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21 de out. de 2011

O que acontece aos animais quando eles morrem? - R. C. Sproul



Não posso responder a essa pergunta com certeza, mas não quero que você pense, nem por um minuto, que essa é uma pergunta tola. As pessoas realmente se tornam ligadas aos seus bichos de estimação, especialmente quando o bichinho permaneceu um longo tempo com elas. Em nossa cultura atual, estão aparecendo cada vez mais cemitérios para animais de estimação, e vemos pessoas chegando a grandes despesas com cerimônias — túmulos, etc. — para se desfazerem dos corpos de seus animais de estimação.


Dentro da igreja cristã, há várias escolas de pensamento sobre esse assunto. Alguns crêem que os animais simplesmente se desintegram; eles se transformam em nada e são aniquilados, o que está baseado na premissa de que os animais não têm almas que possam sobreviver ao túmulo. Entretanto em nenhum lugar as Escrituras afirmam que os animais não têm alma.


A Bíblia nos diz que nós temos a imagem de Deus de uma forma que os animais não têm. Agora, seria a imagem de Deus que diferencia entre uma alma e a ausência dela? Aqueles que aceitam uma noção grega da alma — isto é, aquela substância que continua indestrutível para sempre — podem desejar restringir isso aos seres humanos. Mas, novamente, não há nada nas Escrituras, que eu saiba, que excluiria a possibilidade de uma existência continuada para os animais.

A Bíblia nos dá algumas razões para esperar que os animais mortos sejam restaurados. Lemos na Bíblia que a redenção é uma questão cósmica. Toda a criação está destinada a ser redimida através da obra de Cristo (Rm 8.21), e vemos imagens de como será o céu; belas passagens da Escritura nos falam do leão e do cordeiro e de outros animais em paz uns com os outros. Sempre que o céu é descrito, embora o seja numa linguagem altamente criativa, ele é um lugar onde os animais parecem estar presentes. Quer esses animais sejam recém criados para os novos céus e a nova terra, quer sejam as almas redimidas de nossos animais de estimação que morreram, não podemos saber com certeza.


Tudo isso é pura especulação, mas eu gostaria de pensar que veremos nossos queridos animais novamente e que eles participarão dos benefícios da redenção que Cristo realizou para a raça humana.

19 de out. de 2011

Tenho tudo e sou feliz, por que preciso de Jesus? – R. C. Sproul




Ouço isso de muita gente. Elas dizem: "Simplesmente não sinto necessidade de Cristo." Como se cristianismo fosse algo que você empacota e vende na rua! O que estamos tentando comunicar às pessoas é: "Aqui está algo que vai fazer você se sentir bem, e todo mundo precisa de um pouco disso no armário ou na geladeira", como se fosse algum artigo que vai acrescentar um bocado de felicidade às nossas vidas.


Se a única razão que um ser humano tem para precisar de Jesus é ser feliz, e a pessoa já se sente feliz sem Jesus, então, ela certamente não precisa de Jesus. O Novo Testamento, entretanto, indica que há outra razão pela qual você, ou qualquer outra pessoa, precisa de Jesus. Existe um Deus que é completamente santo, perfeitamente justo, e que declara que ele vai julgar o mundo e declarar todo ser humano responsável por sua vida.


Como um Deus perfeitamente santo e justo, ele exige de cada um de nós uma vida de perfeita obediência e de perfeita justiça. Se existe um tal Deus, e se você viveu uma vida de perfeita obediência e retidão — quer dizer, se você é perfeito — então, certamente, você não precisa de Jesus. Você não necessita de um salvador só porque pessoas injustas têm problemas.


A questão aqui é simples: Se Deus é justo e exige de mim perfeição e eu fico aquém dessa perfeição, e ele vai me tratar com justiça, então estou antevendo um futuro castigo nas mãos de um Deus santo. Se o único meio de escapar do castigo é através de um salvador e se desejo escapar, então eu preciso de um Salvador.


Algumas pessoas dirão que estamos pregando a Jesus como uma passagem de saída do inferno, como um meio de escapar do castigo eterno. Essa não é a única razão pela qual eu falaria de Jesus às pessoas, mas é uma das razões.


Creio que muitas pessoas, na cultura de nossos dias, realmente não acre¬ditam que Deus as responsabilizará por suas vidas — que Deus realmente não exige retidão.


Quando assumimos esse ponto de vista, não sentimos o peso da ameaça do julgamento. Se você não tem medo de enfrentar o castigo de Deus, então seja feliz como um molusco. Eu viveria tremendo e com um medo terrível diante da perspectiva de cair nas mãos de um Deus santo.

