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12 de abr. de 2011

Por que levar tão a sério a tentação? – John Owen




É o grande dever de cada cristão esforçar-se ao máximo valendo-se de todos os recursos que Cristo tem dado, para não cair em tentação.

Por que é tão importante este dever? Vamos considerar algumas razões que a Bíblia nos dá.


Razão 1

O Senhor Jesus Cristo nos deu um padrão para nossa oração diária. Neste modelo uma das petições é: "e não nos deixes cair em tentação; mas livrai-nos do mal" (Mt 6.13). Este petição pode ser parafraseada: "Opera em nós de tal maneira que sejamos poderosamente libertos daquele mal que acompanha nossa entrada na tentação" - Nosso bendito Salvador sabe como a tentação é perigosa e como precisamos da ajuda de Deus para sermos guardados de entrar na tentação. Confiamos na sabedoria, no amor e no cuidado de Jesus pelo Seu povo. Ele enfatiza este dever; devemos levá-lo a sério.


Razão 2

O Senhor Jesus Cristo prometeu uma grande recompensa a igreja em Filadélfia (Ap 3.10). Essa recompensa era a libertação da hora da provação que viria sobre o mundo inteiro. Você deseja essa benção? Deve, então, levar a sério o que Cristo designou como meios pelos quais podemos nos guardar da hora da provação.


Razão 3

Quando consideramos os horrendas conseqüências que têm sido o resultado dos homens (tanto os injustos como os justos) entrarem na tentação, a sabedoria impõe que levemos bem a sério este dever. Estas horríveis conseqüências podem ser ilustradas à luz da experiência de duas classes diferentes de pessoas:

a)Pessoas que aparentam ser cristãos genuínos mas não o são.

Estas pessoas são descritas pelo Senhor Jesus Cristo na Sua parábola do semeador como "ouvintes semelhantes a terreno rochoso". Eles "recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não tem raiz" (Lc 8.13). Eles crêem apenas por algum tempo, e na hora da provação se desviam.

Em todas as épocas há pessoas assim. Parece que iniciam bem na vida cristã, todavia, mais cedo ou mais tarde entram num período de tentação e abandonam sua profissão de fé. Estas pessoas também são descritas pelo Senhor Jesus como sendo semelhantes "a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia". O que acontece com esta casa? Ela abriga estas pessoas por algum tempo, porém quando a provação de um dia tempestuoso vem, ela cai, sendo grande a sua ruína" (Mt 7.26-27).

Verificamos que Judas seguiu o Senhor Jesus durante três anos. Ninguém, a não ser o Senhor Jesus podia perceber a diferença entre Judas e os outros do grupo dos doze. Tão logo Judas entrou em tentação el caiu para não mais vir a ser restaurado. Demas identificou-se com o apóstolo Paulo até que o amor do mundo o venceu e ele abandonou Paulo (2Tm 4.10). A entrada na tentação para essas pessoas é uma entrada na apostasia. Em muitos casos a apostasia é evidente e todos a percebem; noutros casos ela só se evidenciará no dia do juízo.
b)Pessoas que são verdadeiros cristãos

A Bíblia nos oferece muitas ilustrações das terríveis conseqüências de santos autênticos entrando na tentação. Precisamos nos limitar a uns poucos exemplos:

Adão: Adão foi criado à imagem de Deus, com uma natureza santa, e portanto ele não estava sujeito aos desejos pecaminosos de uma natureza caída. No entanto, mesmo ele foi vencido pela tentação assim que nela entrou. Como resultado disso ele se perdeu e se arruinou, bem como a toda a raça humana. Se um homem nas condições ideais de Adão pôde cair tão facilmente, que esperança existe para o resto da raça humana? Temos que lutar não apenas com o diabo, como no caso de Adão, mas também com um mundo que está debaixo da maldição de Deus, e como todos os desejos pecaminosos de uma natureza caída.

Abraão: Abraão, o pai dos fiéis, duas vezes entrou na mesma tentação. O receio quanto a segurança da sua esposa o tentou a mentir ( Na verdade a mentira dele a colocou mais em perigo ainda - a verdadeira preocupação era com a segurança dele). Deus foi desonrado, e Abraão sem dúvida alguma experimentou tristeza e remorso (Gn 12.12,13; 20.2).

Davi: Davi, "o homem segundo o coração de Deus", entrou em tentação para cobiçar outra mulher. Caiu nos pecados de adultério e de planejamento pecaminoso que envolveu outras pessoas no seu pecado. Chegou até mesmo a planejar a morte de um homem justo.



