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13 de out. de 2010

Se Alegre na Tribulação - João Calvino




Em parte, fostes feitos espetáculo, tanto por vitupérios (Hb 10.33-35). Assim vemos que aqueles a quem o escritor se dirige são aqueles cuja fé fora testada por tribulações não triviais, e todavia não cessa de exortá-los a maiores esforços.

Que ninguém se engane com ilusória gabolice, crendo que já alcançou o alvo, ou que não tem nenhuma necessidade de incentivos por parte de outrem. Ele diz que haviam se tornado espetáculo tanto por vitupérios como por tribulações, como se houvessem sido exibidos em espetáculo público. Daqui concluímos que as perseguições que suportaram eram especificamente notáveis. É preciso que se note cuidadosamente a última cláusula, onde o escritor diz que foram companheiros de outros crentes em suas perseguições. Porque, visto que a causa pela qual todos os crentes lutam é a causa de Cristo, e a qual é comum a todos eles, sempre que um deles sofre, todos os demais também pessoalmente sofrem com ele, e isso deve ser praticado universalmente, salvo se desejamos separar-nos do próprio Cristo.

Aceitastes com alegria... Não há dúvida de que, como eram pessoas sujeitas aos sentimentos humanos, a perda de seus bens certamente lhes trouxera sofrimento; sua tristeza, porém, foi de tal natureza que não os privou da alegria de que fala o apóstolo. A pobreza está inclusa entre as desvantagens da vida, e a privação de seus bens, considerada em si mesma, lhes trouxe angústias; mas quando olhavam um pouco mais alto, encontravam motivo de alegria, a qual suavizava qualquer dor que porventura sentissem. E conveniente que nossos sentimentos sejam, assim, conduzidos deste mundo pela antecipação do galardão celestial. Não digo outra coisa senão o que todos os crentes têm experimentado. Incontestavelmente, aceitamos com boa vontade tudo aquilo sobre o quê estamos persuadidos contribuirá para nossa salvação, e os filhos de Deus, indubitavelmente, possuem este sentimento sobre os conflitos que suportam para a glória de Cristo. De modo que as emoções de nossa carne nunca são tão fortes ao ponto de mergulhá-los em sofrimento, que também não sejam dominados pela alegria espiritual, ao elevar ao céu suas mentes.

Esse é o significado do que se segue: sabendo (diz ele) que vós mesmos tendes uma possessão melhor e permanente. Aceitavam com alegria o espólio de seus bens, não porque era-lhes agradável verem-se saqueados, mas porque suas mentes buscavam o galardão prometido, o que os fazia esquecer facilmente o sofrimento ocasionado pelo seu constante senso de desgraça. Aliás, sempre que a percepção dos bens celestiais é forte, o mundo, com todas as suas seduções, não é tão atrativo de propiciar que a pobreza e a vergonha mergulhem completamente nossas mentes em profundo sofrimento. Se desejamos, pois, suportar tudo por amor a Cristo, com paciência e equanimidade, habituemo-nos a freqüente meditação sobre aquela felicidade, em comparação à qual todos os bens deste mundo não passam de refugo. Não devemos passar por alto as palavras sabendo que vós mesmos tendes. A não ser que alguém seja convencido de que a herança que Deus promete a seus filhos também lhe pertence, todo o seu conhecimento será sem vida.

 Não lanceis fora, pois, a vossa ousadia...  O autor mostra que o que especialmente nos injeta força para a perseverança é o apego à nossa fé; porque, quando deixamos esse fato escapar-nos, também nos privamos do galardão prometido. Disso se faz evidente que esse galardão é a base do santo e piedoso viver. Ao usar o termo galardão [= recompensa], o autor não está a prejudicar em nada a promessa da salvação com base na graça. Os crentes têm consciência de que seu labor no Senhor não é em vão, de tal maneira que sua confiança é posta unicamente na misericórdia divina. Nesta conexão, tem-se dito amiúde que a idéia de galardão não é incompatível com a imputação gratuita da justiça.

