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26 de mar. de 2012

Sofra como um bom soldado de Cristo - Josemar Bessa


"Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé; doravante, é reservada para mim a coroa da justiça!" 2 Timóteo 4:7-8
Estas palavras foram ditas por Paulo idoso, não muito tempo antes de sua morte. O versículo 6 diz: "Agora estou pronto para ser oferecido", ou, como a palavra grega significa, "para ter o meu sangue derramado em sacrifício."

1 de mar. de 2012

23 de jan. de 2012

Você Irá Sofrer - Paulo Junior


Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele,Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim. Filipenses 1:29-30



1 de abr. de 2011

John Bunyan - A Graça do Sofrimento - (1628-1688)


Os sofrimento de John Bunyan deixaram sua marca em todos os seus escritos. George Whitfield disse, a respeito do Peregrino, "Tem cheiro de prisão. Foi escrito quando o autor estava confinado na cadeia de Bedford. E os ministros nunca pregam ou escrevem tão bem como quando estão debaixo da cruz: o Espírito de Cristo e da glória repousa sobre eles"


John Bunyan e os Efeitos do Sofrimento (1628 – 1688) - Áudio

- Escrevendo para a Igreja Afligida - 

A questão, então, que eu levanto, à luz dos sofrimentos de Bunyan, é esta: qual foi o fruto do sofrimento? O que produziu em sua própria vida e, através dela, na vida de outros?
O Sofrimento de Bunyan Confirmou-o em Seu Chamado como Escritor, Especialmente para a Igreja Afligida

Provavelmente, a maior distorção da vida de Bunyan no quadro que tenho pintado até agora, é que ele omite um dos maiores labores de sua vida, que foram os seus... 







10 de mar. de 2011

"Muitas são as aflições do justo!" (Sl 34.19a)"... alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também na revelação de sua glória vos alegreis exultando" (1 Pe 4.13)."Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja." Colossenses 1.24Sofrimentos suportados com paciência por um cristão servem de exemplo e testemunho para toda a Igreja, pois é nisso que o caráter de Jesus mais se reflete. E é por isso que as pessoas mais santificadas têm de sofrer mais, por estarem muito próximas do Senhor e por terem condições de suportar o sofrimento."Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós." Romanos 8.18E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. 2 Timóteo 3:12 Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Tiago 5:10Porque isto é agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, suporte tristezas, padecendo injustamente.1 Pedro 2:19




O Sofrimento dos Filhos de Deus
por
Felipe Sabino de Araújo Neto

É triste ver aqueles que professam pertencerem aos arraiais de Cristo e, conseqüentemente, crer na Bíblia, negarem algumas verdades fundamentais do Cristianismo. Dentre as tantas negadas nestes nossos dias, uma das de mais ampla extensão, senão a de maior, é a negação da legitimidade de um crente verdadeiro passar por sofrimentos, especialmente de ordem física.
Muito têm se dito sobre o suposto direito que um crente tem diante de Deus, reivindicando o mesmo para não aceitar problemas no casamento, de ordem econômica, enfermidades e desemprego. Enquanto os teólogos do passado se deleitavam em pregar e escrever sobre os decretos de Deus, os "teólogos" de hoje só têm a dizer sobre "os decretos do crente". Na verdade, isto é um retrato do foco dos cultos modernos, ou seja, o culto teocêntrico foi trocado pelo culto antropocêntrico. Triste realidade!
Contudo, a despeito das reivindicações dos "profetas" modernos, a Bíblia no diz que "por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus" (Atos 14:22). A Bíblia não ensina que os crentes são imunes às aflições. Pelo contrário, a presença das mesmas na vida dos filhos de Deus e a ausências delas, muitas vezes, nas vidas dos ímpios, quase fez com que os pés do salmista vacilasse. "Os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens" (Salmos 73:2-5).
O cristão não deve rejeitar o sofrimento como algo não vindo da parte de Deus, pois, ao contrário do que se ensina nos púlpitos modernos, eles nos foram decretados. "Para que ninguém seja abalado por estas tribulações; porque vós mesmo sabeis que para isto fomos destinados" (1 Tessalonicenses 3:3). Contudo, o filho de Deus não deve ter prazer ou alegria no sofrimento, pelo sofrimento em si, mas sim pelo propósito de Deus neste sofrimento. "O Senhor corrige ao que ama" (Hebreus 12:6), e com certeza, nas nossas adversidades, Deus está trabalhando com o nosso caráter, nos lapidando e nos conformando à imagem de Seu Filho. Mas, o que dizer daqueles que "não aceitam" tais sofrimentos? E o progresso espiritual que tais sofrimentos pretendiam produzir na vida destas pessoas? Talvez esta seja uma das razões de vivermos atualmente numa geração de crentes com um dos níveis mais baixos de espiritualidade e moralidade que já se viu na história da Igreja.
Portanto, que não desfaleçamos diante das tribulações (Efésios 3:13), mas, gloriemo-nos nelas (Romanos 5:3), sabendo que ela produz perseverança, transformações nas nossas vidas, e o mais importante, glórias a Deus. Que possamos ver nas nossas vidas e nas dos nossos irmãos os frutos da aflição. Que diante das provas e tribulações, possamos examinar o nosso coração, e colocar em ordem "a nossa casa".
Enquanto muitos acusam os crentes atribulados de estarem em pecado, a Bíblia os chamam de bem-aventurados. "Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão" (Tiago 5:11).
O pentecostalismo e o neo-pentecostalismo têm causado muitos danos à espiritualidade do povo brasileiro, mas o filho de Deus, que tem a sua vida alicerçada na Palavra de Deus, e não nos ventos de doutrina, sabe que somos "participantes das aflições de Cristo", para que "na revelação da Sua glória" (1 Pedro 4:13) nos regozijemos e exultemos.
Que os falsos profetas e apóstolos bradem o que quiserem, o PROFETA de antemão já disse: "Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). 
felipe@monergismo.com

