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28 de out. de 2011

Meu coração não santificado contamina tudo - Thomas Watson (1620-1686)



1.      Pelo contato com a Palavra de Deus: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). A Palavra é tanto um espelho para nos mostrar as manchas de nossa alma quanto uma banheira para nos lavar. A palavra tem uma virtude transformadora em si, ela ilumina a mente e consagra o coração.


2.      Tenha fé no sangue de Cristo. "Purificando-lhes pela fé o coração" (At 15.9). A mulher que tocou na vestimenta de Cristo, no evangelho, foi curada. Um toque de fé purifica. Nada pode ter mais força sobre o coração, para santificá-lo, que a fé. Se eu creio que Cristo e seus méritos são meus, como posso pecar contra ele? A fé da justificação faz isso em um sentido espiritual, ela é miraculosa, ela remove montanhas, as montanhas do orgulho, da luxúria e da inveja. A fé e o amor ao pecado são inconsistentes.


3.      Viva pelo Espírito. Isso é chamado de "Santificação do Espírito" (2Ts 2.13). O Espírito santifica o coração como o relâmpago purifica o ar e o fogo refina metais. A ação do Espírito gera sua própria imagem em todo lugar. O Espírito imprime sua própria santidade no coração, como o carimbo imprime autenticidade sobre o documento. O Espírito de Deus em um homem perfuma com santidade e torna seu coração um mapa para o céu.


4.      Associe-se com pessoas santificadas. Por meio de seus santos conselhos e exemplos, elas podem incentivar você a ser mais santo. Assim como a comunhão dos santos está em nosso Credo Apostólico, deveríamos também pensar a respeito de nossas companhias: "Quem anda com os sábios será sábio" (Pv 13.20). A associação produz assimilação.


5.      Ore pedindo santificação. Jó propõe uma questão: "Quem da imundícia poderá tirar coisa pura?" (Jó 14.4). E a resposta é: Deus pode.
De um coração imundo ele pode produzir graça. Façamos da oração de Davi a nossa oração: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro" (SI 51.10). Apresente seu coração diante de Deus e diga: "Senhor, meu coração não santificado contamina tudo o que toca. Não é conveniente que eu viva com tal coração, pois não posso honrar ao Senhor; nem morrer com tal coração, pois não poderei ver o Senhor. Cria em mim, ó Deus, um novo coração. Senhor, consagre meu coração e faça dele o teu templo e teus louvores serão entoados nele para sempre".


Deus produziu algo puro de algo impuro? Ele santificou a sua vida? Use esta jóia da santificação com gratidão: "Dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz" (Cl 1.12). Cristão, você pode se contaminar, mas não se santificar. Mas Deus o fez, ele não somente enjaulou o pecado, mas mudou a sua natureza e faz de você como a filha de um rei, cheio de glória por dentro. Ele colocou sobre você o brasão da santidade, embora possa ser atacado, nunca poderá ser derrotado. Alguém aqui está santificado? Deus fez mais por você do que por milhões, pois eles foram iluminados, mas não foram santificados. Ele fez mais por você que se tivesse feito de você o filho de um príncipe e que andasse nos lugares mais altos da terra. Você está santificado? O céu começou em você, a felicidade é a essência da santidade. Quão agradecido você deveria ser a Deus. Faça como aquele cego no evangelho depois que recebeu a visão de volta: "e seguia-o glorificando a Deus" (Lc 18.43). Faça o céu estremecer com louvores a Deus.

24 de out. de 2011

Não há Casualidade em Deus – Thomas Watson (1620-1686)




a.       A providência divina é predeterminada, mesmo que para nós pareça casualidade.


Uma segunda proposição é que essas providências, que para nós são eventuais e acidentais, são predeterminadas pelo Senhor. A queda de uma telha sobre a cabeça de alguém e o surgimento de um incêndio, o que nos parecem casuais, são, na verdade, ordenados pela providência de Deus. Tem-se um claro exemplo disso em 1 Reis 22.34: "Então, um homem entesou o arco e, atirando ao acaso, feriu o rei de Israel por entre as juntas da sua armadura". Esse acidente foi casual para o homem que entesou o arco, mas era divinamente ordenado pela providência de Deus. A providência de Deus dirigiu a flecha para que atingisse o alvo. As coisas que parecem acidentais, ou por acaso, são os canais dos decretos de Deus e a interpretação da sua vontade.


b.      A providência divina deve ser considerada, mas não deve se tornar uma regra para nossas ações


Devemos considerar a providência de Deus em todos os aspectos de nossa vida, mas não devemos agir como que esperando apenas por ela. "Quem é sábio atente para essas cousas" (SI 107.43). É bom observar a providência, mas não devemos fazer dela nossa regra de vida. A providência é um diário do cristão, mas não sua Bíblia. As vezes, um motivo ruim predomina e se estabelece, porém, não deve ser apreciado por predominar. Não devemos pensar o melhor de algo que é pecado, simplesmente porque é bem-sucedido. Tais fatos não devem se tornar regra para o direcionamento de nossas ações.

c.       A providência divina é irresistível, nada há que impeça sua realização.


Não há no caminho da providência de Deus nada que a embarace. Quando chegou o tempo da soltura de José, a prisão não mais pôde detê-lo. "O rei mandou soltá-lo" (SI 105.20). Quando Deus satisfez os judeus com liberdade de religião, Ciro, pela providência, baixou uma proclamação encorajando-os a irem a Jerusalém para construir o templo e adorar a Deus (Ed 1.2,3). Se Deus pretendia defender e proteger a pessoa de Jeremias no cativeiro, o próprio rei da Babilónia iria alimentar o profeta e dar ordens para que nada lhe faltasse (Jr 39.11,12).


d.      A providência divina é plena de confiança, mesmo quando todas as circunstâncias parecem contrárias.