Jonatahn Edwards - O Encontro com a Trindade

 

Meu primeiro encontro verdadeiro com Edwards foi num curso de História da Igreja com Geoffrey Bromiley, quando resolvi escrever um trabalho a respeito do "Ensaio sobre a Trindade", de Edwards. Esse foi um momento decisivo, em que a minha visão do ser de Deus foi marcada para sempre. OFilho de Deus é a imagem ou o conceito eterno que Deus tem de si mesmo. E a imagem que ele tem de si mesmo é tão perfeita, completa e plena a ponto de ser a reprodução (ou geração) viva e pessoal de Deus, o Pai. E essa imagem viva e pessoal, ou resplendor, ou forma de Deus é Deus, ou seja, Deus, o Filho. E, portanto, Deus, o Filho é co-eterno com Deus, o Pai, e igual a ele em essência e glória.

E, entre o Filho e o Pai, surge eternamente uma comunhão de amor pessoal infinitamente santa. "A própria essência divina flui e é como que soprada em amor e alegria. Portanto, Deus se revela em mais uma forma de subsistência, procedendo desta a terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo". Edwards resume a sua visão da Trindade com as seguintes palavras:
Esta, suponho eu, é a sagrada Trindade sobre a qual lemos nas santas Escrituras. O Pai é a divindade que subsiste na forma primária, não originada e mais absoluta, ou seja, a divindade na sua existência direta. O Filho é a divindade gerada pelo entendimento de Deus, ou pelo conceito de Deus acerca de si mesmo, e subsiste nesse conceito. O Espírito Santo é a divindade que subsiste no ato, ou na essência divina fluindo e sendo soprada no amor infinito de Deus e no seu deleite em si mesmo. E creio que a essência divina como um todo subsiste verdadeira e distintamente tanto no conceito divino quanto no amor divino e que cada uma delas é uma pessoapropriamente distinta.
Podemos agora perceber como essa visão da Trindade se mostra coerente com o que Edwards diz sobre o conceito de Deus ser glorificado de duas maneiras: ao ser conhecido e amado ou desfrutado. Isso corresponde ao modo de existência de Deus: o Filho é a apresentação de Deus que se conhece perfeitamente e o Espírito é a apresentação de Deus que se amaperfeitamente. Talvez você possa sentir o ardor que foi se formando dentro de mim à medida que comecei a ver, na natureza das coisas, uma harmonia mais profunda do que jamais havia imaginado.

Paradoxo Bíblico: Deus e a pedra .



Por Pb. Wanderley Santana
Presbítero da Assembléia de Deus – Belém em Birigui/SP
Publicado originalmente em: Pb. Wanderley Santana


Paradoxo ”é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser a verdade. Os “paradoxos bíblicos” seriam algo do tipo: Jesus é 100% homem e 100% Deus; Deus é soberano e o homem é responsável etc.
• Se Deus é Todo-Poderoso, Ele pode criar uma pedra que Ele mesmo não possa carregar?
• Deus pode criar um circulo quadrado?
• Deus pode criar alguém que seja mais poderoso que Ele?

Estes são alguns exemplos de paradoxos famosos que alguns usam para “demonstrar” que o Deus Todo-Poderoso não existe.
Quando olhamos para a pergunta, imediatamente tiramos a conclusão: Deus não é Todo-Poderoso. Por quê? Bem, se ele pode criar uma pedra, mas NÃO pode carregá-la, então Ele não é Todo-Poderoso. Por outro lado, se Ele NÃO pode criar tal pedra, Ele também NÃO é Todo-Poderoso. Parece que estamos num dilema insolúvel. Apenas parece…
Há, no mínimo, quatro problemas na pergunta que se entrelaçam: dois de caráter lógico (da matéria Lógica, não de “obviedade”) e dois de caráter teológico.
Problemas Lógicos:
Contradição: Este é o mais óbvio. É o que constitui o paradoxo. E a contradição se dá por causa dos termos “Todo-Poderoso” (supondo que signifique “pode tudo”) e o “não pode”. Afirma-se que Deus “pode tudo” e, ao mesmo tempo, afirma-se que ele “não pode”. Em outras palavras, afirma-se que Deus “pode tudo” e simultaneamente nega-se que Deus “pode tudo”. A frase, por si só, não faz o menor sentido. É como se eu dissesse que “minha cachorrinha Pitukinha é um gato”. Não faz sentido. Afirma-se que a Pitukinha é uma cachorrinha e simultaneamente nega-se que ela é uma cachorrinha. É uma contradição: ela não pode ser uma cachorrinha E um gato ao mesmo tempo e no mesmo sentido.
Falácia Lógica: 

