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2 de ago. de 2010

O Que a Bíblia Diz? Quais são as qualificações bíblicas de um pastor?

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A Bíblia usa três palavras (em grego) para descrever os homens que cuidam  do rebanho de Deus. Presbíteros (algumas vezes traduzida como   anciãos) são homens de maturidade espiritual e experiência. Eles também são chamados bispos, mostrando que têm responsabilidade por supervisionar uma congregação. O termo pastor também descreve seu trabalho de alimentar, proteger e cuidar do rebanho de Deus. No tempo da igreja primitiva, estas não eram três posições distintas, mas três palavras usadas para descrever os mesmos homens (veja Atos 20:17,28). O modelo bíblico é que cada igreja local tenha uma pluralidade de homens servindo deste modo para cuidar e guiar as ovelhas (Atos 14:23; Filipenses 1:1; Tito 1:5).

Leiamos as qualificações que o Espírito Santo revelou:

"É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;  não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento;  e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);  não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo" (1 Timóteo 3:1-7).

"...Alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tito 1:5-9).

Esses textos usam palavras fortes ("necessário" e "indispensável") para mostrar que um homem tem que possuir todas estas qualidades para servir como pastor. Não temos direito de escolher ou aceitar homens não qualificados como pastores.

-por Dennis Allan

O Verdadeiro Evangelho que Salva e Liberta!



 Não são todos os caminhos (religião) que levam o homem a Deus. Seitas e heresias são falsas doutrinas, criadas pelos homens, visando desviar aqueles que receberam de Jesusa promessa de salvação e a herança de ter uma vida eterna. Jesus nos disse: "quem ouve a minha palavra e crer naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (João 5:24)

Não existe outro Evangelho senão o pregado por Jesus Cristo e os seus Apóstolos. Todavia, nos relata as Escrituras Sagradas que nos últimos dias viriam escarnecedores, com seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: "onde está a promessa da sua vinda ? Porque desde que os pais dormiram, todas as cousas permanecem como desde o princípio da criação. Porque, deliberadamente, esquecem que de longo tempo, houve céus como terra, a qual surgiu da água e através da água, pela palavra de Deus, pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservado para o dia de juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma cousa, amados, que não deveis se esquecer: 'que para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia' (2 Pedro 3:4-8)".

Cito estes versículos para iniciarmos uma ponderação acerca do tempo vivido nas Igrejas Modernas, as quais têm porobrigação pregar o verdadeiro Evangelho, ensinado por Jesus Cristo aos Apóstolos, chegando este ensinamento até nós, os gentios.

Tenho observado que alguns Pastores, retos, dentro da palavra de Deus, vem se utilizando dos meios de comunicação para falarem da forma como alguns líderes, que se dizem pastores e parte do rebanho de Cristo Jesus, estão conduzindo as suas Igrejas, dentro de uma verdadeira idolatria. Pois sabemos que todo aquele que coloca o dinheiro como prioridade, fazendo da casa de Deus um meio para desfrutar de luxo, está adulterando o verdadeiro Evangelho (2 João 1:9)

As Escrituras Sagradas nos dá, como primeiro mandamento, amar a Deus sobre todas as cousas e ao nosso próximo como a nós mesmos. Jesus nos ensinou a forma de caminhar com Deus e em Mateus 6:24, Ele nos disse para não amar a dois senhores, nem servir, porque não poderíamos servir a Deus e as riquezas.

Não obstante esta regra clara, ainda nos disse o Senhor para buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça e as demais cousas nos seriam acrescentadas.

Esta recomendação de Jesus é uma norma básica para aquele que deseja seguir uma vida com Cristo, tendo o seu caráter, observando o fiel cumprimento de sua palavra, pois esta é a voz de Deus para nós, os homens ( 2 Timóteo 3:16-17).

Ora, se nos é recomendado "não acumular para nós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam; mas que ajuntemos para nós outros tesouros do céu, onde a traça nem a ferrugem corroi, onde os ladrões não escavam nem roubam, porque dizia Jesus: onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mateus 6:19-21).

Qual é o nosso tesouro senão guardar no nosso coração a palavra de Deus ? Davi reportava-se a esta palavra como sendo lâmpada para os seus pés e luz para os seus caminhos (Salmos 119:105).

Hoje, as Igrejas Evangélicas pregam um evangelho pragmático, onde o nosso Deus e Pai é invocado, intimado a dar as riquezas cobiçadas pelos homens. Há verdadeiros alaridos, para não se dizer gritos histéricos nas orações, onde Deus é colocado contra a parede para dar toda sorte de benção, por ser Eleo dono do ouro e da prata. Esquecem-se os lideres e ovelhas que Deus dá a quem quer e a hora que quer, porque é um Deus soberano.

A palavra de Deus é para ser lida, compreendida no seu contexto, nos sendo revelado pelo Espírito Santo o seu verdadeiro significado, como ela nos será útil e aplicada à nossa vida, para o crescimento do Reino de Deus.

O papel do Pastor é ler as EscriturasSagradas, revelá-las sem acrescer um só til para a Igreja e ali formar discípulos dignos de levar esta palavra às gerações futuras.

O Reino de Deus não é comida nem bebida mas paz e alegria no Espírito Santo. O fruto, ou seja, a pregação do verdadeiro Evangelho nos trás paz, amor, vontade de amar a todos, sem acepção de pessoas, assim como fez Jesus ao pregar a mulher Samaritana. O Pastor deve ter mansidão, ser amoroso, capaz de amar e transformar o pranto de um aflito em alegria.

As Igrejas são locais onde as pessoas buscam aprender a palavra de Deus, em comunhão de uns para com os outros. Amar a Deus é respeitá-lo como Deus, um ser soberano, Pai de todos, que é por todos. Logo, as Igrejas não foram criadas para disputar o poder entre os pastores, como se neles houvesse alguma glória para se exaltar. A gloria de Deus não é dada a ninguém (Isaias 42:8).

A prática de doações, dízimos e ofertas, objeto dos cultos nas Igrejas Evangélicas,neste século XXI, são totalmente desvirtuadas da sua finalidade bíblica. Os dízimos são destinados ao serviço da Congregação, à manutenção dos levitas, ou seja, daqueles que trabalham no templo (Números 7:4-5). Paulo nos deixou o exemplo de ser servo obediente ao mandamento de Deus, pois abandonou o seu trabalho secular, onde recebia alto salário, e foi se dedicar à pregação do Evangelho, abrindo Igrejas em vários lugares. Naquele tempo, ele fazia tendas para o próprio sustendo, pois não queria ser pesado a ninguém, ficando as ofertas e os dízimos para a manutenção dos servos, escolhidos por Deus, para dirigir as Igrejas. Portanto, os dízimos não se destinavam à aquisição de bens luxuosos para os Pastores e líderes mas para estes administrassem com equidade a Casa do Senhor, suprindo as necessidades daqueles que estavama serviço, suprindo ainda, a carência de órfãos e viúvas.

