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3 de mar. de 2011

Propostas Perigosas -Hernandes D.Lopes



A Parábola dos Lavradores


"Havia um proprietário, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou ali um lagar, edificou uma torre e depois a arrendou a uns lavradores, ausentando-se para longe. Ao aproximar-se o tempo dos frutos, enviou seus servos aos lavradores, para receberem os frutos que lhe tocavam. Estes, agarrando os servos, mataram um, feriram outro e a outro apedrejaram, recambiando-os sem coisa alguma. Enviou ainda outros servos, em maior número do que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Hão de ter respeito a meu filho. Mas, vendo-o, os lavradores disseram entre si: este é o herdeiro; vinde, matemo-lo e ficaremos senhores de sua herança. E lançando-lhe as mãos, puseram-no fora da vinha e o mataram. Quando, pois, vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe: Destrui-los-á rigorosamente, e arrendará a sua vinha a outros lavradores, que lhe paguem os frutos há seu tempo devidos". (Mateus, 21:33-41).


A Murmuração Irá te Destruir - Jeremiah Burroughs


A murmuração é prejudicial para nós, primeiramente, porque uma vez iniciada, ela vai piorando cada vez mais. Um espírito de murmuração é semelhante a uma ferida que se tornou pútrida. A carne infeccionada não pode receber tratamento; ela tem que ser cortada; caso contrário a infecção se espalhará por todo o corpo. E uma tendência à murmuração, se não for estancada, espalhará por toda nossa vida e arruinará tudo.

Por que é tão grave reclamar? Porque é pecado—e isso é a nossa segunda observação. Em Judas, versículos 14-16, os "murmuradores" são colocados em primeiro lugar na lista de pessoas ímpias que Deus irá julgar. Murmurar é pecaminoso: Deus julgará quem faz isso. Que coisa horrível!

Mas por que razão a murmuração. é pecado? À nossa terceira observação é que ela envolve rebelião contra Deus. Quando os israelitas estavam no deserto reclamaram repetidas vezes; Deus os havia resgatado da servidão no Egito, mas eles não se sentiram felizes e gratos por muito tempo. E todas ias vezes que eles murmuraram, Deus considerou aquilo como algo dirigido diretamente contra Ele (Números 14:26-29). Em Números, capítulo 16, o povo murmurou contra Moisés e Arão, mas Deus tratou do assunto como algo feito contra Si próprio, e um terrível castigo sobreveio aos rebeldes: murmurar é coisa grave e tem de ser tratada antes que tal espírito de murmuração se espalhe entre os outros.

Mas, em quarto lugar, reclamar é especialmente sério para os servos de Deus porque isso é uma contradição de tudo o que aconteceu quando Deus os converteu. Ele os fez ver seu pecado e admitir que eram culpados: e porventura tem eles o direito de permitir que algo tão insignificante os faça infelizes? Ele lhes mostrou o maravilhoso amor de Cristo, Sua disposição de deixar Seu Pai e a glória do céu, Sua paciência em aceitar as limitações de um corpo humano, Se humilhar em submissão, perfeita vida e morte sem pecado. Podem eles esquecer tudo isso, e se queixar de que Deus não foi bondoso para com eles? Ele os libertou da necessidade de coisas materiais para que fossem felizes e será que vão reclamar por causa disso? Cristo agora é o Senhor e Rei deles; será que vão rejeitar Sua liderança reclamando dEle? Deus os levou a se submeterem à Sua vontade; e se agora reclamarem, isso sugere que jamais se submeteram, e talvez nem sejam verdadeiros cristãos. Se os cristãos se lembrassem do que Deus tem feito para eles, Seu amor, Seu perdão, Seu dom de uma nova vida, e se se recordassem de que Ele os converteu exatamente com o propósito de viverem na luz de todas essas coisas até o dia de sua morte, eles não murmurariam; pelo contrário, iriam desejar se submeter a Jesus Cristo como seu Senhor, Salvador e Rei.

A quinta coisa que podemos dizer com relação à murmuração é que ela está aquém do padrão que Deus estabelece para os cristãos. Deus é o Pai deles: caso reclamem, isso implica que julgam que Ele não está disposto nem é capaz de zelar pelos melhores interesses deles. Cristo é o noivo; se eles murmuram, significa que eles não confiam no Seu amor. O Espírito Santo é o ajudador deles; se murmuram, querem dizer com isso que não crêem de fato que Ele pode ajudá-los.

Examinemos mais de perto os padrões que Deus estabelece para os cristãos. Ele os elevou a uma posição de grande honra, os fez senhores do céu e da terra; os trouxe para perto dEle mais do que os anjos, uniu-os a Cristo; os cristãos estão numa posição de grande privilégio. Mas Deus teve um propósito ao chamá-los a tal posição. A razão foi para que suas vidas pudessem mostrar o poder de Deus. Então, Ele tem o direito de esperar que aqueles a quem tanto honrou não murmurem.

Deus não é apenas o Salvador deles; Ele é também seu Pai. Os pais almejam ver irromper em seus filhos seus pontos fortes, e Deus deseja ver Seu Espírito operando em Seus filhos. Especialmente Ele quer vê-los se tornando semelhantes ao Seu Filho Jesus Cristo, que sofreu sobremaneira e jamais reclamou, pelo contrário orou "Não a minha vontade seja feita, mas a Tua". Deus tem o direito de esperar que Seus filhos não murmurem.

Se os cristãos dizem que Deus significa mais para eles do que as coisas deste mundo, eles devem prová-lo pela maneira como vivem. É melhor não afirmar ser um cristão do que ser inconsistente no comportamento. Deus tem o direito de esperar que aqueles que reivindicam ser cristãos vivam segundo os padrões cristãos.

Deus concede aos cristãos a fé, por isso têm certeza que tudo que Ele prometeu será deles por direito. A Bíblia afirma que eles devem "viver pela fé". Isso não significa que possam esperar viver sem problemas. Se isso fosse verdade, não haveria necessidade de fé! O que realmente quer dizer é que eles podem aceitar com alegria a vontade de Deus, porque sabem que Ele prometeu toda sorte de coisas boas para eles. Deus tem o direito de esperar que aqueles que foram ensinados a crer em Suas promessas não murmurem.

Em poucas palavras, Deus espera que os cristãos sejam pacientes em tempos de provas e se alegrem em tempos de dificuldade. Pela Sua graça muitos já alcançaram este alto padrão: Lemos sobre alguns deles em Hebreus, capítulo 11, pessoas simples que dependiam de Deus para sustentá-las em situações difíceis. Deus espera isso de nós; se outros fizeram isso, também nós podemos!

Voltando agora ao assunto da murmuração, uma sexta coisa que temos de observar é que ela faz com que nossas orações não tenham qualquer sentido. Não podemos dizer "Seja feita a tua vontade" e esperar que a nossa seja feita! Não podemos dizer "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia", e esperar luxo amanhã! A oração é exatamente o reconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus. Se começamos a murmurar sobre o que Deus nos dá, então, devemos deixar de orar.