11 de out. de 2011

Agostinho e as Conseqüências da Queda - R. C. Sproul



Philip Schaff lista oito conseqüências distintas da queda desenvolvidas por Agostinho. Nós as pesquisaremos com observações.
Primeira, a própria queda. Desde que o homem foi criado com a posse peccare, ele teve a capacidade para cair desde o começo. Ele foi criado bom, mas também mutável. Esta possibilidade de pecar foi mais tarde chamada por Karl Barth como “possibilidade impossível.” Esta, obviamente, é uma declaração absurda, uma contradição veraz de termos. Desde que Barth não se preocupava com as contradições, não achou dificuldade em usar esta frase. Mas talvez tenha usado deliberadamente esta contradição dissonante como um artifício literário para mostrar a incompreensibilidade de uma boa criatura cair em pecado. A queda é uma irracionalidade manifesta.
Para Agostinho, a severidade da queda é vista através de seu contraste severo com a sublimidade da condição original do homem. A palavra queda dificilmente faz justiça à idéia de salto das alturas exaltadas para a profundidade abismal. Schaff comenta: “A queda de Adão apresenta-se como a maior e a mais digna de castigo se considerarmos, primeiramente, a altura que ele ocupava, a imagem divina na qual foi criado; então, a simplicidade do mandamento, e [a] tranqüilidade de obedecê-lo, na abundância de todos os tipos de frutos no paraíso; e, finalmente, a sanção do mais terrível castigo do seu Criador e mais formidável Benfeitor.” [1]
A segunda conseqüência do pecado é a perda da liberdade. Desde que essa dimensão do pensamento de Agostinho é tão crítica à toda a controvérsia sobre o livre arbítrio, nós a desenvolveremos de forma mais completa mais tarde. Por ora, diremos rapidamente que algo desastroso aconteceu à vontade humana como resultado da queda. Na criação, o homem tinha uma inclinação positiva para o bem e para amar a Deus. Embora fosse possível que o homem pecasse, não havia necessidade moral para que assim agisse. Como resultado da queda, o homem passou a ser escravo do mal. A vontade caída tornou-se uma fonte de mal no lugar de uma fonte do bem.
A terceira conseqüência do pecado é a obstrução do conhecimento. A capacidade intelectual do homem era muito maior na criação do que após a queda. As conseqüências da queda incluem o que os teólogos referem-se como os “efeitos intelectuais do pecado.” A palavra intelectual é derivada da palavra grega para “mente”, que é nous. Originalmente, a mente do homem podia absorver e analisar a informação muito melhor e mais acuradamente do que podemos agora. Ele podia entender a verdade corretamente, sem distorção. No entanto, o homem não era dotado por Deus com o atributo divino da onisciência. Este é um dos atributos “incomunicáveis” que Deus não pode de fato “comunicar” à criatura. Um ser onisciente, que tem uma compreensão infinita e eterna de toda a extensão da realidade, deve ser eterno e infinito. Consequentemente, Adão tinha um limite no seu conhecimento dotado e estava sobre uma curva de aprendizado desde o início. No entanto, sua capacidade para aprender não era obstruída pelo pecado original. Na criação, o processo de aprendizado era fácil. A mente do homem não estava obscurecida pelo pecado.
Depois da queda, o homem ainda possui uma mente. Ele ainda pode pensar. Ainda pode raciocinar. Ele não perdeu a faculdade da mente. A faculdade permanece; a facilidade está perdida. O que foi fácil uma vez, agora é difícil. Nossa habilidade para raciocinar foi claramente afetada. Somos agora inclinados para o pensamento confuso e para cometer erros lógicos. Fazemos inferências ilegítimas a partir de dados e cometemos falácias lógicas. Nossos argumentos não são sempre sadios.
Dois fatores principais estão envolvidos aqui. O primeiro é o enfraquecimento do poder da mente e de sua faculdade de pensamento. O segundo é a influência negativa da predisposição pecaminosa e do preconceito, especialmente com relação ao nosso entendimento do bem e de Deus. A Escritura fala das nossas mentes sendo “obscurecidas” e “réprobas.” Recusamos ter Deus em nosso pensamento. Isto não é um lapso mental isolado mas um lapso moral ao extremo.
Há uma analogia entre a função da mente e a função do corpo após a queda. Ainda temos corpos que exibem força física. O corpo ainda trabalha. Mas o trabalho do corpo agora é acompanhado de suor e fadiga. Semelhantemente, a mente ainda trabalha, mas o pensamento correto é laborioso para a mente.
A quarta conseqüência do pecado é a perda da graça de Deus. Na criação, Deus proveu o homem com um adjutorium , uma assistência graciosa certa para o bem. Após a queda, Deus retirou da criatura esta graça assistente. Em um sentido, o homem foi entregue ao pecado, para seguir os planos maus da sua mente. Seu coração é agora cheio de dolo e seus desejos são continuamente maus. Com certeza ainda permanece uma graça pela qual Deus, através da sua lei e providência, contém o mal humano. Ele o mantém em confronto até um certo ponto. Mas este freio divino não é a assistência positiva da graça para o bem mas um freio negativo do mal.
A quinta conseqüência do pecado é a perda do paraíso. Parte da maldição que se seguiu à queda foi a expulsão do Éden. Deus baniu Adão e Eva do jardim paraíso e colocou na entrada do Éden um sentinela angelical que empunhava uma espada flamejante. Este sentinela prevenia que Adão e Eva voltassem ao jardim. Consequentemente, o ambiente no qual eles gozavam da presença imediata de Deus e da comunhão com ele foi retirado. Com o exílio, veio também as maldições sobre a mulher (ela deveria experimentar dor ao dar à luz), sobre a serpente (esta iria rastejar no pó sobre o seu ventre), e sobre o homem (ele iria, com suor e fadiga, trabalhar o solo que resistiria aos seus esforços). O novo ambiente é marcado pela presença de ervas daninhas, espinhos e urzes. Não havia ervas daninhas no Jardim do Éden.
A sexta conseqüência é a presença da concupiscência. A noção da concupiscência, que aparece do começo ao fim dos escritos de Agostinho, envolve uma certa predileção para o que é sensual. Não é a própria sensualidade mas uma inclinação a ela. Envolve uma certa “tendência” ou inclinação da vontade em direção à lascívia da carne, e esta concupiscência guerreia contra o espírito. “Originalmente, o corpo era tão alegremente obediente ao espírito quanto o homem a Deus,” Schaff comenta. “Havia apenas uma vontade em exercício. Com a queda, esta harmonia bonita foi quebrada e o antagonismo, que Paulo descreve no sétimo capítulo da epístola aos Romanos, surgiu...logo, concupiscentia é substancialmente o mesmo que Paulo chama de 'carne' no mau sentido. Não é a constituição sensual em si mesma, mas sua predominância sobre a natureza mais alta e racional do homem...A concupiscência, então, não é algo meramente corpóreo mais do que o sarx bíblico, mas tem o seu lugar na alma, sem a qual nenhuma concupiscência surge.” [2]
A sétima conseqüência do pecado é a morte física. Na criação, o homem tinha tanto a posse mori quanto aposse non mori , a capacidade para morrer ou para não morrer. Deus advertiu Adão de que se ele comesse do fruto proibido, morreria. Esta advertência foi negada pela serpente, que alegou que Adão e Eva não morreriam mas se tornariam como deuses.
Notamos rapidamente que Deus havia ameaçado a morte imediata: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Porém Adão e Eva não experimentaram a morte física (thanatos) no mesmo dia da sua transgressão. Isto tem levado alguns a concluírem que a penalidade “real” para o pecado foi a morte espiritual, a qual aconteceu imediatamente. Mas, para o texto e para Agostinho, o castigo para o pecado não foi limitado à morte espiritual. Ele incluía a morte física também, a qual Adão e Eva eventualmente experimentaram. Este foi o grande inimigo que Cristo mais tarde conquistaria para seu povo. Como um resultado da queda, a morte física é agora uma necessidade, não uma mera possibilidade.
Agostinho mencionou que para Adão e Eva, a morte física não foi totalmente adiada até que respirassem seu último fôlego. A morte física começou no momento em que transgrediram. A partir daquele momento, as ruínas da morte- envelhecimento, declínio físico e doenças- acompanharam a vida humana. Desde o pecado de Adão, cada bebê nasce em meio às dores de parto. Com as dores do parto e o primeiro choro do infante, o processo da morte é inaugurado. Toda a vida é parte deste processo. A vida marcha inexoravelmente em direção à sepultura. Este é o preço do pecado.
A oitava e última conseqüência do pecado é a culpa hereditária. O pecado original significa que o pecado não é meramente uma ação, mas também uma condição transmitida de nossos primeiros pais para cada um de nós. O pecado é um habitus, algo que “habita” a nossa natureza humana. Este estado, condição ou hábito de pecar continua através da procriação, de geração a geração. O pecado original é transmitido diretamente através do processo natural de geração humana? Ou Deus direta e imediatamente cria cada alma outra vez? Agostinho oscilava entre estas duas escolas de pensamento (conhecidas como traduciasnismo e criacionismo) porque ele pensava que a Escritura não respondia a questão de forma definitiva.
Estas conseqüências do pecado original são o que Pelágio achou tão odioso. Ele viu uma certa injustiça na descendência de Adão sendo afetada tão adversamente por causa das ações de Adão. Agostinho, por outro lado, considerava o pecado original como um castigo justo para Adão e para todos aqueles a quem ele representava. Ele escreve no The City of God :
O pecado [de nossos primeiros pais] foi um desprezo à autoridade de Deus. Deus criou o homem; ele o fez à sua própria imagem; ele o estabeleceu acima dos outros animais; ele o colocou no Paraíso; o enriqueceu com todo o tipo de abundância e segurança; não lhe impôs nem muitos, nem grandes nem difíceis mandamentos mas, a fim de tornar uma obediência sadia fácil para ele, lhe deu um único pequeno e leve preceito pelo qual lembraria à criatura, cujo serviço deveria ser livre, de que ele era Senhor. Consequentemente, foi justa a condenação que se seguiu e uma condenação tal que o homem, que através da manutenção dos mandamentos deveria ter sido espiritual até mesmo em sua carne, se tornou carnal até mesmo em seu espírito. E assim como em seu orgulho, ele buscou ser sua própria satisfação, Deus, em sua justiça, o abandonou em si mesmo, não para viver na independência absoluta que ansiava mas, no lugar da liberdade que desejava, para viver insatisfeito consigo mesmo em uma sujeição dura e miserável a quem, através do pecado, havia se submetido. Ele foi condenado, a despeito de si mesmo, a morrer em corpo assim como havia se tornado, por vontade própria, morto em espírito, condenado até mesmo à morte eterna (não tivesse a graça de Deus o libertado) porque havia renunciado à vida eterna. Qualquer um que pense que este castigo foi excessivo ou injusto, mostra a sua inabilidade para medir a grande iniquidade de pecar onde o pecado podia tão facilmente ser evitado. [3]