Deve-se confiar em Deus quando suas providências parecem contrárias às suas promessas. Deus prometeu dar a coroa a Davi, fazê-lo rei. Porém, a providência caminhava em direção contrária a essa promessa. Davi foi perseguido por Saul e ficou em perigo de morte, porém era dever de Davi confiar em Deus. Por favor, note que o Senhor, por intermédio das providências da cruz, sempre cumpre sua promessa. Deus prometeu a Paulo a vida de todos aqueles que estavam com ele no navio; mas, a providência de Deus parecia contrária a essa promessa, pois os ventos sopravam e o navio rachou e partiu-se em pedaços. E foi assim que o Senhor cumpriu sua promessa: boiando sobre os pedaços do navio, eles chegaram a salvo na praia. Confie em Deus quando as providências parecem contrárias às promessas.


e.       As providências de Deus são um conjunto de vicissitudes, são entrelaçadas



Na vida futura não haverá misturas: no inferno só haverá amargura, no céu, somente doçura. Porém, nesta vida, as providências de Deus são misturadas, há nelas tanto algo doce como algo amargo. As providências são como a coluna de nuvem de Israel, que conduzia o povo em sua marcha, que era escura de um lado e tinha luz do outro. Na arca estavam a vara e o maná, assim são as providências de Deus para seus filhos: há algo da vara e algo do maná. Dessa maneira, podemos falar, como Davi: "Cantarei a bondade e a justiça" (SI 101.1). Quando José estava na prisão, estava do lado escuro da nuvem; mas Deus estava com José, era o lado luminoso da nuvem. Os sapatos de Aser eram de bronze, mas seus pés eram banhados em azeite (Dt 33.24). Portanto, a aflição é o sapato de bronze que aperta, mas há graça misturada à aflição, por isso os pés estão banhados em azeite.


A mesma ação, se vier da providência de Deus, pode ser boa; mas se vier dos homens pode ser pecado Por exemplo, José vendido ao Egito por seus irmãos foi pecado, muito perverso, foi o fruto da inveja deles. Porém, como ato da providência de Deus foi bom porque, por causa disso, Jacó e toda a sua família foram preservados no Egito. Outro exemplo é a maldição de Simei sobre Davi. Simei amaldiçoou Davi, e isso foi perverso e pecaminoso, pois foi consequência de sua malícia. Porém, como sua maldição foi ordenada pela providência de Deus, foi um ato da justiça do Senhor para punir Davi e humilhá-lo por seu adultério e assassinato. A crucificação, como vinda dos judeus, foi um ato de ódio e de maldade contra Cristo. A traição de Judas foi um ato de cobiça. Porém, como cada um desses acontecimentos foi, também, um ato da providência de Cristo, então havia bondade neles. A morte de Cristo foi um ato do amor de Deus pelo mundo.

23 de out. de 2011

Seja como Cristo! - Thomas Watson (1620-1686)




Sejamos como Cristo em relação a sua disposição. Ele tinha uma disposição muito agradável. Cristo é "o deleite da humanidade", muito acima de Tito Vespasiano. Cristo convida pecadores a virem até ele. Ele tem entranhas para sentir misericórdia de nós, alimentos para nos alimentar, asas para nos cobrir. Ele nunca feriria nosso coração, mas só usaria misericórdia. Cristo foi feito a nossa semelhança? Então, sejamos como ele em doçura de disposição; não sejamos de um espírito moroso. O seguinte foi dito de Nabal: "Ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar" (ISm 25.17). Alguns são tão bárbaros como se fossem amigos de avestruz, são cheios de ira e respiram nada mais que vingança, ou são como aqueles homens no evangelho: "Endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho" (Mt 8.28). Sejamos como Cristo na mansidão e na doçura. Oremos por nossos inimigos e os vençamos pelo amor. A bondade de Davi derreteu o coração de Saul (ISm 24.16). Um coração congelado será derretido com o fogo do amor.


Sejamos como Cristo na graça. Ele foi como nós na carne, sejamos como ele na graça. Devemos nos esforçar para ser como Cristo em humildade: "A si mesmo se humilhou" (Fp 2.8). Ele abandonou as vestimentas reluzentes de sua glória para ser vestido com os trapos de nossa humanidade. Que humildade maravilhosa. Sejamos como Cristo nessa graça. "Humilhação", diz Bernardo, "é um desprezo da própria excelência", um tipo de auto-aniquilação. Essa é a glória de um cristão. Aos olhos de Deus, nunca somos tão atraentes, a não ser quando somos sujos aos nossos próprios olhos. Sejamos assim como Cristo. A religião verdadeira é imitar a Cristo. De fato, é maravilhoso ser humilde, olhar dentro de nós, para baixo de nós, acima de nós.

Quando olhamos dentro de nós, vemos nossos pecados como que no espelho da consciência: luxúria, inveja e paixões. Nossos pecados são como vermes rastejando para dentro de nossas almas: "Quantas culpas e pecados tenho eu?" (Jó 13.23). Nossos pecados são como a areia do mar, como as rochas do mar são pesados. Agostinho declara: "O meu coração, que é o templo de Deus, está poluído com o pecado".