Uma falácia “é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega”. Em outras palavras é um erro lógico que contamina a validade de um raciocínio. Por exemplo:
(Premissa 1) Todo gato é mamífero.
(Premissa 2) A Pitukinha é um mamífero.
(Conclusão) A Pitukinha é um gato.
O argumento acima é falacioso, pois, apesar das duas premissas serem verdadeiras a conclusão é falsa. Existem outros mamíferos além de gatos. Um animal ser mamífero não é suficiente para caracterizá-lo como gato! A Pitukinha é, de fato, um mamífero, mas ela é uma cachorrinha!
A falácia que ocorre em “Deus e a pedra” é dizer que Deus “carrega” a pedra. A frase pressupõe que as forças físicas (peso, gravidade etc.) podem limitar o poder de Deus. Ora, Deus é espírito, imaterial, incorpóreo. Ele não tem dimensões físicas (altura, largura, profundidade etc.) e não é limitado por elas. Ele mesmo as criou. Não é correto dizer que Deus possa “carregar” a pedra, como se esta exercesse alguma influência física em Deus ou que Deus usa seus músculos para tentar levantar uma pedra pesada. As categorias físicas não são aplicáveis a Deus.
É como se eu perguntasse a Pitukinha: tem quantos Megabytes? Não faz sentido. As categorias da informática não são aplicáveis à Pitukinha.
Problemas Teológicos:

Má compreensão da Onipotência divina: Deus ser “Todo-Poderoso” não significa que Deus é “Todo-Poderoso-Absurdo”. Em outras palavras, Deus não faz algo que contradiga, ou seja, inconsistente com sua própria natureza, por exemplo: Deus não pode pecar, Deus não pode deixar de ser Deus.
A Onipotência divina não implica que Deus possa “fazer todo tipo de coisas inerentemente contraditórias entre si”. Dessa forma, Deus não pode criar um “círculo-quadrado” por ser um conceito autocontraditório, uma impossibilidade lógica. “Não existe em Deus um poder absoluto divorciado de suas perfeições divinas”.
O propósito de Deus: Deus sempre faz algo com um propósito. “O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade” (Pv 16.4). Se Ele cria uma pedra, não importa quão pesada ela seja, Ele tem uma finalidade para ela. E, como vimos, não pode ser o de “carregá-la”. O fim supremo e principal de todas as ações de Deus é glorificar a si mesmo. A pedra criada tem esta mesma finalidade: a glória de Deus.
Fonte: [ Mantendedor da Fé ]

Todo Conselho de Deus – Martyn Lloyd-Jones

 

Isto significa que tomamos todo o corpo de doutrina cristã; não nos concentramos em partes particulares dela. Não é de admirar que a Igreja Cristã esteja como está, formando movimentos para salientar unicamente uma doutrina. Essa é uma parte crucial de todo o nosso problema atual. Temos que assumir a doutrina completa. O apóstolo Paulo se refere a isto em suas últimas palavras aos presbíteros desta igreja de Éfeso, palavras registradas em Atos, capítulo 20. Ele estava viajando para Jerusalém, e os presbíteros de Éfeso desceram a Mileto para encontrar-se com ele. O apóstolo teve a alegria e a satisfação de poder dizer que lhes tinha anunciado "todo o conselho de Deus". Não havia nada que ele deixasse sem dizer. Semelhantemente, não há parte alguma da doutrina cristã que eu e vocês possamos dar-nos ao luxo de ignorar. Devemos estudar todas as partes das Escrituras; e é bom ler a B íblia inteira uma vez por ano. Não deixem nada fora, leiam a história, leiam tudo. Tomem cada parte e parcela da doutrina. Não parem na evangelização, não parem na justifi¬cação, não se detenham na santificação; estudem a glorificação, estudem a profecia, tomem toda a doutrina. Nada causa tanta fraqueza e tanto fracasso na Igreja Cristã como o nosso erro de não nos revestirmos de "toda a armadura de Deus".