O fato da controvérsia pelagiana ter surgido pouco tempo depois da controvérsia donatista, que envolvia o tema do batismo, é significante. O batismo de infantes veio para a dianteira na controvérsia pelagiana precisamente porque os pelagianos insistiam que os infantes nasciam livres do pecado original. Na igreja, o batismo para infantes geralmente considerava o envolvimento na remissão de pecados. Agostinho, que sustentava a noção de que o batismo se relacionava ao perdão do pecado original e da culpa, disse de Pelágio: “Se você perguntasse a ele qual é o pecado que ele supõe ser cancelado para eles, ele afirmaria que eles não tinham nenhum.” [4]
Schaff observa: “...o batismo, de acordo com Agostinho, remove apenas a culpa (reatus) do pecado original, não o próprio pecado (concupiscentia). Na procriação, o agente não é o espírito regenerado, mas a natureza que ainda está sob o domínio da concupiscentia. 'Pais regenerados não produzem como filhos de Deus, mas como filhos do mundo'”.
A doutrina do pecado original é central para o entendimento de Agostinho tanto da graça quanto do livre arbítrio. O pecado original faz com que a graça seja necessária. O pecado original define a escravidão da vontade. A visão de alguém da graça e do livre arbítrio é inseparavelmente relacionada ao seu entendimento do pecado original. Aquele que adota a visão de Agostinho do pecado original é compelido a investigar o seu entendimento da graça e da vontade caída.

NOTAS:
[1] - Philip Schaff, History of the Christian Church, 8 vols. (1907-10; Grand Rapids: Eerdmans, 1952-53), 3:825.
[2] - Ibid., 3:826-27.
[3] - Agostinho, The City of God, em Agostinho, Basic Writings, 2:260 (14.15). Em nome da leitura, desmembrei uma sentença extremamente longa ("consequentemente, porque o pecado era um desprezo à autoridade de Deus...ele renegou a vida eterna.") em cinco sentenças.
[4] - Schaff, History of the Christian Church , 3:839.



