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1 de nov. de 2011

Arrependimento! - George Whitefield (1714 1770) - Sermão Completo


Lucas 13.3 - "Se não vos arrependerdes, todos de igual modo, perecereis".

28 de out. de 2011

Arrependimento! - George Whitefield (1714 1770) - Sermão em vídeo



"Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis,"
(Lc 13.3)

QUANDO consideramos quão abomináveis e agravantes são as nossas ofensas à vista de um Deus santo e justo, atraindo a sua ira sobre nossa cabeça e nos fazendo viver sob sua indignação, devíamos nos dissuadir do mal, ou pelo menos buscarmos o arrependimento e não cometer mais as mesmas coisas! Porém, o homem é tão imprudente quanto à eternidade e tem tão pouca consideração ao bem-estar de sua alma imortal, que ele pode pecar sem pensar que tem de prestar contas de suas ações no Dia do Julgamento...

3 de ago. de 2011

Os Fundamentos do Arrependimento – A. A. Hodge (1823-1886) - Arrependa-se de seu arrependimento - Josemar Bessa



"...quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio." - 2Co 7.11


Um genuíno senso do pecado. A iluminação espiritual e a renovação das inclinações que são afetadas na regeneração levam o crente a perceber e apreciar a santidade de Deus como revelada igualmente na lei e no evangelho (Rm 3.20; Jó 43.5,6); e nessa luz ver e sentir a excessiva gravidade de todo pecado e a absoluta pecaminosidade de sua própria natureza e conduta. Esse sentido de pecado corresponde precisamente aos fatos reais do caso, e o homem se apercebe de quão justo é Deus, como sempre o foi.

Arrependimento inclui:

Consciência de culpa; isto é, expondo a punição merecida, como sendo oposta à justiça de Deus. SI 51.4,9.
Consciência de corrupção, como sendo oposta à santida¬de de Deus. SI 51.5,7,10.

Consciência de desamparo. SI 51.11; 114.21,22.

As bases do arrependimento são —

A luminosa apreensão da misericórdia de Deus em Cristo. Isso se faz necessário para o genuíno arrependimento —

Porque a consciência debilitada ecoa a lei de Deus e não pode ser apaziguada por nenhuma outra propiciação senão por aquela exigida pela própria justiça divina; e até que isso seja feito numa confiante aplicação dos méritos de Cristo, ou a indiferença entorpecerá ou o remorso atormentará sua alma.

Porque fora de Cristo Deus é "fogo consumidor", e o medo inextinguível de sua ira repele a alma. Dt 4.24; Hb 12.29.

0 senso da espantosa bondade de Deus, aos nossos olhos, na dádiva de seu Filho, e de nossa ingrata retribuição a ela, é o mais poderoso meio de conduzir a alma ao genuíno arrependimento do pecado quando cometido contra Deus. SI 51.4.

Isso se pode provar pelos exemplos de arrependimento re listrados na Escritura (SI 51.1; 130.4) e pela experiência universal dos cristãos nos tempos atuais.

Quanto à sua essência, o genuíno arrependimento consiste

Numa sincera aversão ao pecado e no pesar pelo nosso pecado pessoal (SI 119.128,136). O pecado é visto como sendo excessivamente grave à luz da santidade divina, da lei de Deus e especialmente da cruz de Cristo. Quanto mais vemos de Deus na face de Cristo, mais nos abominamos e nos arrependemos no pó e na cinza. Jó 42.5,6; Ez 36.31. "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação." 2 Co 7.10. "pois o que vem pela lei é o pleno conhecimento do pecado." Rm 3.20. E, assim, "a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo." Gl 3.24.

A essência do arrependimento consiste —
Em nossa real conversão de todo pecado para Deus. Esse é aquele retorno prático ou "conversão" do pecado para Deus, que é a instantânea e necessária conseqüência da regeneração. É um voluntário abandono do pecado como mau e odioso, com sincera tristeza, humilhação e confissão; e um retorno para Deus como nosso Pai reconciliado, no exercício da fé implícita nos méritos e assistente graça de Cristo. Isso é caracterizado pelo significado do termo grego usado pelo Espírito Santo para expressar a idéia de arrependimento - isto é, "uma mudança de mente", incluindo, evidentemente, uma mudança de pensamento, sentimento e propósito, correspondendo ao nosso novo caráter como filhos de Deus. Se em tal atitude houver sinceridade, naturalmente seremos guiados ao elemento do arrependimento prático, isto é,

Um sincero propósito de, e um perseverante esforço para, nova obediência. At 26.20.

A luz dessas características, pode notar-se que arrependimento para a vida só pode ser exercido por uma alma depois e em conseqüência de sua regeneração efetuada pelo Espírito Santo. Deus regenera; e nós, no exercício da nova e graciosa capacidade assim comunicada, nos arrependemos. Arrependimento e conversão, portanto, são termos aplicados às vezes à mesma experiência graciosa. O uso bíblico dos dois termos difere em dois aspectos: —

Conversão é o termo mais geral, incluindo todas as diversas experiências envolvidas no início da vida divina em nós. Ela enfatiza especialmente aquela experiência como um volver-se para Deus. Arrependimento é mais específico, dando proeminência à obra da lei na consciência, e enfatizando especialmente as experiências que tratam o novo nascimento como sendo um volver-se do pecado.