Muitos outros: A tentação e a queda de muitos outros tais como Noé, Ló, Ezequias e Pedro nos é relatada para nossa instrução. Ele nos dão evidencia dolorosa de como os santos podem facilmente cair em pecados graves como resultado de entrarem em tentação. À luz de tais exemplos cada um de nós fará bem em orar: "Ó Senhor, se santos tão ilustres e poderosos podem cair tão miseravelmente quando entram na tentação, como poderei eu resistir nesse dia? Ó, guarda-me, para que eu não entre em tentação!!"

Deus nos tem feito muitas advertências e nos tem dado muitos exemplos de outros santos que caíram em pecado quando foram tentados. A despeito disso, alguns cristãos entram ousadamente no caminho da tentação. Quão grande tolice!!



28 de fev. de 2011

E Vimos sua Glória - John Owen - (1616- 1683)



O Sumo sacerdote do Velho Testamento, após fazer os sacrifícios que eram exigidos, no dia da expiação, entrava no lugar santo com as suas mãos cheias de incenso perfumado que ele colocava no fogo diante do Senhor. Da mesma forma, o grande Sumo Sacerdote da Igreja, o nosso Senhor Jesus Cristo, tendo se sacrificado pelos nossos pecados, entrou no céu com o doce perfume de Suas orações pelo Seu povo. O seu eterno desejo para a salvação do Seu povo é expresso por João: "Para que vejam a minha glória" (Jo 17.24). 

José pediu a seus irmão que contassem a seu pai sobre toda a sua glória no Egito (Gn 45.13), não para dar uma amostra ostensiva daquela glória, mas para dar a seu pai a alegria de saber a sua alta posição naquela terra. Da mesma forma, Cristo desejava que Seus discípulos vissem a Sua glória para que pudesse estar satisfeito e usufruir a plenitude de Suas bençãos para todo sempre.Uma vez tendo conhecido o amor de Cristo, o coração do crente estará sempre insatisfeito até a glória de Cristo ser vista. O clímax das petições que Cristo faz a favor dos Seus discípulos é que possam contemplar a sua glória.É por isso que eu afirmo que um dos maiores benefícios para um crente no mundo e no porvir é considerar a glória de Cristo Desde que o nome do cristão é conhecido no mundo, não tem havido tanta oposição direta à singularidade e glória de Cristo como nos dias atuais. É dever de todos aqueles que amam o Senhor Jesus de testificar, conforme suas abilidades, da singularidade de Sua glória.Eu gostaria, portanto, de fortalecer a fé dos verdadeiros crentes ao mostra que ver a glória de Cristo é uma das maiores experiências e privilégios possíveis neste mundo ou no outro. "Mas todos nós, com a cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2Co 3.18).

Na eternidade seremos como Ele, porque O veremos como Ele é (1Jo 3.2).Este conhecimento de Cristo é a via contínua e a recompensa de nossas almas. Aquele que tem visto a Cristo também tem visto o Pai; a luz do conhecimento da glória de Deus é vista apenas na face de Jesus Cristo (Jo 14.9; 2Co 4-6).Há duas maneiras de ver a glória de Cristo: mediante a fé, neste mundo, e, por meio da fé, no céu eternamente. É a segunda maneira que se refere principalmente a oração sacerdotal de Cristo - que seus discípulos possam star onde Ele está, para contemplar sua glória. Mas a visão de Sua glória pela fé, neste mundo, também está incluída e eu dou as seguintes razões para isso: 

1. Nenhum homem jamais verá a glória de Cristo no futuro se ele não tiver alguma visão dela, pela fé, no presente. Devemos estar preparados pela graça para a glória, e pela fé para a visão. Algumas pessoas, que não tem fé verdadeira, imaginam que verão a glória de Cristo no céu; porém estão apenas se iludindo. Os apóstolos viram a Sua glória, "e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1.14). Essa não era uma glória deste mundo como a dos reis... Apesar de ter criado todas as coisas, Cristo não tinha onde reclinar a cabeça. Não havia glória ou beleza incomum em Sua aparência como homem. A Sua face e Suas formas se tornaram mais desfiguradas do que as de qualquer homem (Is 52.14; 53.2). Não era possível ser vista neste mundo a glória total da Sua natureza divina. Como então os apóstolos viram a sua glória? Foi pela compreensão espiritual da fé. Quando eles viram como Ele era cheio de graça e de verdade e o que Ele fazia e como falava, eles "o receberam e creram no seu nome" (Jo 1.12). Aqueles que não tinham essa fé não viram nenhuma glória em Cristo. 