Fonte: R. C. Sproul. Sola Gratia. Cultura Cristã.

- Monergismo

27 de set. de 2011

A Regeneração Precede a Fé - R.C. Sproul



Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A REGENERAÇÃO PRECEDE A FÉ
Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:
"Fé - novo nascimento -justificação."
Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.
Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.
Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

MONERGISMO E SINERGISMO
Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".
Eu faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.
A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.
Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.
Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.
Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.
(do livro, O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990)

Meu Comentário:

Outras passagens na Bíblia que claramente ensinam que a regeneração precede a fé:
1 João 5:1 - "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido.", João 1:13, Rom 9:16
João 6:63,65 "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido".
http://www.monergism.com/thethreshold/articles/onsite/sproul01.html

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Março de 2003.

19 de set. de 2011

Os Laços da Fraternidade - R. C. Sproul




R. C. Sproul nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É ministro presbiteriano, pastor da Igreja St. Andrews Chapel, na Florida; fundador e presidente do ministério Ligonier, professor e palestrante em seminários e conferências; autor de dezenas de livros, vários deles publicados em português; possui um programa de rádio chamado: Renove sua Mente, o qual é transmitido para uma grande audiência nos EUA e para mais de 60 outros países; Suas graduações incluem passagem pelas seguintes universidades e centros de estudos teológicos: Westminster College, Pennsylvania, Pittsburgh Theological Seminary, Universidade livre de Amsterdã e Whitefield Theological Seminary. É casado com Vesta Ann e o casal tem dois filhos, já adultos.


Fraternidade... o que significa? Pode referir-se a diversos tipos diferentes de associações ou relacionamentos, e a igreja pode aprender lições valiosas explorando esta palavra com maior profundidade. O termo fraternidade pode nos levar a pensar no lema da Revolução Francesa: "Liberdade, Fraternidade, Igualdade". A fraternidade, junto com a igualdade e a liberdade, foi colocada no topo das ideias dessa revolução. O termo pode nos levar a pensar nos grupos dos campi universitários como os que são descritos no filme sobre a fraternidade radical "Animal House". Além do nível universitário, há uma grande variedade de organizações de homens neste mundo que são "ordens fraternais", tais como os Elks, grupos policiais e diversos outros clubes de serviços públicos.
A idéia da fraternidade também se manifesta no campo dos esportes competitivos, particularmente no que se refere às equipes. A expressão "There is no T em team" é um chavão porque é verdade. Para que as equipes funcionem de maneira eficiente e efetiva, tem de haver fraternidade e espírito de equipe. Repetidas vezes ficamos sabendo de jogadoressuperstars no reino esportivo profissional que são afastados por seus clubes porque criaram uma atmosfera destrutiva nos vestiários.
Nenhuma equipe pode funcionar bem se baseando apenas na força de um único indivíduo. No basquete, por exemplo, os jogadores que são donos da bola destroem o espírito da equipe. Se a bola for passada para um dono da bola, com toda probabilidade ele não vai passá-la para um companheiro, mas muito provavelmente vai dar um passe errado. No futebol americano, um golpe da ofensiva envolve bloqueio, corrida, passe, falta e outras dimensões do esporte. O negócio todo é uma orquestração de diversos elementos. Até o beisebol opera com base em uma harmonia dentro da equipe. Babe Ruth jamais ganhou sozinha.
Ironicamente, quando examinamos a área do atletismo, vemos que a idéia da fraternidade não existe apenas nos esportes de equipe, mas também no contexto dos esportes individuais. Talvez o exemplo supremo de um esporte individual seja o pugilismo. É mano a mano, um homem contra outro. Não existe equipe no ringue do pugilismo. O pugilista permanece sozinho diante do seu oponente com o sistema de apoio no canto. No ringue — o campo de batalha — ele tem de lutar sozinho, o drama de uma luta entre dois oponentes iguais, ambos se esforçando ao máximo para derrubar o outro ou fazendo o que puderem para ganhar a luta ou obter pontos. E, assim mesmo, quando o gongo soa, com freqüência vemos os dois gladiadores se abraçando no centro do ringue com um óbvio senso de afeto. Por que fazem isso? Porque o lutador é treinado em seu esporte individual não apenas para competir com o seu oponente, mas também para respeitá-lo. Quando está envolvido em uma luta que o testa até o máximo, sai exaurido, abatido, talvez até derrotado, mas assim mesmo ainda possuindo enorme respeito pelo seu oponente. Há uma espécie de comunhão, uma espécie de fraternidade, que apenas gladiadores individuais como esses homens conseguem entender.
O mesmo acontece no golfe, mesmo quando muitas competições testam a habilidade individual. De vez em quando, os jogadores de golfe se juntam em equipes, e não há entre eles um sentimento de que fazem parte de uma fraternidade que seja mais importante que as outras em suas realizações individuais.
Mas não existe uma fraternidade tão importante ou tão significativa quanto a igreja e a comunhão dos santos. Obviamente, a igreja não é uma organização exclusiva de homens, talvez por isso possamos falar da igreja como fraternidade ou irmandade. Mas de qualquer forma, a ideia de participação em equipe está claramente presente. Não existe uma coisa tal como a igreja de uma só pessoa.
Certamente não somos salvos ou justificados pela fé de nossas famílias, amigos ou companheiros. De certo modo, a redenção é uma questão intensamente individual. Mas, quando somos justificados, quando estamos na condição de salvos, somos imediatamente colocados em um grupo. Somos imediatamente colocados na igreja.
A igreja existe como uma pessoa jurídica. Há uma solidariedade corporativa que define a identidade da igreja do Novo Testamento. Não existe lugar para individualismo grosseiro. Ninguém recebeu todos os dons do Espírito Santo; ninguém tem oportunidade de "monopolizar" o ministério.
O que precisamos na igreja é de uma espécie de relacionamento familiar que é uma fraternidade e uma irmandade. Pode ser aprendida em parte fora da igreja em outras atividades, tais como o mundo dos esportes ou até mesmo no campo de batalha. Mas o mais profundo entretecimento de seres humanos para uma causa comum, uma fé comum, e um Senhor comum existe na igreja de Jesus Cristo.


www.editorafiel.com.br
www.ligonier.org






Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin
Copyright: © Ligonier Ministries / Tabletalk Magazine
© Editora FIEL 2011.