Em sétimo lugar a murmuração só causa infelicidade. Ela é uma perda de tempo; nossas mentes ficam tão cheias de reclamações que deixamos de pensar em Deus e na Sua Palavra. Ela nos faz úteis para o serviço de Deus. Uma pessoa contente pode oferecer consolo aos outros em tempo de necessidade, mas um resmungão não tem nada a oferecer. Reclamar é o primeiro passo para se afastar de Deus, e como ocorreu com Jonas, para tentar frustrar o plano de Deus, ao invés de submeter-se a Ele. Pior que isso, a murmuração nos torna pessoas ingratas, e a Bíblia considera a ingratidão um pecado. Cristãos que resmungam não são gratos pelos muitos dons que eles têm; eles afirmam que desejam os melhores dons para poderem glorificar a Deus cada vez mais, porém na verdade não são gratos pelas coisas que já receberam. Os cristãos podem ser ingratos dessa maneira, tanto com os dons espirituais que Deus lhes dá quanto com as bênçãos materiais que possuem. Entretanto, Deus espera que os cristãos sejam gratos e O louvem por tudo o que Ele lhes deu. Lutero disse: "O método do Espírito de Deus é pensar menos nas coisas ruins e mais nas coisas boas; pensar que se a cruz vem, é apenas algo pequeno, mas se a misericórdia chega, é algo grandioso." Se vierem as provas, os cristãos deveriam agradecer a Deus por elas não serem tão severas como poderiam ser. O Espírito Santo os ensina como enaltecer ao máximo suas bênçãos e minimizar os seus problemas. O diabo faz o oposto; vejam os israelitas no deserto. Disseram a Moisés: "É pouco, porventura, que nos tenha feito subir de uma terra que mana leite e mel, para nos matares no deserto, para que queiras ainda fazer-te príncipe sobre nós?" (Números 16:13). O espírito de murmuração tinha entrado neles a ponto deles estarem desvirtuando a verdade. O Egito, terra de escravidão, trabalhos forçados, espancamento e mortandade dos fi lhos, não era "terra que mana leite e mel". A liderança de Moisés estava sendo questionada e seus motivos estavam sendo mal interpretados. Os cristãos podem se comportar do mesmo modo. Quando os problemas surgem, eles são tentados a pensar que antes eram mais felizes, e tal pensamento apenas os torna mais infelizes.

Por essa razão podemos acrescentar a oitava observação sobre a murmuração. Visto que ela só nos torna mais infelizes, ela não somente é pecado, mas também é tolice. Que adianta murmurar sobre algo que não temos? Isso facilita nosso aproveitamento das coisas que já temos? Acaso a criança que joga fora seu pedaço de pão vai satisfazer a sua fome por que não há mais bolo? A murmuração é algo fútil. Perguntou o Senhor Jesus: "Quem de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?" (Mateus 6:27). A resposta naturalmente é que ninguém pode. As pessoas podem se preocupar em demasia, mas a murmuração não lhes fará nenhum bem. Deus talvez retenha uma bênção até que eles estejam num estado adequado de mente para recebê-la. Ou se Deus concede a bênção, os cristãos podem descobrir que seu espírito está agora tão amargurado que não podem apreciar a bondade de Deus. O fato é que a murmuração é tolice, pois, ela torna as coisas ainda piores. Cristãos que reclamam são cristãos orgulhosos, que se recusam a se submeter à vontade de Deus para suas vidas. Eles são semelhantes aos marinheiros que reclamam da tempestade ao invés de preparem o navio para enfrentá-la. Marinheiros sensatos reconhecem a superioridade da tempestade e arriam as velas.

As últimas duas coisas que podemos observar com respeito à murmuração são muito sérias. A murmuração provoca a ira de Deus. Ele Se irou quando os israelitas murmuraram; Ele Se enfurece quando os cristãos reclamam. Os israelitas foram punidos por causa da murmuração; e os cristãos, portanto, deveriam tomar cuidado para não aumentar aos seus problemas por atrair sobre si o castigo de Deus. Um espírito intranqüilo e murmurador é o espírito de satanás. Ele foi o primeiro a se rebelar, o primeiro a se queixar, o primeiro a ser amaldiçoado por Deus. Toda rebelião é amaldiçoada, e os cristãos deveriam levar a sério o que a Bíblia diz sobre a murmuração.

A última coisa que vamos observar sobre este assunto é que Deus pode retirar Seu cuidado e proteção daqueles que reclamam dEle. Um empregado descontente pode ser demitido e mandado a procurar outro emprego; e Deus pode enviar Seu povo a procurar outro senhor se ele reclamar da forma como é tratado. Isso pode ser uma forma dEle disciplinar Seus servos e fazê-los confiar nEle, ou pode ser porque eles nunca foram cristãos verdadeiros.
Resmungar faz mal para você. É o primeiro passo numa estrada escorregadia e íngreme. Alguns dos israelitas que murmuraram no deserto jamais viram a terra prometida.


Seguindo a Deus de Perto – A. W. Tozer



“A minha alma apega-se a ti: a tua destra me ampara” (Sl 63:8.).