Conversão é geralmente usada para designar somente as primeiras ações da nova natureza no início da vida religiosa, ou os primeiros passos de um retorno para Deus depois de uma notável recaída (Lc 22.32); enquanto que arrependimento é uma experiência diária do cristão enquanto prossegue a luta contra o pecado em seu coração e vida. SI 19.12,13; Lc 9.23; Gl 6.14; 5.24.

Há um falso arrependimento experimentado antes da regeneração por aqueles que nunca são regenerados, o qual surge simplesmente das operações comuns da verdade e do Espírito na consciência natural, incitando simplesmente certo senso de culpa e corrupção, não levando nem à aversão pelo pecado nem à apreensão da misericórdia de Deus em Cristo, nem ao retorno prático do pecado para Deus. A legitimidade do genuíno arrependimento prova-se —

a.       Em ser ele perfeitamente conformado aos requerimentos e ensinamentos da Escritura, e

b.      Por seus frutos. Se é genuíno, infalivelmente emana da regeneração e guia à vida eterna.

Quando assim definido, o arrependimento é, como a fé, uma graça evangélica a nós comunicada em virtude de Cristo, bem como um dever a nós imposto. O que se diz aqui do arrependimento é igualmente verdadeiro de cada experiência característica do sujeito da regeneração e da santificação. Cristo é a videira; nós somos os ramos. Somos também livres; agentes responsáveis. Cada dever cristão, portanto, é uma graça; pois sem ele não podemos fazer nada. Jo 15.5. E igualmente cada graça cristã é um dever; porque a graça nos é comunicada para ser exercida, e ela só encontra seu genuíno resultado e expressão no dever.

Que ele, portanto, é um dom de Deus, é óbvio —

A luz de sua natureza. Ele envolve verdadeira convicção de pecado; uma santa aversão ao pecado; fé no Senhor Jesus e sua obra, fé esta que é um dom de Deus. Gl 5.22; Ef 2.8.

É diretamente afirmado na Escritura. Zc 12.10; At 5.31; 11.18; 2Tm2.25.

Que deve ser diligentemente proclamado por todo ministro do evangelho é Auto-evidente à luz da natureza essencial do dever.

Porque tal proclamação foi incluída na comissão que Cristo deu aos apóstolos. Lc 24.47,48.

Em virtude do exemplo dos apóstolos. At 20.21.

22 de fev. de 2011

Arrependimento em Deus é Antropomorfismo Pedagógico - Calvino



No tocante à providência de Deus, até onde conduz à completa instrução e à inteira consolação dos fiéis, já que coisa alguma é suficiente para satisfazer plenamente a curiosidade dos homens fúteis, tampouco devemos querer satisfazê-los, já seria suficiente o que foi dito não fora umas poucas passagens que nos são apresentadas em contraposição ao que acima se expôs, parecendo  acenar que em Deus o desígnio não se afigura firme e estável; ao contrário, parece mutável, segundo a disposição das coisas inferiores.

Em primeiro lugar, a providência de Deus é algumas vezes posta em xeque; por exemplo, dizendo que ele se arrependeu de havercriado o homem [Gn 6.6]; de haver elevado Saul ao trono [1Sm 15.11]; de que se haverá de arrepender do mal que infligirá a seu povo, assim que sentisse nele alguma mudança de atitude [Jr 18.8].

Em segundo lugar, fazem referência a algumas anulações de seus decretos. Por meio de Jonas, proclamara aos ninivitas que, decorridos quarenta dias, Nínive haveria de perecer. Todavia, à vista de seu arrependimento, imediatamente cedeu a uma sentença mais clemente [Jn 3.4, 10]. Pela boca de Isaías anunciara a morte de Ezequias, por suas lágrimas e preces foi movido a delongar [Is 38.1, 5; 2Rs 20.1, 5]. Muitos daqui argúem que Deus não fixou os afazeres humanos por um decreto eterno; ao contrário, para cada ano, dia e hora, um a um, decreta isto ou aquilo, segundo são os méritos de cada indivíduo ou conforme julgue reto e justo.