Traduzido do original em inglês: The bonds of brotherhood. Revista Tabletalk, Julho de 2011. Com permissão de Ligonier Ministries.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

14 de set. de 2011

De acordo com a escolha de Deus, não por nossas obras - R. C. Sproul


Exposição de Romanos 9, versículo 9. Sproul trata nesse vídeo da visão Agostiniana de eleição e da visão sobre a presciência de Deus.


10 de jul. de 2011

A Santidade de Deus - R.C Sproul, John Piper e C.J Mahaney nos desafiam a olhar para a santidade de Deus com um senso de temor e maravilha.




R.C Sproul, John Piper e C.J Mahaney nos desafiam a olhar para a santidade de Deus com um senso de temor e maravilha.


4 de jun. de 2011

Série Livros para Ler - R. C. Sproul - A Razão para Crer




...A CIÊNCIA PROVA A INEXISTÊNCIA DE DEUS?
QUEM NUNCA OUVIU FALAR DE CRISTO VAI PARA O INFERNO?
PORQUE AS PESSOAS PRECISAM DE DEUS QUANDO TUDO VAI BEM NA VIDA DELAS?
SÓ EXISTE UM CAMINHO PARA DEUS?
O CEU É UMA REALIDADE OU APENAS UMA ILUSÃO?
POR QUE EXISTEM O MAL E O SOFRIMENTO?
TODAS AS RELIGIÕES SÃO BOAS?
O QUE HÁ DEPOIS DA MORTE?
POR QUE SOU CULPADO POR ALGO QUE NÃO FIZ?

Créditos : MAZINHO

24 de abr. de 2011

Série Livros para Ler - Olhando para Jesus - J. C. Ryle[Download Livro]


Lançamento: Projeto Spurgeon
http://www.projetospurgeon.com.br
“Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado á destra do trono de Deus.” (Hebreus 12:2)
O texto da Escritura no topo desta página é adequado para fornecer bons pensamentos para o Natal. Em uma ocasião como esta, quando somos especialmente convidados a lembrar como nosso Senhor bendito veio ao mundo, e nasceu da Virgem Maria, com certeza não podemos fazer nada melhor do que nos perguntarmos o que sabemos de “olhar para Jesus.” O cristianismo que o mundo requer é um cristianismo de todos os dias. Nenhuma outra religião jamais receberá uma atenção tão sincera dos seres humanos. Ela pode até existir; mas nunca terá raízes profundas e atingirá almas.

1 de abr. de 2011

Conversão Seguida de Frutos - Por Seus Frutos Os Conhecereis - Paulo Junior



O Fruto do Espírito
por
R. C. Sproul

Romanos 12:1-21; 1 Coríntios 12:1-14:40; Gálatas 5:19-26; Efésios 4:1-6:20
O fruto do Espírito Santo é um dos aspectos mais negligenciados do ensino bíblico sobre santificação. Há várias razões para isso:
1. A preocupação com as coisas exteriores. Embora os estudantes muitas vezes murmurem e reclamem quando têm de fazer uma prova na escola, há um sentido em que realmente queremos fazer as provas. Sempre encontramos nas revistas modelos de testes que medem habilidades, realizações ou conhecimentos. As pessoas gostam de saber em que nível estão. Será que consegui alcançar a excelência numa certa área, ou estou afundando na mediocridade?
Os cristãos não são diferentes. Tendemos a medir nosso progresso na santificação examinando nosso desempenho de acordo com padrões externos. Proferimos maldições e palavrões? Bebemos muito? Vamos muito ao cinema? Esses padrões são freqüentemente usados para medir a espiritualidade. O verdadeiro teste — a evidência do fruto do Espírito Santo —geralmente é ignorado ou minimizado. Foi nessa armadilha que os fariseus caíram.
Nós nos afastamos do verdadeiro teste porque o fruto do Espírito é difícil demais. Exige muito mais do caráter pessoal do que os padrões exteriores superficiais. É muito mais fácil evitar falar um palavrão do que adquirir o hábito de ter uma paciência piedosa.
2. A preocupação com os dons. O mesmo Espírito Santo que nos guia na santidade e produz fruto em nós também distribui os dons espirituais aos crentes. Parecemos muito mais interessados nos dons do Espírito do que no fruto, a despeito do ensino claro da Bíblia de que alguém pode possuir dons e ser imaturo no progresso espiritual. A carta de Paulo aos Coríntios deixa isso muito claro.
3. O problema dos descrentes justos. É frustrante medirmos nosso progresso na santificação pelo fruto do Espírito Santo porque as virtudes relacionadas às vezes são exibidas num nível maior por descrentes. Todos nós conhecemos pessoas não-cristãs que demonstram mais bondade ou mansidão do que muitos cristãos. Se as pessoas podem ter o “fruto do Espírito” independentemente do Espírito, como podemos determinar nosso crescimento espiritual desta maneira?
Há uma diferença qualitativa entre as virtudes de amor, alegria, paz, longanimidade, etc., engendradas em nós pelo Espírito Santo e aquelas exibidas pelos descrentes. Os não-crentes operam por motivos que, em última análise, são egoístas. Quando, porém, um crente exibe o fruto do Espírito, ele está mostrando características que, em última análise, são voltadas para Deus e para o próximo. Ser cheio do Espírito Santo significa ter uma vida controlada pelo Espírito; os não-crentes só podem exibir essas virtudes espirituais no nível da capacidade humana.
Paulo faz uma lista das virtudes do fruto do Espírito em sua carta aos Gálatas: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22,23). Essas virtudes caracterizam a vida cristã. Se somos cheios do Espírito, vamos exibir o fruto do Espírito. Isso, porém, obviamente envolve tempo. Não são ajuste superficiais do caráter que ocorrem da noite para o dia. Tais mudanças envolvem uma reformulação das disposições mais íntimas do coração, o que representa um processo de longa vida de santificação pelo Espírito.