Sofrimento: Sim e Não!
por
Felipe Sabino de Araújo Neto

"Portanto, se Cristo sofreu pelo crente, já não é necessário que este sofra; e por que teria o crente de temer?" (Jonathan Edwards, Nosso Lugar de Refúgio).
Seria Jonathan Edwards (1703-1758), considerado o maior teólogo e filósofo americano, autor da frase acima, um neo-pentecostal? Longe disso! Mas é sobre o contraste entre o seu ensino e o dos pentecostais e neo-pentecostais que quero resumidamente falar, ou melhor, nos levar a pensar.
Enquanto os pentecostais e neo-pentecostais ensinam que o crente não deve sofrer, Jonathan Edwards e todos os escritores bíblicos afirmaram que sim, que ele pode, e na verdade sofre justamente por ser cristão.
Enquanto os pentecostais e neo-pentecostais ensinam que o crente pode sofrer, Jonathan Edwards e todos os escritores bíblicos, juntamente com a miríade dos grandes teólogos e homens de Deus do passado e com os 7.000, o remanescente segundo a eleição da graça[1] , dos dias de hoje que não dobraram os seus joelhos diante de Baal, afirmam que NÃO, DE FORMA ALGUMA!
Como pode ser isto? A aparente contradição é solucionada quando analisados o tipo de sofrimento que se tem em vista.
O sofrimento que os carismáticos (pentecostais e neo-pentecostais) não aceitam é aquele que a Escritura apresenta como sendo a nossa porção nesta vida:
"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33).
"Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus" (Atos 14:22).
"Para que ninguém seja abalado por estastribulações; porque vós mesmos sabeis quepara isto fomos destinados" (1 Tessalonicenses 3:3).
Contudo, Jonathan Edwards e tantos outros, pregavam com firmeza a legitimidade dos sofrimentos na vida de um crente verdadeiro. As nossas aflições são determinadas por Deus, com o objetivo de produzirem frutos para o nosso bem e para a Sua glória. Como disse John Piper, em O Sorriso Escondido de Deus:
"as aflições de John Bunyan nos deram O Peregrino. As aflições de Willaim Cowper nos deram hinos em inglês como "There Is a Fountain Filled With Blood" e "God Moves in a Mysterious Way". E as aflições de David Brainerd nos deram um Diáriopublicado que tem mobilizado mais missionários que qualquer outra obra semelhante. A fornalha do sofrimento produziu o ouro da direção e inspiração para viver a vida cristã, adorar o Deus cristão e espalhar o evangelho cristão.
Existe uma certa ironia no fruto destas aflições. O confinamento de Bunyan ensinou-lhes o caminho peregrino da liberdade cristã. A doença mental de Cowper produziu música doce da mente para almas atribuladas. A miséria abrasadora do isolamento e da doença de Brainerd explodiu em missões mundiais, além de toda a imaginação. Ironia e desproporção são, ambos, o caminho de Deus. Ele nos mantém desequilibrados, com suas conexões imprevisíveis. Pensamos que sabemos como fazer algo grande, e Deus o faz pequeno. Pensamos que tudo que temos é fraco e pequeno, e Deus o torna grande. A estéril Sara dá a luz ao filho da promessa. Os 300 homens de Gideão derrotam 100 mil midianitas. Uma funda nas mãos de um jovem pastor derruba o gigante. Uma virgem dá à luz o Filho de Deus. Os cinco pães de um rapazinho alimentam milhares. Uma violação da justiça, um expediente político-fisiológico e a tortura criminosa, numa cruz repulsiva, tornaram-se o fundamento da salvação do mundo.
"Este é o caminho de Deus - tirar do homem toda vanglória e dar toda glória a Deus...".
Eis o que o próprio Bunyan, um homem que sofreu excessivamente, escreveu:
Nós, também, antes que a tentação venha, pensamos que podemos caminhar sobre o mar, mas quando os ventos sopram, sentimos que começamos a afundar...
E ainda assim, isto não nos traz nenhum bem? Não poderíamos viver sem tais mudanças da mão de Deus sobre nós. Nossa natureza carnal cresceria excessivamente, se não tivéssemos nossos invernos, no tempo apropriado. Diz-se que em alguns países as árvores crescem, mas não produzem fruto, pois não há inverno ali.