No capítulo 3 do Livro do Profeta Malaquias, versos 1 e 2, inicia a palavra do Senhor dizendo que "envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente virá o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos. Mas quem suportará o dia de sua vinda ? E, neste capítulo, diz claramente o Senhor, que nós, o seu povo, seremos testemunhas contra as feitiçarias (falsas doutrinas), as mentiras, os desvios de dinheiro, a opressão as viúvas, praticadas por aqueles que não o temem.

Isto é muito sério e deverá ser revisto, urgentemente, pelos Pastores, a cobrança desenfreada de dinheiro dentro das Igrejas. Porque a cobrança não está adstrita apenas ao dízimo mas a outras obrigações que são impostas às ovelhas, tipo fazer doações de cestas básicas a serem doadas, manter missionários fora do Estado,enquanto o dízimo é usufruído pelos pastores e familiares, desviado da finalidade contida no mandamento de Deus.

O Evangelho nos foi trazido por Jesus de graça, tendo ele demonstrado isso, por inúmeras vezes, enquanto pregava. Ele próprio expulsou os mercadores do Templo, deu pão e peixe à multidão após ouvir a sua pregação. Os seus Apóstolos vendiam os seus bens para a sua própria manutenção e não cobrava das multidões o ingresso ou a inscrição para assistir as pregações.

Vergonhoso é vermos que certas Igrejas, as mais ricas, utilizam-se da cobrança de dinheiro para pregar aos cristãos um Evangelho, que tem por pilar a fórmula para se adquirir a prosperidade. Nós não vemos um mutirão de líderes dentro dos hospitais, visitando os enfermos, oferecendo-lhes um remédio ou uma roupa para vestir. Tão pouco presenciamos a união das Igrejas para tirar das ruas as crianças abandonadas por seus pais, entregues à fome, ao frio, às drogas e a criminalidade.

O que está sendo ensinado nas Igrejas Evangélicas ? Seria este o Evangelho que Jesus nos deixou para ser pregado? Estes pastores e lideres certamente darão contas a Deus pelo desvio de propósito, assim como por serem "escândalo", acausa de haver tantos cristãos frios na fé, que já não suportam o livre comércio praticado por aqueles que vituperam o Evangelho, atingindo os menos adestrados na palavra de Deus. Muitosjá se afastaram das Igrejas por não concordar com as falsas doutrinas, as injustiças do mundo sendo aceitas e praticadas pelos pastores. Outros irmãos, saíram humilhados,por não dispor da quantidade de dinheiro que lhes era exigido na Igreja (2 Pedro 2:1-9).

Passando pelas Escrituras Sagradas, lemos que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. O que significa dizer que a multiplicação de Igrejas não é principal objetivo divino mas do homem, que investe na produção de Igrejas visando um retorno financeiro. A verdadeira vontade de Deus é que as Igrejas ensinassem o verdadeiro Evangelho, que consiste na plena expressão do amor, de uns para com os outros. Ajudar ao próximo é emprestar a Deus, diz um ditado popular. Todavia, uma forma de adorar e amar a Deus é socorrer os pequeninos nas horas de aflições (Hebreus 13:1-3), (Isaías 58:1-7).

Mas, graças a Deus, que nos enviou o seu Espírito Santo para fazer morada em nós. Sem a sua presença, não suportaríamos as aflições deste tempo, onde o próprio Jesus nos deixou dito que seríamos vendidos dentro dos templos, perseguidos e mortos. E a pior morte é a espiritual, onde o homem perde o seu ânimo, aceita o ônus de satanás, perdendo a esperança para perquirir o verdadeiro caminho.

O cristão deve olhar firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Consideremos, pois, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não nos fatiguemos, desmaiando as nossas almas.

Timóteo foi um discípulo de Paulo e este sempre lhe escrevia falando acerca do valor e utilidade das Santas Escrituras. E, na 2ª Epístola de Paulo à Timóteo, capítulo 4, versículos 1 ao 5, Paulo lhe recomendava:

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu Reino: prega a palavra, insta, que seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longaminidade e doutrina, pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o seu ministério".

Você não pode desistir das promessas de Deus. Abstenha-se de pactuar com escarnecedores, homens ímpios, movidos de ganância (Salmos 1:1-6), que se precipitam no erro de Balaão. A Bíblia nos afirma que estes homens são como rochas submersas, que nas festas de fraternidade, banqueteam-se juntos sem qualquer recato; são pastores que se apascentam; nuvens sem águas impelidas pelos ventos, árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidos, duplamente mortas, desraigadas; ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas para sempre (Judas 12-13).

Jesus é o nosso Pastor (João 10), logo, se conhecereso seu Evangelho, saberás distinguir a sua voz para segui-lo (a verdade), fugindo de vozes estranhas (falsos mestres), porque as suas ovelhas conhecem a sua voz (o Evangelho).

Talvez haja momentos em sua vida que penses estar sozinho, sem pastor, amigos ou familiares. Lembre-se, sempre, que Jesus é o nosso Pastor, o nosso amigo, que está em você, se a sua vida estiver nele. É Ele que intercede por nós junto ao Pai, que ganha as nossas guerras, nos garantindo a vitória.

É bem verdade que nos sentimos sozinhos, sem apóio humano, muitas vezes. A razão desta escassez se dá em parte, por causa dos irmãos que já estão contaminados pelas falsas doutrinas, pregadas nas Igrejas Modernas. Todavia, a tristeza não é somente sua e minha, mas de Deus Pai, que vê todas essas cousas, que perscruta os corações dos homens e observa que o homem ama mais as trevas que a luz, que prefere as riquezas, porque assim têm preterido nos cultos a ELE no século XXI.

Paz seja com todos !

Zenaide Alcântara de Sousa
Irmã em Cristo Jesus

Jesus disse: " Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mt 5:27,28)."Ai do mundo por causa de todas as suas maldades. A tentação para fazer o mal é inevitável, mas ai do homem que provoca a tentação. Portanto se a sua mão ou o seu pé faz você pecar, corte-os e jogue fora. É melhor entrar no céu aleijado do que estar no inferno com as duas mãos e os dois pés. E se o teu olho faz você pecar, arranque-o e jogue fora. É melhor entrar no céu com um olho só, do que estar no inferno com os dois" Mateus 18: 7-9




Se teu olho te faz pecar...

A expressão traduzida por “o fizer pecar” é “skandalizei se” no grego. A ideia é de apanhar numa armadilha, sendo que “skandalon” é a parte da armadilha que solta a tampa para prender o animal que a toca. O Senhor Jesus disse que se o olho ou a mão é como essa parte, arranque-se o olho ou corte-se a mão. Obviamente não se deve fazer isso literalmente, pois ninguém vai escapar do inferno mediante uma mutilação: não é o corpo físico que será lançado, mas o espírito do pecador.