Quanto ao arrependimento, assim se deve admitir que não aplica a Deus nem ignorância, nem erro, nem incapacidade. Ora, se ninguém cede à necessidade de arrependimento de caso pensado e deliberado, não atribuiremos arrependimento a Deus, sem que, por isso, declaremos ou que ele ignora que há de vir, ou que ele não pode evitar, ou que se lança, precipitada e inconsideradamente, a uma decisão de que haja de prontamente arrepender-se. Isto, contudo, tão longe está da intenção do Espírito Santo, que na própria referência ao arrependimento nega que Deus seja movido por compunção, já que ele não é um homem para que se arrependa [1Sm 15.29]. E deve notar-se que no mesmo capítulo de tal modo se associam a ambos, o arrependimento e a imutabilidade de Deus, que simplescomparação concilia mui adequadamente a aparência de discrepância. Toma-se figuradamente a mudança de que Deus tenha se arrependido de ter constituído rei a Saul. Pouco depois se acrescenta: “E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa” [1Sm 15.29]. Com tais palavras, claramente é confirmada a imutabilidade sem qualquer figura.

Portanto, é indubitável que a determinação de Deus, na gestão das coisas humanas, é não só perpétua, mas ainda além de todo e qualquer arrependimento. E para que a constância não lhe fosse duvidosa, se vêem obrigados a dar testemunho em seu favor até mesmo os próprios adversários. Pois Balaão, muito a contragosto, teve de prorromper nesta exclamação: “Deus não é como o homem, para que minta, nem como filho do homem, para que se deixe mudar; e não pode acontecer que ele deixe de fazer tudo quanto disse, e tudo quanto falou tem que cumprir-se” [Nm 23.19].

Portanto, que significa o termo arrependimento quando aplicado a Deus? Exatamente que significam todas as demais formas de expressão que nos descrevem Deus antropomorficamente. Ora, uma vez que nossa insuficiência não atinge sua excelsitude, a descrição que dele nos é apresentada tem de se acomodar à nossa capacidade, para que seja por nós entendida. Esta é, na verdade, a forma de acomodação: que se representa, não tal como é em si, mas como nós o sentimos.

Embora ele esteja além de todo estado passional, no entantotestifica que se ira contra os pecadores. Portanto, assim como, quando ouvimos que Deus se ira, não devemos imaginar que exista nele qualquer emoção, mas, antes, devemos considerar esta expressão como tomada de nosso prisma, porquanto é como se Deus exibisse o semblante de uma pessoa inflamada e irada sempre que exerce o juízo; assim também não devemos conceber outra coisa sob o vocábulo arrependimento senão a mudança de ação, porquanto os homens costumam, ao mudarem o curso da ação, atestar que estão insatisfeitos consigo mesmos. Logo, como qualquer mudança entre os homens é correção do que desagrada, mas a correção provém do arrependimento, por isso pelo termo arrependimento se entende que Deus muda em suas obras. Entretanto, não se reverte nele nem o plano, nem a vontade, nem se oscila seu sentimento. Ao contrário, que desde a eternidade previra, aprovara, decretara, leva adiante em perpétuo teor, por mais súbita que a variação pareça aos olhos dos homens.

14 de fev. de 2011

Arrependimento para Vida - Reverendo Sérgio Ribeiro Santos



Introdução
A chamada ao arrependimento é uma nota marcante nas Escrituras Sagradas. Percebemos que os profetas incessantemente chamavam o povo que havia se distanciado de Deus ao arrependimento (Is. 1:18; Jr. 4:1; Os. 14:1; Jl. 2:12-13; Am. 4:8; Ml. 3:7). Quando João Batista apareceu pregando no deserto, a sua pregação também era uma chamada ao arrependimento (Mt. 3:2 e 8; Mc. 1:4; Lc. 3:3 e 8). Semelhantemente Jesus Cristo (Mt. 4:17; Mc. 1:15; Lc. 5:32) e posteriormente também os apóstolos (At. 2:38; 17:30; 26:19-20; 2 Pd. 3:9; Ap. 3:19). Destes exemplos concluímos que o arrependimento, tal como a fé, também é parte inseparável do processo da salvação. Porém, o que é arrependimento para a vida, conforme está expresso na nossa Confissão de Fé?

I – Arrependimento não é remorso.
Temos um exemplo clássico de alguém que se entristeceu profundamente com a sua atitude. Esse foi Judas. Ele estava consciente do seu pecado, por isso devolveu as trinta moedas de prata e foi enforcar-se (Mt. 27:3-5). Outro forte exemplo que temos é o de Esaú, que mesmo em lágrimas, não alcançou o verdadeiro arrependimento (Hb. 12:16-17), ainda que reconhecesse seu erro.
Apesar de serem tão comoventes estes relatos bíblicos, porque eles não são considerados como genuínos arrependimentos? A resposta é que a tristeza que eles sentiram foi muito mais por causa daquilo que eles perderam ou das consequências dos seus atos do que propriamente da consciência do pecado que desagrada e ofende a Deus, o nosso Criador e Senhor.
No Novo Testamento somos advertidos tanto por Jesus Cristo quanto nas cartas apostólicas de que haveria pessoas que demonstrariam apenas uma aparente conversão. A parábola do semeador fala-nos da semente que caiu em solo rochoso. Jesus nos explica: “...esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração ...” (Mt. 13:21). Estas pessoas são as mesmas mencionadas em Hebreus, que, mesmo participando das bênçãos dispensadas pelo Espírito Santo à sua igreja, não produzem frutos, mas somente espinhos (Hb. 6:4-8). Quanto a estes, o apóstolo João, afirma que o abandono da fé por parte deles só evidenciará que nunca fizeram parte daqueles que verdadeiramente foram salvos (1 Jo. 2:19). Esta realidade que também fez parte do ministério do apóstolo Paulo (1 Tm. 1:19-20; 2 Tm. 2:17-18; 4:10) Jesus a viu de forma abundante (Mt. 19:22; Jo. 6:66). Pode ser que tenhamos que conviver com muitos até a vinda de Cristo que nunca arrependeram-se verdadeiramente (Mt. 13:13:30), mas a verdade é que, quanto mais o Dia do Senhor se aproximar, mais evidente ficará aqueles que se arrependeram de fato daqueles que nunca foram realmente convertidos, pois muitos destes apostatarão da fé (2 Ts. 2:3), ou seja, abandonarão o conjunto de verdades expostas na Palavra de Deus, pois a fé salvífica eles nunca a possuíram.