Portanto, eis o primeiro contraste:
CARISMÁTICOS: o crente não pode sofrer, e este não é o propósito de Deus.
A BÍBLIA E OS SEUS FIÉIS SEGUIDORES: o sofrimento é uma parte da peregrinação cristã, sendo ordenado em tipo, intensidade e lugar pelo próprio Deus.

Por outro lado, de uma forma ainda mais infortuna, os carismáticos ensinam que o crente pode sofrer, e o que é pior, sofrer o castigo eterno. Eles afirmam deliberadamente que aqueles que foram salvos e, portanto, são verdadeiros crentes, podem "cair da graça" e perecer eternamente. Contudo, não é isso o que a Bíblia ensina.
Foi por crer no oposto exato disto que Edwards disse: "Portanto, se Cristo sofreu pelo crente, já não é necessário que este sofra; e por que teria o crente de temer?". Ele se referia ao sofrer o castigo da lei, o que é impossível para o crente, pois Cristo, por intermédio de Sua obra substitutiva, sofreu por ele. Como o próprio Edwards disse:
"Cristo sofreu o golpe da justiça, e a maldição da lei caiu toda sobre Ele; Cristo sofreu toda a vingança que se destinava ao pecado que cada um de nós cometeu. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gálatas 3:13).
As Escrituras estão cheias de provas de que aqueles que foram realmente regenerados, ou seja, aqueles que são crentes genuínos, estão totalmente seguros em Cristo e Deus os preservará de cair totalmente graça. É Deus quem faz com que eles perseverem. Eles, assim como o filho pródigo, podem se desviar temporariamente, mas a graça eficaz do Pai os trará de volta, convencendo-lhes do seu pecado. Eles, como a ovelha perdida, podem se desgarrar, mas o Bom Pastor não descansará até que os encontre de novo e os traga ao redil.
"Quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." (Romanos 8:35-39)
"Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." (Romanos 6:14)
"...Aquele que crê tem a vida eterna" (João 6:47).
"...quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida" (João 5:24).
"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne" (João 6:51).
"Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna" (João 4:14).
"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6).
"O Senhor aperfeiçoará o que me diz respeito..." (Salmo 138:8).
"...os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Romanos 11:29).
"E o testemunho é este: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho" (1 João 5:11).
"Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna" (1 João 5:13).
"Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados" (Hebreus 10:14).
"O Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial..." (2 Timóteo 4:18).
"Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou" (Romanos 8:29-30).
"E nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Efésios 1:5).
"Eu lhes dou (às Soas 'ovelhas', quer dizer, aos verdadeiros seguidores) a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai" (João 10:28-29).
"...hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, SE POSSÍVEL FORA, enganariam até os escolhidos" (Mateus 24:24). O crente, livre de preconceitos, prontamente compreende que é IMPOSSÍVEL enganar os escolhidos.
"Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós" (Romanos 8:34).
"Pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo"(1 Pedro 1:5).
"...Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra" (2 Coríntios 9:8).

Os exemplo bíblicos poderiam ser multiplicados. Os filhos de Deus jamais sofrerão o castigo eterno. Eles sofrem aqui, mas desfrutam de paz e glória no porvir. É por isso que Paulo disse que "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Romanos 8:18). Que durante o nosso sofrimento presente e temporário possamos glorificar a Deus pela Sua grande salvação, por Seu bendito Filho, por nos ter livrado de uma forma completa, segura e eficaz do sofrimento futuro, não porque merecêssemos, mas por pura e bendita graça.
Os carismáticos estão certos em afirmar que o crente não pode sofrer. Eles estão equivocados somente no que diz respeito ao tipo de sofrimento que eles não podem sofrer. Que Deus nos ajude a aceitar o Seu testemunho, a despeito de nossos preconceitos e falsas crenças!
Soli Deo Gloria!

[1] - Na verdade é uma eleição dentro da eleição da graça. Paulo disse em Romanos 11:5 que "também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça". Não é a este eleição que me refiro. Pois muitos dos que são eleitos, infelizmente não crêem nesta bendita verdade. Eu me refiro à eleição dos eleitos, ou seja, que dentre os eleitos há aqueles que foram graciosamente escolhidos para crerem nesta verdade. É pela graça que cremos em tudo o que Deus nos falou nas Escrituras. Por isso eu digo: "eleição dentro da eleição da graça".

O Sofrimento de Paulo - João Calvino


Por isso sofro dificuldades (2Tm 2.9-11). Aqui, ele antecipa uma possível objeção, visto que aos olhos dos ignorantes sua prisão denegria a credibilidade de seu evangelho. Ele reconhece que, diante de todas as aparências externas, outra coisa não é senão um criminoso, mas acrescenta que isso não impedia o evangelho de continuar sua livre trajetória. Ao contrário, o que ele sofre é para o bem-estar dos eleitos, porquanto seu propósito era confirmá-los. Tal é a inabalável coragem dos mártires de Cristo, quando se sentem tão enobrecidos pelo conhecimento da boa causa a que servem, que são capazes de suplantar não só dores e torturas corporais, mas até mesmo todo e qualquer gênero de desgraça. Além do mais, todos os piedosos devem tomar alento ao verem os ministros do evangelho sendo assaltados e insultados pelos adversários, de modo que nem por isso reverenciem menos o seu ensinamento; ao contrário, dêem glória a Deus ao verem como, pelo divino poder, o evangelho despedaça todos os obstáculos que o mundo põe em seu curso.