Quando olhamos ao nosso redor, vemos algo que pode nos tornar humildes. Vemos outros cristãos se sobressaindo em relação a nós com seus dons e graças, assim como o Sol se destaca em relação às estrelas. Outras pessoas são agraciadas com frutos, talvez tenhamos aqui e ali uma frutinha crescendo que manifeste adequadamente o que somos (Is 17.6).

Quando olhamos abaixo de nós, vemos alguma coisa que pode nos fazer humildes. Podemos ver a terra de onde viemos. A terra é o elemento mais vil que há: Eram mais vis que a terra (Jó 30.8).83 Você que mostra sua insígnia e refulge seu brasão, olhe bem qual é a sua origem. Você é formado somente por cinzas ambulantes. Por que você é tão orgulhoso? O que foi Adão? O filho do pó da terra. E o que é o pó? O filho do nada.

Quando olhamos acima de nós, também vemos algo que pode nos fazer humildes. Olhando para o céu se vê Deus resistindo ao orgulhoso. Deus persegue o orgulhoso para se vingar. O homem orgulhoso é o alvo no qual Deus atira e nunca erra. Deus lançou o orgulhoso Lúcifer para fora do céu. Ele tirou o orgulhoso Nabucodonosor de seu trono e o fez comer grama (Dn 4.25). Sejamos como Cristo na humildade.

Cristo tomou nossa carne? Ele foi feito como nós? Sejamos como ele no zelo: "O zelo da tua casa me consumirá" (Jo 2.17). Ele foi zeloso quando tentaram desonrar seu Pai. Sejamos também como Cristo nisto, zelosos para com a verdade e a glória de Deus que são as duas pérolas orientais da coroa do céu. O zelo é tão necessário para o cristão quanto o sal ou o fogo do altar para o sacrifício. O zelo sem a prudência é insensatez, prudência sem zelo é covardia. Sem o zelo nossos serviços não são aceitáveis

a Deus. O zelo é como a resina para os fios do violino, sem os quais o músico não produz a música.

Seja como Cristo em relação ao desprezo ao mundo. Quando Cristo tomou nossa carne não veio no orgulho dela, não veio de uma descendência imediata de reis e de nobres, mas de uma parentela simples. Cristo não tinha ambição de títulos ou de honra. Ele os declinou com a grandeza mundana na mesma intensidade que outros os buscam. Quando poderia se fazer rei, ele o recusou. Ele preferiu cavalgar nas costas de um burro que ser levado em uma carruagem, preferiu ser pendurado numa cruz de madeira que usar uma coroa dourada. Ele rejeitou a pompa e a glória do mundo. Ele abriu mão de assuntos seculares: "Quem me constituiu juiz?" (Lc 12.14). Sua obra não era arbitrar em questões da lei, veio ao mundo não para ser um magistrado, mas um redentor. Ele era como uma estrela em uma órbita mais alta, importava-se somente com o céu. Cristo foi feito como nós? Sejamos como ele, apegados aos céus e não ao mundo. Não sejamos ambiciosos de honras e de vantagens do mundo. Não compremos o mundo com a perda da boa consciência. Que sábio gostaria de perder a sua alma para ficar rico? Quem jogaria sua alma no inferno a fim de construir uma propriedade? Seja como Cristo em um santo desprezo do mundo.


Seja como Cristo em suas conversas. Cristo se encarnou? Ele foi feito como nós? Sejamos como ele na santidade de vida. Nenhuma tentação poderia pegá-lo: "Aí vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em mim" (Jo 14.30). A tentação para Cristo era como uma fagulha sobre um pilar de mármore que desaparece rapidamente. "A vida de Cristo", diz Crisóstomo, "era mais brilhante do que os raios do Sol". Sejamos como ele nisto: "Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento" (IPe 1.15). Agostinho dizia que nós não temos de ser como Cristo no exercício dos milagres, mas na vida > santa. Um cristão deveria ser tanto uma magnetita quanto um diamante. Uma magnetita ao atrair outros para Cristo, um diamante ao emitir uma luz brilhante de santidade em sua vida. Sejamos justos em nossos negócios, verdadeiros em nossas promessas, devotos em nossa adoração, sem mancha em nossas vidas a tal ponto de sermos figuras ambulantes de Cristo. Assim como Cristo foi feito à nossa semelhança, lutemos para ser feitos à semelhança dele.

21 de out. de 2011

A Loucura de Amar o Pecado – Thomas Watson (1620-1686)


 

Primeiro: observe quão mortífero é um pecado maligno, e como é surpreendente que alguém possa amá-lo. "Até quando... amareis a vaidade?" (SI 4.2). "Embora eles olhem para outros deuses e amem bolos de passas" (Os 3.1). O pecado é uma iguaria da qual os homens não conseguem se abster, embora lhes faça mal. Quem lavaria uma pocilga com água de rosas? Que lástima que uma afeição tão doce como o amor seja colocada sobre uma coisa tão imunda como o pecado.


O homem ama o pecado, mesmo que o lhe cause uma ferroada na consciência e lhe traga uma maldição. Um pecador é aquele que mais se auto-contradiz; por causa de seu pecado nega a si mesmo uma parte no céu.


Segundo: faça outra coisa em vez de pecar. Odeie o pecado. Há mais malignidade no menor pecado que na maior possessão maligna que pode se manifestar para nós. O arminho prefere morrer a sujar sua linda pelagem. Há mais malignidade numa gota de pecado que num mar de aflição. A aflição é apenas um rasgão num casaco, já o pecado é como uma pontada no coração.