O evangelho nos ensina a doutrina da graça preveniente, que significa simplesmente que, antes de um homem poder buscar a Deus, Deus tem que buscá-lo primeiro.
Para que o pecador tenha uma idéia correta a respeito de Deus, deve receber antes um toque esclarecedor em seu íntimo; que, mesmo que seja imperfeito, não deixa de ser verdadeiro, e é o que desperta nele essa fome espiritual que o leva à oração e à busca.
Procuramos a Deus porque, e somente porque, Ele primeiramente colocou em nós o anseio que nos lança nessa busca. “Ninguém pode vir a mim”, disse o Senhor Jesus, “se o Pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6:44), e é justamente através desse trazer preveniente, que Deus tira de nós todo vestígio de mérito pelo ato de nos achegarmos a Ele. O impulso de buscar a Deus origina-se em Deus, mas a realização do impulso depende de O seguirmos de todo o coração. E durante todo o tempo em que O buscamos, já estamos em Sua mão: “... o Senhor o segura pela mão” (Sl 37:24.).
Nesse “amparo” divino e no ato humano de “apegar-se” não há contradição. Tudo provém de Deus, pois, segundo afirma Von Hügel, Deus é sempre a causa primeira. Na prática, entretanto (isto é, quando a operação prévia de Deus se combina com uma reação positiva do homem), cabe ao homem a iniciativa de buscar a Deus. De nossa parte deve haver uma participação positiva, para que essa atração divina possa produzir resultados em termos de uma experiência pessoal com Deus. Isso transparece na calorosa linguagem que expressa o sentimento pessoal do salmista no Salmo 42: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando irei e me verei perante a face de Deus?” E um apelo que parte do mais profundo da alma, e qualquer coração anelante pode muito bem entendê-lo.
A doutrina da justificação pela fé — uma verdade bíblica, e uma bênção que nos liberta do legalismo estéril e de um inútil esforço próprio — em nosso tempo tem-se degenerado bastante, e muitos lhe dão uma interpretação que acaba se constituindo um obstáculo para que o homem chegue a um conhecimento verdadeiro de Deus. O milagre do novo nascimento está sendo entendido como um processo mecânico e sem vida. Parece que o exercício da fé já não abala a estrutura moral do homem, nem modifica a sua velha natureza. É como se ele pudesse aceitar a Cristo sem que, em seu coração, surgisse um genuíno amor pelo Salvador. Contudo, o homem que não tem fome nem sede de Deus pode estar salvo? No entanto, é exatamente nesse sentido que ele é orientado: conformar-se com uma transformação apenas superficial.
Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas da Sua Palavra. Andamos quase inteiramente esquecidos de que Deus é uma pessoa, e que, por isso, devemos cultivar nossa comunhão com Ele como cultivamos nosso companheirismo com qualquer outra pessoa. É parte inerente de nossa personalidade conhecer outras personalidades, mas ninguém pode chegar a um conhecimento pleno de outrem através de um encontro apenas. Somente após uma prolongada e afetuosa convivência é que dois seres podem avaliar mutuamente sua capacidade total.
Todo contato social entre os seres humanos consiste de um reconhecimento de uma personalidade para com outra, e varia desde um esbarrão casual entre dois homens, até a comunhão mais íntima de que é capaz a alma humana. O sentimento religioso consiste, em sua essência, numa reação favorável das personalidades criadas, para com a Personalidade Criadora, Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".
Deus é uma pessoa, e nas profundezas de Sua poderosa natureza Ele pensa, deseja, tem gozo, sente, ama, quer e sofre, como qualquer outra pessoa. Em seu relacionamento conosco, Ele se mantém fiel a esse padrão de comportamento da personalidade. Ele se comunica conosco por meio de nossa mente, vontade e emoções.
O cerne da mensagem do Novo Testamento é a comunhão entre Deus e a alma remida, manifestada em um livre e constante intercâmbio de amor e pensamento.
Esse intercâmbio, entre Deus e a alma, pode ser constatado pela percepção consciente do crente. É uma experiência pessoal, isto é, não vem através da igreja, como Corpo, mas precisa ser vivida, por cada membro. Depois, em conseqüência dele, todo o Corpo será abençoado. E é uma experiência consciente: isto é, não se situa no campo do subconsciente, nem ocorre sem a participação da alma (como, por exemplo, segundo alguns imaginam, se dá com o batismo infantil), mas é perfeitamente perceptível, de modo que o homem pode “conhecer” essa experiência, assim como pode conhecer qualquer outro fato experimental.
Nós somos em miniatura, (excetuando os nossos pecados) aquilo que Deus é em forma infinita. Tendo sido feitos a Sua imagem, temos dentro de nós a capacidade de conhecê-lO. Enquanto em pecado, falta-nos tão-somente o poder. Mas, a partir do momento em que o Espírito nos revivifica, dando-nos uma vida regenerada, todo o nosso ser passa a gozar de afinidade com Deus, mostrando-se exultante e grato. Isso é este nascer do Espírito sem o qual não podemos ver o reino de Deus. Entretanto, isso não é o fim, mas apenas o começo, pois é a partir daí que o nosso coração inicia o glorioso caminho da busca, que consiste em penetrar nas infinitas riquezas de Deus. Posso dizer que começamos neste ponto, mas digo também que homem nenhum já chegou ao final dessa exploração, pois os mistérios da Trindade são tão grandes e insondáveis que não têm limite nem fim.
Encontrar-se com o Senhor, e mesmo assim continuar a buscá-lO, é o paradoxo da alma que ama a Deus. É um sentimento desconhecido daqueles que se satisfazem com pouco, mas comprovado na experiência de alguns filhos de Deus que têm o coração abrasado. Se examinarmos a vida de grandes homens e mulheres de Deus, do passado, logo sentiremos o calor com que buscavam ao Senhor. Choravam por Ele, oravam, lutavam e buscavam-nO dia e noite, a tempo e fora do tempo, e, ao encontrá-lO, a comunhão parecia mais doce, após a longa busca. Moisés usou o fato de que conhecia a Deus como argumento para conhecê-lO ainda melhor. “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o Teu caminho, para que eu Te conheça, e ache graça aos Teus olhos” (Ex 33:13). E, partindo daí, fez um pedido ainda mais ousado: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Ex 33:18). Deus ficou verdadeiramente alegre com essa demonstração de ardor e, no dia seguinte, chamou Moisés ao monte, e ali, em solene cortejo, fez toda a Sua glória passar diante dele.
A vida de Davi foi uma contínua ânsia espiritual. Em todos os seus salmos ecoa o clamor de uma alma anelante, seguido pelo brado de regozijo daquele que é atendido. Paulo confessou que a mola-mestra de sua vida era o seu intenso desejo de conhecer a Cristo mais e mais. “Para O conhecer” (Fp 3:10), era o objetivo de seu viver, e para alcançar isso, sacrificou todas as outras coisas. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor: por amor do qual perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3:8).