2. A glória de Cristo está muito além do alcance de nossa presente compreensão humana. Não podemos olhar diretamente para o sol sem ficarmos cegos. Semelhantemente, com nossos olhos naturais não podemos ter nenhuma visão verdadeira da glória de Cristo no céu; ela apenas pode ser conhecida pela fé.Aqueles que falam ou escrevem sobr a imortalidade da alma, sem ter conhecimento de uma vida de fé, não podem ter convicção daquilo que dizem... O entendimento que vê apenas através da fé é que nos dará uma idéia verdadeira da glória de Cristo e criará um desejo para um completo desfrute dela.

 3.Entretanto, se quisermos ter uma fé mais ativa e um maior amor para com Cristo, que dêem descanso e satisfação às nossas almas, precisamos ter um maior desejo de compreender melhor a Sua glória nesta vida. Isto significará que cada vez mais as coisas deste mundo terão menor atração para nós até que se tornem indesejáveis como algo morto. Não deveríamos procurar por nada nesta vida. Se estivéssemos totalmente convencidos disso estaríamos pensando mais nas coisas celestiais do que normalmente estamos. Vantagens que surgem de pensarmos sempre na glória de Cristo: 

A. Seremos moldados por Deus para o céu. Muitos pensam que já estão suficientemente preparados para a glória, como se eles a pudessem alcançar. Mas não sabem o que isso significa. Não há o menor prazer na música para o surdo, nem nas belas cores para o cego. Da mesma forma, o céu não seria um lugar de prazer para as pessoas que não tivessem sido preparadas para ele nesta vida pelo Espírito. O apóstolo dá ",,,graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz..." (Cl 1.12). A vontade de Deus é que devemos conhecer as primícias da glória aqui e a sua plenitude no futuro. Porém, somos feitos capazes de receber o conhecimento dessa glória pela atividade espiritual da fé. O nosso conhecimento atual da glória é nossa preparação para a glória futura. 

B. Uma visão verdadeira da glória de Cristo tem o poder de mudar-nos até que nos tornemos semelhantes a Cristo (2Co 3.18). 

C.Uma meditação constante sobre a glória de Cristo dará descanso e satisfação ás nossas almas. Trará paz às nossas almas que tantas vezes estão cheias de medos e pensamentos perturbadores. "Porque a inclinação da carne é a morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz" (Rm 8.6). As coisas desta vida nada são quando comparadas com o grande valor da beleza de Cristo, como Paulo disse: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como esterco para que possa ganhar a Cristo" (Fl 3.8). 
D. O conhecimento da glória de Cristo é a fonte de nossa bem-aventurança eterna. Vendo-O como Ele é, seremos feitos em semelhança a Ele. (1Ts 4.17 - Jo 17.24; 1Jo 3.2)

                          John Owen - 1683

12 de jan. de 2011

Pecados de Omissão – John Owen (1616 – 1683)


Você não mortificará nenhum pecado a não ser que, sincera e diligentemente, busque lidar com todo pecado.

Para colocar isto de modo bem simples, ao cristão não é dada a opção de decidir qual é o pecado na sua vida que precisa ser mortificado. Se o cristão não estiver comprometido com a mortificação de cada um e de todos os pecados na sua vida não alcançará sucesso na mortificação de um único pecado. Permitam-me explicar o que quero dizer de um modo ainda mais completo.
Um cristão é provado por um desejo pecaminoso. Este desejo pecaminoso (pense naquele que melhor se aplica a você) perturba o cristão. Está sempre derrotando-o e rodeando-o de modo que ele aspira por uma libertação completa. Não apenas isso, ele luta, na verdade, contra esse pecado, ora e lamenta quando é derrotado por ele. Ao mesmo tempo, contudo, há outros deveres da vida cristã que ele não leva muito a sério. Pode passar dias sem desfrutar de verdadeira comunhão com Deus. Pode ler sua Bíblia de um modo casual, negligenciando a meditação na Palavra de Deus e gasta pouco ou nenhum tempo em oração. Estes deveres negligenciados ou executados de modo indiferente na sua vida cristã são pecados (pecados de omissão), mas não o perturbam como o pecado do qual deseja ser liberto. Bem, o ponto que estamos procurando enfatizar é que o cristão não deve esperar obter libertação do pecado que o perturba enquanto não começar a tratar os outros pecados com a mesma seriedade.