Na aflição há algo de bom - nesse leão há algum mel. "Foi-me bom ter eu passado pela aflição" (SI 119.71). Agostinho disse: "A aflição é o malhar de Deus para debulhar nossas cascas; não para consumir, mas para refinar". Não há nada de bom no pecado, ele é o espírito e a quintessência do mal. O pecado é pior que o inferno, pois as dores do inferno são um fardo somente para a criatura; porém, o pecado é um fardo para Deus.


Terceiro: o pecado é um mal muito grande! Então, deveríamos ser gratos a Deus, se retirou nosso pecado. "Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniqüidade" (Zc 3.4). Se você fosse portador de uma doença, praga ou hidropisia quão agradecido seria se ficasse curado. Mais ainda quanto a ficar livre do pecado. Deus tira a culpa do pecado com a graça perdoadora; o poder do pecado, com a graça mortificadora.


Agradeça porque essa doença não "é para morte"; porque Deus transformou sua natureza e, pelo enxerto em Cristo, fez de você um participante da doçura da oliveira; porque o pecado, embora viva, não reina; porque o mais velho serve ao mais novo: o pecado (o mais velho) serve à graça (a mais nova).

19 de out. de 2011

Como Tirar o Máximo da Sua Leitura Bíblica - Thomas Watson


01) Remova obstáculos:
a) remova o amor por cada pecado;
b) remova as distrações concernentes a este mundo, especialmente a cobiça (Mt. 13:22);
c) não brinque com e sobre a Escritura.

02) Prepare seu coração (1 Sm. 7:3)
a) reunindo seus pensamentos;
b) purificando sentimentos e desejos impuros;
c) não achegando-se a ela apressada ou descuidadamente.

03) Leia-a com reverência, considerando que em cada linha Deus está falando diretamente para você.

04) Leia os livros da Bíblia por ordem.

05) Adquira verdadeiro entendimento da Escritura (SI. 119:73). O melhor meio de conseguir isto é através da comparação de partes relevantes das Escrituras, umas com as outras.

06) Leia-a com seriedade (Dt. 32:47). A vida cristã é para ser levada a sério, visto que isto exige esforço (Lc. 13: 24) e não falhar (Hb. 4:1).

7) Persevere em lembrar o que você leu (Sl. 119: 52). Não permita que seja roubado de você (Mt. 13: 4, 19). Se ela não permanecer na sua memória, é improvável que seja de muito proveito para você.

8) Medite no que você lê (SI. 119:15 ). A palavra hebraica para meditar, significa "ser intenso de mente". Meditação sem leitura é errado e um pulo para o engano; ler sem meditar é infrutífero e sem proveito. Significa avivar os sentimentos, ser aquecido pelo fogo da meditação (SI. 39: 3).

9) Leia-a com um coração humilde. Reconheça que você é indigno para que Deus revele a Si mesmo a você (Tg. 4:6).

10) Creia que toda ela é a Santa Palavra de Deus (2 Tm. 3:16). Sabemos que nenhum pecador poderia ter escrito, por causa do modo que ela descreve o pecado. Nenhum santo blasfemaria de Deus pretendendo ser sua, a Palavra de Deus. Nenhum anjo poderia a ter escrito pela mesma razão (Hb. 4: 2).

11 ) Tenha em alta estima a Bíblia (SI. 119:72). Ela é sua corda para salvação; você nasceu através dela (Tg. 1 : 18) e precisa crescer por ela ( 1 Pd. 2: 22; Jó. 23:12).

12) Ame a Bíblia ardentemente (SI. 119:159).


13) Leia-a com um coração honesto (Lc. 8:15):
a) desejando conhecer toda e completa vontade de Deus;
b) lendo com o objetivo de ser mudado e feito melhor, por ela (Jo. 17:17).

14) Aplique a si mesmo tudo o que ler, tomando cada palavra como sendo falada para você. A condenação que ela faz do pecado, como sendo a condenação dos seus pecados; os deveres que ela requer, como sendo o dever que Deus requer de você (2 Rs. 22: 11 ).

15) Preste cuidadosa atenção aos mandamentos da Palavra, tanto quanto nas promessas. Pense em quanto você precisa de direção, tanto quanto de conforto.

16) Não se deixe levar por detalhes menores, antes certifique-se de atentar para as grandes coisas (Os. 8:12).

17) Compare-se com a Palavra. Como você se compara? Seu coração é algo daquilo que é transcrito dele, ou não?

18) Preste especial atenção àquelas passagens que falam para sua individual, particular e presente situação:
a) aflição (Hb. 12:7, Is. 27:9, Jo, 16:20, 2 Co. 4:17);
b) senso da presença de Cristo e indignação (Is. 54:8, Is. 57:16, SI. 97:11);
c) pecado (GI. 5:24; Tg. 1:15, 1 Pd. 2:11, Pv. 7:10 e 22-23, Pv.22:14);
d) incredulidade (Is. 26:3, 2 Sm. 22: 31, Jo. 3:15, 1 Jo. 5:10, Jo. 3:36).

19) Preste especial atenção para os exemplos e vidas das pessoas na Bíblia, como sermões vivos:
a) punições (Nabucodonosor, Herodes, Nm. 25: 3-4, 9; 1 Rs. 14: 9-10; At. 5:5,10; 1 Co.10: 11; Jd. 7);
b) misericórdia e libertação (Daniel, Jeremias, e os três jovens na fornalha ardente)

20) Não pare de ler a Bíblia até que ache seu coração aquecido (SI. 119:93). Deixe que ela não apenas lhe informe, mas também lhe inflame (Jr. 23:29, Lc. 24:32).