Muitos hinos evangélicos revelam este anelo da alma por Deus, embora a pessoa que canta, já saiba que o encontrou. Há apenas uma geração, nossos antepassados cantavam o hino que dizia: “Verei e seguirei o Seu caminho”; hoje não o ouvimos mais entre os cristãos. É uma tragédia que, nesta época de trevas, deixemos só para os pastores e líderes a busca de uma comunhão mais íntima com Deus. Agora, tudo se resume num ato inicial de “aceitar” a Cristo (a propósito, esta palavra não é encontrada na Bíblia), e daí por diante não se espera que o convertido almeje qualquer outra revelação de Deus para a sua alma. Estamos sendo confundidos por uma lógica espúria que argumenta que, se já encontramos o Senhor, não temos mais necessidade de buscá-lO. Esse conceito nos é apresentado como sendo o mais ortodoxo, e muitos não aceitariam a hipótese de que um crente instruído na Palavra pudesse crer de outra forma. Assim sendo, todas as palavras de testemunho da Igreja que significam adoração, busca e louvor, são friamente postas de lado. A doutrina que fala de uma experiência do coração, aceita pelo grande contingente dos santos que possuíam o bom perfume de Cristo, hoje é substituída por uma interpretação superficial das Escrituras, que sem dúvida soaria como muito estranha para Agostinho, Rutherford ou Brainerd.
Em meio a toda essa frieza existem ainda alguns — alegro-me em reconhecer — que jamais se contentarão com essa lógica superficial. Talvez até reconheçam a força do argumento, mas depois saem em lágrimas à procura de algum lugar isolado, a fim de orarem: “Ó Deus, mostra-me a tua glória”. Querem provar, ver com os olhos do íntimo, quão maravilhoso Deus é.
Ë meu propósito instilar nos leitores um anseio mais profundo pela presença de Deus. É justamente a ausência desse anseio que nos tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. A complacência é inimigo mortal do crescimento cristão. Se não existir um desejo profundo de comunhão, não haverá manifestação de Cristo para o Seu povo. Ele espera que o procuremos. Infelizmente, no caso de muitos crentes, é em vão que essa espera se prolonga.
Cada época tem suas próprias características. Neste exato instante encontramo-nos em um período de grande complexidade religiosa. A simplicidade existente em Cristo raramente se acha entre nós. Em lugar disso, vêem-se apenas programas, métodos, organizações e um mundo de atividades animadas, que ocupam tempo e atenção, mas que jamais podem satisfazer à fome da alma. A superficialidade de nossas experiências íntimas, a forma vazia de nossa adoração, e aquela servil imitação do mundo, que caracterizam nossos métodos promocionais, tudo testifica que nós, em nossos dias, conhecemos a Deus apenas imperfeitamente, e que raramente experimentamos a Sua paz.
Se desejamos encontrar a Deus em meio a todas as exteriorizações religiosas, primeiramente temos que resolver buscá-Lo, e daí por diante prosseguir no caminho da simplicidade. Agora, como sempre o fez, Deus revela-Se aos pequeninos e se oculta daqueles que são sábios e prudentes aos seus próprios olhos. É mister que simplifiquemos nossa maneira de nos aproximar dEle. Urge que fiquemos tão-somente com o que é essencial (e felizmente, bem poucas coisas são essenciais). Devemos deixar de lado todo esforço para impressioná-lO e ir a Deus com a singeleza de coração da criança. Se agirmos dessa forma, Deus nos responderá sem demora.
Não importa o que a Igreja e as outras religiões digam. Na realidade, o que precisamos é de Deus mesmo. O hábito condenável de buscar “a Deus e” é que nos impede de encontrar ao Senhor na plenitude de Sua revelação. É no conectivo “e” que reside toda a nossa dificuldade. Se omitíssemos esse “e”, em breve acharíamos o Senhor e nEle encontraríamos aquilo por que intimamente sempre anelamos.
Não precisamos temer que, se visarmos tão-somente a comunhão com Deus, estejamos limitando nossa vida ou inibindo os impulsos naturais do coração. O oposto é que é verdade. Convém-nos perfeitamente fazer de Deus o nosso tudo, concentrando-nos nEle, e sacrificando tudo por causa dEle.
O autor do estranho e antigo clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A nuvem do desconhecimento), dá-nos instruções de como conseguir isso. Diz ele: “Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não Suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo a sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus, esse é o mais agradável exercício espiritual”.
Em outro trecho, o mesmo autor recomenda que, em nossas orações, nos despojemos de todo o empecilho, até mesmo de nosso conhecimento teológico. “Pois lhe basta a intenção de dirigir-se a Deus, sem qualquer outro motivo além da pessoa dEle.” Não obstante, sob todos os seus pensamentos, aparece o alicerce firme da verdade neotestamentária, porquanto explica o autor que, ao referir-se a “ele”, tem em vista “Deus que o criou, resgatou, e que, em Sua graça, o chamou para aquilo que você agora é”. Este autor defende vigorosamente a simplicidade total: “Se desejamos ver a religião cristã resumida em uma única palavra, para assim compreendermos melhor o seu alcance, então tomemos uma palavra de uma sílaba ou duas. Quanto mais curta a palavra, melhor será, pois uma palavra menor está mais de acordo com a simplicidade que caracteriza toda a operação do Espírito. Tal palavra deve ser ou Deus ou Amor”.
Quando o Senhor dividiu a terra de Canaã entre as tribos de Israel, a de Levi não recebeu partilha alguma. Deus disse-lhe simplesmente: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel” (Nm 18:20), e com essas palavras tornou-a mais rica que todas as suas tribos irmãs, mais rica que todos os reis e rajás que já viveram neste mundo. E em tudo isto transparece um princípio espiritual, um princípio que continua em vigor para todo sacerdote do Deus Altíssimo.
O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa — Deus — de maneira pura, legítima e eterna.
Ó Deus, tenho provado da Tua bondade, e se ela me satisfaz, também aumenta minha sede de experimentar ainda mais. Estou perfeitamente consciente de que necessito de mais graça. Envergonho-me de não possuir uma fome maior. Ó Deus, ó Deus trino, quero buscar-Te mais; quero buscar apenas a Ti; tenho sede de tornar-me mais sedento ainda. Mostra-me a Tua glória, rogo-Te, para que assim possa conhecer-Te verdadeiramente. Por Tua misericórdia, começa em meu íntimo uma nova operação de amor. Diz à minha alma: “Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem” (Ct 2:10). E dá-me graça para que me levante e te siga, saindo deste vale escuro onde estou vagueando há tanto tempo. Em nome de Jesus. Amém.