Se não fôssemos excessivamente devotados à carne, tal fato, por si só, seria suficiente para consolar-nos em meio às perseguições, ou seja, o conhecimento de que, ainda quando somos oprimidos pela crueldade dos ímpios, não obstante o evangelho se estende e se difunde mais amplamente. Por mais que tentem, estão mui longe de obscurecer ou de extinguir a luz do evangelho; o máximo que podem é fazê-la brilhar ainda mais claramente. Portanto, suportemos com alegria; ou, ao menos, com uma mente tranqüila; não importa se o nosso corpo e o nosso bom nome estejam encarcerados, contanto que a verdade de Deus se irrompa e seja difundida livremente por todo o mundo.

Portanto, suporta todas as coisas. Ele mostra, à luz de seus resultados, que sua prisão, longe de ser motivo de reprovação, é na verdade muitíssimo proveitosa para os eleitos. Ao dizer que Timóteo devia suportar todas as coisaspox causa dos eleitos, com isso ele demonstra que se preocupava mais com a edificação da Igreja do que com seu próprio bem-estar. Pois está pronto não só a morrer, mas ainda a ser tido no número dos criminosos, se porventura tal coisa promovesse o bem-estar da Igreja. Nesta passagem, o ensino é o mesmo que em Colossenses 1.24, onde ele diz que "cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a Igreja". Os papistas interpretam audaciosamente este texto, afirmando que a morte de Paulo foi uma satisfação por nossos pecados; o próprio texto, porém, refuta completamente tal idéia. Como se Paulo reivindicasse mais para sua morte do que para a confirmação dos piedosos na fé, pois ali imediatamente se deduz, à guisa de explicação, que a salvação dos crentes se acha fundada exclusivamente em Cristo. Uma abordagem mais completa de sua intenção se encontra na passagem que acabo de citar.

Com eterna glória. Eis o propósito da salvação que obtemos em Cristo. Pois o alvo de nossa salvação consiste em vivermos para Deus, e isso começa com nossa regeneração e se plenifica com nossa total libertação das misérias desta vida mortal, quando Deus nos tomar e nos reunir em seu reino. A esta salvação acrescenta-se a participação na glória celestial, glória esta de caráter divinal; e assim, para magnificar a graça de Cristo, ele chama nossa salvação de glória eterna.

Fiel é a palavra. Ele usa esta frase como prefácio ao que vem a seguir, porquanto nada há mais estranho à sabedoria da carne do que crer que devemos morrer a fim de vivermos, e que a morte é o pórtico de entrada para a vida. Deduzimos de outras passagens que era o costume de Paulo usar este prefácio antes de algo especialmente importante ou difícil de se crer. O significado é que a única forma de participarmos da vida e glória de Cristo é antes participando de sua morte e humilhação; como diz em Romanos 8.29, todos os eleitos foram "predestinados para serem conformados à imagem de seu Filho". Isso foi escrito tanto para exortar quanto para consolar os crentes. Quem poderia fracassar ao ser estimulado por esta exortação de que não devemos desesperar-nos por causa de nossas aflições, visto que teremos um feliz livramento delas? O mesmo pensamento abate e ameniza todas as amarguras geradas pela cruz, visto que nem dores, nem tormentos, nem reprovações, nem morte nos podem apavorar, uma vez que as compartilhamos com Cristo; e, especialmente, porque todas essas coisas são precursoras de nosso triunfo. Portanto, através de seu exemplo pessoal, Paulo injeta ânimo em todos os crentes para que, com o coração iluminado, pudessem suportar as aflições nas quais já têm uma prelibação da glória futura. Mas, se porventura isso for demais para crermos movidos por nossa própria iniciativa, e se a cruz nos subjugar e toldar nossa visão, nos impedindo de discernir a Cristo, lembremo-nos de empunhar este escudo: "Fiel é a palavra." Onde Cristo se faz presente, também presente está a vida e a bem-aventurança. Devemos manter-nos firmes a esta comunhão que temos com Cristo, para que não morramos em nós mesmos, mas com ele, para que sejamos companheiros de sua glória. Morte, aqui, significa a mortificação externa de que fala em 2 Coríntios 4.10.

Sofrimento - Essencial, não Opcional - John Piper

A DEMONSTRAÇÃO DA GLÓRIA DA GRAÇA DE DEUS NAS REALIZAÇÕES DE CRISTO POR MEIO DO SEU SOFRIMENTO

Considere a revelação da glória da graça de Deus nas realizações de Cristo por seus sofrimentos.

1. Cristo absorveu a ira de Deus em nosso lugar — e ele fez isso por meio do sofrimento

Gálatas 3.13: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro". A ira de Deus que causaria nosso sofrimento eterno caiu sobre Cristo. Essa é a glória da graça, e só poderia vir por meio do sofrimento.