O pecado começa na mente, e para que os pensamentos se mantenham puros é necessária uma severa disciplina, comparando-se a arrancar um olho, ou cortar uma mão. Os que pensavam que podiam entrar no reino de Deus mediante a obediência literal da lei de Moisés estavam enganados, pois a sua natureza era pecaminosa, e estavam condenados ao inferno. Os que recebem a Cristo como seu Senhor e Salvador "morrem" para a lei pelo corpo de Cristo, que foi morto em seu lugar (Romanos 7:4), e a lei não foi feita para eles (1 Timóteo 1:9). Mas a lei de Moisés continua valendo para os incrédulos, pois é mediante a lei que os seus pecados são evidenciados, assim convencendo-os da necessidade de arrependimento e da remissão que somente pode ser conseguida mediante a fé no Salvador, Jesus Cristo.

Os crentes em Cristo pertencem ao reino de Deus, tendo sido libertos da observância da lei de Moisés para em seu lugar servir a Cristo e dar fruto para Deus. O reino de Deus tem sua lei, a lei do Messias (1 Coríntios 9:21), de certa forma mais exigente do que a lei de Moisés, e que se resume em amar aos outros como a si mesmo e não fazer mal ao próximo (Romanos 13:8-10). A lei de Moisés dava uma medida de justiça apenas: mas os súditos do reino de Deus devem ir além disso e ser perfeitos assim como é perfeito o seu Pai nos céus. Esta perfeição é a maturidade espiritual que permite ao crente imitar a Deus, que abençoa a todos sem parcialidade.

Romanos 6:23: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor."




O que são e quais são os pecados capitais?
Os pecados capitais são pecados "cabeças", princípios, pontos de partida de outros pecados. São sete: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Os demais pecados por nós cometidos são sempre uma variação de um dos pecados capitais, ou ainda, uma combinação dos pecados capitais.
Que passagens bíblicas esclarecem a cada um dos pecados capitais?
1. Soberba: relativo ao nosso orgulho, onde nos achamos melhor que todo mundo, não respeitando o próximo e passando por cima de tudo e de todos. Você se torna o seu próprio Deus pois a glória de tudo o que você faz sempre vai para você mesmo. O seu umbigo passa a ser o centro do universo. (Eclo 10,15; Romanos 3,27; Gálatas 6,4; Mateus 18,3)
2. Avareza: relativo ao apego e ao amor ao dinheiro. O dinheiro passa a ser tudo para você e você acredita que com o dinheiro pode fazer tudo e comprar tudo, inclusive as pessoas. As pessoas passam a valer menos que seu dinheiro. Seu deus se torna o dinheiro. (Mt 6,24; 1Timóteo 6,10; Marcos 10,21-22; João 12,5-6)
3. Luxúria: relativo ao apego aos prazeres sexuais. Sua vida passa a girar em torno do sexo. Se você vê um homem/mulher já pensa em sexo. Como exemplo da luxúria podemos citar: o adultério (traição) e a fornicação (sexo no namoro ou sexo fora do casamento), cobiçar a mulher/homem do próximo, a masturbação, o homossexualismo e lesbianismo, a zoofilia (sexo com animais). (2Pedro 2,13; Levítico 18, 20.22; Êxodo 20,17; Mateus 5,27; 1Coríntios 6,15; Gênesis 38,9-10)
4. Ira: quando brigamos a qualquer momento e com qualquer pessoa mesmo sem ter motivo. Quando guardamos mágoa ou rancor por alguém e não perdoamos as 70x7 que Jesus nos manda. (Mt 5,22; 21,12; 23,27)
5. Gula: quando comemos até não agüentar mais, chegando até mesmo a passar mal. Quando já saciamos nossa fome mas comemos o bife do outro deixando-o sem comida. (Filipenses 3,19; Isaías 5,11)
6. Inveja: quando queremos ter algo igual só porque nosso próximo tem, trata-se do famoso olho gordo. Relativo a cobiça e a todo tipo de inveja, inveja da mulher, inveja das amizades, inveja do emprego, inveja dos bens materiais, etc. (Sabedoria 2,24; Gênesis 4,1-16; Mateus 10,42-43; 20,1-16; Gênesis 37,4; 1Samuel 18,6-16)
7. Preguiça: quando temos todo tempo do mundo a nossa disposição e mesmo assim deixamos de fazer as boas coisas em função de Deus e do próximo. (Eclesiástico 33,28-29; Provérbios 24,30-31; Ezequiel 16,49; Mt 20,6) 
 

Embora os sete pecados tidos como capitais sejam de facto nocivos à alma, o romanismo tem ignorado outras listas mais completas da Escritura; e omite pecados igualmente graves, dignos de condenação, como a heresia, a idolatria e a feitiçaria (Gl 5:19-21; Rm 1:18-32; 1 Co 6:10).

Na Palavra de Deus, em Apocalipse 21:8, há uma lista de oito pecados capitais: “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte”. Tais pecados, comumente atribuídos às pessoas quem não seguem a Cristo, têm sido cometidos por aquelas que se consideram cristãs, mas não andam como Jesus andou (1Jo 2:6).
Primeiro pecado capital: TIMIDEZ
Não se assuste. A timidez digna de condenação, segundo a Escritura, não é aquele acanhamento natural, verificável em pessoas introvertidas. A palavra “tímido” (gr. 
deilos), empregada na passagem acima, implica, pelo menos, duas actitudes negativas: vergonha de ser reconhecido como cristão e medo de testemunhar.

Quem tem vergonha de ser cristão, a ponto de esconder a sua Bíblia, jamais terá ousadia para pregar a Palavra de Deus (At 4:31). Pedro, depois de se converter, nunca mais se mostrou covarde (Lc 22:32; At 2:14; 4:8-20). A timidez capital é aquela que impede o crente de anunciar o evangelho (1Co 9:16), bem como de “brilhar” diante dos homens (Mt 5:14-16). Acerca disso, Jesus nos adverte: “... qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10:33).

Segundo pecado capital: INCREDULIDADE

O adjectivo 
apistos (gr.), no texto em análise, significa “incrédulo, infiel, descrente, cético” (1Co 6:6; 7:12-15; 2Co 4:4; 6:15; 1Tm 5:8). A incredulidade se torna um pecado capital quando não reconhecida nem combatida por seu portador (Mt 17:17; Mc 9:24; Lc 17:5). Orações como “Acrescenta-nos a fé” e “Ajuda a minha incredulidade”, se feitas com sinceridade, agradam a Deus.

Entretanto, a permanência na incredulidade foi a causa de a maioria do povo israelita, oriundo do Egito, não ter entrado em Canaã (Hb 3:15-19), bem como a razão de Jesus não ter operado muitos prodígios em certos lugares (Mt 13:54-58). Não crer em Deus ou duvidar das suas obras — como um estado contínuo, e não como um acto isolado — significa fazê-lo mentiroso (1Jo 5:10) e afastar-se definitivamente dEle (Hb 11:6). Não é de se admirar que a parte dos incrédulos contumazes seja no lago de fogo (Mc 16:16b; Jo 3:36).
Terceiro pecado capital: ABOMINAÇÃO

O termo “abominável” (gr. 
bdeluktos e bdelugma) é sinônimo de repugnante, detestável, odioso (lit. “que faz alguém se afastar como que de um mau cheiro”); está associado a idolatria, impureza e mentira (Ap 21:27). Paulo descreveu assim os abomináveis: “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis [gr.bdeluktos], e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (Tt 1:16).