II – O significado da palavra “arrependimento”
Arrependimento, no sentido que estamos estudando, significa mudança de mente, atitude, maneira de pensar, disposição, caráter, consciência moral ou voltar-se do pecado para Deus . Logo, em outras palavras, é como se Jesus dissesse: “ Vocês precisam mudar as suas mentes e corações , porque o reino de Deus é chegado” (Mt. 4:17). É importante também salientar que alguns estudiosos utilizam a palavra conversão referindo-se ao mesmo sentido.

III – Como o arrependimento é produzido
1 – Pela graça de Deus
O Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi entregue, disse que ele era a videira verdadeira e nós os ramos. Sem ele nada poderíamos fazer (Jo. 15:5). Arrependimento é fruto da operação do Espírito Santo em nossos corações (Jo. 16:8-11), logo é uma graça dada pelo próprio Deus, assim como aprendemos na carta de Paulo aos Efésios (Ef. 2:8-9).
Esta bênção, já anunciada no Antigo Testamento (Jr. 31:18; Ez. 11:19; 36:26; Zc. 12:10) vemos de maneira bem clara sendo cumprida no Novo Testamento (At. 5:31; 11:18; 2 Co. 7:10; 2 Tm. 2:25). Pelo fato desta graça ser uma bênção destinada exclusivamente aos eleitos de Deus (Jo. 6:44; 10:1-4, 14-16) é que ela não pode ser falsificada. Por isso a ênfase em que Deus é que conduz e concede o arrependimento e que ele conhece aqueles que lhe pertencem (2 Tm. 2:19). Um excelente exemplo da graça de Deus e que contrasta com aqueles que abandonam a fé é o ladrão da cruz, que evidenciou arrependimento em seu momento final.

2 – Através da pregação
Está escrito na Bíblia Sagrada que “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). Porém, qual o genuíno conteúdo da pregação do evangelho, ou seja, qual a mensagem que deve estar presente na pregação do evangelho?
Um bom indicador é observarmos a forma como Jesus pregava. Lemos que Jesus partiu para a Galiléia, “pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc. 1:14-15). Mesmo após a sua ressurreição, quando ele expunha as Escrituras aos seus apóstolos ele enfatiza que um dos pontos centrais de toda a profecia era “que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc. 24:47). Esta ordem, levada a cabo pelos apóstolos, nos faz perceber como realmente ela direcionou o ministério apostólico. Paulo enfatiza de uma maneira bem clara como a chamada ao arrependimento era central na sua pregação (At. 20:20-21). Porém, a pergunta que podemos fazer é: porque a pregação é o meio pelo qual o arrependimento é produzido?

2.1 – A pregação expõe o homem à lei de Deus – Um dos objetivos da pregação do evangelho é expor o homem diante da lei de Deus e assim convencê-lo do seu pecado e da sua miséria espiritual (Rm. 3:20; 7:7). Somente diante do padrão moral estabelecido pelo próprio Deus, que é a sua lei, poderemos fazer uma autoavaliação e percebermos o quão distantes estamos dele e consequentemente, debaixo da sua ira e condenação (Rm. 1:18).

2.2 – A pregação expõe o homem à santidade de Deus – Outro objetivo da pregação, além de nos expor à lei de Deus e assim convencer-nos da nossa miséria espiritual, é também confrontar-nos com a santidade de Deus. A nossa convicção de pecado será proporcional a nossa convicção da santidade de Deus. Somente contemplando o ser de Deus é que faremos uma avaliação mais precisa a respeito da nossa própria situação. Percebemos esta verdade exposta em diversos exemplos da Bíblia: o povo de Israel na planície do Sinai (Ex. 20:18-21); Moisés (Ex. 33:17-23; 34:4-8); Manoá, pai de Sansão (Jz. 13:21-22); Jó (Jó:42:5-6); Isaías (Is. 6:5); Ezequiel (Ez. 1:26-28); Daniel (Dn. 8:26-27; 10:8-9); os discípulos diante da transfiguração de Jesus (Mt. 17:5-7); Pedro (Lc. 5:8); Saulo (At. 9:3-6) e João (Ap. 1:17-18). Diante destes exemplos, vemos que a maior necessidade que temos é o conhecimento de Deus (Os. 4:6 6:3 e 6), pois só através deste conhecimento teremos vida eterna (Jo. 17:3) e verdadeiramente conheceremos quem de fato somos nós, o que produzirá em nós a convicção de pecado e a necessidade de arrependimento.