2.       Cristo carregou os nossos pecados e comprou o nosso perdão - e ele fez isso mediante o sofrimento

IPedro 2.24: "Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados". Isaías 53.5: "Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades". Os pecados que deveriam ter nos esmagado sob o peso da culpa foram transferidos para Cristo. Essa é a glória da graça e só poderia acontecer por meio do sofrimento.

3.       Cristo providenciou para nós uma perfeita retidão que se torna nossa nele - e ele fez isso mediante o sofrimento

Filipenses 2.7,8: "Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". A obediência de Cristo pela qual muitos são reputados justos (Rm 5.19) deveria ser uma obediência até à morte, e morte de cruz. Essa é a glória da graça e apenas poderia vir por meio do sofrimento.

4.       Cristo venceu a morte - e ele fez isso sofrendo a morte

Hebreus 2.14,15: "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida". "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de Jesus Cristo" (ICo 15.55-57). Essa é a glória da graça e só poderia ter vindo por meio do sofrimento.

5.       Ele desarmou Satanás - efez isso pelo sofrimento

Colossenses 2.14,15: "Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós [...] removeu-o inteiramente encravando-o na cruz; e despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando dele na cruz". Quando o registro de todas as nossas dívidas é pregado na cruz e cancelado, o poder de Satanás para nos destruir é quebrado. Satanás tem apenas uma arma que pode nos condenar ao inferno - pecado não perdoado. Essa arma Cristo arrancou das mãos de Satanás na cruz. Essa é a glória da graça, e somente poderia vir por meio do sofrimento.

6.       Cristo conquistou cura perfeita e final para todo o seu povo - e fez isso pelo sofrimento

"... o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is 53.5). "Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda a lágrima" (Ap 7.17). O Cordeiro foi morto e o Cordeiro foi ressuscitado dos mortos e o Cordeiro com o Pai enxugará toda a lágrima de nossos olhos. Essa é a glória da graça, e somente poderia vir mediante o sofrimento.

7.       Cristo nos levará finalmente a Deus - e fará isso por meio do seu sofrimento

1 Pedro 3.18: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus". A conquista final da cruz não é ficarmos livres de doenças, mas sim, comunhão com Deus. Essa foi a razão pela qual Deus nos criou: ver, saborear e mostrar a glória de Deus. Essa é a glória da graça e só poderia acontecer pelo sofrimento.

A RAZÃO FINAL PARA A EXISTÊNCIA DO SOFRIMENTO

O propósito último do universo é demonstrar a glória da graça de Deus. A mais alta, mais clara e mais absoluta demonstração desta glória está no sofrimento da melhor pessoa do universo em favor de milhões de pecadores indignos. Portanto, a razão última para a existência do sofrimento no universo é que Cristo possa revelar a grandeza da glória da graça de Deus sofrendo ele mesmo para sobrepujar nosso sofrimento e ocasionar o louvor da glória da graça de Deus.

Cristão, lembre-se do que Carl Ellis, David Powlison, Mark Talbot, Steve Saint, Joni Eareckson Tada e Dustin Shramek dizem neste livro: todos eles, à sua própria maneira dizem que, quer sejamos perfeitos ou soframos com alguma deficiência, quer estejamos enfrentando perdas ou apreciando os amigos, sofrendo dor ou saboreando o prazer, todos nós que cremos em Cristo somos imensuravelmente ricos nele e temos muito por que viver. Não desperdice sua vida. Saboreie as riquezas que você tem em Cristo e gaste-se, qualquer que seja o custo, em espalhar essas riquezas por este nosso mundo desesperado.


 




Série Livros para Ler - O Problema do Sofrimento - C.S.Lewis




Sinopse

Em 'O problema do sofrimento', o maior pensador cristão de nosso tempo trouxe à luz a complicada discussão sobre um dos temas mais difíceis do cristianismo - o sofrimento. Nos tempos de aflição, muitas são as perguntas que angustiam as pessoas em todo o mundo:
* Por que sofremos?
* Se Deus é bom e todo-poderoso, por que permite que suas criaturas sofram?
* A aflição faz parte do plano divino para nosso aperfeiçoamento ou é simplesmente um capricho dele?
A leitura deste clássico ajudará você a manter uma postura adequada nos momentos de dor. A riqueza verdadeira dos filhos de Deus está em outro mundo e o único tesouro real é a presença inefável de Cristo.




                                                                                          

12 de fev. de 2011

Um Chamado Para Angústia - David Wilkerson


ANGÚSTIA: Sentir o que DEUS sente, através do Espírito Santo.
E por que ANGÚSTIA? Por causa do terrível estado de declínio moral que a humanidade se encontra, e ainda pelos caminhos apóstatas que a Igreja tem andado.