Por que as coisas são assim? Há duas razões:

a) Esta tentativa de alcançar uma mortificação parcial se baseia num raciocínio falso. Sem ódio ao pecado como pecado (e não apenas ódio das suas conseqüências perturbadoras) e um sentimento do amor de Cristo na cruz, não pode haver a verdadeira mortificação espiritual. Ora, esta tentativa de mortificação não evidencia estar sendo motivada pelo ódio ao pecado como pecado e a um reconhecimento do amor de Cristo na cruz. Antes, o motivo é tão-somente o amor próprio. Certo pecado em particular perturba a paz desta pessoa e o seu bem-estar, e então ela luta contra este pecado simplesmente para obter novamente a paz e o bem-estar.

A esta pessoa um pastor fiel precisaria dizer:

Amigo, você tem negligenciado a oração e a leitura da Bíblia. Você tem sido descuidado quanto ao exemplo de vida que dá aos outros. Estas coisas são tão pecaminosas e más como o pecado que você está procurando vencer. Jesus derramou Seu sangue por esses pecados também. Por que você não se esforçou para vencê-los? Se você realmente odiasse o pecado, você seria tão vigilante em relação a tudo que entristece e perturba o Espírito Santo como está sendo em relação a este pecado que perturba sua alma. Acaso você não percebe que sua batalha contra o pecado se volta tão somente para a busca da sua paz e do seu bem-estar? Pensa que pode contar com a ajuda do Espírito Santo para livrá-lo do pecado que lhe perturba quando não demonstra nenhuma preocupação em lidar com outros pecados que O entristecem tanto quanto esse que perturba você?

O que quer que possamos pensar, a obra da mortificação que Deus requer é um comprometimento total com a mortificação de todo pecado. Se um cristão sinceramente pretende fazer o que Deus requer, pode contar com a ajuda do Seu Espírito. Se o cristão está apenas interessado em fazer sua própria obra (ou seja, simplesmente mortificar o pecado que o perturba) Deus o entregará a lutar pela sua própria força. O mandamento é: "purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Cor. 7:1). Se fizermos alguma coisa, é mister que tentemos fazer todas as coisas.

b) Às vezes Deus usa um desejo pecaminoso forte e que não foi mortificado num cristão como um meio de discipliná--lo. Quando um cristão fica morno (Apoc.3:16ss.) e descuidado no seu andar com Deus, Ele, às vezes, permite que um desejo pecaminoso cresça, fique forte no seu coração, para que se torne numa chaga e num fardo para ele. Esta pode ser uma das maneiras de Deus disciplinar um cristão por sua desobediência, ou pelo menos despertá-lo para que atente para seus caminhos e seja chamado a uma mortificação total do pecado. Um exemplo semelhante a este se pode ver na maneira de Deus lidar com Israel nos dias dos Juizes (veja, por exemplo, Juizes 1:27 a 2:3 - especialmente 2:3).
Nota 1
Quando um cristão é atormentado por certo desejo pecaminoso que é tão forte que ele mal sabe como lidar com ele e controlá-lo, isto é geralmente o resultado de um andar descuidado com Deus ou de uma atitude de não levar a sério as advertências das Escrituras.
Nota 2
Às vezes Deus usa a chaga de certo desejo pecaminoso em particular para evitar ou curar algum outro mal. Foi esse o propósito de Deus ao permitir que um mensageiro de satanás perturbasse Paulo, impedindo dessa maneira que "ele se ensoberbecesse com a grandeza das revelações" que havia recebido (veja 2 Cor. 12:7). De igual maneira, pode ser que o Senhor tenha deixado que Pedro O negasse, como um meio de corrigir a exagerada confiança de Pedro em si mesmo.

Quem quiser mortificar qualquer forma perturbadora de lascívia na sua vida, de modo completo e aceitável, deve cuidar de ser igualmente diligente na obediência a todos os deveres aos quais Deus o chama. Deve, também, saber que todo desejo pecaminoso, toda omissão no cumprimento do dever, entristece a Deus. Enquanto houver um coração enganoso, que esteja preparado para negligenciar a necessidade de lutar pela obediência em cada área, haverá uma alma fraca que não está permitindo que a fé execute toda sua obra. Qualquer alma que se encontre numa condição tal de fraqueza, não tem o direito de esperar o sucesso na obra da mortificação.