3 – Quando o regenerado manifesta
3.1 – Tristeza pelos seus pecados – O arrependimento não é remorso e não pode ser medido pela quantidade de lágrimas derramadas. Porém, temos evidências mais do que suficientes, de que o arrependimento produz em nós tristeza por causa dos nossos pecados. Sentimo-nos envergonhados diante de Deus e repudiamos a nossa própria maneira pecaminosa de agir (Sl. 51:4, 5 e 9; 119:128 e 136; Is. 30:22; Jr. 31:18-19; Ez. 18:30-31; 36:31; Jl. 2:12-13; Am. 5:15; Rm. 12:9; 2 Co. 7:10; Jd. 23).
3.2 – Frutos de arrependimento – A maior manifestação de um coração arrependido não é tanto a quantidade de suas palavras ou a sua comoção espiritual. A maior manifestação do arrependimento é o fruto que ele produz (Mt. 3:8). São os frutos que testificarão a nossa comunhão com Deus e o nosso desejo de serví-lo (2 Rs. 23:25; Sl. 119: 6, 59, 106; Lc. 1:6; At. 26:16-20). Estudaremos mais sobre este ponto quanto abordarmos o tema das boas-obras.

IV – Características do arrependimento
1 – Possuiu um aspecto intelectual
Como já mencionamos anteriormente, o arrependimento é a compreensão da nossa situação espiritual quando somos expostos diante da lei de Deus e da sua santidade. Entendemos as verdades de Deus e cremos nas suas promessas de perdão e restauração. Pela ação do Espírito Santo, o evangelho passa a fazer sentido para nós e então compreendemos o plano de Deus para a nossa salvação. O arrependimento não é apenas uma mera comoção espiritual ou emocional.

2 – Possui um aspecto emocional
Contudo, mesmo possuindo um ingrediente racional, o arrependimento toca o homem por inteiro. Ele se entristece por causa do seu pecado, sente vergonha de si mesmo e humilha-se diante de Deus. Por isso, dizemos que o arrependimento possui também um aspecto emocional.

3 – É uma evidência e não a base da salvação
É muito importante que observemos aqui que não é o nosso arrependimento que é a causa e a base da nossa salvação. Ele é uma evidência e uma exigência para a nossa salvação (Lc. 13:3 e 5; At. 17:30-31). Porém, esta é um ato da livre graça e amor de Deus (Ez. 16:61-63; 36:31-32; Os. 14:2 e 4; Rm. 3:24; Ef. 1:7). Nada há que façamos que nos torne merecedores da salvação, nem mesmo o nosso arrependimento.

4 – Deve continuar durante toda a vida
Não existe um pecado tão pequeno que não mereça condenação (Mt. 12:36; Rm. 5:12; 6:23; Tg. 2:10), porém, não há um pecado tão grande que traga condenação sobre aqueles que verdadeiramente se arrependem (Is. 1:18; 55:7; Rm. 8:1). Desta verdade, aprendemos que não há sequer um pecado do qual não devamos nos entristecer e não confessá-los um a um (Sl.19:13; Lc. 19:8; 1 Tm. 1 :13 e 15) ao Senhor. Porém, temos a segurança de que em todos os momentos, podemos humildemente buscar ao Senhor, descansando na sua graça, perdão e amor obtidos através da mediação e sacrifício de Cristo (Sl. 32:5-6; 51: 4, 5, 7, 9, 10; Pv. 28:13; 1 Jo. 1:9-2:2).
Da mesma forma, se pecarmos contra o nosso irmão ou contra a igreja de Cristo, devemos estar prontos para pessoalmente ou publicamente pedirmos perdão e confessarmos o nosso pecado (Tg. 5:16). Caso sejamos procurados por um irmão que peça o nosso perdão, devemos perdoá-lo, assim com fomos perdoados (Mq. 7:18-19; Mt. 6:12; Lc. 17:3-4; 2 Co. 2:7-8; Gl. 6:1-2), esquecendo-se de uma vez por todas da ofensa.

Conclusão
Certa vez Jesus contou a parábola de uma pai que chamou os seus dois filhos para ajudá-lo na vinha (Mt. 21:28-32). O primeiro disse que iria mas não foi. O segundo disse que não iria mas foi. O segundo demonstrou o verdadeiro arrependimento. Que a cada dia o Senhor conceda ao nosso coração a sensibilidade para nos entristecermos por causa do nosso pecado e humildade para buscá-lo. E àqueles que ainda estão longe, a nossa oração é que a bondade de Deus os conduza ao arrependimento.