Abominável é aquela pessoa que não vive o que prega, haja vista possuir um coração dividido e desobedecer aos mandamentos de Cristo. O que torna um crente practicante desse pecado capital? A mornidão espiritual: “... porque és morno... vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3:14-16). Por isso, o servo fiel deve vencer a indiferença, a inconstância e a desobediência, e entregar-se integralmente ao Senhor (1Rs 18:21; Mt 6:24).
 
Quarto pecado capital: HOMICÍDIO

Na passagem em apreço (Ap 21.8), o termo phoneus (gr.) significa “homicida, assassino”. Quem comete um homicídio doloso e qualificado, com a intenção de matar, se julgado e condenado, pode ser submetido à prisão perpétua ou até à pena de morte, de acordo com o código penal vigente em seu país. Mas, qual é a pena para quem mata espiritualmente alguém e não se arrepende?
 
João, o apóstolo do amor — e também da certeza —, declarou: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanecente nele a vida eterna” (1Jo 3:15).
 
Por conseguinte, o cristão que pratica o homicídio espiritual está sujeito à pena capital do sofrimento eterno constante do Código Divino (Mt 5:22), a não ser que recorra, a tempo, ao supremo Advogado (1Jo 2:1; Pv 28:13).
Quinto pecado capital: FORNICAÇÃO

Fornicário (gr. pornos), no texto em apreço (lit. “homem que se vicia em fornicação ou prostituição”), é um termo que possui significação vasta e aplicação abrangente; implica permanência numa vida de imoralidade e maus pensamentos, além de prática continuada e sem arrependimento do sexo ilícito e de outros pecados contra o corpo.
 
A relação sexual, dentro do casamento, é algo puro diante de Deus (Hb 13:4). Fora dele, constitui-se pecado contra o corpo (1Co 6:19,20; 7.9). Há também pecados praticados dentro do matrimônio. Embora Deus tenha estabelecido a maneira lícita para um casal ter prazer, muitos têm abandonado o que a Bíblia chama de “uso natural” (Rm 1:26,27).
 
É importante ressaltar, ainda, que o acto de cobiçar e desejar possuir alguém proibido já se constitui um tipo de fornicação, a psicológica (Mt 5:28; 15:19). O crente deve desviar os seus olhos do mal (Jó 1:1; Mt 6:22,23), haja vista ser através do olhar persistente que nasce a cobiça (Gn 3:6; Js 7:21).
Sexto pecado capital: FEITIÇARIA

O termo “feiticeiro” (gr. pharmakos) também é vasto em sua aplicação. Pode envolver o manuseio de drogas e poções, embora o seu sentido usual e comum esteja associado a práticas como feitiços, encantos, necromancia, espiritismo, uso de rituais mágicos, bruxaria, evocação de espíritos, emprego de diversas formas de adivinhação, uso de amuletos e talismãs, etc.
 
Existe feitiçaria no meio evangélico? Ou será que levar uma rosa para casa, a fim de absorver os maus fluidos, e depois depositá-la no altar da igreja para ser queimada, com o intuito de supostamente destruir as obras satânicas, não é uma forma de feitiçaria? E o que dizer do uso de arruda, sal e copos com água como meios de alcançar uma bênção?! Essas práticas são comuns em algumas igrejas consideradas evangélicas.

 
Certa vez, um irmão me mostrou uma foto de um pregador cujo rosto estava parcialmente encoberto por uma luz. A fotografia, intitulada “Língua de Fogo”, estava a ser vendida em sua igreja. O que havia de tão especial naquela fotografia, que, aliás, qualquer pessoa consegue produzir?

 
O evangelho de Cristo é simples (2Co 11:3). A pregação das boas novas é poder de Deus para a salvação do pecador (Rm 1.16); e a oração da fé, feita por um justo, é o suficiente para que o Senhor aja (Tg 5:15,16). Não há necessidade de se recorrer a práticas estranhas para o recebimento das bênçãos do alto (Tg 1.15-17).
Sétimo pecado capital: IDOLATRIA

O vocábulo “idolátra” (gr. eidõlolatres) traduz um amor excessivo, uma paixão exagerada, a um ídolo (gr. eidõlon, “aquilo que é visto”). Pode um crente tornar-se idólatra? Ora, para quem Paulo escreveu: “Não vos façais, pois, idólatras”? Aos crentes de Corinto (1 Co 10:7). Da mesma forma, João disse: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5.21).
 
Como se vê, o cristão pode vir a praticar os actos que ele mais condena. Mas, como um cristão pode se tornar idólatra? Quando se põe a amar uma pessoa ou coisa mais do que ao Senhor (Mt 10:37; 1Jo 2:15-17). O amor ao dinheiro ou a avareza é, à luz da Palavra de Deus, uma forma de idolatria (1Tm 6:10; Ef 5:5).
Oitavo pecado capital: MENTIRA

 
A palavra pseudes (gr.) significa “mentiroso, falso”, ou, em português, “pseudo”, prefixo que denota falsidade. Por exemplo: pseudo-verdadeiro, pseudo-inspirado, pseudo-cristão, etc. Mas o crente renascido deve deixar a mentira (Cl 3.9). Paulo, quando escreveu à igreja de Éfeso, admoestou os cristãos a buscarem a verdade: “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo... deixai a mentira, e falai a verdade...” (Ef 4.15,25).
 
Que Deus nos guarde desses oito pecados capitais.

Ciro Sanches Zibordi
Artigo preparado para a revista Novas de Alegria, de Lisboa, Portugal



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Não Seja Mera Sombra e Eco

por John Piper

Não somos Deus. Por conseguinte, comprados com a Realidade absoluta e final, somos pequeníssimos. Nossa existência é secundária e depende da absoluta Realidade de Deus. Ele é o único Ser auto-existente no universo. Somos derivados. Ele sempre existiu e não teve princípio. Portanto, ninguém Lhe deu forma. Nós, pelo contrário, recebemos forma. Ele simplesmente é. Nós, porém, fomos criados. “Eu sou o que sou” é o nome dEle (Êx 3.14).

No entanto, visto que Ele nos fez com o mais sublime propósito para uma criatura — desfrutar e manifestar a glória do Criador — podemos ter uma vida bastante substancial, que dura para sempre. Esta é a razão por que fomos criados (“Tudo foi criado por meio dele e para ele” — Cl 1.16). Esta é a razão por que nossa sexualidade foi redimida (“Fugi da impureza... Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” — 1 Co 6.18, 20). Esta é a razão por que comemos e bebemos (“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” — 1 Co 10.31). Esta é a razão por que oramos (“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” — Jo 14.13). Esta é a razão por que fazemos boas obras (“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus — Mt 5.16).