21 ) Ponha em prática o que você lê (SI. 119:66; SI. 119:105, Dt, 17:19).

22) Cristo é para nós Profeta, Sacerdote e Rei. Use Seu ofício de Profeta (Ap. 5:5, Jo. 8:12, SI. 119:102-103). Permita que Cristo não só abra as Escrituras diante de você, mas abra diante de sua mente e entendimento (Lc. 24:45).

23) Certifique-se de colocar-se sob os cuidados de um verdadeiro ministro da Palavra, que exponha a palavra fiel e completamente (Pv. 8:34); seja zeloso e ávido em atender seu ofício.

24) Ore para que você tire proveito da Ieitura (Is. 48:17, SI. 119:18; Ne. 9:20).


Você pode ultrapassar obstáculos naturais da leitura mesmo quando:
1) Você não pareça tirar proveito tanto quanto outros. Lembre-se da produção diferente (Mt. 13:8); embora a produção não seja tanto quanto a dos outros, ainda assim é produção verdadeira e vantajosa.

2) Você pode se sentir lento de entendimento (Lc. 9:45, Hb. 5:11);

3) Sua memória é má.
a) lembre-se que você ainda está apto a ter um coração bom, a despeito disto;
b) você ainda pode lembrar-se das coisas mais importantes, mesmo que não possa lembrar-se de tudo. Seja encorajado por Jo. 14:26. 

Abreviado e modernizado por Matthew Vogan
Tradução Livre para a Língua Portuguesa
-Monergismo

14 de out. de 2011

Resistindo a Satanás com Santa Violência - Thomas Watson (1620–1686)




Devemos agir com violência contra Satanás. Ele se nos opõe tanto pela violência explícita 
quanto pela perfídia secreta. Por causa da sua manifesta violência ele é chamado de o dragão 
vermelho; pela sua perfídia, de a antiga serpente.  Lemos nas Escrituras quanto às suas 
armadilhas e dardos. Ele fere mais com as suas armadilhas do que com os seus dardos.  
A Violência de Satanás.  Ele trabalha diligentemente para tomar de assalto o castelo 
do coração, instigando a paixão, a concupiscência,  e a vingança. Esses são os chamados 
dardos inflamados (Ef 6.16) porque põem sempre a alma em chamas. Por causa da sua 
ferocidade ele é cognominado de leão: “O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, como 
leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8); não para  morder (como diz 
Crisóstomo), mas para devorar.  
A Perfídia de Satanás. Aquilo que ele não consegue fazer pela força, se empenhará 
para alcançar pela  fraude. Satanás tem muitas maneiras ardilosas de tentar. Para adequar as 
suas tentações à índole e temperamento do indivíduo, Satanás estuda a fisionomia (isto é, os 
aspectos e as expressões faciais) e coloca as iscas apropriadas. Ela conhecia a inclinação 
cobiçosa de Acã e o tentou com uma barra de ouro. Ao vaidoso ele tenta com a beleza.  
Um outro ardil é conduzir os homens ao mal,  sub specie boni, sob o pretexto de um 
bem. Assim como o pirata engana exibindo uma bandeira falsa, também Satanás o faz 
exibindo a bandeira da religião. Ele leva alguns a cometerem ações pecaminosas persuadindoos de que muitas coisas boas resultarão delas. Algumas vezes lhes diz que podem deixar de 
lado a regra da Palavra e levar as suas consciências para além dessa fronteira, de modo a 
serem capazes de prestar um maior serviço — como se Deus precisasse do nosso pecado para 
exaltar a Sua glória. 
Satanás tenta ao pecado gradualmente. Assim como o lavrador cava em torno da raiz de 
uma árvore fazendo-a gradativamente perder a sua firmeza e, por fim, cair, Satanás infiltra-se 
gradualmente no coração. No princípio ele é mais moderado. Ele não disse a Eva de supetão: 
“Coma o fruto”; não, trabalhou mais sutilmente, fazendo uma pergunta: “Deus disse isso? 
Eva, você deve estar enganada. O dadivoso Deus nunca teve a intenção de lhe privar de uma 
das melhores árvores do jardim. Será que Deus disse isso? Certamente que não, e se o disse, 
não foi essa a intenção dEle”. Assim, pouco a pouco, ele a fez duvidar, e ela, então, colheu o 
fruto e o comeu. Oh, acautele-se dos primeiros impulsos, aparentemente mais modestos, de 
Satanás para lhe fazer pecar —  principiis obsta (isto é, opõe-te desde o começo)! No 
princípio ele é uma raposa, e em seguida, um leão. 
Satanás tenta ao mal in licits, nas coisas lícitas. Era lícito a Noé comer do fruto da vide, 
mas ele bebeu demais, e assim pecou. O excesso torna aquilo que é bom em mau. Comer e 
beber podem se converter em intemperança. Quando em excesso, a diligência na profissão é 
cobiça. Satanás leva os homens a um amor exagerado  por aquilo que fazem, fazendo-os 
transgredir naquilo que amam, assim como Agripina envenenou o seu marido Cláudio com a 
carne que ele mais gostava. 
Satanás inclina os homens a fazerem o bem motivados por maus motivos. Se ele não os 
puder ferir com ações escandalosas, ele o fará com ações virtuosas. Portanto ele tenta alguns 
a adotarem a religião como um modo de se promoverem e a dar esmolas para receberem 
aplauso, para que os outros possam ver as suas boas obras e canonizá-los. Tal hipocrisia 
contamina os deveres da religião e os faz perder a recompensa. 
O Diabo persuade os homens ao mal através daqueles  que são bons. Isso dá um falso brilho às suas tentações tornando-as menos suspeitas. Algumas vezes o Diabo usou os mais 
eminentes e santos homens como agentes das suas tentações. O Diabo tentou Cristo através de 
um apóstolo — Pedro a dissuadi-Lo de sofrer. Abraão, um homem bom, mandou sua mulher 
ser ambígua: “Dize, pois, que és minha irmã”.  
São essas as sutilezas de Satanás ao tentar. Agora, aqui temos que agir violentamente 
contra Satanás através da  fé: “resiste-lhe firmes na fé” (1Pe 5.9). A fé é uma graça sábia, 
inteligente; ela pode perceber o anzol que vai escondido na isca. Ela é uma graça heróica, é 
quem, acima de tudo, apaga os dardos inflamados de Satanás. A fé resiste ao Maligno. 
A fé protege o castelo do coração para que ele não  se renda. Ser tentado não torna o 
homem culpado, mas o assentir à tentação. A fé protesta contra Satanás.  
A fé não apenas não se rende, mas derrota a tentação. Em uma das mãos a fé agarra-se à 
promessa, e na outra, a Cristo. A promessa encoraja a fé, e Cristo a fortalece; a fé, portanto, 
expulsa o inimigo do campo de batalha. 
Temos que agir violentamente contra Satanás através da  oração. Nós o derrotamos 
quando ajoelhados. Assim como Sansão clamou ao céu por socorro, assim também o cristão, 
através da oração, busca forças de auxílio no céu. Em todas as tentações recorra a Deus pela 
oração. “Oh Senhor! Ensina-me a usar cada peça da minha armadura espiritual: como segurar 
o escudo, como usar o capacete, como manejar a espada do Espírito. Senhor, fortalece-me na 
batalha; é-me preferível morrer como conquistador, do que cair prisioneiro e ser arrastado em 
triunfo por Satanás”. Por isso devemos agir violentamente contra Satanás. Há um leão no 
meio do caminho, mas devemos nos decidir a lutar. 
Que isso nos encoraje a agir violentamente contra Satanás. Nosso inimigo já está 
derrotado em parte. Cristo, o Capitão da nossa salvação, na cruz, já o feriu de morte (Cl 2.15). 
A Serpente muito em breve será morta pela cabeça. Cristo esmagou a cabeça da antiga 
serpente. O Diabo é um inimigo em cadeias, conquistado. Portanto, não tema lutar contra ele. 
Resista ao diabo, e ele fugirá; ele não conhece outra alternativa senão fugir.