7 de fev. de 2011

[ Áudio ] O Verdadeiro Arrependimento – C. H. Spurgeon



O lamento espiritual genuíno pelo pecado é obra do Espírito de Deus. Arrependimento é uma flor preciosa para crescer no jardim da natureza. As pérolas crescem naturalmente nas ostras, mas a penitência nunca se mostra nos pecadores, a menos que a graça divina opere neles: “A tristeza segundo Deus produz arrependimento” (2Co 7.10).






29 de jan. de 2011

Pecado, Pecadores e Arrependimento - John Gill



O objeto do arrependimento é o pecado. Por isso, é chamado de “arrependimento de obras mortas” (Hb 6.1), que o pecado produz. Dessas obras o sangue de Cristo purifica a consciência de um pecador arrependido, trazendo-lhe paz e perdão (Hb 9.1).

(1) Primeiramente, tem de haver arrependimento não somente de pecados grosseiros, mas também de pecados menores. Há diferenças entre os pecados. Uns são maiores, outros, menores (Jo 19.11). Mas ambos exigem arrependimento. Pecados contra ambas as tábuas da Lei, pecados imediatamente contra Deus e pecados contra os homens (alguns pecados contra os homens são mais perversos e graves do que outros), bem como aqueles pecados contra Deus, tais como adorar demônios e ídolos de ouro e prata, etc., assassinatos, feitiçaria, fornicação e roubos... e não somente esses, mas também pecados menores — tem de haver arrependimento de todos eles, bem como de pensamentos pecaminosos, pois os pensamentos insensatos são pecado (Pv 24.9)...

O homem ímpio tem de se arrepender e abandonar seus pensamentos, e o homem perverso, deixar os seus caminhos e converter-se ao Senhor. Deve haver arrependimento não somente de pensamentos impuros, orgulhosos, maliciosos, invejosos e vingativos, mas também de pensamentos de obter a justificação diante de Deus mediante a justiça própria, que pode estar implícito no texto ao qual nos referimos (Is 55.7).

(2) Em segundo, tem de haver arrependimento de pecados públicos eparticulares. Alguns pecados são cometidos de maneira notória, à luz do dia, e são conhecidos por todos. Outros pecados são mais secretos. Um pecador verdadeiramente despertado... se arrepende deles, de coração, e até de pecados conhecidos somente por ele mesmo e por Deus. Isso é uma prova da genuinidade de seu arrependimento.

(3) Em terceiro, tem de haver arrependimento de pecados de omissão e de comissão. Quando alguém omite os deveres espirituais que devem ser cumpridos ou comete pecados que deveriam ser evitados; ou omite as questões mais importantes do cristianismo e atenta somente às menos importantes, quando deveria ter feito aquelas e não ter omitido estas; e, visto que Deus perdoa ambas (Is 43.22-25) — ele precisa arrepender-se de ambos os tipos de pecado. Um senso da graça perdoadora engajará o pecador despertado na prática do arrependimento.

(4) Em quarto, tem de haver arrependimento de pecados cometidos nas mais solenes, sérias, espirituais e santas realizações do povo de Deus. Não há um homem justo que faça o bem e não peque no bem que faz. Há não somente imperfeição, mas também impureza na melhor retidão que os santos produzem de si mesmos e, por isso, é chamada de “trapo da imundícia” (Is 64.6).

(5) Em quinto, tem de haver arrependimento dos pecados diários da vida. Nenhum homem vive sem cometer pecados. O pecado é cometido diariamente pelo melhor dos homens. Em muitas ou mesmo em todas as coisas, todos ofendemos a Deus. Assim como temos necessidade diária de orar e somos instruídos a rogar a Deus o perdão dos pecados, assim também temos de nos arrepender dos pecados todos os dias... O arrependimento deve ser exercitado continuamente pelos crentes, visto que eles pecam a todo momento contra Deus, em pensamentos, palavras e atos.

(6) Em sexto, devemos nos arrepender não somente de pecados e transgressões em pensamentos, palavras e obras, mas também do pecado original e natural. Quando Davi caiu em pecados graves e foi trazido ao senso arrependimento sincero pelos pecados, fez confissão dos pecados no salmo penitencial que escreveu na ocasião e foi levado a perceber e lamentar a corrupção original de sua natureza. Dessa corrupção flui todas as ações pecaminosas — “Eu nasci na iniqüidade” (Sl 51.5)... Ora, quando um pecador despertado confessa, lamenta e chora a corrupção original de sua natureza e o pecado que habita nele, esse é um caso evidente de que seu arrependimento é genuíno e sincero...

Os sujeitos do arrependimento são os pecadores, e somente eles. Adão, em seu estado de inocência, não tinha necessidade de arrependimento. Como não pecava, não havia pecado do qual ele tinha de se arrepender. Aqueles que, em suas considerações, imaginam-se perfeitamente justos e sem pecado não têm necessidade de arrependimento. Por isso, Cristo disse: “Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Mt 9.13).