31 de jan. de 2011

O Sofrimento deve ser Valorizado – J. I. Packer



Este pensamento lhe perturba? Não deveria. O mundo não vê nenhum valor no sofrimento. Também não tem nenhuma razão para ver. Mas os cristãos estão em uma posição diferente, pois a Bíblia lhes garante que Deus santifica o seu sofrimento e produz, ao final, um resultado bom. Não devemos nem mesmo fingir mostrar, em uma exibição de orgulho estóico, que não sentimos nenhuma dor ou angústia. Por outro lado, não devemos passar o nosso precioso tempo discorrendo sobre como sofremos, porque isto seria uma autocomiseração pecaminosa. Em qualquer dos casos, existem coisas mais importantes a serem feitas. Nossa tarefa é suportar o sofrimento, não como se fosse algo prazeroso, pois não o é, mas com o entendimento de que Deus não deixará que ele nos massacre e que o usará, sobrenaturalmente, para produzir, pelo menos, três bons resultados.

1. Nosso Sofrimento Produz Caráter. Deus faz com que as nossas feridas sejam um instrumento para nossa transformação moral, nos assemelhando à imagem do nosso Salvador. "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança" (Rm 5.3,4; Tg 1.2-4). A maneira como isto acontece é explicada em Hebreus 12.5-11, conforme já vimos anteriormente. O escritor, tendo conclamado os seus leitores para que corram a corrida da vida com os olhos fixos em Jesus, sem dar nenhum espaço para o pecado, segue dizendo-lhes que suas dores e aflições são o treinamento moral aplicado pelo Pai celestial, infligidos, não como resultado de uma indiferença brutal, mas para conduzi-los a um estágio de vida santa. "É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos); pois que filho há que o pai não corrige? (...) Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça" (Hb 12.7,10,11). As cicatrizes ligam-se à santidade. A dor tem um efeito educacional.

Dor educacional? Isto soa muito brutal! Mas ela é algo muito real! "Que filho há que o pai não corrige?" Pais que realmente amam seus filhos gastam tempo em sua disciplina, quando jovens, para que possam, um dia, ser adultos que irão deixá-los orgulhosos. Esta é a pura verdade. Qual é a alternativa? "Se estais sem correção (...) sois bastardos e não filhos" (Hb 12.8). O cenário triste, no qual o pai biológico não assume a responsabilidade pelo bem-estar de seus filhos ilegítimos (e dos legítimos também, em alguns casos), era tão familiar no mundo antigo quanto o é no inundo atual. O fato é que, sem a santidade que vem por meio da disciplina de Deus, "ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Mas se Deus está usando o problema para nos treinar na área da retidão, aqui e agora, isto mostra que ele está nos preparando para uma eternidade de alegria com o nosso Senhor Jesus Cristo sentado à sua destra. É assim que o nosso Santo Pai, no céu, trabalha para o nosso bem.

A educação divina, que estamos discutindo agora, tem dois lados. O primeiro foi expressado por George Whitefield, o famoso evangelista do século 18 que falou do nosso bondoso Senhor colocando espinhos em nossas camas para evitar que, como aconteceu com os discípulos no Getsêmani, não sejamos achados dormindo, quando deveríamos estar vigiando e orando. Assim como o desconforto corporal nos mantém acordados fisicamente, a ausência de situações confortáveis e contentes nos manterão espiritualmente alertas.

O segundo lado é revelado pela palavra dada por Jesus a cada um que queira ser seu discípulo, quando disse: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23; cf. 14.27). As únicas pessoas, nos dias de Jesus, que carregavam suas próprias cruzes eram os marginais, escravos ou não-judeus, condenados a levá-las até o lugar de sua crucificação. Eles eram pessoas que tinham perdido os seus direitos civis e a quem a sociedade havia declarado que os preferia ver mortos, cujo sofrimento iminente e devemos nos lembrar que a crucificação era a forma mais cruel de execução -não motivaria ninguém a fazer nada por eles. Jesus, ao final de sua vida, literalmente, juntou-se a esta categoria. Mas o que ele estava dizendo, nas palavras mencionadas anteriormente, era que, moralmente, já se encontrava crucificado, pela atitude negativa do povo em relação a ele. Os seus seguidores, então, precisam também, claramente, aceitar tal atitude negativa da comunidade ao seu redor, pois isto é o que acontecerá se eles forem leais ao Senhor.

Este é o significado real do "negar-se a si mesmo" - não um simples retorno à alguma forma de comodismo privado, mas uma submissão total do desejo natural de ter um bom status, aceitação e respeito. Implica em estar preparado para ser rejeitado como alguém sem valor e dispensável e destituído dos seus próprios direitos.

Schmidt, corretamente, enfatiza este ponto:

Em sua primeira epístola, Pedro escreve: "Se quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus" (IPe 2.20). Ele começa o versículo seguinte, dizendo: "Porquanto, para isto mesmo fostes chamados" (IPe 2.21), e segue descrevendo o exemplo de Cristo. O sofrimento construtivo, ou a dor educacional, é essencial em uma vida de fé. O apóstolo Paulo também expressa esta mesma idéia. Em Romanos 8.17, ele faz do sofrimento uma condição da herança eterna, chamando os cristãos de "co-herdeiros com Cristo". Se, de fato, "com ele sofrermos, também com ele seremos glorificados". Em Filipenses 1.29, Paulo escreve que "vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele".