Também é necessário acentuar que todas as partes do seu ser devem estar envolvidas nesta vida cristã. A sua mente, por exemplo, precisado "capacete da salvação". Nunca negligenciem a sua mente nestas questões. A idéia de que o cristianismo é apenas uma forma de emocionalismo ou de sentimentalismo - como o mundo está constante¬mente sugerindo-é totalmente errada; e se nós estamos dando ao mundo ocasião de pensar e falar assim de nós, somos muito pobres soldados do exército cristão.

Mas não se detenham na mente. O coração precisa de proteção de igual maneira. Certas pessoas são muito cuidadosas na proteção da mente; são versadas em teologia, erros e heresias; porém se descuidam do coração, e o resultado é que muitas vezes são feridas e derrotadas. Caem à beira do caminho por negligenciarem este órgão vital.

Igualmente com relação à vontade. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, fala em conservar "a fé, a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio nafé"(l Timóteo 1:19). Eles estavam dando atenção ao aspecto intelectual da fé, todavia não estavam "mantendo boa . nsciência"; estavam negligenciando a vontade e o aspecto prático. O resultado, diz Paulo, foi que eles "fizeram naufrágio" em sua fé e em suas vidas. "Tomai toda a armadura de Deus", todas as suas partes e cada uma delas, a fim de que cada parte da personalidade esteja coberta e protegida. Não há nada que nos cause tanto regozijo na v ida cristã como o fato de que ela afeta o homem completo. Nenhuma outra coisa faz isso. Vocês podem ter sociedades intelectuais no mundo; entretanto, elas são frias e sem coração. Existem interesses emocionais, sentimentais no mundo; mas não têm nada para a mente. Outros se concentram na ética, porém não têm entendimento espiritual, e não têm conforto e consolação para oferecer-nos. No entanto, o ensino bíblico toma o homem todo e governa a personalidade inteira. "Toda a armadura de Deus"!

Mas, tendo salientado isso, observem como, ao mesmo tempo, o apóstolo tem todo o cuidado de tratar minuciosamente das diversas peças. "Toda" inclui cada uma das peças. Nunca negligenciem os detalhes. Não deixem parte alguma da alma sem proteção - "Com oração veste cada peça".

Não deixe de pôr toda a armadura; Com oração veste cada peça.

Que perfeito equilíbrio há aqui, como sempre há nas Escrituras, no ensino da Palavra de Deus!

Esse é o equilíbrio que devemos demonstrar neste combate espiritual, nesta guerra cristã. Como o inimigo ainda está à espera e nos vigia com toda a sua astúcia, com todo o seu engenho, com todo o seu poder, há somente um modo de resistir. "Fortalecei-vos no Senhor e na forçado seu poder." Revista-se de toda a armadura que Deus providenciou para você. Vista-a, peça por peça. Não deixe nenhum lugar desprotegido em sua alma, mas faça uso do equipamento completo que Deus, em Sua graça infinita, providenciou para você, no Senhor Jesus Cristo e em Sua grande e gloriosa salvação.

Você se Deleita em Sentir Medo?

 


Meditação sobre algumas maravilhosas palavras de temor

Em vez de tentar definir o "temor do Senhor", gostaria de motivá-lo a seguir esse temor. Se você quer experimentar muito do temor do Senhor, provavelmente fará as leituras necessárias e meditará para descobrir o que significa esse temor. Para muitos de nós, temer é algo do que desejamos nos livrar, e não experimentar mais. Se isso é verdade a respeito do temor do Senhor, existe algo errado em nosso coração ou em nosso entendimento desse temor.