(a) Todos os homens são pecadores; todos descendem de Adão por geração natural. Toda a posteridade de Adão estava nele; e, representados por ele quando pecou, todos pecaram nele. O pecado de Adão lhes foi imputado e possuem uma natureza corrupta que legaram dele. Por isso, são transgressores desde o ventre e culpados de pecados e transgressões atuais. Assim, todos necessitam de arrependimento, incluindo aqueles que se acham justos e desprezam os outros como menos santos do que eles mesmos. Esses acham que não necessitam de arrependimento, mas isso não é verdade. E não somente eles, mas também aqueles que estão no melhor senso de justiça precisam do arrependimento diário, visto que pecam continuamente em tudo que fazem.

(b) Os homens de todos os povos, judeus e gentios, são os sujeitos do arrependimento. Todos estão debaixo do pecado, sob o seu poder, envolvidos em sua culpa e sujeitos à sua punição. Deus ordena que “todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30). Durante o tempo em que João Batista e nosso Senhor estiveram na terra, a doutrina do arrependimento foi pregada somente aos judeus. Mas depois da ressurreição de Cristo, Ele instruiu seus apóstolos e ordenou que “em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.47). Em conseqüência disso, os apóstolos exortaram primeiramente os judeus e, depois, os gentios a se arrependerem. E, de modo específico, o apóstolo Paulo testificou “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21).

(c) Os homens são os sujeitos do arrependimento somente nesta vida. Quando esta vida terminar, acabar-se a dispensação do evangelho e Cristo vier pela segunda vez, a porta do arrependimento e da fé se fechará. Não haverá mais lugar para o arrependimento, nem meio de arrependimento, nem sujeitos capazes de realizá-lo. Quanto aos santos no céu, eles não precisam de arrependimento. Quanto aos ímpios no inferno, eles estão desespero total e são incapazes de se arrependerem para a vida... Embora haja choro e ranger de dentes ali, não há arrependimento. Por isso, o rico que estava no inferno desejou que Lázaro fosse enviado a seus irmãos vivos, esperando que, por meio da ida de um dentre os mortos, para alertá-los sobre o lugar de tormento, eles se arrependeriam. Ele sabia que seus parentes nunca se arrependeriam ali, se não o fizessem na vida presente, antes de irem para aquele lugar. Portanto, o arrependimento não dever ser procrastinado.



Extraído de A Complete Body of Doctrinal Divinity Deduced from Sacred Scripture,reimpresso por The Baptist Standard Bearer.

Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright© Editora FIEL 2009.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

20 de jan. de 2011

Seis Componentes do Arrependimento - Thomas Watson



O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais... Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder.
Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos... Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.
Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram... e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento... Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) — todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza.

Essa tristeza implica (1) tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas! (2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado... A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência. (3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila... O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4)

Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento... o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:

1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. É interior em duas maneiras: (1) é uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado — “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.

2. A tristeza espiritual é sincera. É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena... A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, uma diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus... Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!...

3. A tristeza espiritual Deus é repleta de confiança. É mesclada com fé... A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós...

4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. “Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.

5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).

6. A tristeza espiritual é permanente. Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril — logo acaba — ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.
Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel... puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.

A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)... E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde...” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).

Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas... qualificações precisam estar presentes:

1. A confissão tem de ser espontânea. Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão... Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente...

2. A confissão tem ocorrer com contrição. O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada: “Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4). Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.

3. A confissão tem de ser sincera. Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente... Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.

4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado. O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral... Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma... Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.

5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal... Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!...
Componente 4: Vergonha pelo pecado. O quarto componente no arrependimento é a vergonha. “Para que... se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10). O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor — “Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6). O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há... algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:

1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.

2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!... Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).

3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha...

4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?

5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.

6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles... Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.
Componente 5: Ódio pelo pecado. O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniqüidades e o ódio da inimizade.

Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniqüidades. “Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31). Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo... Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelamos o céu enquanto não detestamos o pecado.

Em segundo, há um ódio da inimizade. Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado... O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.

Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?

1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável... O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.

2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente. Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto. (a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade. “Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15). Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado. (b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos... Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).

3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.

4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la...

5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família — “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7). Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.

Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça — “Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15). Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26). Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão... Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado...
Componente 6: Converter-se do pecado. O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado... Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.

Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu... Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.

Para identifica corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:

1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente... No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira... Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.

2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado... Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.

3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus... Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”
Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.

23 de dez. de 2010

Examinando Nosso Arrependimento -Thomas Watson



Se alguém diz que se arrependeu, desejo que examine-se a si mesmo, seriamente, por meio dos sete... efeitos do arrependimento delineados pelo apóstolo em 2 Coríntios 7.11.

1. Cuidado. A palavra grega significa uma diligência intensa ou um esquivar-se atento de todas as tentações ao pecado. O homem verdadeiramente arrependido foge do pecado como Moisés fugiu da serpente.