Sumário:
1. Tendemos a negligenciar o estudo do fruto do Espírito Santo porque: (1) nos preocupamos mais com aspectos exteriores; (2) nos preocupamos mais com os dons espirituais e (3) reconhecemos que muitas pessoas incrédulas exibem as virtudes espirituais melhor do que os cristãos.
2. É mais fácil medir a espiritualidade por fatores exteriores do que pelo fruto do Espírito.
3. Podemos ter os dons espirituais e mesmo assim ser imaturos.
4. Existe uma diferença qualitativa entre a presença das virtudes espirituais nos incrédulos e nos crentes. Nos incrédulos, a virtude demonstra um mero esforço humano. Nos cristãos, as virtudes espirituais representam o Deus Espírito Santo produzindo um fruto espiritual numa medida além da capacidade humana.

Para discussão e avaliação:
1. Quais são alguns motivos pelos quais o fruto do Espírito Santo é um dos aspectos do ensino bíblico que é mais negligenciado?
2. Qual é a diferença qualitativa entre o fruto do Espírito manifestado pelo cristão e as outras características semelhantes encontradas na vida de não-cristãos?
3. Por que o cultivo do fruto do Espírito leva muito tempo na vida do cristão?
4. Que podemos fazer para cultivar o fruto do Espírito em nossa vida? 

Fonte: Verdades essenciais da fé cristã: doutrinas básicas em linguagem simples e prática. Volume 3 (São Paulo: Cultura Cristã, 1999), pp. 30-31 . 
Fonte:Monergismo

OS FRUTOS DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO


A fim de ajudar o leitor a identificar o verdadeiro arrependimento, considere os frutos que o demonstram.

1. Um ódio pelo pecado como pecado, e não apenas por causa de suas conseqüências. Deve haver um ódio não somente por este ou aquele pecado, mas por todos os pecados e, em especial, pela própria origem do pecado: a vontade própria. “Assim diz o Senhor Deus: Convertei-vos, e apartai-vos dos vossos ídolos, e dai as costas a todas as vossas abominações” (Ez 14.6). Aquele que não odeia o pecado ama-o. A exigência de Deus é: “Tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniqüidades que tendes cometido” (Ez 20.43). Aquele que se arrependeu verdadeiramente pode dizer: “Detesto todo caminho de falsidade” (Sl 119.104). Aquele que considerava o viver santo como uma coisa monótona agora pensa de modo diferente. Aquele que considerava atraente uma vida de auto-satisfação gora detesta-a e determinou abandonar para sempre todo pecado. Essa é a mudança na maneira de pensar que Deus exige.


2. Uma profunda tristeza por causa do pecado. O arrependimento que não conduz à salvação é, principalmente, uma aflição ocasionada pelos presságios da ira de Deus. O arrependimento evangélico produz uma profunda tristeza proveniente de um senso de haver ofendido um Ser tão infinitamente glorioso e excelente como Deus. O arrependimento que não salva resulta de temor; o arrependimento evangélico é fruto do amor. Aquele é momentâneo, este é uma prática habitual que ocorre durante toda a vida. Um homem pode estar cheio de pesar e remorso por causa de uma vida mau utilizada e não ter uma tristeza pungente de coração por sua ingratidão e rebeldia contra Deus. Contudo, uma alma regenerada é profundamente afetada por ter desconsiderado e vivido em oposição ao seu grande Benfeitor e legítimo Soberano. Essa é a mudança de coração que Deus exige.“Fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus... Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação” (2 Co 7.9-10). Essa tristeza é produzida no coração pelo Espírito Santo e tem a Deus como seu objeto. É uma tristeza por haver desprezado a Deus, se rebelado contra a sua autoridade e sido indiferente à sua glória. É isso que nos faz chorar “amargamente” (Mt 26.75). Aquele que não se entristece por seus pecados deleita-se neles. Deus exige que aflijamos nossa alma (Lv 16.29). A sua chamada é esta: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso e compassivo” (Jl 2.12-13). A verdadeira tristeza pelo pecado é aquela que nos faz crucificar “a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5.24).


3. Uma confissão de pecados. “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará” (Pv 28.13). Negar os pecados, direta ou indiretamente, minimizar ou apresentar desculpas para eles está de acordo com a natureza do pecador. Foi assim que Adão e Eva agiram no princípio. Mas, quando o Espírito Santo age em uma alma, seus pecados são trazidos à luz, e a pessoa os reconhece diante de Deus. Não haverá descanso para o coração quebrantado, a menos que a pessoa faça isto: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.3-4). O reconhecimento sincero e humilde de nossos pecados é imperativo, para que a paz de consciência seja mantida. Essa é a mudança de atitude que Deus exige.


4. Uma conversão do pecado. “Com certeza, não há ninguém aqui entorpecido com o sedativo da indiferença infernal, a ponto de imaginar que pode se deleitar em suas concupiscências e, depois, vestir as vestiduras brancas dos redimidos que estão no Paraíso. Se vocês pensam que podem ser participantes do sangue de Cristo e beber o cálice de Belial; se imaginam que podem ser, ao mesmo tempo, membros de Satanás e membros de Cristo, têm menos entendimento do que alguém poderia creditar-lhes. Não, vocês sabem que a mão direita tem de ser cortada, e olho direito, arrancado — que os pecados mais queridos têm de ser renunciados — se querem entrar no reino de Deus” (citado de Spurgeon, comentando sobre Lucas 13.24).