O sofrimento é, então, visto como uma vocação que nos prepara para a glória com Cristo ao nos aproximar da santidade de ser como Cristo, em nossa reação à nossa experiência de querer o que não temos, enquanto tendo o que não queremos.

A palavra grega traduzida por "experiência", em nossa tradução Revista e Atualizada, é dokime, que, muitas outras versões, traduzem por "caráter". Estritamente falando, este termo expressa o pensamento complexo de uma qualidade provada, reconhecida e aprovada como tal, por uma pessoa ou grupo interessado - neste caso, o próprio Deus. A razão pela qual dokime traz esperança (confiança de que a alegria e a glória com Cristo serão a nossa herança final) não é a de

que as pessoas que permaneceram firmes, ao longo dos momentos de abundância e de penúria, podem, agora, expressar votos de confiança nelas mesmas, mas que o Deus, a quem elas servem, gera dentro delas uma convicção de que, pela força dele, elas foram aprovadas nos testes que ele mesmo impôs. Sua paciência, ao mostrarem lealdade a ele, mesmo diante da pressão que passaram, foi, na verdade um dom de Deus para elas, e isto as deixou mais fortes do que nunca. Os cristãos que têm passado por tempos difíceis por causa do Senhor são produtos testados, de qualidade comprovada. Dokime indica este estado de experiência triunfante, com o selo da aprovação divina estampado sobre eles.

Paulo diz que dokime produz esperança. Nosso entendimento da glória da vida por vir é aprimorado e nosso desejo por ela é intensificado, em ambos os casos, como uma derivação espontânea do conhecimento da aprovação divina e como um fruto direto do entendimento de que a agonia tem, de fato, aumentado a nossa capacidade de nos alegrar na glória final, quando ela acontecer. Paulo é bastante claro a respeito disto, em 2 Coríntios 4.17,18, quando, falando a partir de suas experiências de ter a vida posta em risco (1.8-10), ele diz, não com ironia, mas expressando sua honesta avaliação retrospectiva: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas". Naturalmente, não é o pensamento de Paulo, que o sofrimento conduz à glória, no sentido de que o trabalho gera o salário; nem que cria a glória, no sentido de que o escultor cria a estátua. A sua intenção é deixar claro que, da mesma maneira que uma pessoa, após ter passado por enfermidades e dor, aprecia muito mais a saúde do corpo, o sofrimento nos deixa mais preparados do que estávamos antes para apreciar a glória que há de vir. O texto de Romanos 8 contém uma avaliação e testemunho semelhantes: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós (...) E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo (...) Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos". Como parte integral na formação do caráter cristão, que o fogo do sofrimento aprimora, está a profunda paixão pela alegre esperança e esperançosa alegria.

Esta paixão, que podemos ver fortemente presente, tanto em Cristo quanto em Paulo, também achava-se presente em Moisés. "Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão (Hb 11.24-26, grifo meu). Deixemos Moisés ser um exemplo de vida para nós em termos da nossa esperança de descobrir, como Paulo disse, que, como a ausência faz aumentar a paixão do coração, assim também a pressão faz a esperança mais luminosa. Quando os cristãos perseveram, mesmo diante dos sofrimentos, no poder do Espírito Santo, o resultado normal é a esperança ainda mais radiante.