2 de jan. de 2011

A Posição Exaltada de Cristo - John Owen


Consideremos a glória de Cristo que se seguiu ao Seu sofrimento. Esta é a mesma glória que Ele possuía com o Pai antes da fundação do mundo. Ele orou para que Seus discípulos pudessem estar com Ele onde estava pra ver a Sua glória (Jo 17.5,24).

Enquanto estava no mundo, em forma de servo, a Sua glória estava velada. Quando há um eclipse do sol, a sua beleza, luz e glória não podem ser vistos por algum tempo. Semelhantemente toda a beleza, luz e glória de Cristo estavam temporariamente eclipsadas enquanto Ele estava aqui na terra. A Sua glória, entretanto, será vista com alegria e admiração sobrenatural por todos aqueles que estiveram com Ele nos céus.

Sabemos, também, que a mesma natureza humana que Cristo possuía neste mundo está exaltada agora na glória. Não podemos entender isso totalmente, mas é uma crença básica do cristão verdadeiro. Igualmente, não sabemos semelhantes a que seremos então; muito menos podemos imaginar com Ele será. Esta natureza humana de Cristo não se mistura com a Sua natureza divina no céu, porém, ela é enchida e completada com toda graça e perfeição da qual uma natureza criada é capaz.

Os crentes compartilharão dessa glória da natureza humana de Cristo. “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é o veremos” (1Jo 3.2).

Entretanto, nunca seremos semelhantes a Ele no mesmo nível, pois a Sua glória é infinitamente superior a dos anjos e homens. “Uma é a glória do sol, e outra é a glória da lua, e outra é a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória da outra estrela” (1Co 15.41).

Deus, o Pai, deu a Cristo a maior glória e dignidade que pode ser dada a qualquer pessoa, quando Ele O fez sentar-se à direita da majestade nas alturas. Deus fez isso por causa do Seu infinito amor a Cristo e o Seu prazer no que Ele havia feito como mediador entre Deus e a humanidade. Adicionado a isso está a glória única de Cristo em Sua divina sabedoria, amor e graça; que é totalmente demonstrada na redenção da igreja.

A glória que o Senhor possui no céu só pode ser entendida através da fé. Pessoas ignorantes, usando apenas a sua imaginação humana, tentam representar essa glória em quadros... porém eles não sabem as Escrituras nem a glória eterna do Filho de Deus. Não devemos visualizar a imagem de uma pessoa no céu, e sim usar a nossa fé para meditar na descrição da glória de Cristo apresentada nas Escrituras. Não devemos dar desculpa que haverá tempo suficiente para considerar todas essas coisas quando chegarmos ao céu. Se não tivermos algum conhecimento da glória de Cristo aqui e agora, significa que não temos um real desejo da Sua presença no céu.

Somos todos muito egoístas e ficamos contentes o suficiente se nossos pecados são perdoados e se somos salvos por Cristo. Mas, a nossa fé e amor devem no impelir a colocar Cristo e Seus interesses acima da tudo o mais. Quem é que agora está circundado de glória e poder à mão direita da majestade nas alturas? É Ele que era pobre, foi desprezado, perseguido e morto por nossa causa.

É o mesmo Jesus que nos amou e Se entregou por nós e nos redimiu pelo Seu próprio sangue. Se valorizarmos corretamente o Seu amor e compartilharmos de quaisquer dos benefícios que surgiram do que Ele fez e sofreu pela Sua Igreja, então sé podemos nos regozijar na Sua glória e no Seu estado presente.

Bendito Jesus! Não podemos Te acrescentar nada, nem mesmo à Tua glória. Mas é uma alegria pra nossos corações saber que estás tão gloriosamente exaltado à mão direita de Deus, e desejamos ver essa glória mais completa e claramente, como rogaste que víssemos e nos prometeste.

24 de dez. de 2010

A promessa de Deus e o dever do cristão – John Owen - (1616 -1683)



Ouça este Artigo


 
Em Romanos 8:13 o apóstolo Paulo confronta seus leitores com duas maneiras diferentes de se viver. A primeira é esta: "se vi verdes segundo a carne, caminhais para a morte". A segunda - a alternativa - é: "se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis". O propósito deste livro é estudar a segunda destas maneiras de viver.