Sua Única Alegria - Richard Baxter (1615 -1691)


Saiba que o céu é seu único tesouro, e trabalhe para também saber que tesouro é esse. Convença-se, de uma vez por todas, de que não existe outra felicidade e, depois, convença-se da felicidade que existe ali. Se você não acredita que esse é o bem principal de sua vida, você jamais dedicará seu coração a ele; e essa convicção deve ficar imersa em seus sentimentos; pois se for apenas uma noção, ela não será muito útil.  Enquanto seu julgamento a menosprezar, seus sentimentos não serão calorosos em relação a esse tesouro.  Se seu julgamento algum dia preferir os deleites da carne, em vez dos deleites da presença de Deus, é impossível que seu coração chegue até o céu. Como a ignorância quanto ao vazio das coisas aqui embaixo é o que leva os homens a valorizá-las em demasia, também é a ignorância dos sublimes deleites das alturas que leva os homens a se importar tão pouco com eles. Se você vir uma bolsa cheia de ouro, e acreditar que esse ouro não passa de contas ou pedras, então essa bolsa não instigará seus sentimentos por ela. O que provoca o desejo não é a maravilha em si de algo, mas a maravilha conhecida. Se um homem ignorante vir um livro contendo os segredos das artes, ou das ciências, ele, entretanto, não o valoriza mais que uma peça comum, pois não conhece seu conteúdo; mas aquele que o conhece, o valoriza muito; e sua mente se volta para ele. 
Trabalhe para conhecer o céu como a única felicidade, e também para que seja a sua felicidade. Embora o conhecimento da maravilha e da adequação possa incitar aquele amor que trabalha por meio do desejo, ainda assim precisa haver o conhecimento de nosso interesse ou propriedade para estabelecer um trabalho contínuo de nosso amor de complacência. Podemos confessar que o céu é a melhor condição, embora possamos nos sentir desesperados ao desfrutá-lo, e podemos desejá-lo e buscá-lo, se percebermos que a obtenção dele é proveitosa e possível; mas jamais nos regozijaremos de forma deleitosa nele até que sejamos persuadidos de que nossa posição ali está garantida.Ó, cristãos, não descansem, portanto, até que possa dizer que esse descanso é seu; não se sente sem ter certeza; fique sozinho e questione-se; traga seu coração para a corte de julgamento; force-o a responder os interrogatórios que você lhe faz; estabeleça, de um lado, as condições do evangelho e as qualificações dos santos, e, de outro lado, seu desempenho em relação a essas condições e qualificações de sua alma, para depois julgar o quanto elas estão próximas. Você tem diante de você a mesma Palavra, aquela por meio da qual deverá ser julgado no grande dia, para julgar por si mesmo agora; faça essas questões agora para si mesmo. Ali você poderá ler os artigos segundo os quais será julgado. Portanto, estabeleça o fundamento do julgamento de forma sábia e ponderada; prossiga nesse trabalho de forma deliberada e metódica; continue com ele até chegar a um resultado firme e diligente; não permita que seu coração escape e saia antes do julgamento, mas faça-o ficar até ouvir sua sentença. Se uma, duas ou três tentativas não forem suficientes, nem alguns dias de interrogatório não o levarem a um resultado, prossiga nessa responsabilidade de forma diligente e incansável e não desista até que o trabalho esteja completo, até que possa dizer se você é, ou não, um membro de Cristo; se esse descanso lhe está, ou não, garantido. Assegure-se de não descansar em incertezas obstinadas. Se você mesmo não pode realizar bem essa responsabilidade, peça ajuda de pessoas preparadas e habilidosas. Procure seu ministro, se ele for um homem de experiência; ou peça a um amigo capaz e experiente; fale abertamente de seu caso e peça para que eles lidem com o assunto com sinceridade; continue a agir desse modo até que tenha certeza. Observe que podem restar algumas dúvidas; mas, ainda assim, você deve ter tanta certeza a ponto de conhecê-las a fundo para que elas não interfiram em sua paz. 
Trabalhe para perceber o quanto ele está perto; pense seriamente na rapidez com que ele se aproxima. O que pensamos está ao alcance da mão, e somos mais sensíveis a isso que ao que olhamos à distância. Quando escutamos notícias de guerra ou de fome em outro país, isso não nos perturba tanto quanto as notícias de casa; quando a praga chegou a uma cidade cerca de trinta quilômetros de distância, nós não a tememos; não tanto quanto se ela tivesse chegado à rua ao lado da minha. Mas se ela chegasse à porta ao lado ou se acometesse alguém de minha família, então começaríamos a pensar sobre o assunto de forma mais emocional. O mesmo que acontece com as misericórdias acontece com os julgamentos. Quando estamos distantes, referimo-nos a eles como maravilhas; mas quando nos aproximamos deles, regozijamo-nos com eles como verdades. Isso faz com que os homens pensem sobre o céu de forma bastante insensível, pois eles presumem que ele está muito distante. Eles olham para o céu como se estivesse distante cerca de vinte, trinta ou quarenta anos; e é isso que embota os sentidos deles.  Certamente, leitor, você está à porta. Não foram os trinta ou quarenta anos de sua vida que passaram rapidamente? Quando olha para trás, não parece que tudo não passou de um breve período de tempo? E todo o tempo que resta também não será breve?  Olhe-se no espelho e veja como o tempo voa; olhe para seu relógio e veja como ele anda rápido. É muito breve o tempo que nos separa de nosso descanso; estamos a um passo da eternidade! Enquanto penso e escrevo sobre isso, ele se aproxima rapidamente, e entro nele antes que tome consciência disso. Enquanto você lê isso, ele se apressa, e sua vida desaparecerá como uma história que nos foi contada. 


Só a Bíblia protege do Erro - João Calvino


Para que alguém chegue a Deus o Criador é necessário que a Escritura seja seu guia e mestra. - Portanto, ainda que esse fulgor, que aos olhos de todos se projeta no céu e na terra, mais que suficientemente despoje de todo fundamento a ingratidão dos homens, serve também para envolver o gênero humano na mesma incriminação. Deus a todos, sem exceção, exibe sua divina majestade debuxada nas criaturas, contudo é necessário adicionar outro e melhor recurso que nos dirija retamente ao próprio Criador do universo. Portanto, Deus não acrescenta em vão a luz de sua Palavra para que a salvação se fizesse conhecida. E considerou dignos deste privilégio aqueles a quem quis atrair para mais perto e mais íntimo.

Ora, visto que ele via a mente de todos ser arrastada para cá e para lá em agitação errática e instável, depois que elegeu os judeus para si por povo peculiar, cercou-os de sebes, de todos os lados, para que não se extraviassem à maneira dos demais. Nem em vão nos retém ele, mediante o mesmo remédio, no puro conhecimento de si mesmo; pois, de outra sorte, bem depressa se diluiriam até mesmo aqueles que, acima dos demais, parecem manter-se firmes. Exatamente como se dá com pessoas idosas, ou enfermas dos olhos, e tantos quantos sofram de visão embaçada, se puseres diante delas mesmo um vistoso volume, ainda que reconheçam ser algo escrito, contudo mal poderão ajuntar duas palavras; ajudadas, porém, pela interposição de lentes, começarão a ler de forma distinta. Assim a Escritura, coletando-nos na mente conhecimento de Deus que de outra sorte seria confuso, dissipada a escuridão, nos mostra em diáfana clareza o Deus verdadeiro.

É esta, portanto, uma dádiva singular, quando, para instruir a Igreja, Deus não
apenas se serve de mestres mudos, mas ainda abre seus sacrossantos lábios, não simplesmente para proclamar que se deve adorar a um Deus, mas ao mesmo tempo declara ser esse Aquele a quem se deve adorar; nem meramente ensina aos eleitos a atentarem para Deus, mas ainda se mostra como Aquele para quem devem atentar. Ele tem mantido esse proceder para com sua Igreja desde o princípio, para que, afora essas evidências comuns, também aplicasse a Palavra, a qual é a mais direta e segura marca para reconhecê-lo.

Não carece de dúvida que Adão, Noé, Abraão e os demais patriarcas tenham, mercê deste recurso, atingido íntimo conhecimento dele, o qual, de certo modo, os distinguia dos incrédulos. Não estou ainda falando da doutrina apropriada pela fé pela qual foram iluminados para a esperança da vida eterna. Ora, para que passassem da morte para a vida, foi-lhes necessário conhecer a Deus não apenas como Criador, mas ainda como Redentor, de sorte que chegaram seguramente a um e outro desses dois conceitos à base da Palavra.

Ora, na ordem, veio primeiro aquela modalidade de conhecimento mediante o qual fora dado alcançar quem é esse Deus por quem o mundo foi criado e é governado. Acrescentou-se depois a outra, interior, a única que vivifica as almas mortais, por meio da qual se conhece a Deus não apenas como Criador do universo e único Autor e Árbitro de todas as coisas que existem, mas ainda, na pessoa do Mediador, como Redentor. Entretanto, visto que ainda não chegamos à queda do mundo e à corrupção da natureza, deixo também de tratar de seu remédio.

Portanto, os leitores se lembrarão de que ainda não irei fazer considerações a respeito daquele pacto mediante o qual Deus adotou para si os filhos de Abraão, bem como daquela parte da doutrina por meio da qual os fiéis sempre foram devidamente separados das pessoas profanas, pois que ele se fundamentou em Cristo, doutrina essa que será abordada na seção cristológica, mas somente enfocarei como se deve aprender da Escritura que Deus, que é o Criador do mundo, se distingue, por marcas seguras, de toda a multidão forjada de deuses. Oportunamente, mais adiante, a própria seqüência nos conduzirá à Redenção. Mas, embora tenhamos de derivar do Novo Testamento muitos testemunhos, outros também da lei e dos profetas, onde se faz expressa menção de Cristo, contudo todos tendem a este fim: que Deus, o Artífice do universo, se nos patenteia na Escritura; e o que dele se deva pensar, nela se expõe, para que não busquemos por veredas ambíguas alguma deidade incerta.