Tradução: © Marcos Vasconcelos 
marcos.tradutor@gmail.com 
Recife – Pernambuco - Brazil

12 de out. de 2011

Sede Santos - Thomas Watson - (1620-1686)



A principal coisa que um cristão deveria procurar é a santificação, pois ela é a única coisa necessária. A santificação é nossa mais pura aparência, nos faz como o céu, coberto com estrelas. É a nossa nobreza, pela qual somos nascidos de Deus e tomamos parte na natureza divina. É nossa riqueza, portanto comparada a carreiras de jóias e correntes de ouro (Ct 1.10). É nosso melhor certificado para o céu. Qual outra evidência temos para mostrar? Temos conhecimento? O diabo também tem. Professamos uma religião? Satanás geralmente aparecia com o manto de Samuel e se transformava em um anjo de luz. Porém, nosso certificado para o céu é a santificação. Ela é o primeiro fruto do Espírito, a única moeda que valerá no outro mundo. A santificação e a evidência do amor de Deus. Não conhecemos o amor de Deus pela saúde que nos dá, pelas riquezas e pelo sucesso, mas ao desenhar sua imagem de santificação em nós por meio do lápis do Espírito Santo.

Que tristeza aqueles destituídos do princípio da santificação. Estão espiritualmente mortos (Ef 2.1). Embora respirem, não vivem. A maioria do mundo permanece sem santificação: "O mundo inteiro jaz no Maligno" (1Jo 5.19), isto é, a maior parte dele. Muitos se nomeiam cristãos, mas destruíram completamente a palavra santo. Alguns homens querem explicações racionais, o cristão quer graça. Ainda há algo pior, alguns mantêm tal posição de impiedade odiando e zombando da santificação. Eles a odeiam. Se for ruim desejá-la, pior é odiá-la. Eles abraçam a forma da religião, mas odeiam o poder. O urubu odeia odores agradáveis, o mesmo acontece com os ímpios que odeiam o perfume da santidade. Dizem zombeteiramente: "Este são os seus homens santos?" Zombar da santificação exige um alto grau de ateísmo e é uma marca negra de reprovação. O desprezível Ismael foi lançado fora da família de Abraão (Gn 21.9), aqueles que zombam da santidade serão privados do céu.


Segundo: acima de todas as coisas persiga a santificação. Procure a graça mais do que o ouro: "Retém a instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida" (Pv 4.13). Em relação a esta aplicação, vamos responder a duas perguntas:

Primeira pergunta: Quais são os principais incentivos à santificação?