2. Defesa. A palavra grega é apologia. O sentido é este: embora tenhamos muito cuidado, podemos cair no pecado devido à força da tentação. Ora, nesse caso, o crente arrependido não deixa o pecado supurar em sua alma; antes, julga a si mesmo por causa de seu pecado. Derrama lágrimas perante o Senhor. Clama por misericórdia em nome de Cristo e não O deixa, enquanto não obtém o seu perdão. Assim, em sua consciência, ele é defendido da culpa e se torna capaz de criar uma apologia para si mesmo contra Satanás.

3. Indignação. Aquele que se arrepende levanta o seu espírito contra o pecado, assim como o sangue de alguém sobe quando ele vê um indivíduo a quem odeia mortalmente. A indignação significa ficar importunado no coração por causa do pecado. O penitente sente-se inquieto consigo mesmo. Davi chamou a si mesmo de “ignorante” e “irracional” (Sl 73.22). Agradamos mais a Deus quando arrazoamos com nossa alma por conta do pecado.

4. Temor. Um coração sensível é sempre um coração que teme. O penitente sentiu a amargura do pecado. Este vespa o ferrou, e agora, tendo esperança de que Deus está reconciliado, ele teme se aproximar novamente do pecado. A alma penitente está cheia de temor. Tem medo de perder o favor de Deus, que é melhor do que a vida, e receia que, por falta de diligência, fique aquém da salvação. A alma penitente teme que, depois de amolecido o seu coração, as águas do arrependimento sejam congeladas, e ela seja endurecida no pecado novamente. “Feliz o homem constante no temor de Deus” (Pv 28.14)... Uma pessoa que se arrependeu teme e não peca; uma pessoa que não tem a graça de Deus peca e não teme.

5. Desejo intenso. Assim como o bom tempero estimula o apetite, assim também as ervas amargas do arrependimento estimulam o desejo. O que o penitente deseja? Ele deseja mais poder contra o pecado, bem como ser livre deste. É verdade que ele está livre de Satanás; mas anda como um prisioneiro que escapou da prisão com algemas nas pernas. Ele não pode andar com liberdade e destreza nos caminhos de Deus. Deseja, portanto, que as algemas do pecado sejam removidas. Ele quer ser livre da corrupção. Clama nas mesmas palavras de Paulo: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Em resumo, ele deseja estar com Cristo, assim como tudo deseja estar em seu devido lugar.

6. Zelo. Desejo e zelo são colocados lado a lado a fim de mostrar que o verdadeiro desejo se manifesta em esforço zeloso. Oh! como o crente arrependido se estimula nas coisas pertinentes à salvação! Como se empenha para tomar por esforço o reino de Deus (Mt 11.12)! O zelo incita a busca pela glória. Ao se deparar com dificuldades, o zelo é encorajado pela oposição e sobrepuja o perigo. O zelo faz o crente arrependido persistir na tristeza santa mesmo diante de todos os desencorajamentos e oposições. O zelo desprende o crente de si mesmo e leva-o a buscar a glória de Deus. Paulo, antes de sua conversão, era enfurecido contra os santos (At 26.11). Depois da conversão, ele foi considerado louco por amor a Cristo: “As muitas letras te fazem delirar!” (At 26.24). Paulo tinha zelo e não delírio. O zelo causa fervor na vida espiritual, que é como fogo para o sacrifício (Rm 12.11). O zelo é um estímulo para o dever, assim como o temor é um freio para o pecado.

7. Vindita. Um crente verdadeiramente arrependido persegue os seus pecados com uma malignidade santa. Busca a morte dos pecados como Sansão queria vingar-se dos filisteus pelos seus dois olhos. O crente arrependido age com seus pecados da mesma maneira como os judeus agiram com Cristo. Ele lhes dá fel e vinagre para beberem. Crucifica as suas concupiscências (Gl 5.24). Um verdadeiro filho de Deus busca a ruína daqueles pecados que mais desonram a  Deus... Com o pecado, Davi contaminou o seu leito; depois, pelo arrependimento, ele inundou seu leito com lágrimas. Os israelitas pecaram pela idolatria e, posteriormente, viram como desgraça os seus ídolos: “E terás por contaminados a prata que recobre as imagens esculpidas e o ouro que reveste as tuas imagens de fundição” (Is 30.22)... As mulheres israelitas que haviam se vestido à moda da época e, por orgulho, tinham abusado do uso de seus espelhos ofereceram-nos depois, tanto por zelo como por vingança, para o serviço do tabernáculo de Deus (Êx 38.8). Com o mesmo sentimento, os mágicos... quando se arrependeram, trouxeram seus livros e, por vindita, queimaram-nos (At 19.19).

Estes são os benditos frutos e resultados do arrependimento. Se os acharmos em nossa alma, chegamos àquele arrependimento do qual nos arrependeremos (2 Co 7.10).


Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.
Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright© Editora FIEL 2009.

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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