1 de mar. de 2011

A Minha Graça Te Basta - Paulo Junior



A Necessidade Que Há Em Você e Como Encará-la - David Wilkerson



Um Conhecimento que não atinge os Sentidos - Calvino


Ora, a fé é. Qualquer um que imagine que esse é apenas o início do capítulo onze, terá equivocadamente quebrado a seqüência. O propósito do apóstolo é buscar reforço para sua discussão anterior sobre a necessidade de cultivar-se a paciência: Ora, a fé é a substância das coisas que se esperam, a evidência das coisas que não se vêem – (Hb 11.1).

Já citou o testemunho de Habacuque, dizendo que o justo viverá por sua fé. Agora mostra o que faltava, ou seja: que a fé não pode separar-se da paciência mais do que poderia separar-se de si própria. Eis a seqüência de suas ponderações: jamais alcançaremos a meta da salvação, a menos que nos munamos de paciência. O profeta declara que o justo viverá por sua fé, porém a fé nos conduz para as coisas distantes que ainda não alcançamos; portanto, necessário se faz que a fé inclua a paciência. A proposição menor no silogismo é: a fé é a substância, etc. É evidente disso que estão muitíssimo equivocados aqueles que crêem que aqui se oferece uma definição exata de fé. O apóstolo não está discutindo a natureza da fé como um todo, senão que seleciona aquela parte que se adequa ao seu propósito, a saber: que a paciência está sempre relacionada com a fé.

Consideremos agora as palavras. Ele chama a fé de a substância das coisas que se esperam. É de nossa experiência que o que se espera não se encontra ainda em nossas mãos, e, sim, o que está ainda escondido de nós, ou, pelo menos, que o usufruto do mesmo é adiado para outro tempo. O apóstolo está dizendo a mesma coisa que Paulo em Romanos 8.24, onde, após dizer que o que se espera não se vê, chega à conclusão que se deve esperá-lo com paciência. Daí nosso apóstolo nos ensinar que não devemos exercer fé em Deus com base nas coisas presentes, e, sim, com base na expectativa de coisas ainda vindouras. Há nessa aparente contradição um toque de atrativa beleza. Diz que a fé é a substância, ou seja: o arrimo ou fundamento sobre o qual firmamos nossos pés. Mas apoio do quê? Das coisas ausentes, as quais se encontram tão longe de estar sob nossos pés, que excedem infinitamente ao poder de nossa compreensão.

A mesma idéia percorre a segunda cláusula, onde ele denomina a fé de a evidência, que é a demonstração das coisas não visualizadas. Uma demonstração provoca o aparecimento das coisas, e comumente se refere somente ao que se acha sujeito aos nossos sentidos. Essas duas coisas aparentemente contradizem uma à outra, no entanto estão em perfeita harmonia, quando a nossa preocupação é a fé. O Espírito de Deus nos mostra as coisas ocultas, o conhecimento das quais não pode atingir nossos sentidos.

A vida eterna nos é prometida; todavia, ela é prometida aos mortos.Somos informados sobre a ressurreição dos bem-aventurados; mas, entrementes, vivemos envolvidos em corrupção. Somos informados de que somos justos; todavia, o pecado habita em nós. Ouvimos que somos bem-aventurados; mas, entrementes, somos subjugados por inaudita miséria. É-nos prometida abundância de tudo quanto é bom; mas vivemos freqüentemente famintos e sedentos. Deus proclama que nos virá buscar imediatamente; mas parece que é surdo ao nosso clamor. O que seria de nós, se não fôssemos sustentados por nossa esperança? E quantos de nossos pensamentos não emergem acima da escuridão e pairam acima do mundo, sustentados pela luz da Palavra de Deus e de seu Espírito? Portanto, a fé é com justa razão chamada a substância das coisas que são ainda objetos de esperança e a evidência das coisas ainda ocultas. Agostinho às vezes intercambia evidência e convicção, do que não discordo, porque fielmente expressa a intenção do apóstolo.