Esta é a razão por que existimos — manifestar a glória de Deus. A vida humana é completamente centralizada em Deus. Este é o significado de sermos humanos. Nossa natureza foi criada para engrandecer a Deus. A nossa glória consiste em dar glória a Deus. Quando cumprimos esta razão de sermos, temos substância. Existe valor e significado em nossa existência. Conhecer, desfrutar e manifestar a glória de Deus é um compartilhamento da glória de Deus. Não nos tornamos Deus. Mas um pouco da grandeza e beleza de Deus está sobre nós, quando cumprimos este propósito de nossa existência — refletir a excelência de Deus. Esta é a nossa substância.

Não cumprir este propósito para a existência humana corresponde a ser uma mera sombra da substância que Deus tencionava possuirmos quando nos criou. Não manifestar a glória de Deus por desfrutarmos dEle mesmo, acima de qualquer outra coisa, é ser apenas um eco da música que Deus tencionou que faríamos quando nos criou.

Esta é uma grande tragédia. Os seres humanos não foram criados para serem apenas sombras e ecos. Fomos criados para termos as características de nosso Deus, para fazermos música divina e causarmos um impacto divino. Isto é o que significa ser criado à imagem de Deus (Gn 1.27). Mas, quando os homens abandonam o seu Criador e amam mais as outras coisas, eles se tornam semelhantes às coisas que amam — insignificantes, fúteis, sem valor, inconseqüentes e depreciadores de Deus.

Veja como o salmista apresentou este fato: “Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; pois não há alento de vida em sua boca. Como eles se tornam os que os fazem e todos os que neles confiam” (Sl 135.15-18; veja também Sl 115.4-8).

Pense e trema. Você se torna semelhante às coisas feitas pelos homens e nas quais você confia: mudo, cego, surdo. Isto é uma sombra da existência. É um mero eco do que Deus tencionou você deveria ser. É uma mímica vazia no palco da História, com muito movimento e pouco significado.

Querido leitor, não seja sombra e eco. Livre-se do espírito de centralidade no homem, uma epidemia de nossa época. Olhe com determinação, para ver, conhecer e desfrutar a vida na luz do Senhor. “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor” (Is 2.5). Na luz do Senhor, você O verá, bem como a todas as coisas como realmente são. Você despertará da sonolência de uma existência na terra das sombras. Você anelará por substância e a encontrará. Fará de sua vida uma música divina. A morte será apenas uma viagem rumo ao Paraíso. E o que você deixar para trás não serão sombras e ecos, e sim um tributo na terra, escrito no céu, à triunfante graça de Deus.

Extraído do livro: Penetrado pela Palavra, de John Piper.
Copyright: © Editora FIEL 2009
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

1 de ago. de 2010

O grande deus entretenimento



Há muitos anos um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que, quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência do homem interior.
Se isto é verdade (e eu creio que é), então o desordenado apego atual a toda forma de entretenimento é prova de que a vida interior do homem moderno está em sério declínio. O homem comum não tem nenhum núcleo central de segurança moral, nenhum manancial no seu peito, nenhuma força interior para colocá-lo acima da necessidade de repetidas injeções psicológicas para dar-lhe coragem para continuar vivendo. Tornou-se um parasita no mundo, extraindo vida do seu ambiente, incapaz de viver um só dia sem o estímulo que a sociedade lhe fornece.
Schleiermacher afirmava que o sentimento de dependência está na raiz de todo culto religioso, e que por mais alto que a vida espiritual possa subir, sempre tem que começar com um profundo senso de uma grande necessidade que somente Deus poderia satisfazer. Se esse senso de necessidade e um sentimento de dependência estão na raiz da religião natural, não é difícil ver porque o grande deus entretenimento é tão cultuado por tanta gente. Pois há milhões que não podem viver sem diversão. A vida para eles é simplesmente intolerável. Buscam ansiosos o alívio dado por entretenimentos profissionais e outras formas de narcóticos psicológicos como um viciado em drogas busca a sua injeção diária de heroína. Sem essas coisas eles não poderiam reunir coragem para encarar a existência.
Ninguém que seja dotado de sentimentos humanos normais fará objeção aos prazeres simples da vida, nem às formas inofensivas de entretenimentos que podem ajudar a relaxar os nervos e revigorar a mente exausta de fadiga. Essas coisas, se usadas com discrição, podem ser uma benção ao longo do caminho. Isso é uma coisa. A exagerada dedicação ao entretenimento como atividade da maior importância para a qual e pela qual os homens vivem, é definitivamente outra coisa, muito diferente.
O abuso numa coisa inofensiva é a essência do pecado. O incremento do aspecto das diversões da vida humana em tão fantásticas proporções é um mau presságio, uma ameaça às almas dos homens modernos. Estruturou-se, chegando a construir um empreendimento comercial multimilionário com maior poder sobre as mentes humanas e sobre o caráter humano do que qualquer outra influência educacional na terra. E o que é ominoso é que o seu poder é quase exclusivamente mau, deteriorando a vida interior, expelindo os pensamentos de alcance eterno que encheriam a alma dos homens, se tão-somente fossem dignos de abrigá-los. E a coisa toda desenvolveu-se dando numa verdadeira religião que retém os seus devotos com estranho fascínio, e, incidentalmente, uma religião contra a qual agora é perigoso falar.
Por séculos a igreja se manteve solidária contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que era – um meio para desperdiçar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isso ela própria sofreu rotundos abusos dos filhos deste mundo. Mas ultimamente ela se cansou dos abusos e parou de lutar. Parece Ter decidido que, se ela não consegue vencer o grande deus entretenimento, pode muito bem juntar suas forças às dele e fazer o uso que puder dos poderes dele. Assim, hoje temos o espantoso espetáculo de milhões de dólares derramado sobre o trabalho profano de providenciar entretenimento terreno para os filhos do Céu, assim chamados. Em muitos lugares, o entretenimento religioso está eliminando rapidamente as coisas sérias de Deus. Muitas igrejas nestes dias têm-se transformado em pouco mais do que pobres teatros onde “produtores” de quinta classe mascateiam as suas mercadorias falsificadas com total aprovação de líderes evangélicos conservadores que podem até citar um texto sagrado em defesa de sua delinqüência. E raramente alguém ousa levantar a voz contra isso.
O grande deus entretenimento diverte os seus devotos principalmente lhes contando estórias. O gosto por estórias, característicos da meninice, depressa tomou conta das mentes dos santos retardados dos nossos dias, tanto que não poucas pessoas, pelejam para construir um confortável modo de vida contando lorotas, servido-as com vários disfarces ao povo da igreja. O que é natural e bonito numa criança pode ser chocante quando persiste no adulto, e mais chocante quando aparece no santuário e procura passar por religião verdadeira.
Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?
“Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. … Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós porque pecamos! Por isso caiu doente o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos.” Amém. Amém.