1. É a vontade de Deus que sejamos santos, como diz o texto: "Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação". Como a Palavra de Deus deve ser regra, também deve ser a razão de nossas ações. Essa é a vontade de Deus, nossa santificação. Talvez não seja da vontade de Deus que sejamos ricos, mas é sua vontade que sejamos santos. A vontade de Deus é nossa garantia.

2.      Jesus Cristo morreu para nossa santificação. Cristo morreu e derramou seu sangue para lavar nossa impureza. A cruz era tanto um altar quanto uma pia: "O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade" (Tt 2.14). Se pudéssemos ser salvos sem a santidade, Cristo não precisava ter morrido. Cristo morreu não somente para nos salvar da ira, mas também do pecado.

3.      A santificação nos leva a ser semelhantes a Deus. Este foi o pecado de Adão: desejar ser igual a Deus em onisciência, porém, devemos nos preocupar em ser semelhantes a Deus em santidade. Pode-se ver nitidamente a face em um bom espelho, pode-se ver algo de Deus em um coração santo. Nada divino pode ser visto em uma pessoa não santificada, porém se pode ver a imagem de Satanás. A inveja é o olho de Satanás, a hipocrisia seu pé, mas nada da imagem de Deus pode ser vista nelas.


4.      A santificação é algo que Deus ama muito. Nenhum ornamento exterior, ou descendência importante ou grandeza deste mundo chama a atenção do amor de Deus, mas um coração cheio de santidade chama sua atenção. Cristo nunca admirou outras coisas senão a beleza da santidade. Ele desrespeitou a grande construção do templo, mas admirou a fé de uma mulher, à qual disse: "mulher, grande é a tua fé" (Mt 15.28). Assim como um rei se alegra em ver sua imagem cunhada em uma moeda, onde Deus vê sua imagem ele atribui seu amor. O Senhor tem dois tronos em que habita, um deles é o coração santo.

5.      A santificação é a única coisa que nos torna visivelmente diferentes dos ímpios. O povo de Deus tem seu selo sobre ela: "Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor" (2Tm 2.19). O crente é selado com um selo duplo, um selo da eleição: "O Senhor conhece os que lhe pertencem", e um selo da santificação: "Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor". Este é o nome pelo qual o povo de Deus é conhecido: "Teu santo povo" (Is 63.18). Como a castidade distingue uma mulher virtuosa de uma prostituta, também a santificação distingue o povo de Deus de outros povos: "E vós possuís unção que vem do Santo" (1Jo 2.20).

6.      É uma grande vergonha ter o nome de cristão e carecer de santidade, assim como ter o nome de mordomo e carecer de fidelidade; ou ter nome de virgem e carecer de virgindade. A religião é exposta à reprovação quando pessoas batizadas em nome de Cristo não são santas, quando têm os olhos cheios de lágrimas no domingo, mas nos dias de semana seus olhos estão cheios de adultério (2Pe 2.14). Ser devoto da mesa do Senhor como se estivesse pisando no céu e tão profano durante a semana como se tivesse saído do inferno. Ter nome de cristão e não ser santo é um escândalo para a religião e os caminhos de Deus ficam mal falados.

7. A santificação é apropriada para o céu. "Nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2Pe 1.3). A glória é o trono e a santificação é o degrau pelo qual subimos até ele. Como é comum limpar primeiramente o vaso para depois pôr o vinho, Deus primeiro nos purifica pela santificação e, depois, derrama em nós o vinho da glória. Salomão foi primeiramente ungido com óleo e depois se tornou um rei (lRs 1.39). Primeiramente, Deus nos unge com o santo óleo de seu Espírito e, depois, coloca a coroa de felicidade sobre a nossa cabeça. A pureza de coração e a contemplação de Deus estão unidas (Mt 5.8).

16 de mai. de 2011

O Poder Infinito de Deus - Thomas Watson



"Se se trata da força do poderoso, ele dirá: Eis-me aqui" (Jó 9.19). Nesse capítulo está uma descrição magnificente do poder de Deus. "A força do poderoso." A palavra hebraica para força significa uma conquista, a força que prevalece. "Ele é forte." Nesta expressão utiliza-se o grau superlativo, isto é, ele é o mais forte. Ele é chamado El-shaddai, Deus todo poderoso (Gn 17.1). Seu poder está nisto: que pode fazer qualquer coisa que seja possível. As coisas divinas se distinguem entre autoridade e poder. Deus tem ambas.

1. Deus tem direito soberano e autoridade sobre o homem

Ele pode fazer o que quiser com suas criaturas. Quem poderá discutir com ele? Quem pedirá a ele uma razão por seus feitos? "Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" (Dn 4.35). Deus se assenta para julgar na corte suprema; ele chama os monarcas da terra para julgamento e não tem de dar uma razão de seus procedimentos. "Deus é o juiz; a um abate, a outro exalta" (SI 75.7). Ele tem a salvação e a perdição em suas mãos. Ele tem a chave da justiça consigo para prender quem desejar na prisão terrível do inferno e tem a chave da misericórdia em sua mão para abrir a porta dos céus para quem ele desejar. O nome gravado em suas vestes é: "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap 19.16). Ele se apresenta como o Senhor soberano, quem pode lhe pedir satisfação? "Farei toda a minha vontade" (Is 46.10). O mundo é o bispado de Deus, não faria o que quisesse em seus domínios? Foi ele quem fez o rei Nabucodonosor comer grama e lançou no inferno os anjos que pecaram. Foi ele quem quebrou a cabeça do império babilónico. "Como caístes do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como fostes lançado porteira, tu que debilitavas as nações!" (Is 14.12). "Até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?" (Jó 38.11). Deus é o monarca supremo e todo o poder reside originalmente nele. "Não há autoridade que não proceda de Deus" (Rm 13.1). Os reis possuem coroa por causa dele: "Por meu intermédio, reinam os reis" (Pv 8.15).

