundo a proporção do dom de Cristo”. Os primeiros crentes “transbordavam de alegria e do Espírito Santo” (At 13.52). Nós temos de ser cheios do Espírito Santo (Ef 5.18), pois o que Cristo nos dá é o próprio Espírito Santo (Rm 5.5), e não algumas influências. O Espírito Santo desce sobre nós (At 8.16, 11.15); é derramado sobre nós (At 2.33, 10.45, Ez 39.29); somos batizados com Ele (At 11.16). O Espírito Santo é o penhor de nossa herança (Ef 1.14); Ele nos sela (Ef 1.13), imprimindo em nós a imagem e semelhança de Deus. O Espírito Santo ensina (1 Co 2.13), revela (1 Co 2.10), convence (Jo 16.8), fortalece (Ef 3.16) e nos torna frutíferos (Gl 5.22). Ele perscruta (1 Co 2.10), age (Gn 6.3), santifica (1 Co 6.11), guia (Rm 8.14, Sl 143.10), ensina (Ne 9.20), fala (1 Tm 4.1, Ap 2.7), demonstra ou prova (1 Co 2.4). O Espírito Santo intercede (Rm 8.26), vivifica (Rm 8.11), cria (Sl 104.30), conforta (Jo 14.26), derrama o amor de Deus em nosso coração (Rm 5.5) e regenera (Tt 3.5). Ele é o Espírito de santidade (Rm 1.4), de sabedoria e de entendimento (Is 11.2, Ef 1.17); o Espírito da verdade (Jo 14.17), de conhecimento (Is 11.2), da graça (Hb 10.29), da glória (1 Pe 4.14), do nosso Deus (1 Co 6.11), do Deus vivente (2 Co 3.3). O Espírito Santo é o bom Espírito (Ne 9.20), o Espírito de Cristo (1 Pe 1.11), o Espírito de adoção (Rm 8.15), o Espírito de vida (Ap 11.11) e o Espírito do Filho de Deus (Gl 4.6).

Este é o Espírito Santo, por meio de quem somos santificados (2 Ts 2.13); o “Espírito eterno”, pelo qual Cristo se ofereceu sem mácula a Deus (Hb 9.14). Este é o Espírito Santo, por quem somos “selados para o dia da redenção” (Ef 4.30); o Espírito que nos torna sua habitação (Ef 2.22) e vive em nós (2 Tm 1.14), através de quem somos preservados a olhar para e a ansiar por Cristo e que nos torna “ricos de esperança” (Rm 15.13).

A vida de santidade depende muito de recebermos e nos apropriarmos deste Hóspede celeste. Digamos-Lhe nosso “bem-vindo”, procurando não envergonhá-Lo, não resisti-Lo, não entristecê-Lo, não apagá-Lo, e sim amá-Lo e nos deleitarmos no seu amor (“o amor do Espírito” – Rm 15.30); de modo que nossa vida seja um viver no Espírito (Gl 5.25), um andar no Espírito (Gl 5.16), um orar no Espírito (Jd 20). Ao mesmo tempo que fazemos distinção entre a obra de Cristo por nós e a obra do Espírito em nós, a fim de preservar inalterável a nossa consciência do perdão, não devemos separar de maneira alguma estas duas obras. Mas, permitindo que ambas cumpram o seu serviço, devemos seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14), mantendo nosso coração na “comunhão do Espírito” (Fp 2.1) e deleitando-nos nesta comunhão (2 Co 13.13).

A dupla forma de expressão que ressalta a habitação recíproca ou mútua de Cristo e do Espírito Santo em nós é digna de observação. Cristo em nós (Cl 1.27) é um dos lados; nós em Cristo é o outro lado (2 Co 5.17, Gl 2.20). O Espírito Santo em nós (Rm 8.9) é um aspecto; nós vivemos no Espírito (Gl 5.25) é o outro aspecto. Esta dupla forma de expressão também é utilizada em referência à Divindade, nestas admiráveis palavras: “Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus” (1 Jo 4.15).