O Novo Nascimento - John Gill (1697–1771)


A regeneração pode ser considerada de forma mais ampla, incluindo a chamada eficaz, a conversão e a santificação; ou de forma mais restrita, designando o primeiro princípio de graça infundido na alma. [Isto] faz da alma um objeto preparado para a chamada eficaz, um vaso apropriado à conversão, sendo também a fonte daquela santidade que é gradualmente desenvolvida na santificação e aperfeiçoada no céu. No que diz respeito à regeneração, os seguintes fatos devem ser examinados com atenção: o que é a regeneração ou... a sua natureza, que é tão misteriosa, desconhecida e inexplicável para um homem natural, como o foi para Nicodemos, embora ele fosse um mestre em Israel. Nós a compreenderemos melhor observando as expressões e termos pelos quais a regeneração é apresentada:

1. Nascer de novo — isto é o que a regeneração significa (veja Jo 3.3, 7; 1 Pe 1.3, 23). Esta expressão supõe um nascimento anterior, um primeiro nascimento, em relação ao qual a regeneração é o segundo. Se observarmos a diferença entre os dois nascimentos, os conceitos ficarão mais claros. Esses nascimentos são opostos entre si: o primeiro vem de pais pecadores e acontece à imagem deles; o segundo vem de Deus e acontece à imagem dEle. O primeiro é de semente corruptível, o segundo, de incorruptível. O primeiro acontece em pecado, o segundo, em santidade e justiça. Por meio do primeiro nascimento, os homens são corrompidos e depravados; pelo segundo, eles se tornam consagrados e começam a ser santos. O primeiro nascimento é carnal; o segundo é espiritual, transformando os que passam por ele em homens espirituais. Por meio do primeiro nascimento, os homens são loucos e insensatos; nascem como crias de asnos monteses. Por meio do segundo nascimento, eles se tornam instruídos e sábios para a salvação. Por meio do primeiro nascimento, eles são escravos do pecado e das paixões carnais: sua condição de escravo é inata. Por meio do segundo nascimento, eles se tornam os libertos de Cristo. Por meio do primeiro nascimento, eles são transgressores e seguem um caminho de pecado, até que são interrompidos pela graça. No segundo nascimento, eles param de cometer pecados, isto é, param de seguir o caminho de pecado, passando a viver em santidade. Sim, aquele que é nascido de Deus não vive em pecado. Por meio do primeiro nascimento, os homens são filhos da ira e estão sob o desprazer divino; no segundo nascimento, eles se tornam objetos do amor de Deus, sendo a regeneração o fruto e o efeito desse amor...


2. Nascer do alto — assim poderia ser traduzida a expressão de João 3.3, 7. O apóstolo Tiago disse, de um modo geral, que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto; e a regeneração, sendo esse tipo de dádiva, deve vir do alto... “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1.17-18). O autor desse nascimento é do alto; e os que nasceram de novo nasceram de Deus Pai, que está no céu. A graça concedida na regeneração vem de cima (Jo 3.27). A verdade no íntimo, a sabedoria no espírito ou a graça de Deus no coração, produzida na regeneração, é a sabedoria que vem do alto (Tg 3.17). Assim são os nascidos de novo, pois eles são nascidos do alto, têm excelente nascimento, são participantes da vocação soberana e celestial de Deus, em Cristo Jesus, e certamente a possuirão (1 Pe 1.3-4; Hb 3.1; Fp 3.14).

3. É comum a regeneração ser expressa por novo nascimento; e com grande propriedade, visto que o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo estão juntos, como que significando a mesma coisa. A regeneração produz o que as Escrituras chamam de nova criatura e novo homem, e os nascidos de novo são chamados de crianças novamente nascidas (Tt 3.5; 2 Co 5.17; Ef 4.24; 1 Pe 2.2). É um novo homem em oposição ao velho ou ao princípio da natureza corrupta, que é tão antigo quanto o homem. Mas o princípio da graça infundido na regeneração é novo. É algo novo, inserido no coração; é algo que antes nunca esteve na natureza humana, nem mesmo em Adão, quando vivia em seu estado de inocência. Não é uma influência sobre os velhos princípios da natureza, nem a elevação deles a um grau superior. Não é uma melhoria dos velhos princípios, nem uma correção da imagem de Deus corrompida e arruinada no homem. É uma obra totalmente nova. É chamada de nova criatura; é uma obra realizada pelo poder onipotente, uma nova criatura, um novo homem constituído de várias partes, todas elas novas. Nessa nova criatura, existem um coração novo, um espírito novo, uma mente nova, para conhecer e entender coisas que antes não podiam ser conhecidas nem entendidas — um novo coração para conhecer a Deus, não como o Deus da natureza e da providência, e sim como o Deus da graça, Deus em Cristo, Deus em um Mediador, o amor de Deus nEle, a aliança da graça e as bênçãos dessa aliança estabelecida nEle. [É um novo coração para conhecer] a Cristo e a plenitude da graça nEle, o perdão do pecado por meio de seu sangue, a justificação por meio de sua justiça, a redenção por meio do seu sacrifício, aceitação diante de Deus por meio dEle e completa salvação por intermédio dEle — coisas sobre as quais Adão nada sabia no Paraíso.

Neste novo coração, há novos desejos por esses objetos, para conhecer mais sobre eles; há novas afeições colocadas sobre eles, novos deleites neles e novas alegrias que surgem deles (Ez 36.26; 1 Jo 5.20; 1 Co 2.9). Este novo homem enxerga com novos olhos. Deus não concede a algumas pessoas olhos para ver coisas divinas e espirituais, mas Ele os concede para os nascidos de novo. Eles têm olhos que vêem, feitos pelo Senhor (Dt 29.4; Pv 20.12), com os quais eles vêem seu estado de perdição, sua condição natural, a excessiva corrupção do pecado, sua incapacidade de se redimir por meio do que possam fazer. [Vêem] a insuficiência de sua justiça, sua incapacidade de fazer boas obras e a falta de poder para ajudarem a si mesmos a livrarem-se do estado e da condição em que estão. [Vêem sua necessidade] do sangue, da justiça e do sacrifício de Cristo, e da salvação por intermédio de Cristo. Eles têm os olhos da fé com os quais contemplam as glórias da pessoa de Cristo, a plenitude de sua graça, a excelência de sua justiça, a virtude de seu sangue e sacrifício, o benefício e a perfeição de sua salvação. Neste aspecto, a regeneração não é outra coisa senão luz espiritual no entendimento.

Além disso, o novo homem tem novos ouvidos. Nem todos têm ouvidos para ouvir. Alguns têm e os receberam do Senhor; e benditos são eles (Ap 2.11; Dt 29.4; Pv 20.12; Mt 13.16-17). Ouvem a Palavra de um modo como nunca ouviram antes. Eles a entendem e passam a amá-la; por meio dela, distinguem a voz de Cristo da voz de um estranho, de modo que sentem-na agir neles com eficácia e tornar-se o poder de Deus para a salvação deles. Conhecem o jubiloso som e regozijam-se em ouvi-lo!O novo homem também tem novas mãos com as quais pode agir: a mão de fé para receber a Cristo como Salvador e Redentor, para apropriar-se dEle para a vida e a salvação, para recebê-Lo, para apegar-se a Ele e não deixá-Lo ir embora. [Eles têm mãos] para tocá-Lo, a Palavra da vida, e receber dEle graça sobre graça. Têm mãos com as quais podem servir motivados por princípios melhores, a fim de atingir objetivos melhores do que os anteriores.Eles têm novos pés, com os quais correm para Cristo, a Cidade de refúgio; andam pela fé, prosseguem nEle, assim como O receberam; atravessam com alegria os caminhos de suas ordenanças, seguem-No com empenho e continuam a conhecê-Lo. Têm novos pés com os quais podem correr e não se fatigar, andar e não desfalecer.