O Efeito do Pecado - Paulo Junior


“E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele”.  Jz 16.10
Trataremos nessa mensagem de hoje sobre um dos temas mais terríveis da cristandade, porém pouco mencionado nos púlpitos atuais: o efeito do pecado, isto é, suas consequências.
Primeiramente, relembremos rapidamente o que é pecado – já que muitos cristãos hoje em dia parecem não saber o que é. Pecado é transgressão à Lei de Deus, é iniquidade, é desobediência a Deus e seus preceitos, é sair dos Seus retos caminhos e se rebelar contra Ele, quebrando sua Lei, ou seja, coisa muito comum nos dias atuais por parte dos ímpios e também para boa parte dos cristãos. Mas não trataremos hoje propriamente do pecado e sim das suas trágicas consequências. É muito importante abordar o poder letal, degradável e destruidor que tem o pecado, pois isso nos traz reflexões, consciência do perigo que corremos e, consequentemente, temor e arrependimento.
Quero usar nesse tema o personagem descrito no versículo acima, tirado do livro de Juízes: Sansão. Sansão foi chamado para ser juiz de Israel e durante vinte anos julgou Israel, sendo o responsável por guardar os israelitas e libertá-los da opressão dos filisteus. Sansão, desde sua infância possuía um voto com Deus, era nazireu de Deus (veja Nm 6.1-21), não podia ser dado ao vinho, nem à prostituição e nem navalha poderia passar sobre sua cabeça, resumindo, Sansão era separado para o ministério: como juiz, deveria andar debaixo de um conjunto de normas e regras, tendo uma conduta exemplar diante de Israel e permanecendo obediente às leis de Deus.
Infelizmente Sansão andou de forma contrária a todas as regras estabelecidas por Deus, quebrando todos os princípios. Violando de tal maneira a Lei de Deus, Sansão pecou desenfreadamente e o livro de Juízes, do capítulo 13 ao 16 descreve claramente seus inúmeros delitos: Sansão dormiu com uma prostituta, tocou no corpo de um animal morto, casou-se com uma filisteia, mentiu várias vezes e, por último, em seu relacionamento com Dalila – mulher do vale de Soreque – revelou seu segredo tendo os cabelos cortados, quebrando totalmente seu voto de nazireado.
...chamado para ser juiz de Israel... andou de forma contrária a todas as regras estabelecidas por Deus
Sansão era conhecido por sua grande força física: quando o Espirito de Deus vinha sobre ele, ele se tornava o homem mais forte da Terra: imbatível, indestrutível, intocável, pois a graça, a misericórdia e o poder de Deus estavam sobre Sansão. Contudo, houve um fator que destruiu Sansão, que o arruinou para o resto de sua vida, esse fator, esse item, foi o pecado. Gostaria agora de mostrar o efeito do pecado na vida de Sansão, pois Paulo em sua epístola aos Gálatas escreve: “tudo que o homem semear isso ceifará” (Gl 6.7). Sansão semeou pecado e veremos agora quais consequências ele colheu.
Primeira consequência: A misericórdia de Deus é retirada.
“E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até a morte. E descobriu-lhe todo o seu coração, e disse-lhe: Nunca passou navalha pela minha cabeça, porque sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria, e seria como qualquer outro homem”. Jz 16.16-17
Se você notar, mesmo Sansão vivendo em pecado, Deus sempre o livrava das mãos dos filisteus, como notamos em (Jz 16.9). Isso sucedeu várias vezes, porém, nos versículos 16 e 17 do mesmo capítulo vemos que a misericórdia de Deus é retirada! Dalila o molesta de tal maneira, intentando descobrir o segredo da sua força, que Sansão revela a ela, dizendo: “nunca subiu navalha na minha cabeça”. Deus permitiu que sua fraqueza fosse exposta, seu ponto fraco uma grande brecha para sua queda.
Meu querido irmão, essa é a primeira consequência daqueles que estão vivendo uma vida de pecado, daqueles que estão brincado com pecados ocultos e dizem: “Deus ainda me honra, tenho respostas de orações, recebo alguma promoção aqui e outra ali, algumas bênçãos vem sobre mim e sobre minha família, continuo subindo no altar e cantando bem ou estou diante de um púlpito pregando com eloquência, recebendo elogios e até vendo frutos.
Isso ocorre pelo que está escrito em Lamentações 3.22: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”. Mas, invariavelmente, uma hora a misericórdia será retirada como ocorreu com Sansão! Aí sua vergonha será exposta, seus delitos contra Deus não ficarão impunes, cedo ou tarde isso será revelado e você poderá ser humilhado e exposto como o foi o rei Davi, quando pecou com Bate-Seba. Talvez você diga: “a misericórdia de Deus é muito grande”. Sim ela é. Ele é tardio em se irar (Na 1.3), mas preste muita atenção ao que o versículo diz: “Ele é tardio”, isso não significa que Ele nunca vai se irar! Veja o que diz em Jeremias 16.13: “porque não usarei de misericórdia convosco”. Para você que está vivendo uma vida de pecados ocultos, a qualquer hora a misericórdia poderá ser retirada e você estará totalmente entregue às mãos do inimigo!
Segunda consequência: A perda de sua força.
“(...) e retirou-se dele a sua força”. Jz 16.19
Como eu havia dito antes, Sansão era conhecido por sua estrondosa força física, mas pelos seus pecados sua força se foi, Sansão ficou fraco, sem qualquer possibilidade de vencer uma luta ou guerra; Sansão estava inofensivo diante do seu inimigo: os filisteus. Agora ele tinha se tornado um homem comum: não detinha mais o poder sobrenatural que lhe confiava grande força.
Eis a segunda consequência do pecado: perdemos a força, ficamos fracos, não temos força para orar, não temos força para estudar a Palavra, não temos força para uma vida cristã saudável e, principalmente, não temos força para enfrentar o nosso inimigo: Satanás e seus exércitos. Com uma vida em pecado, não temos a menor chance contra ele! A força espiritual que nos revestia e as qualidades espirituais se foram devido ao pecado. Um dia já tivemos força, ânimo, poder, autoridade; lembra-se quando você não tinha medo de ninguém e tinha disposição para fazer qualquer coisa que dissesse respeito a Cristo e sua obra? Agora você se pergunta por que está tão fraco, desanimado, incrédulo, com anemia espiritual; às vezes você pensa que é culpa de alguém, que é o diabo que está causando essa fraqueza; às vezes atribui que é a vontade de Deus, que é um tempo ou uma fase em sua vida e nunca que se trata do efeito do pecado de uma vida cheia de brechas e engano!
Talvez possa ser isso que está tirando sua força, meu querido irmão! Não é esse nem aquele fator: é consequência do pecado! O pecado enfraquece, corrói, destrói e mina as forças de qualquer cristão conhecedor das Escrituras, mas que a transgride voluntariamente. Se você está assim: não tem força para mais nada na sua vida, mesmo sendo cristão, examine sua vida à luz da Bíblia e veja quais brechas você tem dado e em quais pecados você está envolvido.
Terceira consequência: Ausência da presença de Deus. (cap. 16.20)
 “(...) Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele”. Jz 16.20
É um grande erro pensarmos que Deus, por causa de Seu amor, é conivente com nossas ações pecaminosas, pois Ele não tolera o pecado e também não tolera o pecador (Na 1.3) e também Deus não tem comunhão nem caminha com ímpios (Sl 1, 2Co 6.14-16). O Espírito de Deus, a presença de Deus se retirou de Sansão, essa é a mais trágica consequência que o pecado traz sobre nós: a ausência de Deus.
Davi sentiu exatamente isso quando cometeu seus gravíssimos pecados e ele sabia o perigo que corria de ocorrer o mesmo em sua vida, quando escreveu o Salmo 51.11: “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.” Davi sabia que uma vida de pecado, que delitos graves, conscientes, praticados contra Deus e Sua Palavra, poderiam leva-lo a ausência de Deus.
Essa é a terceira consequência: perder Sua presença. O que somos nós sem o Espírito de Deus, sem a Sua presença para nos guiar, nos regenerar, nos policiar, nos advertir? Ela é o fluxo de vida da Igreja, o fluxo de vida do cristão. Sem a presença de Deus estamos mortos, entregues a sorte, ao mundo, e aos desejos da carne. Como cegos em um mundo sem luz, completamente perdidos e sem direção: eis o que ocorre com aqueles que estão vivendo uma vida de pecado. Então te pergunto: quantos cristãos dentro da Igreja não estão em pecado? Quantos ministérios de louvor e da Palavra não estão em pecado? Quantas igrejas inteiras não têm seus alicerces fundamentados no pecado? Mas ainda prevalecem, ainda funcionam normalmente, entretanto, sem saber que sutilmente a presença de Deus já os deixou faz muito tempo.