Começaremos o nosso estudo examinando as cinco palavras ou frases que formam o nosso texto:

Em primeiro lugar, o texto começa com a palavra "se". Paulo usa este"se" para indicar a conexão entre mortificar os feitos do corpo e o viver. E como se disséssemos a um homem doente: "se tomar o remédio, logo se sentirá melhor". Ao homem doente se está fazendo uma promessa de melhoria na sua saúde, desde que siga o conselho que lhe é dado. Da mesma maneira, o "se" do nosso texto nos diz que Deus determinou "mortificar os feitos do corpo" como o meio infalível de conseguirmos "vida". Há uma conexão inquebrável entre verdadeiramente mortificarmos o pecado e a vida eterna. "Se...mortificardes o pecado vivereis!" Aqui está a razão para cumprirmos o dever que Paulo nos prescreve.

Em segundo lugar, a palavra "vós" nos diz a quem o dever e a promessa se aplicam. "Vós" se refere aos cristãos descritos no versículo 1 como "os que estão em Cristo Jesus". Refere-se àqueles nos quais o Espírito vive(vs. 10,11). E estupidez e ignorância se esperar que qualquer um, exceto um verdadeiro cristão, desempenhe este dever. Se pensarmos cuidadosamente sobre para quem Paulo está escrevendo e o que ele lhes está dizendo, podemos fazer a seguinte afirmação:

Os verdadeiros cristãos, que estão definitivamente livres do poder condenatório do pecado, ainda devem se ocupar durante toda a vida com a mortificação do remanescente poder do pecado.

Em terceiro lugar, a frase "pelo Espírito" se refere à causa principal ou aos meios para cumprirmos esse dever. O Espírito aqui é o mesmo do vs. 11. Ele vive em nós (v. 9) e nos dá vida (v. 11). Ele é o Espírito de adoção (v. 15) e nos ajuda nas nossas fraquezas (v. 26). Todos os outros meios de tentarmos mortifícar o pecado são inúteis. As pessoas podem tentar isso de outras maneiras (Rom. 9:30-32). Eles sempre o fizeram e sempre o farão."Mas esta é a obra do Espírito", diz Paulo. Só Ele pode realizá-la. Mortifícar o pecado na sua própria força, segundo as suas idéias, leva à justiça-própria. Isso é a essência de toda religião falsa.

Em quarto lugar, a frase, "mortificardes os feitos do corpo" nos apresenta o dever a ser cumprido. Consideremos esta frase perguntando e respondendo três perguntas:

a)      O que se entende por "o corpo"? É uma outra expressão semelhante, no seu significado, à "natureza pecaminosa" a qual Paulo tem feito referências freqüentes neste capítulo (vs. 3,4, 5, 8,12 e 13). Paulo está enfatizando a diferença entre o Espírito e a natureza pecaminosa. O corpo é o instrumento que o pecado inerente em nós usa para se expressar. Desse modo Paulo usa a expressão "o corpo" para representar a corrupção e a depravação do homem.

b)      O que significa "os feitos"? Isto se refere às ações pecaminosas que uma natureza pecaminosa produz. Em Gaiatas 5:19 no qual estes atos são descritos, Paulo nos dá alguns exemplos destes "feitos". A maior preocupação de Paulo não é com os "feitos" externos mas com suas causas internas. E com desinibído desejo mal, o qual produz os feitos que precisamos lidar radicalamente.

c)      O que significa "mortificardes"? Esta é uma linguagem figurada. Imagine que se mate um animal. Matar um animal é tirar-lhe sua força, seu poder e sua vida de tal maneira que ele não possa mais agir ou fazer o que quiser. Esta é a figura aqui. A natureza pecaminosa (ou, o pecado remanescente) é comparado a uma pessoa, o "velho eu", com seus recursos, habilidades, sabedoria, sutileza, força, etc. Isto, diz-nos Paulo, precisa morrer. Precisa ser morto (mortificado), ou seja, sua força, poder e vida precisam ser tirados pelo Espírito.

Em certo sentido este é um fato que já ocorreu. Diz-se que o velho eu já está"crucificado com Cristo" (Rom. 6:6). "Morremos com Cristo" (Rom. 6:8).Isto aconteceu quando nascemos de novo (Rom. 6:3-8). Entretanto, cada cristão ainda tem os remanescentes de uma natureza pecaminosa que irão constantemente procurar se expressar. E dever de cada cristão mortificar os remanescentes desta natureza pecaminosa. Isto precisa ser feito continuadamente de modo que aos desejos da natureza pecaminosa não seja dada oportunidade para se expressarem (Gál. 5:16).