Parece que nenhuma figura seria plenamente adequada para expressar a intimidade de contato, a proximidade de relacionamento e a completa unidade em que somos colocados, ao receber o testemunho divino sobre a pessoa e a obra do Filho de Deus. Sendo possuidores de todos os recursos necessários a uma vida de santidade, não somos, por conseguinte, mais fortemente comprometidos a vivê-la? Se temos uma vida e recursos tão abundantes à nossa disposição, quão grande é a nossa responsabilidade! Devemos ser “tais como os que vivem em santo procedimento e piedade!” E, se acrescentarmos a tudo isso as perspectivas da esperança da segunda vinda, do reino e da glória, nos sentiremos rodeados, em todos os lados, por motivos, assuntos e instrumentos adequados para nos tornarem aquilo que devemos ser — “sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1 Pe 2.9), “zeloso de boas obras” neste mundo (Tt 2.14) e possuidores de “glória, honra e incorruptibilidade” no porvir (Rm 2.7).

3 de dez. de 2010

24 de nov. de 2010

Espírito de Poder - Lloyd-Jones




Nossos temores decorrem da falha de não nos avivarmos — falhamos em pensar, e em assumir controle de nós mesmos. Co meçamos a olhar para o futuro, e então a imaginar coisas e  a dizer: "O que será que vai acontecer?" E daí nossa imaginação se descontrola. Acabamos dominados por isso, e não paramos a fim de nos lembrar de quem somos e o que somos, nossos temores nos controlam, e ficamos abatidos. Agora a primeira coisa que precisamos fazer é assumir controle de nós mesmos, erguer-nos, avivar-nos,  dominar-nos,  e  falar conosco  mesmos.  Como  diz  o apóstolo, precisamos nos lembrar de certas coisas. E eu creio que a coisa principal que Paulo está dizendo a Timóteo é: "Timóteo, você parece estar pensando a respeito de si mesmo e a respeito da vida e de tudo que você precisa fazer, como se ainda fosse uma pessoa comum. Contudo, Timóteo, você não é uma pessoa comum! Você é um cristão, você nasceu de novo, o Espírito de Deus está em você. Mas você está enfrentando todas essas coisas como se ainda fosse o que era antes — uma pessoa comum". E não é este o problema com todos nós em relação a isso? Ainda que verdadeiramente sejamos cristãos, que creiamos na verdade, que   tenhamos  nascido   de   novo,   que   sejamos   filhos   de   Deus, caímos nessa situação em que começamos a pensar como se ne nhuma dessas coisas tivesse nos acontecido. Como o homem do mundo, o homem que nunca foi  regenerado, permitimos que  o futuro  nos  assalte  e  nos  domine,  e  comparamos nossa  própria fraqueza e falta de poder com a grandeza da missão e a tremenda tarefa diante de nós. E ficamos abatidos, como se ainda vivêssemos na esfera do homem natural.  Mas a coisa a fazer,  Paulo diz a Timóteo, é lembrar-se que, como cristãos, temos recebido o dom do Espírito Santo de  Deus, e por causa disso, precisamos  com­preender que toda a nossa perspectiva de vida e do futuro deve ser essencialmente diferente. Precisamos pensar no sofrimento de forma diferente, e encarar todas as coisas de um modo novo. E a forma  que   devemos   enfrentar  isso  tudo,  é   lembrar-nos   que   o Espírito Santo está em nós. O futuro está aí, a missão está diante de nós, a perseguição está aí, a oposição está aí, o inimigo está aí. Vejo tudo isso. Devo também admitir que sou fraco, que me falta o poder necessário, que me falta a tendência. Mas em vez de  parar aí,  devo  prosseguir dizendo:   "Sim,  eu  sei tudo  isso, mas. . ." E no momento que eu uso essa palavra "mas", estou fazendo o que o apóstolo quer que eu faça. Digo: "Mas — mas o Espírito de Deus está; em mim; Deus me deu o Seu Espírito Santo". No momento em que eu digo isso, a perspectiva muda completamente. Em outras palavras, precisamos aprender a dizer que o que importa em  qualquer uma dessas  questões, não é o que é verdade a meu respeito, mas o que é verdade a respeito dEle. Timóteo era fraco por natureza, o inimigo era poderoso, e a tarefa era grande. Está certo, mas ele não devia pensar apenas em si mesmo, ou na situação em termos de si mesmo — "Porque Deus não nos deu o espírito de temor. Ele nos deu o Espírito de poder".   Então,  não  pensem  em  sua  própria  fraqueza;   pensem no poder do Espírito de Deus. É quando começamos a fazer isso que equilibramos nossa  doutrina  e vemos  a  situação toda cla ramente.