Você já reuniu algumas promessas espetaculares feitas àqueles que temem a Deus? Elas são tão maravilhosas que você poderia até imaginar que temer a Deus tem de ser a coisa mais emocionante deste mundo — e realmente é. Espero que você seja motivado a seguir, com todo empenho, o temor do Senhor.

A intimidade do Senhor:

A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança (SI 25.14).

O cuidado atencioso do Senhor:

Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem (SI 33.18).

O livramento da parte dos anjos do Senhor:

O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (SI 34.7).
Ao SENHOR, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos (2 Rs 17.39).

Livramento das necessidades:

Nada falta aos que o temem (SI 34.9).

A compaixão paternal do Senhor:

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem (SI 103.13).

O misericórdia permanente de Deus:

A misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternida¬de, sobre os que o temem (SI 103.17).

Ser um deleite para Deus:

Agrada-se o SENHOR dos que o temem (SI 147.11).

Ter o princípio e a essência da sabedoria:

O temor do Senhor é a sabedoria (Jó 28.28).

O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria (SI 111,1.0; Pv 9.10):

Beber da fonte da vida:

O temor do SENHOR é fonte de vida para evitar os laços da morte (Pv 14.27).

Ser uma pessoa satisfeita:

O temor do SENHOR conduz à vida; aquele que o tem ficará satisfeito (Pv 19.23).

Isto é tão bom que poderíamos indagar se pecadores como nós temos a esperança de fazer alguma coisa tão maravilhosa, que Deus responda com tal bondade espetacular. Mas isso seria uma maneira de pensar retrógrada. A verdade é que nós, pecadores, não vencemos nosso pecado de modo tão espetacular, que Deus reage com bênçãos. A verdade é o contrário: "Contigo, porém, [ó Deus] está o perdão, para que te temam" (SI 130.4). Deus inspira o temor por perdoar nossos pecados, e não por condenar-nos. Sei que isso parece estranho, mas é bastante confortador. Se os benefícios dependem de temermos a Deus, devemos lembrar que o temer a Deus depende do perdão completamente imerecido da parte dEle. É admirável que Isaías tenha dito sobre o Servo do Senhor: "Deleitar-se-á no temor do SENHOR" (Is 11.3). Espero que você sinta tanto prazer no temor do Senhor, que o buscará com todas as suas forças.

Lidando com o pecado Saul e Davi: um estudo de caso

 