O Novo Testamento usa três palavras gregas que apresentam as diferentes fases do arrependimento. A primeira é metanoeo, que significa “uma mudança de mentalidade” (Mt 3.2; Mc 1.15, etc.). A segunda é metanolomai, que significa “uma mudança de coração” (Mt 21.29, 32; Hb 7.21). A terceira é metanoia, que significa “uma mudança do curso de vida” (Mt 3.8; 9.13; At 20.21). As três mudanças precisam ocorrer juntas para que haja verdadeiro arrependimento. Muitos experimentam uma mudança de mentalidade; são instruídos e sabem melhor, mas continuam a desafiar a Deus. Alguns são até exercitados em sua consciência e coração, mas continuam no pecado. Alguns melhoram seus caminhos, mas não por amor a Deus e ódio ao pecado. Alguns têm a mente informada e o coração inquieto; e nunca mudam sua vida. Esses três conceitos têm de andar juntos.

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Aquele que, de todo o coração& e durante a sua vida, não se converte dos seus caminhos ímpios não se arrependeu. Se odiamos o pecado e o lamentamos, não o abandonaremos? Observe com atenção o “andastes outrora” de Efésios 2.2 e o “outrora éramos” de Tito 3.3! “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.7). Essa é a mudança de caminho que Deus exige.


5. Acompanhado de restituição quando isso é necessário e possível. Nenhum arrependimento pode ser verdadeiro se não está acompanhado de completa reparação da vida. A súplica de uma alma arrependida é: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sl 51.10). E, quando uma pessoa deseja realmente acertar as coisas com Deus, ela faz isso também com seus semelhantes. Alguém que, em sua vida passada, errou contra outra pessoa e agora não faz nenhum esforço, conforme todas as suas possibilidades, para corrigir o erro, certamente não se arrependeu! John G. Paton contou certa vez que a primeira coisa que um escravo fez, depois de converter-se, foi devolver ao senhor tudo que roubara dele.


6. Estes frutos são permanentes. Visto que o arrependimento é precedido por uma compreensão da amabilidade e da excelência do caráter de Deus e uma apreensão da excessiva malignidade do pecado, por haver tratado com tanto desprezo um Ser tremendamente glorioso, a contrição e um ódio pelo mal são imprescindíveis. À medida que crescemos na graça e no conhecimento do Senhor, de nossa dívida e obrigações para com Ele, nosso arrependimento se aprofunda, julgamos a nós mesmos mais amplamente e assumimos um lugar cada vez mais humilde diante dEle. Quanto mais o coração anela por um andar mais íntimo com Deus, tanto mais ele lançará fora tudo que impede isso.


7. O arrependimento nunca é perfeito nesta vida. Nossa fé jamais é tão completa, que chegamos ao ponto em que o coração não é mais embaraçado com dúvidas. E nosso arrependimento nunca possui tal pureza que se torna completamente isento de dureza de coração. O arrependimento é um ato que dura toda a vida. Precisamos orar cada dia por um profundo arrependimento.

Em vista de tudo que dissemos, cremos que deixamos bem claro a todo leitor imparcial o fato de que os pregadores que repudiam o arrependimento são, para as infelizes almas perdidas, “médicos sem valor”. Aqueles que ignoram o arrependimento estão pregando “outro evangelho” (Gl 1.6), e não o evangelho que Cristo (Mc 1.15; 6.12) e os apóstolos pregavam (At 17.30; 20.21). O arrependimento é um dever apresentado no evangelho. Aqueles que nunca se arrependeram ainda estão presos nos laços do Diabo (2 Tm 2.25-26) e acumulam contra si mesmos ira para o dia da ira de Deus (Rm 2.4-5).

“Se, portanto, os pecadores querem fazer melhor uso dos meios da graça, devem tentar harmonizar-se com o propósito de Deus e as influências do Espírito Santo, empenhando-se por perceberem seu estado pecaminoso, culpado e condenatório. Para isso eles devem abandonar as companhias vãs, descartar seus interesses mundanos e ordinários, deixar tudo que tende a mantê-los seguros no pecado e abafar as ações do Espírito. Para isso eles devem ler, meditar e orar, comparando-se a si mesmos com a santa Lei de Deus, tentando ver a si mesmos como Deus os vê e atribuindo a si mesmos o juízo que Deus lhes atribui. Assim, poderão dispor-se a aprovar a Lei, admirar a graça do evangelho, julgar a si mesmos, aplicar humildemente a todas as coisas a graça gratuita de Deus e retornar a Deus por meio de Cristo” (citado de Joseph Bellamy, 1719-1790).
Não é que os rótulos sejam maus em si mesm


Um resumo do que falamos pode ser proveitoso para alguns:

1. O arrependimento é um dever evangélico, e nenhum pregador tem o direito de considerar-se servo de Cristo se não fala sobre este assunto (Lc 24.47).

2. O arrependimento é exigido por Deus nesta dispensação (At 17.30), assim como nas anteriores.

3. O arrependimento não é, de algum modo, meritório; todavia, sem ele, o evangelho não pode ser crido de maneira salvífica (Mt 21.32; Mc 1.15).

4. O arrependimento é uma compreensão, outorgada pelo Espírito, da excessiva malignidade do pecado e um posicionar-me contra mim mesmo ao lado de Deus.

5. O arrependimento pressupõe uma aprovação sincera da Lei de Deus e uma plena aquiescência às suas exigências justas, que são sintetizadas em “amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração...”