Já me esforcei muito para enfatizar que nossos temperamen tos são diferentes, e quero enfatizá-lo de novo. No entanto, neste ponto eu diria que, embora nossos temperamentos sejam diferen tes, eles não deviam fazer qualquer diferença face a face com a tarefa. Aqui está o milagre da redenção.  Deus nos  deu nossos temperamentos. Mais uma vez, todos temos temperamentos dife rentes, e isso também é de Deus. Sim, mas nunca deveria acon tecer conosco, como cristãos, o sermos controlados por nossos tem peramentos. Devemos ser controlados pelo Espírito Santo. A coisa deve ser colocada nessa ordem. Aqui estão forças e capacidades, e aqui estão nossos temperamentos específicos que as usam, mas o ponto vital é que, como cristãos, devemos  ser controlados pelo Espírito Santo. É uma tragédia quando o cristão permite que o seu temperamento o controle. O homem natural sempre é contro lado por seu temperamento, ele não pode evitar isso; mas a dife rença que a regeneração faz, é que agora há um controle superior até ao temperamento. No momento em que o Espírito Santo entra numa pessoa, Ele controla tudo, inclusive o temperamento, capa citando-a então a operar através do seu temperamento. Esse é o milagre da redenção. O temperamento permanece, porém não está mais no controle. O Espírito Santo está no controle.
Vamos agora examinar isso em detalhe. "Deus não nos deu o espírito de temor". Que espírito, então, Ele nos deu? Notem: "Deus não nos deu o espírito de temor, mas de poder. . ." Isso é o que Ele coloca em primeiro lugar, e com razão. Temos uma tarefa, e conhecemos nossa própria fraqueza. Sim, mas há um poder até para os fracos, e significa poder no sentido mais amplo que se possa imaginar. Vocês estão com medo de não serem capa zes de viver a vida cristã? A resposta é: "Operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar". O temor e o tremor permanecem. Isso faz parte dos seus temperamentos, mas vocês são capacitados a trabalhar através do poder "que opera em vós tanto o querer como o efetuar". Então, não se tornam pessoas que não sentem medo ou não são mais sujeitas ao temor. Ainda têm que operar a sua salvação com temor e tremor, mas há poder apesar disso. É o poder de Deus operando em vocês "tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade". Mas isso se refere não só à questão de viver a vida cristã, e batalhar contra tentações e pecados; também significa poder para resistir, poder para prosseguir, não importa as condições ou circunstâncias, poder para perseverar e ficar firme. E digo mais: significa que a pessoa mais tímida pode receber poder para todas as coisas — até para enfrentar a morte. Isso foi evidente nos apóstolos; pode ser visto num homem como Pedro, que tinha medo da morte, tinha medo de morrer. Ele até negou o Senhor por causa desse medo, dizendo: "Não O co nheço, nada tenho a ver com Ele". Negou com pragas e jura mentos o seu bendito Senhor, seu maior benfeitor, para salvar sua vida. Mas olhem para ele depois, no livro de Atos dos Apósto los. O Espírito de poder tinha entrado nele, e agora ele está pronto a morrer, pronto a enfrentar as autoridades, pronto a enfrentar qualquer pessoa. Essa é uma das coisas mais gloriosas nos longos anais da história da Igreja, e ainda está acontecendo. Nunca me canso de dizer a cristãos que leiam as histórias dos mártires, dos pais da Igreja, dos reformadores, dos puritanos e outros. Leiam essas histórias e não encontrarão apenas homens fortes e corajosos, mas também mulheres e jovens fracos, e até mesmo crianças morrendo gloriosamente por amor a Cristo. Não podiam fazê-lo por si mesmos, mas receberam o espírito de poder. Ora, isso é o que Paulo quer dizer aqui. Ele diz a Timóteo: "Não fale assim. Você está falando como um homem natural. Está falan do  como  se  você  mesmo,  com  seu próprio  poder,  tivesse  que enfrentar isso tudo. Mas Deus lhe deu o espírito de poder. Vá em frente. Ele vai estar com você. Você nem vai mais se conhecer; vai ficar assombrado consigo mesmo. E ainda que possa significar ter que enfrentar a morte, irá regozijar-se por ter sido considerado digno de sofrer vergonha e até mesmo à morte por amor do Seu glorioso nome". Poder! Ele foi dado. E o que você e eu devemos fazer, quando somos tentados a ficar deprimidos por causa das coisas que estão contra nós, é dizer: "Eu tenho o Espírito Santo, e Ele é o Espírito de poder".

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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