Notem o que o versículo diz: “Nao sabia Sansão”. Ele nem percebeu, tinha se tornado insensível, carnal, não diferenciava mais o santo do profano, assim é a vida de muitos cristãos. Estão regendo suas vidas e ministérios na emoção, na carne, no intelecto. Só que tem outra questão importantíssima, que eu não poderia deixar de abordar: se há ausencia de um espírito, há a presença de outro! Não ficamos sozinhos, vazios. Se o Espírito de Deus sai, o espírito do mal entra, assim Satanás e seus demônios passam a dominar aquela pessoa.
Veja o exemplo do rei Saul: “E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR.” (1Sm 16.14). Essa consequência é inevitável. Agora eu te pergunto: será que você que está escondendo todos esses pecados, transgredindo a Lei de Deus diariamente não está tendo a sua vida e o seu ministério regidos por Satanás?Meu Deus do céu, que condição execrável se encontra tal homem, tal mulher, tal denominação, que estão edificando Sião com sangue e Jerusalem com iniquidade! (Mq 3.10)
Quarta consequência: Cegueira.
“(...) Então os filisteus pegaram nele, e arrancaram-lhe os olhos”. Jz 16.21
Os filisteus vêm, vazam os olhos de Sansão e os arrancam, deixando-o totalmente cego. Essa é a quarta consequência: cegueira. Uma pessoa que vive na prática do pecado não tem mais discernimento espiritual, não sabe mais por qual caminho anda, não sabe quando houver decisões a tomar quais serão as corretas, fecham negócios errados, “batem cabeça” de um lado para o outro, tem atitudes incoerentes, pensa estar fazendo o bem, quando na verdade está fazendo o mal!
Veja o que diz Provérbios 14.12: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”.Será que você não está assim: caminhando por veredas que aos seus olhos são saudáveis, no emprego, no relacionamento, no que diz respeito à Igreja, mas na verdade está em completa cegueira, cavando covas nas quais você mesmo cairá? Será que você não está magoando pessoas, ferindo sua família, oferecendo fogo estranho no altar do Senhor e achando que tudo isso é correto, que tudo isso é benefíco e que Deus ainda está te aprovando?
Sinto te dizer: se você estiver vivendo uma vida de pecado, é exatamente assim que a sua vida se encontra! Você não pode dar crédito a si mesmo! Como se fiar em um cristão conhecedor da Lei que ao mesmo tempo é transgressor da mesma?!Tal pessoa, tal crente, não é digno de confiança, nem é digno de em si próprio confiar, pois a quarta consequência de uma vida de pecado é a cegueira.
Quinta consequência: Ficar amarrado.
“(...) e amarraram-no com duas cadeias de bronze (...).” Jz 16.21
Depois de cegar a Sansão, os filisteus o tomaram e amarraram com duas cadeias de bronze, anulando assim qualquer movimento extenso de Sansão. Essa é a quinta consequência: uma vida amarrada, limitada, atrofiada.
Será que sua vida não está assim? Todas as áreas emperradas: casamento em crise, filhos rebeldes, dívidas por todos os lados, doenças, nada anda bem, você se sente totalmente amarrado, portas fechadas, o “não” passou a ser seu companheiro. Você atribui isso ao governo, à economia, põe e culpa no diabo, nos familiares, xinga, murmura, blasfema e esquece de pensar: talvez tudo isso é efeito dos meus pecados, de uma vida cristã relaxada, desregrada?
Note uma coisa: uma pessoa amarrada não está totalmente impossibilitada de fazer as coisas. Tal pessoa possui ainda alguns movimentos: ela pode andar, mexer as mãos, a boca, os olhos, porém, as cadeias de bronze são pesadas, ela está atada, ela tem seus movimentos limitados! Dessa forma é a vida de uma pessoa amarrada: ela não deixa de fazer nada, entretanto, todas as suas ações e áreas da sua vida são limitadas. Não conseque concluir nada que inicia, nem ter progresso e sucesso nos seus projetos, pois está amarrada.
Outro detalhe importante: as cadeias são de bronze, são impossíveis de ser quebradas pela força humana, necessitam de uma força sobrenatural para serem quebradas, mas como o pecado retirou essa força – a presença de Deus – essa pessoa jamais conseguirá se libertar. Isso implica que, por seus pecados, essa pessoa está condenada a uma vida cristã sofrível, arruinada e infeliz.
Sexta consequência: Escravidão.
“(...) e girava ele um moinho no cárcere”. Jz 16.21
Depois de ser acorrentado, Sansão foi colocado em uma prisão, numa masmorra, foi condenado a ficar ali trabalhando num moinho. Essa é a sexta consequência: o pecado nos faz escravos, pois Pedro diz: “(...) Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo”. (2Pe 2.19).
Sansão foi vencido pelo pecado, se tornou escravo dele, sujeitando-se aos seus moldes, ao seu domínio e ao seu poder destruidor. Também se tornou escravo de outro inimigo, porque estava no cárcere dos filisteus, era então prisioneiro dos filisteus, escravo deles, estava sujeito às suas ordens e vontades. Dessa maneira ocorre na vida daqueles que vivem em pecado: se tornam escravos do nosso inimigo, o diabo. E querendo ou não, sabendo ou não, estão sujeitados a sua vontade! Você já parou para pensar que consequência trágica ser escravo do diabo, depois de ter a liberdade em Cristo, depois de ter acesso ao sangue da nova e eterna aliança que veio do Calvário, depois de gozar da redenção e da verdade que liberta (Jo 8.32) se tornar de novo escravo de Satanás, voltar para suas garras maléficas, como isso pode ser possível? A resposta você sabe: pecado.
O diabo é legalista, atua usando princípios da Lei de Deus, quando a quebramos, por mais que Deus seja misericordioso e perdoador, a quebra contínua e voluntária dará autoridade para Satanás nos tocar e nos dominar. Essa então foi a sexta consequência do pecado ilustrada na vida de Sansão.
Como, então, evitar todas essas consequências?
Você que está lendo deve pensar: “que mensagem dura, que pavor veio ao meu coração ao ler isso, pois me identifico com muitas coisas que estão aqui escritas, o que devo fazer então”?
Se você foi confrontado pela Palavra de Deus, como todo homem deve ser, se ela trouxe luz e revelação daquilo que você está fazendo e pela Palavra você viu que é pecado e que todas essas consequências estão ocorrendo em sua vida, só há uma maneira de anular o efeito do pecado; é o arrependimento. Veja o que diz Provérbios 28.13: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”. Confessar nossos pecados, arrepender-nos dos mesmos, pedir a misericórdia do Senhor, foi isso que Sansão fez – completamente desnorteado e destruído pela força descomunal do pecado ainda houve solução para Sansão – em Juízes 16.28 ele clamou ao Senhor dizendo: “Senhor Jeová, peço que te lembre de mim, esforça-me agora, só essa vez”!
Sansão com essa frase – e com o tempo sofrido de cárcere – mostra arrependimento. A força de Sansão volta novamente, então ele abraça as duas colunas do templo dos filisteus e as derruba, matando todos os filisteus daquele lugar. Quer dizer que você sabe que Sansão se arrependeu e foi perdoado? Sim, pois ele é citado em Hebreus 11.32 na galeria dos heróis da fé!
Esse é o caminho meu caro leitor: deixe sua vida de pecados, antes que seja tarde demais, antes que não haja mais remédio, antes que você seja exposto e envergonhado e colha consequências irreversíveis a você e a sua família, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23).
Você pode estar correndo o risco de ser fulminado pelo pecado aqui nesta terra e ainda padecer a eternidade no inferno! Não estou dizendo de um deslize, de uma fraqueza momentânea que todos nós estamos sujeitos, estou dizendo de uma vida na lama do pecado, estou dizendo de pecados maquinados, premeditados.
Lembre-se do que diz a 1João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”. Para aqueles que confessam e se arrependem há perdão de Deus, há sangue suficiente para te purificar, há graça abundante sendo derramada sobre você, da mesma forma que foi com o filho pródigo, que arrependido voltou ao lar e foi completamente restaurado e perdoado (Lc 15.11-32). Como Paulo escreveu para aqueles que estão em Cristo, que são nascidos de novo: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós”. (Rm 6.14).
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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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