27 de jan. de 2011

Teologia de Sofrimento - Mauricio Andrade


Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
Isaías 45.7
Teologia de SofrimentoMoro no estado do Rio de Janeiro e, com tristeza, vemos mais uma vez, no início deste ano – como aconteceu no passado em outras regiões do estado – a morte de centenas de pessoas em função das chuvas, comuns nessa época do ano. As causas da tragédia, no entanto, não podem ser circunscritas à precipitação das águas. A ausência do Poder Público, a obstinação de alguns moradores, a pobreza, a corrupção, etc, podem ser discutidas, analisadas e investigadas na esperança – às vezes muito fraca, mas sempre insistente – de que tudo isso não se repita futuramente. E cristãos devem participar ativamente de todo esse processo.
Mas minha intenção hoje é levantar a questão das modificações teológicas que tendem a acontecer formalmente – no meio acadêmico e pastoral, e informalmente – entre os crentes, membros das igrejas. O ponto em questão é a forma como o contato com o sofrimento, pode produzir em nós uma hermenêutica idólatra e desembocar, necessariamente, numa Teologia de Sofrimento, não fundamentada na Revelação, nas Escrituras, mas na contundência da experiência humana. As teologias relacionais são um exemplo disso, como o Teísmo Aberto; mas não quero olhar para essas teologias em si, e sim para seu ponto de partida.
Uma hermenêutica idólatra é aquela que nos projeta sobre o texto bíblico. Seu resultado principal é uma deformação do caráter de Deus e do Evangelho. Tendem a surgir como consequência de uma experiência dramática somada a uma re-leitura da Escritura, agora orientada pela tal experiência. Mas, em um nível não acadêmico, são formuladas nos bancos das igrejas quando crentes que não recebem boa instrução bíblica constroem, em seus enfrentamentos diários, conceitos e imagens de Deus, do Evangelho e do mundo, que se afastam da doutrina e do ensino que a igreja tem, tradicionalmente, mantido – principalmente em sua vertente reformada. Essa hermenêutica é idólatra porque afirma nossa superioridade sobre a Revelação, de modo que deixamos de ter boa vontade com o texto bíblico e o sujeitamos a uma interpretação que assegure, não somente aceitação racional, mas também conforto emocional – ainda que este último se baseie numa falsa segurança.
O texto que encabeça este post nos dá boa oportunidade de investigar essa questão. Seu contexto, no livro do profeta Isaías, é o de uma advertência severa contra a idolatria. A idolatria não começa quando alguém forja uma imagem de escultura e se curva diante dela. Essa é, tão somente, sua expressão gráfica, estética, ritualística. A idolatria tem início no exato momento em que voltamos nossos olhos de Deus para nós mesmos. E, acredite, nosso primeiro ídolo é sempre aquele cuja imagem vemos no espelho. Toda expressão de idolatria, seja ela religiosa, filosófica ou social, tem como base nossa auto-adoração. Daí, o processo continua num ciclo de auto-engano e, frequentemente se projeta para fora de nós. Uma leitura de Isaías 44.12-20 nos assegura desse fato. Fomos criados para adorar a Deus; nosso coração tem essa constituição. O pecado quebra essa orientação original e, não encontrando o Criador, nosso coração se volta, necessariamente, para alguma parte da Criação – começando por nós mesmos. Isso deturpa toda a nossa apreensão da realidade e nos cega para o fato de que não podemos confiar em nossas capacidades quando se trata de determinar verdade e mentira (Is 44.20). E o problema não é que não saibamos algo da verdade, mas que somos, por natureza – depois da Queda – deturpadores da verdade (Rm 1.18-23 e 25).
Isso tudo, por si só, já é um problema enorme, além de ser essa a condição em que todos nascemos. Mas quando essa característica do ser humano decaído parece ressurgir no pecador redimido estamos, realmente, numa situação ruim. Assim, quando teólogos e formadores de opinião no meio evangélico, em virtude de catástrofes e do sofrimento humano começam a pensar a Bíblia a partir do impacto que tais eventos têm sobre eles, ficamos à mercê da subjetividade, das circunstâncias e da possibilidade de, mais adiante, mudarmos outra vez nossas convicções quando novos eventos ocorrerem. O dano não é menor quando tal processo de dá nos bancos das igrejas, com cristãos dizendo como Deus deve ser e agir – ao invés de aceitarem o testemunho que Deus dá se si mesmo. O pior estrago é que roubamos a glória do Criador: terminamos com um Deus impotente, uma Escritura não confiável e um Evangelho que não salva! Anulamos a graça e nos tornamos inúteis (Rm 1.21)!
É uma necessidade urgente que rejeitemos a tentação de fazer teologia a partir do sofrimento humano e retornemos às Escrituras como ponto de partida para o pensar e viver cristãos. E urge que ensinemos os membros de nossa igreja a lerem a Palavra tendo Cristo como referencial maior.
Compreendo que é sempre muito difícil tratar de qualquer questão quando sentimentos estão envolvidos. Lembro-me quando uma senhora, durante o estudo da Escola Dominical, perguntou-me se seu pai havia sido salvo. Ele nunca dera crédito ao Evangelho e havia falecido após um tempo de internação hospitalar no qual perdera a capacidade de interagir – embora parecesse entender o que se lhe dizia. Ela lhe falou outra vez do Evangelho mas não podia obter dele nenhuma resposta. “Pastor, meu pai foi para o céu ou para o inferno?”
Quando milhares de pessoas morrem por causa de um tsunami, ou centenas por causa da chuva, as questões sobre o caráter de Deus, sua justiça, bondade e onipotência logo vêm à mente. A tentação de se buscar respostas que nos satisfaçam e nos confortem o mais rapidamente possível é muito grande. Assim como produzir uma apresentação do Evangelho que seja mais palatável a homens e mulheres que estão em meio ao sofrimento e/ou confusos por causa dele. Mas essa é uma segurança falsa. É fruto da idolatria e não da fé. Não pode nem consolar nem fortalecer os necessitados.
Quando leio Isaías 45.7 fico confortado! Não são as circunstâncias que controlam minha vida. Não são os pecadores – por mais poderosos que sejam – que determinam meu destino. Não é o diabo que fez ou deixou de fazer isso ou aquilo. É o meu Deus, meu Criador e Salvador que está no controle de tudo. João Calvino diz, nas Institutas, que quando a terra produz boa colheita, creditamos a Deus e o louvamos por isso; quando, porém, vem a seca e a produção falha, creditamos o destino ou forças naturais. Mas quem tem o controle de todas as coisas, sejam boas ou más? É muito bom saber que Aquele que é justo e bom, santo e gracioso, é quem domina sobre tudo e sobre minha vida. Não preciso mudar a doutrina para tentar ter uns poucos grãos de tranquilidade. Eu já tenho tudo de que preciso na Revelação que ele deu de si mesmo e do mundo, nas Escrituras. É essa a fonte básica e determinante de todo o pensar teológico – e à qual sujeitamos, alegremente, toda experiência, intuição e imaginação!

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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