Finalmente, a frase "vivereis" prove a promessa que é dada para encorajar os cristãos no seu dever. A vida prometida é o oposto da morte enunciada no caso anterior, "se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte" (veja também Gal. 6:8). E provável que Paulo tenha em mente tanto a vida espiritual em Cristo como a vida eterna. Todos os cristãos verdadeiros têm esta vida mas podem perder o seu gozo, seu conforto e sua força. Num contexto diferente, o apóstolo Paulo escreve: "porque agora vivemos, se é que estais firmados no Senhor" (1 Tess. 3:8), isto é, agora a minha vida me fará bem; terei gozo e conforto na minha vida. De modo semelhante, o apóstolo está dizendo aqui: "vocês terão uma vida boa, vigorosa, confortável, e espiritual, enquanto estiverem aqui, e receberão a vida eterna ao final".

Se tomarmos essa promessa desta maneira teremos mais motivos para realizarmos este dever.
A força, o poder, e o gozo em nossa vida espiritual dependem de mortificarmos os atos da natureza pecaminosa.

22 de nov. de 2010

A Glória da Obediência de Cristo - John Owen

 

Havia uma glória invisível em tudo o que Cristo fez e sofreu na terra. Se as pessoas a tivessem visto, elas não teriam crucificado o Senhor da glória. Entretanto, aquela glória foi revelada a alguns; os discípulos “viram a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Primeiro, vamos considerar a obediência de Cristo naquilo que Ele fez. Ele livremente escolheu obedecer. Ele disse: “Eu vim para fazer a tua vontade, ó Deus”, antes de haver necessidade pra Ele fazer essa vontade. Ele não era como nós, criaturas humanas, que necessariamente sempre estivemos sujeitos à lei de Deus. João Batista sabia que Jesus não tinha necessidade de ser batizado. Mas Cristo disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Cristo voluntariamente Se identificou com os pecadores quando foi batizado.

Deus deu-lhe honra e glória porque, pela sua obediência, a Igreja toda se tornou justa (Rm 5.19). A obediência de Cristo a cada parte da lei foi perfeita. A lei era gloriosa quando os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus. Ela se torna mais gloriosa ainda quando é obedecida nos corações dos crentes. Mas é apenas na mais absoluta e perfeita obediência de Cristo que a santidade de Deus na lei é vista em sua glória total. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padecer” (Hb 5.8). O Senhor de todos, que fez a todos, viveu em estrita obediência à lei de Deus. Posto que Ele era uma pessoa singular, a Sua obediência possui a glória de Sua singularidade.

Ora, considerem a glória da obediência de Cristo demonstrada naquilo que Ele sofreu. Ninguém jamais pode medir a profundidade dos sofrimentos de Cristo. Podemos olhar para Ele sob o peso da ira de Deus, em Sua agonia e suor de sangue, nos Seus fortes gritos e lágrimas. Podemos olhar pra Ele orando, sangrando, morrendo, fazendo da Sua alma uma oblação pelo pecado. “Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo de sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes: pela transgressão do meu povo foi ele atingido” (Is 53.8). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Quão glorioso é o Senhor Jesus aos olhos dos Seus redimidos!

Por causa do pecado de Adão, ele e todos os seus descendentes se acham diante de Deus sujeitos a perecer eternamente sob a ira de Deus. Enquanto, nessa condição o Senhor Jesus vem até os pecadores persuadidos, com o Seu convite: “Pobres criaturas! Como é triste a sua condição! O que aconteceu com a beleza da glória e da imagem de Deus nos quais vocês foram criados? Vocês agora têm a imagem deformada de Satanás; pior que isso, miséria eterna aguarda vocês. No entanto, olhem para cima mais uma vez; contemplem-Me! Eu me colocarei em seus lugares. Eu suportarei o peso da culpa e a punição que jogaria vocês para sempre no inferno. Eu me tornarei, temporariamente, em maldição para vocês, para que possam ter bem-aventurança eterna”.

Contemplemos a glória demonstrada no evangelho:Jesus Cristo é crucificado diante dos nossos olhos (Gl 3.1). Nós só entendemos as Escrituras à medida que vemos nelas o sofrimento e a glória da Cristo. A sabedoria do mundo não vê nada neles a não ser estultícia. “Mas, se ainda nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.3-4).

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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