4. A regeneração é expressa por ser vivificado. Assim como há, na criação natural, um momento em que a vida passa a existir, na regeneração acontece o mesmo. “Ele vos deu vida” (Ef 2.1). Antes da regeneração, os homens estão mortos, embora vivam; ainda que estejam fisicamente vivos, estão moralmente mortos; estão mortos em um sentido moral para as coisas espirituais, em todas as forças e capacidades de sua alma. Não as conhecem, não têm afeição por elas, amor por elas ou poder de realizá-las, à semelhança de um homem morto em relação às coisas naturais. Entretanto, na regeneração um princípio de vida espiritual é infundido no homem; é um tempo em que o Senhor lhes transmite vida e a produz neles. Cristo é a ressurreição e a vida neles. [Ele] os ressuscita da morte do pecado para uma vida de graça. O espírito da vida de Cristo entra neles.

A regeneração é uma passagem da morte para a vida. É um princípio de vida espiritual implantado no coração, em conseqüência do qual um homem inspira um senso espiritual. Onde há fôlego, há vida. Deus soprou em Adão o fôlego de vida, e este se tornou uma alma vivente, uma pessoa viva que, em resposta, respirou. Assim, o Espírito de Deus sopra em ossos secos, e eles vivem e passam a respirar. A oração é a respiração espiritual de um homem regenerado. “Ele está orando” (At 9.11) é algo observado sobre Saulo após sua regeneração. Um pouco antes ele respirava ameaças e morte contra os discípulos de Cristo. Um homem regenerado respira oração a Deus e suspira por Ele, por conhecê-Lo mais em Cristo, por ter comunhão com Ele, por manifestações de seu amor e, em especial, pela benevolente graça e misericórdia. Às vezes, estas respirações e desejos são expressos apenas por suspiros e gemidos, mas ainda são sinais de vida. Se um homem suspira, é claro que está vivo.O homem regenerado deseja intensamente o alimento espiritual; e isso demonstra que ele foi vivificado. Logo que uma criança nasce, ela procura o seio materno em busca de leite. Assim, os recém-nascidos espirituais desejam o genuíno leite da Palavra, por meio do qual eles podem crescer. Seus sentidos espirituais são exercitados em assuntos espirituais. Têm o que corresponde aos sensos da vida natural: o ver, o ouvir e, como já observamos, o sentir. Eles sentem o fardo do pecado na consciência e as obras do Espírito de Deus em seu coração; e confiam em Cristo, a Palavra da vida — isso deixa evidente o fato de que estão vivos: um morto nada sente. Têm uma inclinação espiritual, um deleite nas coisas espirituais; a Palavra de Cristo lhes é mais doce ao paladar do que o mel ou o favo de mel... Eles provam que o Senhor é gracioso e convidam outros a provar e ver também quão bom Ele é. Eles se deleitam com as coisas de Deus e não dos homens. Cristo e sua graça lhes são agradáveis... Estes sensos espirituais e o exercício deles... mostram que estão vivos, que nasceram de novo. Essas pessoas levam uma vida de fé; vivem por fé — não a fé em si mesma, mas em Cristo, o objeto da fé. Crescem em Cristo, a Cabeça deles, de quem recebem sustento e assim crescem no crescimento que vem de Deus; e isto é uma evidência de vida. Resumindo, eles vivem uma vida nova, diferente da que tinham antes; não vivem mais para si mesmos ou para as paixões dos homens, e sim para Deus e para Cristo, que morreu e ressuscitou por eles. Andam em novidade de vida.

5. A regeneração é demonstrada pela formação de Cristo na pessoa convertida (Gl 4.19). A imagem dEle é gravada na regeneração; não a imagem do primeiro Adão, e sim a do segundo Adão. Pois o novo homem é feito segundo a imagem dAquele que o criou de novo, é a imagem de Cristo. Os eleitos de Deus são predestinados a serem conformados a esta imagem; e isso acontece na regeneração (Rm 8.29; Cl 3.10). As graças de Cristo — fé, esperança e amor — são produzidas no coração da pessoa regenerada e logo se tornam visíveis. Sim, o próprio Cristo vive neles. O apóstolo Paulo disse: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé” (Gl 2.20). Cristo e o crente vivem mutuamente um no outro.

6. A regeneração é explicada como o ser co-participante da natureza divina (2 Pe 1.4). Isto não significa que o nascido de novo se torna participante da natureza essencial de Deus: uma criatura não pode participar da essência divina, e esta não pode ser comunicada à criatura. Isto seria deificar os homens. Muitas das perfeições divinas são totalmente incomunicáveis, como a eternidade, a imensidade, etc. Os nascidos de novo também não participam da natureza divina da mesma maneira como Cristo participa, pela união pessoal e hipostática das duas naturezas nEle, a união em que a plenitude da divindade habita corporalmente nEle. Mas a regeneração produz na alma uma semelhança com a natureza divina em espiritualidade, santidade, bondade, benevolência, etc.; por isso, a regeneração também recebe essa designação.

John Gill (1697-1771) Pastor e teólogo. Autor de The Cause of God and Truth, Expositions of the Old and New Testaments e outros. Nasceu em Kettering, Northamptonshire, Inglaterra.

Total Devoção – J. I. Packer

"Castigá-la-ei pelos dias dos baalins, nos quais lhes
queimou incenso, e se adornou com as suas arrecadas
e com as suas jóias, e andou atrás de seus amantes,
mas de mim se esqueceu ", diz o SENHOR. (Os 2.13).


IDOLATRIA

 Embora haja somente um Deus e somente uma fé verdadeira, a saber, a que é ensinada na Bíblia, nosso mundo apóstata (Rm 1.18-25) sempre esteve cheio de religiões, e o antiqüíssimo impulso em direção ao sincretismo, pelo qual aspectos de uma religião assimilam-se a outra, mudando assim ambas, ainda está entre nós. Na realidade, ele revive de forma alarmante em nosso tempo por meio da renovada busca acadêmica de uma unidade transcendente de religiões e o desabrochar do amálgama popular das idéias do Oriente e do Ocidente, que se autodenomina Nova Era.


Esta pressão não é nova. Tendo ocupado Canaã, Israel era constantemente tentado a introduzir o culto cananita dos deuses e deusas da fertilildade no culto de Yahweh, e a fazer imagens do próprio Yahweh — mudanças ambas proibidas pela lei (Êx 20.3-6). A questão espiritual era se os israelitas se lembrariam de que Yahweh, o Deus do pacto, era plenamente suficiente para eles, e além disso reivindicava sua fidelidade exclusiva, de sorte que adorar outros deuses era adultério espiritual (Jr 3; Ez 16; Os 2). Este foi um teste em que a nação falhou grandemente.