6. O arrependimento é acompanhado por um ódio genuíno e uma tristeza pelo pecado.

7. O arrependimento é evidenciado por um abandono do pecado.

8. O arrependimento é conhecido por sua permanência: tem de haver um contínuo afastar-se do pecado e um entristecer-se por todas as quedas no pecado.

9. O arrependimento, embora permanente, nunca é perfeito ou completo nesta vida.

10. O arrependimento deve ser buscado como um dom de Cristo (At 5.31).


Arthur Walkington (1886-1952).

Sem Inverno não há Fruto – John Bunyan (1628-1688) – Por John Piper

Deus Designa Quem Irá Sofrer

No primeiro caso, "Deus tem designado quem irá sofrer. O sofrimento não sobrevêm por acaso, nem pela vontade do homem, mas pela vontade e pelo desígnio de Deus". Assim, Bunyan cita ITessalonicenses 3.3, "... para que ninguém seja abalado por essas tribulações. Vocês sabem muito bem que somos designados para isso". Bunyan nos relembra que não devemos pensar que o sofrimento é algo estranho para quem teme a Deus (IPe 4.12), e apela paraApocalipse 6.11, onde é dito aos mártires sob o altar...







Toda Árvore boa dá bons Frutos - John Piper

Quando estamos ligados a Jesus pela fé, temos uma nova vida de amor. Esse é o fruto que Jesus produz enquanto trabalha em nós: "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma" (João 15.5). Em outra ocasião, ele deixa claro que a"árvore boa" — quem confia verdadeiramente nele — produzirá frutos bons: "Toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins" (Mateus 7.17).
ãos”. Pois como disse o Guilherme alhures:

O fruto não faz a árvore ficar boa. A árvore é que faz o fruto ser bom. Boas ações não nos vinculam a Jesus. Elas não são a base para sermos declarados justos. Somente a confiança em Jesus nos liga a ele. Mediante essa ligação, Deus declara que somos perfeitos, e essa mesma ligação libera o poder de produzir fruto. Quando Jesus afirma:"Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo" (7.19), ele não está dizendo que somos aceitos por Deus por causa do fruto — o publicano não tinha nenhum fruto a oferecer —, mas que a ausência de fruto mostra que não estamos ligados a Jesus.


Por isso, quando Jesus ordena que façamos a vontade de seu Pai que está nos céus, ele quer dizer duas coisas. Primeira: "Creiam em mim como sua única esperança para uma perfeita justiça, que não procede de vocês. Essa perfeição é o fundamento de vocês terem sido aceitos por Deus e do direito que têm à herança na vida eterna". E por isso que quando lhe perguntaram: "O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?", Jesus deu esta resposta simples: "A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou" (João 6.28,29).

Crer em Jesus é o primeiro e o mais essencial aspecto da vontade de Deus para nós. Segunda: "Essa mesma fé que os liga a mim para justificação também os liga a mim da mesma forma que um ramo confia na videira. Dessa maneira, vocês produzirão o fruto do amor que cumpre a lei de Deus por meio de um comportamento verdadeiro e constante".



Para que frutifiquemos para Deus – John Piper

.. meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. Romanos 7.4
.

Quando Cristo morreu por nós, nós morremos com ele. Deus olhou para nós que cremos como quem está unido a Cristo. Sua morte por nossos pecados foi nossa morte nele. Veja o capítulo anterior. Mas o pecado não foi a única realidade que matou a Jesus e a nós. A lei de Deus também o fez. Quando quebramos a lei pelo pecado, a lei nos sentencia à morte. Se não houvesse lei, não haveria castigo. "Onde não há lei, também não há transgressão" (Rm 4.15). Mas "... tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus" (Rm 3.19).

Não havia como escapar da maldição da lei. Ela era justa e nós éramos culpados. Só havia um modo de nos libertar. Alguém tinha de pagar a pena. Foi para isso que veio Jesus. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3.13).

Sendo assim, a lei de Deus não pode nos condenar se estivermos em Cristo. Seu domínio sobre nós é duplamente quebrado. Por um lado, as exigências da lei foram cumpridas por Cristo em nosso favor. Ele guardou perfeitamente a lei e isso foi creditado em nossa conta. Por outro lado, a penalidade da lei foi paga pelo sangue de Cristo.

É por isso que a Bíblia ensina claramente que estar bem com Deus não é questão de guardar a lei. "Ninguém será justificado diante dele por obras da lei" (Rm 3.20). "O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus" (Gl 2.16). Não existe esperança de estar em paz com Deus por guardar a lei. A única esperança está no sangue e na justiça de Cristo, que é nossa somente pela fé. "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" (Rm 3.28).

Como, então, podemos agradar a Deus, se nos encontramos mortos para sua lei e ela não mais nos domina? A lei não é a expressão da boa e santa vontade de Deus? (Rm 7.12) A resposta bíblica é que, em vez de pertencermos à lei, que exige e condena, agora pertencemos a Cristo, que exige e concede. Anteriormente, a justiça nos era exigida do lado de fora, em letras escritas na pedra. Mas agora a justiça surge de dentro de nós como um desejo no nosso relacionamento com Cristo. Ele está presente e é real. Pelo seu Espírito ele nos auxilia em nossa fraqueza. Uma pessoa viva substituiu uma lista letal. "A letra mata, mas o espírito vivifica"'(2Co 3.6).


Por esta razão a Bíblia diz que o novo caminho da obediência é frutificador, e não guardador da lei."... meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, afim de que frutifiquemos para Deus" (Rm 7.4). Morremos para a guarda da lei para que vivamos em frutificação. O fruto cresce naturalmente na árvore. Se a árvore for boa, o fruto será bom. E a árvore, neste caso, é um relacionamento vivo no amor de Jesus Cristo. Para isto ele morreu. Agora ele nos convida a vir: "Confie em mim". Morra para a lei, para que você produza o fruto do amor.





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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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