2. A autoridade e o poder de Deus são infinitos

O que é a autoridade sem poder? "Ele é ... grande em poder" (Jó 9.4). Esse poder de Deus é manifesto:

a.      O poder de Deus é manifesto na obra da criação
Para criar se requer poder infinito. O mundo inteiro não pode criar um mosquito. O poder de Deus na criação é evidente, pois não precisou de instrumentos para seu trabalho, ele trabalhou sem ferramentas e não precisou de alguma matéria com que trabalhar, ele criou a matéria e então trabalhou nela. Deus trabalha sem labutar, "Falou e tudo se fez" (SI 33.9).

b.      O poder de Deus é manifesto na conversão de almas

O mesmo poder que atrai o pecador a Deus é o que conduziu Cristo para fora da sepultura e o levou ao céu (Ef 1.19). Um grande poder é manifestado na conversão, maior que o manifestado na criação. Quando Deus fez o mundo não encontrou oposição. Não tinha nada para ajudá-lo nem tinha nada para atrapalhá-lo, mas quando converte um pecador, encontra oposição. Satanás se opõe a Deus, também o coração do homem se opõe a Deus; pois o pecador está irado em relação à graça que o pode converter. O mundo foi "obra dos teus dedos" (SI 8.3). A conversão é o trabalho de "seu braço" (Lc 1.51).

Na criação, Deus operou somente um milagre, ele pronunciou sua palavra; mas, na conversão, Deus executa muitos milagres. O cego vê, o morto é ressuscitado, o surdo ouve a voz do Filho de Deus. Quão infinito é o poder de Jeová. Ante o seu cetro, os anjos se cobriam e se prostravam, os reis lançavam suas coroas aos seus pés. "Porque o Senhor, o SENHOR dos

Exércitos, é o que toca a terra, e ela se derrete" (Am 9.5). "Quem move a terra para fora do seu lugar, cujas colunas estremecem" (Jó 9.6). Um terremoto faz que a terra trema sobre seus pilares, mas Deus pode remover a terra de seu centro.

Ele pode fazer o que quiser, seu poder é tão grande quanto sua vontade. Se o poder dos homens fosse tão grande quanto suas vontades, quão terríveis seriam as coisas que fariam no mundo. O poder de Deus é de igual extensão à sua vontade. Com uma palavra pode remover as rodas e quebrar o eixo da criação. Ele pode fazer "mais do que ... pensamos" (Ef 3.20). Ele pode parar os agentes naturais. Ele calou as bocas dos leões; fez o fogo não queimar; fez as águas ficarem em pé como dois montes; ele fez que o Sol retornasse 10 graus no relógio solar de Acaz (Is 38.8). Quem pode apresentar onipotência? "Ele quebranta o orgulho dos príncipes" (SI 76.12). Ele contra-ataca seus inimigos abaixando suas bandeiras e suas faixas de orgulho, ridicularizando seus conselhos, quebrando suas forças; e tudo isso faz facilmente com um movimento de sua mão, "pelo sopro de sua boca" (SI 33.6; Is 40.24). Um olhar, um lance de seus olhos é o necessário para que Deus destrua seus inimigos: "Na vigília da manhã, o SENHOR, na coluna de fogo e de nuvem, viu o acampamento dos egípcios e alvorotou o acampamento dos egípcios" (Êx 14.24). Quem pode pará-lo em sua marcha?
Deus comanda e todas as criaturas no céu e na terra obedecem a suas ordens. Xerxes, o monarca persa, lançou correntes ao mar e as ondas as engoliram como se estivesse acorrentado às águas, mas quando Deus fala, o vento e o mar lhe obedecem. Se falar somente uma palavra, as estrelas brigam em seus cursos contra Sisera. Se ele bater o pé, um exército de anjos imediatamente se apresentará para a batalha. O que o poder do onipotente não pode fazer? "O SENHOR é homem de guerra" (Êx 15.3) "O teu braço é armado de poder" (SI 89.13).

O poder de Deus é "a força da sua glória" (Cl 1.11). É um poder irresistível. "Pois quem jamais resistiu à sua vontade?" (Rm 9.19). Contestá-lo é como se os espinhos se organizassem em marcha de batalha contra o fogo, ou, como se uma criança sensível lutasse com um arcanjo. Se o pecador for pego na rede de ferro de Deus, não há escapatória. "Nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos" (Is 43.13).

O poder de Deus é inexaurível, nunca passa ou se desgasta. Os homens, enquanto exercitam suas forças, se enfraquecem, mas Deus tem uma eterna renovação de força em si mesmo (Is 26.4). Embora Deus gaste suas flechas contra seus inimigos, mesmo assim não gasta sua força (Dt 32.23). "O SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga" (Is 40.28).

3. Deus limita o uso de seu poder segundo sua vontade

Deus não faz todas as coisas porque ele não pode negar a si mesmo. Embora Deus possa fazer todas as coisas, não pode fazer aquilo que manche a sua glória. Ele não pode pecar, não pode fazer aquilo que implica numa contradição. Ser um Deus da verdade e ainda negar a si mesmo é uma contradição.

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O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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