De modo semelhante, o sincretismo foi   muito difundido e aprovado no primeiro século do império romano, em que predominava o politeísmo e em que floresceu toda sorte de cultos. Os mestres cristãos lutaram muito para manter a fé a salvo de ser assimilada pelo gnosticismo (uma espécie de teosofia em que não havia lugar para a encarnação e a expiação, uma vez que, para ela, o problema do homem era a ignorância, não o pecado), e mais tarde pelo neoplatonismo e pelo maniqueísmo, ambos os quais, como o gnosticismo, viam a salvação no expediente da separação física do mundo. Estes conflitos foram relativamente bem-sucedidos, e as formulações clássicas do credo sobre a Trindade e a Encarnação são parte de seu permanente legado.

A Escritura é rigorosa a respeito do mal de praticar a idolatria. Os ídolos são escarnecidos como ilusórios, não existentes (SI 115-4-7; Is 44.9-20), mas escravizam seus adoradores em uma superstição cega (Is 44.20), que significa infidelidade perante Deus (Jr 2), e Paulo acrescenta que os demônios operam por intermédio dos ídolos, fazendo deles uma ameaça espiritual concreta; o contato com os falsos deuses somente corrompe (1 Co 8.4-6; 10.19-21). Em nossa cultura ocidental pós-cristã, que está preparada para preencher o vazio espiritual que as pessoas sentem ao voltar-se com simpatia para o sincretismo, a feitiçaria e os experimentos com o ocultismo, as advertências bíblicas contra a idolatria precisam ser tomadas com sensibilidade (cf. 1 Co 10.14; 1 Jo 5.19-21).

Que é que vem Primeiro, a Comunhão ou a Doutrina (Verdade)? - Lloyd-Jones

http://www.diocese-braga.pt/acaminho/subsidios/08_A/xxxi_tc_a_small.jpg
 
Que é que esta passagem ensina? (Ef 4.1-16). Há muitos que pensam que o ensino aqui é que somos exortados a ter comunhão uns com os outros, sejam quais forem as nossas idéias da fé cristã, a fim de que, em última instância, cheguemos a uma unidade de fé e crença. Há alguns anos um pregador evangélico expressou-o mais ou menos assim: "Eu sempre costumava pensar que você não pode ter comunhão com alguém, a menos que concorde com ele sobre doutrina. A minha posição sempre fora que, primeiramente, você tem que estar de acordo acerca da doutrina e da sua idéia de fé e, depois, com base nisso, poderá ter comunhão com as pessoas". Mas ele continuou e disse que tinha feito uma grande e impressionante descoberta quando releu este capítulo quatro da Epístola aos Efésios. Ele observou pela primeira vez na vida que o apóstolo começa exortando à comunhão: "Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz" (versículo 3). Disse ele: "Descobri que ali você começa com a comunhão, e que só mais tarde, no versículo 13, o apóstolo diz: "Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo". Assim, à luz disso, ele agora estava propondo ter comunhão com os que discordavam dele teologicamente, com os que eram liberais em sua perspectiva doutrinária, e com os outros. Ele ia fazer isso porque acreditava que era por meio dessa comunhão que podia esperar chegar finalmente a um acordo doutrinário. Foi uma inversão completa da posição que ele defendia antes. Ele se sentia convicto de erro, achava que estivera pecando. E agora exorta os cristãos a porem em prática a sua nova idéia sobre

0 ensino de Efésios, capítulo 4. É trabalhando juntos, evangelizando juntos, orando juntos e tendo comunhão uns com os outros, declara ele, que finalmente chegaremos à unidade da fé.

A questão crucial que temos que considerar é se essa parte das Escrituras ensina isso ou não. De novo o contexto é absolutamente vital e, portanto, devemos começar fazendo uma análise geral da passagem. O tema, vê-se com toda a clareza, é a unidade da Igreja. Na verdade, esse é o tema do apóstolo desde o início da Epístola. De muitas maneiras, o versículo chave para o entendimento da carta toda é 1:10: "De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele, digo". O apóstolo passa a mostrar como Deus esteve fazendo isso, trazendo o judeu e o gentio para es¬tarem juntos neste novo corpo, que é a Igreja, e depois chama a aten¬ção em particular para este tema na parte que estamos examinando.

Uma análise geral dessa porção revela o seguinte: nos versículos 1 a 3 Paulo faz um apelo geral a favor da unidade; nos versículos 4 a 6 ele descreve a natureza da unidade; nos versículos 7 a 12 ele descreve a variedade na unidade e os meios empregados por Deus para preservá-la; finalmente, nos versículos 13 a 16, ele descreve a unidade completa, ou a sua final e plena concretização e o seu ornamento. Isto ele apresenta tanto positiva como negativamente.

A chave para a exposição completa do capítulo 4 é a palavra "pois" do versículo 1. Ela nos direciona de volta aos três primeiros capítulos desta grande Epístola, e acentua que o tema da unidade é algo que decorre como conseqüência do que se passou antes. Isto, naturalmente, é típico do método neotestamentário de tratar de questões de conduta prática. Seu ensino essencial é que a conduta é sempre resultante da verdade e do ensino. A prática e o compor¬tamento são o resultado da aplicação da doutrina já estabelecida. E é precisamente isso que o apóstolo faz aqui. "Rogo-vos, pois", diz ele, "Rogo-vos, pois, eu, preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados". A exortação que se segue é feita à luz de tudo o que ele estivera dizendo nos três primeiros capítulos.

É claro, então, que qualquer que interprete esta porção como dizendo que o apóstolo começa com a comunhão e depois passa para a doutrina, está fundamentalmente errado: a sua exposição fica toda viciada logo de início pela simples razão que ele começa com o versículo 3 e ignora os versículos 1 e 2. A doutrina exposta nos capítulos 1 e 3 já é a base e o substrato de tudo o que o apóstolo tem para dizer acerca da unidade. Ele não começa com a unidade e depois parte para a doutrina; ele se dedica ao tema da unidade porque já estabelecera a sua doutrina.

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Mensagem do Dia

O homem, cujo tesouro é o Senhor, tem todas as coisas concentradas nEle. Outros tesouros comuns talvez lhe sejam negados, mas mesmo que lhe seja permitido desfrutar deles, o usufruto de tais coisas será tão diluído que nunca é necessário à sua felicidade. E se lhe acontecer de vê-los desaparecer, um por um, provavelmente não experimentará sensação de perda, pois conta com a fonte, com a origem de todas as coisas, em Deus, em quem encontra toda satisfação, todo prazer e todo deleite. Não se importa com a perda, já que, em realidade nada perdeu, e possui tudo em uma pessoa Deus de maneira pura, legítima e eterna. A.W.Tozer

"A conversão tira o cristão do mundo; a santificação tira o mundo do cristão." JOHN WESLEY"

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Alimentar-se da Palavra "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." (Hebreus 4 : 12).Erram por não conhecer as Escrituras, e nem o poder de Deus (Mateus 22.29)Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. Apocalipse 1:3

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