Todos pecaram (Romanos 3:23). A única diferença é como as pessoas respondem aos seus próprios pecados. Saul e Davi foram os dois primeiros reis de Israel. Ambos eram homens humildes e fiéis quando foram escolhidos. Ambos reinaram bem, no princípio. Ambos pecaram. A diferença entre Saul e Davi era suas reações quando confrontados com seus pecados.
Saul
Devido a exigência do povo, o Senhor selecionou um rei para Israel (1 Samuel 8). Ele escolheu Saul, um homem belo de uma família militar. Saul, que estava procurando as jumentas extraviadas de seu pai quando Samuel o ungiu, ficou perplexo (1 Samuel 9). Sua timidez fê-lo esconder-se quando sua escolha foi anunciada publicamente (1 Samuel 10:21-22). Ele certamente não estava procurando glória pessoal.
Saul reinou bem, no princípio, mas gradualmente sua autoconfiança cresceu e sua confiança no Senhor diminuiu. Em 1 Samuel 15 o Senhor ordenou que Saul e seu exército conquistassem os amalequitas, uma nação que tinha atacado erradamente Israel séculos antes (veja Êxodo 17). Deus ordenou que os amalequitas fossem exterminados; nada deveria ser poupado. Em vez disso, Saul poupou o rei e os melhores animais. Agindo assim, ele pecou.
Deus disse a Samuel que fosse falar com Saul, que estava erigindo um monumento a si mesmo (1 Samuel 15:10-12). Quando Samuel se aproximou, Saul abriu a boca:“Bendito sejas tu do SENHOR; executei as palavras do SENHOR” (15:13). Ele parecia muito ansioso para assegurar a Samuel de que a ordem tinha sido cumprida. Samuel respondeu perguntando pelo som de bois mugindo e ovelhas balindo. Este era o ponto crítico. O que faria Saul quando confrontado com seu pecado? Saul defendeu-se (15:15). Ele explicou que era o povo que tinha poupado os animais. Ele raciocinou que isso era por uma boa causa: sacrificar ao Senhor. Desde Adão até agora, os pecadores têm tentado afastar a culpa e dar desculpas pela sua desobediência. É duro aceitar a responsabilidade pelos próprios atos.
Samuel repreendeu Saul, contrastando sua primitiva humildade com a vontade própria e o orgulho que ele, então, estava demonstrando (15:16-18). Essa dura reprovação penetraria as defesas de Saul e faria com que ele se humilhasse e se arrependesse? Não, Saul endureceu seu coração. Ele reiterou suas desculpas, alegando que tinha de fato obedecido ao Senhor. Ele insistiu que não era sua culpa, uma vez que o povo é que tinha poupado os animais e que tudo, afinal, era para sacrificar. A consciência de Saul era impenetrável. Mais tarde Saul recitaria a palavra “Pequei”, mas somente porque ele queria que Samuel voltasse e o honrasse diante do povo, não porque estivesse arrependido de fato.
Como resultado do coração impenitente de Saul (note Romanos 2:5), Deus afastou Seu espírito de Saul, e um espírito mau entrou nele. Dai em diante, a vida de Saul foi torturada e arruinada pela culpa. Ele se tornou paranóico, suspeitando de seu genro, Davi, e tramando matá-lo (veja Samuel 20:30-33). Ele assassinou 85 sacerdotes de Deus (1 Samuel 22) e resolveu consultar uma feiticeira (1 Samuel 28). Finalmente, ele se suicidou (1 Samuel 31). Saul demonstra o que acontece a uma pessoa que se recusa a confessar e arrepender-se do pecado. A culpa leva à insanidade.
Davi
Como Saul, Davi era humilde e justo quando foi escolhido para ser rei. Ele se tornou um governante popular e capaz, abençoado com vitórias militares e prosperidade. Infelizmente, o pecado entrou. Davi viu Bate-Seba, a mulher de um vizinho, enquanto ela se banhava. Inflamado pela cobiça, Davi indagou a respeito dela e soube que era a esposa de um dos seus mais condecorados soldados. Ele convidou-a ao palácio e cometeram adultério. Depois ela voltou para casa.
Cedo ou tarde, o Senhor confronta-nos com nossos pecados. Bate-Seba engravidou e mandou avisar Davi que ele era o pai. Em vez de admitir seu pecado, Davi chamou o esposo dela, Urias, da batalha e lhe disse que fosse para casa. Davi queria fazer com que a criança parecesse legítima. Por respeito aos seus camaradas, Urias se recusou a passar a noite com sua esposa. Frustrado, Davi enviou um recado, pela própria mão de Urias, para o comandante do exército, Joabe, para metê-lo na frente da batalha e, então, retirar-se dele. Deste modo, Urias foi assassinado e Davi tomou Bate-Seba como sua esposa.
A melhor coisa a fazer quando pecamos é admitir e nos arrepender. Davi não o fez. Em vez disso, ele tentou encobrir seu pecado e fazer com que parecesse que nada de errado tivesse acontecido. Assim, o Senhor tomou medidas mais fortes para levar Davi ao arrependimento. O profeta Natã foi a Davi e o condenou por seu pecado. Ele advertiu a Davi que ele tinha cometido tanto adultério como assassinato e que o Senhor o puniria severamente: (1) a criança morreria; (2) a espada nunca se afastaria de sua família; (3) as suas próprias concubinas seriam violadas à vista de todos.
Até este ponto, Saul e Davi eram iguais. Ambos pecaram. Um profeta foi enviado a cada um deles para condená-los pelo seu pecado. Ambos os profetas (Samuel e Natã) anunciaram o julgamento contra eles. É aqui que a diferença entre os dois homens pode ser vista. Saul tentou desculpar-se e afastar a culpa. Davi disse: “Pequei contra o Senhor… contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos…” (2 Samuel 12:13; Salmos 51:4). Ele implorou perdão e restauração de sua relação com o Senhor (veja Salmo 51). Portanto, Deus perdoou a Davi (2 Samuel 12:13). 
Que diferença o arrependimento faz! A vida posterior de Saul foi atormentada pela culpa, levando-o a paranóia, ciúmes e depressão. Seu reinado, começado tão esperançoso, terminou em suicídio. Davi, por outro lado, ainda que enfrentasse terríveis conseqüências de seu pecado (morte da criança, discórdia na família, estupro de suas concubinas), foi purificado de sua culpa e não foi atormentado pelos distúrbios mentais como Saul. Ainda que mortificado pelo horror de seu pecado, ele continuou a ter amizade com Deus e a servi-lo fielmente.
Aplicação para nós
O Salmo 32 registra as meditações de Davi com respeito a seu pecado:
Versículos 1-2: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniqüidade, e em cujo espírito não há dolo.” Davi regozijava-se com seu perdão, e sentiu aliviado por ter sido limpo. Contudo, o perdão não é automático. Ele chega àquele em cujo espírito não há engano: àquele cujo arrependimento é honesto, sincero e real.
Versículos 3-4: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” Davi se lembrava da agonia do pecado não confessado. Sua consciência não tinha descanso. Ele se sentia esvaziado, exausto. Ainda que confessar o pecado seja duro, uma recusa desavergonhada a aceitar a responsabilidade por ele é ainda mais forte com o passar do tempo. A culpa tortura.
Versículo 5: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” Perdão! Alívio! Paz! Quando Davi confessou foi como se a pressão da água atrás de uma represa fosse aliviada pela abertura de uma comporta.
Versículo 7: “Tu és meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos de livramento.” Você vê o que a confissão e o perdão podem fazer? Admiravelmente, essa é a mesma pessoa descrita nos versículos 3-4. Ver a alegria do perdão deverá motivar-nos ao arrependimento e confissão dos nossos pecados ainda que seja difícil.
Versículos 8-9: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho. Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem.” Davi contrasta o homem que responde ao simples olhar do Senhor com o homem parecido com a mula! Esse precisa de freio e rédea para fazer com que obedeça. Talvez ele estivesse pensando como teria sido melhor se ele tivesse se arrependido e confessado o seu pecado imediatamente, em vez de esperar até que Natã tivesse que lhe “bater” na cabeça. Algumas crianças são bastante sensíveis e, sendo assim, um olhar duro as corrige na hora, enquanto outras exigem diversas boas surras. Estaremos muito melhor sendo sensíveis à mais leve indicação da desaprovação do Senhor em vez de precisar de castigo severo para nos corrigir.
E quanto a nossos pecados? A diferença entre aqueles que seguem o Senhor e aqueles que não seguem, não está em seus pecados ‒ todos pecam. A diferença está no que eles fazem após pecarem. O que acontece quando alguém aponta o pecado em nossa vida ou quando lemos na Bíblia que o que estamos fazendo é errado? Agimos como Saul: afastando a culpa, dando desculpas, tentando defender-nos? Agimos como Davi: admitindo humildemente nossos pecados e nos arrependendo quando a repreensão de um irmão nos força a enfrentá-los? Ou melhor ainda: desenvolveremos sensibilidade ao Senhor e a sua palavra de modo que vejamos nossos próprios pecados e imediatamente venhamos a confessá-los, nos arrepender e pedir o perdão ao Senhor?
Todos pecam. A diferença entre os homens está em como eles respondem aos seus pecados.

-por Gary Fisher

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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